sábado, 29 de dezembro de 2012

29/12 - BOA NOITE COM A VOZ DO DR. ULISSES

VALE RECORDAR A PROMULGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO, A MESMA QUE, AGORA, ANDAM FINGINDO QUE A DESCONHECEM.

29/12 - BOLCHEVISTAS PERSEGUEM IDOSOS

FONTE:http://www.hariovaldo.com.br/site/2012/12/28/idosos-sao-perseguidos-pelos-bolchevistas/


Idosos são perseguidos pelos bolchevistas

28 de dezembro de 2012
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Quantas estradas precisará um homem bom andar até se ver livre da perseguição comunista?
Vejam pois caros confrade oque anda a acontecer nessa repúbliqueta de bananas, onde os bons e de bens e benz não possuem nem o direito ao merecido repouso. Eis que um jornalista aloprado infiltrado na redação de um jornal do bem decidiu xeretar onde não é chamado e de lá pinçando informações irrelevantes confeccionar uma matéria tendenciosa com o fim de enxovalhar a honra destes pobres idosos.
Aliás os aposentados são vilipendiados desde que o molusco apedeuta usurpou o trono do Planalto em 2003. Bons tempos aqueles em que o farol de Alexandria tratava bem nossos velhinhos.
Sendo assim eu pergunto aos nobres que frequentam esta catedral cibernética: Que mal há, que homens e mulheres recebam a justa compensação por tantos trabalhos prestados em prol da nação? O que nossa proba Assembleia gasta que esses filhos da pátria é uma merreca perto do bolsa esmola que a búlgara rubra desperdiça com os bolsas isso e bolsa-aquilo, até o pobre Plínio que faz as vezes de comunista está sendo perseguido.
Esta sanha persecutória empreendida pelos comunistas que tomaram a internet de roldão, graças ao mephisto de Garanhuns não poupa ninguém, aqui nos Estados Unidos do Brazil, homens honrados não podem ter míseros 16 milhões no banco que já são perseguidos ou uma quitinete em Paris para ter a vida escarafunchada por esta petralhada desocupada que passa o dia no Facebook compartilhando mentiras e denegrindo as verdadeira e imparciais fontes de notícias.
Pois bem confrades e confreiras, cabe a nós, a blogosfera limpa e cheirosa travar o bom combate e levar este bananal de volta a senda do bom e velho neo-liberalismo, onde cada cidadão sabe qual é o seu lugar na escala social, onde os aeroportos , shoping centers, Miami e Paris são exclusividades da casa grande, e deixem nossos velhinhos em paz, eles não fizeram nada.

29/12 - UMA ARQUITETURA ENGAJADA

FONTE:http://marxismo21.org/

Blog que divulga a produção teórica marxista no Brasil contemporâneo


Oscar Niemeyer: uma arquitetura engajada

O reconhecimento do trabalho arquitetônico de Oscar Niemeyer é praticamente unânime em todo o mundo. O conjunto da mídia, brasileira e internacional – por meio de extensas matérias e depoimentos de artistas e intelectuais –, tem exaltado a criatividade, a originalidade, a plasticidade e a genialidade dessa ciclópica e ecumênica obra. Certamente, poucos artistas no mundo e em todos os tempos alcançaram semelhante consagração; nas palavras de seu dileto amigo Darcy Ribeiro, “Oscar Niemeyer (será) o único brasileiro a ser lembrado, no mundo todo, daqui a mil anos”. Nesta breve homenagem, marxismo21 busca destacar qualidades e valores que nem sempre foram devidamente ressaltados nas extensas matérias dedicadas ao arquiteto: o engajamento humanista e o compromisso com os ideais comunistas. Na sintética definição de Eduardo Galeano, Niemeyer ama as curvas, mas “odeia as linhas retas e o capitalismo.”
O texto de Niemeyer publicado – infomando como ele concebeu uma de suas obras engajadas –, permite-nos esclarecer um pouco de sua concepção estética e política. Como repetidamente afirmava, mais importante do que a arquitetura era a revolução. Questionando alguns críticos de esquerda no Brasil, divulgamos um artigo de um jovem arquiteto marxista; para Alexandre Benoit, o conjunto do trabalho de Niemeyer deve ser concebido como um projeto de sonhos e utopia à espera de sua efetiva realização revolucionária – que, sabia ele, não se concretizaria por meio da arquitetura. Entrevistas e vídeos integram esta homenagem ao arquiteto falecido aos 104 anos, em 5 de dezembro, na cidade do Rio de Janeiro. O desenho abaixo é um esboço do projeto da sede do Partido Comunista Francês, obra concluida em 1980. A esclarecer que o comunista, de forma solidária e generosa, nada cobrava de trabalhos militantes como este.
Não basta louvar
(sobre o projeto do Memorial Luiz Carlos Prestes)
O projeto que fiz do memorial de Luiz Carlos Prestes é, a meu ver, obra tão especial que vale a pena explicá-la um pouco.
Não tinha nenhum programa preestabelecido. O meu aniversário, uma semana antes, havia sido muito movimentado, e centenas de amigos me procuraram para me abraçar na casa das Canoas. O meu desejo era evitar tudo isso, e festejar um centenário me parecia pesado demais. Não que o passado me entristecesse, mas como me revolta lembrar as velhas amizades perdidas para sempre…
Como eu esperava, os amigos insistiram e acabei ficando o dia todo por lá, onde, sem festa nem música, atenderia os que aparecessem. E, passado tudo isso, foi no meu apartamento de Ipanema que me deixei ficar, um pouco cansado do que ocorrera, mas surpreso ao constatar que, como se tivesse estado no escritório, havia projetado o memorial de Prestes e lera dois livros extraordinários.
O primeiro é uma novela do poeta português Manuel Alegre, “Cão como Nós”, que muito me comoveu. Uma história simples de um cachorro que acompanhou o seu narrador por muitos anos e que com ele se entendia tão bem que só faltava falar. É nessa procura de comunicação, de se compreenderem melhor, que o texto se desenvolve em linguagem de qualidade literária tal que não raro pedia a Vera, minha mulher, para repetir trechos pelo prazer de os ouvir outra vez.
O outro livro, que recebi de presente do meu amigo Fernando Balbi, é uma coletânea de artigos de José Luís Fiori (“O Poder Global”), tão atualizados e esclarecedores que todo jovem brasileiro deveria conhecê-los. Fiori expõe sua posição progressista sobre as contradições do mundo globalizado e a onda neoconservadora que cresce por toda parte, com forte apoio do governo norte-americano.
Mas não foi só a leitura que me ocupou, mas principalmente o projeto que fiz do memorial de Luiz Carlos Prestes, a ser construído no Sul do país. É, a meu ver, obra tão especial que vale a pena explicá-la um pouco.
Um trabalho que não se baseou, como de costume, num programa construtivo, mas na ideia de criar um elemento principal e único: uma parede que, cheia de curvas e retas inesperadas, atravessando em diagonal um retângulo de vidro do edifício (de lado a lado), possa lembrar aos visitantes as etapas fundamentais da vida desse grande brasileiro. A fachada simples e retilínea de vidro do edifício marcaria, com a parede interna tão movimentada, o contraste que a boa arquitetura procura muitas vezes exibir.
Junto da entrada, a parede com textos e imagens começa a mostrar aos visitantes os inícios da vida de Prestes, quando, oficial do Exército, era incumbido de acompanhar obras em construção no Rio Grande do Sul – aí surge, já com 26 anos, severo como sempre foi, Prestes a reclamar da maneira pouco correta com que os trabalhos estavam sendo desenvolvidos.
Não recebendo resposta às denúncias que fazia, foi pouco a pouco sentindo que uma solução burocrática a nada conduzia, mas que os problemas do país tinham de ser resolvidos por meio de uma revolução. E a Coluna Prestes apareceu naturalmente como a única maneira de enfrentar as questões políticas e sociais existentes.
Passo a passo, os visitantes vão tomando conhecimento dessa marcha extraordinária, da coragem desse grupo de patriotas a resistir por tanto tempo às forças repressivas. Logo em seguida, Prestes é obrigado a se exilar na Bolívia e, depois, na Argentina, seguindo mais tarde para a União Soviética, quando, já sintonizado com o pensamento de Marx, dá à revolução um sentido mais amplo e universal.
A parede vai se escurecendo e, num ambiente mais fechado e sombrio, aparece o período da prisão, em que ele permanece nove anos incomunicável. E, como para agravar tanta tristeza, em 1936, sua mulher, Olga Benário, presa e grávida, é enviada criminosamente a um campo de concentração na Alemanha, onde seria morta numa câmara de gás em 1942; sua filha, Anita, após grande campanha internacional desencadeada pela mãe de Prestes, é afinal entregue à avó.
Quanta maldade! Impressionados com tanta violência, os visitantes param consternados; é a luta política com seus momentos de glória e horror. A guerra acabara. Vitoriosos, os soviéticos entram em Berlim. Um clima de otimismo se espalha. No Brasil, Prestes é anistiado, e o Partido Comunista Brasileiro conquista a legalidade. É a época dos grandes comícios, da campanha pela Constituinte.
A parede vermelha, que, de acordo com os acontecimentos, vai mudando de cor, escurece outra vez. Diante dela, comovidos, os visitantes constatam que o momento de euforia passara. Em 1947, o TSE cancela o registro do PCB e, a seguir, cassa os mandatos dos parlamentares comunistas – entre eles, Prestes. Era a reação anticomunista que recomeçava, implacável.
Prestes passa a atuar na clandestinidade. Com o golpe militar de 1964, seus direitos políticos são cassados. A história caminha para o fim. Atentos, os visitantes seguem o relato emocionante. Começa um novo exílio, que se estende até 1979; de volta, apoia as Diretas-Já, solidarizando-se com a candidatura de Tancredo Neves. O tempo passa e, altivo e corajoso como sempre, vem a morrer em 1990; postumamente, Prestes é anistiado pelo Exército e promovido a coronel.
Como arquiteto, vejo, satisfeito, que meu projeto vai contribuir para manter viva a memória de Luiz Carlos Prestes, um brasileiro que lutou em favor de seu povo, contra a miséria e a desigualdade social que, infelizmente, ainda persistem em nosso país. Reli este texto e sinto que não basta louvar o passado.
O importante é continuar essa luta por um mundo melhor que o império de Bush procura em vão obstruir.
In: Folha de S. Paulo, 11 de janeiro de 2008, p. 3.
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Memorial em homenagem a três trabalhadores da CSN de Volta Redonda, RJ, assassinados em 9 de novembro de 1988 por tropas federais ordenadas pelo governo de José Sarney (1985-1990)
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Niemeyer: poeta do futuro (im)possível
Alexandre Benoit
Introdução
No ano de 1959, Mário Pedrosa redige a ata de um congresso de críticos cujo tema era a cidade de Brasília e que contava com a participação de artistas, arquitetos e intelectuais de várias partes do mundo. Nessa ata Pedrosa registra o impacto que aquela recém-criada cidade – obra de Lucio Costa e Oscar Niemeyer – representou no pensamento e na cultura ocidental naqueles anos de 1958-60. Como escreve Pedrosa, ao comentar as palavras de outro crítico, Bruno Zevi, Brasília seria “fruto dos mais audaciosos da cultural ocidental” sendo que “seu fracasso seria em parte um fracasso dessa cultura”.
Naqueles anos, outros intelectuais seguiriam o caminho de Zevi ao inscrever a construção de Brasília nas páginas da história do Ocidente, deixando para trás as interpretações recorrentes que explicavam Brasília a partir do projeto político de JK, ou como mero feito da cultura brasileira. O escritor francês André Malraux diria que “o elemento arquitetural mais importante desde as colunas gregas são as colunas do Palácio da Alvorada”. E se Zevi já falava no possível fracasso de Brasília como o fracasso da civilização Ocidental, Malraux depositava naquela cidade a redenção do Ocidente, nomeando-a Capital da esperança em seu Antimemórias. O próprio arquiteto, Oscar Niemeyer, mais de uma vez, explicaria seus palácios através do palácio dos Doges, em Veneza, construído 500 anos antes, demonstrando como sua arquitetura ultrapassa as fronteiras do Brasil.
Porém, a vasta extensão da obra de Niemeyer pós-Brasília, que lhe renderia aceitação e reconhecimento mundiais, produziu entre os críticos e, sobretudo, entre os críticos de inspiração marxista, certa desconfiança sobre o significado político e cultural daquelas formas. Neste momento em que é celebrado o centenário de Oscar Niemeyer é oportuno refazer os questionamentos sobre sua obra e perguntar: fundamentalmente, qual sua significação para além do espetáculo visual? Qual o sentido daquelas formas e espaços se pensados a partir de Marx?
De imediato, responderiam alguns críticos que, segundo uma análise marxista, Brasília e os edifícios monumentais de Oscar Niemeyer são um fiel retrato do Brasil, país que se modernizou “pelo alto”, cujas “idéias fora do lugar” (conforme, R. Schwarz) conduziram ao sonho falido do país “fadado ao moderno”. Ou então, diriam outros, como Sérgio Ferro, supostamente a desvelar o fundo falso das formas de Niemeyer, que os canteiros de Brasília revelam as marcas essenciais da irracionalidade técnica; irracionalidade que interessa ao capital e que dilacera o trabalho dos operários. Há também aqueles que denunciam esta arquitetura como aquela dos altos custos, distante dos problemas sociais, das favelas, do país “subdesenvolvido” que requer soluções mais “realistas”. Seja como for, para maioria dos críticos de uma esquerda de inspiração marxista, a arquitetura de Niemeyer – e Brasília, como sua obra máxima – expressa uma bela imagem, cuja significação está afundada em contradições.
A técnica moderna: fundamento de Niemeyer
Deixemos em suspenso, por um momento, estas críticas. Por enquanto, vamos nos deterem analisar Niemeyera partir de um elemento fundamental de seu discurso: a técnica moderna. Sobre essa questão, o engenheiro José Carlos Süssekind, calculista de Niemeyer, lembra a Catedral de Brasília: quem será capaz, ao contemplar a Catedral de Brasília, de separar o que é arquitetura do que é estrutura? E, em tantos outros exemplos, Niemeyer demonstrou como se preocupa com a técnica moderna através dos grandes vãos, os enormes balanços e as lajes finíssimas.
Mas se a Catedral de Brasília, como observa Süssekind, é uma obra em que a beleza se revela a partir da estrutura, para Niemeyer esse problema já aparece muito antes de Brasília, como no Conjunto da Pampulha, marco inicial de sua trajetória. Esse discurso arquitetônico sobre a técnica não é, entretanto, uma criação de Niemeyer. Em grande parte, a aproximação entre a técnica moderna e a arquitetura aparece nos manifestos das vanguardas artísticas do séc. XX. Sendo que no interior das vanguardas, no campo da arquitetura, o arquiteto franco-suíço Le Corbusier, mestre de Niemeyer, foi um dos precursores. continua
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Entrevista ao jornalista Geneton Moraes

Se acreditasse em todos os elogios que colecionou ao longo da vida, o arquiteto Oscar Niemeyer poderia pendurar uma placa na porta do escritório: “Silêncio! Gênio trabalhando”. Mas, não. “Doutor Oscar” devota uma olímpica indiferença às glórias terrenas. Já perdeu a conta de quantos monumentos, palácios e edifícios projetou no Brasil e no exterior. São pelo menos 150 em quinze países, sem contar o Brasil. Vem estudando astronomia com amigos, numa prova de que a curiosidade intelectual não depende de idade. A bibliografia de e sobre Oscar Niemeyer não para de ganhar acréscimos. Nesta entrevista, o homem que passou a vida se declarando ateu faz uma confissão: gostaria de acreditar em Deus. Em matéria de política, não se incomoda em ficar na contramão da história. O comunismo pode ter virado pó para quase todo mundo – menos, é claro, para Oscar Niemeyer.
Se o senhor fosse chamado a escrever um verbete sobre Oscar Niemeyer numa enciclopédia, qual seria a primeira frase?
Niemeyer: “Diria que é um ser humano como outro qualquer – que nasceu, viveu e morreu. Sou um homem comum – que trabalhou como todos os outros. Passou a vida debruçado sobre uma prancheta. Interessou-se pelos mais pobres. Amou os amigos e a família. Nada de especial. Não tenho nada de extraordinário. É ridículo esse negócio de se dar importância.
Consegui manter, a respeito dos homens, uma posição que me tranquiliza muito: vejo os homens como uma casa, em que você pode consertar as janelas, acertar o aprumo das paredes, pintar. Mas, se o projeto inicial foi ruim, fica prejudicado. Aceito as pessoas como elas são. Todo mundo tem um lado bom e um lado ruim. O homem nasce numa loteria: é bom, é ruim, é inteligente ou não. “Se a gente aceita este fato como uma condição inevitável, a gente tem de ser mais paciente com as pessoas, aceitá-las como elas são”.
Gilberto Freyre disse numa entrevista que o senhor era um arquiteto genial, mas era muito ignorante, porque passou a vida repetindo chavões marxistas. Críticos assim incomodam o senhor?
Niemeyer: “Não. Eu li Casa Grande & Senzala e gostei. É um livro muito bem escrito. Gilberto Freyre era um grande escritor…”
Mas como é que o senhor recebia essas críticas?
Niemeyer: “Cada um pensa o quer. Nunca conversei com ele. Eu me lembro de ter me encontrado uma vez – corrida – em Pernambuco”.
O senhor transmite uma visão pessimista da vida – um certo enfado diante das coisas. Como é que se justifica tanto pessimismo num homem tão bem sucedido ?
Niemeyer: “Sou pessimista diante da idéia de que o homem ,quando nasce, já começa a morrer, como notou Jean Paul Sartre. Mas, na vida, caminhamos rindo e chorando o tempo todo : é preciso, então, aproveitar o lado bom da vida, usufruir o melhor possível e aceitar os outros como eles são. Sempre digo : o importante é o homem sentir como é insignificante, é o homem olhar para o céu e ver como somos pequeninos. Ultimamente, no entanto ,tenho me espantado como a inteligência do homem é fantástica ! Tenho conversado sobre astronomia. Como é imprevisível o que ele pode criar ! .
Numa dessas conversas que tenho tido com um amigo sobre o cosmo, ele me explicou que o homem é filho das estrelas. A matéria é a mesma! Então, é mais emocionante ser filho das estrelas do que ser filho da terra. Eu sempre dizia que a vida não teria sentido, o homem é filho da terra, como os outros bichos, os outros animais. Mas acho que o futuro será melhor.
Os mais inteligentes se queixam do mundo. O mundo tem prazeres e alegrias, mas a razão de a gente estar aqui é precária. Em todo caso, ninguém quer abandonar o espetáculo.
Entre os homens, a maioria é formada pelos que lutam, os que estão sofrendo, os que são humilhados. O drama do ser humano é ver o homem nascer e morrer. Ninguém quer nem pensar sobre este assunto. Os mais ricos estão se divertindo. Não querem pensar em nada: só querem usufruir as boas coisas da vida. Os outros nem têm nem tempo para conseguir viver um pouco”. continua
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Depoimentos e vídeos
Fidel & Niemeyeracesso
Sobre o significado da obraacesso
“A vida é um sopro” (documentário)acesso
As aventuras de um sonhadoracesso
Um comunista faz cem anosacesso
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Notas de entidades, intelectuais e movimentos sociais
* Nota do Comitê Central do PCB:
Oscar Niemeyer: uma legenda comunista para a história.
O mundo das artes e a cultura do trabalho perderam o legendário arquiteto e comunista Oscar Niemeyer. Figura da maior grandeza, que marcou o século XX com a sua arte e ciência, mas também com as ideias pelas quais lutava com convicção.
O arquiteto comunista, com seus traços, colocou o Brasil na modernidade do mundo. Sua obra marcou a arquitetura na Europa, na África, na Ásia, no Líbano e na América. Sua genialidade se espalhou pelo Brasil em obras que refletiam as curvas, a luz e a suavidade da liberdade no traço do concreto que era erguido pelos trabalhadores, em prol dos quais lutou por toda uma vida. Ao projetar Brasília, Niemeyer afirmava que não bastava criar uma cidade, era preciso mudar o sistema que apartava os trabalhadores de sua obra.
Mas o homem, militante comunista, tinha a estatura de sua obra. Entrou para o nosso Partido em 1945, lutou contra a repressão da ditadura militar, sendo desterrado para a França. Lá militou no Partido dos fuzilados, dos que heroicamente resistiram ao nazismo, o histórico Partido Comunista Francês, sendo o construtor da sede daqueles comunistas.
Sempre esteve ao lado do progresso da humanidade. Apoiou a revolução bolchevique e o Estado operário na URSS, sempre esteve ao lado de Cuba socialista, e quando a revolução democrática e socialista venceu a opressão na Argélia, para lá foi o militante comunista brasileiro, construir universidades e prédios para atender aos interesses dos trabalhadores.
Niemeyer esteve ao lado de gigantes do século XX: foi amigo dos comunistas Fidel Castro, Pablo Neruda, Luiz Carlos Prestes, Jorge Amado, Jean-Paul Sartre e José Saramago. Apoiou todas as lutas dos trabalhadores em seu tempo, militante sempre solidário, altivo e disposto a lutar pelo socialismo.
Quando o nosso Partido foi atacado pelo liquidacionismo, no IX congresso em 1991, lá estava ele, no plenário do auditório da UERJ para dizer: “Enquanto houver miséria e opressão, ser comunista é a nossa decisão”.
Após a ruptura com os liquidacionistas, que viraram as costas para a história, em 1992, Oscar Niemeyer foi eleito o presidente de honra do PCB.
Sua luta, sua história, seu compromisso com o marxismo e o socialismo, assim como a sua arte e ciência marcaram indelevelmente a memória do tempo presente.
Camarada Oscar Niemeyer, presente!
* Portal Vermelho do PCdoB:
Niemeyer deu nova dimensão à cultura nacional
José Reinaldo
Para ele, a vida era um sopro, considerava-se um homem comum e dizia que não representava grande coisa ter ultrapassado a idade de cem anos. O mais importante, afirmava, é a solidariedade.
No entanto, o Brasil, as nações do mundo, os movimentos sociais, os partidos de esquerda, o Partido Comunista inclinam suas bandeiras no falecimento de um dos maiores gênios da cultura brasileira, personalidade de envergadura singular e gigantesca do Brasil contemporâneo, cujo nome e obra são perenes, eternizando os melhores traços da civilização brasileira, o pensamento humanista revolucionário, a atitude generosa perante o semelhante e a vida, a ação militante na luta por uma sociedade sem a exploração do homem pelo homem, sem opressão de classe, sem guerras imperialistas de rapina – a sociedade socialista.
Niemeyer deu exemplos edificantes de dignidade. Dois dias antes da sua morte, pedia para sair do hospital, pois tinha muitos trabalhos e projetos a executar. Nunca visou a benefícios pessoais, sempre teve em mente as grandes causas sociais e a solidariedade com o ser humano.
Homem de convicções arraigadas, desde 1945, quando ingressou no Partido Comunista, até o último suspiro, foi comunista e fazia questão de proclamar seu engajamento pela causa da emancipação dos trabalhadores e de toda a humanidade.
A evolução da sua obra arquitetônica caminhou a par com a modernização do Brasil. Inspirado no impulso das forças produtivas nacionais a partir dos anos 1950 e na exuberância da natureza do País, foi parte constitutiva fundamental deste processo, do que são exemplos o conjunto arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte; o Edifício Copan, em São Paulo; os Centros Integrados de Educação Pública (Cieps); a Passarela do Samba, no Rio de Janeiro; o Memorial da América Latina e o Parque do Ibirapuera, em São Paulo; o Caminho Niemeyer, em Niterói; o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ), o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba e sobretudo a majestosa Brasília, a nova capital do Brasil.
A obra arquitetônica de Oscar Niemeyer, sendo profundamente inspirada na cultura brasileira, tornou-se universal. O gênio brasileiro deixou a marca do seu talento modificando a paisagem urbana de muita cidades mundo afora, destacando-se, entre outros, o edifício-sede da Organização das Nações Unidas, a Universidade de Constantine e a Mesquita de Argel, na Argélia; a Feira Internacional e Permanente do Líbano; o Centro Cultural de Le Havre-Le Volcan, na França; a sede do Partido Comunista Francês.
Niemeyer viveu intensamente a evolução da vida política nacional. Ligou o seu trabalho às causas democráticas e patrióticas do povo brasileiro, na luta pela redemocratização do País no imediato pós-guerra, no esforço pelo desenvolvimento nacional entre 1955 e 1964, no combate à ditadura militar, na edificação da nova democracia, e nos tempos atuais apoiando com entusiasmo o novo ciclo político aberto no País a partir da eleição de Lula em 2002.
Niemeyer deu nova dimensão à cultura nacional e deixou um vivificante exemplo de luta.
* Rede internacional das redes de intelectuais e artistas em defesa da humanidade
Por toda a nossa vida sempre, Presente!
Nós, intelectuais e artistas em defesa da humanidade buscamos mil formas de dizer até. Descobrimos em Saramago uma mensagem linda no seu centenário. Decidimos navegar por ela porque navegar é preciso, viver não é preciso.
¨Creio que não se tem reparado numa das maiores diferenças existentes entre o português e outras línguas neolatinas. Um espanhol, um italiano ou um francês, no dia do seu aniversário, dirão, com uma expressão algo insegura: “Hoje cumpro xis anos”. Como se não tivessem bem a certeza de os haver cumprido de acordo com as regras e as disciplinas estabelecidas pelos diversos mentores sociais. Nós, portugueses, nós, brasileiros (acabo de comprová-lo no Aurélio) não cumprimos anos, fazemo-los. Já se pensou no bonito que é mexer no tempo, empurrá-lo, estendê-lo, empurrá-lo, e a isto chamo eu vida, e de repente começar a receber e-mails, cartas, chamadas telefónicas de parentes e amigos que nos dizem: “Parabéns, mais um ano”. E nós respondemos: “Bom trabalho me deu, mas aí está, feito”. Aí estão agora estes cem, feitos por Oscar Niemeyer, amassados de todas as esperanças e razões do mundo, entregues nas mãos do futuro, com estas palavras de promessa: “Aqui estive, aqui estou, aqui me encontrarão sempre”. Querido Oscar, até ao próximo ano.¨
Com estas palavras Saramago festejou o amigo de tantas primaveras.
Oscar, essência do viver, pleno de sonhos, dissipando ternura, doando-se, criando, mudando num esforço secular todas as formas de tornar o mundo mais lindo e melhor, embora costumasse dizer que a vida é mais choro que riso.
Hoje, nesta noite de dezembro estamos chorando com todos os sentidos em todas as latitudes. Como prognosticava – a vida é um sopro. E, num sopro, você partiu. Uma tristeza imensa invadiu nossos corações.
Querido amigo, mensagens de amor chegam de todos os cantos do mundo, o samba pede licença para cantá-lo, os pássaros brincam num vai-vem delineando curvas entre as montanhas que brincaram no seu pedacinho de carvão de onde saíram milhares e milhares de desenhos, de concreto retorcido, transformando tudo como se todos fossem tomar o céu de assalto. Você demonstrou que tudo pode ser mudado, moldado, que sim o mundo pode ser melhor e mais bonito.
Não vamos secar as lágrimas, não vamos deixar de dizer seu nome, nem mesmo de rir de suas brincadeiras, nem de amar desenfreadamente a vida – vamos parafrasear Saramago e repetir sempre: “Aqui estive, aqui estou, aqui me encontrarão sempre”.
Rede internacional das redes de intelectuais e artistas em defesa da humanidade
Rio, de Janeiro 05 de dezembro de 2012
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Nota da Direção Nacional do MST
Niemeyer foi um sábio, solidário e comunista! O povo brasileiro e a humanidade perderam um de seus melhores amigos que viveu ao longo do seculo 20.
Niemeyer foi mais do que um arquiteto, foi um amante da vida e um incansável defensor da igualdade entre todos os seres humanos.
Era comunista, não por doutrina. Mas porque acreditava que todos os seres humanos são iguais e que deveríamos ter as mesmas condições de vida.
Por isso, foi acima de tudo um companheiro de todos nós! Desprezava os bens materiais que a classe dominante brasileira tanto idolatra e explora a milhões, para acumular cada vez mais… Defendia e praticava os valores humanistas e, sobretudo, o da solidariedade, contra qualquer injustiça.
O MST tem um imenso orgulho de ter sido seu amigo, companheiro e ter recebido seu apoio. Teremos nele, sempre, um exemplo de vida.
Grande Oscar, seguiremos te encontrando por aí… nas suas obras e lembranças!

29/12 - China testa o ‘pivô’ norte-americano


From: Vila Vudu
Sent: Friday, December 28, 2012 9:33 PM

Subject: China testa o 'pivô' norte-americano [22/12/2012, Peter Lee, Asia Times Online [traduzido]
China testa o ‘pivô’ norte-americano 22/12/2012, Peter Lee, Asia Times Online
http://www.atimes.com/atimes/China/NL22Ad03.html

Ao longo do ano que está acabando, a República Popular da China pela primeira vez teve contato próximo, direto, pessoa a pessoa, com o movimento de ‘pivô’ dos EUA outra vez na direção da Ásia – o reequilibramento estratégico, que em tudo se parece com movimento de ‘contenção’.

A República Popular da China passou boa parte do ano em luta-livre contra vizinhos inamistosos, fortalecidos pela nova política dos EUA, como o Vietnã e as Filipinas; combatendo contra os esforços dos EUA, ativos em várias esferas de influência chinesa na península coreana e no sudeste asiático; e enfrentou um teste de força e firmeza contra o principal representante-procurador dos EUA na região, o Japão.

Tal estado de coisas foi enganosamente, embora previsivelmente, apresentado na imprensa ocidental em termos de “intransigência da China exacerba tensões regionais”, embora interpretação mais correta pareça ser: “rivais da China exacerbam tensões regionais para intimidar uma China assertiva”.

Seja qual for o contexto, 2012 foi o ano em que o mundo – especialmente o Japão – descobriu que a República Popular da China pode, sim, movimentar-se contra o ‘pivô’.

Os anos de vacas gordas para “a China em ascensão” corresponderam aos anos do governo de George W Bush. Preocupado com desastres em cascata no Oriente Médio, déficit fiscal galopante, que exigia parceiro com apetite insaciável pelos papéis da dívida dos EUA e, depois, com o derretimento das economias norte-americana e mundial, Bush não teve estômago para mexer com a China.

A República Popular da China pegou a bola e correu com ela o quanto quis, até emergir com presença de superpotência no leste da Ásia; alcançou a África; estabeleceu-se como parceiro rico crucial para a União Europeia; e pôs abaixo os últimos bastiões da liderança ocidental no planeta pós 2ª Guerra Mundial: a grande política multinacional e suas instituições financeiras.

Alguma reviravolta era inevitável e foi cuidadosamente, aplicadamente, dedicadamente buscada, pelo governo Barack Obama.

Volta-se a ver também em cena a inefável autoestima norte-americana. Com a eleição e reeleição de um presidente negro, de origem social modesta, os EUA voltam a cobrar espaços, como se algum direito de nascimento no campo moral lhes garantisse privilégios, algo que bem se poderia supor que os EUA tivessem esquecido por mais de uma década depois do fracasso no Iraque, as trapalhadas que os EUA introduziram no sistema financeiro global e o rotundo fracasso na gestão da questão existencial da mudança climática.

Teria sido divertido, de modo meio macabro, verificar se a eleição de Mitt Romney à presidência deslancharia o mesmo discurso de êxtase neoliberal sobre as glórias da democracia norte-americana que se ouviu depois da reeleição do presidente Obama. Seja como for, o comicamente incompetente Romney não foi páreo para a popularidade, a inteligência e o incansável foco organizacional da arrogância de Obama e dos norte-americanos – ou, como Evan Olnos da revista New Yorker diria, em tom de elogio: “o carisma moral dos EUA” voltou ao palco.

Com os EUA firmemente de volta à sela da liderança, pelo menos no que tenha a ver com a gangue do comentariato dos assuntos externos, a China nada teria a mostrar ao mundo exceto as falhas e máculas de um sistema político e econômico autoritário; nada a ensinar, exceto aulas de como não fazer e do que não ser; e sem qualquer direito a participar de nenhum conselho mundial de líderes, exceto se aprovada pelo ocidente.

Essa atitude encaixa quase à perfeição com o aparente desdém que Obama sente pela República Popular da China, aquele regime sem brilho, inamistoso, sem graça, que reage exageradamente a qualquer ordem para engajar-se, gente que tem de ser forçada, pressionada e coagida a andar na direção preferencial dos objetivos preferenciais da humanidade. Sob a liderança do governo Obama, o ocidente decidiu cercar, conter, restringir a China, em vez de acomodá-la e acomodar-se a ela.

A China só será parceira bem-vinda na ordem mundial – pelo menos como o ocidente define a tal ordem – se democratizar-se, se desmantelar sua economia controlada pelo estado e se aderir aos padrões das instituições multinacionais, na busca do lugar dela na tal ordem. Estando esses objetivos absolutamente fora do radar e de qualquer consideração, no que tenha a ver com as atuais lideranças políticas chinesas, a única saída de curto prazo para o impasse, posto nesses termos, seria o colapso do regime chinês.

É aposta de alto risco. Se o regime chinês não entrar em colapso, a única coisa que cabe esperar para futuro previsível é hostilidade crescente, fervente, entre a República Popular da China e seus muitos antagonistas.

A China optou por evitar qualquer confronto direto com os EUA; e, em vez de confrontar os EUA, passou a explorar as fraquezas da cadeia de representantes e procuradores e aliados dos EUA, ao mesmo tempo em que protege os pontos fracos de seus próprios procuradores e aliados.

A única vitória incontestável da República Popular da China no leste da Ásia em 2012 foi a reeleição de Ma Ying-jeou, do Kuomintang, para a presidência de Taiwan. O presidente Ma tem política de mínima fricção com a República Popular da China, bem diferente da tumultuada política pró-independência e pró-Japão do Partido Democrático Progressista. Em 2012, Ma deu um passo a mais. Em movimento que foi amplamente ignorado pela imprensa-empresa ocidental, porque complicava a narrativa segundo a qual todo o mal e todos os crimes concentram-se na República Popular da China, Ma despachou uma flotilha de navios oficiais e nada-oficiais para dar trabalho à guarda-costeira japonesa presente em torno das ilhas Senkaku/Diaoyu.

Além de Taiwan, um dos astros mais brilhantes do firmamento autoritário, hoje com tendências pró-China é a Coreia do Norte a qual, hoje, além de pró-China também é pró-reformas, sob o governo de Kim Jong-eun.

A República Popular da China continua a fazer o governo Obama pagar pelos desastrosos erros de cálculo em 2009, quando os EUA supuseram que os laços comerciais que ligavam a República Popular da China predominantemente à Coreia do Sul implicariam que Pequim abandonaria às traças a Coreia do Norte, depois do acontecido à fragata Cheonan (que foi posta a pique por forças até hoje desconhecidas, mas que muitos sempre creram que fossem norte-coreanas) e unir-se-ia aos EUA num cerco diplomático multilateral, movido a sanções, contra o regime de Piongueangue.

Nada disso. O falecido Kim Jung-il percebeu que seus prolongados esforços de ópera bufa para engajar-se com os EUA eram vãos; meteu-se pois no seu trem blindado e viajou à China, onde foi recebido nos braços hospitaleiros de Hu Jintao.

Na outra coluna do livro-caixa, Myanmar ameaçou deslizar para fora do campo chinês, com a decisão governamental de ‘reequilibrar’ sua política exterior, afastando-se da China e aproximando-se dos EUA, e obter uma acomodação com as forças pró-democracia. As indispensáveis demonstrações de empenho pró-democracia e pró-ocidente, vindas do governo de Thein Sein, foram: 1) libertar da prisão domiciliar a ativista Aung San Suu Kyi e admitir que voltasse à vida pública; e 2) adiar o projeto da hidrelétrica Myitsone.

O projeto Myitsone era domesticamente impopular, porque financiado pela República Popular da China e adotado como símbolo de que os interesses de Myanmar estavam sendo vendidos à China por generais corruptos. Adiar Myitsone virou ação de alta popularidade, porque levantava a possibilidade de bloquear o desenvolvimento do potencial hidrelétrico financiado pelos chineses e, em vez de ajudar a China, permitia que interesses ocidentais, distantes há anos da economia de Myanmar por força de sanções, reorientassem a exportação de energia hidrelétrica, afastando-se da China e aproximando-se da Tailândia.

A República Popular da China respondeu com cautela à mudança em Myanmar, consolando-se, parece, com continuar a dominar a economia, o comércio exterior e a política de segurança de Myanmar graças à longa e muito porosa fronteira que os dois países compartilham.

Ao que parece, elites políticas de Myanmar, inclusive Aung San Suu Kyi, resolveram que uma jihad econômica anti-China seria contraproducente, e a República Popular da China tem boas razões para esperar que, aumentando as apostas no seu jogo de Relações Públicas, distribuindo dinheiro entre cidadãos desonestos dentro e fora da política (e, talvez, renegociando discretamente alguns dos termos excessivamente favoráveis em acordos de pai-para-filho com a Junta de Myanmar), conseguirá navegar com sucesso pelos hoje perigosos atoleiros da política multipartidária em Myanmar (onde um sempre tradicional populismo antichinês converteu-se em ferramenta inevitável de mobilização política e popular).

Sinal de que os EUA esperavam pôr na roda também Laos e Cambodia, a secretária de Estado Hillary Clinton fez rara visita a Vientiane, capital do Laos, antes da aparição em Phnom Penh para um convescote da Associação das Nações do Sudeste Asiático [orig. Association of Southeast Asian Nations (ASEAN)]. Os resultados foram complexos, dado que o Cambodia defendeu lealmente a República Popular da China contra a tentativa de criar uma frente unida da ASEAN contra a China no item relativo a uma iniciativa de mediação no Mar do Sul da China que estava na agenda.

Os desejos cambodianos e laosenses de distanciarem-se da grande perturbação asiática, a República Popular da China, são talvez contrabalançados pelo desejo de manter ao largo a grande perturbação do sudeste asiático, o Vietnã. Quanto ao Vietnã, já aprendeu que, no que tenha a ver com EUA, a China não é o Irã e o Vietnã não é Israel – não, pelo menos, por hora, e bem possivelmente, jamais serão.

Apesar de os EUA terem falado em apoio à liberdade de navegação no Mar do Sul da China e a uma frente unida multilateral para negócios com a República Popular da China, os EUA evitaram “assumir lado em disputas territoriais” – a única disputa que mobiliza as nações que cercam o Mar do Sul da China, uma vez que “a ameaça chinesa à liberdade de navegação na área” pouco ultrapassa o plano da pura conversa fiada e nonsense.

Com a baixa probabilidade de a 7ª Frota dos EUA deslizar para o Mar do Sul da China e pôr a pique todos os navios chineses, como adjuntos da Marinha Vietnamita, o Vietnã parece ter aprendido, da ferocidade chinesa contra o Japão, a lição segundo a qual os custos de disputar o papel de estado-líder na aliança anti-China podem ultrapassar, em muito, os benefícios.

A grande história no campo da segurança no leste da Ásia esse ano foi a decisão da República Popular da China de acicatar o Japão, ostensivamente por causa do fetiche tolo chamado Ilhas Senkaku/Diaoyu, mas, de fato, por causa da decisão tomada por Tóquio, de dar apoio moral e material ao tal movimento de ‘pivô’ dos EUA – o que o Japão fez, ao reacender a questão das tais detonadíssimas ilhas (tailandesas).

Em 2010, a China tomou a desastrosa decisão diplomática de retaliar oficialmente contra uma provocação japonesa – a insistência de Seiji Maehara em processar um comandante de pesqueiro chinês, em cortes japonesas, por uma infração em águas próximas das Senkakus. Um movimento relativamente ponderado e limitado, de enviar uma mensagem ao Japão, mediante movimento de segurar o esforço exportador no semimundo nebuloso das terras raras, converteu-se em cause celèbre anti-China, oportunidade para o Japão fazer promoção dos EUA no campo dos assuntos de segurança marítima no leste asiático; e convite a outros vizinhos da China para que se ponham a ocupar ilhas, na tentativa de provocar mais alguma super-reação contraproducente de Pequim.

Em 2012, a República Popular da China estava pronta, provavelmente ansiando ardentemente, por uma luta, avaliando as possibilidades, até quando o governo de Yoshihiko Noda canhestramente tentou explorar a questão Senkaku e saltou à frente do governador de Tóquio e ultranacionalista Shintaro Ishihara, para comprar três das ilhas.

Dessa vez, a retaliação chinesa veio sob vestes diplomáticas e respeitáveis: cruéis ataques contra interesses econômicos do Japão dentro da China. A campanha de 2012 causou mais danos ao Japão que a campanha de 2010, que fora concebida como flechada simbólica contra o arco de Japan Inc. A economia japonesa já não ia muito bem mesmo antes de os protestos de 2012 sobre Senkaku devastarem as vendas de carros japoneses e, sobretudo, o investimento japonês na China – o que faz crescer a possibilidade de a China desfechar golpe mortal, não simples mensagem de irritação, contra o Japão.

Os vastos esforços dos EUA para refocalizar as prioridades econômicas asiáticas e para oferecer vantagens materiais a países que, como o Japão, alinhem-se contra a República Popular da China – na Parceria Trans-Pacífico-sem-China – enfrentam hoje muitas dificuldades para avançar, com as economias alinhando-se, isso sim, a favor da possibilidade de que a China, não os EUA (que já mais parece concorrente exportador, que motor da demanda, para os tigres asiáticos) venha a ser o motor do crescimento da Ásia no século 21.

Parece, isso sim, que o ‘pivô’ dos EUA na direção da Ásia será guerra de atrito cara, dificílima, a ser combatida em vários fronts –, cabendo ao Japão arcar com os danos principais; nada sugere que possa haver triunfo rápido para qualquer dos lados.

Digamos que 2012 acabou empatado. E houve empate, também no resto do mundo.

O governo da Índia parece sentir que a cordilheira do Himalaia assegura adequada terra-de-ninguém entre a República Popular da China e a Índia; e vai abrindo uma trilha cuidadosa, entre China e EUA.

Com a reeleição do presidente Vladimir Putin e a volta de uma declaração mais cara-a-cara das prerrogativas da Rússia no confronto com os EUA, é menos provável que a Rússia favoreça os EUA à custa da China, do que foi ao tempo de Dmitry Medvedev.

Por outro lado, a União Europeia, premiada com o Nobel da Disfunção Patético-Trôpega, digo, o Nobel da Paz, pendura-se desesperadamente aos EUA em quase todas as questões geopolíticas, inclusive na declarada aversão às políticas comerciais chinesas; e na obsessão com segurança e com abusos de direitos humanos. Resta ver se tal nobre determinação será recompensada com alguma recuperação nas economias ocidentais, ou se, adiante, a Europa precisará de um resgate chinês.

A arena mais interessante e mais reveladora da competição-cooperação EUA-China é das menos esperadas ou prováveis: o Oriente Médio. A República Popular da China, pelo que se pode ver, está tentando um movimento de ‘pivô’ chinês, e alavanca, para ascender ao topo da lista, a sua posição de principal comprador de energia do Oriente Médio, simultaneamente, da Arábia Saudita e do Irã.

Com os EUA aproximando-se da autossuficiência nacional, ou, pelo menos, continental, graças à extração doméstica e ao consumo das areias betuminosas [orig. tar sands] do Canadá – e ostensivamente se pivoteando para a Ásia – parece prudente e sábio dar boas vindas às pretensões chinesas de liderança no Oriente Médio.

A República Popular Chinesa tem portfólio não irracional de posições no Oriente Médio: fala, pelo menos, a favor das aspirações dos palestinos; aceita o direito de Israel existir e prosperar; aceita um regime de segurança nacional baseado em desenvolvimento econômico, não em guerra total entre os blocos sunita e xiita; aceita acomodação com regimes do Levante Islâmico, para uns; ou Primavera Árabe, para outros (desde que se disponham a fazer negócios); tende a preferir muita estabilidade, à moda dos emires, a muita democracia; e exige o fim da imbecilidade em torno do Irã ‘nuclear’.

Quanto ao banho de sangue na Síria, a República Popular da China tem consistentemente promovido uma solução que envolva algum grau de divisão de poder entre Assad e a oposição. Os EUA, nostálgicos talvez dos 30 anos de assassinatos que patrocinaram no Oriente Médio, e perversamente dispostos a não apressar o fim do banho de sangue, recusaram-se a admitir que a China tivesse qualquer outra função nas negociações, além da de marginal impotente.

A Síria, especialmente, é símbolo da abordagem vá-tomar-no-cu, que os EUA sempre prestigiaram, no que tenha a ver com segurança do Oriente Médio.

Washington goza, desfalece de prazer, vendo a Síria ser reduzida a ruínas, desde que – com a extinção da Síria –, Irã, Rússia e China percam um aliado na região.

A mensagem chinesa parece ser: os EUA que se ‘pivoteiem’ para a Ásia, e que ameacem destruir um regime de estabilidade e segurança que gerou paz e prosperidade que a região, antes, jamais conheceu; em nenhum caso a República Popular da China se envolverá do pântano do Oriente Médio, apesar de – ou, melhor dito, porque – aquela região é crucialmente vital para a segurança energética e econômica da China.

Essa dinâmica empurra a China para ganhar musculatura militar, projetar poder e reforçar suas competências, suas habilidades, para controlar o destino de sua própria segurança em todo o hemisfério.

A provável resposta chinesa não será pôr-se a ameaçar atores regionais para abalar Tio Sam, o qual tem interesse mais esportivo do que existencial em manter ocultas várias coisas na Ásia.

Até hoje, o governo Obama ainda não se manifestou sobre o jogo de gato e rato que a China está impondo ao Japão –, acovardado ante a economia global. Mandar a 7ª Frota velejar pelo Pacífico ocidental à procura de náufragos de tsunamis e tufões e de piratas esfarrapados pouco ajudará o Japão.

Se o Japão decidir assumir o controle do próprio destino de segurança, dando as costas à Constituição pacifista, construindo para si uma posição de potência militar independente, e convertendo sua plena capacidade para construir armas atômicas em arsenal nuclear real – o que levará a Coreia do Sul a também se nuclearizar –, nesse caso o tão afamado ‘pivô’ arrastará, em mortal espiral descendente, toda a influência e toda a credibilidade dos EUA na região.

Se acontecer, 2012 será lembrado como o ano em que tudo começou a fazer sentido.

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Sent: Saturday, December 29, 2012 3:41 AM
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