sábado, 29 de setembro de 2012

29/9 - Boa Noite com Hebe Camargo

Hebe canta "Paz do Meu Amor", de Luiz Vieira

29/9 - Texto de Leonardo Boff

FONTE:http://www.tribunadaimprensa.com.br/

sábado, 29 de setembro de 2012 | 12:20

A gravíssima crise de confiança que atravessa a Igreja no mundo

Leonardo Boff
O centro da pregação de Jesus não foi a Igreja, mas o Reino de Deus: uma utopia de total revolução/reconciliação de toda a criação. Tanto é verdade que os evangelhos, à exceção de são Mateus, nunca falam de Igreja, mas sempre de Reino. Com a rejeição da mensagem e da pessoa de Jesus, o Reino não veio, e, em seu lugar, surgiu a Igreja como comunidade dos que testemunham a ressurreição de Jesus e guardam seu legado, tentando vivê-lo na história.
Desde o início, houve uma bifurcação: o grosso dos fiéis assumiu o cristianismo como caminho espiritual, em diálogo com a cultura ambiente. E outro grupo, bem menor, aceitou assumir, sob o controle do imperador, a condução moral do Império Romano, em franca decadência. Copiou as estruturas jurídico-políticas imperiais para a organização da comunidade de fé. Esse grupo, a hierarquia, se estruturou ao redor da categoria “poder sagrado” (sacra potestas).
Foi um caminho de altíssimo risco, porque se há uma coisa que Cristo sempre rejeitou, foi o poder. Para ele, o poder em suas três expressões, como aparece nas tentações no deserto – o profético, o religioso e o político -, quando não é serviço, mas dominação, pertence à esfera do diabólico. Mas foi o caminho trilhado pela Igreja como instituição hierárquica sob a forma de uma monarquia absolutista que recusa a participação nesse poder aos leigos, a grande maioria dos fiéis. Ela nos chega até os dias de hoje num contexto de gravíssima crise de confiabilidade.
Ocorre que, quando predomina o poder, se afugenta o amor. Efetivamente, o estilo de organização da Igreja é burocrático, formal e, não raro, inflexível. Nela, tudo se cobra, nada se esquece e nunca se perdoa. Praticamente não há espaço para a misericórdia e para uma verdadeira compreensão dos divorciados e dos homoafetivos.
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SEXO E CELIBATO
A imposição do celibato aos padres, o enraizado antifeminismo, a desconfiança sobre tudo que tem a ver com sexualidade e prazer, o culto à personalidade do papa e a pretensão de ser a única Igreja verdadeira e a “única guardiã da eterna, universal e imutável lei natural” dão à Igreja, nas palavras de Bento XVI, “uma função diretiva sobre toda a humanidade”. O então cardeal Ratzinger, ainda em 2000, repetiu no documento Dominus Jesus a doutrina medieval de que “fora da Igreja não há salvação”, e de que os de fora “correm grave risco de perdição”.
Esse tipo de Igreja, seguramente, não tem salvação. Lentamente, perde sustentabilidade em todo o mundo. Qual seria a Igreja digna de salvação? É aquela que, humildemente, volta à figura do Jesus histórico, operário simples e profético, Filho encarnado, imbuído da missão divina de anunciar que Deus está aí com sua graça e misericórdia para todos; uma Igreja que reconhece as demais igrejas como expressões diferentes da herança sagrada de Jesus; que se abre ao diálogo com todas as demais religiões e caminhos espirituais, vendo aí a ação do Espírito que chega sempre antes do missionário; que está disposta a aprender toda a sabedoria acumulada da humanidade; que renuncia a todo o poder e espetacularização da fé para que não seja mera fachada de uma vitalidade inexistente; que se apresenta como “advogada e defensora” dos oprimidos de qualquer espécie, disposta a sofrer perseguições e martírios à semelhança de seu fundador; e na qual o papa tivesse a coragem de renunciar à pretensão de poder jurídico sobre todos e fosse sinal de referência e unidade da proposta cristã com a missão pastoral de fortalecer a todos na fé, na esperança e no amor.
Essa Igreja está no âmbito de nossas possibilidades. Basta imbuirmo-nos do espírito do Nazareno. Então seria, verdadeiramente, a Igreja dos humanos, de Jesus, de Deus, uma comprovação de que a utopia do Reino é verdadeira. Ela seria um espaço de realização do Reino dos libertos para o qual todos são convocados.
(Transcrito do jornal O Tempo)

29/9 - Um espectro ronda o jornalismo: Chatô

FONTE:http://por1novobrasil.blogspot.com.br

29 setembro 2012

Um espectro ronda o jornalismo: Chatô


29/9 - PARTIDO DA IGREJA UNIVERSAL

FONTE:http://naufrago-da-utopia.blogspot.com.br/

sábado, 29 de setembro de 2012

A GÊNESE DO PARTIDO DA IGREJA UNIVERSAL

O trabalho de conclusão de curso da minha esposa foi sobre a Igreja Universal.

As informações que ela coletou e algumas que nâo pôde utilizar por motivos vários --principalmente para evitar retaliações contra suas fontes, pois se trata de gente perigosa-- me chocaram. Ofereci-o até, como livro, a duas editoras católicas, que não quiseram comprar a briga.

Também me incomoda que as evidências gritantes de crimes, contidas nas denúncias de promotores e numa série de reportagens irrefutáveis que O Estado de S. Paulo publicou em meados da década retrasada, não tenham desembocado em condenações e em medidas efetivas para proteger as vítimas --as que são privadas até do último centavo e as que perdem a saúde ou a vida por acreditarem em orientação médica de quem não é médico.

Pude, ainda, constatar que Edir Macedo é muito eficiente naquilo a que se propôs, o que o torna personagem das mais temíveis ao estender seus tentáculos para a política.

Então, fiquei estarrecido e indignado ao ler a notícia abaixo da Folha de S. Paulo, confirmando que, independentemente do  efeito Russomanno, o PT continuará favorecendo o crescimento do  partido da Igreja Universal, cuja criação foi estimulada pelo Lula.


É o que nunca me passou pela garganta no caso do ex-presidente: ele raciocina unicamente em função de conveniências políticas imediatas e menores. Quer que o PT vença eleições, pouco ligando para o fato de que um partideco reacionário por ele estimulado poderá um dia se tornar um partidão de características nazistóides e com influência extremamente nefasta na política brasileira.

Muitos colocam Lula nas alturas porque conduziu o PT à Presidência da República e colocou algumas migalhas a mais na mesa dos pobres.

Omitem, no entanto, que seu pragmatismo tosco levou à desideologização e descaracterização do PT, privando o Brasil de um partido revolucionário que poderia torná-lo um país igualitário, ao invés de um dos mais desiguais do planeta; e um país que oferecesse qualidade de vida ao seu povo, ao invés do que ostenta Índice de Desenvolvimento Humano tão ínfimo.

Governando numa conjuntura internacional extremamente favorável ao Brasil, Lula fez bem menos do que poderia, pois cumpriu religiosamente o pacto firmado com o grande capital em 2002, no sentido de manter as linhas mestras da política econômica neoliberal de FHC.

Está na hora de tomarmos dos capitalistas para distribuirmos ao povo, ao invés de apenas distribuirmos ao povo a merreca de que os capitalistas admitam abrir mão.

Delfim Netto, outro que Lula jamais deveria aceitar como companheiro de jornada, dizia, no tempo da ditadura, que era preciso esperarmos pacientemente o bolo crescer, para que depois pudesse ser dividido. 

Já cresceu, mas continuamos vendo a divisão por um binóculo. Enquanto permanecermos de braços cruzados, esperando a boa vontade dos que usurpam os frutos do trabalho alheio, não passaremos de pobres coitados.

Revolucionário existe para tornar o povo o sujeito da História. A diferença é enorme com os que querem mantê-lo na eterna dependência de homens providenciais, votando no partido que lhe oferece um tiquinho a mais do que as outras forças políticas, ao invés de exigir tudo a que tem direito.

Eis o esclarecedor texto do repórter Bernardo Mello Franco:

O PT pretende poupar a Igreja Universal de ataques caso Fernando Haddad passe ao segundo turno contra o líder Celso Russomanno (PRB), cujo partido é controlado pela denominação.

Os petistas temem uma retaliação da TV Record ao governo Dilma Rousseff e devem usar o ministro da Pesca, Marcelo Crivella (PRB), para negociar um pacto de não agressão na disputa.


Além disso, o ex-presidente Lula costurou a aproximação entre o PT e a igreja do bispo Edir Macedo e incentivou a criação da sigla aliada.


O vínculo do partido de Russomanno com a igreja do bispo Edir Macedo tem sido usado por José Serra (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB) como principal arma contra o líder das pesquisas.


Haddad, no entanto, tem evitado a polêmica. Limita-se a criticar, de forma genérica, o uso de máquinas religiosas em campanhas rivais.


"Nossa linha será desconstruir Russomanno pela ausência de propostas, sem entrar nessa coisa de igreja", diz o deputado estadual Simão Pedro, que integra a coordenação da campanha petista.


Bispo licenciado da Universal e ex-executivo da Record, o presidente do PRB, Marcos Pereira, diz estar "certo" de que o PT não usará a igreja contra seu candidato.


"Eles já optaram por não fazer isso", afirma. "Se o PT tentar dizer que as nossas propostas são falhas, é aceitável. O que não pode é levar essa questão da religião."

29/9 - EUA: a mágica terrorcrática

FONTE:http://www.institutojoaogoulart.org.br
publicada em 29 de setembro de 2012
EUA: a mágica terrorcrática
Pepe Escobar, Al-Jazeera
http://www.aljazeera.com/indepth/opinion/2012/08/201285133440424621.html

A guerra ao terror inventada pelo governo Bush é como um maná que não para de cair do céu – por vias não exatamente muito misteriosas.

Na mesma semana da Assembleia Geral da ONU – em que competiam discursadores como o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad e o primeiro-ministro de Israel Bibi Netanyahu – o governo dos EUA tira da lista dos grupos terroristas o grupo anti-Irã, com base no Iraque, conhecido como Mujahideen-e-Khalq (MEK).

Jamal Abdi, diretor de política do Conselho Nacional Americano Iraniano [orig. National Iranian American Council (NIAC)] não precisou de muitas palavras para explicar do que se trata:

“A decisão abre o caminho para que o Congresso aprove envio de dinheiro ao MEK para promover novos ataques terroristas no Irã e tornar muito mais provável a guerra contra o Irã. Além disso, a decisão agride diretamente o movimento pacífico pró-democracia no Irã e destrói alguma boa imagem dos EUA que ainda haja entre os iranianos comuns.” [1]

Segundo o jornal iraniano pró-democracia Kaleme – dirigido pelo Movimento Verde – “não há organização, nem partido, nem culto mais infame que o MEK, na opinião pública da nação iraniana”. Indiscutível. Milhões de iranianos desprezam grupos de fanáticos armados, do tipo MEK, especialmente porque foram aliados de Saddam Hussein durante a guerra Irã-Iraque, de 1980 a 1988.

Durante a guerra, a ideia fixa e obsessiva dos MEK era destruir o Supremo Líder Aiatolá Khomeini. Nunca chegaram nem perto de ter alguma chance, porque não passavam de exército de fanáticos maltrapilhos reunido no Iraque, que lançou ofensiva patética em território do Irã, em 1988.

Depois do cessar-fogo Teerã-Bagdá, negociado pela ONU em 1988, o MEK continuou ativo no Iraque de Saddam durante os anos 1990s – já então dedicado a atacar os curdos iraquianos. Foi quando o governo Clinton incluiu o grupo na lista de “terroristas” –responsável pelo assassinato de cidadãos norte-americanos no Irã, antes da Revolução Islâmica.

Unha e carne com o pessoal do Mossad

Uma das principais razões para a recente ‘promoção’ é que o MEK parece ter concordado em deixar sua base no Iraque em Camp Ashraf[2] e está de mudança para um novo campo construído pelos EUA próximo a Bagdá.

Apesar da catarata de desmentidos e negativas, todos os botequins em todo o Oriente Médio sabem que os terroristas do MEK são treinados – e pagos – por Washington e Telavive, o que inclui treinamento em território dos EUA.

Porque o MEK e seu autodefinido “setor político” – Conselho Nacional de Resistência do Irã [orig. National Council of Resistance of Iran (NCRI) – são fontes conhecidas (extremamente pouco fidedignas) de informação de inteligência, para os EUA, sobre o programa nuclear iraniano.

Em fevereiro, a rede de televisão NBC News admitiu que “atentados mortais contra cientistas nucleares iranianos” eram executados por membros do MEK, “financiados, treinados e armados pelo serviço secreto de Israel”. Muito previsivelmente, a rede NBC atentamente não investigou qualquer conexão com os EUA.
Também muito previsivelmente, o Congresso dos EUA – cuja popularidade está em níveis muito baixos – irrompeu em manifestações de alegria e felicidade e saudou a decisão do Departamento de Estado, com especial destaque para os suspeitos de sempre como Dana Rohrabacher (Republicano da California), Ileana Ros-Lehtinen (Republicano da Florida e presidente da Comissão de Relações Internacionais da Câmara de Deputados) e Ted Poe (Republicano do Texas). Todos esses saudaram o MEK como “organização democrática”.

Quer dizer... Como se consegue ser promovido, de terrorista, a democrata? Essa é fácil. Basta contratar a melhor equipe de lobbying que o dinheiro possa comprar e investir pesado em “Relações Públicas” eficazes.

No caso dos ex-terroristas e atuais democratas do MEK, foi serviço de três grandes firmas de lobbying de Washington: DLA Piper; Akin Gump Strauss Hauer & Feld; e DiGenova & Toensing. As três embolsaram cerca de 1,5 milhão de dólares, ano passado, para democratizar os MEKa qualquer custo.

Mais uma vez se comprova que esse é o meio certo e provado para enterrar história sangrenta de atentados à bomba e assassinatos que mataram, não só empresários norte-americanos e cientistas iranianos mas, também, milhares de civis iranianos jamais contabilizados.

Nada como o toque cool de um especialista em Relações Públicas – PR, em inglês, por favor, sempre – para reformatar um bando de doidos assassinos e reapresentá-los como leais aliados dos EUA na luta contra o regime de Teerã “do mal”. Deputados, senadores e os proverbiais exércitos de “ex-ministros” e ex-altos funcionários de ex-governos – onipresentes na mídia –, são os puxa-saco e mercenários que se prestam a esse tipo de serviço.

Como é que a al-Qaeda nunca pensou nisso?!

O modo ‘terrorcrático’ de governar

O dinheiro do MEK – doações da diáspora iraniana canalizado por uma rede do organizações de fachada na Florida, no Texas, no Colorado e na California – comprou um gordo portfólio bipartidário.

Lá estão todos, do ex-prefeito de New York e eterno relembrador do 11/9 Rudy Giuliani, ao jornalista Carl Bernstein; no mínimo, dois ex-diretores da CIA; o ex-governador da Pennsylvania Ed Rendell; o ex-chefe da OTAN Wesley Clark; o ex-governador do Novo México Bill Richardson; e o ex-chefe do Estado-maior das Forças Armadas dos EUA general Hugh Shelton.

Está provado, por exemplo, que Shelton, o ex-diretor do FBI Louis Freeh e o ex-procurador-geral dos EUA Michael Mukasey (que examinava casos de terrorismo), dentre outros, comprovadamente receberam dinheiro. Os jornais já publicaram o que se pode aceitar como satisfatória lista dos que se uniram ao bando.[3]

Em junho, o ex-candidato Republicano à presidência Newt Gingrich foi a Paris para participar de um evento pro-MEKao lado da co-líder do ‘movimento’, Maryam Rajavi.

O Departamento do Tesouro iniciou investigação[4] de“contribuições para financiar palestrantes” – algumas contribuições chegam a $40 mil – recolhidas em nome do MEK. Mas nada garante que essa investigação progrida. Em casos que envolviam o Hamás e o Hezbollah, gente foi para a cadeia por oferecer apoio financeiro indireto a essas organizações. Mas, ora... Essas organizações não foram promovidas ao status de “democráticas” nos EUA.

E há o ângulo Clinton, mais estranho a cada minuto.

O MEK foi incluído na lista das organizações terroristas no governo Clinton, porque Bill Clinton tentava seduzir o ex-presidente do Irã Muhammad Khatami. Agora, como secretária de estado, Hillary Clinton divulgou informação secreta[5] sobre o MEK ao Congresso a qual, certamente, envolve a identidade de cientistas nucleares iranianos.

Assim, de fantoches de Saddam, o MEKfinalmente conseguiu ser promovido a fantoches da CIA e do Mossad. Esperem, doravante, a torrente de “funcionários do governo dos EUA que pediram para não ser identificados” de sempre, a repetir que a promoção não implica que o governo dos EUA tenha passado a apoiar oficialmente os doidos do MEK. Teremos mais um caso de “liderar pela retaguarda”.

Desnecessário dizer que a coisa também opera como golpe de “PR” de valor inestimável a favor da ditadura do mulariato em Teerã – que não poupará ninguém, na operação para provar que Washington amasiou-se com grupo de terroristas conhecidos, que até a inteligência dos EUA já admitiu que agiu como facilitador no assassinato à moda Mossad de cientistas iranianos.

Grupos terroristas do mundo, uni-vos. Nada tendes a perder além da proibição de subir no elevador de uma das empresas-ás de PRde Washington. É mais que hora de reposicionarem as respectivas marcas: todos têm idêntico direito ao título de “organizações terrorcráticas”.
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29/9 - O VEREDICTO DA HISTÓRIA

FONTE:http://www.institutojoaogoulart.org.br
publicada em 28 de setembro de 2012
O VEREDICTO DA HISTÓRIA


por Mauro Santayana



Cabe aos tribunais julgar os atos humanos admitidos previamente como criminosos. Cabe aos cidadãos, nos regimes republicanos e democráticos, julgar os homens públicos, mediante o voto. Não é fácil separar os dois juízos, quando sabemos que os julgadores são seres humanos e também cidadãos, e, assim, podem ser contaminados pelas paixões ideológicas ou partidárias – isso, sem falar na inevitável posição de classe. Dessa forma, por mais empenhados sejam em buscar a verdade, os juízes estão sujeitos ao erro. O magistrado perfeito, se existisse, teria que encabrestar a própria consciência, impondo-lhe sujeitar-se à ditadura das provas.

Mesmo assim, como a literatura jurídica registra, as provas circunstanciais costumam ser tão frágeis quanto as testemunhais, e erros judiciários terríveis se cometem, muitos deles levando inocentes à fogueira, à forca, à cadeira elétrica.

Estamos assistindo a uma confusão perigosa no caso da Ação 470, que deveria ser vista como qualquer outra. Há o deliberado interesse de transformar o julgamento de alguns réus, cada um deles responsável pelo seu próprio delito – se delito houve – no julgamento de um partido, de um governo e de um homem público. Não é a primeira vez que isso ocorre em nosso país. O caso mais clamoroso foi o de Vargas em 1954 – e a analogia procede, apesar da reação de muitos, que não viveram aqueles dias dramáticos, como este colunista viveu. Ainda que as versões sobre o atentado contra Lacerda capenguem no charco da dúvida, a orquestração dos meios de comunicação conservadores, alimentada por recursos forâneos – como documentos posteriores demonstraram – se concentrou em culpar o presidente Vargas.

Quando recordamos os fatos – que se repetiram em 1964, contra Jango – e vamos um pouco além das aparências, comprova-se que não era a cabeça de Vargas que os conspiradores estrangeiros e seus sequazes nacionais queriam. Eles queriam, como antes e depois, cortar as pernas do Brasil. Em 1954, era-lhes crucial impedir a concretização do projeto nacional do político missioneiro – que um de seus contemporâneos, conforme registra o mais recente biógrafo de Vargas, Lira Neto, considerava o mais mineiro dos gaúchos. Vargas, que sempre pensou com argúcia, e teve a razão nacional como o próprio sentido de viver, só encontrou uma forma de vencer os adversários, a de denunciar, com o suicídio, o complô contra o Brasil.

Os golpistas, que se instalaram no Catete com a figura minúscula de Café Filho, continuaram insistindo, mas foram outra vez derrotados em 11 de novembro de 1955. Hábil articulação entre Jango, Oswaldo Aranha e Tancredo, ainda nas ruas de São Borja, depois do sepultamento de Vargas, levara ao lançamento imediato da candidatura de Juscelino, preenchendo assim o vácuo de expectativa de poder que os conspiradores pró-ianques pretendiam ocupar. Juscelino não era Vargas, e mesmo que tivesse a mesma alma, não era assistido pelas mesmas circunstâncias e teve, como todos sabemos, que negociar. E deu outro passo efetivo na construção nacional do Brasil.

Os anos sessenta foram desastrosos para toda a América Latina. Em nosso caso, além do cerco norte-americano ao continente, agravado pelo espantalho da Revolução Cubana (que não seria ameaça alguma, se os ianques não houvessem sido tão açodados), tivemos um presidente paranóico, com ímpetos bonapartistas, mas sem a espada nem a inteligência de Napoleão, Jânio Quadros. Hoje está claro que seu gesto de 25 de agosto de 1961, por mais pensado tenha sido, não passou de delírio psicótico. A paranóia (razão lateral, segundo a etimologia), de acordo com os grandes psiquiatras, é a lucidez apodrecida.

Admitamos que Jango não teve o pulso que a ocasião reclamava. Ele poderia ter governado com o estado de sítio, como fizera Bernardes. Jango, no entanto, não contava – como contava o presidente de então – com a aquiescência de maioria parlamentar, nem com a feroz vigilância de seu conterrâneo, o Procurador Criminal da República, que se tornaria, depois, o exemplo do grande advogado e defensor dos direitos do fraco, o jurista Heráclito Sobral Pinto. Jango era um homem bom, acossado à direita pelos golpistas de sempre, e à esquerda pelo radicalismo infantil de alguns, estimulado pelos agentes provocadores. Tal como Vargas, ele temia que uma guerra civil levasse à intervenção militar estrangeira e ao esquartejamento do país.

Vozes sensatas do Brasil começam a levantar-se contra a nova orquestração da direita, e na advertência necessária aos ministros do STF. Com todo o respeito à independência e ao saber dos membros do mais alto tribunal da República, é preciso que o braço da justiça não vá alem do perímetro de suas atribuições.

É um risco terrível admitir a velha doutrina (que pode ser encontrada já em Dante em seu ensaio sobre a monarquia) do domínio do fato. É claro que, ao admitir-se que José Dirceu tinha o domínio do fato, como chefe da Casa Civil, o próximo passo é encontrar quem, sobre ele, exercia domínio maior. Mas, nesse caso, e com o apelo surrado ao data venia, teremos que chamar o povo ao banco dos réus: ao eleger Lula por duas vezes, os brasileiros assumiram o domínio do fato.

Os meios de comunicação sofrem dois desvios à sua missão histórica de informar e formar opinião. Uma delas é a de seus acionistas, sobretudo depois que os jornais se tornaram empresas modernas e competitivas, e outra a dos próprios jornalistas. A profissão tem o seu charme, e muitos de nossos colegas se deixam seduzir pelo convívio com os poderosos e, naturalmente, pelos seus interesses.

O poder executivo, o parlamento e o poder judiciário estão sujeitos aos erros, à vaidade de seus titulares, aos preconceitos de classe e, em alguns casos, raros, mas inevitáveis, ao insistente, embora dissimulado, racismo residual da sociedade brasileira.

Lula, ao impor-se à vida política nacional, despertou a reação de classe dos abastados e o preconceito intelectual de alguns acadêmicos sôfregos em busca do poder. Ele cometeu erros, mas muito menos graves e danosos ao país do que os de seu antecessor. Os saldos de seu governo estão à vista de todos, com a diminuição da desigualdade secular, a presença brasileira no mundo e o retorno do sentimento de auto-estima do brasileiro, registrado nos governos de Vargas e de Juscelino.

É isso que ficará na História. O resto não passará de uma nota de pé de página, se merecer tanto.
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29/9 - Santa ignorância

FONTE:http://www.diretodaredacao.com
Publicado em 27/09/2012

Santa ignorância


 Bristol (EUA) - Amigos, rola na Internet um vídeo de Bill Nye, conhecido durante muitos anos como “The Science Guy” por causa de um programa de televisão que fazia, com um apelo patético aos pais americanos: “Precisaremos de seus filhos no futuro. Por favor, não os ensinem a duvidar da evolução”.
O apelo é dirigido principalmente aos evangélicos e sua crescente e perniciosa influência. Os evangélicos sustentam  que o mundo foi criado há cerca de seis mil anos, precisamente como está na Bíblia, com Adão e Eva passeando no Paraíso em companhia dos animais feitos por Deus, entre eles os dinossauros.
É mais ou menos uma crença nos moldes daquela história em quadrinhos, Brucutu, em que nosso herói cavalgava seu fiel dinossauro (como era mesmo o nome dele, Dino?) e namorava a simpática Ula.
Mas, pasmem, 46 % de americanos acreditam que o mundo surgiu mesmo como está na Bíblia. Deus fez Adão, tirou sua costela, fez Eva, Noé levou os bichos para a Arca (os dinossauros ao que parece chegaram  atrasados para o embarque), etc. Esta história de que o Universo surgiu há  14 bilhões de anos, que a Terra apareceu há 4,5 bilhões de anos, toda a evidência fóssil e geológica de que estamos cercados, a evolução das espécies segundo Charles Darwin - tudo isto, para os evangélicos é mentira, para não dizer pecado.
Ora, o que preocupa Bill Nye é que tal ignorância acabe prejudicando o futuro dos Estados Unidos como uma nação que progrediu e progride  por causa da qualidade de seu ensino, de suas universidades, de sua ciência, de suas inovações tecnológicas. Num momento em que países como a China, a Índia, o Japão e a Rússia investem no campo científico, Bill Nye teme que novas gerações de americanos mergulhem nas trevas da ignorância.
Seu medo é bem fundado. Hoje a maioria dos mais brilhantes alunos de universidades americanas vem do exterior, sobretudo da Ásia. Alguns ficam nos Estados Unidos, depois de se formarem, mas a maioria volta para seus países de origem.
Nos Estados Unidos, enquanto isto, a influência evangélica tem levado um crescente número de políticos e administradores escolares a introduzirem no currículo estudantil a tese do “Criacionismo”, a teoria de que o mundo foi feito ao pé da letra  como  populações primitivas escreveram ou narraram oralmente há   três mil anos ou por aí e nos chegou em traduções em cima de traduções. 
Contra todos os avanços da ciência, os evangélicos invocam “a palavra de Deus”. Construíram recentemente o “Creation Museum”, em Kentucky, onde ensinam tudo de acordo com o Velho Testamento.
Só bradando, como Castro Alves: “Deus, ó Deus, onde estás que não respondes”?
 obre o autor deste artigoJosé Inácio Werneck - BristolÉ jornalista e escritor com passagem em órgãos de comunicação no Brasil, Inglaterra e Estados Unidos. Publicou "Com Esperança no Coração: Os imigrantes brasileiros nos Estados Unidos", estudo sociológico, e "Sabor de Mar", novela. É intérprete judicial do Estado de Connecticut. Trabalha na ESPN e na Gazeta Esportiva.

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29/9 - Exército fraudou notícia

FONTE:http://www.diretodaredacao.com

Publicado em 27/09/2012

Exército fraudou a notícia do massacre


Recife (PE) - Em plena democracia, nós lemos os jornais e continuamos desinformados, pois as autênticas notícias desaparecem do conhecimento público. O leitor faça um teste, que mais de uma vez sem pretensão de analista, pratiquei. Vá, esteja presente a um grande acontecimento político. Depois compare o que você viu, o mais importante e escandaloso fato que você presenciou, com a notícia que aparecerá nos jornais e na televisão. Verá um absurdo de versões, e de tamanha diferença, que você vai se falar o maior absurdo: se os jornais falam a verdade, então eu nunca estive onde pensei estar.
Na última semana, a manchete que os jornais não deram e se dirá mais adiante, vem deste magnífico momento do depoimento do ex-major Ferreira à Comissão Estadual da Verdade. Depois de um breve histórico, em que os repórteres situariam os antecedentes criminais do ex-major Ferreira, famoso anticomunista, suspeito de envolvimento nos assassinatos do Padre Henrique e do procurador Pedro Jorge, os jornalistas registrariam esta ótimo diálogo entre o cientista político Manoel Moraes , da Comissão Estadual da Verdade, e o ex-major. Que houve e se revela agora nesta coluna:
Ex-major Ferreira – Na ditadura, o Exército brasileiro forjou aquela cena dos mortos da granja São Bento. As pessoas foram presas em locais diferentes e mortas. Juntaram os corpos na Granja pra justificar a ação, pra simular um confronto.
Manoel Moraes – Por quê, senhor Ferreira?
Ex-major – Pra não dizerem que foram eliminados individualmente. Juntando todos, forjaram o confronto. Aí virou troca de tiros em uma célula terrorista.
Manoel Moraes – Mas por que o Exército forjou isso?
Ex-major – Com medo da opinião pública.
Manoel Moraes – Mas por que o Exército, tão forte, ia ter medo da opinião pública?
Ex-major – Quem não tem, doutor?          
Na literatura, essa farsa da granja eu já havia antecipado em "Soledad no Recife". Um dia fui questionado,  de onde eu havia tirado que os assassinatos não se haviam dado na Granja de São Bento? Na ocasião, respondi com argumentos lógicos e de pesquisa, mas não poderia dizer que a intuição era  a maior força  para revelar que a granja era só cenário. Nas páginas do livro “Soledad no Recife” escrevi:
“As notícias dos jornais disseram e continuarão a dizer, pois a cumplicidade com um crime é permanente, que Soledad e companheiros foram mortos em 8 de janeiro de 1973. Mas em uma ditadura nem as datas dos jornais são verdadeiras. Por exemplo, Soledad morreu em 7 de janeiro. A vida de Soledad ganhou mais um dia apenas nos tipos impressos das folhas. As indicações são de que repressão e imprensa fizeram um acordo entre as datas dos seis assassinatos de socialistas no Recife, da primeira à última execução em 8 de janeiro. É claro, nada houve como nas manchetes dos jornais de todo o Brasil, ‘seis terroristas mortos em tiroteio’. O horror que vem da verdade é tamanho, que a mentira se acomodou fácil na mais confortável versão. Foram seis homicídios, todos unidos e simplificados em um aparelho da Chácara São Bento, um sítio na região metropolitana do Recife. Todos, pelo anúncio dos jornais, perigosos terroristas, que resistiram à bala ao cerco das forças da ordem. Mas só depois de mortos se fez a maquiagem nos jovens socialistas: com tiros, para melhor coerência do suplício com o papel dos jornais. Pauline Reichstul, José Manuel, Soledad Barret, Evaldo Ferreira, Jarbas Pereira, Eudaldo Gomes”.
O diabo é que, em plena democracia, o mais importante continua a não ser notícia. Se não ocultam mais os crimes como antes, desta vez a ignorância histórica dá as mãos à ideologia do dono do veículo. A manchete, que não veio, porque o diálogo acima não virou notícia, teria sido:  “Exército fraudou provas do massacre da granja São Bento”.
Em compensação, esta semana, entrevistado na Rádio Jornal do Recife, o ex-major  se transformou em analista político da Comissão da Verdade:
“A Comissão da Verdade de Pernambuco é cópia de outras que existem por aí. É cópia de Brasília e repete o mesmo erro. Deviam ouvir os dois lados. Olhem a  diferença. O amaldiçoado padre Alípio, da bomba de Guararapes, recebeu quase dois milhões de reais  de indenização, enquanto nós....”. 
O ex-major, atirador de elite, não foi sequer perguntado se nunca atirara em gente. Comenta-se que ele fazia piada ao contar que em cercos a aparelhos de “terroristas”, os jovens saíam rolando pelo chão "imitando filme de caubói". Era engraçado. Ele nunca errou um tiro.  

29/9 - Dança das cadeiras na Globo

FONTE:http://www.diretodaredacao.com

Publicado em 25/09/2012

Dança das cadeiras na direçao da Globo


O mundo televisivo foi surpreendido semana passada com o anúncio da nomeação de Carlos Henrique Schroder (foto) para o lugar de Diretor-Geral da Rede Globo, Otávio Florisbal, o que não é pouca coisa não, já que por essa função passaram monstros sagrados da televisão brasileira, como Walter Clark e José Bonifácio de Oliveira, o famoso Boni.
Para o lugar de Schroder, que era o Diretor-Geral de Jornalismo e Esporte, vai Ali Kamel, que era o Diretor da Central Globo de Jornalismo. Aliás, pelos títulos, ficamos sem saber qual das duas funções é mais importante, pois aparentemente as duas se equivalem.
Schroder é produto do veículo TV, está há quase trinta anos na Globo, enquanto Kamel fez carreira em O Globo e foi levado para o jornalismo da TV por Evandro Carlos de Andrade, o homem mais que respeitado pelo velho Roberto Marinho, pela projeção que deu ao jornal da família quando assumiu sua direção, em 1971.
A ida de Kamel para a direção do jornalismo não surpreende, porque na prática era ele quem repondia pela linha editorial do JN e dos demais produtos jornalísticos há muito tempo. Sempre foi ele quem saiu em defesa dos interesses da Casa quando seu conteúdo era questionado. Para a comunidade do jornalismo, ele era o chefe na pática, enquanto Schroder era o administrador, o homem de ligação entre a direção da empresa e a redação.
Kamel cresceu tanto nessa função de defesa intransigente dos interesses do patrão, que virou uma espécie de historiador dos tempos modernos, o homem que está reescrevendo a história recente do Brasil através da ótica global.
Bem, mas saber quem é quem no mundo global não é a ideia da coluna. Quero apenas registrar uma passagem histórica, ligada ao Schroder, que tem um interessante componente político.
Estávamos em 1989. O país fervia politicamente às vésperas da primeira eleição presidencial, pós ditadura. Excitadas, as pessoas não viam a hora de escolher livre e soberanamente o presidente da república.
Na direção do jornalismo da Globo estavam Armando Nogueira e Alice-Maria, profissionais antigos e respeitados pelos colegas e pela direção. Talvez pelo fato de estarem acomodados no comando há tantos anos, tenham se descuidado e deixado nas mãos de Alberico Souza Cruz – o terceiro na hierarquia - o controle do jornalismo político naquele ano de tamanha importância histórica para o povo brasileiro.
Alberico, homerm de conchavos, vaselina e amigo dos políticos, bancou a campanha de Collor no domínio dos Marinho. Tanto no noticiário como nos programas especiais, tipo Globo Repórter, o alagoano ganhou espaços formidáveis e acabou virando “o caçador de marajás”. E, não há como negar, por influência decisiva da Globo.
Eleito, Collor tratou de recompensar os amigos que o ajudaram na caminhada até o Planalto. Alberico era um deles. Coincidência ou não, poucos meses depois da posse de Collor, Armando e Alice eram afastados. Ela demitida sumariamente. Ele, promovido a “aspone” da direção, na qual não ficou muito tempo.
Com a influência do presidente (isso não se prova, mas as evidências são inquestionáveis) , Alberico passou a ser o número um e tratou de montar sua equipe com jornalistas de sua confiança. Schroder era um deles. Subiu, por assim dizer, junto com o novo diretor.
Acontece que Collor durou pouco no poder. Em 1992, ele já estava defenestrado do Planalto. Com a queda de Collor, Alberico caiu em desgraça junto à família Marinho. E não demorou muito, foi demitido para dar lugar a  Evandro Carlos de Andrade, o poderoso diretor e redator-chefe de O Globo.
É aí que a história volta ao nosso personagem principal. Schroder, temendo algum tipo de retaliação aos funcionários de confiança do demitido Alberico, tratou de correr atrás de eventual prejuízo. E é nessa época, por volta dos anos 95/96 que ele foi visto penando nos corredores da Vila Guilherme, tentando uma oportunidade de emprego no SBT. Demorou horas para ser atendido por Luciano Calegari, o então diretor do Silvio Santos, do qual ouviu um não.
E nem poderia ser de outra forma, pois de chefe de jornalismo o SBT estava abarrotado, depois que Boris Casoy brigou com Marcos Wilson, o diretor de jornalismo de então, e resolveu criar sua própria equipe, com redação, jornalistas e conteúdo separados. Mas essa é uma outra história a ser contada no futuro.
Voltamos ao nosso Schroder, que, não conseguindo um lugarzinho no SBT, pegou sua ponte aérea de volta pro Rio. Não sofreu nenhum tipo de retaliação quando retornou ao ninho global, ao contrário, caiu nas graças de Evandro, que de televisão entendia pouco, e hoje é o Diretor-Geral da Rede Globo, função que vai ocupar pra valer a partir de janeiro.
Não sei não, mas algo me diz que há alguma coisa estranha nessa dança de cadeiras na Globo. É esperar pra ver.
PS. Um pouco de história não faz mal a ninguém, ajuda a preservar os fatos antes que caiam no esquecimento ou sejam contados de maneira inverídica.

29/9 - Dilma vai vencer a eleição

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Publicado em 29/09/2012

Dilma vai
vencer a eleição

Aliados do governo devem vencer eleições municipais em dois terços das cidades com mais de 150 mil eleitores.

Aliados de Dilma podem vencer em 65% das principais cidades, diz levantamento do PT



Partidos aliados ao governo da presidenta Dilma Rousseff caminham para vencer as eleições municipais deste ano em cerca de dois terços das cidades com mais de 150 mil eleitores, segundo levantamento feito pelo PT e obtido pela agência Rede Brasil Atual. Os números têm por base balanços atualizados de pesquisas públicas e internas.

Ao todo, há 119 municípios nessa faixa, mas em 21 deles não havia pesquisas recentes até o fechamento do relatório. Os candidatos de legendas aliadas ao Planalto despontam em primeiro lugar em 65% das demais 98 cidades – sendo 20 do PT, 15 do PMDB, 13 do PSB, 7 do PDT e 3 do PP, entre outros.

O PT também aparece bem posicionado em 15 das 83 cidades em que pode haver segundo turno (mais de 200 mil eleitores), incluindo oito capitais: Salvador, Fortaleza, João Pessoa, Porto Velho, Cuiabá, Rio Branco, São Paulo e Goiânia.

Nesse recorte, a disputa mais embolada ocorre em Porto Velho (RO). Pesquisa Ibope divulgada na quarta-feira (26) mostra Lindomar Garçon (PV) liderando com 29% das intenções de voto. Como a margem de erro é de 4 pontos percentuais, quatro candidatos aparecem tecnicamente empatados em segundo lugar: Mário Português (PPS) com 17%, Mauro Nazif (PSB) com 16%, Mariana Carvalho (PSDB) com 15% e Fatima Cleide (PT) com 12%.

Em Salvador (BA), segundo Ibope de ontem (27), a situação está mais bem definida: o petista Nelson Pelegrino tem 34%, seguido por ACM Neto (DEM), com 31%.

Na capital da Paraíba, João Pessoa, Luciano Cartaxo (PT) aparece em primeiro lugar com 29%, de acordo com Ibope do dia 21. Lutam pelo segundo posto Cícero Lucena (PSDB), com 20%; José Maranhão (PMDB), com 18%; e Estela Bezerra (PSB) com 14%.

Em Fortaleza (CE), há equilíbrio entre três candidatos, mas Elmano Freitas (PT) sobe nas intenções de voto e, segundo o Datafolha divulgado ontem (27), já está com 24%, ultrapassando Moroni Torgan (DEM), que tem 18% ficou atrás também de Roberto Claudio (PSB), com 19%.

Em Cuiabá (MT), as pesquisas mostram Mauro Mendes (PSB) liderando com 38%, tecnicamente empatado com Lúdio Cabral (PT) com 36%. Em Goiânia (GO), o candidato do PT, Paulo Garcia, tem 38% e é seguido de muito longe por Jovair Arantes (PTB), com 11,5%. Na soma de votos válidos, Garcia pode vencer no primeiro turno.

Na capital do Acre, Rio Branco, Marcos Alexandre (PT) lidera com 43%, à frente de Tião Bocalom (PSDB), que está com 39%. O movimento é de queda do tucano e de ascensão do petista.

Na capital de São Paulo, as pesquisas mostram Fernando Haddad (PT) brigando pelo segundo lugar com José Serra (PSDB), na casa dos 18%, enquanto Celso Russomano (PRB) lidera com índices que vão de 34% a 30%.

Além dessas oito capitais, os petistas também acreditam que podem virar o jogo em Belo Horizonte. O quadro atual, porém, mostra Márcio Lacerda (PSB) à frente de Patrus Ananias (PT) e em condições de vencer no primeiro turno, já que lá a disputa ficou polarizada entre os dois candidatos.

Disputas locais

Embora as pesquisas apontem o fortalecimento dos partidos que dão sustentação parlamentar ao governo Dilma, criando condições favoráveis para o projeto de reeleição em 2014, no plano local essas legendas muitas vezes atuam em campos opostos e travam disputas encarniçadas, tanto na política como nas concepções ideológicas e programáticas. É o que acontece hoje em municípios como Londrina (PR), Caxias do Sul (RS), São José do Rio Preto (SP), Belo Horizonte (MG), Santo André (SP), Cuiabá (MT), Recife (PE) e Fortaleza (CE), entre muitos outros.

O cenário embaralha a lógica tradicional da política e confunde a cabeça do eleitor. Em São Paulo, por exemplo, a campanha petista detectou que muitos eleitores potenciais do PT teriam migrado para Celso Russomanno, cujo partido, o PRB, está na base de apoio do governo federal.

Para a cientista política Maria Victoria Benevides, sem uma reforma política essas situações muitas vezes desconfortantes vão continuar. “Alianças muitas vezes espúrias, que não se dão em torno de propostas comuns ou ideologias, mas que são meras alianças eleitorais, muitas vezes exigem um preço elevado, exigem concessões”, disse. “Precisamos de uma reforma que exigisse mais autenticidade nas alianças, em torno de propostas políticas, ideológicas e programáticas”, disse a professora, que acrescentou: “Não sou contra alianças, mas contra a confusão que o atual sistema gera na cabeça do eleitor, e que faz ele acreditar que só existe política para politicagem, e não como um meio de organizar a sociedade”.

Maria Victoria Benevides defende uma reforma que faça valer de fato a fidelidade partidária, financiamento público de campanha, que mexa na questão do tempo de TV da propaganda eleitoral. “Grandes acordos são feitos para maximizar o tempo na TV”, constatou.

Embora afirme que todo o nosso sistema político “deva passar por uma revisão séria”, ela não crê que tal reforma passe no Congresso Nacional. Teria de ser feita com “amplo apoio popular e mobilização da sociedade civil”, disse. “Se depender só do Congresso, não acredito que saia. Já ouvi de políticos que aprovar uma reforma poderia ser um ‘suicídio político’”.

29/9 - Venha conhecer o Santayana

FONTE:http://www.conversaafiada.com.br


Publicado em 29/09/2012

Cátia Seabra,
venha conhecer o Santayana

O ansioso blogueiro, movido por conhecida generosidade, convida a jornalista a subir e compartilhar da inteligência e da memória do Santayana.


Na casa do ansioso blogueiro se realiza neste sábado um dos encontros de membros do Instituto de Mídia Alternativa Barão de Itararé com personalidades de diversas inclinações políticas e gostos culturais.

O convidado agora é o jornalista Mauro Santayana.

Os convites já foram expedidos.

Um deles, em especial, merece ser feito de público.

É o convite à jornalista Cátia Seabra.

Num dos encontros anteriores, suspeita-se que a notável repórter tenha ficada à minha porta, à espera de quem entrasse e saísse.

E, depois, na Folha (*), jornal da Província de S. Paulo, publicou inacreditável furo de reportagem que continha mais erros factuais do que vírgulas.

Tem feito frio em São Paulo.

O ansioso blogueiro, movido por conhecida generosidade, por isso, convida a jornalista a subir e compartilhar da inteligência e da memória do Santayana – e do calor que envolve a camaradagem dos sujos blogueiros.

Talvez Santayana trate com os jovens – nem todos – de um tema que voltou a perseguir: o nacionalismo.

Como o nacionalismo sai de Vargas, acompanha Tancredo e se reinterpreta com Lula e Dilma.

E hoje vale mais do que nunca.

Nessa trajetória, Santayana pode se ver inclinado a tratar de Fernando Henrique e seu fiel discípulo, o Padim Pade Cerra, o herói do Datafalha – ambos notórios entreguistas.

Quem sabe, Santayana, que trabalhou com Tancredo, confidencie o que Tancredo achava de Fernando Henrique valia.

Para Tancredo, Cerra valia menos ainda.

Seabra poderá se enriquecer com algumas análises que Santayana faz da atual safra de jornalistas, essa geração de “diplomados”.

Santayana, como se sabe, cursou até o segundo ano primário.

Portanto, Santayana é menos escolarizado do que Lula, que não tem diploma, como a citada repórter gosta de lembrar.

Sobre o que Santayana acha dos jornalistas de hoje, os jornalistas “de partido”, que perderam qualquer sentido de generosidade e o sentimento de dever com o cidadão.

Talvez Santayana não se lembre, mas é possível que um dos convidados se recorde da famosa frase de Tarso de Castro, que trabalhou na mesma Folha, no tempo do Santayana (e deste convidado da noite):

O problema do Otavinho é que ele queria ser filho dos Mesquita !

Qual será o problema dos que trabalham para o Otavinho – poderia outro blogueiro sujo perguntar ao Santayana, na frente da supra-citada repórter.

Seja bem vinda, jovem repórter.

Dispensa-se a confirmação.


Paulo Henrique Amorim


(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.


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Santayana: Demóstenes

e a honra na política

29/9 - Gilmar processa José de Abreu !!!

FONTE:http://www.conversaafiada.com.br


Publicado em 29/09/2012

Gilmar processa
José de Abreu !!!

Amigo do ator informa ao ansioso blogueiro que processo é por José de Abreu, no tuiter, chamar Gilmar Dantas de Gilmar Dantas (*).
Cadê o Gilmar, Bessinha ? Ele foi o Advogado Geral do Governo da Privataria !

A perseguição ao ator José de Abreu


Nassif,  Zé de Abreu, o ator, foi notificado judicialmente pelo “ministro supremo” Gilmar Mendes, por causa de um tuite seu de junho p.p.  relacionado com uma matéria da Carta Capital. É um absurdo esta perseguição à opinião, exatamente por aqueles que se arvoram como guardiões da liberdade de expressão e da Constituição.

O paradoxo é que isto acontece na mesma semana que o MPF arquiva denúncia sobre a acusação do “supremo ministro” e empresário do ensino, feita ao ex-presidente Lula. Ele, Gilmar Mendes, pode acusar sem provas quem quiser, sem ser importunado, enquanto críticas a ele não são permitidas. O judiciário brasileiro, com seus “ilustres” ministros, dá ao país um espetáculo bisonho jamais visto antes.

Eu não encontrei o tuíte de Zé de Abreu, mas talvez algum comentarista aqui tenha tempo de procurar e postá-lo.
Navalha
Amigo dileto de José de Abreu informa ao ansioso blogueiro que Gilmar Dantas (*) processa José de Abreu porque, no tuiter, chamou Gilmar Dantas de Gilmar Dantas (*).
Viva o Brasil !

Paulo Henrique Amorim

(*) Clique aqui para ver como eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele. E não é que o Noblat insiste em chamar Gilmar Mendes de Gilmar Dantas ? Aí, já não é ato falho: é perseguição, mesmo. Isso dá processo…”

Comentários

29/9 - Estado de exceção

FONTE:http://www.cartacapital.com.br

Colunistas

Luiz Gonzaga Belluzzo

Luiz Gonzaga Belluzzo é economista e professor, consultor editorial de CartaCapital.
tamanho da fonte minímo médio máximo

Política e mídia

22.09.2012 12:29

Estado de exceção


A lei promulgada pelo regime nazista em 1935 prescrevia que era “digno de punição qualquer crime definido como tal pelo ‘saudável sentimento’ popular’”. No Mein Kampf, Adolph Hitler proclamava que a finalidade do Estado é preservar e promover uma comunidade fundada na igualdade física e psíquica de seus membros.
Herbert Marcuse escreveu o ensaio O Estado e o Indivíduo no Nacional-Socialismo. Ele considerava a ordem liberal um grande avanço da humanidade. Sua emergência na história submeteu o exercício da soberania e do poder ao constrangimento da lei impessoal e abstrata. Mas Marcuse também procurou demonstrar que a ameaça do totalitarismo está sempre presente nos subterrâneos da sociedade moderna. Para ele, é permanente o risco de derrocada do Estado de Direito: os interesses de grupos privados, em competição desenfreada, tentam se apoderar diretamente do Estado, suprimindo a sua independência formal em relação à sociedade civil.
Foi o que aconteceu no regime nazista. O Estado foi apropriado pelo “movimento” racial e totalitário nascido nas entranhas da sociedade civil. Os tribunais passaram a decidir como supremos censores e sentinelas do “saudável sentimento popular”, definido a partir da legitimidade étnica dos cidadãos. A primeira vítima do populismo judiciário do nazismo foi o princípio da legalidade, com o esmaecimento das fronteiras entre o que é lícito e o que não é. Leio que circula nos meios judiciários a ideia de “flexibilizar” a tipificação da conduta criminosa. Vou dar um exemplo, talvez um tanto exagerado: se João de Tal arrotar na rua, corre o risco de ser enquadrado no crime de atentado violento ao pudor.
Trata-se da emergência, na esfera jurídico-política, da exceção permanente. Coloca-se em movimento a lógica do poder absoluto, aquele que não só corrompe, como corrompe absolutamente. Os cânones do Estado de Direito impõem aos titulares da prerrogativa de vigiar, julgar e punir o delicado sopesamento das relações entre a garantia dos direitos individuais, a publicidade dos atos praticados pela autoridade e a impessoalidade do procedimento persecutório. O consensus iuris é o reconhecimento dos cidadãos de que o direito, ou seja, o sistema de regras positivas emanadas dos poderes do Estado, legitimado pelo sufrágio universal, é o único critério aceitável para punir quem se aventura à violação da norma abstrata.
Já há muito tempo, não só no Brasil, mas também no resto do mundo, sucedem-se os episódios de constrangimento midiático das funções essenciais do Estado de Direito, para perseguir adversários, ajudar os amigos, quando não cuidar de legislar em causa própria. A exceção permanente inscrita nos métodos de justiçamento midiático é funesta para o Estado Democrático de Direito: transforma as autoridades em heróis vingadores, encarregados de limpar a cidade (ou o País), ainda que o preço seja deseducar os cidadãos e aumentar a sensação de insegurança da sociedade. Nessa cruzada militam os que fazem gravações clandestinas ou inventam provas e os jornalistas que, em nome de uma “boa causa”, tentam manipular a opinião pública.
Os apressadinhos não se cansam de dizer que o Judiciário é lento. Poderia e deveria, com mais recursos, pessoal e, sobretudo, com o aperfeiçoamento dos códigos de processo, tornar-se mais rápido. Mas, num sentido profundo, a lentidão é uma virtude do Judiciário. Melhor seria dizer que a instantaneidade dos tempos da web é estranha ao bom cumprimento da prestação jurisdicional. Não haverá julgamento justo sem o contraditório entre as partes, a exibição de provas, os depoimentos. A formação da convicção do juiz, qualquer estudante de Direito sabe, depende da argumentação das partes.
Invocar a virtude, a honestidade ou os bons propósitos para contestar a impessoalidade e o “formalismo” da lei é a maior corrupção praticada contra a vida democrática. Montesquieu dizia que há insanidade na substituição da força da lei pela presunção de virtude autoalegada.
O Judiciário era rápido e eficiente na União Soviética de Stalin ou na Alemanha de Hitler. Os processos terminavam sempre de forma previsível e o contraditório não passava de uma encenação. Tudo estava justificado pelas razões superiores do Reich de Mil Anos ou pelos imperativos da construção do socialismo.