terça-feira, 31 de maio de 2011

31/5 - O Analfabeto Político (sempre é bom reler)

O Analfabeto Político
Bertold Brecht

 
  
"O pior analfabeto é o analfabeto político.
Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas.
O
analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política.
Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo. "
Nada é impossível de Mudar "Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai,
sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos
expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar. "
Privatizado "Privatizaram
sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar.
É da
empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário.
E
agora não contente querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que à humanidade pertence. "

31/5 - O milagre da Pinga

O  MILAGRE  DA  PINGA
O cara estava bebendo num bar.
Como era o último cliente, o funcionário informou-o que que ele tinha que sair, pois iam fechar.
O cara levantou-se e caiu no chão . . .
Novamente, tentou levantar-se e caiu outra vez.
Optou por arrastar-se até à porta do bar.
Tentou levantar-se e voltou a cair.
Já na rua, tentou levantar-se e caiu novamente.
Foi assim para casa . . . tentando levantar-se e caindo.
No dia seguinte, já em casa e pela manhã, a esposa comentou:

- Puta porre ontem a noite, hein?!
- O que!!! . . . como é que você sabe que eu cheguei bêbado?
- Telefonaram do bar . . . você deixou sua cadeira de rodas lá....
 

31/5 - "E que, no Oriente Médio, liga para o que Obama diga???


Robert Fisk
30/5/2011, Robert Fisk, The Independent, UK
Traduzido pelo Coletivo da Vila Vudu

Esse mês, o Oriente Médio assistiu ao desmonte do presidente dos EUA. Pior do que isso, se assistiu aqui ao ponto mais baixo do prestígio dos EUA na região, desde que Roosevelt encontrou-se com o rei Abdul Aziz a bordo do USS Quincy, no Grande Lago Salgado[1], em 1945. 

Enquanto Barack Obama e Benjamin Netanyahu representavam sua farsa em dueto em Washington – Obama rastejante como sempre – os árabes meteram mãos à obra, no serviço de mudar seu mundo, em manifestações de rua, lutando e gritando e morrendo para alcançar liberdades que jamais tiveram. E Obama gaguejava sobre mudanças no Oriente Médio – e sobre o novo papel dos EUA na região. Foi patético. 

“E... que conversa é essa de “papel na região”?” perguntou-me um amigo egípcio, no fim de semana. “Será que ainda supõem que alguém aqui tenha algum interesse em saber o que eles pensam?”. 

Verdade. A omissão de Obama, o erro de não ter apoiado as revoluções árabes antes de estarem praticamente decididas, tirou dos EUA o pouco prestígio que ainda tinha no Oriente Médio. Obama calou sobre a derrubada de Ben Ali; só se uniu ao coro de indignação contra Mubarak dois dias depois de Mubarak já ter fugido; condenou o regime sírio – que já matou mais gente do próprio povo que qualquer outro governo nessa “primavera” árabe, exceto o temível Gaddafi –, mas deixou bem claro que gostaria muito de ver sobreviver o regime de Assad; ergueu o punhozinho contra a crueldade gigante do minúsculo Bahrain; mas, inacreditavelmente, ainda não disse uma palavra, uma, que fosse, contra a Arábia Saudita. Frente a Israel, Obama ajoelha-se. Como se surpreender agora, quando os árabes dão as costas aos EUA, não por ódio ou ira, não com ameaças, mas só, exclusivamente, com desprezo profundo? 

Agora, quem toma as decisões são os árabes e seus companheiros muçulmanos do Oriente Médio. 

A Turquia está furiosa com Assad, porque prometeu duas vezes propor reformas e eleições democráticas – e em nenhum dos casos honrou a promessa. O governo turco mandou duas delegações a Damasco e, segundo os turcos, na segunda visita Assad mentiu ao ministro das Relações Exteriores (disse que insistiria para que seu irmão Maher tirasse seus policiais das ruas das cidades sírias). Não insistiu. Os torturadores prosseguiram em sua faina. 

Assistindo à chegada de centenas de refugiados sírios pela fronteira norte do Líbano, o governo turco teme agora que se repita a onda de refugiados do Curdistão Iraquiano que inundou seu território depois da Guerra do Golfo de 1991, e já tem planos secretos para impedir que os curdos sírios cheguem aos milhares às áreas curdas do sudeste da Turquia. Os generais turcos prepararam operação para enviar soldados turcos para a Síria, para criar uma “área segura” para os refugiados sírios no território do califado de Assad. Os turcos estão preparados para avançar bem além da cidade de Al Qamishli, já na Síria – e talvez cheguem à metade do Deir el-Zour (aos velhos campos de matança do deserto, no holocausto de armênios em 1915), mas sem qualquer alarde. O plano é ali criar um “paraíso seguro” para os que fogem do massacre nas cidades sírias. 

Os qataris, simultaneamente, trabalham para impedir que a Argélia forneça mais tanques e veículos blindados a Gaddafi – essa foi uma das razões da visita do emir do Qatar, o pássaro mais esperto do Golfo Árabe, ao presidente da Argélia, Abdelaziz Bouteflika, semana passada. O Qatar está comprometido com os rebeldes líbios em Benghazi; seus aviões voam para a Líbia a partir de Creta e – o que não se sabia até agora –, há oficiais do Qatar assessorando os rebeldes na cidade de Misrata na Líbia ocidental. Se a Argélia estiver de fato ajudando a blindar Gaddafi e repondo material destruído, estaria explicado o avanço ridiculamente lento da campanha da OTAN contra Gaddafi. 

Claro, tudo depende de saber se Bouteflika realmente controla o próprio exército – ou se o pouvoir argelino, que inclui muitos generais conspiradores e corruptos, está cumprindo ordens e acordos. O equipamento argelino é superior ao de Gaddafi; assim, para cada tanque destruído, é possível que Gaddafi esteja recebendo modelo novo, como item de reposição. Abaixo da Tunísia, Argélia e Líbia partilham 750 milhas de fronteira de deserto, rota de fácil trânsito de armas. 

Mas os qataris também têm atraído a ira de Assad. A cobertura obcecada que a rede Al Jazeera tem dado ao levante sírio – imagens de mortos e feridos sempre muito mais terríveis que qualquer coisa que a soft televisão ocidental jamais se atreveria a mostrar – enfureceu a televisão estatal síria, que se pôs a atacar furiosamente o emir e o estado do Qatar. O governo sírio acaba se suspender projetos de investimentos de empresas do Qatar no valor de 4 bilhões de libras, entre os quais um projeto da estatal de água e eletricidade do Qatar. 

Entre esses eventos épicos – o próprio Iêmen talvez leve a coroa de repressão mais sangrenta de todas; e o número de mártires sírios já ultrapassou o número de mortos pela polícia assassina e esquadrões-da-morte de Mubarak há cinco meses – quem se surpreenderá ao constatar que Netanyahu e Obama já sejam vistos como absolutamente irrelevantes? 

A verdade é que as políticas de Obama para o Oriente Médio – sejam quais forem – são tão obscuras e confusas, que nem recebem qualquer atenção mais aprofundada. Obama apoia, claro, a democracia – e em seguida admite que a democracia pode não servir aos interesses dos EUA. Naquela magnífica democracia chamada Arábia Saudita, os EUA constroem negócio de venda de armas de 40 bilhões de libras, e ajudam os sauditas a desenvolver uma “nova” força de elite para proteger o petróleo e as futuras instalações nucleares do reino. Daí brota o medo de Obama de irritar a Arábia Saudita, onde dois dos três irmãos reinantes estão tão senis que já não tomam decisões lúcidas – e infelizmente um desses dois é o rei Abdullah. E daí brota também a disposição de Obama de assegurar a sobrevivência do regime de atrocidades da família Assad. 

Claro que os israelenses preferem que a ditadura síria continue “estável”: melhor um sombrio califado conhecido, que qualquer governo islâmico que venha a surgir das ruínas. Mas e Obama? Que sentido faz Obama defender esse argumento, quando o povo sírio está morrendo nas ruas em luta para conquistar a democracia que o mesmo Obama diz que quer ver na região? 

Um dos elementos mais ocos da oca política dos EUA para o Oriente Médio é a ideia básica segundo a qual os árabes seriam naturalmente mais estúpidos que “nós”, com certeza são mais estúpidos que os israelenses, ainda mais sem noção da realidade que o “ocidente”, além de os árabes absolutamente não entenderem a própria história. Assim sendo, os árabes têm de ser guiados, instruídos, conversados por La Clinton e sua troupe – exatamente como sempre fizeram e fazem os ditadores, guiando “seus filhos” pela vida.

Fato é que os árabes são hoje muito mais amplamente alfabetizados que há uma geração; milhões falam inglês perfeitamente e são perfeitamente capazes de constatar a total fragilidade e a completa irrelevância política das falas de Obama. Quem ouvisse o primeiro discurso de Obama esse mês, 45 minutos – o primeiro discurso de uma sequência de quatro dias de conversa fiada e perfumaria enunciadas pelo homem que parecia disposto a falar ao mundo muçulmano, do Cairo, há dois anos, mas que, a partir dali, nada mais fez –, poderia até imaginar que Obama estaria no comando das revoltas árabes, nunca que se encolheu à margem delas, com medo. 

Houve um muito significativo (co)lapso linguístico na fala de Obama ao longo desses quatro dias críticos. Dia 19/5, 5ª-feira, falou sobre a manutenção dos “assentamentos” israelenses. Dia 20/5, 6ª-feira, Netanyahu aplicou-lhe longo sermão sobre “algumas mudanças demográficas que se observam em campo”. Em seguida, ao falar ao lobby reunido do AIPAC, no domingo, 22/5, Obama já fizera sua a expressão absurda, sem sentido, de mascaramento dos fatos, de Netanyahu. No discurso ao AIPAC, Obama falou de “novas realidades demográficas que se observam em campo”.

Quem o ouvisse, jamais suspeitaria que Obama falasse de colônias ilegais, exclusivas para judeus, construídas ilegalmente em terras que Israel roubou e continua a roubar dos proprietários palestinos, no maior caso de roubo de terras da história da Palestina. 

Obama anunciou que qualquer demora na construção da paz criará riscos para a segurança de Israel. Como se nem desconfiasse que o projeto de Netanyahu é, exatamente, adiar, adiar, adiar, adiar a paz o mais possível, até que já não haja terras palestinas a serem roubadas nem, tampouco, qualquer possibilidade de algum dia haver o estado palestino “viável” que EUA e União Europeia supostamente desejam. 

Depois, foi aquela conversa sobre “as fronteiras de 1967”. Netanyahu declarou que as tais fronteiras seriam “indefensáveis” (apesar de as mesmas fronteiras terem parecido super defensáveis durante os 18 meses que antecederam a Guerra dos Seis Dias). E Obama – sem dar qualquer atenção ao fato de que Israel provavelmente é o único país do planeta que tem fronteiras terrestres a leste... mas não se sabe onde estão – disse que havia sido mal interpretado ao falar das fronteiras de 1967. 

Pouco importa o que diga o presidente dos EUA, o atual ou qualquer outro. George W Bush assinou a rendição há anos, quando entregou a Ariel Sharon uma carta na qual declarou que os EUA aceitam “todos os grandes centros populacionais em Israel” localizados além das linhas de 1967. 

Mesmo para os árabes já preparados para a fala desfibrada, sem espinha dorsal, de Obama, essa parte foi excessiva, além do razoável. Tampouco entenderam a reação ao discurso de Netanyahu ao Congresso. Como é possível que deputados e senadores dos EUA levantem-se 55 vezes para aplaudir Netanyahu – 55 vezes – mais entusiasmo do que se vê nos parlamentos-fantoche de Assad, Saleh e o resto? 

E o quê, diabos, afinal, o Grande Discursador do Ocidente quereria dizer com “todos os países têm direito a autodefesa”... mas a Palestina tem de ser “desmilitarizada”? Ora! Queria dizer que Israel está liberada para continuar a atacar palestinos (como em 2009, por exemplo, quando Obama guardou silêncio covarde, de traição) e os palestinos que aguentem o que os espera, se não se comportarem conforme as regras – porque não terão armas para defender-se. 

Para Netanyahu, os palestinos podem escolher: ou unidade com o Hamás, ou paz com Israel. Conversa muito estranha, essa! Quando não havia unidade, Netanyahu dizia que não tinha interlocutor palestino, porque os palestinos estavam divididos. Quando os palestinos se unem, diz que são desqualificados para conversações de paz. 

Claro, quanto mais tempo você vive no Oriente Médio, mais esperto fica. Lembro, por exemplo, em viagem a Gaza no início dos anos 1980s, quando Yasser Arafat comandava a OLP instalado em Beirute. Ansioso para destruir o prestígio de Arafat nos territórios ocupados, o governo de Israel decidiu apoiar um grupo islâmico em Gaza chamado Hamás. A verdade é simples. Eu vi com meus próprios olhos o comandante do Comando Sul do exército de Israel negociando com os barbudos do Hamás, autorizando-os a construir mais mesquitas. 

É justo lembrar que, naquele momento, americanos e britânicos estavam ocupadíssimos tentando convencer um certo Osama bin Laden a combater contra o exército soviético no Afeganistão. Mas os israelenses não largavam o pé do Hamás. Dias depois, lá estavam outra vez reunidos com a ‘facção’ na Cisjordânia. A história foi matéria de primeira página do Jerusalem Post, no dia seguinte. E os EUA não reclamaram: nem um pio. 

Lembro de outro momento, nesses longos anos. No início dos anos 1990s, membros do Hamás e da Jihad Islâmica foram infiltrados pela fronteira israelense no sul do Líbano, onde permaneceram mais de um ano acampados numa encosta gelada. Visitei-os naquele acampamento algumas vezes. Numa dessas vezes, mencionei que, no dia seguinte, viajaria para Israel. Imediatamente, um dos homens do Hamás correu até a barraca e voltou de lá com um caderno de anotações. Dali extraiu, para me dar, os números dos telefones de casa de três importantes políticos israelenses – dois dos quais continuam importantes até hoje – e eu, chegando a Jerusalém, testei os números: os três, certíssimos. Em outras palavras: no início dos anos 1990s, o governo de Israel mantinha contato pessoal e direto com o Hamás. 

De lá até hoje, a narrativa foi deformada até se tornar irreconhecível. O Hamás passou a ser “super terrorista”, “representante da al-Qaeda no governo unificado da Palestina”, os gênios do mal, para garantir que jamais haja paz entre os palestinos e Israel. Se tal coisa fosse verdade, a verdadeira al-Qa'ida já teria anunciado e assumiria plena responsabilidade pela ‘aliança’, que trataria de divulgar aos quatro ventos. Mas é mentira.

No mesmo contexto, Obama declarou que os palestinos teriam de responder perguntas sobre o Hamás. Mas... por quê? O que Obama e Netanyahu pensem sobre o Hamás absolutamente não interessa aos palestinos. Obama disse aos palestinos de que não se apresentem à ONU em setembro, para exigir o reconhecimento oficial ao seu estado. Mas... por que, diabos, não poderiam ir à ONU? 

Se os povos do Egito, da Tunísia, do Iêmen, da Líbia, da Síria – e continuamos a esperar por outros que hão de vir, talvez, agora, a revolução da Jordânia, uma segunda revolução no Bahrain? O Marrocos?) – podem lutar por dignidade e liberdade, por que os palestinos não poderiam? 

Tendo ouvido décadas de lições a favor de protestos não violentos, os palestinas escolheram a via de ir à ONU e lá fazer ouvir seu clamor por legitimação. Não. Obama acha que não. E ordena que nem tentem. 

Quem leu todos os “Palestine Papers” divulgados por Al-Jazeera sabe, sem sombra de dúvidas, que os negociadores palestinos irão até onde for preciso para criar qualquer tipo de estado. Mas Mahmoud Abbas – que conseguiu escrever livro de 600 páginas sem usar a palavra “ocupação” – é perfeitamente capaz de engavetar o projeto ONU, de medo do que disse Obama – que o movimento seria visto como tentativa para “isolar” Israel e, claro, para “deslegitimar” o estado israelense – “o estado judeu”, como diz, agora, o presidente dos EUA.

Netanyahu é quem mais trabalha para deslegitimar Israel. De todos, é o que cada dia mais se parece com os bufões árabes que, até hoje, comandaram o Oriente Médio. Mubarak viu “mão estrangeira” na revolução egípcia (mão iraniana, claro). O príncipe coroado do Bahrain, idem (o Irã, sempre o Irã). E Gaddafi (viu mãos da al-Qaeda, do imperialismo ocidental, várias mãos estrangeiras). Idem Saleh do Iêmen (al-Qaeda, Mossad e EUA). Idem Assad da Síria (mãos do islamismo, talvez do Mossad, e outras). E idem, idem, Netanyahu – que vê, claro, a mão do Irã, além da mão da Síria, do Líbano, de todas as entidades e seres imagináveis... exceto as suas próprias mãos israelenses. 

Contudo, enquanto segue a bufoneria geral, as placas tectônicas vibram e estremecem. 

Duvido muito que os palestinos mantenham-se calados por muito tempo mais. Se há uma “intifada” na Síria, por que não uma Terceira Intifada na Palestina? Não ações de homens-bomba e mulheres-bomba, mas movimento de massas, protestos de milhares, de milhões. Se Israel atirou para matar contra alguns poucos manifestantes que tentaram – e vários conseguiram – furar a fronteira de Israel há duas semanas... o que mais farão se tiverem de enfrentar manifestações de milhares, de milhões? 

Obama resolveu que a ONU não deve reconhecer nenhum estado palestino. Por que não? Mas, sobretudo, quem, no Oriente Médio, liga para o que Obama diga? De fato, nem os israelenses ligam. 

Em breve, a primavera árabe será tórrido verão e virá também um outono árabe. Até lá, é possível que o Oriente Médio já se tenha transformado para sempre. O que os EUA digam não fará diferença alguma.



Nota de tradução
[1] Orig. “Great Bitter Lake”: ver imagens do lago salgado entre a parte norte e sul do Canal de Suez, antes de haver o Canal de Suez. Ao lado, está o Pequeno Mar Salgado. 

http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/05/robert-fisk-e-quem-no-oriente-medio.html

segunda-feira, 30 de maio de 2011

30/5 - Porque nossos sonhos não acabarão jamais, lutaremos onde tiver que ser



Porque nossos sonhos não acabarão jamais, lutaremos onde tiver de ser

Precisamos saber se é hora de voltar ao combate direto, indo além do ato de escrever


 “Nenhum homem pode fugir de seu destino”.
Sófocles, dramaturgo grego (497 AC a 406 AC)

 
Esse mundo que se posta ante nossos olhos não é o mundo dos nossos sonhos. É uma afronta abominável aos ideais de uma humanidade serena e profícua, justa e generosa. É a esteira dos domínios cruéis, da opressão viciada por sofismas e eufemismos disseminados por inescrupulosas máquinas de manipulação, mistificação e escravização.

Esse mundo todo, nos diferentes quadrantes, respira por aparelhos de uma engrenagem assentada na barbárie e nas leis impudicas dos mais fortes, mais espertos, mais traiçoeiros, mais covardes.

Esse mundo vil não tem dó, nem piedade. Ao contrário, lastreia-se no inconsciente sádico e perverso que alimenta o massacre dos miseráveis inertes e nutre apetites vorazes de elites cada vez mais gananciosas e mais insaciáveis.

É o mundo cão sem tirar nem por. Um mundo que se serve sem o menor recato do obscurantismo, do charlatanismo, da malícia midiática, do fatalismo e da acomodação forjada, numa ciranda sufocante e implacável.

Esse mundo absurdo não é a última palavra, porém. Não é e nem pode ser o sepulcro dos ideais solidários que sobrevivem no torvelinho da angústia crítica. Esse mundo de podres poderes soçobra nos caminhos ínvios da injustiça e da exploração entre irmãos.

Mesmo sob o manto felino da arrogância, dos fatos consumados, esse mundo, digo-lhes, não tem armadura para resistir aos nossos sonhos por todo o sempre. Um olhar arisco o verá inclinando-se para o fundo do poço, como tigre de papel, eis que nossos sonhos vêm doutras eras e doutras raízes, atravessando procelas e recusando-se a vergar-se.

A esse mundo injusto, opomos o mundo dos nossos sonhos - muito mais do que uma quimera abstrata. Porque nossos sonhos são frutos de uma realidade plausível.

Isto quer dizer: nossos sonhos não emanam de nuvens passageiras. Brotam aos cântaros na valentia dos indignados, na teimosia dos indomáveis. Por isso, nossos sonhos não acabaram, não pereceram na fornalha de uma ditadura invisível, que domina pela sonegação do conhecimento, pelo direcionamento das amarguras e pelo incremento da boçalidade astuta.

Desde outubro de 2008, contentei-me com o verbo virtual. Fiz da grande rede a tribuna exclusiva das minhas reflexões. Circunscrevi a luta ao ato de explodir pelo teclado uma indignação que é de milhões de brasileiros, mas que só chega a alguns milhares nos limites de uma banda larga que ainda não alcança nem motiva as multidões desinformadas.

Procurei equipar-me mais e melhor através da mala direta, do blog, do you tube, das redes sociais. Fiz muito, mas fiz pouco, considerando o que produziria se me expusesse mais uma vez no cerne dos acontecimentos, ali, onde se decide, onde as palavras se encorpam e viabilizam ações no fremir dos embates frontais, no cenário das grandes batalhas.

Foi ali, no teatro dos entreveros políticos, nos conflitos diante das urnas, que assimilei meu compromisso sagrado com a c ausa da justiça e da liberdade, no sonho magnânimo do mundo melhor, obrigação irrenunciável dos que devassaram a história e viram nas entrelinhas do passado sofrido o livro aberto de um mundo de todos e para todos, sem postergações marotas, sem hipocrisias farsescas, nem desculpas reles.

Estou consciente, portanto, que há uma enorme diferença entre escrever e intervir, criticar e agir. No meu caso, isto é tanto mais evidente quando não dispomos mais nas bancas de nossa TRIBUNA DA IMPRENSA, trincheira que parou porque até hoje espera uma decisão judicial sobre as enormes perdas sofridas durante o período obscuro de perseguições sofridas na ditadura.

Neste instanto,  reflito sobre a possibilidade de voltar à liça, ao  corpo a corpo dos embates das ruas, da disputa das urnas. É o que me parece um dever diante de tantas farsas, tantas omissões, tantas burlas. Espero sua opinião sobre essa reflexão.
Voltarei  a falar a respeito muito em breve. 
 
 
Quando vereador, fui até o STF para garantir a minha lei que livrava os taxistas do regime escravo das diárias. Na vitória de 10 a 1 contra o recurso do então prefeito  Cesar Maia, o voto do ministro Marco Aurélio foi fundamental
 
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30/5 - A história de Deus


Raul Longo
Raul Longo

Por ocasião da Páscoa prometi a uma amiga que um dia contaria a história de Deus. Depois me considerei muito pretensioso. Mas, observando bem, é só rememorar algumas leituras antigas, consultar informações sobre novas descobertas e com alguma ajuda da internet sempre se encontra novos detalhes para recontar a História desta história.

Importante deixar claro que não se tratará aqui do deus de cada um. Nada de deuses de histórias pessoais nem de igrejas e religiões. É só o Deus da História mesmo.

Na verdade nem se vai falar da Páscoa porque isso de travessia do Mar Vermelho, pragas do Egito e outras histórias que também têm História, sempre acabam incomodando a crença das  pessoas e melhor passar ao largo para evitar mal entendido. Se alguém se interessar, depois a gente conta, pois por enquanto vamos ficar só na história do Deus da História.

Pelos mesmos motivos também não tocaremos no assunto do primeiro deus universal que foi deusa. Se alguém pedir, poderemos comentar algumas informações sobre a Grande Mãe, a Ishtar na origem acádia ou a Nanmu dos Sumérios, mas por enquanto a ideia é evitar polêmica e apenas contar a origem da História do Deus masculino e patriarcal.

Há quem imagine impossível contar a história de Deus por acreditar que Deus já existia muitos anos antes dos judeus que se anunciam como seu povo predileto. E é verdade! A mais antiga referência ao povo hebreu data de 1.200 aC, e o primeiro monoteísta viveu muito antes, por volta de 1.350 aC. E chamava-se Amen-hotep.

Amen-hotep foi empossado Faraó pelo pai com apenas 15 anos de idade. Isso dos primogênitos dividirem o trono com os pais era uma medida contra os riscos de golpe nos processos de sucessão do poder ambicionado pelos sacerdotes dos diversos deuses egípcios. Provavelmente por essa razão Amen-hotep, 9º Faraó da 18º dinastia, tomou a providência de inventar Deus.

Não exatamente com esse nome, mas foi o primeiro conceito monoteísta da História da humanidade. Também para Amen-hotep todos os demais deuses, inclusive Amon, o mais poderoso em seu tempo, passaram a ser falsos e só o dele, ao qual chamou de Aton, era o verdadeiro. Tanto que trocou até de nome. De Amen-hotep, que significava “Amon está satisfeito”, mudou Akhenaton, com o significado de “O espírito atuante de Aton”. Fez fechar os templos dos deuses todos, proibiu os cultos e destituiu os sacerdotes sagrando-se como representante exclusivo do deus único: Aton.

Chegou até a construir uma nova capital para o Egito dedicada ao seu deus, mas o culto a Aton não superou o reinado de seu criador e após a morte do Faraó Akhenaton, o poder e o panteão  dos deuses egípcios retornou à Tebas.

Teriam os Hebreus apreendido sobre Aton durante os longos anos em que foram escravos no Egito?

Impossível! Entre outros motivos porque os egípcios não praticaram a escravatura.

Escravos no Egito só nas histórias, na verdade estórias, de Hollywood e da Bíblia, pois apesar dos egípcios não terem desenvolvido um sistema de escrita, através de hieróglifos e ilustrações documentaram sobejamente os principais acontecimentos e até corriqueiros costumes de sua sociedade.

Egípcio não podia ver uma parede que nela já ia desenhando e pintando algum acontecimento. Não seria nenhum exagero classificá-los como precursores das Histórias em Quadrinhos, pois desenhavam tudo o que acontecia.

Reflexologia no Egito antigo
Por exemplo: a reflexologia. Técnica complementar de tratamento de saúde através de pressões com os dedos em pontos e regiões específicas dos pés e das mãos, por muito tempo se acreditou que a reflexologia fosse de origem chinesa, apesar de no século 19 o médico William Fitzgerald ter desenvolvido o que chamou de zonoterapia a partir de observações do mesmo processo empregado pelos índios dos Estados Unidos. No entanto, através de inscrições e ilustrações em uma pirâmide os egiptólogos descobriram que a prática já era comum no tempo dos faraós e, inclusive, aplicada por tratadores negros.

Da mesma forma se descobriu que ser convocado para participar como trabalhador na construção de uma pirâmide, mais do que uma honra era convite para a eternidade, pois os egípcios acreditavam que os escolhidos para construir os túmulos dos Faraós os acompanhariam como súditos, perpetuando a grandeza de sua civilização.

As escavações em torno das pirâmides revelaram que em nenhuma daquelas aldeias de trabalhadores se empregava prisões, senzalas, alojamentos coletivos com dezenas de ocupantes. Possuíam confortáveis casas de banho e grandes tabernas. Inscrições revelaram que aqueles trabalhadores tinham destaque entre as classes populares e eram requestados por mulheres de posição social mais elevada, fazendo crer serem bem remunerados.

Há quase dois séculos o Egito tem sido o país mais detalhadamente pesquisado pela arqueologia, inclusive pela fartura de material iconográfico, mas nunca foi encontrado nenhum registro pictórico ou em hieróglifo sobre algum povo semita que por lá tenha permanecido sob qualquer condição, fosse como escravo ou integrando deliberadamente aquela sociedade que hoje é formada por árabes.

Como semitas, os árabes têm tipo físico bastante diferente dos antigos egípcios que em meados do século 20 de nossa era não perfaziam mais de uma centena de indivíduos remanescentes da antiga etnia que, com seus corpos longilíneos e de negros e escorridos cabelos, muito se assemelham a como se reproduziam nos desenhos das pirâmides e Elizabeth  Taylor tentou copiar em Cleópatra.

Cleópatra, apesar de nascida no Egito, era filha de Macedônios, portanto, como grega, seu tipo físico tampouco tinha alguma semelhança com as egípcias. Mesmo Hollywood nunca tendo levado a História a sério, a verdade é que por suas singulares características físicas os últimos remanescentes da etnia dispersos pelo mundo, ainda chamam a atenção onde quer que apareçam. Certamente também atentariam para os semitas que, segundo a história da Bíblia, com eles teriam convivido ao longo de 4 séculos desde que José caiu nas graças do Faraó Apopi I que o teria distinguido com o alto cargo de Adon, correspondente ao de chanceler.

Apopi foi um faraó da dinastia dos Hicsos (como os egípcios se referiam àqueles “soberanos estrangeiros”), povo asiático que governou desde 1.640 até cerca de 1.570 aC quando foram expulsos por Amósis. Registros não confirmados de Maneton (sacerdote e historiador egípcio do séc. 3 aC), citados por Flávio Josefo (nome romano do historiador judeu Yosef ben Matityahu do séc. I dC),  afirmaria que após um acordo com o Faraó Amósis, os Hicsos deixaram o Egito com suas famílias e seus bens e foram para a Judéia onde teriam construído  Jerusalém. 

Os quase dois séculos de pesquisas arqueológicas e observações de linguistas e historiadores também não revelaram entre os hebreus nenhum resquício de influência da linguagem egípcia, ou outro mínimo detalhe cultural e de costumes, apesar da exuberante civilização egípcia ter influenciado a todos seus vizinhos, promovendo até algumas significativas civilizações como a Minoica. E os Hebreus, que ao longo de toda a história se demonstraram sensíveis aos conhecimentos assimilados em todas as partes do mundo por onde emigraram, dos quatro séculos de Egito nada preservaram?

As influências recebidas de outros povos e mantidas pelos Hebreus se denota já naquela primeira referência na estela do túmulo do Faraó Merenpath, em 1.200 aC. Ao serem indicados, ali, como nômades pastores que se denominavam povo de Israel, se evidencia as profundas influências canaanitas de quando, em seus primórdios, Hebreus conviveram entre os Cananeus.

No próprio relato bíblico da vitória de Jacó sobre o anjo enviado por Deus para lutar contra o patriarca se confirma essa herança quando, após um pacto com Jacó, o Senhor muda seu nome para Israel, adotado por toda a tribo.

Em 1928 um camponês palestino acidentalmente abriu com o arado o que acreditou ser a tampa de uma antiga tumba. Dali se escavou o que se crê como a primeira civilização da antiga região de Canaã que compreendia a Palestina até a Jordânia e parte do Líbano chegando à Síria. Pois o arado do jovem alauíta (especificidade islâmica étnico-religiosa) trouxe a redescoberta de Ugarith, uma das primeiras cidades semitas da História.

Ugarith foi importante cidade portuária entre os séculos 15 a 20 aC e por muito tempo manteve relações diplomáticas com os egípcios dos quais foi aliada contra os hititas. As descobertas em Ugarith confirmaram a passagem do exército do Faraó Merenpath pela região, confirmando a menção sobre a tribo nômade chamada Israel.

O cosmopolitismo de Ugarith desenvolveu grande versatilidade linguística e em duas bibliotecas encontradas em suas ruínas se descobriu que 400 anos antes dos fenícios, que em cerca de 1.050 aC desenvolverem o alfabeto que hoje utilizamos, ali já haviam criado o alfabeto ugarítico que muito ajudou a distinguir inegáveis influências literárias na construção poética e no imaginário místico encontrado no Torá e na Bíblia.

Como todos os demais semitas, os Ugarith cultuavam o deus Baal, mas o tinham como uma espécie de administrador terreno às ordens de um deus mais importante na hierarquia do panteão Ugarith. Esse deus mais cósmico e menos terreno do que Baal era evocado como El.

Com os Ugarith os Hebreus aprenderam a cultuar El que é um dos nomes do deus do Tanah, o Velho Testamento judaico. E as descobertas nas bibliotecas de Ugarith confirmaram a formação da palavra Israel: Sãrâ (a grafia correta é com sinal de agudo no “S” e a pronuncia assemelha-se à ishra) = lutar com... + El = Deus.

Mas foi a decodificação de um sistema de escrita muito anterior à ugarítica que levou a ciência e os pesquisadores aos primórdios da história de Deus, milênios antes do pacto com os Hebreus que eliminou a interferência de Baal que foi relegado a condição de símbolo do mal e, mais tarde, reafirmado pelos cristãos como o diabo.

Esse primeiro sistema de escrita desenvolvido pelo ser humano foi utilizado ao longo de 3 milênios como o único meio literal de documentação de eventos históricos. Daí os Sumérios serem considerados o início da História, pois em argila ainda fresca cunharam seus relatos que depois de cozidos se transformaram em tábuas de cerâmica que se mantém intactas até nossos dias e, após a decodificação da escrita cuneiforme, legíveis.

Anteriores ao período da dispersão linguística indo-européia, os Sumérios eram remanescentes do Neolítico e por isso considerados o elo entre a Pré-História e a História. Mas deles não teríamos qualquer conhecimento nem poderíamos decifrar suas sobreviventes tábuas de argila, se Assírios e Babilônios não os enaltecessem em seus relatos sobre a primeira civilização humana.

Por constituírem uma civilização, atraíram as tribos nômades que subindo pelos desertos atravessavam o chamado corredor palestino e, evitando as tribos aguerridas e mais numerosas que se estabeleciam na região da Anatólia, buscavam os rios e as terras férteis da Mesopotâmia. Ali esses nômades se encantaram com as primeiras grandes evoluções técnicas e culturais que mudaram o rumo da história da humanidade até o dia de hoje, pois além da escrita e do arado os Sumérios também foram os inventores da roda, da cerveja, da matemática, da astronomia e muitos outros pioneirismos que naqueles tempos tinham um significado igual ou maior do que a chegada do homem à Lua.

Apesar de também reconhecidos como os primeiros a desenvolver estudos sobre as reações do organismo humano, evidentemente não faziam ideia dos códigos genéticos que na primeira década deste nosso século 21 dC vêm apontando irrefutáveis indicações sobre as origens de diversos grupos étnicos. Portanto, a única forma de identificarmos povos que como os Sumérios já se extinguiram, é pela estrutura linguística de seus idiomas ou por registros sobre suas características físicas.

Sumérios não era como se chamavam a si mesmos. Num idioma aglutinante onde os morfemas (elementos que compõe uma palavra) se justapunham, diziam-se Sa-gi-ga, ou “povo da cabeça negra”. E à região onde viviam denominavam de Ki-en-gi, “o lugar dos civilizados”.

De quem os Sumérios se autodistinguiam por ter cabeça não negra, julgando-os incivilizados?

Os pesquisadores concluem que a civilização Suméria se originou onde hoje é o Cazaquistão, por volta de 6 mil anos atrás. E é dos Sumérios a autoria do primeiro documento criacionista (em oposição a teoria evolucionista proposta por Darwin no século retrasado) sobre o surgimento da espécie humana.

Com mais de 4 mil anos de antecedência ao Bereshit, ao Tanakh, ou ao Gênesis, os Sumérios diziam que Enki, o mais importante de seus deuses, descera do cimo dos Montes Zagros que separam o Irã do Iraque. Descobertas arqueológicas confirmam que realmente os Sumérios estiveram nas planícies iranianas e acredita-se terem emigrado para a baixa Mesopotâmia, na confluência entre os rios Tigre e o Eufrates, no último período glacial. Próximos à atual Bagdá, hoje invadida pelos Estados Unidos, desenvolveram um povoado chamado Eridu, mas sua mitologia conta que Eridu fora construída por Enki, o deus da vida e da morte, e da sabedoria.

Após trabalhar duro na construção de Eridu, que em Sumério significa “lar distante”, Enki descansou no sétimo dia, segundo as milenares argilas marcadas pela escrita cuneiforme.

Enki desposara sua meia irmã Ninmah, com a qual teve o filho Ningishzidda. A esposa-irmã e o filho de Enki moldaram cópias de si mesmos em barro e depois partiram. Saudoso, Enki deu de seu sangue às esculturas e assim surgiu o primeiro homem e a primeira mulher.

Mais tarde, uma descendente destes primeiros humanos, de nome Adapa, vem a ter de filhos dois gêmeos: K-In e Aba-el.

Conforme o relato das tábuas de argila, entre 4.000 e 4.500 aC, o deus Oannes emergia do Golfo Pérsico para ensinar aos descendentes desses irmãos a escrita, a ciência astronômica, a agricultura, e o hábito de se morar em cidades.

Os descendentes de Aba-el não gostavam dessas lições e preferiam continuar sobrevivendo do que coletavam caçando ou pescando, numa íntima associação com a natureza. Mas os filhos de K-In se aplicaram e foram os que construíram as primeiras cidades Sumerianas e que, de fato, são as mais antigas entre todas as já descobertas pela arqueologia. Um total de 12 cidades-estados, próximas o suficiente para serem avistadas uma das outras, sendo Ur a principal delas, onde muito depois se construiu a Babilônia e mais tarde a Bagdá hoje invadida.

Turquia = Anatólia. À direita da Turquia = Cáucaso e Mar Cáspio. Á direita e ao norte do Cáspio, embora não conste nesse mapa: o Cazaquistão. Entre Arábia Saudita e Turquia, próximo ao Mediterrâneo: o corredor sírio palestino. À direita: a Mesopotâmia (Iraque) e, depois, o Irã (antiga Pérsia).
Seriam esses filhos de Aba-el os incivilizados dos quais os Sumerianos se distinguiam? Mas por que deles também se diferenciam pela cabeça negra?

Por falar em “cabeças”, vêm à lembrança que o termo “caucasiano” foi cunhado etnologicamente pelo filósofo e racista Christoph Meiners (1747 - 1810) que classificava os humanos em dois grupos: os bonitos (de cor clara) e os feios (de cor escura). No século 19, outro alemão, o antropólogo e zoólogo Friedrich Blumenbach, reafirmou a tese de que os europeus teriam surgido no Cáucaso devido a similaridade de feições com os povos daquela região. Na época, estudiosos de craniologia consideraram que metricamente os crânios dos europeus e de alguns povos do norte da África e outros do subcontinente indiano e da Ásia Ocidental, são iguais aos dos povos que viveram no Cáucaso.

Pelo Mar Cáspio, o Cáucaso corresponde aos países da margem oposta ao Cazaquistão, onde teriam se originado os Sumérios. Outra pista nos remete para muito antes, entre 300 mil e 40 mil anos aC, no período Paleolítico, quando esta mesma região foi dominada pelo Homem de Neanderthal.

Três anos antes da publicação de “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, trabalhadores de uma mina de calcário no Vale de Neander, na Alemanha, encontraram um esqueleto que acreditaram como restos de um urso. Logo os paleantropologistas o identificaram como de um  humanoide e o classificaram como uma subespécie do Homo Sapiens. Mais tarde aventou-se a hipótese de que o Sapiens teria evoluído daquela espécie, já então catalogada como Homem de Neanderthal. A princípio consideraram que Sapiens e Neanderthal não teriam compartilhado suas existências, no entanto novas descobertas em diversas partes da Europa e do Oriente Próximo evidenciaram contemporaneidade entre as espécies. Ainda assim não se acreditou possível uma coexistência.

Em 1998 uma equipe de estudiosos de escrituras rupestres encontra numa caverna do Vale do Lapedo, próximo a cidade de Leiria em Portugal, o túmulo de uma criança com providências ritualísticas.

Chamado o “Menino de Lapedo”, a análise do DNA deste fóssil bem conservado pelas características geológicas da caverna (calcário) revelou que a criança fora gerada por um cruzamento de um ou uma Sapiens com um ou uma Neanderthalensis.

Por fim, em 7 de maio de 2010, a Revista Science publica um estudo do Projeto Genoma do Neanderthal onde se concluiu que a população branca do mundo contém, sim, indícios claros do cruzamento do Homo Sapiens europeu, ou Cro-Magnon, com o Homem de Neanderthal, ainda que para os analistas o DNA mitocondrial (organela celular) indique que este último não pertença a linhagem humana.

Por observação e analogia com a evolução de outras espécies antropoides sob as mesmas condições climáticas, alguns estudiosos concluem que o frio e a pouca luz das regiões europeias e caucasianas, fez com que o Neanderthalensis desenvolvesse características próprias como cabelos ruivos mais lisos e mais cheios devido a escassez de sol e para possibilitar maior cobertura do rosto e do dorso onde, como em todo o corpo, seus descendentes tem mais pelos do que negros, asiáticos, aborígenes da Oceania e indígenas das Américas. Mas, principalmente a baixa pigmentação clareando a pele, seria uma reação da evolução do Neanderthal para retenção de maior calor da escassa energia solar.

Essas hipóteses talvez não expliquem satisfatoriamente de quem se diferenciavam os Sumérios, ou à que espécie de humanos Enki deu a vida através do seu sangue e à qual o Deus dos judeus inspirou a vida através do Seu sopro. Mas importante observar que o maior contato e convívio dos Sumérios foi com diversas tribos nômades provindas do sul e que ao longo de 3 milênios expressaram profunda admiração pela história, mitologia e cultura daqueles pioneiros da civilização humana, mesmo depois de terem desaparecido.

Assurbanipal, por exemplo, o rei dos assírios, reescreveu em linguagem acadiana e escrita cuneiforme o que hoje é considerado a primeira literatura épica da História da Humanidade: “A Epopeia de Gilgamesh”. Uma das passagens desse épico relata quando um mensageiro avisou a Enki sobre a eminência de um dilúvio. Enki chamou a seu filho Ziusudra e ordenou que construísse uma Arca para se salvar do dilúvio, levando consigo a “Semente da Vida” de tudo o que existia.

Mais tarde Ziusudra foi chamado de Ut-Napist pelos babilônicos em cujas bibliotecas os patriarcas hebreus se inspiraram para desenvolver uma história que, compilada em livro, servisse de orientação aos de sua tribo para que se tornasse um povo, sem se dispersar pelos tantos apelos típicos de uma cidade cosmopolita, como então a grandiosa Babilônia.

Assim, ao personagem da mitologia suméria os hebreus deram o nome de Noé e conferiram a um dos filhos deste Noé o nome de Sem, do qual disseram ter originado todos os daquelas tribos que então ocupavam a Mesopotâmia, batizando-os de semitas.

Mas isso já foi próximo a 560 aC, quando depois de se considerarem os escolhidos de Jeová entre os semitas, relegaram alguns de seus irmãos como descendentes de Cam, irmão de Sem, que, por ter ofendido ao pai, Noé, Jeová desapropria de suas terras: Canaã, e as entrega aos filhos da ira de El dos Ugarith.

A civilização ugarítica desapareceu há muitos milênios, mas a julgar pela História do extermínio dos indígenas das Américas e dos aborígenes da Oceania, pelos 4 séculos de escravidão dos povos de África, os castigos impostos aos transgressores das leis do Islã, as perseguições aos judeus na Europa e, também lá, as torturas e queimas da Inquisição, a matança de hereges protestantes e o terror dos protestantes contra irlandeses católicos; a ira de El é infinita.

Ainda hoje, quando assistimos aos estupros das mulheres afegãs pelas forças da OTAN, as torturas aos homens do Iraque pelo soldados dos EUA/OTAN e o sistemático trucidamento das crianças de Gaza e da Cisjordânia pelos cidadãos e soldados de Israel; concluímos que a ira  de Deus é eterna. Mas, na verdade, isso depende da função do deus de cada um.

O Deus do pastor Martin Luther King, por exemplo, tinha bem outra função e as funções dos deuses se diferem de acordo com a história daqueles que os possuem e de seus diferentes interesses.

De toda forma, a História continuará sendo a História. Esta sim única e verdadeira, independente dos interesses de quem quer que seja ou de quem a conte, inclusive os deste contador que se limitam ao compartilhar do pagamento de promessa a uma amiga.

http://redecastorphoto.blogspot.com/2011/05/historia-de-deus.html

30/5 - Melodias entre 1940 e 1999

Carta O Berro..........................................................repassem
 
 
 
 
 
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Grande sacada este E-mail.
Encantei-me principalmente com o repertório dos anos de 1940 ao de 1970.
Espero que também apreciem....
Diógenes
 

 Trata-se de uma juke box que recupera 60 anos de música e que te permitirá ouvir as melodias do ano do teu nascimento, ou de qualquer outro ano, entre 1940 e 1999!