segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Casa de Rui Barbosa: Emir Sader nem tomou possa e já apanha da mídia

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Emir Sader nem tomou posse e já apanha da mídia

publicada segunda-feira, 28/02/2011 às 19:36 e atualizada segunda-feira, 28/02/2011 às 19:02

Recebo de Emir Sader o texto que se segue. O professor foi indicado para presidir a Casa de Rui Barbosa, no Rio. No domingo, a “Folha” entrevistou Emir Sader e abriu duas ou três páginas de um suplemento de Cultura, para atacar o professor. Imagino que o texto abaixo seja uma espécie de resposta à “reportagem” do jornal paulista, apesar de Emir Sader não citar diretamente a “Folha”.
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OS DESAFIOS DO TRABALHO INTELECTUAL NO BRASIL
por Emir Sader
Nomeado, mas ainda não empossado para dirigir a Fundação da Casa de Rui Barbosa, eu não queria seguir alimentando mais entrevistas, declarações, palavras enfim, depois de ter sugerido as ideias inicias com que pretendemos nortear o trabalho na direção da Casa.
No entanto, uma vez instaurado um debate saudável – um primeiro objetivo, o de suscitar o debate sobre a função de um espaço culturas público no momento que vive o país -, com as inevitáveis e bem vindas reações e as negativas manipulações ou edições unilaterais de matérias, vale a pena voltar ao assunto, pela primeira com um breve texto de responsabilidade totalmente minha.
Antes de tudo, para reafirmar o respeito por todo o extraordinário trabalho que a FCRB vem desenvolvendo, seja na conservação do acervo, na pesquisa, na promoção de eventos e em tantas outras atividades, que o consagrou como um espaço de referência nessas atividades, em que abriga alguns dos melhores pesquisadores das distintas especialidades a que a Casa se dedica. Isto nunca esteve em questão, trabalhadores, em estreita colaboração com o MINC e a Ministra Ana de Hollanda, assim como com outras instâncias do governo que já manifestaram interesse concreto em articular suas atividades considerando a Casa como um espaço de reflexão de todas as Secretarias do MINC, assim de outros Ministérios do governo – como o MCT, o Ministério da Saúde, de Comunicação, da Educação, do Meio Ambiente, dos Esportes, as Secretarias de Políticas para as Mulheres, dos Direitos Humanos, de Igualdade Racial, dos Esportes. A Casa buscará ser, além de todas as tarefas que já cumprem de forma efetiva, um espaço mais integrado ao MINC e ao governo federal, instancias a pertence institucionalmente.
Essas demandas, junto à necessidade de incentivar debates que ajudem a compreensão do Brasil contemporâneo – além daqueles que a Casa já desenvolve – nos levam a programar atividades específicas, dirigidas a decifrar as imensas transformações que o Brasil sofreu nas duas ultimas décadas. É uma lacuna que já apontava conversa que tivemos com a atual Presidenta Dilma, quanto Marco Aurélio Garcia e eu fazíamos uma entrevista para o livro O Brasil, entre o passado e o futuro (Editoras Perseu Abramo, organizado por Marco e eu), quando constatávamos como faz falta hoje ao Brasil um novo impulso teórico e cultural, que sempre acompanhou os momentos de grandes transformações politicas do país. Recordávamos como isso ocorreu nos anos 30, concomitantemente ao primeiro governo do Getúlio, que dava origem ao Estado nacional contemporâneo, com obras como as de Caio Prado Jr., Sergio Buarque de Holanda, Gilberto Freire, Anísio Teixeira, entre tantos outros. Realizada um pouco antes, mas estendendo sua influência por todas as décadas posteriores, a Semana de Arte Moderna condensou a todas as grandes correntes artísticas renovadoras que povoam até hoje a arte brasileira.
Na virada dos anos 50 para os 60 do século, juntos aos acelerados processos de urbanização e de industrialização, com o fortalecimento de classes e forças sociais fundamentais no processo de profunda democratização por que passava o país, o desenvolvimento de obras como de Darcy Ribeiro, Celso Furtado, Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Werneck Sodré, todo o grupo do ISEB – sem querer mencionar a todos -, enquanto a bossa nova, o cinema novo, o boom e a renovação criativa no teatro brasileira, assim como nas artes plásticas, agora a presença exponencial de Oscar Niemeyer, Burle Marx, para referir-nos apenas a alguns dos arquitetos e paisagistas. A lista e as atividades é extensa, na maior concentração de arte criativa e original que o Brasil conseguiu produzir em um espaço relativamente curto. (Certamente, se podem acrescentar muito mais nomes e atividades, estas estão aqui apenas a título de exemplos.)
Não há dúvidas hoje de que o Brasil vive, ao longo da primeira década deste século, que tudo indica que se projetará pelo menos por esta década, um outro período de grandes transformações, que pode ser comparado com os mencionados anteriores, com suas particularidades, tanto na forma dessas transformações, como nos processos políticos que as leva adiante. A consolidação de um modelo econômico intrinsecamente associado à distribuição de renda faz com que o Brasil tenha começado a atacar o principal problema que o país arrasta ao longo dos seus séculos de história: a desigualdade social, que faz com que fôssemos o país mais desigual da América Latina, que por sua vez é o continente mais desigual do mundo. Pela primeira vez na nossa história estamos conseguindo diminuir de forma significativa a desigualdade no Brasil, e em proporções que nos permitem dizer que a própria estrutura social a que estávamos acostumados – uma pirâmide bem larga na base, que ia se afinando como se ascendia na estrutura social, como um filtro que permitia que poucos pudessem estar no meio e muito menos ainda na cúspide da pirâmide.
Além de múltiplos outros fenômenos, que projetaram muito mais e de forma distinta o Brasil no mundo, aliado preferencialmente aos países vizinhos da América Latina e aos do Sul do Mundo, que representamos mais de 85% da população do mundo, mas contamos com percentual brutalmente inferior da riqueza mundial. Por isso o lugar do Brasil como potência emergente, que representa uma nova forma de encarar os problemas econômicos, sociais, políticos, energéticos meio ambientais, educacionais, culturais, dos direitos das minorias politicas, entre outros, tendo sido dirigido na primeira fase desse processo por um líder politico de origem no movimento sindical de luta contra a ditadura, seguido pela primeira mulher Presidenta do Brasil, que esteve diretamente vinculada à resistência àquela mesma ditadura – passou a viver o período de sua maior projeção regional e mundial.
Muitos outros aspectos dessas profundas e extensas transformações – a principal das quais, ao diminuir substancialmente as desigualdades, passou a governar para todos no maior mecanismo de inclusão social que havíamos conhecido – podem ser mencionados, para ressaltar a transcendência do momento histórico que passamos a viver na entrada do novo século.
No entanto, sem subestimar a vigorosa e extensa produção intelectual que a vida acadêmica brasileira e outras instâncias inovadoras passaram a produzir nas últimas décadas, é necessário constatar que as transformações que o país vem vivendo, tem se dado em ritmo mais avançado do que o ritmo do avanço da capacidade de produção teórica de dar conta das profundas, diversificadas e novas transformações que o Brasil passou a viver, especialmente nas duas últimas décadas.
 O próprio debate eleitoral refletiu isso. Por um lado, a grande maioria dos meios de comunicação, com uma visão sistematicamente crítica do desempenho do governo Lula – que acreditava que já em 2005 o governo estava morto ou ferido de morte, para dar apenas um exemplo da incapacidade de se situar diante das transformações já em curso naquele momento – e que, ao final desse governo, teve que conviver com um Presidente com 87% de apoio e apenas 4% de rejeição. O que dava conta, sinteticamente, como o ponto de vista amplamente majoritário na mídia – em uma mídia que havia reduzido seu pluralismo a espaços residuais – se chocava com o Brasil realmente existente, que havia entrado em um período da maior unificação nacional, de forma consensual, em torno de um projeto protagonizado por esse governo atacado por escrito, nas rádios e nas TVs, sistematicamente.
Por outro lado, é preciso dizer também – como o livro mencionado O Brasil entre  passado e o futuro – que os grandes avanços do governo Lula foram feitos muito mais de forma empírica, pragmática, baseados na extraordinária intuição política do Lula, com ensaios e erros,  com exploração de espaços novos e mais fáceis de avançar – como a prioridade das politicas sociais ao invés do ajuste fiscal, da integração regional, ao invés dos Tratados de Livre Comércio com os EUA -, mas sem uma teorização dos passos que se estavam dando, de reflexões estratégicas sobre as direções em que se caminhava, com seu potencial, seus limites, suas contradições.
O certo é que temos que nos orgulhar de todas essas transformações, que estão fazendo do Brasil um país menos injusto, mas como intelectuais, como artistas, temos que constatar que não estamos até aqui correspondendo, com a formulação de grandes debates sobre os caminhos que o Brasil está cruzando, seus potenciais, suas contradições, seus limites, suas novas necessidades. Um debate obrigatoriamente crítico, contraditório, que tem que dar lugar para todas as vozes, uma discussão pluralista, necessariamente multidisciplinar, para abordar todas as esferas e dimensões afetadas pelas transformações em um país tão amplo e contraditório como o nosso.
O mandato que pretendemos levar a cabo na Casa de Rui Barbosa não se choca em nada nem com as atividades que se vem desenvolvendo com grande empenho e rigor na Casa, assim como com os objetivos tradicionais que a trajetória de um personagem impar na nossa história, como estadista, homem de visão ampla, de ideológica pluralista, como Rui Barbosa, projetou sobre a nossa história e nos deixou exemplos de formas de abordagens, para sua época de temas contemporâneos candentes, tanto de politica interna, como de defesa dos interesses do Brasil no mundo.
Buscaremos fomentar grandes conferências – mensais ou mesmo quinzenais – com participação dos grandes pensadores contemporâneos que tem, de uma ou de forma, buscado decifrar os enigmas representados pelas novas circunstancias históricas que vivemos ou pelas tradicionais, revestias de novas roupagens. Não há limite, nem no número, nem nas correntes dos que serão convidados pela Casa – indo de Marilena Chaui a José Murilo de Carvalho, de José Miguel Wisnik a Caetano Veloso, de Tania Bacelar a Bresser Pereira, de Carlos Nelson Coutinho a Maria Rita Kehl, de José Luis Fiori a Chico de Oliveira (e a lista é necessariamente grande e, ainda assim redutiva). Chamaremos para reuniões periódicas todos os intelectuais e artistas que se disponham a participar, para ouvi-los, escutar suas propostas, promover intercâmbios de ideias sobre os rumos das atividades da Casa. Ao mesmo tempo abriremos um espaço de consulta na página da Casa, para que sugestões de nomes, temas e modalidades de atividade, sejam encaminhados.
Essas conferencias, assim como todas as outras que realizemos – seminários sobre Cultura e Politicas Culturais, sobre Propriedade Intelectual, entre outros – será todos transmitidos on line por internet, com possibilidade de assistência e incluso de formulação de perguntas a distância, com os DVDs restando na página da FCRB para serem vistos posteriormente e gravados, se assim se desejar.
Está claro que pretendemos seguir cumprindo todas as atividades atuais da Casa, reforçando-se ao buscar dispor de melhores condições de trabalho e de espaço para os acervos, necessariamente temos que ter, como um esforço conjunto da FCRB, junto com o MINC e outras instancias do Governo Federal que já tem se mostrado sensíveis, o aumento de pessoal, seja mediante novos concursos, seja mais bolsas e outras modalidades de expandir nossa capacidade de trabalho.
Vários outros projetos já foram propostos à Casa – como, em coordenação com a Biblioteca Nacional, desenvolver um amplo trabalho coordenado para a participação do Brasil como país convidado da Feria de Frankfurt de 2013, somente para dar um exemplo, um seminário em prazo curto, junto com a Secretaria dos Direitos Humanos, sobre experiências similares à Comissão da Verdade, em países vizinhos, entre outros -  que iremos buscar as formas de  dispormos da capacidade atende-los, impossível sem o aumento e a melhoria da capacidade de ação da Casa.
A FCRB e nenhum órgão publico produz cultura. Ele deve fomenta-la, incentiva-la, gerar as melhores condições de sua produção e difusão. Como disse a Presidenta Dilma na referia entrevista, nós não acendemos foguinhos, mas vamos assoprar a favor todos os que existam ou apareçam. Modestamente a Casa pretende se inserir nessa dinâmica, plural e criativa, de apoiar o surgimento e o fortalecimento das distintas formas de expressão intelectual e artística que nos tornem mais contemporâneos deste momento extraordinário que o Brasil vive.
Em momentos anteriores, o pensamento crtico e os movimentos artísticos de vanguarda apontavam os caminhos de futuro para o Brasil. Hoje devemos dizer que a História avança mais rápido que nossa capacidade de compreensão e de criação culturais correlatas a seu ritmo e a seus novos itinerários. O Brasil tem como um dos seus melhores patrimônios seus artistas e seus intelectuais. Trabalhemos para que a compreensão teórica do Brasil e a criação artística do Século XXI, se fortaleçam ainda mais.
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Quebrando tudo : Maestro Júlio Medaglia

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Quebrando tudo!

Júlio Medaglia não tem papas na língua e não poupa ninguém. Aos 71 anos, doa a quem doer, ele continua desafiando o coro dos contentes e quebrando protocolos de apatia e conveniência. Destroçada pelo maestro, a música brasileira de ontem, hoje e amanhã invade as próximas páginas, sob a ótica de um de seus mais brilhantes defensores (e críticos)
por Marcelo Pinheiro fotos Luiza Sigulem
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Ao lado dos maestros Rogério Duprat e Damiano Cozzella, o paulistano Júlio Medaglia extrapolou a esfera formal da música erudita e ajudou a escrever alguns dos capítulos mais anárquicos de nossa indústria cultural. Ao leitor que desconhece Medaglia, saiu de sua batuta o magistral arranjo de Tropicália, suíte musical de impacto cinematográfico composta, em 1967, pelo jovem Caetano Veloso, um dos vértices de um triângulo revolucionário. Envolvido em ações como a regência da Orquestra Vera Cruz, de São Bernardo do Campo, concertos internacionais e a condução do programa Prelúdio - vitrine de novos talentos da música erudita exibido pela TV Cultura -, Medaglia não tem tempo para os louros do passado. Nem Chico, nem Caetano, tampouco o conterrâneo Gil - o tal triângulo - escapam ilesos da extrema sinceridade do maestro. O homem é mesmo uma metralhadora giratória e, seguindo os conselhos de despojamento webernianos defendidos por ele, esse repórter humildemente sai de cena e abre seu microfone. Sinceras desculpas àqueles que esperavam um belo perfil, repleto de flashbacks de seus grandes e inúmeros feitos, mas o futuro da música brasileira pede respostas e direções, e Júlio, como poucos pensadores deste País, é alguém que excita, incita e precisa ser ouvido. Um instante, leitores...

Brasileiros - Maestro, queria saber qual o seu ponto de vista sobre a crise na indústria fonográfica do começo desse século?
Júlio Medaglia -
Essa crise vem da pura falta de competência de quem está na cúpula das empresas. Todos os bens de consumo que se produzem no mundo - sejam eles culturais ou não - evoluem e ganham dimensões astronômicas. Já tive 20 celulares, 50 automóveis, e todos nós sabemos que a indústria precisa ser cada vez mais criativa para sobreviver. Na área musical, justamente nesse momento em que são criadas cada vez mais condições para um fácil acesso aos bens culturais, a indústria baixou o nível de tal forma, que chegamos a um grande estado de indigência. E a indústria ainda tem a cara de pau de eleger seus bodes expiatórios para justificar a crise! É o rapazinho da esquina que vende o disco pirata ou a internet. Como se a merda de música que eles produzem e querem vender não tivesse nada a ver com essa crise.

Brasileiros - Então, é o caso de concluir que a indústria deu um tiro no pé?
J.M. -
Isso é culpa de quem está na direção dessas grandes empresas. Gente que não sabe dialogar com o talento. A TV Record fez aqueles famosos festivais e eu, que participei de todos eles, posso garantir que o melhor deles foi o de 1967, que até virou filme agora (o documentário Uma Noite em 1967). Esse festival deu mais de 94 pontos de audiência. Foi parar no Guiness Book, e o Paulinho Machado de Carvalho - presidente da Rede Record na época - chegou a pedir uma cópia do boletim ao Ibope. Pôs em um quadro e o pendurou na parede em frente à mesa de seu escritório. Isso significa, entre outras coisas, que o povo brasileiro não é imbecil nem antimusical. A indústria cultural é que não está sabendo manipular a sensibilidade e a inteligência musical do brasileiro. A música saiu da mão dos criadores e passou para a mão dos produtores. As grandes gravadoras que ainda existem, não apostam mais em diretores artísticos. Gostam mesmo é dos diretores de marketing. E o pior é que isso não acontece apenas no Brasil. É um fenômeno mundial. Experimente ligar um rádio na Europa para saber do que estou falando.

Brasileiros - E o que há de errado quando chegamos à conclusão de que esse é um problema universal?
J.M. -
O problema é que os meios de comunicação desaprenderam a lidar com a música. Havia uma íntima relação entre a produção e o consumo. Um pingue-pongue que ia de um lado para outro, com muita facilidade. Em função do consumo e de sua própria repercussão, o processo evoluía naturalmente. Então, não adianta fazer um festival como o que a Globo fez em 1985. Encheu de produção, coisas que desciam do teto, purpurina. Não adianta forçar a barra e esperar que seja criado algo que não vai acontecer. Felizmente, está muito fácil produzir hoje em dia. O cara tem em casa meia dúzia de maquininhas eletrônicas maravilhosas, e ele mesmo produz seu disco, faz capa e mixa. Uma possível música do futuro, de qualidade, vai ser feita cada vez mais por esforços individuais. Tem de vir de baixo para cima, pois de cima para baixo não vem nada.

Brasileiros - A internet tem sido, então, a grande vilã da indústria, não só do ponto de vista do consumo de música, como do controle da produção. É ela mesma que vai apontar as saídas para a crise?
J.M. -
Como diria nosso filósofo corintiano, Vicente Matheus, a internet é uma "faca de dois legumes". É das coisas mais maravilhosas que o ser humano já inventou, mas não podemos nos esquecer de que ela é um gigante banco de dados à espera de um curioso. Ela não provoca. A grande provocação ainda vem pelos meios de comunicação tradicionais, sobretudo a televisão e o rádio. O problema é que o mercado não está provocando mais nada. Os meios de comunicação se fecharam para qualquer tipo de música inteligente. A internet tem um mundo de possibilidades, mas o que as pessoas consomem, em termos de música, ainda é algo fundamentalmente provocado por meios comerciais. A Crítica da Razão Pura, de Kant, está em sua íntegra na internet, e nem por isso todo mundo virou filósofo. Havia no mercado musical a provocação de uma música de qualidade. As pessoas ouviam, eram provocadas e aquilo ia se multiplicando na formação de um repertório cultural cada vez melhor. Na Europa, o fato de ser um lixo a programação do rádio e da tevê é algo muito compreensível. Eles não têm cultura popular. Nós, latino-americanos - e especialmente os brasileiros -, temos uma cultura popular riquíssima. Aliás, arrisco dizer que os Estados Unidos são os mais pobres do mundo em matéria de raízes. Eles têm aquele countryzinho vagabundo do violino estridente, têm o rock, que veio do rhythm'n'blues, e têm o jazz.

Brasileiros - E essa nova geração de ouvintes e artistas, supostamente repleta de informação, não poderia ser protagonista de uma nova reviravolta?
J.M. -
Não tenho muita esperança no jovem de hoje, pois ele não está nem um pouco interessado em viver em estado crítico. Estão fechados em seu individualismo e pouco se lixando para os rumos do País. O máximo que fazem é algo incipiente, como o que aconteceu em Brasília. Pararam a universidade, suspenderam as atividades por semanas e destruíram parte do prédio, porque o jornal das oito delatou que o reitor comprou um cinzeiro de mil reais. No entanto, essa é a mesma capital em que Sarney, Collor, Renan Calheiros e toda essa corja circula tranquilamente sem que ninguém faça nada para insultá-los. Minha geração foi mais agressiva. Teve um pouco mais de vergonha na cara e não hesitou em enfrentar a ditadura.

Brasileiros - Muitos defendem que o País vive um bom momento. Seria esse o motivo da apatia cultural e política?
J.M. -
Creio que não seja apenas isso. Acontece mesmo é que se perdeu essa dinâmica na relação produção-consumo. Tanto o Tropicalismo quanto a Bossa Nova - e até mesmo a Jovem Guarda, por mais ingênua que fosse - tinham uma mensagem de mudança de comportamento. A relação entre pais e filhos no Brasil mudou completamente depois da Jovem Guarda. No Tropicalismo, essas possibilidades abriram o leque de uma maneira nunca vista. Hoje, a situação parece pior, porque a ditadura é do próprio mercado, não é uma ditadura institucional. Até mesmo os grandes líderes dessa época, que ainda estão aí em atividade, não estão nem um pouco preocupados em adotar questões críticas em relação a porra nenhuma. Viraram popstars, estão todos ricos, fazendo shows que rendem milhões. O Ministério da Cultura liberou mais de 2 milhões para o Caetano fazer uma turnê pelo Brasil, e ele ainda recebe apoio privado! Porra, vão nos convencer de que o Caetano precisa de incentivo fiscal para cantar?

Brasileiros - Estão cultivando essa mesma apatia?
J.M. -
Caetano, Gil e Chico são talentos astronômicos. Qualquer coisa que eles façam será sempre bela, mas é triste lembrar que eles pertenciam à área da inteligência musical brasileira e, hoje, estão aí, um tanto indiferentes. Tom Jobim, por exemplo, não era da área da inteligência. Era da área da extrema sensibilidade musical. Fazia coisas como: "... É pau, é pedra, é o fim do caminho..." (Júlio bate as duas mãos cerradas na mesa de centro e repete o gesto de pergunta e resposta, sugerido pela melodia de Águas de Março). Repetia isso 20 vezes, uma coisa absurdamente simples, daí que vem o Leonard Feather, o maior crítico de jazz americano e decreta: "Essa é uma das 100 maiores melodias do século XX". Porra, o cara repete duas notas e é uma das 100 melodias do século?! Essa sensibilidade que o Jobim tinha é algo único. Isso é coisa que só Mozart ou Erik Satie faziam. Agora, essa turma não. Gil, Caetano e Chico eram parte da inteligência musical brasileira. Davam as cartas e ditavam rumos. Ditavam mesmo, pois de todos eles, Tom Zé foi o único que continuou inquieto. Acabou de me mandar um e-mail aqui, citando um negócio dele, que saiu na Newsweek, e não li ainda (uma resenha sobre a caixa Studies of Tom Zé: Explaining Things So I Can Confuse You, recém-lançada nos EUA).

Brasileiros - Hoje em dia, é muito comum ouvir jovens compositores se dizerem influenciados pelos tropicalistas. Você enxerga algum vestígio dos valores dessa geração na música feita pelos novos artistas?
J.M. -
A partir da década de 1940, existiram três gerações bem distintas, e ainda vivemos a terceira delas. Nos tempos da ditadura Vargas, quase toda a intelectualidade brasileira foi comprada por ele, que era muito esperto. Enchia de dinheiro a Rádio Nacional, porque sabia que, enquanto o circo estivesse funcionando, podia mandar a Olga Benário para o forno na Alemanha, podia mandar prender o Graciliano Ramos. Fazia o que bem queria, e ninguém iria perceber. Drummond tinha um tremendo emprego no gabinete do Gustavo Capanema (ministro da Educação e Cultura do governo Vargas). Vinícius de Moraes trabalhou para o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), que era a censura da época. Certamente, ele não fazia nada ali, pois era um tremendo poeta e jamais teria cabeça de censor, mas tinha lá também o seu emprego. O Getúlio controlava a Rádio Nacional até por telefone. Sabia que aquilo ali tinha de estar fervilhando para ele ter liberdade de fazer todas as suas barbáries. Nesse sentido, ele foi muito esperto e soube como ninguém dominar parte da intelectualidade, que se vendeu a ele.

Brasileiros - A segunda geração é justamente a sua?
J.M. -
Exatamente. Nesse segundo momento, logo após o golpe de 1964, nossa geração não abriu concessões e enfrentou brilhantemente a ditadura. Alguns tiveram problemas seríssimos, perderam a vida, outros saíram ilesos, mas apesar da censura e da ditadura, justamente nesse período negro, de 1964 até 1972 - que começa com a popularização da Bossa Nova e os shows produzidos por Walter Silva no Teatro Paramount, reunindo milhares de universitários -, é que vivemos a melhor fase de nossa música popular do século XX. Depois, veio o Marcos Lázaro, um judeu argentino, que virou empresário musical no Brasil, e levou toda essa turma para a TV Record, que soube muito bem industrializá-los com os festivais. Surgem, então, a Jovem Guarda, o Tropicalismo e todos aqueles programas - <>Fino da Bossa, Jovem Guarda, Show em Si Monal, Divino, Maravilhoso -, até que de 1972 em diante a música brasileira passa a retroceder.

Brasileiros - E esse retrocesso chega ao estado de degeneração que se acentuou a partir dos anos 1990? Seria esse o terceiro momento?
J.M. -
Sim, o terceiro momento ainda é esse em que vivemos. Que veio depois da abertura política. Um período em que a música deixou de ter essa visão crítica da realidade. Essa terceira fase foi liderada por uma juventude completamente inodora. Cada um na sua. Trabalhei na USP e o que vi por lá? Não davam a mínima para os rumos que a nossa música estava tomando. Estavam todos preocupados mesmo era em garantir uma boa aposentadoria. O cara tem 20 anos e sua única meta é tomar o lugar de seu mestre e ganhar uma bela aposentadoria. Aliás, acho que eu é que fui burro, pois entrei na USP para dar algumas aulas de trilha sonora, e os alunos fizeram um abaixo-assinado para instituir um curso que foi pro brejo. Minha convivência com os universitários foi tão insuportável e aqueles acadêmicos eram tão chatos que eu saí correndo de lá! Hoje me arrependo, teria uma boa aposentadoria e não precisaria trabalhar aos 71 anos. Ontem mesmo, regi um concerto em São Bernardo do Campo. Estaria hoje numa boa, tomando uísque com vocês.

CROONER Crítico dos veículos de massa, Júlio "canta" com microfone da rádio Nacional, idealizada por Vargas para dissimular seus reais interesses

Brasileiros - Esse processo coincide com a queda de qualidade das trilhas de telenovelas. Um veículo que sempre foi vitrine de novos artistas e praticamente morreu.
J.M. -
A TV Globo, há décadas, não aposta em absolutamente nada relacionado à música no horário nobre. Os últimos programas que entraram nessa grade foram o Globo de Ouro e Chico e Caetano. Isso faz quase 30 anos! Um moleque de 25 anos, hoje, nem sabe que existe música brasileira em televisão. No caso das trilhas sonoras, a coisa é ainda mais grave. Tudo se resume às baladinhas. E pensar que a Globo já teve uma orquestra sinfônica! Quando fiz Grande Sertão Veredas - que julgo ter sido minha melhor trilha sonora para tevê -, tive uma sinfônica à disposição.

Brasileiros - E você acompanha as trilhas feitas para as novelas de hoje?
J.M. -
Muito raramente. Aliás, tenho uma conhecida que assiste às novelas, de manhã à noite, e conversando com ela sobre a novela Viver a Vida, pedi que me cantasse uma música da trilha. Ela pensou, pensou e se lembrou apenas de uma que tocou nos primeiros capítulos, mas não fazia parte da trilha. Insisti: "Mas me cante uma atual?". Aí, ela cantou aquela música da abertura e do fechamento, que não tinha nada a ver com nada! A novela se chamava Viver a Vida e pretendia contar histórias de superação, como a menina que era paraplégica. No final dos capítulos, o Manoel Carlos vinha com suas mensagens e aparecia lá uma moça da favela: "Eu fui estuprada com 11 anos, minha mãe foi assassinada e minha filha fugiu com um bandido, mas eu, com meu carrinho de pipoca, cheguei aqui, trabalhei 25 anos, e comprei a minha televisão em cores". Aí, cortava a cena e vinham as legendas e a musiquinha: "Sei lá, sei lá...". Uma tremenda gemedeira com os três piores cantores da música brasileira: Vinicius de Moraes, Miúcha e Chico Buarque. Uma escolha anestesiante e equivocada. O Manoel Carlos é mestre nisso.

Brasileiros - Perante tudo isso, você ainda está otimista em relação ao futuro da música brasileira?
J.M. -
Prefiro pensar que esse não é um caminho irreversível. O ser humano pode até não ter caráter, mas tem muito talento. O que o difere de outros animais é que ele compensa sua loucura com a capacidade de sonhar e criar. Uma hora, esse culto à imbecilidade vai cansar. Torço muito que, com o tempo, as pessoas se cansem desse repertório medíocre que está por aí. Criei a Universidade Livre de Música (ULM), no final do governo Quércia, e peguei um time de professores que unia os melhores instrumentistas e arranjadores de São Paulo. Depois de algum tempo, tinha em média 15 mil candidatos se inscrevendo por ano. Selecionávamos 2.500, e esses jovens, depois de um tempo, naturalmente, saíam de lá. Fica a pergunta: onde é que eles estão? O feitiço musical brasileiro não acaba nem vai embora, a questão é que, como discutimos lá atrás, não existe ninguém interessado em identificar e industrializar esse talento.

Brasileiros - Aceitaria se fosse convidado pelo Estado para intervir nos rumos da nossa música?
J.M. -
Não tenho a mínima pretensão política, mas se algum dia eu tivesse na mão alguma instituição pública, iria fazer um trabalho de Sherlock Holmes para descobrir onde é que está essa gente toda. No entanto, o que é que faz o Estado? Quase nada. Em São Paulo tem essa palhaçada que eles chamam de Virada Cultural. Um cara tocando violino na esquina, um coralzinho acolá cantando Casinha Pequenina. Você esfrega os olhos, se dá conta que o evento acabou, e no dia seguinte não sobrou nenhum resíduo de informação. Temos a OSESP, uma sinfônica de primeira grandeza, mas essa orquestra, que é do Estado de São Paulo, vai tocar no interior da Suíça, e o cara de Pindamonhangaba que nunca viu uma sinfônica na vida abre o jornal e descobre que pegam o imposto que ele paga - o ICMS do coitado de Pindamonhangaba! -, e bancam uma orquestra brasileira para tocar na Suíça. Ora, o cara lê o jornal e descobre que a orquestra está tocando Brahms no interior da Alemanha, que tem mil orquestras iguais! Logicamente, ele vai chegar à conclusão de que aquilo é algo muito distante para ele.

Brasileiros - Maestro, você tem uma opinião polêmica sobre o rap, mas deixando as letras e o discurso social de lado, não existe ousadia alguma nos estímulos provocados por ele? Muita gente jovem só foi redescobrir a grandeza de Jorge Ben Jor e de Tim Maia pelas colagens das bases do Racionais MC's.
J.M. -
Meu problema com o rap é outro. Ele veio dos Estados Unidos, e o negro americano, até meados dos anos 1960, precisava provar que também era gente. No Brasil, apesar de tudo que aconteceu, não existiu algo parecido. Basta dizer que a música erudita brasileira foi feita por mulatos. Todo o Barroco mineiro - e estamos falando de século XVIII - é feito por mulatos. O Padre José Maurício, o maior improvisador ao cravo do mundo, era negro. Carlos Gomes podia ser tudo, menos branco. Beiçudo, cabelo pixaim, ia lá para a Europa e comia todas as princesas. Nos Estados Unidos, o cara ficava trancado na fazenda, plantando algodão e impedido de fazer absolutamente nada. Trabalhava e choramingava, e daí nasceu o blues, que é uma maravilha. Aqui, não, o Aleijadinho fazia uma escultura pré-clássica francesa e em seguida encontrava a criola dele e seguia batucando. As raízes africanas trazidas para o Brasil não foram inibidas. A revolução rítmica brasileira - que foi a grande contribuição da mãe África à nossa cultura - continua evoluindo e gerou uma diversidade musical que nenhum país do mundo têm. Já o negro americano, somente no século XX, pôde ter um comportamento realmente livre e o que é que ele fez? Foi buscar dentro de si o que achava que era mais bonito, a música, e ele tinha tamanha beleza a oferecer que muitos defendem que o maior símbolo americano do século XX foi o jazz. O negro americano foi quem criou o valor cultural do século em seu país, e agora chega esse pessoal da periferia de Los Angeles, puxa um fumozinho, acha que não deu certo na vida porque a humanidade está contra ele, e vem com essa verborragia insuportável do rap.

Brasileiros - E o jovem das periferias brasileiras, culturalmente oprimido, é facilmente seduzido...
J.M. -
Sim. Daí, vem o cara da favela e decide imitar esse camarada. Justamente o brasileiro vai querer imitar o americano? O cara nasce em um País que tem a música popular mais rica e sensível do mundo, feita por negros geniais, como Pixinguinha, Nelson Cavaquinho e Cartola, e te pergunto: "Esses caras vieram de onde?". Ora, também vieram da favela! Vinham de regiões humildes, mas dentro de si tinham uma sofisticação francesa. O negro brasileiro é nobre. Dona Ivone Lara, por exemplo, você conversa com ela e logo se dá conta de que está diante de alguém que tem a nobreza de uma princesa.

Brasileiros - Voltando à questão geracional, não é um pouco injusto generalizar e apontar a produção dos anos 1970 como culpada pela grande diluição que viria nas décadas seguintes?
J.M. -
Lógico que há exceções, mas foi nos anos 1970 que tudo começou. As cabeças pensantes se acomodaram em seus reinados e chegaram as Joanas e Simones que fizeram um grande retrocesso. Voltamos à fase do bolerão. Fazendo um resumo do século, a música brasileira sempre vai de um extremo a outro. Depois dessa avalanche de invenção dos anos 1960, na década seguinte, caímos de novo no bolerismo. Nos anos 1980, explodiram outros focos de resistência liderados por Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção e o Grupo Rumo. Chegam os 1990, e outra vez caímos de cabeça no melodismo, com as duplas caipiras. Você pega toda essa música caipira e ela parece um bolerão de puteiro de cais de porto, de quinta categoria. Depois, vem o pagode romântico e aqueles falsos pagodeiros que todos eles, juntos, não davam a pausa de uma música do Cartola ou do Nelson Cavaquinho. Em outros países esse melodismo impera, mas a música brasileira sempre foi muito rica em ideias e tratou de esmiuçar a realidade. Na Segunda Guerra, assim que Hitler toma o poder, o Braguinha vai lá e faz o Adolfito mata-mouros. Dá uma puta gozada no Hitler! Torço para que venha agora uma nova música brasileira, de baixo para cima, de esforços individuais.

Brasileiros - É preciso então acontecer algo parecido com a revolução solitária empreendida por João Gilberto no final dos anos 1950?
J.M. -
Exatamente. No final dos anos 1950, a música brasileira também vivia esse bolerismo insuportável. A fase do ninguém me ama, ninguém me quer. Todo mundo choramingando suas pitangas no rádio. Um vale de lágrimas. Daí que chegam esses meninos de violão em punho, cantando baixinho, e não é que foi possível o povo ouvir o grito silencioso do João e do Tom? Então, eu acho que até mesmo nesse meio do rap ou do rock pode surgir alguém com muito talento. Talento é talento, e ponto final. Não escolhe lugar para surgir, e onde existe o talento é sempre possível ter uma surpresa.

Brasileiros - E você tem se dedicado a buscar esse novo. O que ouve, hoje em dia, de música popular e erudita?
J.M. -
Não ouço música. Graças a Deus moro aqui (uma aprazível casa no bairro do Morumbi, em São Paulo), e é esse silêncio absoluto o tempo todo. Ouvi tanta coisa na vida que é difícil algo me despertar interesse. A última coisa que me excitou de verdade, foi justamente um show do Tom Zé. É bom saber que dessa turma ainda existe alguém tendo ideias quentes na cabeça, mas se trata de um artista muito culto e constituído. Você já espera isso dele. A cultura ocidental comandada pela Europa criou um vício que vem desse imperialismo cultural - aliás, muito merecido, pois eles fizeram coisas deslumbrantes - que prega que o que é bom tem de vir de cima para baixo. O tempo todo o Brasil provou o contrário. Com linguagens muito rarefeitas e econômicas, o brasileiro atinge um sentido cultural profundo. Pegue o exemplo do Adoniran Barbosa. Ele é melhor do que muitos filósofos! Conseguia o paradoxo de, às vezes, demonstrar uma tristeza de profunda alegria, que se equiparava à melhor filosofia. Observava as coisas que afligiam os desprovidos, os mal assistidos pela vida, e conseguia fazer desse universo, muitas vezes trágico, algo de uma poesia incomparável. Extraía graça de tudo, ironizava a própria miséria. O valor cultural não precisa se afirmar na base do berro, da porrada e da repetição, tampouco da intelectualidade.

Brasileiros - E, de alguma forma, você acha que essa multiplicidade única de nossa música continua viva?
J.M. -
Ela até padece, mas acho que nunca morrerá. Escrevi um chorinho, com um ritmo 6 x 8 sincopado para a filarmônica de Berlim, e os caras simplesmente não conseguiram tocar. As acentuações dançam dentro do compasso de tal maneira, que se o cara não tem um pouco dessa experiência de síncopa que o brasileiro tem de sobra, não consegue tocar mesmo. Dei o mesmo tema para o pessoal do municipal, e eles literalmente comeram na mesma hora, na primeira. Esse, o maior legado da influência africana em nossa música, a síncopa. Ela está no samba, no choro, no xaxado, no baião, e é essa a nossa supremacia em relação à música americana, que vem destruindo suas raízes africanas e, hoje, é majoritariamente baseada nessa coisa do tempo forte e das variações simétricas. Lembro-me de uma ocasião em que regi a sinfônica de Boston. O João Gilberto veio me visitar. Os músicos pararam imediatamente para vê-lo. Era um mito para eles. Mal acreditavam que estavam diante dele. Quer cara mais sofisticado que o João Gilberto?! Aquela sutileza, aquela antimúsica. Só o Webern era parecido com ele, e é esse despojamento e essa hipersensibilidade que, infelizmente, vemos desaparecer da música brasileira, sem que nada seja feito.

ÍDOLOS ERUDITOS
Acompanhamos a final da sexta edição do Prelúdio, o "show de calouros" do maestro Júlio
TRIUNFO A jovem pianista Silvia Molan recebe o prêmio das mãos de Júlio Medaglia
Exibido na grade da TV Cultura há seis anos, o programa Prelúdio subverte a fórmula comercial e rasa de atrações como Ídolos e pode ser considerado a antítese desse modelo pasteurizado e franquiado mundo afora. Defende o nobre propósito de revelar ao grande público da TV aberta artistas que têm pouquíssima ou nenhuma visibilidade: os novos talentos de nossa música erudita. Nessa seara dominical de faustões, gugus e muita música descartável, o "show de calouros" conduzido por Medaglia é uma ilha de resistência em meio a um oceano de frivolidade. A convite do maestro, acompanhamos o desfecho da edição 2010 - definido por ele como algo tão quente quanto uma final entre Palmeiras e Corinthians (pela ascendência italiana, naturalmente, Júlio é alviverde). O que vimos na Sala São Paulo, no final de dezembro, foi uma experiência emocionante.
Após 12 eliminatórias, a grande final reuniu quatro dos 24 participantes, selecionados em uma peneira inicial de quase três mil nomes. Submetidos às minúcias críticas do corpo de jurados - formado pelo jornalista e crítico musical Irineu Franco Perpétuo, os pianistas André Mehmari e Lilian Barreto, e o maestro Benito Juarez - os quatro finalistas fizeram apresentações memoráves e sublimes. A clarinetista Paula Pires (22), a cantora lírica Andréia Souza (30), e os pianistas Silvia Molan (21) e Lucas Thomazinho (15) foram os
protagonistas do embate final. O primeiro a se apresentar, Thomazinho - um prodígio de 15 anos com o rosto repleto de maquiagem para cobrir as espinhas da idade - deixou os mais de mil ouvintes boquiabertos com sua vigorosa execução do 1º Movimento do Concerto nº 3 de Beethoven. Ao que tudo indicava, Thomazinho era o grande favorito. Nada mal para alguém que, há pouco mais de dez anos, foi seduzido pela abertura da novela Rei do Gado e decidiu cair de cabeça na música clássica.
Na sequência, a clarinetista Paula e a cantora Andréia também foram irreprensíveis e arrancaram palmas entusiasmadas da plateia, mas a pianista Silvia Molan entrou em cena com muito brilho e garra. Defendendo o Concerto nº 1 em mi menor, Opus 11, de Chopin, mesclou doses generosas de lirismo e explosão. Exímia instrumentista, e um tanto mais madura que Thomazinho, Silvia empatou com a clarinetista Paula e teve no voto de Minerva do maestro Júlio a carta branca para aprimorar os estudos na Alemanha, em 2011, com a bolsa conferida pelo Intituto Goethe. Questionada sobre os critérios de avaliação - uma vez que os competidores vêm de "áreas" diferentes - e o motivo de seu êxito, Silvia confessou, sorridente: "Sei que é injusto comparar bananas com tomates, mas os jurados sabem o que fazer. No fim, todos nós ganhamos. A música brasileira é quem ganha. Temos aqui outros três grandes talentos".

Professor Hariovaldo Almeida Prado

Professor Hariovaldo Almeida Prado

28 fevereiro 2011

Coringa de saias tenta iludir os homens bons

Filed under: Plano Condor-de-Saias — Hariovaldo @ 09:02
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Flor escarlate
A flor escarlate não florescerá no jardim dos homens bons
Traiçoeira e dissimulada, a presidenta escarlate, que usurpa indevidamente o cargo de mandatária maior da nação, tenta enganar os homens bons escondendo suas malignas intenções comunistas e se apresentando como marxista moderada e pragmática para evitar a reação legítima dos que lutam há décadas pela defesa da democracia e da liberdade dos homens de bem.
Já vimos esse filme antes, com o molusco apedeuta, o qual executava as medidas comunizantes enquanto se dizia “amigo dos homens bons“, mas que não logrou êxito em enganar a parte boa da sociedade nacional por muito tempo. Da mesma forma, não demorará para que os homens de bem passem a combater essa bolchevista fingida com todas as forças, pois nesta terra não se aceita de forma alguma um governo marxista satânico.

26 fevereiro 2011

Membro da confraria hariovaldiana lança site para os homens bons

Filed under: Artes — Hariovaldo @ 21:04
Sir Roderick
Mostrando toda a classe e finesse dos homens de bem, Sir Roderick coloca a gentalha no seu devido lugar com seu sítio de categoria superior. Confiram.

Seurat
Clique na imagem para visitar o site


Explode a verdade: inflação galopante assola o país

Filed under: economia — Hariovaldo @ 18:50
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Dragão da Inflação
Caíram as últimas mentiras da ditadura dilmolulista no que tange à questão econômica, os números falsificados com intuito de enganar a nação, escondendo o abismo econômico no qual os petistas jogaram o Brasil, caíram por terra, revelando a triste verdade já há muito denunciada por Míriam Leitão.
Leitão
A bela e meiga jornalista econômica Míriam Leitão foi a única que nunca deixou de denunciar a falsidade dos números do (des)governo Lula
A inflação está nas alturas, o desemprego é recorde, as falências das empresas uma realidade cotidiana, as reservas cambiais inexistentes, em suma, o país foi à falência. Tudo isso, resultado da incompetência e da incapacidade do partido bolchevista em gerir a economia e das práticas retrógradas socialistas adotadas por Lula e Dilma, como a planificação econômica.
Agora não dá mais para esconder, a verdade é dura, a realidade temerária, tal qual um bofetão na cara do cidadão que deixou se iludir pelas mentiras do PT, chegamos ao fundo do poço, agora só podemos rezar, sofrer e chorar.

O Castelo das ilusões da gentalha

Filed under: Relatos Pessoais — Hariovaldo @ 14:00
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Carro
Quem é homem bom já nasce feito, quem é da gentalha e quer sair não pode. De nada adianta as falsas conquistas do período comunista pois um minúsculo apartamento e um carro popular não faz da pobreza classe média, pelo contrário, só evidencia a condição de gentalha. Tudo isso por causa das promessas mentirosas de Lula, que fez milhões acreditarem que poderiam romper a linha pétrea da divisão estamental e invadirem uma região indevida da pirâmide social.

Lula fez essas gracinhas com o populacho não para melhorar suas vidinhas insossas, mas sim para ofender os homens de bem, pois ele sabia que cada carro popular a mais nas ruas serviria para atrapalhar o livre trânsito das voitures importadas e das limousines dos homens de bem. E ficam os pobres tolos a se acharem na crista da onda, como se tivessem alguma importância, mas não passam de massa de manobra dos líderes luciferianos da ditadura dilmolulista. É uma vergonha.

Não há profissões só para homens ou só para mulheres

http://blogdofavre.ig.com.br/

27/02/2011 - ”Não há profissões só para homens ou só para mulheres”

Pesquisadora aponta diferenças entre os cérebros masculino e feminino, mas afirma que dinamismo do sistema nervoso garante aptidão dos dois para qualquer atividade intelectual
Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE
Experiência. A italiana Marina Bentivoglio, uma das mais renomadas neurocientistas: ‘Mesmo na velhice nosso cérebro continua disposto a aprender’

Alexandre Gonçalves – O Estado de S.Paulo

Homens e mulheres utilizam estratégias distintas para resolver os mesmos problemas, um reflexo das particularidades dos cérebros masculino e feminino. Mas, para a médica italiana Marina Bentivoglio, as diferenças não privilegiam nenhum dos sexos e apontam para uma verdadeira complementaridade. Professora da Universidade de Verona, Marina é uma das mais importantes neurocientistas em atividade.
Na semana passada, ela veio ao Brasil para a 5.ª Escola Latino-Americana de Epilepsia, em Guarulhos. O evento, promovido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), reuniu jovens médicos de diversos países latino-americanos e especialistas em neurociência e epilepsia de renome internacional. O encontro termina na terça-feira.
Quais as principais diferenças entre os cérebros feminino e masculino?
Há diferenças fisiológicas: a sensibilidade a determinados neurotransmissores, a distribuição de receptores, particularidades estruturais, o volume de sinapses… Mas o significado prático dessas diferenças ainda é motivo de controvérsia. Alguns fatos são evidentes. Na mulher, o cérebro prioriza funções relacionadas à maternidade e ao cuidado dos filhos, necessárias para a conservação da espécie. Mas, do ponto de vista da organização social, as diferenças nos cérebros de homens e mulheres são comparáveis às particularidades encontradas entre cérebros de pessoas do mesmo sexo. O cérebro feminino, por exemplo, é muito verbal, apto para a comunicação. Mas há homens que se comunicam bem e mulheres que não se comunicam tão bem. Natureza e sociedade exercem cada uma a sua influência.
Podemos diferenciar o que é construção social ou biologia na mente?
Não. É difícil diferenciar, pois o cérebro é dinâmico. A organização dos circuitos cerebrais influencia a experiência e a experiência modifica esses circuitos. Há um contínuo interagir entre natureza e educação, entre nossos circuitos cerebrais e a experiência concreta. Mesmo na velhice, nosso cérebro continua plástico, disposto a aprender, a se adaptar.
A monogamia, por exemplo, fundamenta-se na biologia ou na cultura?
Essa questão envolve também cultura, antropologia, sociologia… E eu não sou especialista nestas áreas. De qualquer forma, nós sabemos, por estudos com outros mamíferos, que o cérebro de um animal monógamo é diferente do cérebro de um promíscuo: há diferença na concentração e distribuição de determinadas substâncias. No caso dos humanos, convém lembrar dois dados. Nem todas as culturas humanas são monógamas: há culturas polígamas. Mas a monogamia tem sido privilegiada na nossa história evolutiva e na organização social. Mesmo assim, permanece aberta a questão: foi o cérebro que influenciou essa preferência ou foi essa preferência que influenciou a organização do cérebro? Sinceramente, não sei resposta. É provável que a regra da monogamia seja ditada pela experiência e a experiência molde o cérebro.
O cérebro feminino lida melhor com a linguagem e o masculino tem mais aptidão para processamento espacial. Mito ou realidade?

É o que aponta boa parte da literatura científica. Tais particularidades estão relacionadas ao processo de lateralização do cérebro (quando determinadas funções passam a ser controladas em larga medida por um dos hemisférios cerebrais – direito ou esquerdo). A lateralização aumenta a especialização para determinadas atividades. Acredita-se que o cérebro do homem é mais lateralizado. Mas, se é verdade que o cérebro da mulher é menos lateralizado, isso não significa que seja menos perfeito. Significa somente que é mais plástico. Provavelmente, na sua história evolutiva, as mulheres precisaram enfrentar e controlar um rol maior de situações no ambiente: coleta de alimentos, controle da prole… Um cérebro menos lateralizado – e, portanto, menos especializado – estaria pronto para um número maior de cenários.
E na resolução de problemas concretos? Há alguma diferença?
A opinião mais difundida é que em várias situações homens e mulheres utilizam estratégias diferentes para resolver problemas, embora essa não seja uma questão fechada. Poderíamos citar, como exemplo que confirma essa tese, as diferentes estratégias de aprendizado. Uma das coisas mais importantes para a nossa existência é o que conhecemos como mecanismo de recompensa: o prazer que o cérebro oferece quando realizamos atividades importantes para a manutenção da vida. E não tenho dúvidas de que esse mecanismo é diferente em homens e mulheres: ter um filho, por exemplo, oferece uma satisfação diferente para cada um. Mais uma vez, é difícil precisar qual é essa diferença – em parte cultural, em parte biológica. Mas a recompensa, por exemplo, que um menino e uma menina sentem por se comportarem bem é diferente. Do ponto de vista biológico, há diferença na distribuição dos receptores, na probabilidade de sinapses e em vários outros parâmetros do mecanismo de recompensa… Pequenas diferenças, mas importantes. E se a recompensa é diferente, as motivações e o desempenho também serão diferentes.
Há trabalhos em que as mulheres se sairiam necessariamente melhor do que os homens ou vice-versa?
Acredito que não. Naturalmente, nos trabalhos em que massa muscular é importante, os homens podem ter um desempenho melhor. Mas, do ponto de vista do cérebro, não creio que existam trabalhos mais adequados para homens ou mulheres. Convém lembrar que há uma grande variabilidade entre os indivíduos concretos. Nós somos 7 bilhões de pessoas no mundo. Não convém recorrer a categorias binárias. Você vai encontrar pessoas – homens e mulheres – com talento para algumas coisas e sem aptidão para outras. Mas não acredito que seja justificável uma separação dos trabalhos por gênero. Para qualquer um é uma questão de treino, de estímulo… Devemos procurar todos os dias novos estímulos: descobrir novos caminhos para voltar para casa, ler livros diferentes dos que estamos acostumados. Vale o princípio: use (o cérebro) para não perdê-lo. Sem dúvida, alguns contextos sociais podem fazer com que a mulher não se sinta estimulada a encarar desafios, diminuindo o seu desempenho intelectual. Mas isso também pode acontecer com homens. Não acredito que seja bom proteger esse ou aquele gênero. Sou mulher, mas gosto de trabalhar com homens. Por quê? Aprecio a diferença. É mais estimulante. Tenho homens e mulheres no meu laboratório. Acharia ruim se só houvesse mulheres. Quero diferentes abordagens para resolver os problemas. A natureza criou dois sexos e tenho certeza de que há uma ótima razão para isso.
Como o cérebro se adapta às mudanças no ambiente?
Mudar estruturas no cérebro leva milhões de anos. Por isso, as mudanças mais comuns são marginais: regulação de sinapses, interações entre neurônios e células não neuronais, etc… Ou seja, o hardware já está lá. Mas há algo como um software de modulação que atua de forma quase imediata para realizar a adaptação. Às vezes, em poucos minutos. Sua atuação depende do ambiente físico e cultural onde a pessoa está inserida. Por exemplo, uma mulher na savana e outra no norte da Europa têm diferentes prioridades e o cérebro se adapta a essas distintas prioridades. O hardware para os dois sexos é muito parecido. Mas alguns ajustes finos do software dependem das prioridades de cada indivíduo e tais prioridades dependem do gênero e do contexto social. Convém lembrar que os neurônios sempre atuam em conjunto. Nunca isolados. Se o estado de um neurônio muda, centenas ou milhares também mudam ao seu redor. Realmente funciona como um arranjo social. Essa modulação no estado dos neurônios ocorre a todo momento. Isso é, afinal, a essência da vida. O cérebro não é estático. Como a vida, ele se reorganiza sempre.
No mundo contemporâneo, o cérebro é submetido diariamente a uma avalanche de informações. O que você acha desse cenário?
Eu adoro. O problema não é a avalanche de informações, mas a seleção do mais importante. Realmente não sei se os jovens, hoje, conseguem diferenciar o lixo dos conhecimentos relevantes. O cérebro continua capaz de processar um volume imenso de informações. Mas precisamos decidir quais informações convêm processar. O pensamento crítico é mais importante do que nunca. Todo conteúdo que aprendi na escola está na internet misturado a muitas outras coisas. Você digita uma palavra no Google e aparecem milhões de bytes de informação. Como filtrá-la? Sou uma entusiasta do progresso. Mas ele traz consigo novos desafios.
Você também estuda o sono. Como a ciência vê o sono hoje?
No início da neurociência, os pesquisadores acreditavam que nosso cérebro permaneceria passivo durante o sono. Não é verdade. Ele trabalha muito. Cessa a comunicação com o ambiente externo, mas o ambiente interno continua ativo. É o momento em que se filtra e armazena o que aprendemos durante o dia. A expressão dos genes muda significativamente – cerca de 10% – durante o sono. E os genes mais utilizados no sono são justamente os relacionados à memória, ao aprendizado.

Postado por Luis Favre

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  • O Fim do Jornal Impresso?
  • Conclusão

Aliança entre PT e PSDB em Belo Horizonte está por um fio


novojornal .: Política .: Notícia Publicado em 27/02/2011

Aliança entre PT e PSDB em Belo Horizonte está por um fio
Lacerda reconhece que sua coalizão dificilmente estará em pé nas eleições do ano que vem, quando ele gostaria de disputar a reeleição






















A coalizão partidária inusitada que sustenta o prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB), desde sua chegada ao poder está à beira da implosão.
Circunstâncias políticas locais fizeram PT e PSDB deixar de lado em Belo Horizonte as diferenças que os separam no cenário nacional para apoiar Lacerda nas eleições municipais de 2008.
Mas nos últimos meses o Palácio do Planalto e aliados do senador Aécio Neves (PSDB-MG) começaram a rever as bases da aliança.
O próprio Lacerda reconhece que sua coalizão dificilmente estará em pé nas eleições do ano que vem, quando ele gostaria de disputar a reeleição.
"Se [a eleição] fosse agora, haveria 99% de impossibilidade [de reedição do acordo que o elegeu]. Mas, daqui a uns oito meses, a coisa toda pode mudar", disse o prefeito. Ele teme que a precipitação do debate cria riscos para a administração da cidade.
Adversário
Com a avaliação de que Aécio deve ser tratado como um adversário em potencial, integrantes do governo Dilma avisaram ao PSB que não apoiarão Lacerda no ano que vem caso o PSDB permaneça em sua base.
"O PT nacional não quer o PSDB na aliança", disse o presidente de honra do PT de BH, Aluisio Marques.
Os petistas, que administravam a cidade antes da eleição de Lacerda, até admitem reeditar a aliança de 2008, desde que o PSB se comprometa com o apoio ao candidato do PT na eleição presidencial de 2014.
"Temos que buscar uma aliança na capital, desde que o PSB entenda que estaremos juntos em 2014. Se não, seguiremos nosso caminho", afirmou o deputado Odair Cunha (PT-MG). As informações são da Folha.com.

CARTA MAIOR de 25/02/2011

 
Boletim Carta Maior - 25 de Fevereiro de 2011 Ir para o site

Governo controla gasto, não déficit
No livro "Teoria geral sobre o emprego, o juro e a moeda", Keynes destruiu vários mitos sobre o funcionamento de uma economia capitalista. Hoje, em plena crise e com discussões acaloradas sobre finanças públicas, há outra ideia igualmente perigosa que Keynes combateu com tenacidade. Consiste na comparação das finanças públicas com o orçamento de qualquer famíl ia. Com essa ideia falaciosa, hoje se insiste que o déficit público e o endividamento são insustentáveis. Nos Estados Unidos e na Europa, o argumento é o mesmo: como qualquer família, o governo tem que reduzir seus gastos. O artigo é de Alejandro Nadal.
> LEIA MAIS | Economia | 25/02/2011
LA JORNADA: El gobierno controla el gasto, no el déficit
No contexto atual, faz sentido elevar as taxas básic as de juros?
Todas as proposições que têm sido apresentadas e discutidas em nível mundial convergem para a ideia de que políticas econômicas contracíclicas e Estado intervencionista são importantes para mitigar as instabilidades inerentes de economias monetárias decorrentes, em grande parte, dos efeitos disruptivos das atividades especulativas dos agentes econômicas e da dinâmica dos me rcados cambial-financeiros. Essa ideia, é o principal legado de Keynes. Diante deste contexto, não faz sentido a proposição de algumas autoridades econômicas em quererem, de forma unilateral, elevar a taxa básica de juros para controlar o atual processo inflacionário. O artigo é de Fernando Ferrari Filho.
> LEIA MAIS | Economia | 23/02/2011
Fundação Perseu Abramo lança o 5º volume de “2003-2010 O Brasil em Transformação”
Organizado por Juarez Guimarães, novo título da coleção traça um panorama de políticas públicas no Governo Lula. O quinto volume da coleção propõe o registro das mudanças ocorridas no cenário das políticas sociais e inclusivas nas áreas de Educação, Cultura, Ciência & Tecnologia, Esportes e Juventude. Obra é resultado de uma parceria entre a Editora da Fundação Perseu Abramo, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) e a Fundação Friedrich Ebert (FES).
> LEIA MAIS | Política | 24/02/2011

Análise& Opinião
Luís Carlos Lopes
As novas ruas da liberdade
O eixo político midiático imaginou uma crise na região, a partir das complexas relações Palestina-Israel com o problema do Irã. As forças que controlam as grandes mídias e o pensamento geopolítico ocidental não atentaram para que os problemas dos países onde eclodiram as revoltas eram muito graves e que a história pode surpreender-nos.
> LEIA MAIS | 24/02/2011
Tarcísio Zimmermann e Luíz Marques
SUS: aprendendo a aprender
Para superar os entraves ligados à falta de autonomia gerencial nas unidades assistenciais, os gestores do SUS deparam-se com duas modalidades institucionais: as Organizações Sociais (OSs), de caráter privado, e as Fundações Estatais (FEs), de caráter público, mas com uma estrutura de direito privado e regras flexíveis de direito administrativo.
> LEIA MAIS | 22/02/2011
Cobertura FSM 2011


O outro mundo possível na América Latina
O próximo FSM pode renovar-se, incorporando avanços do realizado em Dacar – quando Evo Morales e Gilberto Carvalho falaram na sua abertura – colocando no seu centro a relação entre os governos progressistas latino-americanos e os movimentos sociais. -24/02/2011

Colunistas
Paulo Kliass
Mais uma vez, os incomensuráveis lucros dos bancos
Há poucos dias, o conglomerado do Banco Itaú-Unibanco divulgou os resultados do grupo empresarial obtidos em 2010. Os números, como em geral tende a acontecer, revelam-se assustadores. No caso específico, o banco atingiu a marca de R$ 13,3 bilhões. - 25/02/2011
José Luís Fiori
As ondas do poder e os ciclos da moeda
Em geral não se reconhece a importância que tiveram as novas relações dos EUA com a URSS e com a China, na década de 1970, para ampliar o espaço monetário do dólar, fora do sistema capitalista, e impor a nova política monetária dos EUA aos seus aliados do mundo capitalista. - 24/02/2011
Edson Teles
Estado de exceção e violação de direitos contra adolescentes infratores
Em um país que viveu duas grandes ditaduras em sua história, o fato de as instituições autorizarem a criação de um estado de exceção permanente no trato de adolescentes infratores gera um grave precedente que fere a ideia de vivermos em um país democrático. - 22/02/2011