terça-feira, 26 de julho de 2011

26/7 - TIJOLAÇO do Brizola Neto : Textos imperdíveis

FONTE:http://www.tijolaco.com

A Petrobras de Dilma e a Petrobrax de FHC

Talvez alguns leitores se impacientem com o fato de que este modesto escriba aqui não ficar apenas na política e se aventurar, nem sempre com grande capacidade, no terreno da economia.
Por conta disso, ao lado deste Tijolaço, estou colaborando com um grupo de jornalistas na montagem de um site de economia. Ou melhor, de polêmicas sobre economia, cujo desafio é tentar tratar dela em linguagem simples e, sobretudo, com o olhar de quem defende o Brasil, não os grandes interesses econômicos.
E que acredita que desenvolvimento e justiça social, como sempre nos dizia o velho Briza, são como trilhos de uma estrada de ferro: têm de estar sempre juntos.
Daí que colocamos no ar, ainda com muitos defeitos – mas parados é que não os consertamos, não é? – o Projeto Nacional, não apenas para enfrentar a polêmica, para  defender um modelo de desenvolvimento autônomo e socialmente distributivo para o nosso país mas , também, procurar reunir as cabeças pensantes que tenham esta visão para traduzirmos o “economês” em algo que seja compreensível e revele o que há por trás daquilo que nos é dado como “verdade absoluta” por uma mídia, em geral, cúmplice ou agente da mesma turma que deixou o Brasil de roda-presa.
Então, começamos hoje, atacando esta polêmica do tal “corte” de investimentos da Petrobras.
Pelos gráficos acima do post , você já tem uma ideia de que aquilo que  a mídia trata por corte o que é, nos governos Lula e Dilma, a enorme expansão da nossa mais importante empresa.
E que é pouco ainda, perto das nossas riquezas em petróleo, das nossas competências técnicas e tecnológicas e das necessidades de energia de um país que, finalmente, começa a crescer e a distribuir renda, depois de décadas.
Um Brasil que precisa ser pensado – e como isso é simples – em favor do Brasil.








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Não é um jornal esquerdista, nem mesmo é o governo iraniano, que – embora eleito -  é tratado  pela nossa mídia como se fosse uma quadrilha de lunáticos.
Não, é a respeitadíssima  – e ocidentalíssima – Agência Reuters que informa que foram, segundo analista por ela consultados, agentes dos serviços secretos ocidentais os responsáveis pelo assassinato de um jovem cientista iraniano, que trabalhava no sistema de pesquisas nucleares do Irã.
Darioush Rezaie, de 35 anos, foi assassinado  a tiros no sábado na zona leste de Teerã. Ele é o terceiro cientista assassinado no país desde 2009. Um deles foi morto por um carro-bomba; o outro, por explosivos acionados por controle remoto.
Nos dois casos anteriores, as autoridades reagiram de modo confuso, mas desta vez houve uma divergência ainda mais ampla dentro do governo.
“Os assassinatos continuarão sendo uma ferramenta usada nesta guerra encoberta. Embora seja impossível dizer com certeza se Rezaie era um cientista nuclear ativo, sua morte parece ser mais um episódio nessa guerra”, disse Ghanem Nuseibeh, analista radicado em Londres e fundador da Cornerstone Global Associates.
“A narrativa iraniana tem sido confusa acerca do trabalho de Rezaie, e isso acrescenta credibilidade à especulação de que ele estava envolvido no programa nuclear.”, diz um dos ouvidos pela Reuters, que entende que o Governo de Teerã não quer admitir que ele trabalhasse em atividades que têm sido proibidas ao país em matéria de energia nucler.
“Diz a matéria:
“Suspeito, apenas com base no que se sabe pelos relatos da imprensa iraniana, que Rezaie tenha sido assassinado por causa da sua relação com o programa nuclear do Irã”, disse Afshon Ostovar, analista radicado em Washington e especializado em Irã.
Após a confusão inicial, Ostovar disse ter notado “uma campanha de relações públicas para minimizar o impacto da morte dele sobre o programa nuclear e para desacreditar qualquer sensação de legitimidade do assassinato”.
Vários analistas disseram crer na hipótese de participação de agentes dos EUA ou de Israel no crime.
Só uma pergunta: como assim “desacreditar qualquer sensação de legitimidade do assassinato”? Desde quando é legitimo a Israel ou aos EUA assassinar um cidadão de outro país, em outro país, só porque considera sua atividade potencialmente prejudicial à sua supremacia nuclear? Então o Irã tem o direito de mandar agentes executarem cientistas nucleares dos EUA, em território americano, só porque não acham bom que lá se desenvolvam tecnologias bélicas nucleares?
O 007, ao menos, a gente sabia que era de mentirinha, não é?









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Um ser humano pode ser reconhecido, ao longo do tempo, pelo que fez. Ou pelo que não fez, quando o instante surgiu.
Quando se trata de governantes, então, isso é uma regra quase imutável.
E fatal.
Quem governa de olho nas pesquisas pratica a esperteza, que é um veneno terrível para a lucidez.
É claro que há sabedoria em esperar, em construir as plataformas para os grandes saltos.
Mas é a esperteza política a sua bússola, não suas convicções profundas, chega a hora em que todos o verão.
Hoje, um texto da jornalista carioca Cláudia Antunes, na Folha, mostra como é essa a impressão que se espalha, velozmente, sobre Barack Obama.
E que o revela, miúdo, ante a imagem do Roosevelt que um país em crise e um mundo ansioso para que seu país mais poderoso pudesse conduzir o planeta a outro rumo.
À altura do tempo
O filósofo do direito americano Ronald Dworkin defendeu que Barack Obama parta para o confronto com a direita que obstrui seu governo, em vez de buscar um acordo com ela.
No blog da “New York Review of Books”, ele provocou o ocupante da Casa Branca. Transcreveu um discurso de Franklin Delano Roosevelt, o mais venerado dos presidentes democratas dos EUA.
Feito em 1936 no Madison Square Garden (Nova York), quando Roosevelt concorria à primeira de três reeleições, o pronunciamento é contundente do início ao fim.
O trecho mais lembrado diz o seguinte: “Agora sabemos que o governo pelo dinheiro organizado é tão perigoso quanto o governo pelo crime organizado. Nunca antes na nossa história essas forças estiveram tão unidas contra um candidato. Elas são unânimes em seu ódio a mim -e eu saúdo esse ódio”.
Os rivais enumerados por Roosevelt têm atualidade -o monopólio empresarial e financeiro, a especulação, o antagonismo de classe, o lucro com a guerra.
As circunstâncias eram diferentes. As consequências do crash de 1929, que jogara o desemprego a 25%, foram mais agudas do que as da explosão da bolha financeira em 2008. O ambiente ideológico era mais favorável ao intervencionismo estatal. E existe o argumento de que o que de fato salvou a economia dos EUA foi a Segunda Guerra.
Mesmo assim, o contraste reforça a constatação de que a crise atual nos países ricos não encontrou um líder capaz de mostrar uma rota de saída à população.
Obama e os principais líderes europeus parecem acovardados, mais confiantes em pesquisas de opinião do que no próprio tino. Na Europa, os governos vinham cultivando, em vez de combater, a raiva antiestrangeiros abraçada pelo autor dos atentados na Noruega.
Falta quem demonstre ser capaz de tomar a história nas mãos.








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O assassino em massa norueguês Anders Behring Breivik cita o Brasil, no manifesto racista que divulgou na internet, como um exemplo do que a “mistura de raças” produz em uma nação.
Segundo sua mente transtornada pelo ódio, seríamos assim “por causa da “revolução marxista brasileira”, o Brasil teria se tornado uma mistura de raças o que se mostrou uma “catástrofe” para o país que é “de segundo mundo” com um baixo nível de coesão social. Os resultados seriam os altos níveis de corrupção, baixa produtividade e conflitos entre as diferentes culturas”.
Breivik é um doente, mas a forma que sua doença assume é moldada por um caldo de cultura que existe aqui também, embora nem todos os que pensam como ele vão sair fuzilando dezenas de jovens. Mas ele existe e tem muita gente que está mergulhada nele e, mesmo sem verbalizar ou escrever isso, acha que o Brasil negro, mestiço, cafuzo, mulato, é a praga e o atraso deste país.
Cheios de dedos, para não explicitar seu racismo social, o que eram os que reclamavam daquela “gente diferenciada” que uma estação do Metrô traria a Higienópolis?
Mas deles a gente está cansado de falar.
Nós também temos culpa nisso.
Porque paramos de celebrar, por nos agarrarmos – usando a expressão do próprio terrorista, em seu manifesto – à idéia de tribo, de grupo fechado por alguma razão: etnia, gênero, ideologia, a riqueza da diversidade.
A maior perversidade da discriminação é essa: a de nos cegar para vermos a riqueza de nossa igualdade humana.
Estamos, com razão e por dever, tão presos a afirmar os direitos de grupos – e todos eles os têm e são invioláveis – que descuidamos de proclamar a maravilha de nossa grande – por que não assumir a palavra – disfuncionalidade.
Porque o ser humano não é uma função. Não é uma peça, um produto, algo feito em série, para cumprir um papel.
O milagre do povo brasileiro não é apenas respeitar a diversidade, mas ter forjado nela uma unidade nessa tão rica e una diferença.
Disfuncional, para aquele lunático terrorista.
Desprezível, para nossas elites, que nos consideram, por isso, inferiores, embora não tenham mais coragem de afirma-lo com todas as letras, o que não os impede de colocar cercas eletrificadas, insulfilme e, sobretudo, de aderir e aplaudir a ideia de que este país seja de todo o seu povo.
Que falta nos faz um Darcy Ribeiro agora – e como nossa intelectualidade se empobreceu por não os produzir às centenas – que proclame nossa miscigenação como virtude e avanço, e não esqueça dela porque tenha medo de dizer que ela é boa, porque soma todos os que somos iguais: negros, brancos, amarelos, índios e até nossos noruegueses.
Como debocharam da ideia generosa do “socialismo moreno” que ele, Darcy, e Leonel Brizola, apregoaram diante de seus narizes torcidos, tentando dizer que, numa sociedade justa, aberta e igualitária, todos nós em algumas gerações, seríamos da mesma cor, feita de todas as cores.
Como zombaram da ideia de uma “civilização dos trópicos”, por acharem boa, mesmo, aquelas frias e funcionais, que produzem desvios assim. E não é de hoje, vide as barbaridades coloniais, depois o nazismo e estes seus filhos tardios.
Não temos de ser funcionais, o que nada tem a ver com não sermos racionais.
Um país, como ser humano, vive em busca da felicidade.
E felicidade é um estado de alegria coletiva, de aceitação, do que o Frei Leonardo Boff dizia ser a festa, onde as pessoas dizem sim a todas as coisas.
É, porque a gente precisa entender e sentir que o não só tem sentido, quando se nega o sim para alguém. Nós não temos ódio, mas não descuidamos de lutar pelo direito – e o dever – de amar.
É isso: só o que temos contra nossas elites é não aceitar que o povão seja gente. É não entender o verso do Tom que diz que é impossível ser feliz sozinho.
O Rolex e a futilidade a gente aceita e tolera.
E ainda pergunta que horas são.

26/7 - Dilma não vai blindar nenhum Partido / Globo enfrentará Record?

terça-feira, 26 de julho de 2011 | 05:00

Dilma não vai blindar nenhum partido

Carlos Chagas
 Continua forte sobre a presidente Dilma  a pressão dos partidos apavorados em que chegue até eles  a faxina praticada diante do  Partido da República. O lobby é poderoso e atinge a imprensa, levada a divulgar que os ministérios do  PMDB  estão fora de investigações e de denúncias de corrupção, pelo simples motivo de que o partido é essencial para a preservação da base parlamentar oficial. O mesmo, então, aconteceria com o PT e penduricalhos, tipo PP, PTB e PDT.
Ledo engano. A presidente não desencadeará uma caça às bruxas  por  conta da lambança verificada no ministério dos Transportes, entregue ao PR, mas, no reverso da   medalha, não vai blindar nenhum aliado. Caso surjam acusações de irregularidades em outros ministérios, a postura do governo será a mesma de hoje, ou seja, de apurar, afastar e punir.
Contemporizar não é do estilo de Dilma, ainda que por enquanto nenhum ministério pareça estar na frigideira. Investigações existem, é claro, a cargo da Polícia Federal, do Ministério Público e, em especial, da imprensa. Sendo assim, e apesar das pressões antecipadas, a palavra de ordem é deixar a natureza seguir o seu curso. Ficaria péssimo para o palácio do Planalto conviver com comentário de que “nos Transportes não pode, mas  nos outros ministérios  a corrupção está liberada”…
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BLINDAGEM POSTA À PROVA
Romero Jucá tem sido o mais blindado dos políticos, individualmente, nos últimos dezessete anos. Governador de Roraima, ministro da Previdência Social no governo Fernando Henrique, depois líder do governo do sociologo e em seguida do Lula, agora de Dilma, no Senado, ele tem sido alvo de mil e uma denúncias de irregularidades, mas nenhuma pegou. Até agora.  Pode ser diferente, na última, de que utilizou um pedreiro  e um vendedor avulso como “laranjas” para empresas prestadoras de serviços para o governo.  Desaba sobre seus ombros o conjunto da obra. Defender-se será mais do que um direito, pois obrigação do senador, havendo quem veja trincas na sua armadura.
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AINDA AS EMPREITEIRAS
Fica difícil deixar de fazer a pergunta que não quer calar:  entre tanta sujeira  envolvendo  pelo menos 19 ex-funcionários do ministério dos Transportes, não se tem notícia de investigações sobre as dezenas de empreiteiras que contribuíram com propinas para eles? Vale repetir a velha história de que onde existem corruptos não podem faltar os corruptores. Quais são essas empresas? E seus responsáveis?  Também dirão não saber de nada, ou seja, vão jogar nos ombros seus pequenos funcionários a culpa pelas lambanças? Quanto de dinheiro público irregular foi parar em seus cofres? Será possivel que tenham sido apenas chantageadas?
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2014 DEPENDERÁ DE 2012 
As eleições para as prefeituras das capítais  constituem a grande preocupação dos principais partidos. Aqueles que tiverem conquistado São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Recife,  Porto  Alegre, Curitiba, Salvador e outras de destaque, mesmo menores em número de  eleitores, estarão armando estruturas capazes de interferir na sucessão presidencial de 2014.
Trata-se do fator diferencial em condições  de virar o jogo das previsões da invencibilidade do Lula ou do lulismo, sem o ex-presidente ceder a vaga para o segundo mandato de Dilma Rousseff.
Três vertentes começam a formar-se para a disputa do próximo ano: o PT fechará antecipadamente a conta da sucessão presidencial caso vença em três ou quatro das cidades acima referidas, mesmo dispondo  apenas dos governos do Rio Grande do Sul,  da Bahia, Sergipe e Acre.   
O PSDB tem consciência da importância de Aécio Neves disputar a presidência da República escorado não só  nos seus governadores, como os de São Paulo, Minas,  Paraná, Goiás,  Tocantins, Alagoas  e Pará. 
Já  para o  PMDB não bastam o Rio,  Mato  Grosso,  Mato Grosso do Sul e Maranhão.
Tudo por razão muito simples: mesmo mantendo sua influência, foi em 2010 que os governadores  venceram, exprimindo  as tendências do eleitorado.  Para 2014, muita coisa terá mudado,  tornando-se necessária, assim,  aferição mais próxima e atual. No caso, através da eleição para as prefeituras das grandes capitais, em 2012.
Existem variáveis desestabilizadoras do raciocínio exposto: e os demais partidos? É bom não esquecer o PSB, que domina os governos do Ceará, Pernambuco, Amapá, Piauí, Paraíba  e o Espírito Santo.  Manterá esses resultados nas respectivas  capitais?
Cada partido precisará de nomes de farta envergadura, na corrida presidencial, mas apoiados pela  eleição  mais recente, a do ano que vem.
terça-feira, 26 de julho de 2011 | 04:43

Olimpíadas de 2012: Sport TV (Globo) enfrentará a Record?

Pedro do Coutto
Na edição de 20 de julho da Folha de São Paulo, em sua coluna sobre televisão, Caderno Ilustrada, Keila Jimenez focalizou o projeto que está começando a ser montado pela Rede Record para transmitir os Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Londres, vale lembrar, foi a sede da primeira Olimpíada após a segunda guerra mundial que durou de 39 a 45. Mobilização de 320 profissionais, espaço central de 750 metros quadrados, transmissões diárias de doze horas no ar. A Record conquistou junto ao Comitê Olímpico Internacional a exclusividade da transmissão em TV aberta. É segunda rede em audiência no país, enquanto durarem os Jogos poderá ser a primeira. Não sei como e por que a Rede Globo perdeu essa disputa. Mas aconteceu.
Deve ter dado um bolo imenso na Vênus Platinada, foi um lapso, provavelmente, um erro mercadológico grave. Os responsáveis devem ter se baseado no princípio sintético de Marshall McLuhan de que o meio é a mensagem. Nem sempre. Em 1984, a Globo não desejou transmitir o desfile das Escolas de Samba. A Manchete transmitiu. Veio o IBOPE: Manchete 47 pontos, Globo apenas 7. Se o meio fosse inteiramente a mensagem, o resultado não poderia ter sido este. Mas foi. O que não significou  que a Manchete, como a Record agora, fosse mais forte que a emissora de Roberto Marinho. Mas é que o fato era mais forte. Há muitos outros exemplos. Mas este, creio, é suficiente. E emblemático.
A Rede Globo, como o IBOPE já pesquisou e a FSP publicou, atinge índices médio de audiência igual ao de todas as outras redes reunidas. Sendo que é a única cujos programas passam de 15 pontos.
A novela Insensato Coração, por exemplo, de acordo com o IBOPE atingiu 42%. A vantagem de ter um alto índice de telespectadores é que as chamadas repercutem evidentemente muito mais junto ao público indeciso se  assiste numa emissora ou na outra.
O fato é que daqui a um ano a Globo, que manteve o direito de transmitir a Olimpíada de Londres por cabo, vai mobilizar a Sport TV para enfrentar a Record. Reforçará a equipe, como a própria FSP já publicou, nela incluindo a presença de Galvão Bueno e CasaGrande, em se tratando de futebol, e Tande, quando se tratar de vôlei, além de outros esportes. Tudo bem. A imagem da Sport TV é ótima, seu ritmo também. Ela lidera amplamente a audiência na televisão por assinatura.
Entretanto, a audiência a cabo, hoje, reune pouco mais de três milhões de residências, a TV aberta todas elas, ou seja, 60 milhões der unidades habitacionais. Além de restaurantes, bares, que também são pontos de atração e portanto de acesso às transmissões. Mas o número de pessoas que têm acesso à Sport TV ou à ESPN, ou Bandsport, estas duas também vão poder transmitir, não se compara àquelas de acesso à Record. É possível, e até provável, que a Globo lance, em bases mais acessíveis, uma campanha para ampliar as vendas de canais por assinatura.  Porém por mais que cresça este setor, dificilmente poderá duplicar o total de hoje chegando a 6 milhões de locais.
De qualquer forma a questão está posta. E é bom que seja assim porque finalmente surgirá um confronto de audiência que valerá a pena ser analisado. E o IBOPE poderá inclusive desenvolver mais os seus levantamentos, passando também a abranger a Internet, que está sendo progressivamente ocupada pela televisão. A pesquisa não é fácil, porém menos difícil do que a concorrência que vai se estabelecer em torno dos Jogos Olímpicos de Londres. Vale esperar para ver os resultados do confronto entre a mensagem e o meio.
admin | Pedro do Coutto

26/7 - Sérgio Cabral na história: o mais corrpto governador do Rio de Janeiro

terça-feira, 26 de julho de 2011 | 11:11

Sergio Cabral ficará na história como o mais corrupto governador do Estado do Rio de Janeiro.

Carlos Newton
As relações entre o governador Sergio Cabral e o empresário Eike Batista são espantosas e inacreditáveis. Não é apenas por simpatia que o homem mais rico do Brasil faz constantes gentilezas ao governador, emprestando-lhe seu luxuoso jato Legacy e tudo o mais.
Esse procedimento é tão irregular e suspeito que até já faz parte do Código de Conduta Ética recentemente criado pelo governador para que ele próprio possa saber o que é certo e o que é errado. A partir do Código de Conduta Ética, espera-se que as viagens particulares de Cabral passem a ser pagas pelo próprio governador, que é rico e tem condições para tal, embora haja grandes possibilidades de que ele passe a custeá-las através do erário público, por uma questão de interpretação pessoal do Código, ou alguém duvida disso?
Essa ligação direta entre Eike Batista e Sergio Cabral não vem de hoje, é antiga e consistente. O governador jamais a negou. Pelo contrário, sempre se orgulhou dessa sólida amizade, jamais escondeu nada, nem mesmo a viagem conjunta que fizeram à China, para “trazer negócios”.
Em 2 de dezembro de 2009, por exemplo, no almoço de confraternização de fim de ano da Harvard Law School, no Salão da Bolsa de Valores do Rio, lotado, com a presença de grandes personalidades, especialmente empresários, advogados e magistrados, Cabral fez um discurso revelador, que Helio Fernandes reproduziu aqui no blog.
Para espanto da seleta platéia, com predominância de personalidades do mundo jurídico, o governador primeiro deu uma gafe colossal no discurso, ao afirmar: “Minha mulher (na época, Adriana Ancelmo) é a melhor advogada do Brasil”. Não satisfeito, para espanto de todos, acrescentou: “Sou muito amigo de Eike Batista, trabalho com ele e juntos tentamos trazer negócios da China para o Rio de Janeiro. Fui à China com esse objetivo”.
É claro que tudo isso aconteceu antes da criação do Código de Conduta e Ética, adotado oficialmente pelo governo do Estado do Rio de Janeiro, através de decreto, no último dia 5. O que causa surpresa é que, 16 dias depois de adotado o Código, tenha sido anunciado que o governador Sergio Cabral e o empresário Eike Batista haviam estendido sua parceria para a área esportiva.
O time de vôlei RJX, recém-criado e que terá investimento de R$ 13 milhões do homem mais rico do Brasil, usará as instalações do Maracanãzinho para treinos e jogos. O ginásio está sendo cedido ao time pelo governo do Estado.
Como se sabe, a letra ‘X’ está presente na razão social de todas as empresas de Eike Batista, porque o bilionário acredita que a letra, símbolo da multiplicação, faz os negócios prosperarem. Pena que no Código de Conduta Ética o governador tenha esquecido de acrescentar o ‘X’ preconizado por seu amigo Eike. Se o tivesse feito, quem sabe Cabral não teria multiplicado seu próprio poder de absorver o que significam as normas que estão prescritas no Código de Conduta Ética? Mas parece que ele ainda não leu direito o importante regulamento.
terça-feira, 26 de julho de 2011 | 05:10

Lula impõe ao PT a candidatura de Haddad em São Paulo, mas Aloizio Mercadante e Marta Suplicy ainda tentam sugerir a realização de prévias, que jamais serão promovidas.

Carlos Newton
Faltando quase um ano para o registro de candidatura, o ex-presidente Lula mostra quem realmente manda no PT, desconhece as pré-candidaturas de dois fortes concorrentes em potencial (o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e a senadora Marta Suplicy) e entroniza o ministro Fernando Haddad, da Educação, como candidato definitivo a prefeito de São Paulo, sem jamais ter disputado uma eleição.
O domínio de Lula sobre o PT e seus integrantes é tal ordem que na semana passada o ministro Haddad já comunicava oficialmente à presidente Dilma Rousseff que é candidato. Combinou que tirará esta semana de férias – já está em Cuba – e, na volta, começará a participar de eventos em São Paulo.
Sem se afastar do ministério, Haddad decidiu concentrar atividades nos finais de semana na capital e já havia iniciado a campanha antes mesmo de viajar para Havana, dando início a encontros com dirigentes partidários. O primeiro deles foi com o presidente estadual do partido, Edinho Silva, na semana passada, em Brasília.
É claro que a decisão antecipada de Lula causa contrariedade aos dois outros pré-candidatos. Timidamente, Marta Suplicy e Aloizio Mercadante usam alguns correligionários para defender, dentro do partido, a possibilidade da realização de prévias para definir quem o partido lançará no pleito, mas isso jamais vai acontecer. Ninguém tem cacife nem audácia para enfrentar Lula dentro do PT, e no partido logo apareceu quem defenda que Haddad tem chances concretas de vitória, apesar de ainda neófito nas bases petistas, garantindo que ele é o único capaz de ultrapassar o teto histórico de votos da sigla na capital, na casa dos 35%, vejam só a que ponto Lula domina o PT.
Entre os argumentos dos que já defendem a candidatura de Haddad, está a de que a senadora Marta Suplicy sofre forte rejeição na capital paulista e que, como a legenda perdeu as últimas eleições em São Paulo, a cidade deve ser priorizada com nomes fortes para o próximo pleito.
Aloizio Mercadante e Marta Suplicy, porém, ainda tentam resistir e a senadora cita o caso da presidente Dilma Rousseff como exemplo de que os índices de rejeição a seu nome podem ser reduzidos no decorrer da campanha. Mas na verdade a senadora vê cada mais distantes as suas possibilidades de conseguir legenda no partido. Como se diz popularmente, Lula falou, está falado.

26/7 - Reconhecimento da Palestina como Estado da ONU

FONTE:http://www.tribunadaimprensa.com.br
terça-feira, 26 de julho de 2011 | 18:18

Esta semana, o Conselho de Segurança pode aceitar uma nova proposta de paz no Oriente Médio: o reconhecimento da Palestina como Estado pela ONU.

Carlos Newton
Circula na internet o seguinte apelo:
Mais de 120 países já endossaram essa iniciativa, mas o governo de Israel e os Estados Unidos opõem-se veementemente a ela. Portugal e outros importantes países europeus ainda estão indecisos, mas uma gigantesca pressão pública agora poderá convencê-los a votar a favor dessa importante oportunidade de dar fim a 40 anos de ocupação militar.
As iniciativas de paz lideradas pelos EUA têm fracassado há décadas, enquanto Israel tem confinado o povo palestino a pequenas áreas, confiscando suas terras e impedindo sua independência. Esta nova e corajosa iniciativa poderá ser a melhor oportunidade de impulsionar a solução do conflito, mas a Europa precisa assumir a liderança.
Vamos construir um apelo global em massa para que Portugal e outros importantes países europeus endossem imediatamente a proposta de soberania e vamos deixar claro que cidadãos de todos os cantos do mundo apoiam essa proposta legítima, não-violenta e diplomática.
Embora as raízes do conflito entre Israel e Palestina sejam complexas, a maioria das pessoas em todos os lados concordam que o melhor caminho rumo à paz imediata é a criação de dois Estados. Porém, vários processos de paz têm sido arruinados pela violência em ambos os lados, pela ampla construção de assentamentos na Cisjordânia e pelo bloqueio humanitário na Faixa de Gaza. A ocupação israelense diminuiu e fragmentou o território onde se poderia construir um Estado palestino e transformou a vida cotidiana do povo palestino em um suplício atroz.
A ONU, o Banco Mundial e o FMI recentemente anunciaram que os palestinos estão prontos para administrar um Estado independente, mas eles dizem que a principal restrição ao sucesso dessa empreitada é a ocupação israelense do território palestino. Até mesmo o presidente norte-americano pediu o fim da expansão dos assentamentos e o retorno às fronteiras de 1967 com trocas de territórios em comum acordo, mas o primeiro-ministro israelense Netanyahu, furioso, recusou-se a cooperar.
Chegou a hora de uma drástica mudança, deixando de lado um processo de paz inútil e partindo para um novo caminho de progresso. Enquanto os governos de Israel e Estados Unidos classificam a iniciativa palestina de “unilateral” e perigosa, a verdade é que a esmagadora maioria das nações do mundo apoiam essa proposta diplomática não-violenta. O reconhecimento mundial da Palestina como Estado poderá derrubar os extremistas e fomentar um crescente e não-violento movimento palestino-israelense em consonância com a arrancada da democracia em toda a região.
E o mais importante é que ele retomará um caminho rumo a um programa de assentamento negociado, permitirá aos palestinos acesso a diversas instituições internacionais que podem ajudar a promover a liberdade da Palestina e enviará um sinal transparente ao governo de Israel, que é favorável aos assentamentos, de que o mundo não mais aceita a impunidade e intransigência dos israelenses.
Israel já passou tempo demais enfraquecendo a esperança de criação de um Estado palestino. Os Estados Unidos já passaram tempo demais satisfazendo as exigências de Israel, com o apoio da Europa. Neste momento, Portugal, França, Espanha, Alemanha, Reino Unido e o Alto Representante da UE estão indecisos quanto à soberania palestina. Vamos fazer um apelo para que eles assumam o lado certo da história e apoiem uma declaração palestina de liberdade e independência, prestando ampla assistência e ajuda financeira. Assine a petição urgente agora mesmo para pedir que a Europa apoie a proposta e endosse essa iniciativa de paz duradoura entre Israel e Palestina:
http://www.avaaz.org/po/independence_for_palestine_9/?vl
A soberania palestina não significará de uma hora para a outra o fim desse espinhoso conflito, mas o reconhecimento pela ONU mudará a dinâmica e começará a abrir a porta rumo à liberdade e paz. Em toda a Palestina, as pessoas estão se preparando com esperança e expectativa para recuperar uma liberdade que sua geração nunca viveu.

26/7 - Até tu, Oslo ?

FONTE:http://www.jb.com.br

País - Sociedade Aberta

Hoje às 21h51

26/7 - Conferência Internacional contra terrorismo e pela Paz Mundial

FONTE:http://www.institutojoaogoulart.org.brBlog: Página 64
Blog Página 64
Este "blog" pretente abrir un canal de discussão da soberania brasileira em seu amplo contexto de legalidade constitutcional, seus caminhos e alternativas, que a Nação necessita para sua emancipação.
Conferência Internacional contra o terrorismo e pela paz Mundial
publicada em 15 de julho de 2011
                                               O IPG , Instituto Presidente João Goulart ) vêm, através de esta, comunicar aos seus leitores, amigos e colaboradores, a enorme satisfação de haver sido convidado pelo governo da República Islâmica do Irã, para participar como convidado da primeira Conferência Internacional Contra o Terrorismo e pela Paz Mundial, realizada em Teerã, nos dias 26 e 27, onde participaram mais de 60 nações.

Lamentavelmente, o Brasil se omitiu de designar uma delegação, de forma a estar representado oficialmente nesta conferência.
Como convidados não poderíamos de deixar de registrar uma mensagem nos anais daquela Conferência aos países ali representados, o que significou esse convite para nós, assim como o que o nosso Instituto, que tem como patrono e Presidente João Goulart que lutou e morreu no exílio, vê essa iniciativa dos povos persas neste momento de tantos conflitos mundiais.
A seguir a íntegra da mensagem deixada pelo Sr. João Vicente Goulart em nome do IPG, Instituto Presidente João Goulart nos anais daquela Conferência.






 
 
"Contra o terrorismo e pela paz mundial"
Mensagem do Instituto Presidente João Goulart.
(para registro nos anais da conferência)
 
 
 
 
Senhoras e Senhores participantes deste evento:
É uma honra deixar a vocês esta mensagem nos anais desta conferência sobre política internacional e assim poder homenagear a memória de meu pai, João Goulart, um dos presidentes brasileiros afastados do poder por um Golpe de Estado patrocinado pelos Estados Unidos.
Um golpe de Estado que derrubou uma vibrante democracia
e manteve o Brasil sob Terrorismo de Estado por duas décadas.
Agradeço a oportunidade ao povo do Irã, aos seus dirigentes aqui representados pelo presidente Ahjmadinejad e aos mentores deste evento pela oportunidade.
 
            O Brasil viveu 20 anos com o uso da tortura, do assassinato, do seqüestro, das perseguições, do exílio, das prisões, da censura, da tirania e tantos outros malefícios implantados em muitos países da América Latina como conseqüência da política hegemônica de intervenção dos Estados Unidos desenvolvida depois da segunda guerra mundial.
 
Assim como aconteceu aqui no Irã em 1953, em que se derrubou a democracia e se instalou o regime autoritário do Xá Reza Phalevi, a partir da década de 50, a maioria dos países latino-americanos sofreu um golpe de Estado, patrocinado do exterior, que violou sua soberania, derrubou a democracia e impôs um regime à feição dos Estados Unidos.
 
O auge da intervenção norte-americana na América latina foi um 11 de setembro esquecido nos livros de História. 11 de setembro de 1973, data em que o presidente do Chile, Salvador Allende, foi derrubado do poder por um golpe militar supervisionado Henry Kissinger, Secretário de Estado norte-americano.
 
            Curzio Malaparte, quando escreveu, nos anos 30, o livro “Técnica del colpo di Stato”, ressaltou que “il problema della conquista e della difesa dello Stato moderno non è un problema politico, ma tecnico”.
 
A técnica do golpe de Estado se modificou, no curso dos séculos, e se desenvolveu e ganhou maior dimensão, ao ser ampla e sistematicamente utilizada pelos Estados Unidos, como instrumento de política exterior e ingerência nos assuntos internos de outros países, desde a criação da Central Intelligence Agency (CIA), em 1947, durante o governo do presidente Harry Truman (1945-1953).
 
 
            Enquanto se desenrolava essa política externa pelos Estados Unidos, as operações secretas eram de modo geral mantidas em sigilo, fora da esfera do conhecimento do povo norte-americano. A exceção, obviamente, ocorria quando as coisas não davam certas, como na Baía dos Porcos.
A CIA, sucessora do Office of Strategic Services (OSS), promoveu vários tipos de operações de guerra psicológica e paramilitares, que jamais deveriam ser a ela atribuídas ou ao governo dos Estados Unidos e sim a outras pessoas ou organizações. Um ex-agente da CIA, Philip Agee descreveu no seu livro as diversas técnicas utilizadas para intervir na soberania.
 
Essas operações quase sempre significaram uma violação da soberania, pois objetivam a influenciar, por meios encobertos, os assuntos internos de outro país, com o qual os Estados Unidos mantêm relações diplomáticas normais, e a técnica consiste essencialmente na “penetration”, buscando aliados desejosos de colaborar com a CIA.
Daí que a regra mais importante na sua execução da técnica do golpe de Estado é a possibilidade de “plausible denial”, isto é, negar convincentemente a responsabilidade e a cumplicidade dos Estados Unidos com o golpe de Estado, ou outra operação, uma vez que, se fosse descoberto seu patrocínio, as conseqüências no campo diplomático seriam graves.
            É importante ressaltar que a revolução que tornou os Estados Unidos, um país independente da Inglaterra tinha por bandeira a defesa do Estado de Direito, ou seja, todos os atos do governo deveriam respeitar o princípio da legalidade.
            A lei norte-americana que criou a CIA não tinha nenhum dispositivo específico sobre operações políticas clandestinas, então o Conselho de Segurança Nacional norte-americano, depois do escândalo dos acontecimentos na Tchecoslováquia e na Itália – aprovou uma resolução, no verão de 1948, autorizando tais operações especiais que continham duas importantes diretrizes:
1º - As operações deviam ser secretas.
2º Deveriam permitir que o governo pudesse negar, com foros de plausibilidade, sua participação nas mesmas.
 
Esta guerra oculta ou fechada foi efetivada, muitas vezes, por agentes da CIA, inseridos na Embaixada Americana como diplomatas, ou homens de negócios, estudantes ou aposentados, enquanto as operações paramilitares consistiam na infiltração em áreas proibidas, sabotagem, guerra econômica, apoio aéreo e marítimo, financiamentos de candidatos nas eleições, suborno, assassinatos (executive actions), treinamento e manutenção de pequenos exércitos (covert actions).
Essas operações secretas tipificam a técnica do golpe de Estado, que a CIA desenvolveu e aplicou no Brasil e em diversos países da América Latina, nos anos 60 e 70 do século XX, radicalizando, artificialmente, as lutas sociais, até ao ponto de provocar o desequilíbrio político e desestabilizar governos pela técnica da guerra de exaustão (spoling actions), que não se submetiam às diretrizes estratégicas dos Estados Unidos.
Estas operações políticas da CIA foram responsáveis por “coups”, que obedeceram ao mesmo padrão no Irã, em 1953, no Sudão, em 1958 e em toda a América latina. A tentativa de golpe militar de 1954 no Brasil foi frustrada pelo ato de suicídio do presidente Getúlio Vargas que teve seu governo sabotado por esta técnica.
Os agentes da CIA e seus mercenários nativos, encarregados de promover “hidden World War Three” executaram no Brasil, desde 1961, as mais variadas modalidades de “covert action” e “spoiling action”, agravando a crise interna e induzindo, artificialmente, o conflito político interno à radicalização, muito além dos próprios impulsos intrínsecos das lutas sociais, das quais a comunidade empresarial norte-americana participava como significativo segmento de suas classes dominantes.
Em 1961, o Brasil deu um grande passo para o seu desenvolvimento assinando um acordo de cooperação econômica com a China. Um acordo que transformaria o Brasil numa das maiores potências econômicas do mundo, porque foi o primeiro país a reatar relações diplomáticas com a China de Mao Tsé Tung.
O negócio da China não aconteceu. O presidente Jânio Quadros teve que renunciar devido às “forças ocultas” e uma junta militar assumiu o governo do Brasil. Mas o Golpe Militar programado para 1961 deu errado porque a população brasileira deu um dos maiores exemplos de resistência cívica da história republicana moderna, paralisando o país em defesa da legalidade e da Constituição, movimento este, da Legalidade, que levou meu pai, João Goulart, a cadeira de presidente do Brasil.
 
Meu pai, apesar de jovem, era um político experiente, havia presidido o senado brasileiro por cinco anos e ocupado a vice-presidência do governo de 1955 a 1960, pelo voto direto. Quando assumiu, reuniu os homens mais notáveis do país e este ministério formulou uma agenda de interesses nacionais, criou um projeto para o desenvolvimento do Brasil.
 
O governo de João Goulart defendeu os princípios da independência e a autodeterminação dos povos no seio da comunidade de países latino americanos, que se opôs formalmente a invasão de Cuba pelos norte-americanos.  
O presidente John F. Kennedy condenava, formalmente, os golpes de Estado e no discurso defendia a democracia representativa como forma de evitar revoluções e combater o comunismo, mas os Estados Unidos sob seu governo trataram de enfraquecer e derrubar o governo do presidente João Goulart, não apenas por causa de algumas nacionalizações, mas, sobretudo, com o objetivo de modificar a política externa do Brasil, que defendeu os princípios de autodeterminação dos povos e se opôs à intervenção armada norte-americana em Cuba.
Em 11 de dezembro de 1962, Kennedy reuniu o Conselho de Segurança Nacional para examinar a “ameaça comunista” no Brasil e a crise do seu balanço de pagamentos. Decidiu-se que os Estados Unidos suspenderiam totalmente qualquer financiamento ao Governo Goulart, nada fazendo, como prorrogação de vencimentos, para aliviar as dificuldades de suas contas externas, e só destinando recursos aos Estados (províncias), depois denominados “ilhas de sanidade administrativa”, cujos governadores eram militantes anticomunistas.
Esta técnica de usar lideranças da oposição política interna contra a soberania do governo soberano foi usada recentemente contra o governo boliviano de Evo Morales, com financiamento dos governadores das províncias que faziam oposição ao Governo e ameaçavam o país de separatismo!
No dia seguinte a reunião do Conselho de Segurança, ao falar a imprensa, Kennedy referiu-se duramente à situação do Brasil, declarando que uma inflação de 5% ao mês anulava a ajuda norte-americana e aumentava a instabilidade política.
Segundo Kennedy, uma inflação no ritmo de 50% ao ano não tinha precedentes e os Estados Unidos nada podiam fazer para beneficiar o povo brasileiro, enquanto a situação monetária e fiscal dentro do país fosse tão instável.
Assim, publicamente, proclamou que o Brasil estava em bancarrota e,ao receber em audiência, no dia 13, o senador Juscelino Kubitschek, ex-presidente do Brasil, prognosticou que, não importando o que os EUA fizessem, a situação do Brasil devia deteriorar-se...
A situação interna do Brasil se deteriorou por força de “covers actions” promovidas pelos Estados Unidos. De janeiro de 1962 a 1964, foram produzidos 200 filmes de propaganda pró-golpe militar, um filme a cada três dias. Os norte-americanos financiaram através do IBADE e IPE’s, a eleição de 170 parlamentares brasileiros que vieram a compor o Congresso Nacional que apoiou o golpe. Existem documentos que comprovam que 85% das redações de jornais brasileiros passaram a trabalhar para a propaganda pró-golpe militar.
O golpe de Estado, que derrubou em 1964 o presidente João Goulart, tipificou o conjunto das operações que a CIA desenvolveu e aprimorou, e com tais procedimentos ela conseguiu desestabilizar o governo e permitir a sublevação dos militares, a pretexto de restaurar a ordem e evitar o comunismo.
 
A finalidade do golpe era promover uma guerra civil sangrenta planejada para dividir o Brasil! Dividir nosso território! João Goulart sabia que por detrás do golpe militar de 01 de abril de 1964 estava a maior potência militar do planeta e que não havia vitória pelo caminho das armas contra o Império da Força...
Jango quis evitar que as dívidas de sangue dividissem a nação brasileira tornando impossível uma reconciliação democrática! Dívidas de sangue, que dividem muitos países do oriente, dificultam a recuperação da soberania, após as constantes intervenções norte-americanas.
João Goulart preservou o Brasil de duas guerras civis planejadas para dividir a nação, tal como muitos conflitos internos dividem até hoje outros países no mundo. Em 1961, para garantir a governabilidade, João Goulart aceitou a mudança para o parlamentarismo que nos fez perder o acordo com a China. O maior negócio da humanidade! Em 1964, apesar de ter o apoio de 80% da população brasileira, da constituição democrática e da maioria dos militares, renunciou a resistência pelas armas, atrapalhando a estratégia norte-americana de implantar uma guerra civil no Brasil.
             Infelizmente, o golpe de 01 de abril de 1964 deixou algumas dívidas de sangue;grupos de policiais, grupos de paramilitares e militares brasileiros, orientados pela CIA, fizeram uso da tortura e do terror,assim promovendo um novo holocausto durante a guerra fria nessa época, assim como os norte­-americanos enviaram o agente Dan Mitrione ao Brasil para ensinar técnicas de tortura.
 
A ditadura brasileira promoveu um holocausto seletivo que fulminou a resistência, a dignidade, a saúde e a humanidade da cidadania brasileira. A pátria foi traída e ultrajada e hoje estes torturadores dizem que cometiam seus abusos em defesa da nossa soberania! Ninguém cometeu tortura para defender o Brasil. A ditadura militar foi um produto de uma intervenção estrangeira que violou a soberania nacional para promover interesses externos: ou seja, a expansão do domínio econômico e cultural do Brasil pelos Estados Unidos.
 
 A verdade é que, tortura e outros crimes desta cooperativa do Terror, foram cometidos para proteger uma traição, um encobrimento, e devem ser vistos como um terrorismo de Estado.
Desde o ano de 2004, as provas desta violação da soberania brasileira são oficiais e está comprovada pela desclassificação dos documentos secretos do golpe pelo Departamento de Estado norte-americano
Os norte-americanos violaram a própria constituição que prevê que um Tratado Internacional tem força de cláusula constitucional depois de ratificado pelo senado federal daquele país.
Os Estados Unidos violaram a Carta da Organização dos Estados Americanos.
 
A Carta da OEA, explicitamente, proíbe a intervenção direta ou indireta, da Ordem jurídica interna de outro país aliado americano, consagrando no direito internacional o principio da independência e da autodeterminação dos povos!
A sabotagem de uma sociedade ao patrocinar e promover à traição, a corrupção, a insegurança pública, a miséria, a violência, a ineficiência do Estado, a quebra da autoridade moral, a ignorância e, a desinformação, é terrorismo de Estado.
 
O patrocínio de um regime de governo com alicerce no uso da tortura, do assassinato, do seqüestro, das perseguições, do exílio, das prisões, da censura, da tirania e tantos outros malefícios implantados em muitos países da América Latina como parte da política hegemônica dos Estados Unidos, é terrorismo de Estado.
 
Na década de 1970, os Estados Unidos promoveram a maior operação de assassinatos seletivos da História humana. Todos os líderes democratas latino-americanos que poderiam reconduzir seus países a uma política soberana de desenvolvimento nacionalista foram assassinados. Cada país latino americano teve sua parcela de mártires e João Goulart encontra-se entre as vítimas da política de eliminação destes líderes independentes e experientes.
 
Esta operação aconteceu, porque as ditaduras militares patrocinadas pelos Estados Unidos começaram a adotar políticas nacionalistas e, portanto, tiveram de ser substituídas por democracias que os norte-americanos podiam manipular. Os militares que eles converteram a sua doutrina e treinaram, começaram a ser acusados de torturadores e etc. De um momento para o outro deixaram de ser os heróis que combatiam o comunismo para se transformar em vilões e tiranos. Vocês conhecem exemplos recentes de ditadores plantados e financiados pelos Estados Unidos que depois de perderem a utilidade, foram alijados do poder.
 
A verdade é, o Brasil ainda não se recuperou de décadas de sabotagem sistemática que ainda acontece nos bastidores. Muitas sabotagens deste terrorismo de Estado levaram décadas pra serem corrigidas.
 
As torturas praticadas em Guantánamo, ou em Bagdá, são uma pequena amostra da política de terrorismo de Estado que mudou a feição de muitas democracias na América latina e no mundo calando a independência, o diálogo e ferindo o processo de amadurecimento democrático.
 
Podemos duvidar da maturidade de qualquer democracia no mundo, afinal 24 países europeus permitiram os vôos noturnos da CIA levando prisioneiros para Guantánamo, demonstrando que os Estados Unidos exercem um poder hegemônico, inclusive sobre este continente. 
 
A lição que meu pai, João Goulart, deixou, é que o império da força não deve ser combatido pelas armas. A resistência de Cuba na defesa de sua soberania é admirável, mas devemos aprender com os erros que ali foram praticados, pois o império da Força precisa ser combatido pelo Império da Lei, da legalidade, pela resistência civil, pela informação, pela educação, pelo diálogo e pela conscientização política.
 
O Brasil não se deixou entregar a uma guerra civil sangrenta. João Goulart não deixou que se fizessem dívidas de sangue entre os brasileiros, mas ainda hoje estamos buscando o resgate de nossa soberania integral que só irá se consolidar com a conscientização e educação política da população.
 
É preciso entender que a defesa da própria democracia pode ser uma estratégia de intervenção, tal como aconteceu na América latina, quando o processo democrático ficou carente de líderes políticos com soberania individual e nacionalista.
Os múltiplos problemas do mundo moderno, alimentação, energia, poluição, guerra nuclear, repressão ao crime organizado, ultrapassam as barreiras do Estado, impondo-lhe, desde logo, uma interdependência, de fato.
            Esta universalização da legalidade precisa servir aos interesses da humanidade e não a política hegemônica de um país e seus aliados. Cada país é um organismo social que precisa resolver seus conflitos internos que enfraquece o todo. A miséria é como uma infecção, assim como, a violência, a insegurança, a intolerância, o preconceito, a corrupção, o ódio e outras questões que dividem as populações de muitos outros países.
            O Terrorismo de Estado estimula estas infecções sociais comprometendo a ordem interna de outros países.
             Neste sentido, a identidade de um grupo nacional – a ordem interna – ainda é soberana, cada população precisa amadurecer o dialogo social para evitar conflitos que muitas vezes servem a interesses externos.
            Uma guerra civil ou de fronteiras, é um mercado para a indústria belicista. É sintomático que os Estados Unidos tenham uma maior porção de sua economia voltada para fabricação de armamentos.   
O Império da Força pode ser derrotado pelo Império da Lei.
            O terrorismo, que mata inocentes, vem servindo para justificar guerras e intervenções na soberania de outros países. Os homens que praticam o terror contra populações civis e inocentes acabam servindo aos interesses da indústria belicista e à política hegemônica que domina o mundo e patrocina o Terror de Estado que promove guerras civis. Dívidas de sangue são criadas dentro do seio de uma mesma comunidade e conflitos eternos são semeados para dividir a população. 
Para defender a soberania que tem por base o livre arbítrio e o direito de escolha individual, é preciso combater a propaganda, a ignorância e a desinformação.. Neste sentido, só podemos aplaudir a iniciativa do governo venezuelano de alfabetizar e ensinar o conteúdo de sua constituição.
É preciso acreditar que podemos desenvolver uma estratégia saudável pelo diálogo, em cada comunidade e em cada país, dentro da Legalidade para mudar o nosso mundo sem ceder à política e aos interesses hegemônicos, nem tão pouco, aos interesses totalitários advindos dos impérios remanescentes. Cada povo tem o destino que lhe é imposto pela propria vontade.
Vemos aqui o quanto o Islã procura a paz diante do entendimento.
 
Acreditamos que a melhor maneira de combater o Terrorismo de Estado, realizar a defesa da soberania individual e coletiva, precisa obedecer aos princípios consagrados pela política de Estado de João Goulart: Resistência Pacífica, Legalidade, Diálogo, Democracia e Justiça Social!
 
João Vicente Goulart, Head of President João Goulart Institute.
postado por Joao Vicente Goulart

26/7 - Sobre fatos e versões

FONTE:http://www.institutojoaogoulart.org.br

Sobre fato e versões. Claudio Carvalho

publicada em 24 de julho de 2011
Sobre fato e versões



                                    Nos tempos de estudante de história, uma das coisas que mais me impressionava era a responsabilidade concernente aos historiadores como guardiães da memória coletiva. Hoje, distante das expectativas juvenis em relação ao ofício, sustento uma posição ética: a preocupação em separar fatos e versões. Na recente historiografia brasileira, conhecemos algumas injustiças históricas. Um exemplo emblemático foi o tratamento dado por historiadores e setores da própria esquerda a figuras importantes como o presidente deposto, João Goulart, por um golpe de estado, em 1964; afastado da presidência, exilado e morto fora do seu país. Esse trabalho tem sido feito, com destaque para a imprensa baiana, em consistentes artigos publicados na página de Opinião de A Tarde, pela historiadora Maísa Paranhos.

Recentemente foi noticiado pela imprensa o parecer do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pedindo o indiciamento e a prisão de 36 réus envolvidos no escândalo chamado de “mensalão”. Dentre os réus, está o ex-ministro da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu. Político com uma biografia (não ficha corrida) que é um verdadeiro patrimônio histórico de serviços prestados ao país, responsável por uma inflexão importante na condução de um ex-torneiro mecânico à presidência da República e um dos artífices na retomada de um projeto soberano nacional. Acusado de chefiar uma “quadrilha sofisticada”, aguarda combativamente o seu julgamento no STF, enquanto cumpre pena da cassação política injusta pela Câmara Federal (um desrespeito aos seus mais de meio milhão de eleitores) e da condenação pública por parte da imprensa, invertendo o ônus da prova para o acusado, em mais um achincalhe da nossa democracia em processo de consolidação.

Acredito que não é preciso esperar quatro décadas para estabelecer a diferença entre o fato e as suas versões, por entender que o compromisso com a verdade e a memória é um dever de todos e cada um de nós. Que o STF julgue o mais rápido possível e que a justiça e a verdade prevaleçam. Ao final do julgamento, Zé Dirceu no xadrez... da política, a nos honrar em vida.


Artigo de Claudio Carvalho

 

26/7 - Aécio tenta atrair Marina para projeto de 2014

FONTE:http://www.estadao.com.br/noticias

Aécio tenta atrair Marina para projeto de 2014

Governador tucano Antonio Anastasia assinou decreto concedendo à ex-senadora o título de cidadã honorária e já planeja cerimônia

26 de julho de 2011 | 23h 00
Marcelo Portela, correspondente de O Estado de S.Paulo
Procurado pela reportagem, José Fernando não atendeu aos telefonemas. Mas o presidente do PV mineiro, Ronaldo Vasconcelos, confirmou que a ligação de Marina com o ex-deputado pode ser um empecilho nos planos dos tucanos. "É um exercício de futurologia, mas acho muito difícil um possível apoio a Aécio. O José Fernando é uma pessoa com muita dificuldade de relacionamento no governo. E ela é muito ligada a ele", analisou.
Vasconcelos concorda com a concessão do título de cidadã honorária a Marina "pelo que ela já fez pelo Brasil e por Minas Gerais", mas acredita ser mais provável a ex-senadora se candidatar novamente à Presidência em 2014.
"Se dependesse só dela no segundo turno, caminharia ao lado da Dilma", lembrou o presidente do PV mineiro, integrante do Conselho Nacional da legenda. "A homenagem é meritória. Quem vê possibilidade de aproximação pode se enganar. Como primeira intenção, é uma decisão correta. Se há segundas intenções, só o tempo vai dizer se foi acertada."

26/7 - TIRO PELA CULATRA? - Aliados cogitam manter Kadafi

FONTE:http://www.cartacapital.com.br

Aliados cogitam manter Kadafi

Autoridades de relações exteriores de ambos os países, que fazem parte das ações militares na Líbia, afirmam que o general deve deixar o poder, mas seu destino está nas mãos dos líbios. Foto: Alessandro Bianchi/Reuters/Latinstock
O Reino Unido está preparado para aceitar um acordo político na Líbia que permita a permanência do general Muamar Kadafi no país, desde que ele renuncie ao poder. A afirmação partiu do Secretário britânico para Assuntos Internacionais, William Hague, em uma coletiva de imprensa em Londres, na  segunda-feira 25.
Segundo Hague, o foco do país é garantir a queda de Kadafi, sendo a  decisão sobre seu futuro responsabilidade dos líbios. “Não importa o que aconteça, ele tem que deixar o poder. Ele não pode nunca mais  ameaçar a vida de civis”, disse.
“Obviamente, deixar a Líbia seria a melhor maneira de mostrar ao povo líbio que eles não precisam mais temê-lo”, completou no evento, que ainda contava com a participação do Ministro de Assuntos Internacionais da França, Alain Juppé.
A ideia da permanência de Kadafi no país, caso ele deixe o poder, já havia sido aventada pelo líder rebelde líbio, Mustafa Abdel Jalil, em entrevista ao jornal americano Wall Street Journal. Uma saída que parece começar a refletir a visão da OTAN, incluindo a França e o Reino Unido, que agora sugerem que o general pode não responder por suas ações contra civis na Líbia diante da Corte Internacional de Crimes de Guerra em Haia, na Holanda.
Juppé disse em Londres que desde o início da incursão na Líbia o objetivo principal era “dar ao povo local liberdade e a democracia”, defendendo que o destino de Kadafi deve ficar nas mãos da população. No entanto, afirmou também ser importante manter o princípio de que “ninguém está imune a ser processado”.

26/7 - PT e PSDB armam tabuleiro de 2014

FONTE:http://blogdofavre.ig.com.b

26/07/2011 

  PT e PSDB armam tabuleiro de 2014


Raymundo Costa – VALOR

26/07/2011
PT e PSDB antecipam largada para 2012. Lula articula palanques até 2014; tucanos tentam tirar Serra da disputa presidencial.
PT e PSDB anteciparam a largada às eleições municipais de 2012. O centro da disputa é o território de São Paulo, maior colégio eleitoral do país, portanto, decisivo na eleição para presidente de 2014. A rigor, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, queimou a largada ao decidir fundar o PSD. Mas a partida valeu, a corrida seguiu e PT e PSDB entraram na pista com disposição de início de campanha.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta repetir a mesma fórmula que o levou a eleger a presidente Dilma Rousseff. Seu candidato é o ministro da Educação, Fernando Haddad, um técnico que nunca antes disputou eleição, como Dilma, e que assim como a atual presidente, à época, também acumula polêmicas.
Nessa lista estão os fiascos do Enem, as cartilhas com erros de português e o “kit gay”, como foi batizado no Congresso o pacote contra a homofobia.
Tucanos forçam Serra em SP para dar passagem a Aécio
Na campanha de 2010, como se recorda, Dilma foi acusada de defender o desenvolvimento a qualquer custo (meio ambiente) e a legalização do aborto, assunto que contaminou o segundo turno da eleição presidencial. E assim como Dilma, o ministro Haddad é um nome técnico de fora do aparelho petista, tem bom relacionamento com Lula e é digerível por boa parte da classe média paulistana.
Lula articula as principais candidaturas para 2012 tendo em vista as alianças com os outros partidos. O ex-presidente costuma lembrar que somente venceu em 2002, após três tentativas, ao ampliar o leque de alianças do PT juntando-se ao PL do empresário e depois vice José Alencar, morto em março passado. No que se refere a São Paulo, Haddad leva vantagens diversas em relação aos outros pretendentes do PT, sob o ponto de vista de Lula.
Em primeiro lugar, é uma novidade. Apesar das polêmicas em que esteve envolvido, deve capturar o eleitorado histórico do PT na capital. E tem espaço para crescer, sobretudo com o apoio que Lula costuma dar a seus “candidatos do peito”, como ficou demonstrado nas eleições do ano passado. Se Haddad ganhar, o PT terá aberto uma brecha na muralha da cidadela tucana em São Paulo – Kassab não é do PSDB, mas é ligado e fiel ao tucano José Serra.
Na hipótese de Haddad perder, é certo que Lula não terá dificuldade para conseguir seu apoio para o eventual candidato do PMDB, Gabriel Chalita, se ele for um dos dois candidatos no segundo turno. Algo que seria difícil de tirar de Marta Suplicy – que é pré-candidata – ou Aloizio Mercadante, atual ministro da Ciência e Tecnologia, também potencial candidato à indicação. Lula joga com as alianças de 2012 tendo em vista a disputa de 2014.
Vitória na eleição na capital de São Paulo é uma variável que não se discute na equação eleitoral do PSDB, pelo menos por enquanto. A discussão entre grande parte dos tucanos é outra: como fazer José Serra decidir logo se é ou não candidato a prefeito de São Paulo. A decisão de Serra é importante para Aécio Neves e seus correligionários resolverem o encaminhamento da candidatura presidencial do mineiro.
É nesse contexto que deve ser entendida a proposta de realização de prévias para a escolha do candidato do PSDB a prefeito, de preferência até dezembro deste ano. Isso forçaria Serra a uma decisão já. Na hipótese de ele ser candidato, Aécio teria a segurança de contar com o caminho livre para começar a trabalhar sua candidatura para 2014, sem receio de que alguém possa lhe tirar a bola no meio do jogo.
Serra já disse que não será candidato a prefeito. Em particular, afirma que não disputaria de novo nem que esta fosse a última eleição de sua vida – só não diz o mesmo publicamente para não “ofender” os paulistanos, insinuando algum tipo de menosprezo pela prefeitura. Mas os adversários do tucano paulista ou não acreditam que ele consiga ficar sem um cargo até 2014 ou acham que podem convencê-lo com o argumento de que é a única alternativa viável do PSDB, sob pena de a sigla começar a desmoronar em São Paulo.
Por trás desse argumento, está o mesmo raciocínio defendido na convenção que elegeu os novos dirigentes tucanos, no final de maio, segundo o qual o PSDB deveria escolher logo o candidato a presidente. Para Serra, não interessa decidir nada agora. O tempo joga a seu favor, ao contrário do que ocorreu nas duas vezes em que disputou a Presidência da República, quando teve de deixar os cargos que então ocupava (ministro da Saúde e governador de São Paulo) no início de 2002 e de 2010.
O tempo está a favor até em relação à prefeitura de São Paulo: Serra não precisará dizer se é ou não candidato no início de maio de 2012, prazo para a desincompatibilização de pré-candidatos que tiverem cargos executivos. Um exemplo: o secretário de Energia, José Aníbal. No limite, Serra pode até deixar a decisão para o final de junho de 2012.
A exemplo de um número cada vez maior da chamada elite política do Congresso, independentemente de partido, José Serra também supõe que o candidato do PT, nas eleições de 2014, será o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Neste cenário, talvez o PSDB se convença de que o candidato ideal é o próprio Serra – o contraponto de Lula no partido..
A tese segundo a qual Aécio deveria disputar com Lula em 2014 para encorpar uma recandidatura em 2018 enfrenta problemas. O próprio Aécio tem dificuldades para enfrentar Lula, com o qual manteve excelente relacionamento no governo. Além disso, a concorrência para daqui a sete anos deve ser maior.
Sem falar do PT, cujo candidato deve ser Lula (para a eleição ou para a reeleição), o PMDB, por exemplo, contará com o nome do atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, se os Jogos Olímpicos de 2016 forem o sucesso. Não há porque duvidar das possibilidades do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), nome que, por sinal, anda às turras com o PT. E no terreiro do PSDB já haverá outro candidato a cantar de galo – Beto Richa, atual governador do Paraná, filho de um dos fundadores tucanos, José Richa.
Os políticos gostam de dizer que as eleições municipais são diferentes das eleições para os governos de Estado e a Presidência da República. Mas nunca deixam de disputar uma sem pensar na outra.
Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras

E-mail raymundo.costa@valor.com.br
Postado por Luis Favre

26/7 - Um registro necessário

Peço desculpas por não ter incluído no texto "Na hora da verdade", repassado anteriormente, o nome
do seu autor, o que faço agora com prazer. (O blogueiro ABELHA)
Sobre o autor deste artigoMário Augusto JakobskindÉ correspondente no Brasil do semanário uruguaio Brecha. Foi colaborador do Pasquim, repórter da Folha de São Paulo e editor internacional da Tribuna da Imprensa. Integra o Conselho Editorial do seminário Brasil de Fato. É autor, entre outros livros, de América que não está na mídia, Dossiê Tim Lopes - Fantástico/IBOPE
Fale com o autor

26/7 - Maconha: crime de quem e para quem?

FONTE:http://www.diretodaredacao.com Publicado em 23/07/2011

Maconha: crime de quem e para quem?

         
Nos últimos artigos aqui publicados, tenho manifestado minha inquietude com o fato de que, em nosso país, todos os assuntos, por mais abrangentes que sejam, por mais sérios que se revelem, acabam caindo na vala comum do partidarismo político, o que, não raramente, termina inviabilizando a correta discussão dos temas e, em consequência, a  execução de medidas que interessem à maioria dos brasileiros.
Nas eleições, isso aconteceu com a discussão sobre o aborto, em que a mídia apoiadora do Serra quis usar o tema contra a Dilma; recentemente, isso também ocorreu  com a questão do livro do MEC, ou com a questão do combate à homofobia, em que, nitidamente, o que se pretendeu foi obter dividendos políticos de oposição ao governo.
É a esse propósito que trago aqui, para discussão, a questão da descriminalização da maconha, que está sendo colocada em relevo, entre outras razões,  pela participação do ex-presidente  Fernando Henrique Cardoso, que a ela se manifesta favorável .
Fernando Henrique Cardoso não merece a minha admiração no campo político, talvez até porque a tenha obtido em tempos outros, nos quais o sociólogo defendia as mesmas ideias que hoje continuo defendendo , mas que ele, por  certas conveniências e comodidades,  esqueceu e mandou que esquecessem... 
Mas o assunto da descriminalização da maconha transcende posicionamentos político-partidários e, nesse caso específico, creio que está correta a proposição de uma ampla discussão do tema pela sociedade.
Repudio as drogas e não considero defensáveis as razões que muitos buscam para justificar a sua presença crescente na sociedade. Abomino os que enriquecem com elas e lamento por aqueles usuários que, desinformados e manipulados, se tornam dominados pelo vício. Esse lamentar não se estende, porém, a uns tantos endinheirados da classe média/alta, que,  por puro hedonismo e desfrute, acabam entrando nesse mundo. E talvez por isso eu considere que a descriminalização possa vir a ser implementada:  em uma sociedade de castas como a nossa, o uso da droga só é crime para quem não tem dinheiro, ou seja, apenas são punidos pela lei os que não têm poder econômico para passar por cima dela.
Como professor, tenho podido testemunhar, com grande pesar, muitos casos de envolvimento dos jovens com drogas, esses jovens que, em uma família desleixada ou desatenta  e em uma sociedade permissiva, acreditam que o sucesso vem com as “viagens” feitas com a droga. Já vi muitas potencialidades se perderem nesses caminhos do vício...
No entanto, o certo é que a forma de combater esse problema não é a que vem sendo posta em prática pelas autoridades governamentais ou por  outros setores sociais. As medidas de repressão, mesmo quando são executadas para valer (o que, geralmente, não acontece, por certas “cumplicidades” que todos conhecemos) , não atingem os seus objetivos de diminuição do tráfico. E, fundamentalmente, não afastam os usuários das drogas.
Não há outro jeito de minimizar as drogas na sociedade senão a partir de um processo de educação, nas escolas e fora delas. É preciso que, seriamente, se desenvolvam campanhas de esclarecimento quanto aos malefícios das drogas – a maconha entre elas -, como se fez, por exemplo, com o cigarro. É inegável que o combate institucional ao fumo deu resultados e , hoje, a sociedade como um todo já se posiciona claramente contra .
Substituir a criminalização pelo processo educativo é, parece-me, a única estrada a trilhar se queremos minimizar o uso da droga e impedir a sua crescente disseminação na sociedade, sob formas mais perversas ainda, como estamos vendo acontecer  com  o crack e o  oxi.
Dizem os entendidos que a maconha não traz os males que outras drogas provocam à saúde. Pode ser. Parece-me, porém,  que o processo de sua descriminalização – que , em princípio, defendo – tem que ser acompanhado de outras providências para que não provoque, pela “tendência ao proibido”, uma corrida a outras drogas mais pesadas e letais.
De qualquer forma, não dá para fingir que não estamos vendo. Não dá para fechar os olhos a esse processo de alienação que as drogas provocam , como fuga à realidade e acomodação. Um certo “pão e circo” que imobiliza tantos jovens, para lucros e conveniências de outros não tão jovens assim...
Acho  que temos que discutir sobre a quem incriminar nesse processo. Para mim, é óbvio que não se podem eximir de crime os fornecedores, os que movimentam somas astronômicas com o tráfico e lucram com a infelicidade alheia.  Esse assunto tem que vir expressivamente à tona e, quem sabe, tudo possa redundar em um grande plebiscito nacional, fórmula que, cada vez mais, a julgar pela falta de representatividade dos nossos legisladores, considero a ideal para a busca das grandes soluções que o país exige.     
Sobre o autor deste artigoRodolpho Motta LimaAdvogado formado pela UFRJ-RJ (antiga Universidade de Brasil) e professor de Língua Portuguesa do Rio de Janeiro, formado pela UERJ , com atividade em diversas instituições do Rio de Janeiro. Com militância política nos anos da ditadura, particularmente no movimento estudantil. Funcionário aposentado do Banco do Brasi

26/7 - Na hora da verdade

FONTE:http://www.diretodaredacao.com
Publicado em 24/07/2011

Na hora da verdade

É tempo de criação de uma Comissão da Verdade com o objetivo de se esclarecer de uma vez por todas as violações de diretos humanos ocorridas no período da ditadura civil-militar que assolou o Brasil a partir de 1 de abril de 1964.
Projeto nesse sentido está tramitando na Câmara dos Deputados, mas que vai depender da mobilização da sociedade brasileira para que se torne uma realidade concreta e não apenas um arremedo que no final das contas não esclareça verdadeiramente os fatos ocorridos no período da ditadura e que depõem contra o gênero humano.
Setores conservadores com espaço garantido na mídia de mercado, como no jornal O Globo, já tentam de todas as formas incutir na opinião pública a ideia segundo a qual deve se investigar também o que fez a esquerda de 64 a 85. Eis aí uma falsa discussão, que só serve mesmo para desviar a atenção do que se deseja mesmo, ou seja, o esclarecimento de tudo o que aconteceu em matéria de desrespeito aos direitos humanos pelo Estado brasileiro e que foi jogado debaixo do tapete.
A esquerda já foi devidamente investigada, inclusive por setores que hoje tentam de todas as formas possíveis evitar que se conheçam as verdades. Foi também punida, com assassinatos, prisões, torturas e cassações de mandatos de representantes do povo que não compactuavam com o arbítrio.
O que se quer também é que nesta Comissão da Verdade que está sendo apreciada pelos deputados haja espaço para a Memória e Justiça. Há casos concretos, com testemunhas vivas, sobre fatos importantes e que ajudarão a se chegar a Verdade com maiúscula.
Se funcionar mesmo como se espera, a Comissão, mesmo chegando atrasada ajudará a desvendar muitos segredos, inclusive à participação de serviços de inteligência de países como os Estados Unidos, especialmente a CIA. Se alguém tem dúvidas a esse respeito deve lembrar a participação na polícia de Minas Gerais do agente Dan Mitrione.
Para os que têm curta memória, Mitrione foi convidado para ensinar aos policiais mineiros pelo então golpista civil, governador Magalhães Pinto. O agente estadunidense ensinou a prática de tortura aos repressores brasileiros. Tanto assim que acabou recebendo uma condecoração por serviços prestados à polícia de Minas Gerais.
Mitrione morreu assassinado ou justiçado, dependendo do ângulo de entendimento do fato, em Montevidéu, ao ser julgado pelo grupo armado uruguaio Tupamaros. Na ocasião foi constatado também o recebimento por Mitrione da medalha por serviços prestados, concedida pela polícia mineira. O fato está relatado no filme Estado de Sítio, de Costa Gravas, um clássico da cinematografia e serviu ao grupo armado que o descobriu a formar juízo sobre o agente. 
É muito importante lembrar a presença de Mitrione no Brasil pois  remete à participação da CIA por aqui, fato que precisa ser devidamente investigado e que também ajudará ao esclarecimento oficial das violações dos direitos humanos.
E se há dúvidas sobre a presença de Mitrione em Belo Horizonte, uma consulta aos jornais mineiros da época mostrará como o agente da CIA foi recebido com honrarias pela alta sociedade de Belo Horizonte.
Há também testemunhas de que em interrogatórios no Cenimar (serviço de inteligência da Marinha) estavam presentes agentes falando inglês e que poderiam ser observadores ou orientadores de torturas. Seja qual tenha sido a participação desses agentes, caberia a uma Comissão da Verdade esclarecer tais fatos.
Vários cidadãos brasileiros, vítimas da ditadura que passaram por aquele serviço de inteligência, inclusive o professor Luiz Alberto Moniz Bandeira, hoje vivendo na Alemanha, podem prestar informações sobre fatos que vivenciaram.
No prefácio à quarta edição do livro “Presença dos Estados Unidos no Brasil”, publicado há dois anos, Moniz Bandeira confirma a presença de dois agentes da CIA quando ele esteve preso naquela dependência da Marinha. “No pelotão do Cenimar, que me prendeu na minha granja, havia um estrangeiro, que se dizia tcheco, mas na verdade era americano e da CIA. Isto posteriormente me foi confirmado por um oficial de Marinha“.
E Moniz Bandeira acrescenta: ”Quando cheguei preso ao Cenimar, vi dois homens falando inglês. Não sei se eram oficiais. Estavam à paisana, com camisa de manga curta, como os americanos usavam e só podiam pertencer à CIA, cuja cooperação o único órgão de inteligência que aceitou, no governo Jango, foi o Cenimar”.
Moniz Bandeira é um importante pesquisador e conhece a fundo as relações Brasil-EUA. Seu depoimento numa Comissão da Verdade seria da máxima importância e ajudaria os brasileiros a conhecerem com maior precisão a participação da CIA na repressão aos movimentos de oposição.
Isso é importante e naturalmente está no contexto da Comissão Nacional da Verdade, e acrescente-se: Memória e Justiça. E para que isso aconteça, vale sempre repetir, é fundamental que a opinião pública também exija que a verdade oficialmente venha mesmo à tona e se evite um acordo para que não se vá ao fundo das questões. Além do mais, quem pode garantir que a CIA não continua atuante por aqui e até mesmo cooptando colaboradores?