sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

30/12 - Esse ano novo eu já vi antes



Esse ano novo eu já vi antes (como a miopia e a egolatria ainda ditam a moda, repito o escrito do ano velho)

Bem que eu queria refazer o dito, mas não vejo diferença nesses hábitos de pensar e viver sem razão






"A civilização moderna tem reduzido o número dos tolos, mas aumentado proporcionalmente o dos velhacos."
Marquês de Maricá
Político e pensador brasileiro ( 1773-1848)



 

Olhando bem, esse ano novo eu já vi antes. Tem o corpo e a alma de amargos anos pretéritos. Até projeta algumas novíssimas novidades. Mas pelo desígnio da roda da história tais são quais, são vulgares e sem as essências que prenunciem mudanças, que ensejem novos dias, novas semanas, novos meses.
Que pena!

Temos a sensação de uma impertinente marcha lenta, quase parando. Trocam-se as fantasias e até mudam as posições das pedras no tabuleiro. Mas sem sinais de ventos uivantes, nem de uma brisa quimérica. O ar morno domina o ambiente de mortalhas andantes, introduzindo os fantasmas mórbidos, sem dó, nem piedade.

Como no sempre dessas fatalidades ignóbeis, o diapasão da farsa soa no sustenido sem recato que paira incólume sobre mentes inclementes, exibindo sem cerimônia a mesquinha caça aos podres poderes.

Os personagens se revezam nos movimentos ensaiados que cultivam a burla e a impostura. Todos, absolutamente todos os canastrões vestem a roupa de gala, correm para a fila das prebendas e exibem a exuberância de uma mediocridade de berço. Mediocridade que, por força de um óbvio torpemente triunfal, enraíza-se às profundezas da alma banalizada.

Há flores no meu jardim, ao pé da serra agredida, conspurcada, mas são rosas passageiras, sazonais.

Há uma réstia de esperança, isso há. Mas esperança de que? Em todos os entes o Estado vigente é um abominável mundo velho de costumes libidinosos e viciados. Olhe no alto, no tronco e nos ramos, nada verás de novo e belo nos altiplanos em rebuliço.

(Convenci-me que em um ano fiquei vinte anos mais velho - quase senil)

Ensaiam apenas variáveis de figurinos, cada vez mais influentes. O vozerio some no silêncio da ambição pessoal intumescida. Mais uma vez o grito estará parado no ar, ao sabor das conveniências de um jogo de cartas marcadas.

Querem a carne seca, a cocada preta, qualquer coisa que lhes sacie os olhos maiores do que a barriga. Cada uma puxa a brasa para sua sardinha. E embora seja farto o coração de mãe, a palavra de ordem é meu pirão primeiro.

Já se sabe de novas investidas à sombra da festa encorpada de assentimentos. Números graves denunciam a falência do porém, do todavia. Hordas acríticas cultivam o silêncio dos culpados. Sim, porque a inocência se perdeu nesse mundo de cínicas incongruências.

(Até o benefício da dúvida dissolveu-se na perspectiva do nada)
Antes, o tropel da esperteza vil mimetiza a consciência letárgica. Porca miséria, porca assimilação patética do canto das sereias. O mito venceu e se transformou no manda-chuva. Dentro ou fora das quatro linhas nada se fará sem seu bafejo inebriante. Dos seus suspiros e humores dependerão as alquimias.

Não há o que esperar para além dos velhos anos. É do espírito da mega farsa. A capacidade de encenação prevalecerá sobre a vida real. O populacho foi domado e nada tem a declarar.

Sirvam-lhes brioches e teremos as belas adormecidas pela languidez do seus cérebros moldados por úteros infantis. A lobotomia da eletrônica amputou em massa os signos da percepção, os fios da indignação doutrora.

Também pudera: o último dos moicanos sucumbiu faz tempo, isolado nos Andes encrespados. A história, infelizmente, não se repete, mormente quando os cordéis estão nas mãos sujas da malta insaciável. Da alcatéia dissimulada em peles de cordeiros.

(A pobreza de espírito tornou-se a mãe de todas as pobrezas)

Esse ano novo é pirata, é clone doutros monstrengos sem vergonha de ser. Haverá vinténs para os dóceis pedintes empencados sob sombra e água fresca. Mas faltarão níqueis para compensar décadas de labuta. Vem aí mais uma vez o garrote vil. Nessa tormenta, falam a mesma língua gregos e troianos, de olho na bagatela da banca.

Bem que eu queria estar na liça para enfrentar os Golias empedernidos. Mas me puserem para corner, em golpes baixos, impiedosos. E me deixaram falando sozinho sob o sol abrasador.

Mesmo à distância, porém, meus mil olhos não fecham jamais. E se me fazem ver a mil milhas distantes, se me impelem ao esperneio infrutífero dos insones sem peias, satisfazem-me no mínimo o ego indômito.

(Mesmo assim, eu ainbda respiro sem auxílio de aparelhos)

Como de hábito - hasta la vitória siempre - recarregarei minhas baterias energizadas por palavras amigas e me manterei com a guarda em alto. Porque também não quero ser essa metamorfose ambulante que se agacha covarde aos encantos das cortes e dos cofres.

Não quero e não serei vergável, nem que me venham cobertos de ouro, como não me calaram na câmara de tortura. Não e não, nem que tenha que amargar, sem choro nem vela, a solidão dos que não podem mais oferecer aos ex-fraternos o estuário dos cobres da casa, comida e roupa lavada.

Afinal, se é orgástico o apetite dos palácios, mais consistente e perene é o impulso dos átomos revigorantes que ainda restam em uma meia dúzia de três ou quatro inconformistas.


(Esta coluna é a mesma do final de 2010)
 
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30/12 - PiG desrespeita Dilma

PiG desrespeita Dilma. Cadê o general Elito ?

    Publicado em 27/12/2011
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A foto que o PiG não deu na primeira página
A Folha (*) e o Globo publicam na primeira página desta terça-feira uma fota da Presidenta do Brasil na beira da praia, nas férias de fim de ano, na praia de Inema, em Salvador.

A Presidenta do Brasil veste uma túnica e está de chapéu.

Para testar a temperatura da água, levanta a túnica até a cintura.

É como se estivesse de maiô.

E é assim que aparece na capa de O Globo e da Folha (*).

A Presidenta do Brasil é uma mulher de 64 anos.

Recatada, discreta, severa.

Não é uma “celebridade”, não busca os holofotes.

Como poucos Presidentes da República, respeita e se comporta dentro da “liturgia do cargo”.

No modo de vestir-se, agir e falar.

Nesse aspecto, lembra mais os presidentes militares do que os da República Nova.

A quem interessa ver a Presidenta do Brasil naquela situação ?

Por que o PiG (*) desrespeitou a Presidenta do Brasil ?

Porque o PiG não respeita o Brasil.

O PiG não respeita o Brasil de uma Presidenta da República trabalhista.

O PiG quer que o Brasil de um Governo trabalhista se dane.

A primeira página do Globo e da Folha (*) desta terça-feira natalina é, em si, uma tese de pós-graduação para historiadores do quilate do professor Villa.

Na base da primeira página, a foto da Presidenta do Brasil.

No alto, diz o Globo, de novo, desrespeitosamente:

“’Milagres’ (sic) da economia.

Brasil passa Reino Unido, MAS (ênfase minha: quando a notícia é boa há sempre um MAS  – PHA) só terá renda igual em 20 anos.

PIB brasileiro já é o 6º maior do mundo e pode passar França e Alemanha.

Venda de Natal, no entanto (sic) decepciona (decepciona quem, cara pálida ? – PHA). “

A Folha (*) simplesmente ignorou na primeira página que o Brasil passou a Inglaterra.

Não é notícia que interesse aos representantes do new money da Província de São Paulo.

(O representante do old money da Província, o Estadão, deu destaque à ultrapassagem da Inglaterra.)

O tratamento que o PiG dispensa à Presidenta do Brasil corresponde ao desprezo que a elite dispensa ao Brasil de classe média, próspero e cheio de esperança, que o Nunca Dantes e a Presidenta mandaram para a escola e o shopping center.

O Brasil que foi para as redes sociais ler o livro da Privataria Tucana (de São Paulo), o livro que desnudou a peça central da ideologia tucana: a privatização, ou como dizia o Aloysio Biondi, que fez o “Brasil privatizado”.

É o PiG que se regozijou com a peruca da quimio da Presidenta do Brasil.

É o PiG que senta praça na porta do Sírio para noticiar a “morte” dos pacientes trabalhistas (já que próstata de tucana não cresce).

É o PiG que publica a ficha falsa da guerrilheira Dilma.

É uma pena.

Mas, a foto da Presidenta da República que vai para a História será a da guerrilheira, depois de torturada, a desafiar os juízes acovardados, de rosto encoberto.

Nenhum herói da elite tucana tem uma foto dessas na biografia.

Eles fugiram.
Navalha
Cadê o general Elito?
Indicado pelo Nelson Johnbim, o general Elito é aquele que passou a mão na cabeça dos militares torturadores, levou um pito da Presidenta do Brasil e foi rebaixado à condição de chefe da segurança.
O que fazia o general Elito, quando os fotógrafos da Folha e do Globo montaram campana para flagar a Presidenta do Brasil num momento de intimidade com a família?
Para que serve o general Elito, o derradeiro johnbiniano deste Governo ?
Como se sabe, a Folha (*) e o Globo mereciam tratamento especial na jestão de Johnbim no Ministério da Defesa.
Continuam a merecer.




Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.



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30/12 - Conversa Afiada da semana

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Conversa Afiada
PiG desrespeita Dilma. Cadê o general Elito ?
Brasil é a sexta Economia. E a Globo se muda para Londres O que a Dilma fez em 2011. E ninguém soube Amaury: tomara que a Verônica Cerra me processe
Verônica Cerra explica mas não explica Onde Cerra passará o Reveillon ? Por que o PSDB não manda o Cerra embora ?
Noblat, Amaury e os tucanos: bye-bye 2014 ! | jn dá cotação de Bolsa fechada. O vídeo da mega-barriga
Paulo Henrique Amorim

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30/12 - LUTA PELA DESPRIVATIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO

FONTE:castorphoto@gmail.comDe: Paulo Dantas

LUTA PELA DESPRIVATIZAÇÃO DO ESTADO BRASILEIRO CONTINUA!
"PRIVATARIA TUCANA" COLOCA PSDB EM SINUCA DE BICO E PRESSÃO POPULAR, COM INSTALAÇÃO DA CPI, SERÁ DETERMINANTE PARA REATIVAR A LUTA PELO RETORNO AO PATRIMÔNIO PÚBLICO DE VÁRIAS EMPRESAS DOADAS AO SETOR PRIVADO, ENTRE AS QUAIS A VALE DO RIO DOCE
 
"ESQUEMA SERRA" POR TRÁS DE VÁRIOS CRIMES DE LESA-PÁTRIA
Nassif
A sinuca de bico do PSDB no caso da "Privataria” - por Luis Nassif
O livro "A Privataria Tucana" tem tucana no nome. Mas investiga especificamente o chamado "esquema Serra"
As acusações são individualizadas e se referem objetivamente a Serra. Amaury o acusa diretamente de corrupção. Se inocente, caberia a Serra buscar a reparação na Justiça.
Não o fará porque um eventual processo certamente esmiuçaria sua atuação desde a Secretaria do Planejamento de Franco Montoro, passando pelo relatório Bierrenbach, pelo caso Banespa e pelas privatizações, além de enveredar pelos negócios da filha no mundo offshore
Só faltava a Serra, a esta altura do campeonato, uma ordem judicial para abrir as contas da filha nas Ilhas Virgens
 
CartaMaior
A mídia ganhou e perdeu em 2011. Agenda de 2012 depende da privataria - por Gilberto Maringoni
Meios de comunicação buscaram impor orientação conservadora ao país.
Ganharam, apesar de derrotados nas eleições de 2010. Embate pela agenda política de 2012 passa pelo destino que se dará à CPI da privataria. Ela pode ser uma espécie de “Comissão da verdade” do neoliberalismo. Tudo depende de existir pressão popular
 
Viomundo
Amaury Ribeiro Jr: O primo mais esperto de José Serra
O primo mais esperto de José Serra, capítulo 8 de A privataria tucana, de Amaury Ribeiro Jr., publicado com autorização da Geração Editorial
 
Escrevinhador
CPI da Privataria: deputados petistas dizem que vão apoiar a Comissão
 
FRAUDES NO BANESPA
IstoÉ - 29/05/2001
O elo perdido - por Amaury Ribeiro Jr.
Ex-sócio de Serra, Vladimir Rioli foi responsável por operações fraudulentas no Banespa em parceria com Ricardo Sérgio
 
LIVRO DESMASCAROU A IMPRENSA E ESTÁ NO TOPO DOS MAIS VENDIDOS
Blog do Kotscho
O ano em que um livro desmascarou a imprensa
"Se a Gazeta Esportiva não deu, ninguém sabe o que aconteceu".
(Slogan de um antigo jornal de São Paulo, nos tempos pré-internet, que ainda inspira muitos jornalistas brasileiros).
Daqui a cem anos, quando os historiadores do futuro contarem a história da velha mídia brasileira, certamente vão reservar um capítulo especial para o que aconteceu em 2011.
Foi o ano em que um livro desmascarou o que ainda restava de importância e influência da chamada grande imprensa na formação da opinião pública brasileira.
O suicídio coletivo foi provocado pelo lançamento de um livro polêmico, A Privataria Tucana, do premiado repórter Amaury Ribeiro Júnior, com denúncias sobre o destino dado a bilhões de reais na época do processo de privatização promovido nos anos FHC.
Como envolve personagens do alto tucanato em nebulosas viagens de dinheiro pelo mundo, o livro foi primeiro ignorado pelos principais veículos do país, com exceção da revista "Carta Capital" e dos telejornais da Rede Record; nos dias seguintes, os poucos que se atreveram a tocar no assunto se limitaram a detonar o livro e o seu autor.
Sem entrar no mérito da obra, o fato é que, em poucos dias, A Privataria Tucana alcançou o topo dos livros mais vendidos do país e invadiu as redes sociais, tornando-se tema dominante nas rodas de conversa do Brasil que tem acesso à internethttp://noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/2011/12/19/o-ano-em-que-um-livro-desmascarou-a-imprensa/
 
 
OI
Livro "A Privataria Tucana" entra no ranking dos mais vendidos
Lançado em 9 de dezembro deste ano, o livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., alcançou o topo do ranking de livros mais vendidos do site especializado em mercado editorial PublishNews. O site contabiliza as vendas de 12 livrarias –Argumento, Cultura, Curitiba, Fnac, Laselva, Leitura, Martins Fontes SP, Nobel, Saraiva, Super News, Travessa e da Vila
 
OI
A imprensa descobre o livro - por Luciano Martins Costa
Demorou, mas finalmente a chamada grande imprensa – ou pelo menos os jornais paulistas O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo – admitem em seu noticiário a existência do livro A privataria tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr.
 
EM 1997, VERGONHOSAMENTE O GOVERNO FHC PRIVATIZOU A VALE DO RIO DOCE POR R$ 3,3 BILHÕES, QUANDO VALIA, NO MÍNIMO, R$ 96 BILHÕES, À ÉPOCA DE SEU LEILÃO 
 
DOAÇÃO DA VALE DO RIO DOCE, AINDA SOB CONTESTAÇÃO NA JUSTIÇA HÁ 14 ANOS, DEMONSTRA QUE O PODER JUDICIÁRIO BRASILEIRO É SUBMISSO AOS INTERESSES CAPITALISTAS
Cadernos Ipea
“Não pode haver poder sem controle” - Entrevista com o jurista Fábio Konder Comparato
Os bens públicos não pertencem ao Estado, eles são geridos, administrados pelo Estado.
Pertencem ao povo brasileiro. A Vale do Rio Doce não foi vendida, foi doada. Em seu processo de avaliação, participou o banco que acabou sendo um dos compradores, afirma o jurista Fábio Konder Comparato.
Comparato, 75, professor emérito da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, é um homem de fala pausada e opiniões claras. Firme opositor da ditadura militar (1964-85), ele abraçou várias causas cidadãs e voltadas para o respeito aos direitos humanos, nos anos seguintes.
Na década de 1990, Comparato esteve na linha de frente dos que tentaram impedir o processo de privatização das empresas estatais. “Um crime contra o país”, diz ele.
Estou cada vez mais convencido de que aquilo foi um crime contra o patrimônio nacional. Se nós tivéssemos tido uma evolução humanista da mentalidade coletiva e uma verdadeira democratização, e não essa falsa democratização que se diz ter ocorrido em 1988, os autores desse crime deveriam ser julgados. O episódio da venda da Companhia Vale do Rio Doce, por exemplo, revelou até que ponto o Poder Judiciário sofre a dominação do poder capitalista. Vou contar um episódio que não foi divulgado, mas é o retrato dessa submissão. Foi proposta uma ação popular contra a privatização, em uma vara da Justiça Federal em São Paulo. Em seguida, foi concedida uma liminar para suspender o leilão, que deveria ocorrer na bolsa do Rio de Janeiro. O governo da época apresentou recurso contra essa liminar ao Tribunal Regional Federal, que manteve suspensão. Em seguida, o governo produziu um recurso inexistente para que o processo chegasse ao Superior Tribunal de Justiça. No STJ, armou-se todo um cerco em torno dos desembargadores, sobretudo daquele a quem foi distribuído o processo. Esse desembargador, imediatamente, deslocou a jurisdição do caso de São Paulo para o Rio de Janeiro. Lá, o caso chegou às mãos de uma juíza. Mais tarde, segundo seu próprio relato, ela recebeu um comunicado pessoal de outro juiz, dizendo ser ela obrigada a reformar a sentença oficial e julgar improcedente a ação popular proposta. Até hoje, ainda não há uma solução para isso, porque a Vale do Rio Doce e o governo federal multiplicaram recursos. Chegamos até o Superior Tribunal Federal, mas ainda não conseguimos uma decisão definitiva, mais de uma década depois. Isso é o retrato da Justiça neste país
Mais recentemente, seus esforços focaram-se para uma nova interpretação da Lei de Anistia, de 1979, à luz da Constituição Federal e do Direito Internacional. “O crime de tortura é imprescritível. Não há como a democracia avançar sem examinar essa questão do nosso passado”.
A causa dos direitos humanos o levou a outra seara, conectada com as anteriores: a luta pela democratização das comunicações.
 
CRISE NO JUDICIÁRIO: QUEM NÃO DEVE, NÃO TEME E NÃO TREME! PELA TRANSPARÊNCIA DE TODAS AS INSTÂNCIAS DA JUSTIÇA
SUPREMO, NUMA AÇÃO CORPORATIVA, BARRA E QUER LIMITAR INVESTIGAÇÃO DO CNJ SOBRE PARCELA DE MAGISTRADOS, MAIS CONHECIDOS COMO BANDIDOS DE TOGA
O Globo
Entenda a polêmica envolvendo o CNJ e os magistrados
 
CB
O embrulhado estômago do Judiciário
Um artigo sobre a crise que se instalou no Poder Judiciário, depois que a ministra corregedora do Conselho Nacional de Justiça resolveu investigar juízes e demais servidores que se encontram com patrimônio incompatível ao salário que recebem. O mal-estar atingiu togados que têm alguma coisa a esconder.
Depois que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) resolveu investigar a suspeita evolução patrimonial de certos juízes e servidores de 22 tribunais, o Poder Judiciário brasileiro entrou em crise
 
ESQUEMAS NO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE SÃO PAULO (TJ-SP):
PAGAMENTOS IRREGULARES DE LICENÇAS-PRÊMIO E AUXÍLIO MORADIA E INDÍCIOS DE ENRIQUECIMENTO ILÍCITO DE PARCELA DE SEUS MAGISTRADOS
Folha
Juízes recebem benefício por anos em que eram advogados
O Tribunal de Justiça de São Paulo concedeu a 22 desembargadores licenças-prêmio referentes a períodos em que eles trabalharam como advogados, anteriores ao ingresso no serviço público.
A corte também é investigada pelo CNJ por supostos pagamentos de verbas relativas a auxílio moradia de forma privilegiada.
O conselho apura ainda possíveis casos de enriquecimento ilícito
 
Folha
Presidente eleito do TJ-SP defende decisão que limita atuação do CNJ
O presidente eleito do Tribunal de Justiça de São Paulo, Ivan Sartori, defende a decisão provisória que limitou os poderes de investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e nega que falte transparência ao Judiciário paulista
 
CA
A crise do CNJ é São Paulo
O Presidente do STF, o inimigo público Número Um do CNJ, Cezar Peluso, originário de São Paulo, terá prestado uma contribução inestimável à História da Magistratura Brasileira.
Criou uma Heroina: Eliana Calmon.
 A mulher que abriu a caixa preta da Justiça.
 Em São Paulo.
 Peluso é o Agripino Maia da Calmon
 
ECONOMIA
 
O QUE FALTA AO BRASIL PARA ALCANÇAR PADRÃO EUROPEU
BBC
Ascensão para 6ª economia foi 'presente de Natal' para Dilma, diz jornal
A notícia de que o Brasil superou a Grã-Bretanha e agora seria a sexta maior economia do mundo ''foi o melhor presente de Natal com o qual poderia ter sonhado o governo Dilma Rousseff'', de acordo com o jornal argentino La Nación
Estadão
Para Mantega, País será a 5ª economia antes de 2015
O ministro ponderou, no entanto, que ainda é preciso melhorar o padrão de vida da população para que fique perto do que é registrado pelos países mais ricos do mundo
BBC
Para britânicos, Brasil com padrão europeu é meta difícil, mas não impossível
Estrangeiros que vivem no Rio destacam entraves como desigualdade e educação falha, mas se mantém otimistas
BBC
Imigrantes em 'paraísos do desenvolvimento' destacam o que falta ao Brasil
Enquanto o Brasil se prepara para avançar mais uma posição no ranking das economias, mas ainda enfrenta mazelas típicas de países subdesenvolvidos, imigrantes brasileiros que vivem nos países com os mais altos índices de desenvolvimento destacam as diferenças entre os dois mundos
CartaMaior
Sexto PIB mundial, Brasil avança no FMI, mas ainda é só o décimo
Diário Oficial publica aval parlamentar à adesão, pelo governo, a acordo de dezembro de 2010 fechado pelos membros do Fundo Monetário Internacional que redivide poder interno. Brasil ganha quatro posições e torna-se 10º sócio. Com PIBs menores, Reino Unido, Itália, Rússia e Índia estão na frente. Nova ordem deve vigorar em outubro
Estadão
Brasil cresce com realismo - por Alberto Tamer
Apesar do recuo nos últimos meses, a economia brasileira encerra o ano bem, muito bem mesmo. Cresceu menos, vai ficar só em torno de 3%, porque tinha crescido muito em 2010, mas termina o ano inteira, como registram os indicadores econômicos divulgados ontem pelo Banco Central. São todos positivos, mesmo com a inflação batendo no teto da meta, mas sob controle.
É a sexta no mundo. O PIB brasileiro passou o do Reino Unido e pode alcançar a França, não porque cresceu muito, mas porque eles estagnaram a caminho de uma recessão que todos os institutos de pesquisa e até o Fundo Monetário Internacional (FMI) admitem como inevitável
 
MINHA CASA, MINHA VIDA
Reuters
Minha Casa, Minha Vida terá de destinar 3% das moradias a idosos
SÃO PAULO, 27 Dez (Reuters) - O programa habitacional "Minha Casa, Minha Vida" terá de destinar 3 por cento das moradias previstas à população idosa, conforme normas publicadas na edição desta terça-feira do Diário Oficial da União.Ainda de acordo com as novas regras, pelo menos 3 por cento das unidades de cada empreendimento deverão ser destinadas a pessoas com deficiência ou a famílias das quais façam parte pessoas com deficiência
 
Jornal da Record
Vídeo: Programa Minha Casa, Minha Vida vai destinar cotas para idosos e deficientes
O programa, que é uma das prioridades do governo da presidente Dilma Rousseff, facilita a compra da casa própria para famílias com renda de até R$ 5.000. O Ministério das Cidades acabou de estabelecer que pelo menos 3% das moradias devem ser para idosos e outros 3% para portadores de deficiência
 
AQUISIÇÃO DE EMPRESAS ESTRANGEIRAS
Estadão
Empresas brasileiras agora investem na aquisição de estrangeiras no País
Após se internacionalizarem, grupos nacionais aproveitam crise nos países ricos e avançam nas subsidiárias brasileiras de multinacionais
 
ALAVANCAGEM ECONÔMICA POR CAUSA DO PRÉ-SAL
Estadão
Em Santos, pré-sal alavanca turismo de negócios
Com economia aquecida, cidade já atrai redes internacionais, como Ibis e Mercure; resorts também estão de olho na região
 
SÃO PAULO
 
NA CONTRAMÃO DO QUE FAZ O GOVERNO FEDERAL, GOVERNO ALCKMIN, PAUTADO PELA CARTILHA DO PSDB E IMITANDO SERRA, FREIA CRESCIMENTO DA ECONOMIA PAULISTA E DESCUMPRIRÁ METAS PRÉ-ESTABELECIDAS
AP
Alckmin cortou R$ 3,5 bilhões em investimentos
Relatório de execução do Orçamento estadual, entre janeiro e outubro de 2011 comparado ao mesmo período de 2010, aponta que o governo Alckmin reduziu em 54,9% os investimentos*, ou seja, R$ 3,56 bilhões. Os investimentos significam, basicamente, obras e compra de equipamentos
 
Estadão
Governo de SP vai cortar R$ 1,5 bi do orçamento
Governador admitiu contingenciamento para 2012, sem citar o valor, e afirmou ser uma precaução diante da crise internacional
 
Folha
Alckmin freia investimentos no primeiro ano do mandato
O governador Geraldo Alckmin (PSDB) pôs o pé no freio dos investimentos no primeiro ano de seu mandato e não conseguirá cumprir a meta estipulada por sua equipe econômica
 
PROMESSÔMETRO DE KASSAB: PROCURANDO RECUPERAR PRESTÍGIO PERDIDO
Folha - 30/12/2011
Promessas de Kassab ficam para o último ano da gestão
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (PSD), chega a seu último ano de mandato sem concluir a maioria das principais promessas feitas durante a eleição.
 
ASSEMBLEIA LEGISLATIVA EM FOCO
[A pedido de internautas, vídeo do CQC sobre a Assembleia de SP, levado ao ar na TV Band no início do mês)
CQC - 12/12/2011
Vídeo: Transparência nas nomeações e auxílio-paletó
 
VIOLÊNCIA & INSEGURANÇA
Estadão
Homicídio aumenta pelo 2º mês na capital paulista; latrocínio é maior desde julho
Foram registrados sete casos de roubos seguidos de morte em SP em novembro, período em que também mais se roubou veículos na cidade
 
Folha
Criminosos levam 21 veículos a cada hora em SP; homicídios caem em SP
 
Análise da contradição das notícias acima sobre taxa de homicídios:
 
Observatório da Imprensa
A espuma das retrospectivas - por Luciano Martins Costa
Este é o período do ano em que a imprensa brinda seu público com as alentadas retrospectivas e com ambiciosas perspectivas para o futuro próximo. Dadas certas características do noticiário, porém, é aconselhável que o leitor não leve muito a sério tudo que lê.Se considerar as edições de terça-feira (27/12) do Estado de S.Paulo e da Folha de S.Paulo, por exemplo, terá de escolher entre duas alternativas para o mesmo acontecimento.No Estadão, “Número de homicídios sobe pelo segundo mês em São Paulo”.Na Folha, a manchete festiva garante que “Homicídio cai e roubo de veículos sobe em São Paulo”.O Estadão afirma ainda que o número de latrocínios – roubos seguidos de morte – ocorridos até novembro deste ano supera o total de 2010 em 15% em todo o estado. A tendência de alta também se repete na capital.
 
INTERNACIONAL
 
DITADOR ARGENTINO CONDENADO A PRISÃO
CartaMaior
Último ditador argentino condenado a mais 15 anos de prisão
Reynaldo Bignone, último presidente da ditadura argentina, foi condenado a mais 15 anos de prisão. No ano passado, a Justiça já havia condenado Bignone a 25 anos de prisão pelos crimes cometidos em Campo de Maio, onde foi comandante. Em 14 de abril deste ano, Bignone recebeu prisão perpétua. Agora, sofreu nova condenação por ações praticadas no Hospital Posada, onde funcionava o centro clandestino de detença e tortura, "El Chalet".
 
CORRUPÇÃO ABALA REPUTAÇÃO DA FAMÍLIA REAL ESPANHOLA
Reuters
Genro do rei da Espanha é indiciado por fraude
MADRI (Reuters) - O genro do rei da Espanha foi indiciado nesta quinta-feira por fraude e enriquecimento ilícito, num caso que abalou a reputação da família real espanhola e levou a realeza a tomar a inédita decisão de revelar suas fontes de renda
 
CHUVA E TEMPO NUBLADO NOS ÚLTIMOS DIAS DE 2011 & MEGA-SENA DA VIRADA
G1
Tempo nublado e chuva em boa parte do país nos últimos dias de 2011
Meteorologistas apontam chuva em MG, sul da BA e ES nesta sexta-feira.
No réveillon, pode chover no Sudeste e Nordeste; sol deve cobrir RS
 
G1
Previsão de um prêmio de R$ 170 milhões para os acertadores das 6 dezenas da Mega-sena da Virada
Apostas podem ser feitas até as 14h de sábado (31) e sorteio será às 20h.
Aplicado na poupança, dinheiro renderia mais de R$ 1 milhão por mês
 
G1
Em MS, grupo aposta R$ 10 mil em bilhete único na Mega-Sena da Virada
O bilhete de 15 números tem chance de acerto de 10 mil para 1, segundo a Caixa Econômica Federal.
Com uma aposta simples, de seis números, as chances de ganhar seriam de 50 milhões para um
 
ESPORTES
 
CORRUPÇÃO NO FUTEBOL: PROPINAS RECEBIDAS POR RICARDO TEIXEIRA E JOÃO HAVELANGE
Estadão
Justiça complica Teixeira e Havelange
Corte suíça libera o conteúdo de documentos que podem revelar o pagamento de propinas na entidade; brasileiros são principais alvos e ameaçam revide
 
Jornal da Record
Vídeo: Justiça Suíça quer revelar dossiê sobre propinas que envolve Ricardo Teixeira
A Justiça Suíça rejeitou apelação e mandou a Fifa revelar o dossiê que pode comprovar a participação de Ricardo Teixeira num esquema milionário de propinas. Pela decisão do Tribunal de Zug, na Suíça, as 40 páginas de documentos da investigação podem vir a público daqui a um mês. Os papéis teriam detalhes de como uma agência de marketing pagou propinas a cartolas em troca de direitos de transmissão de jogos de futebol
 
ESPN
VÍDEO: Jornalista britânico dispara: 'Quando os governantes brasileiros irão dar um basta?
LINHA SUCESSÓRIA NA CBF
Estadão
José Maria Marin, de 79 anos, é o primeiro da fila para assumir CBF
Grupo que não acredita que Teixeira consiga se sustentar por muito tempo no cargo
 
TÁTICA DA CBF
BondeNews
CBF rebate críticas da Record com aumento de publicidadeProtagonista na campanha contra Ricardo Teixeira, a emissora percebeu neste mês um aumento considerável das inserções publicitárias da entidade
 
DESFECHO DO CASO ADRIANO
Estadão
Após acareação, jovem admite disparo
Adriene Cyrilo muda versão e reconhece que segurava a arma quando houve o tiro acidental que atingiu sua mão esquerda, sábado, dentro do carro de Adriano
 
Estadão
Adriano estuda pagar gastos médicos de jovem baleada
Custo do tratamento de Adriene Cyrilo em hospital ficou em R$ 82 mil
 
87ª CORRIDA DE SÃO SILVESTRE
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30/12 - A palavra do ano é “Occupy”



Samy Alim
26/12/2011, Samy Alim, New York Times
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

O New York Times volta a falar do lugar que a palavra “ocupar” [#Occupy] passou a ter nos movimentos sociais que se multiplicaram esse ano em todo o planeta. E propõe que se colha a oportunidade para “ocupar a linguagem” e refletir sobre como damos nomes às coisas e às pessoas – em especial aos estrangeiros.

Em outubro passado, parti de San Francisco, sobrevoando os portos da costa oeste dos EUA paralisados pelo movimento Occupy Oakland, antes de chegar à Alemanha, em meio aos tumultos provocados por Occupy Berlin. Hoje, só resta constatar que o movimento Occupy transformou, não só o espaço público, mas, também transformou o discurso público. 

Occupy [1]. Hoje, já é praticamente impossível ouvir essa palavra, sem pensar nos militantes instalados nas praças e ruas do mundo. 

Até o célebre lexicógrafo Ben Zimmer estima que Occupy tem grandes chances de ser escolhida “a palavra do ano” pela American Dialect Society. O vocábulo já conseguiu modificar os termos do debate, tirando de cena “teto de endividamento” e “crise orçamentária”, substituídos por “desigualdade” e “ganância”. 

A ironia da palavra “ocupar”, para designar uma corrente social progressista que visa a redefinir o debate em torno das noções de equidade e democracia, certamente está bem visível. Afinal, na linguagem corrente, só países, exércitos, polícias, “ocupam” territórios, praticamente sempre pela força. Sobre isso, aliás, os EUA nada têm a aprender. 

E em apenas poucos meses, o movimento Occupy mudou completamente o significado da palavra “ocupação”. Até setembro, “ocupar” significava operação militar. Hoje, “ocupar” é sinônimo de luta política progressista [e quem, no ocidente, queira falar do que Israel faz na Palestina, ficam com a tarefa revolucionária de buscar, ou de inventar, palavras mais adequadas para o que Israel faz na Palestina: invasão pela força, com violência, ilegal, contra a razão democrática e civilizada do mundo (NT)]. 

Hoje, “Ocupar” é denunciar injustiças, desigualdades, abusos de poder. E em nenhum caso se trata de apenas impor-se num espaço: hoje, ocupar significa também transformar os espaços. Nesse sentido, o movimento Occupy Wall Street ocupa literalmente a língua, e é hoje autor [não proprietário (NT)] da palavra OCUPAR! 

A primeira vez que a palavra “ocupar” apareceu em inglês, associada a manifestações sociais,  remonta aos anos 1920s, quando operários italianos decidiram ocupar as fábricas em que trabalhavam, até que suas reivindicações fossem satisfeitas. Já foi uso muito distante da origem da palavra. O Dicionário Oxford English ensina que, na origem, “occupy” significou “ter uma relação sexual”. Hoje, a mesma palavra, já ressignificada, serve para preencher [ocupar?] muitos vazios gramaticais do discurso. 

E se mudássemos mais uma vez o significado da palavra “ocupar”? Mais exatamente, e se pensássemos no “discurso do movimento Occupy” não mais como discurso dos militantes de Occupy, mas como movimento total, ele todo, de Ocupar a Linguagem? E o que desejariam esses “ocupantes da linguagem”?

Occupy a Linguagem” [ing. Occupy Language] bem poderia inspirar-se, ao mesmo tempo, no movimento Occupy – que nos faz lembrar que as palavras sempre significam e que a língua não é estática, fechada – e dos  movimentos locais que contestam os usos locais da linguagem e fazem lembrar que a língua pode ser tanto ferramenta de libertação quanto ferramenta de opressão; tão potente para unir, quanto para segregar. 

O movimento, portanto, poderia começar por refletir sobre ele mesmo. Em recente entrevista, Julian Padilla, do People of Colour Working Group [Grupo de Trabalho das Pessoas de Cor], convocava os militantes a examinar as próprias escolhas lexicais:

“Ocupar significa tomar posse de um espaço, e acho que ver um grupo de militantes anticapitalismo tomar posse do espaço na Rua do Muro [ing. Wall Street] é um símbolo muito potente. Mas gostaria que eles se dessem conta da história dos povos nativos, dos peles vermelhas e dos peles negras e dos pele amarela do imperialismo em todo o mundo. E que passassem a chamar o próprio movimento de “Descolonizar a Rua do Muro” [orig. fr. “Décoloniser Wall Street”]. Ocupar um espaço não é necessariamente ação negativa. Tudo depende de o que se faz, como e por quê. Quando os colonizadores brancos ocupam um país, eles não vêm para ficar, vêm de passagem, vêm para pilhar e destruir. Quando descendentes de tribos nativas dos EUA ocupam Alcatraz (entre 1969 e 1971), é ato de contestação.” 

O movimento “Occupy Language” também poderia fazer campanha para impedir que os veículos de mídia continuem a usar o adjetivo “ilegal” aplicado a imigrados sem documentos. Os que defendem essa causa explicam que o adjetivo illegal em inglês [em português do Brasil, em termos jurídicos precisos,  também (NT)], só se aplica a ações e objetos inanimados. Usar o termo “os ilegais” [ing. illegals; fr. les illégaux) aplicado a pessoas, opera portanto, em primeiro lugar, a des-humanização das pessoas às quais se aplica.

Mas o New York Times só recomenda aos seus jornalistas que evitem as expressões “estrangeiro ilegal” [ing. illegal alien; fr. étranger illégal] ou “estrangeiro sem documentos” [ing. Undocumented alien; fr. sans-papiers]. O New York Times nada diz sobre não usar a expressão “os ilegais” [ing. illegals].



Nota dos tradutores
[1] A palavra Occupy [nas redes sociais, sempre #Occupy] é, sim, um belo achado, uma bela invenção internacionalista, dos muitos que se dizem, nós-vós-vóz-de-nós-mesmos: “ocupai/ocupar/ocupemos!”.
Em português, há aí também um traço performativo de palavra-de-ordem: “Ocupai!” – modo imperativo, 2ª pess. do plural, do verbo ocupar, como “falai!”, “cantai!”, “sentai!”, “andai!”, “marchai!”, “manifestai!”, “ocupai e não arrastais o pé daí, nós-vós-vóz-de-nós-mesmos, os 99%”. Em inglês, há aí, o traço declarativo (também performativo, portanto) do infinitivo (“ocupar”) que ecoa, também para os bilíngues, com inglês, em todo o mundo.

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