domingo, 31 de março de 2013

31/3 - BOA NOITE COM O CORAL DE FLAUTAS

Coral de Flautas da ABRAF

31/3 - RONALDO - LIVREIRO de 28/3/13

RONALDO - LIVREIRO



Posted: 28 Mar 2013 10:09 PM PDT
Le Monde Diplomatique Brasil



No meio do caminho entre a América Latina e a Europa, o oeste da África se tornou um centro comercial do tráfico de cocaína. Em todo itinerário que percorre, o dinheiro do comércio de drogas permite comprar numerosos intermediários, especialmente políticos, e contribuiu para a desintegração dos Estados


por Anne Frintz



Em novembro de 2009, um Boeing 727 vindo da Venezuela pousava em Tarkint, localidade perto de Gao, no nordeste do Mali. Ele transportava entre 5 e 9 toneladas de cocaína, que nunca foram encontradas. Depois de descarregada, a aeronave falhou na decolagem e pegou fogo. O inquérito revelou que entre os envolvidos estavam uma família libanesa e um empresário mauritano que fizeram fortuna com o comércio de diamantes angolanos.

Como um aparelho dessa envergadura, além de outros mais modestos, e tamanhas quantidades de cocaína conseguem passar por uma região que, embora desértica, é povoada e administrada? De acordo com um analista político francês especialista em Sahel, que prefere manter o anonimato, estão envolvidos um ministro e altos dignitários do Exército e dos serviços de inteligência, próximos do ex-presidente Amadou Toumani Touré (conhecido como ATT), além de deputados do norte malinês. “Essa é a questão delicada. Ela toca o centro do poder”, declara nossa fonte. “Com o fim do regime de ATT, oficiais superiores do Exército do Mali e dos serviços de inteligência relacionados a esse tráfico ficaram totalmente deslegitimados. Essa é uma das razões pelas quais soldados e oficiais subalternos participaram do golpe de Estado de março de 2012. Os altos graduados possuíam um parque automobilístico que não poderiam pagar nem se desviassem todo o orçamento do Exército.”

“O tráfico traz benefícios substanciais: apoio nas eleições, compra de imóveis vinculada à lavagem de dinheiro... Várias personalidades políticas pactuavam com os traficantes. Se um militar fosse excessivamente zeloso e parasse um comboio, recebia um telefonema de um supervisor com a ordem de deixar passar. Foi o que aconteceu na fronteira com a Guiné, quando Ousmane Conté, filho do presidente desse país, foi parado por tráfico de narcóticos”, insiste o profissional, que viaja com frequência para a região do Sahel. “ATT fechou os olhos, deixou as coisas se deteriorarem. O regime malinês é um dos mais corruptos da África Ocidental.”



Grande fator de desestabilização

Simon Julien,1 pesquisador francês também especialista em Sahel, deu detalhes da competição, no norte do Mali, em 2012, entre populações com e sem acesso a renda. Financiando generosamente, com dinheiro das drogas, vários grupos de oposição aos tuaregues de Ifoghas, o regime tinha a esperança de sufocar as rebeliões tuaregues. Erro de cálculo. O influxo de armas da Líbia e de combatentes islâmicos precipitou a divisão do Mali. O peso do dinheiro das drogas na desestabilização de toda a sub-região não deve ser subestimado.

Em Lagos, capital da Nigéria, o primeiro laboratório de fabricação ilícita de anfetaminas e metanfetaminas foi desmantelado em junho de 2011. Em Cabo Verde, em outubro do mesmo ano, 1,5 tonelada de cocaína foi apreendida numa praia da ilha de Santiago. Em junho de 2010, 2 toneladas do pó branco foram descobertas num entreposto de pesca de camarão na Gâmbia. Em abril de 2011, em Cotonu, 202 quilos de heroína foram confiscados em um contêiner marítimo proveniente do Paquistão, aparentemente com destino à Nigéria. Embora a Cannabis, única planta ilegal produzida localmente, continue a ser a droga mais difundida, ela serve apenas ao consumo local. As drogas sintéticas, cocaína e heroína, visam a mercados mais distantes: Europa, Japão e até China.

Desde 2004, o oeste da África tem sido uma importante plataforma de tráfico, armazenamento e distribuição de cocaína. Ela fornece ao mercado europeu entre um oitavo e um quarto de seu consumo: 21 toneladas sobre 129 toneladas, em 2009, de acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, na sigla em inglês). Proximidade geográfica entre países produtores e destinatários finais, logística e mão de obra baratas, fragilidade da fiscalização e do aparelho repressivo e legislativo, corrupção endêmica e barata, impunidade generalizada: a sub-região oferece aos traficantes internacionais um leque de vantagens comparativas que desafia qualquer concorrência.

A meio caminho entre América do Sul e Europa, o novo “entreposto” recebe os produtos dos principais países que cultivam e fabricam cocaína no mundo: Colômbia, Peru e Bolívia. E abastece a Europa, segundo maior mercado consumidor mundial de cocaína, estimado em US$ 33 bilhões em 2012 – apenas 4 bilhões a menos do que o mercado mais polpudo, a América do Norte. A cocaína ganhou o posto de segunda droga mais consumida na Europa, logo após a maconha, com 4,1 milhões de usuários em 2008 – pouco menos de 1% dos europeus.

Esse próspero tráfico é considerado por muitas organizações internacionais, entre elas o UNODC e a Comissão Internacional de Controle de Narcóticos (INCB, na sigla em inglês), como um fator essencial de desestabilização da África Ocidental. A crise econômica e as políticas impostas pelo FMI e o Banco Mundial agravaram a ilegitimidade da maioria dos poderes. O dinheiro ali já comprava tudo antes mesmo que a sombra de uma tonelada de cocaína fosse avistada; mas a instalação de criminosos internacionais, trabalhando com somas consideráveis, só agravou a situação.

“A criminalidade transnacional organizada tem uma abordagem comercial: ela busca o menor risco. Os traficantes procuram as melhores rotas: aquelas onde seu jogo de influências – das ameaças de morte ao assassinato – e a corrupção lhes permitem circular livremente”, explica Pierre Lapaque, diretor do UNODC para o oeste da África. Comparável em termos de valor ao contrabando de petróleo e de armas, o tráfico de cocaína é um dos mais rentáveis. Em 2012, ele teve um grande peso na região: 900 milhões de euros de lucro, sendo 400 milhões lavados e gastos ali mesmo; isso para umas 30 toneladas de cocaína, de acordo com o UNODC em Dacar (Senegal). Em comparação, em 2012, o orçamento da Guiné-Bissau, importante ponto de passagem, não excedeu 177 milhões de euros.

A cocaína está entre os produtos que geram maior valor agregado: o quilo comprado por 2 mil a 3 mil euros nas áreas de produção vale 10 mil nas cidades do litoral do Atlântico, 12 mil nas capitais do Sahel, 18 mil a 20 mil nas cidades da África do Norte e entre 30 mil e 45 mil nas metrópoles europeias, de acordo com o especialista francês na região do Sahel já mencionado. E esses são preços do mercado atacadista, que se referem a um produto cujo grau de pureza vai diminuindo ao longo do circuito.



Golpe de Estado na Guiné-Bissau

Quais são as consequências da instalação, no norte do Mali, de grupos como o Movimento pela Unidade e a Jihad na África Ocidental (Mujao), a Al-Qaeda do Magreb Islâmico (AQMI) ou o Ansar Dine? A AQMI e o Mujao2 participam do tráfico: cobram pedágio dos comboios de cocaína que atravessam os territórios sob seu controle e, por uma taxa, garantem sua proteção.3 Enquanto a AQMI tira apenas uma pequena parte de suas receitas das drogas – o comércio de reféns lhes rende bem mais –, o caso do Mujao é outro. Mas, paradoxalmente, a divisão do país não facilitou os negócios. “Embora um Estado fraco seja uma vantagem para os traficantes, a desorganização completa do território torna-se perigosa”, argumenta nosso especialista em Sahel. “Sem um apoio de confiança dentro do Exército e da polícia, ou entre os políticos locais e nacionais, a segurança dos lotes de cocaína não está garantida. Mesmo que você tenha acordos com todos os grupos jihadistas e o MNLA [Movimento Nacional de Libertação do Azawad] no norte, ainda corre o risco de ser atacado.” É por isso que os traficantes decidiram se estabelecer no vizinho Níger: “Em Arlit e Agadez, redes se formam. Cada vez mais traficantes se deslocam do Mali e do Níger”, declarou o político nigeriano já citado.

Apesar de todos os seus sobressaltos, um país não afugentou os traficantes: Guiné-Bissau. Em 15º lugar na lista de Estados falidos, logo atrás da Nigéria, de acordo com o Failed States Index 2012[Índice de Estados falidos 2012], ela é um dos principais balcões de cocaína da África Ocidental. Em 2007, a Drug Enforcement Administration (DEA) norte-americana estimava que a cada noite, por via aérea, de 800 a 1.000 quilos de cocaína entravam em seu território. Instalações aeroportuárias e portuárias, e até ilhas, haviam sido arrendadas aos traficantes, com o conhecimento do governo local, que jogou a responsabilidade para o Exército.

“Em quase todos os casos ocorridos entre 2006 e 2007, nas apreensões de 1 ou 2 toneladas de cocaína, nenhum processo foi instaurado. E, mesmo quando foi, nenhuma condenação foi pronunciada”, relata um especialista francês em Guiné-Bissau. “Na Guiné-Bissau, o tráfico resulta de negociações entre o Exército e o poder civil. Os militares dizem: ‘Os civis que usam terno e gravata e dirigem poderosos 4 × 4 na cidade mamam no dinheiro do FMI e das instituições internacionais; para nós, sobra o tráfico de drogas!’.” Embora o dinheiro que o Exército ganha com o tráfico lhe permita uma autonomia em relação ao poder civil, as drogas são para ele um recurso entre outros: “Há também o controle de licenças de pesca, por exemplo, das grandes pirogas aos barcos de empresas internacionais. Entre a extorsão e a tributação”, avalia o pesquisador.

Após uma calmaria que vinha desde 2008, oficiais dos serviços de combate às drogas europeus observaram, no início de 2012, a chegada de muitas toneladas de cocaína, sempre com a cumplicidade dos militares, incluindo o chefe de Estado-Maior, Antonio Indjai, e o chefe da Aeronáutica, Ibrahima Papa Camara. Pistas de pouso no coração da Guiné-Bissau, às vezes até estradas, servem de aeroporto. “O Exército garante a logística e a proteção das aeronaves: pistas, querosene, armazéns etc. É a DHL!4 Ele não está envolvido na organização do tráfico de narcóticos nem em sua revenda: é apenas um prestador de serviços”, esclarece ainda nossa fonte especializada em Guiné-Bissau.

Para essas operações, os traficantes internacionais de cocaína – principalmente os sul-americanos – e os líderes civis e militares da Guiné-Bissau forjaram uma aliança de altíssimo nível. Carlos Gomes Júnior (“Cadogo”), ex-primeiro-ministro guineense preso durante o golpe de Estado de abril de 2012, era suspeito de dar cobertura ao tráfico, lucrando com isso. “As suspeitas sobre Gomes remontam a 2008, quando um navio desapareceu com a carga. Ele foi acusado de estar por trás do incidente. O caso foi arquivado”, recorda o analista. E o golpe? “Nem tudo está ligado às drogas”, filosofa Lapaque, “mas esse é um elemento que deve ser levado em conta. Qualquer coisa que entrave o bom funcionamento dos negócios é eliminada.”

Em 2011, Indjai neutralizou seu rival, o contra-almirante José Américo Bubo Na Tchuto, então chefe de Estado-Maior da Marinha, atribuindo-se a autoridade sobre os portos. Incluído na lista negra das pessoas consideradas pelos Estados Unidos como relacionadas ao tráfico internacional de drogas, Bubo foi depois libertado em favor do golpe em 2012, mas parece até o momento fora de cena. Estima-se que o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, próximo a Gomes Júnior, se uniu ao golpe de Estado no último minuto, sabendo que era melhor estar com os seus, os militares, um conglomerado de clãs que designam eles próprios o seu chefe.



Contrabando de petróleo na Nigéria

Incentivado pelos opositores de Cadogo e conduzido pela base do Exército, o golpe de abril de 2012 tem muitas outras causas que não o tráfico de cocaína: acusações de fraude eleitoral, tensões históricas entre as alas civil e militar do poder, reivindicações comunitárias dos balantas – grupo étnico majoritário no Exército – e demanda por mais reconhecimento da parte de Bissau, a capital autônoma. O medo da reforma do setor de segurança (RSS) que Gomes Júnior pretendia realizar teve um peso especial: era uma reforma que os militares não queriam, pois os levava à aposentadoria e até ao desemprego, com garantias mínimas (pensões irrisórias, propostas de reconversão pouco convincentes). Após o golpe, o tráfico de cocaína pareceu um pouco lento por conta da confusão reinante – tendência observada a cada transtorno sério. Mais uma razão para não atribuir o golpe de Estado guineense apenas ao tráfico de drogas.

Embora seja inegável que a cocaína tenha se tornado a nova renda de certas elites da África Ocidental – assim como a maconha representa uma cultura comercial alternativa para os camponeses do continente –, seu impacto sobre os conflitos de amplitude nacional deve ser relativizado. O dinheiro da cocaína os alimenta, mas não parece ser a questão principal. O controle do tráfico e dos territórios que ele atravessa certamente está no centro das rivalidades e dos ajustes de contas entre Indjai e Bubo na Guiné-Bissau, ou entre os tuaregues e outras populações no norte do Mali antes de 2012. No entanto, os militares e civis guineenses no poder, ou os islamitas armados que afluem para o Mali, bem como a nova equipe localizada em Bamako, utilizam-no sobretudo como ferramenta para a conquista de objetivos políticos.

Aliás, as malversações na cúpula dos Estados da África Ocidental não dizem respeito somente ao tráfico de cocaína. Apontada em razão de suas consequências sanitárias e de seu impacto nas sociedades europeias, a droga coloca muito oportunamente em segundo plano, por exemplo, a desestabilização provocada pelo contrabando de petróleo, mais socialmente aceitável, no leste da Nigéria, e permite que os Estados justifiquem políticas repressivas contra os traficantes de rua e viciados, enquanto manifesta uma total inércia em termos de desenvolvimento econômico e social.

Anne Frintz

Jornalista em Dacar (Senegal)



Ilustração: Samuel Casal

1 Simon Julien, “Le Sahel comme espace de transit des stupéfiants. Acteurs et conséquences politiques” [O Sahel como espaço de trânsito de narcóticos. Atores e implicações políticas], Hérodote, n.142, Paris, mar. 2011.
2 A participação do Ansar Dine não está provada.
3 Abdelkader Abderrahmane, “The Sahel: a crossroads between criminality and terrorism” [Sahel: no cruzamento entre a criminalidade e o terrorismo], Actuelle de l’IFRI (Instituto Francês de Relações Internacionais), 10 out. 2012.
4 Empresa especializada no transporte internacional de correspondências e mercadorias (a sigla é formada pelas iniciais dos sobrenomes dos fundadores, Adrian Dalsey, Larry Hillblom e Robert Lynn).
Posted: 28 Mar 2013 09:42 PM PDT
Outras Palavras
Mulheres árabes manifestam-se na abertura do FSM-2013. “É preciso deixar que a prática, e não a autoridade, determine a verdade”, diz Whitaker

Como Fórum Social Mundial, agora reunido na Tunísia, procura reinventar democracia, superando antigas “direções” e estimulando autonomia, horizontalidade e múltiplos protagonismos.
Por Chico Whitaker, entrevistado por Inês Castilho, editora da coluna Outra Política
Liberdade, união, igualdade, autonomia, possibilidade de errar. Com a experiência de quem ajudou a criar o Fórum Social Mundial – cuja 12ª edição termina neste sábado, 30, na Tunísia –, e uma visão que atravessa décadas de participação em movimentos políticos, o arquiteto e ativista Chico Whitaker fala sobre os valores que sustentam uma nova cultura política.
Novas formas de organização dos que querem mudar o mundo implicam ter redes funcionando, autonomia de todos os membros e um sistema decisório por livre consenso”, diz ele. “A rede é um processo, uma ligação horizontal entre as pessoas em que a comunicação se dá entre todos e a adesão a uma proposta se faz por convicção — não por hierarquia, disciplina ou ordem”, diz. “A novidade é exatamente a possibilidade de lançar convites no ar e ver quem vem.”
Para Chico, a cultura política que os Fóruns Sociais expressam é anterior a eles e está também presente em fenômenos de grande repercussão global, como a Primavera Árabe, e movimentos como os dos Indignados e o “Occupy”.
Ele atribui às antigas disputas por maiorias a responsabilidade pela divisão das organizações de esquerda. “A vontade da maioria é a forma mais democrática. Só que, quando esta decide, às vezes a minoria que perdeu é de 49%, e esses 49% criam outro partido. Como alternativa, adotamos a regra do consenso: o valor passa a ser a união, e não a vitória. Isso permitiu que o FSM continuasse funcionando. Não nos dividimos.”
Outra novidade dessa postura política é a possibilidade de errar – o que os psicanalistas talvez chamassem de aceitação da falta inerente ao humano. Noa Fóruns, isso se deu pela abertura à experimentação. “Não se pode autorizar só o que vai dar certo”, diz Chico. “Aceitar o erro é um salto qualitativo na postura da pessoa. Num quadro de luta pelo poder, ao aceitar que errou você ganha mais adeptos do que se tivesse afirmado a sua posição.” A esquerda viveu cem anos sob a égide do leninismo, com quadros disciplinados e estruturas verticalizadas – lembra Chico. O que estamos vivendo “são grandes mudanças.”
O novo diálogo é parte do estudo Política Cidadã, que o Instituto Ideafix produziu por encomenda do IDS (Instuto Democracia e Sustentabilidade) e que o site publica na seção especial “Outra Política“. A seguir, a entrevista – cuja edição não foi revisada pelo autor.
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Como você vê a participação política do brasileiro?
Passou por etapas, e isso significa reaprendizados. E também por muitos preconceitos, plantados pela propaganda. Como existe um certo interesse de que as pessoas não se metam em política, criou-se, subliminarmente, a ideia de que política é coisa em que a gente não deve se meter, que divide as famílias.
Essas ideias vão sendo vencidas pela própria ação da sociedade. Com o processo das Diretas Já, seguido da Constituinte, a ideia de que a política é parte do cotidiano foi ganhando espaço. Durante a ditadura, participar da política era arriscado, a moçada viveu quinze anos sem poder falar disso. Mas hoje, tudo que é relativo à busca coletiva de soluções está crescendo no Brasil.
Quais temas mobilizam a sociedade brasileira, a seu ver?
Um tema que está mobilizando atualmente é o da corrupção. Não que haja mais corrupção, pelo contrário, mas está aparecendo mais. A Polícia Federal está mais eficiente e há liberdade para falar das coisas – então a imprensa, que tem uma raivinha, aproveita. Além disso, são temas relacionados às metrópoles e condições de vida que oferecem. Por exemplo, aqui em São Paulo tem um problema de mobilidade urbana, de moradia, de gente obrigada a morar na rua.
Reforma agrária foi um grande tema. Dez anos atrás, 70% da população estava de acordo. Fernando Henrique perdeu a oportunidade. Então, o Lula entrou à toda, vou fazer, também não fez nada. O próprio MST diminuiu a sua capacidade organizativa, e o governo cooptou de dentro, de cima pra baixo, dividiu o MST com cesta de alimento, Bolsa Família etc. Resultado: o tema saiu do foco. O MST recoloca-o agora, em outros termos – pequena propriedade, segurança alimentar.
Uma questão que pode pegar é o problema da alimentação sadia. Agrotóxicos, comida com veneno. O filme do Silvio Tendler, O veneno está na mesa é uma campanha do MST e dos movimentos por soberania alimentar. As pessoas estão tomando consciência. Na Europa estão relacionando doenças novas, como Alzheimer, aos venenos da alimentação.
A sociedade está vendo também a desigualdade social. Estou voltando agora da China, é um problemão por lá. Uma pobreza no meio rural, e a riqueza, milionários no meio urbano. Eles ainda têm 50% da população rural. Nas pequenas cidades também se vive em condições muito ruins. E os ricos, os riquíssimos cada vez mais ricos.
A questão ambiental também é um problema que o pessoal sente. Hoje, não adianta falar em superar capitalismo, tem que superar o desmonte da Terra, ou da humanidade na Terra, através da problemática ambiental. Esses grandes desastres, maremotos, tsunamis, tudo isso vai acordando.
Um tema que ainda não pegou é a participação na gestão nos conselhos criados pela Constituição em 88 – Conselho da Criança e do Adolescente, conselhos tutelares, conselho de saúde, de idoso, de jovem. Esses conselhos são pessimamente utilizados pelo governo. Nas cidades pequenas, é tudo gente do prefeito e dos seus partidários. Podem ser instrumentos de participação da sociedade nas decisões, mas ainda não existe uma consciência disso.
As redes sociais têm um papel no processo de mobilização política?
A novidade na ação política é exatamente a possibilidade de lançar convites no ar e ver quem vem. A rede é um processo, uma ligação horizontal entre as pessoas em que a comunicação se dá entre todos e em que a adesão a uma proposta se faz por convicção, não por disciplina e ordem. Essa é a diferença.

As redes sociais abrem a possibilidade de jogar propostas e aceita quem se convence por elas. E como tem uma vontade latente de participar, se as propostas cabem no que as pessoas sentem, elas pegam. O que aconteceu no norte da África foi exemplar. Na Tunísia, havia um mal-estar tão grande em relação à ditadura, à corrupção etc, que quando um vendedeor de frutas se imolou, em 2011, foi a gota d’água – as redes sociais se manifestaram e meio mundo veio abaixo. Para manifestação de rua, demonstração coletiva de uma determinada vontade, acho um instrumento espetacular.
Como você vê as novas formas de ação política?
Estou muito engajado na proposta dos Fóruns Sociais Mundiais (FSMs), cujo eixo é uma nova cultura política. Tem uma espécie de slogan – “Outro mundo é possível” – e uma lógica de rede, de horizontalidade. Os fóruns são autogestionados, quem organiza atividade não é uma cúpula. As pessoas falam sobre o que querem, aproveitam o espaço de intercomunicação, horizontal, sem maiores e menores, e através disso podem aprender uns com os outros, avaliar suas próprias atividades, encontrar convergências e lançar novas ações, mais amplas, vencendo as barreiras que às vezes separam os próprios movimentos. O Fórum permite que eles se encontrem e descubram que podem trabalhar junto.
É uma perspectiva que está se realizando nessas manifestações atuais. No mundo árabe foi antiditadura, mas também mais democracia. Na Espanha, é muito nitidamente outra forma de fazer política – estão questionando os partidos, o governo. E nos Estados Unidos, o Occupy Wall Street é inacreditavelmente isso.
O que mais caracteriza a estrutura dos Fóruns Sociais?
Outro item essencial é que a sociedade civil é um ator político, não um simples joguete nas mãos de governos ou partidos. Um ator político autônomo em relação a uns e outros. E atua resistindo, protestando, reivindicando, controlando, fazendo. Falo das diversas organizações da sociedade civil: sindicatos, movimentos sociais, ONGs.
Outra questão diz respeito ao uso das redes sociais, à intercomunicação horizontal, liberdade de expressão e possibilidade de todos terem todas as informações e assumirem o que podem assumir.
Nessa perspectiva, os partidos e os sindicatos teriam que ser totalmente revistos. Os partidos continuam com cúpulas à margem das bases, sem sistemas horizontais. Um partido inteligente criaria mecanismos de intercomunicação horizontal entre seus membros, a mais ampla possível. E mecanismos decisórios também diferentes. No Fórum, temos instâncias organizativas, como o Conselho Internacional, mas não um órgão diretor, um board of directors – este dirige, e o Conselho Internacional simplesmente analisa, propõe e deixa que se faça. Por exemplo, quem organiza um Fórum Social no Egito? Os egípcios. As organizações sociais vão se encontrar, se organizar, distribuir tarefas e fazer. O conselho analisa as propostas que existem pra fazer fóruns e diz: ao que tudo indica, o melhor lugar pra fazer um agora é no Cairo. Mas não diz: vai ser no Cairo. Depende dos egípcios quererem.
Outra coisa: nós percebemos, ali pelas tantas, que não dava pra decidir por voto – a vontade da maioria, que é a forma mais democrática. Quando a maioria decide, às vezes a minoria que perdeu é de 49%, e esses 49%, insatisfeitos, criam outro partido. É típico da esquerda: na Índia, tem o Partido Comunista Chinês, o Partido Comunista Marxista Chinês, que é o maoista, o Partido Comunista Marxista Leninista Chinês, que é albanês. O drama da divisão entre a esquerda decorre do processo decisório. Por isso, adotamos a regra do consenso: há uma decisão a tomar, discute-se, argumenta-se. Se alguém diz que não está de acordo, um em 150 – evidentemente uma pessoa que representa outras –, então volta-se a discutir. Discute, discute, discute, e a uma certa altura, pergunta-se: “todo mundo está de acordo?”. Se ele disser: “não, mas topo que se tome essa decisão, não vou embora”, a decisão será tomada. O valor passa a ser a união e não a vitória. É um raciocínio tão diferente que nós mesmos, no começo, às vezes queríamos votar, porque é muito cansativo. Esse é um segredo que permitiu que o FSM funcionasse durante onze anos e continue funcionando. O valor da união. Não nos dividimos.
A experiência do Fórum Social é muito rica e explodiu mundo afora. Logo depois da Primavera Árabe, os tunisianos disseram: “começou assim, mas depois nós, os filhos do Fórum, entramos nisso com força, com outras metodologias, outros valores.” É o que acontece, por exemplo, em Madri: os Indignados não querem chefia, não querem porta-voz. O Fórum não tem porta-voz. Quando vou fazer as minhas palestras por aí, conto o que sei, não represento ninguém, nem o Fórum propriamente dito.
Novas formas de organização política implicariam em ter redes, funcionando como redes, porque grande parte das redes tem um comando, um gancho – se o gancho cai, a rede se desfaz. O segredo é ter autonomia de todos os membros e um sistema decisório por livre consenso. E criar plenárias, sistemas de discussão em que se possa usar a internet. É impressionante a possibilidade que tem a internet de fazer coisas, e ninguém mandar em ninguém.
Descentralização é um valor?
Descentralização com corresponsabilidade. É preciso abrir espaço para a capacidade de iniciativa e para a experimentação – não se pode autorizar só o que vai dar certo. No Fórum, temos o princípio de atividades autogestionadas. Qualquer participante pode inscrever uma atividade: se aparecem só dois gatos pingados, é porque a proposta era furada. Mas se aparecem cem, ali tem um assunto que pegou. É deixar que a prática, e não a autoridade, determine a verdade. Esse é o pulo do gato, uma mudança essencial.
Outro aspecto: formação das pessoas. É uma coisa que o MST faz esplendidamente, só que baseada exclusivamente em autores marxistas – e não é por aí. Deve ser formação com base na prática, interformação. É uma coisa que o PT abandonou. No início, havia os núcleos do partido, em que o pessoal estudava, mas de repente começou a luta interna pra tomar conta dos núcleos. Então a direção se destaca da massa, que passa a ser manobrada.
Apesar de excessivamente marxistas, os quadros do MST são bem formados. Em Taiwan, onde estive recentemente, encontrei dois jovens que o MST mandou para conhecer a experiência de agricultura familiar, agricultura orgânica etc, pensando já em ir à China depois. Eram dois rapazinhos de extrato popular, extremamente bem formados, que sabiam articular as coisas, falar, se apresentar. Isso é impressionante, bonito de ver.
Como vê as novas gerações vivendo nesse planeta tão pequeno?
Não vejo maiores problemas, se formos capazes de evitar as tendências perversas, antinatureza e antifilecidade humana. Fiquei muito impressionado com a China – um bilhão e quinhentas mil pessoas entrando no esquema do consumismo, portanto carbono, carros, tudo. E apenas laivos de luta contra isso.
Quando passo por um porto no Rio de Janeiro e vejo a quantidade de coisas sendo exportadas e importadas, penso que é preocupante o consumismo e a falta de consciência de que é um instrumento da máquina capitalista, de produção de lucro, e que pode acabar com os recursos naturais. Grande parte dos nossos governantes, Itamaraty à frente, pensando o Brasil como grande potência, tendo o crescimento econômico como grande valor… é preocupante.
Daí a importância de novos partidos, que venham com outras propostas. O Lula dizia: “o cara passou a vida inteira gramando, agora que ele tem possibilidade de comprar um carrozinho vocês vão tirar?” Não pode, é real.
Como é que se enfrenta isso?
Tem que enfrentar com um processo educativo amplo, que use os meios de comunicação. Questionando a publicidade, por criar valores do “ter sempre mais”. A China é toda voltada pra ganhar dinheiro, essa é a perspectiva de vida. Ao mesmo tempo, o que se vê na África é uma tragédia humana. E o que vai a China fazer na África? Comprar terra e botar gente pra produzir, pra eles se alimentarem, porque não têm terra nem água suficientes. São desequilíbrios que não são tratados pelo G20, nem pelas Nações Unidas, e que podem ser desastrosos pro planeta. Estamos numa luta contra o tempo, o relógio. Até que ponto a consciência disso tudo vai penetrar, por exemplo, na China?
Podemos ter esperanças?


Sim, por outro lado, tem coisas bacanas acontecendo. Por exemplo, os criativos culturais. Uma pesquisa feita nos Estados Unidos uns anos atrás descobriu que 17% dos norte-americanos já vivem de modos diferentes do tradicional, opõem-se ao consumismo, a usar carro pra tudo, querem ser mais do que ter, vivem a solidariedade internacional. São pequenas ilhas naquele imenso país, mas somam cerca de 50 milhões de pessoas.
Fizeram essa pesquisa na Europa, e na França o resultado revelou que 25%, de franceses vivem fora do esquemão consumista. No Japão também, uma porcentagem grande. Aqui no Brasil, há um monte de criativos culturais – gente que não se preocupa com a aparência, com os valores típicos da sociedade capitalista burguesa, e busca outro estilo de vida. O fenômeno denominado criativos culturais está realmente emergindo, e isso precisaria se tornar conhecido. Um partido novo deveria tomar como tarefa da formação de seus militantes divulgar esse fato, e tentar se vincular a esse povo.
São redes, as mais diversas. Por exemplo: há experiências espetaculares, no Brasil e no mundo, sobre o dinheiro. Moeda social. Na Alemanha elas se multiplicam – pouca gente sabe disso. No Brasil, o Paul Singer deu um grande apoio – tem Che, tem Capivara, dezenas de moedas sociais. O mundo das trocas começou há vinte anos em São Paulo e se espalhou pelo Brasil. Isso é novidade: uma outra forma de encarar o dinheiro. E põe o dedo no problema do sistema. Existe na França toda uma mobilização em torno de novas formas de considerar a riqueza – o que é riqueza? Questionamento do PIB, com o FIB, a Felicidade Interna Bruta lá do Butão. Essas coisas estão circulando, o problema é que não são conhecidas. A mídia não informa.
Como vê o papel da mídia?
A mídia funciona na base da publicidade, não da informação. Publica informação sobre aquilo que dá anunciante – e pra isso fica no mais baixo padrão. Precisava de um partido que tivesse sua própria mídia, que usasse a mídia de forma diferente.
E o papel dos partidos, hoje?
Os partidos têm um papel muito importante, por isso é saudável a criação de novos partidos, com outra perspectiva. Assim como a empresa tem o lucro no seu DNA – a empresa que não queira ter lucro morre, não tem jeito –, partido que não lute pelo poder morre, como partido. Mas é possível ter um partido de outra natureza – horizontal, que não lute pelo poder. Que seja pluripartidário, com uma espécie de dupla filiação – gente de diferentes partidos e que também participe de uma rede partidária, como acontece na prática.
Um partido em cujo DNA não estaria a tomada do poder?
Sim, como o PT era, no início – virou eleitoreiro depois. Um partido de formação, de conscientização. E quem entra nesse partido? Gente de outros partidos que, neles, luta pra ser eleita. Essa seria uma novidade: uma dupla filiação partidária. A Constituiçao obriga a ter filiação partidária pra poder ser candidato, mas isso pode mudar, com candidatos avulsos. Existe na França. Não é um louco que aparece sozinho e se propõe, mas se 300 cidadãos disserem: apoiamos esse cara para o cargo de vereador, ele pode se apresentar e ser eleito.
Mas até mudar a Constituição para ter candidato avulso vai demorar, porque eles têm medo. Medo da verdade, medo de perder o poder. Têm de ter sempre razão, não podem errar, aceitar o erro. Aceitar o erro! É um salto qualitativo na postura da pessoa. Errei, não sabia, calculei mal, me comportei mal. Quando você toma uma atitude desse tipo, acende a luzinha para um monte de gente. “É possível não lutar somente pela própria afirmação?” Já vivi muita experiência desse tipo: num quadro que é de luta pelo poder, ao aceitar que errou você reúne mais adeptos do que se tivesse afirmado a sua posição. Falei disso numa palestra em Taiwan e um professor que estava moderando a conferência falou que é Taoísmo – vou ter que estudar o que é isso! O poder do não poder. Quem fazia muito esse jogo era o Vaclav Havel (1936-2011), poeta, dramaturgo, que separou a Tchecoslováquia da Eslováquia. Quer dizer, tem poder quem tem autoridade moral, e não quem luta pelo poder. Essa autoridade moral é mais consistente e atraente, principalmente para o jovem. O mesmo tipo de filosofia de Gandhi, uma forma de não violência. Um modo novo de atuação política. Vivemos cem anos de esquerda sob a égide do leninismo, com quadros disciplinados, estruturas verticalizadas. Então, essa é a mudança.

Posted: 28 Mar 2013 09:17 PM PDT


Blog do Emir Sader

A direita esgotou suas distintas modalidades de governo – ditadura militar, governos neoliberais – entre 1964 e 2002, ficou esvaziada de alternativas e tem que ver, passivamente, governos pós-neoliberais derrotá-la – de 2002 a 2010, muito provavelmente 2014, completando, pelo menos, 16 anos fora do governo.

Por que isso acontece? Em primeiro lugar, porque se equivoca nos diagnósticos dos problemas brasileiros e coloca em prática soluções equivocadas, sem capacidade de fazer autocritica e emendar seus caminhos.

Prévio ao golpe de 1964, o diagnóstico se voltava contra “a subversão”, acusando complôs internacionais que buscaria implantar no Brasil “o comunismo”. O Estadão, por exemplo, chamava, nos seus vetustos editoriais, o moderado governo Jango de governo “petebo-castro-comunista”.

Daí que o centro do regime militar foi a repressão, para extirpar todos os vírus da subversão, limpando o organismo brasileiro dos elementos infiltrados. Nasceu de um golpe apoiado consensualmente pelo bloco dominante – grande empresariado, imprensa, Igreja católica, governo dos EUA, FFAA.

Passada a euforia inicial, o regime se estabilizou apoiado sempre na repressão, mas também numa política econômica, em que o santo do “milagre” foi o arrocho salarial, que permitiu o crescimento exponencial da exploração dos trabalhadores e dos lucros das grandes empresas nacionais e estrangeiras.

A retomada do crescimento econômico se baseou num modelo com um marco classista evidente: se baseava no consumo das esferas altas do mercado e na exportação, relegando a grande massa da população, afetada pelo arrocho salarial. Foi uma lua de mel idílica para o grande capital, que recebia todo o apoio governamental e não encontrava resistência nos sindicatos – todos sob intervenção militar.

Foi um sucesso que, assentado também nos empréstimos externos – especialmente quando o capitalismo internacional passou do seu ciclo longo expansivo do segundo pós-guerra a seu ciclo longo recessivo, iniciado em 1973 –, o que fez com que o modelo se esgotasse com a crise da divida – na virada dos anos 1970 à década seguinte.

Passou-se a apostar na democracia como a solução de tantos problemas acumulados no Brasil. O bloco dominante fez uma tortuosa transição da passagem do apoio à ditadura para a democracia, ajudado pela fundação do PFL e pela aliança, pela derrota da campanha das diretas e pela eleição do novo presidente pelo Colégio Eleitoral, que consagrou a aliança entre o velho e o novo – este na sua modalidade mais moderada, com Tancredo Neves.

O governo Sarney funcionou como transição entre a temática ditadura/democracia para a temática Estado/mercado. A democratização reduziu-se ao restabelecimento formal dos direitos políticos, sem democratizar nenhuma outra estrutura da sociedade: nem as grandes corporações privadas, nem os bancos, a terra, a mídia.

Com Collor introduziu-se no Brasil o diagnóstico neoliberal: a economia não voltava a crescer por excesso de regulamentação. E, no seu bojo, vieram as privatizações, o Estado mínimo, a precarização laboral, a abertura do mercado. A queda do Collor deixou essas bandeiras disponíveis, que encontraram em FHC sua reformulação – naquela que passou, até hoje, a ser o diagnóstico da direita sobre os problemas do Brasil, resumidos num tema: o Estado não é a solução, mas o problema – como enunciado por Ronald Reagan há já mais de 30 anos.

Lula veio para desmontar esses diagnósticos. O Estado mínimo favoreceu a centralidade do mercado e, com ela, a exclusão social e a concentração de renda, pela falta de proteção que politicas sociais levadas a cabo pelo Estado poderiam levar adiante.

O sucesso dos governos Lula e Dilma deixa desarmados e desconcertados os próceres – partidários e midiáticos – da direita. A crise do capitalismo iniciada em 2008 e que segue sem hora para acabar, gerou um novo consenso na necessidade de intervenção anticíclica do Estado. A capacidade de resistência dos governos progressistas da América Latina pela prioridade das politicas sociais, dos processos de integração regional e dos intercâmbios Sul-Sul, e pela recuperação do Estado como indutor do crescimento econômico e garantia das dos direitos sociais da maioria – terminou de desarvorar a direita e deixá-la sem plataforma e sem alternativas.

Os candidatos que buscam uma brecha para se projetar – sejam Serra, Heloisa Helena, Alckmin, Marina, Plínio, Aécio, Eduardo Campos – se situam à direita do governo. Não conseguem reconhecer o extraordinário processo de democratização social que o pais vive há mais de 10 anos. Ou tentam aparecer como seus continuadores – como na primeira parte da campanha do Serra em 2010 –, ou desconhecem o novo panorama social brasileiro e atacam o Estado – de forma direta, como o Alckmin em 2006, ou de forma indireta, com a centralidade do combate à corrupção, outra forma do diagnostico de que o problema do Brasil é o Estado ou ainda na temática ecológica com a visão de que a “sociedade civil” é alternativa ao Estado, como a Marina.

Assim, a direita perdeu em 2002, 2006, 2010, e tem todas as possibilidades de seguir perdendo em 2014 e depois também. Porque não entende o Brasil contemporâneo, seu diagnóstico ainda é o neoliberal.

Posted: 28 Mar 2013 01:34 PM PDT
Blog das Frases


Uma dia de estupefação e revolta no circuito formado pelos professores banqueiros, os consultores e a mídia que os vocaliza.

Na reunião dos Brics, na África do Sul, nesta 4ª feira, a presidenta Dilma afirmou que não elevará a ração dos juros reivindicada pelos batalhões rentistas, a pretexto de combater a inflação.

A reação instantânea das sirenes evidencia a cepa de origem a unir o conjunto à afinada ciranda de interesses que arrasta US$ 600 trilhões em derivativos pelo planeta.

Equivale a dez voltas seguidas no PIB da Terra.

Trinta e cinco vezes o movimento das bolsas mundiais.

Os anéis soturnos desse garrote reúnem – e exercem – um poder de extorsão planetária, capaz de paralisar governos e asfixiar nações.

Gente que prefere blindar automóveis a investir em infraestrutura. O Brasil tem a maior frota de carros blindados do mundo.

E uns R$ 500 bi estocados em fundos de curto prazo; fora o saldo em paraísos fiscais.

Carros blindados, dinheiro parado, paraísos fiscais e urgências de investimento formam a determinação mais geral da luta política em nosso tempo.

Em Chipre, como lembra o correspondente de Carta Maior em Londres, Marcelo Justo, o capital a juros compunha uma bocarra equivalente a 67 bilhões de euros, uns US$ 90 bilhões de dólares.

Três vezes o PIB. De um país com população menor que a de Campinas.

A fome pantagruélica desse organismo requeria rações diárias indisponíveis no ambiente retraído da crise mundial.

A gula que quebrou Chipre é a mesma que já havia quebrado a Espanha, Portugal, Irlanda, Islândia e alquebrado o mercado financeiro dos EUA.

A falência cipriota assusta o mundo do dinheiro não por suas dimensões.

Mas porque ressoa o uivo cavernoso de uma bancarrota, só anestesiada a um custo insustentável na UTI mundial das finanças desreguladas.

No Brasil o mesmo uivo assume o idioma eleitoral ao gosto do dinheiro graúdo: ‘dá para fazer mais’.

O governo Dilma acha que sim.

Mas com a expansão do investimento produtivo. Não com arrocho e choque de juros.

O país ampliado por 12 anos de políticas progressistas na esfera da renda e do combate à pobreza, não cabe mais na infraestrutura concebida para 30% de sua gente.

A desproporção terá que ser ajustada em algum momento.

Como o foi, com viés progressista e investimento pesado, durante o ciclo Vargas.

Sobretudo no segundo Getúlio, nos anos 50.

Mas também o foi em 64.

Em versão regressiva feita de arrocho e repressão contra as reformas de base de Jango, no golpe que completa 49 anos neste 31 de março.

O que se assiste hoje guarda uma diferença política importante em relação ao passado.

Nos episódios anteriores, o conflito de classe entre as concepções antagônicas de desenvolvimento seria camuflado pela vulnerabilidade externa da economia.

Um Brasil estrangulado pelo desencontro entre a anemia das exportações e o financiamento das importações colidia precocemente com o seu teto de crescimento.

O gargalo do investimento se realimentava no funil das contas externas. E vice versa.

Era um prato cheio para o monetarismo posar de arauto dos interesses da Nação. E golpeá-la, com as ferramentas recessivas destinadas a congelar o baile.

'Quem está fora não entra; quem está dentro não sai'.

Durante séculos, essa foi a regra do clube capitalista brasileiro.

Hoje, embora a pauta exportadora se ressinta de temerária concentração em commodities, não vem daí o principal obstáculo ao investimento.

O país dispõe de reservas recordes (US$ 370 bi). Tem crédito farto no mercado internacional. O relógio econômico intertemporal é favorável ao financiamento de um ciclo pesado de investimentos em infraestrutura.

Quem, afinal, veria risco em financiar a sétima economia do planeta, que, em menos de uma década, estará refinando a pleno vapor as maiores descobertas de petróleo do século 21?

O desencontro entre o Brasil que somos e aquele que podemos ser deslocou-se do gargalo externo, dos anos 50/60/80 para o conflito aberto entre os interesses da maioria da sociedade e os dos detentores do capital a juro.

Assim como em Chipre, na Espanha, nos EUA ou em Paris, o rentismo aqui prefere repousar num colchão de juros reais generosos, blindado por esférico monetarismo ortodoxo.

Migrar para a esfera do investimento produtivo, sobretudo de longo prazo, como requer o país agora, não integra o seu repertório de escolhas espontâneas.

É essa prerrogativa estéril que os professores banqueiros do PSDB cobram pela boca e pelo teclado do jornalismo econômico, escandalizado com a assertiva defesa do desenvolvimento feita pela presidenta Dilma.

Presidenciáveis risonhos que se oferecem untados em molhos palatáveis às papilas monetaristas e plutocráticas vão aderir ao jogral.

“Esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença está datado; é uma política superada", fuzilou Dilma.

Previsível, o dispositivo midiático tentou desqualificar o revés como se fora uma demonstração de ‘negligência com a inflação’.

Um governo que trouxe 50 milhões de pessoas para o mercado de consumo minimizaria a vigilância sobre a inflação?

Seria o mesmo que sacar contra o seu maior patrimônio político.

O governo Dilma optou por abortar as pressões de preços de curto prazo com desonerações. E enfrentar o desequilíbrio estrutural com um robusto ciclo de investimentos.

São lógicas dissociadas da receita rentista.

Aqui e alhures, a obsessão mórbida pela liquidez descolou-se da esfera patrimonial para a dos rendimentos financeiros. Não importa a que custo social ou político.

Sua característica fundamental é a preferência parasitária pelo acúmulo de direitos sobre a riqueza, sem o ônus do investimento físico na economia.

A maximização de ganhos se faz à base da velocidade e da mobilidade dos capitais, sendo incompatível com o empenho fixo em projetos de longa maturação em ferrovias, hidrelétricas ou portos.

Durante a década de 90, as mesmas vozes que hoje disparam contra o que classificam como ‘intervencionismo da Dilma’, colocaram o Estado brasileiro a serviço dessa engrenagem.

A ração dos juros oferecida no altar da rendição nacional chegou a 45%, em 1999.

Um jornalismo rudimentar no conteúdo, ressalvadas as exceções de praxe, mas prestativo na abordagem, impermeabilizou essa receita de Estado mínimo com uma camada de verniz naval de legitimidade incontrastável.

A supremacia dos acionistas e dos dividendos sobre o investimento –e a sociedade-- tornou-se a regra de ouro do noticiário econômico.

Ainda é.

A crise mundial instaurou a hora da verdade nessa endogamia entre o circuito do dinheiro e o da notícia.

Trata-se de uma crise dos próprios fundamentos daquilo que o conservadorismo entende como sendo ‘os interesses dos mercados’. Que a mídia equipara aos de toda a sociedade.

Dilma, de forma elegante, classificou essa ilação como uma fraude datada e vencida. De um mundo que trincou e aderna, desde setembro de 2008.

A pátria rentista uiva, range e ruge diante de tamanha indiscrição.

Posted: 28 Mar 2013 01:24 PM PDT
Democracia & Política


[OBS deste 'democracia&política': Para melhor compreendermos a razão da manipulação e distorção das palavras da Presidenta Dilma, devemos lembrar que os grandes bancos e especuladores estrangeiros e nacionais (eufemicamente autodenominados "O mercado") querem assustar com a inflação para obterem a elevação da taxas de juros e, assim, ganharem ainda mais. Como a mídia e a oposição demotucana no Brasil sempre foram instrumentos desses interessados, houve a distorção e o "escândalo" que "abalou o mercado"...] 

“A resposta da presidenta Dilma Rousseff sobre o tema inflação, na entrevista concedida ontem, quarta-feira (27), em Durban, na África do Sul, durante a V Cúpula dos BRICS, tem mais de 4.200 caracteres e vai muito além do que foi divulgado [distorcido] pelos noticiosos. Antes das considerações que tiveram maior destaque na imprensa, a presidenta avaliou o cenário econômico, discorreu sobre commodities, produtividade do trabalho, redução de custo de produção (trabalho, energia, tributos) etc.

ENTREVISTA COLETIVA CONCEDIDA PELA PRESIDENTA DA REPÚBLICA, DILMA ROUSSEFF, APÓS DECLARAÇÃO À IMPRENSA - DURBAN/ÁFRICA DO SUL

Durban-África do Sul, 27 de março de 2013


 Presidenta: Mas esse método está ruim, não é? Chamado o “método manual”. Acho que vai ficar aí mesmo, está bom.

Jornalista: (inaudível)

Presidenta: Olha, eu vejo essas duas principais realizações como uma realização do Brasil, porque em Los Cabos nós tivemos uma atuação, no sentido de afirmar a importância tanto do Banco de Desenvolvimento do BRICS como esse “Acordo Contingente de Reserva”. Fazem parte de uma visão de aprofundamento do que são os BRICS. Os BRICS têm de ser um organismo de cooperação multilateral entre nossos cinco países que dê condições e dê suporte, apoio, para que as nossas economias se expandam.

Qual é o grande desafio das economias dos BRICS? É justamente ampliar seu investimento na área de infraestrutura, aí entendido no sentido amplo da palavra, abrangendo não só a logística, que é rodovia, ferrovia, portos, aeroportos etc., mas também energia, tanto energia elétrica quanto petróleo e gás, quanto também o suporte para essa extração de petróleo de gás, estaleiros etc., quanto também interconexão em banda larga.

Essa preocupação, em relação aos países em desenvolvimento, no caso nosso, de emergentes, é fundamental, porque os países desenvolvidos acumularam, ao longo de anos e, alguns deles, de séculos, um estoque de capital que está expresso numa determinada qualidade das rodovias, das ferrovias, está expresso numa quantidade de capital fixo acumulado. Para nós, é absolutamente indispensável, para que nós mantenhamos uma taxa de investimento elevada, esse investimento em infraestrutura, e também para o bem-estar da nossa população.

Então, vejam vocês, todos os países BRICS almejam, têm uma ambição, a do Brasil é se transformar numa nação de classe média. Ora, gente, uma nação de classe média, ela só vai existir se nós conseguirmos um padrão de crescimento e de renda per capita compatível com essa questão. O Brasil, é claro, tem diversidade menor, não é um país de um bilhão de habitantes, nós temos 200 milhões de habitantes, mas estamos entre a 6ª economia, a 7ª a 5ª, estamos por ali. Então, somos um país que tem de fazer esse esforço. O que o Banco dos BRICS é? O Banco de Desenvolvimento dos BRICS é mais um elemento nessa relação, é mais um elemento para expandir a nossa capacidade de ter recursos.

De outro lado, eu acho importantíssimo o “Acordo de Contingente de Reservas” porque nós estamos vendo, no mundo, grande volatilidade, grande flutuação. Nós vimos a crise do “Lehman Brothers” em 2008, nós vimos, recentemente, problema em Chipre, vimos tudo que ocorreu no ano passado com os países europeus.

Tem uma característica dos BRICS, e ela está expressa nessa crise, é que nenhum país BRICS sofreu nenhuma crise, nem bancária, nem financeira. Então, o acordo contingente de reservas de 100 bilhões é muito significativo, porque ele é mais uma contribuição para essa estabilidade das moedas dos cinco países BRICS. Então, essas duas questões, eu acho, são as mais relevantes em termos de medidas. Mas tem algumas iniciativas fantásticas. Eu acho que o “Fórum Empresarial dos BRICS”, eu não sei se vocês tiveram permissão para entrar... É uma pena, porque foi muito interessante. Talvez porque o espaço não era muito grande e estava bem cheio. Mas ele é muito importante porque ele coloca em contato empreendedores de vários continentes e de economias muito pujantes. Então, eu também acredito muito nessa questão do Fórum dos empreendedores, acho que um dos fatores que vai impulsionar o desenvolvimento dos países BRICS é o setor privado. Então, um passo importante é dado quando você articula o setor privado. E o Fórum acadêmico também. Nós estamos muito satisfeitos e vamos pegar essa oportunidade. A segunda reunião dos BRICS vai ser em território brasileiro no ano que vem, entre março e abril do ano que vem. É a segunda reunião dos BRICS, da Cúpula dos BRICS, porque já teve uma no Brasil.

Jornalista: Já tem a cidade?

Presidenta: Não, ainda não tem a cidade. Vamos anunciar, temos um prazo para anunciar.

Jornalista: Presidente, muita gente está preocupada porque diz que há pressões inflacionárias no Brasil e que isso deveria fazer...

Presidenta: Vocês vão fazer perguntas dos BRICS ou do Brasil?

Jornalista: É sobre os BRICS, é porque a senhora está falando muito da questão do crescimento, da importância que os países têm de manter o crescimento. Mas, ao mesmo tempo, o Brasil, que é um dos principais dos países dos BRICS, está se falando muito da necessidade de medidas que reduziriam o emprego, que estaria fazendo pressão inflacionária. O que a senhora acha desse tipo de.medida ?

Presidenta: Eu, geralmente, nas questões específicas sobre inflação eu deixo para ser falada pelo ministro da Fazenda, mas eu vou te adiantar algumas questões. Eu não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico, até porque nós temos uma contraprova dada pela realidade. Nós tivemos um baixo crescimento no ano passado e houve um aumento da inflação porque teve um choque de oferta devido à crise. Um dos fatores era externo. Não tem nada que nós possamos fazer internamente, a não ser expandir a nossa produção, para conter o aumento dos preços das commodities derivado da quebra de safra nos Estados Unidos. Então,... você não escutou isso vindo do governo, nós não achamos que há essa relação desse problema inflacionário que o Brasil teve com esse aumento do pleno emprego. Você vai resolver [a inflação] não é reduzindo o crescimento, [reduzindo] o pleno emprego... O Brasil também tem as suas dificuldades, nós temos uma demanda grande por emprego mais especializado, de maior qualidade, e temos uma sobra de emprego não especializado.

Então, o que nós estamos fazendo, nós estamos fazendo junto com o setor privado, um grande programa de formação profissional. O que vai baixar o custo do trabalho, primeiro, vai ser o aumento da produtividade através da ampliação da capacitação profissional, com o PRONATEC,  com 8 milhões de vagas. Segundo, nós estamos utilizando um método que eu acho que é muito importante, porque todo mundo defendia a redução de impostos no Brasil, todo mundo defendia. Nós estamos desonerando a folha de pagamento, justamente para quê? Para diminuir a pressão sobre o custo do trabalho.

A desoneração da folha de pagamento, vocês devem se lembrar, começou com pouquinhos setores que aderiram. Hoje, todos os setores querem aderir, ou a grande maioria dos setores. Nós já temos em torno de 42, e vai para 44, e já estamos preparando, num determinado horizonte, porque a gente só pode desonerar, pela “Lei de Responsabilidade Fiscal”, quando você tem os recursos para isso. Então, já previmos desoneração para 2015.

Então, tem vários fatores. A redução do custo de energia, ela não foi feita só por uma questão de redução das pressões inflacionárias, foi feita, sobretudo, por uma questão de justiça, por quê? Nós somos um país com grande capacidade hídrica, com uma característica: nós temos velhas senhoras, velhas senhoras que são as grandes usinas hidrelétricas e seus reservatórios. Essas velhas senhoras, elas são velhas. O que significa que elas podem ser velhas? Elas, às vezes, duram mais de 100 anos; nós não sabemos quanto dura uma hidrelétrica, e você consegue pagá-la bem antes do tempo do envelhecimento delas. Elas ainda estão com seus 50 anos, ou seus 25, ou seus 30 anos, e já foram pagas. Então, elas vão durar bastante.

Por que pode reduzir o preço da energia no Brasil? Porque, sobretudo, quando vencem os contratos de concessão, você tem de retribuir o que o povo fez, pagando sua conta de luz, você retribui. Como que você retribui? Diminui o que era antes pago sob a forma de amortização de capital. Então, vários mecanismos foram feitos.

Recentemente, desoneramos a cesta básica. Eu já tive perguntas de vocês dizendo o seguinte: “Ah, mas será que os empresários passaram para o preço?” Nós estamos vendo um progressivo repasse ao preço, principalmente quando rodar os estoques, você vai ter isso de uma forma mais forte. Mas o governo está olhando, está conversando, está persuadindo, porque se todo mundo pede para a gente reduzir tributo, não é correto que alguns fiquem com os ganhos disso. É fundamental que seja repassado para o povo brasileiro no seu conjunto.

Então, eu acredito o seguinte: esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença, ele é complicado, você entende? Eu, [se adotá-lo,] vou acabar com o crescimento do país. Isso daí [de matar o paciente] está datado; eu acho que é uma política superada. Agora, isso não significa que o governo não está atento e, não só atento, acompanha diuturnamente essa questão da inflação. Nós não achamos que a inflação está fora de controle. Pelo contrário, achamos que ela está controlada e o que há são alterações e flutuações conjunturais. Mas nós estaremos sempre atentos.

Agora, por favor, por favor, vamos falar aqui...

Jornalista: O encontro com o Xi Jinping, qual a expectativa da senhora?

Presidenta: Olha, eu tenho uma ótima expectativa de encontro com o Xi Jinping. Neste período [da Cúpula], eu já falei com ele várias vezes. Até porque, em alguns momentos, demora alguma reunião, e eu fiquei muito tempo conversando com ele. Inclusive, ele me disse uma coisa interessante: ele conhece a Amazônia. Porque ele esteve no Brasil – nós fizemos a conta – em 2009, inclusive ele ia ser recebido pelo José Alencar, mas o José Alencar teve a segunda operação, e ele visitou, então, a Amazônia – ele teve reunião com o governo e visitou a Amazônia – e ficou muito impressionado. Porque a qualquer um de nós impressiona. Obviamente, um chinês também se impressiona com aquela quantidade de floresta e de água.

Mas eu tenho uma ótima perspectiva. Não posso antecipar porque seria um exercício de bola de cristal. Eu até pediria, se vocês me perguntarem isso, para vocês me darem a bola de cristal, e aí eu faço a consulta aqui, ao vivo e a cores.

Jornalista: Mas investimento em infraestrutura é uma prioridade (...)?

Presidenta: De todos nós. O grande tema deste encontro é o investimento em infraestrutura. Inclusive, é uma questão que eu vou discutir com eles. Eu posso dizer que eu vou discutir isso porque nós já fizemos algumas tratativas. Primeiro, a gente ia fazer uma exposição do nosso programa lá na China, mas eles estavam querendo vir no Brasil. Em definitivo, vou acertar se nós vamos ou eles vêm. É por agora essa reunião. Esse é o tema central do encontro.

Jornalista: Porque o Brasil cresceu menos que os outros países do BRICS?

Presidenta: Olha, o Brasil teve de fazer seu ajuste. Nós, este ano, estamos meio na contracorrente. Se você for olhar o desempenho das economias, o que você vai ver? Você vai ver que começou [2012 com] um decréscimo. No final, agora, no final de 2012, nós começamos a levantar.

Então, os ritmos não são sempre sincronizados. Eu acredito que nós vamos ter uma situação, este ano, um pouco diferente. Tirando a China, porque a China, se você for ver, ela caiu de um patamar muito alto. 7,5 % para a China não é um... ou seja, não é um crescimento muito alto, não é?

Jornalista: (inaudível)

Presidenta: É, mas somos diferentes. Eles têm 1 bilhão e 300 milhões [de habitantes] e eu tenho [o Brasil], graças a Deus, 200 milhões. Obrigada.”

Veja a integra da entrevista (14min19s) da Presidenta Dilma:


FONTE:Blog do Planalto (http://blog.planalto.gov.br/veja-a-integra-da-entrevista-coletiva-concedida-por-dilma-na-v-cupula-dos-brics/). [Trechos entre colchetes adicionados por este ‘democracia&;política’].
Posted: 28 Mar 2013 01:14 PM PDT


Os homens parecem já ter descoberto o método, mas as mulheres também podem se beneficiar dele. Estudo sugere que sexo ajuda a aliviar as crises de enxaqueca, mas também pode combater dores de cabeça pontuais.

Há quem diga que dor de cabeça não combina com sexo e que, durante crises de enxaqueca, tudo o que se quer é ficar distante de outra pessoa. Mas um estudo publicado por pesquisadores do departamento de neurologia da Universidade de Münster, na Alemanha, mostra exatamente o contrário: o sexo pode ajudar a aliviar o problema. A pesquisa, assinada por Anke Hambach, foi publicada na última edição da revista Cephalalgia, da International Headache Society.

A equipe de cientistas distribuiu questionários a 800 pacientes que fazem tratamento contra enxaqueca e outros 200 que procuraram ajuda médica para tratar de dores de cabeça pontuais. Desse total, 402 devolveram o formulário preenchido aos pesquisadores.

As respostas revelaram que um em cada três pacientes havia tido uma experiência sexual durante crises de dor de cabeça. O sexo trouxe mais benefícios nos casos de crises de enxaqueca. "A relação entre atividade sexual e dor de cabeça se dá de formas diferentes. O sexo pode desencadear o problema, alterar os sintomas já existentes, mas também pode acabar com eles", diz a pesquisa.

Os números deixam essa situação clara. Quem sofre ataques agudos de cefaleia encontrou menos benefício no sexo. Apenas um terço dos entrevistados teve qualquer tipo de experiência sexual e, destes, só 37% relataram algum alívio. O professor Stefan Evers, que acompanhou o desenvolvimento da pesquisa, acredita que o quadro está ligado à intensidade dos ataques de dor.

Enxaqueca

Quando o problema é enxaqueca, que geralmente persiste por mais tempo, os números apontaram resultados bem mais animadores no uso dessa terapia pouco ortodoxa. Entre os entrevistados, 60% revelaram um alívio da enxaqueca depois do sexo, e apenas 33% alegaram sentir mais dor.

A explicação apresentada pelos pesquisadores é simples: sexo pode desviar o foco da dor e, além disso, libera endorfina. A pesquisa mostra que o alivio foi sentido por 43% dos pacientes imediatamente após o orgasmo ou no momento de maior excitação. Para 17%, o poder analgésico do sexo foi experimentado exatamente no momento do orgasmo.

Embora a pesquisa seja recente, os questionários mostraram que muitos homens já conheciam o benefício e 36,4% já haviam usado sexo como forma terapêutica para aliviar a dor de cabeça. As mulheres ficaram atrás: apenas 13,7% disseram já ter usado o sexo como recurso. Os homens também apontaram o método natural como mais eficaz: para 73,3% dos entrevistados, funciona. Entre as mulheres, 58% sentiram menos dor após o sexo.

Além da vantagem comprovada pela ciência, os pesquisadores descobriram ainda que não importa a posição ou o tipo de sexo, ou se ele é feito sozinho ou acompanhado. A pesquisa afirma que o benefício é o mesmo.
Posted: 28 Mar 2013 01:05 PM PDT

Congresso em Foco


Reduzir crescimento para conter inflação é “política superada”, disse ela. Presidente vê manipulação em críticas


O ESTADO DE S. PAULO

Dilma vê manipulação em crítica à fala sobre inflação

A declaração da presidente Dilma Rousseff, na reunião dos Brics, em Durban, de que reduzir o crescimento econômico para conter a inflação é “uma política superada” provocou nervosismo no mercado financeiro, levando a uma pressão de baixa dos juros futuros. O governo passou o dia tentando neutralizar as expectativas negativas geradas pelo comentário. O presidente do BC, Alexandre Tombini, buscou o Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado, e disse que a interpretação de que o governo pretendia ser tolerante com a inflação estava equivocada. Ele ressaltou que fazia o esclarecimento a pedido de Dilma. Mais tarde, a presidente chamou os jornalistas para se queixar de que houve “manipulação” de suas declarações, versão que também constava do blog do Palácio do Planalto.

Uma declaração da presidente Dilma Rousseff ontem de manhã sobre a inflação provocou nervosismo no mercado financeiro e levou o governo a passar o dia tentando reverter as expectativas negativas geradas pelo comentário, No inicio da tarde, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, buscou o Broadcast, serviço de informação em tempo real da Agência Estado, para dar esclarecimentos. Horas depois, o Palácio do Planalto afirmou em seu blog que a declaração de Dilma havia sido manipulada pelo mercado. Em seguida, a presidente, irritada, chamou os jornalistas para negar a interpretação dada às suas declarações e se queixar da “manipulação”.

Num momento em que o mercado aposta na elevação de juros e alguns economistas defendem a redução do emprego para conter a inflação, a presidente Dilma surpreendeu ao afirmar que “é uma política superada” adotar medidas que reduzam o crescimento econômico para forçar queda dos preços.

“Não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a redução do crescimento econômico”, disse. E, mais adiante, voltou à carga. “(…) esse receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença, ele é complicado, você entende? Eu vou acabar com o crescimento do País.”

Análise: Celso Ming: Desmentidos

Talvez a questão mais relevante seja o fato de que Dilma tem dado motivos para que agentes econômicos tendam a achá-la mais tolerante com a inflação.

CNJ eleva gastos, mas tem problemas ‘de tribunais’

Criado para combater vícios da magistratura e melhorar a gestão do Judiciário, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) começa a reproduzir os mesmos problemas dos tribunais brasileiros. São processos que andam a passos lentos, pressões políticas, inchaço da máquina, aumento de gastos com passagens aéreas, contas de telefone e diárias, além de pequenos, mas simbólicos, malfeitos, como o uso de carro oficial por ex-conselheiros.

Dados pedidos pelo Estado com base na Lei de Acesso à Informação mostram, por exemplo, aumentos progressivos nos gastos com diárias, passagens, auxílio-moradia e ajuda de custo, como pagamento de despesas de mudança. Com pagamentos de mudanças de servidores ou juízes convocados para trabalhar em Brasília, o CNJ gastou mais de R$ 1 milhão em 2012.

Com auxílio-moradia para servidores convocados ou juízes auxiliares, as despesas subiram de R$ 355 mil em 2008 para R$ 900 mil no ano passado. Em valores corrigidos pelo índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado no período, o gasto mais do que dobrou.

Ajuda de custo supera R$ 60 mil

Cada juiz do CNJ recebe ajuda de custo que pode superar R$ 60 mil para a mudança para Brasília e tem direito a duas passagens aéreas por mês.

Por Dilma, Lula sugere abrir mão de candidaturas

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que o PT deve ter a reeleição de Dilma Rousseff como “prioridade” em 2014 e que o partido pode abrir mão de candidaturas a governador para apoiar chapas do PMDB – principal aliado dos petistas no governo federal.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Lula afirmou que o partido deverá fazer concessões a outras siglas para garantir uma aliança forte para Dilma. “Nós temos que ter sempre como prioridade o projeto nacional. Ou seja: a primeira coisa é a eleição da Dilma. Não podemos trancar nossa aliança com o PMDB”, disse Lula. O ex-presidente, no entanto, deu sinais de que o PT deve manter candidaturas em Estados onde o PMDB também tem projetos eleitorais, como Rio e São Paulo.

No Rio, Lula afirmou que o senador Lindbergh Farias (PT) “pode ser candidato sem causar problema” à aliança nacional com o PMDB – que deve lançar o vice-governador Luiz Fernando Pezão. “”Acho que o Rio vai ter três ou quatro candidaturas e ele (Lindbergh), certamente, vai ser uma candidatura forte”, disse.

Feliciano manda prender ativista

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, pastor Marco Feliciano (PSC-SP), teve mais um dia tumultuado ontem. Em meio a pedidos para que deixasse o cargo, ele mandou Polícia Legislativa prender um manifestante que o acusou de racismo, trocou a audiência de sala e restringiu a entrada do público. Seguranças chegaram a prender outro ativista, depois liberado. Diferentemente da semana passada, quando saiu em 8 minutos, Feliciano ficou durante toda a audiência e discursou em defesa da condução dos trabalhos. “Democracia é isso. Talvez seja preciso tomar medidas.” Ativistas entregaram petição online com mais de 455 mil assinaturas pedindo a saída de Feliciano. Ele reafirmou que não renuncia “de jeito nenhum”.

Religiosos podem contestar leis no Supremo, diz CCJ

Uma proposta aprovada ontem na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara garante às entidades religiosas o poder de contestar a constitucionalidade de leis no Supremo Tribunal Federal (STF). A proposta de emenda à Constituição é de autoria do deputado João Campos (PSDB-GO), que integra abancada evangélica. Campos argumenta, no texto da proposta, que as associações religiosas de caráter nacional deveriam ter o direito de contestar leis que, eventualmente, interfiram na liberdade religiosa e de culto.

No passado, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) não pôde contestar a constitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias, liberadas pela Lei de Biossegurança. A CNBB só pode atuar no caso entregando memoriais e sustentando seus argumentos ao longo do julgamento. Coube ao então procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, que é católico, contestar a lei.

Esportes: ‘A CBF é um cartel’

Em entrevista a Silvio Barsetti, o deputado Romário (PSC-RJ) fez duras críticas à cúpula da CBF e chamou o vice-presidente Marco Polo Del Nero de chefe do “cartel” da entidade. Romário diz que o Brasil nunca será potência olímpica e que a interdição do Engenhão retrata o legado do Pan.

Haddad quer saúde privada na periferia

O prefeito Fernando Haddad (PT) quer levar postos de saúde privados à periferia de SP. A ideia é incentivar empresas do setor a instalar leitos, laboratórios e consultórios.

FHC oficializa sua candidatura à ABL

Ditador sírio pede ajuda ao Brics

O ditador sírio, Bashar Assad, enviou carta ao Brics com pedido de apoio contra “terroristas” e ingerência dos EUA. O Brics evitou atribuir a ele culpa por crise.

Índice de falhas mais que dobra no Metrô de SP

Dados obtidos pelo Estado mostram que o número de falhas no Metrô de São Paulo mais do que dobrou em três anos. Em 2010, houve 1,51 incidente notável a cada milhão de quilômetros percorridos. Em 2012, foram 3,31. Com 4,14 interferências, a Linha 3-Vermelha (Itaquera-Barra Funda), a mais lotada, foi a que teve o maior crescimento de falhas. Há três anos, o índice era de 1,2. Ontem, um incidente afetou a circulação dos trens no ramal.

Mala perdida terá indenização na hora

A Anac decidiu que as empresas terão de pagar R$ 300, na hora, para quem tiver bagagem extraviada em qualquer voo. O prazo para que a mala seja localizada caiu de 30 para sete dias.

‘Ciberataque’ gigante deixa internet lenta





FOLHA DE S.PAULO



Frase de Dilma sobre a inflação afeta mercado

A presidente Dilma Rousseff disse ontem não concordar com políticas que reduzem o crescimento para combater a inflação. A declaração foi feita em reunião dos Brics (grupo composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e levou o mercado financeiro a reduzir apostas de que o Banco Central subirá os juros para controlar as recentes pressões inflacionárias.

A presidente afirmou na África do Sul que “esse receituário que quer matar o doente em vez de acabar com a doença é meio complicado. Vou acabar com o crescimento? Isso está datado. É uma política superada”.

Embora Dilma tenha dito também que o governo está atento à inflação, o mercado interpretou seu discurso como indicação de que ela seria contra uma elevação de juros para conter a alta dos preços porque essa medida brecaria o crescimento.

Também causou desconforto a afirmação de Dilma de que, “nas questões específicas sobre inflação, eu deixo para ser falado pelo ministro da Fazenda”, pois o BC tem autonomia operacional para decidir a taxa de juros com base na tendência dos preços.

Passageiro que tiver bagagem extraviada vai receber R$ 301

A empresa aérea que extraviar a mala de um passageiro que esteja fora de sua cidade terá de pagar, na hora, ajuda de custo de R$ 301, segundo nova regra da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) que deve começar a vigorar ainda neste ano

Projeto quer simplificar FGTS para domésticas

Um projeto de lei na Câmara pretende simplificar o recolhimento do fundo de garantia de empregados domésticos, que passou a ser obrigatório com a aprovação da lei que amplia os direitos desses trabalhadores

Viagens são para vender produtos do Brasil, diz Lula

O ex-presidente Lula (PT) declarou que as viagens que fez à América Latina e à África, bancadas por empresas privadas, servem para “vender” os produtos brasileiros

Palmeiras toma 6 gols só no 1º tempo e perde do Mirassol

No pior primeiro tempo de sua história, o Palmeiras tomou seis gols em 46 minutos e perdeu do Mirassol por 6 a 2. Foi a pior goleada do time desde a derrota por 6 a 0 para o Coritiba, em 2011. O técnico Gilson Kleina afirmou que não pedirá demissão

Chamado de racista, pastor manda prender manifestante

A Câmara viveu mais um dia de protestos, com agressões e a detenção de dois manifestantes contrários ao deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP)

Lula diz que viagens ao exterior servem para ‘vender’ o país

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que suas viagens a países da América Latina e da África pagas por empresas privadas servem para “vender” os produtos brasileiros.

“Se alguém tiver um produto brasileiro e tiver vergonha de vender, me dê que eu vendo. Não tenho nenhuma vergonha de continuar fazendo isso. Se for preciso vender carne, linguiça, carvão, faço com maior prazer. Só não me peça para falar mal do Brasil”, afirmou Lula, em entrevista ao jornal “Valor Econômico” publicada ontem.

Na semana passada, a Folha revelou que 13 de suas 30 viagens ao exterior depois de sair do cargo foram bancadas por empreiteiras com interesses nos países visitados.

Lula disse viajar para “vender confiança” e que “tem pouca gente com autoridade de ganhar dinheiro” como ele, “em função do governo bem-sucedido” no país.

PSDB ‘importa’ estrategista de Obama para ajudar Aécio

O PSDB vai trazer um dos estrategistas da campanha do presidente dos EUA, Barack Obama, para ajudar a construir a candidatura do senador Aécio Neves à Presidência da República em 2014.

A costura para trazer David Axelrod, um ex-alto funcionário da Casa Branca e conselheiro político das campanhas presidenciais de Obama, foi feita pelo novo marqueteiro do tucano, Renato Pereira, com ajuda do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso -que tem proximidade com o ex-presidente norte-americano Bill Clinton.

Segundo a Folha apurou, o partido também fez contato com Antonio Villaraigosa, prefeito de Los Angeles e uma das estrelas em ascensão do Partido Democrata dos EUA.

Alvo de acusações, Lindbergh diz que fará oposição no Rio

Após a divulgação de inquérito no qual é investigado por suposta cobrança de propina quando esteve à frente da Prefeitura de Nova Iguaçu, o senador Lindbergh Farias (PT) afirmou que se tornou opositor do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). O desembarque da gestão peemedebista, porém, tem resistência dentro do PT.

De acordo com a revista “Época”, que revelou detalhes da investigação, o material faz parte de dossiê produzido pelo PMDB do Rio contra o petista, pré-candidato ao governo do Estado.

A sigla, que defende a candidatura do vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), nega ter reunido os documentos. Cabral também afirmou não estar envolvido na divulgação do caso.

No Congresso em Foco: Lindberg é campeão de inquéritos no STF

STJ nega pedido de liberdade de ex-juiz Nicolau

O ministro Og Fernandes, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), negou ontem um pedido de liberdade apresentado pela defesa do ex-juiz Nicolau dos Santos Neto.

Aos 84 anos, ele foi reconduzido na segunda à carceragem da Polícia Federal em São Paulo após o TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região revogar a prisão domiciliar a que tinha direito.

No habeas corpus, a defesa do ex-juiz pedia o restabelecimento de sua prisão domiciliar. A defesa ainda alega que ele já cumpriu mais de um quinto da pena, o que lhe daria direito ao benefício.







O GLOBO



Sem prazo para o Engenhão: Rio só terá grande estádio com Maracanã

O torcedor carioca ficará sem frequentar um grande estádio até a reabertura do Maracanã, em 2 de junho, no amistoso entre Brasil e Inglaterra, às vésperas da Copa das Confederações. Até lá, os clássicos e as partidas decisivas do Estadual, incluindo a final, que pela primeira vez na história será disputada fora do Rio, serão jogados no Estádio Raúlino de Oliveira, em Volta Redonda. O Engenhão ficará fechado, no mínimo, entre um e dois meses, tempo estimado pelos engenheiros somente para encontrar soluções para os danos na cobertura. Segundo relatório entregue à prefeitura, o problema foi causado pelo deslocamento maior que o previsto dos arcos.

Curto-circuito: Dilma fala de inflação e juro cai

Depois de afirmar ontem que não sacrificará o crescimento econômico para conter a inflação e ver a reação do mercado, refletida em queda dos juros futuros, a presidente Dilma Rousseff disse que teve suas declarações “manipuladas” por “agentes de mercado”. No encerramento da V Cúpula dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul), em Durban, na África do Sul, Dilma afirmou pela manhã que “as vozes de sempre” pediam medidas de controle da inflação que implicavam a redução do crescimento econômico, mas que esse era “um receituário que quer matar o doente em vez de curar a doença”. Mas, à tarde, após uma queda dos juros no mercado financeiro, ela pediu que sua assessoria reunisse os repórteres para dizer que suas declarações haviam sido manipuladas.

Dilma argumentou que um crescimento mais baixo nem sempre vem acompanhado de queda da inflação.

- Não concordo com políticas de combate à inflação que olhem a questão da redução do crescimento econômico, até porque nós temos uma contraprova dada pela realidade. Nós tivemos um baixo crescimento no ano passado e houve um aumento da inflação porque teve um choque de oferta devido à crise. Um dos fatores era externo – disse a presidente, pela manhã.

Acompanhada dos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento), e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, Dilma disse que costumava deixar as “questões específicas sobre inflação” para o ministro da Fazenda, mas lembrou medidas para conter a alta dos preços e diminuir o custo do trabalho, como a desoneração da cesta básica e da folha de pagamento, e queda na conta de luz.

Novos direitos: Doméstica: custo de demissão dobra

Com a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que igualou os direitos trabalhistas dos domésticos aos dos trabalhadores do setor privado, o custo de demissão pode mais que dobrar. Quando for promulgada, a demissão sem justa causa fará o empregador desembolsar, além do que paga hoje, a indenização de 40% sobre o saldo do FGTS. Essa exigência ainda não está valendo, depende de lei complementar.

Simulação feita para o GLOBO pela advogada Claudia Brum Mothé, do escritório Siqueira Castro, mostra que no caso de um trabalhador com salário mensal de R$ 1.000, demitido após cinco anos de trabalho, por exemplo, a demissão custa hoje R$ 1.680, considerando R$ 1.000 de aviso prévio, R$ 500 de 13º salário proporcional (supondo que a demissão ocorra no meio do ano) e mais R$ 180 devido à contribuição previdenciária (12% da parte do patrão sobre o total pago). Nessa simulação, considera-se que o empregado acabou de gozar férias, portanto, não há pagamento proporcional. Pelas novas regras, o patrão passará a pagar R$ 3.680, ou mais que o dobro (120%) do valor atual, pois terá que arcar com cerca de R$ 2.000 referentes à multa de 40% sobre o saldo do Fundo.

Reforma política do PT não criminaliza doação privada

A declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que doações privadas para campanhas eleitorais deveriam se tornar crime inafiançável foi alvo de críticas de políticos, promotores e ONGs. A tese de Lula não foi comprada nem pelo PT. O relator da atual proposta de reforma política em discussão, deputado Henrique Fontana (PT-RS), não prevê criminalização do financiamento privado.

- Não há coerência, parece-me que (ele) está fazendo o discurso do momento – disse o promotor eleitoral Edson Rezende, que faz parte do Comitê da Reforma Política do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

Bancos têm que informar Coaf sobre operações suspeitas

O Banco Central (BC) colocou em prática ontem determinações da nova Lei de Lavagem de Dinheiro, que entrou em vigor no ano passado. E ainda incorporou regras internacionais exigidas pelo Grupo de Ação Financeira contra a Lavagem de Dinheiro (Gafi). Por isso, os bancos terão de informar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) não só a existência de operações que normalmente são consideradas atípicas, mas também aquelas que não se enquadram nos parâmetros, mas são consideradas suspeitas pelas instituições financeiras.

Caso um banco não se pronuncie sobre alguma suspeita, ao final do ano, o BC entenderá que ele se responsabilizou por todas as operações. Antes, não havia essa chancela da instituição financeira.

Indústria de armas pede apoio ao Planalto para desoneração do setor

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), Sami Youssef Hassuani, reuniu-se ontem com o presidente da República em exercício, Michel Temer, para pedir apoio do Palácio do Planalto à desoneração do setor de armas. A inclusão dessa indústria na Medida Provisória 582, que desonerava a folha de pagamento de 15 setores da economia, foi feita no Congresso por parlamentares que tiveram suas campanhas financiadas pelo setor. Segundo interlocutores da presidente Dilma Rousseff, a desoneração das armas e de outros 32 setores adicionados pelo Parlamento será vetada. Dilma tem até o dia 2 de abril para sancionar a medida.

- Da mesma maneira que foi feita a contemplação da construção civil e de vários outros setores, o nosso pleito é que o setor de defesa seja contemplado na MP 582. Disse (a Temer) que essa é uma preocupação nossa e que a gente conta com o apoio do Planalto para que o setor seja contemplado e aprovado na lei que vai ser sancionada – contou Hassuani, para quem a área de defesa está “a serviço da nação”.

Feliciano parte para o ataque

Em esforço para tentar consolidar o controle da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o deputado Marco Feliciano (PSC-SP) mandou prender manifestante, proibiu protestos no colegiado e disse que “talvez, a boa mão de Deus” o levou à presidência do órgão. Em nova confusão, outro manifestante foi detido e um grupo tentou invadir o gabinete do parlamentar. Ontem, o PSC revidou a pressão petista para que Feliciano renuncie e acusou o PT de falso moralismo, pois mantém dois mensaleiros, condenados pelo STF, na Comissão de Constituição e Justiça.

PF apura denúncia de discriminação racial contra índios em escola do Mato Grosso do Sul

O Ministério Público Federal (MPF) de Mato Grosso do Sul solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito para apurar crimes de racismo e injúria racial praticados contra alunos indígenas de uma escola estadual em Antonio João, na fronteira com o Paraguai. A PF vai começar a ouvir alunos, funcionários e o diretor da escola na próxima semana. De acordo com a denúncia, índios guaranis-caiovás da escola Pantaleão Coelho Xavier teriam sido retirados da sala de aula sob a alegação de que seriam “fedidos, sujos e pouco higiênicos”.

Segundo Marciano Duarte, capitão da aldeia Campestre, os cerca de seis alunos, sendo quatro meninas, teriam sido xingados por colegas brancos de sala de aula e por isso teriam sido retirados da sala pelo diretor.

- Eles falaram que os alunos brancos os chamaram de fedidos, sujos e que tinham chulé, e por isso foram retirados da sala pelo diretor para estudar lá fora da sala de aula. O professor dava aula para os índios lá fora e ao mesmo tempo para os brancos, que ficaram na sala -afirmou Duarte.

A assembleia de Deus

Apesar do caráter laico da Casa, deputados estaduais têm usado auditório da Assembleia Legislativa do Rio para a celebração de cultos e missas.

Brasil extradita argentino acusado de tortura

O argentino Cláudio Vallejos, condenado por tortura e sequestro de pessoas durante a ditadura de seu país (1976-1983), foi transferido ontem à noite da prisão onde estava, em Lages (SC), para o Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis. De lá, ele seguiria ainda na madrugada de hoje para a Argentina. A autorização para extradição foi dada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em setembro, mas só ontem a transferência seria concretizada.

Vallejos, de 54 anos, estava detido por estelionato desde o dia 4 de janeiro no presídio regional de Xanxerê, interior de Santa Catarina. Na ocasião, a Polícia Federal solicitou ao governo argentino informações para saber se Cláudio Vallejos era suspeito de crimes da época da ditadura em seu país, informação que foi confirmada logo depois pela Interpol.

Um dos casos em que ele teve envolvimento direto foi a prisão e o desaparecimento, em 1976, do pianista brasileiro Francisco Tenório Cerqueira Júnior, o Tenorinho, que se apresentava na capital argentina acompanhando Vinicius de Moraes. Tenorinho saiu do hotel para comprar cigarros e ir a uma farmácia, e não voltou. Seu corpo nunca foi encontrado.

EUA: Corte se inclina para gays

Manifestantes pró-casamento gay fazem um protesto diante da Suprema Corte dos EUA, em Washington. A maioria dos juízes do tribunal deu indicações ontem de que derrubará a Lei de Defesa do Casamento. A legislação define tal união como apenas entre homens e mulheres e priva casais gays dos mesmos benefícios dos heterossexuais em nível federal. Ao questionar a competência da União para legislar sobre o tema, os quatro magistrados progressistas tiveram o apoio do juiz que normalmente serve de fiel da balança nos embates com os quatro conservadores.

Ataque histórico afeta internet

Um ataque de hackers a um grupo inglês que combate spam deixou a internet lenta em várias partes do mundo. A ação é seis vezes mais agressiva que a usada para derrubar bancos. Cinco países abriram investigação: empresa holandesa é suspeita.

Transplante: Rio retoma cirurgias

O Hospital Estadual da Criança começa a fazer semana que vem transplantes de fígado e rim em pacientes infantis. O serviço entrou em colapso no ano passado, com a interrupção das cirurgias no Hospital Federal de Bonsucesso.





CORREIO BRAZILIENSE



Patrões de domésticas vão ter compensações

As despesas de quem tem empregados em casa vão aumentar, a partir de terça-feira, quando será promulgada a Proposta de Emenda à Constituição n° 68/2012. A nova legislação concede a esses trabalhadores direitos semelhantes aos dos assalariados da iniciativa privada. Temendo demissões, governo estuda medidas para compensar a elevação dos gastos dos empregadores. Entre elas, redução de 12% para 7% na contribuição ao INSS e a diminuição na alíquota do FGTS; hoje de 8%. Um ponto, porém, está definido: nas demissões sem justa causa, patrões ficarão livres do adicional de 10% de multa, arcarão apenas com os 40% tradicionais. Para quem já recolhe INSS, paga férias e 13°. Especialistas estimam que a elevação nos gastos será, em média, de 10%.

Dilma acusa mercado de manipulação

Declaração da presidente de que o combate à inflação não pode sacrificar o crescimento provocou queda de juros.

Até quando?

Acusado de homofobia, o deputado federal Marco Feliciano voltou a enfrentar protestos enquanto presidia a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, Chamado de racista, ele mandou prender o manifestante, que deixou a sala gritando: “Sou gay, sou preto, sou pobre”. Nos EUA, a Suprema Corte deu sinais de que reconhecerá como legal o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Teto da polícia no DF vai para R$ 22,8 mil

Esse é o salário de um delegado em fim de carreira após o reajuste parcelado de 15,8%. Primeiro pagamento será retroativo a março.

Reconstrução de mama pelo SUS será imediata

Mulheres submetidas a mastectomia ganham direito à reconstituição do seio no mesmo procedimento cirúrgico.

Maior ciberataque da história deixa a internet lenta

Calote ameaça concurseiros

Fundação da Solidariedade (Fundaso) anula seleção com indícios de fraude, mas não garante ressarcimento a candidatos que pagaram até RS 100 para concorrerem a uma vaga do Iceam. 0 Ministério Público e a PF investigam o caso.

Sete mil famílias mais perto da moradia legal
Posted: 28 Mar 2013 03:32 AM PDT
Matéria Incógnita

A DESEXTINÇÃO DOS BICHOS POR SEU DNA


Desextinção. Adicione esta palavra ao seu vocabulário porque, a partir de agora, você vai ouvir falar muito dela. O vocábulo não é novo, mas refere-se às espécies que se encontram na lista de animais extintos e que futuramente poderão ser encontrados de novo na natureza.

Pelo menos é o que pretendem pesquisadores que se reuniram na conferência TEDx, em Washington, para discutir a possibilidade de trazer de volta 24 bichos extintos.

Os dinossauros não se encontram nessa lista porque o DNA é muito antigo. Mas o simpático dodô (ou dodó), uma ave curiosa —  que ilustra esta matéria — poderá retornar com seu 1 metro de altura e até 18 quilos de peso.

A princípio, quando um animal deixa de existir, não há mais volta, sua linhagem é perdida. A única maneira de se ter contato com essa espécie seria através de animais reconstruídos em museus. Porém, os cientistas estão trabalhando em novos processos de desextinção.

As equipes escolheram a lista dos animais utilizando uma série de critérios, e discutiram a ética de trazê-los de volta à vida através da obtenção de amostras de DNA.


Eles debateram se a espécie é desejável, se realizaram uma importante função ecológica ou se eles eram amados pelos humanos. Foi considerado também se esses animais conseguiriam ser reintroduzidos novamente na Terra e quais foram as razões da extinção da espécie.

A quagga, um tipo de zebra das planícies, vivia na região da África do Sul e foi dizimada pela caça predatória. O último animal foi baleado em 1870 e um remanescente em cativeiro morreu em 1883.

O pássaro dodô evoluiu sem predadores naturais, mas também foi eliminado pelo homem, que matou todos eles para se alimentar. Por isso foi incluído na lista dos 24 animais sujeitos a desextinção. Também os periquitos-da-carolina, vistos pela última vez em 1904, foram caçados até se tornarem raros.

Os pesquisadores discutiram opções práticas para recolher o DNA; poderia ser através do acesso a amostras de tecidos de boa qualidade ou células germinativas, a fim de reproduzir a espécie.

Enfim, isto não é tão novo assim. Há cerca de 10 anos, uma equipe de cientistas franceses e espanhóis trouxe de volta uma cabra selvagem extinta, mas o bicho viveu apenas 10 minutos.


O custo para o processo de desextinção varia de espécie para espécie, mas pode chegar a custar centenas de milhares de dólares.

O Projeto Lázaro foi um dos primeiros a trazer o termo desextinção das criaturas. Desenvolvido por cientistas australianos, as experiências duraram cinco anos para tentar trazer de volta o sapo da espécie Rheobratrachus silus, que desapareceu em 1983.

Através da implantação de um núcleo da célula “morta” em um ovo fresco de outra espécie de rã, os embriões clonados resistiram por poucos dias. Mesmo assim, foram congelados na esperança de avanços futuros.

Outros animais estão incluídos na lista de desextinção como: o tigre da Tasmânia, que viveu na Austrália, Tasmânia e Nova Guiné até 1960; o pica-pau marfim visto pela última vez no sudeste dos Estados Unidos em 1940; e o mamute-lanoso que viveu na ilha de Wrangel, no Oceano Ártico até 4.000 anos atrás.

Com Jornal Ciência – com ilustrações de Harri Kallio


Leia mais em: http://www.materiaincognita.com.br/24-especies-de-animais-extintos-podem-retornar-a-vida/#ixzz2OpT9rZlK


Leia mais em: http://www.materiaincognita.com.br/24-especies-de-animais-extintos-podem-retornar-a-vida/#ixzz2OpRly8ZB
Posted: 28 Mar 2013 03:12 AM PDT
Diário do Centro do Mundo

A gangue pseudocômica faz um garoto mentir, enganar e torturar psicologicamente José Genoíno.

Professor de cafagestice

Alguns meses atrás, a gangue do  CQC já descera à lama ao abordar José Genoíno de maneira cafajeste logo depois do trauma de uma absurda decisão da justiça que decretou prisão para ele.

Agora, a gangue conseguiu descer ainda mais.

Ao longo de um interminável, odioso filme de sete minutos os pseudo-humoristas submeteram Genoíno sessão de violência que degrada não quem a sofreu, mas quem a fez – os mentecaptos sorridentes liderados por Marcelo Tas.

O que eles fizeram não é nem comédia e nem jornalismo: é simplesmente um caso de polícia.

Um repórter-palhaço ficou trollando desvairadamente Genoíno, em Brasília, em busca de uma “entrevista”, aspas.

Louvo aqui o autocontrole de Genoíno,  porque pouca gente é capaz de suportar uma provocação tão baixa pelo que pareceu uma eternidade.

Depois, a gangue colocou um garoto pré-adolescente num papel que em algum momento haverá de envergonhá-lo, se ele tiver decência básica.

O menino enganou Genoíno. Se fez passar por admirador para entrar na sala de Genoíno e extrair algumas palavras.

Depois, em seguimento às mentiras que o fizeram contar, o garoto disse a Genoíno que seu tio estava fora da sala, esperando para cumprimentá-lo.

O tio era um dos integrantes da gangue.

Genoíno saiu da sala e deu de cara com o tio de mentira. E isso foi comemorado como um triunfo pela gangue.

Se há algum comitê de proteção à infância que funcione no Brasil, ele tem que cobrar satisfações de quem fez o garoto se submeter a uma infâmia dessa natureza. Dificilmente ele terá outra aula tão completa de canalhice.

Em poucos minutos, o menino foi obrigado a agir como um pequeno trapaceiro desprezível. O risco é que ele cresça e se torne um adulto tão asqueroso como Marcelo Tas e os integrantes da gangue.
Posted: 28 Mar 2013 03:04 AM PDT
Hoje na História


MORRE VIRGINIA WOOLF, ESCRITORA BRITÂNICA
28 de março de 1941

No dia 28 de março de 1941 morria em Lewes, na Inglaterra, a escritora Virginia Woolf. Depressiva, ela cometeu suicídio afogando-se em um rio com um casaco cheio de pedras nos bolsos. Seu corpo só foi encontrado no dia 18 de abril.

Nascida no dia 25 de janeiro de 1882, em Londres, a escritora fazia parte do Grupo de Bloomsbury, círculo de intelectuais que, após a Primeira Guerra Mundial, se posicionou contra as tradições da Era Vitoriana. Virginia também ficou conhecida pela sua participação no movimento modernista. Entre suas obras mais famosas estão “Mrs Dalloway” (1925), “Passeio ao Farol” (1927), “Orlando” (1928) e o livro-ensaio “Um Quarto Só Para Si” (1929). Sua última obra foi “Entre os atos”, publicada em 1941, após sua morte.
Posted: 28 Mar 2013 02:53 AM PDT

Repórter de Tecnologia da BBC

Ataque cibernético causou lentidão na internet nesta quarta-feira

A internet ficou mais lenta ao redor do mundo nesta quarta-feira devido ao que especialistas em segurança chamaram de maior ciberataque da História.

Uma briga entre um grupo que luta contra o avanço do spam e uma empresa que abriga sites deflagrou ataques cibernéticos que atingiram a estrutura central da rede.

O episódio teve impacto em serviços como o Netflix - e especialistas temem que possa causar problemas em bancos e serviços de email. Cinco polícias nacionais de combate a crimes cibernéticos estão investigando os ataques.

O grupo Spamhaus, que tem bases em Londres e Genebra, é uma organização sem fins lucrativos que tenta ajudar provedores de email a filtrar spams e outros conteúdos indesejados.

Para conseguir seu objetivo, o grupo mantém uma lista de endereços que devem ser bloqueados - uma base de dados de servidores conhecidos por serem usados para fins escusos na internet.

Recentemente, o Spamhaus bloqueou servidores mantidos pelo Cyberbunker, uma empresa holandesa que abriga sites de qualquer natureza, com qualquer conteúdo - à exceção de pornografia ou material relacionado a terrorismo.

Sven Olaf Kamphuis, que diz ser um porta-voz da Cyberbynker, disse em mensagem que o Spamhaus estava abusando de seu poder, e não deveria ser autorizado a decidir "o que acontece e o que nao acontece na internet".

O Spamhaus acusa a Cyberbunker de estar por trás dos ataques, em cooperação com "gangues criminosas" do Leste da Europa e da Rússia.

A Cyberbunker não respondeu à BBC quando contactada de forma direta.

'Trabalho imenso'

Steve Linford, executivo-chefe do Spamhaus, disse à BBC que a escala do ataque não tem precedentes.

"Estamos sofrendo este ciberataque por ao menos uma semana". "Mas estamos funcionando, não conseguiram nos derrubar. Nosso engenheiros estão fazendo um trabalho imenso em manter-nos de pe. Este tipo de ataque derruba praticamente qualquer coisa".

Linford disse à BBC que o ataque estava sendo investigado por cinco polícias cibernéticas no mundo, mas afirmou que não poderia dar mais detalhes, já que as polícias envolvidas temem se alvos de ataques também.

Os autores da ofensiva usaram uma tática conhecida como Negação Distribuída de Serviço (DDoS, na sigla em inglês), que inunda o alvo com enormes quantidades de tráfego, em uma tentativa de deixá-lo inacessível.

Os servidores do Spamhaus foram escolhidos como alvo.

Linford disse ainda que o poder do ataque é grande o suficiente para derrubar uma estrutura de internet governamental.
Posted: 28 Mar 2013 02:36 AM PDT
Brasil 24/7


Ex-governador levou R$ 1 mil por danos morais pelo livro de Amaury Ribeiro Júnior; juiz André Pasquale Scavone, da 10ª Vara Cível, considera que "não é este o juízo que vai dizer se os fatos narrados são ou não verdadeiros"; tucano vai recorrer

247 – O ex-governador de São Paulo, José Serra, não ficou satisfeito com a indenização de R$ 1 mil pela publicação do livro "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Júnior. Promete recorrer da sentença. Leia na coluna de Mônica Bergado, da Folha:

Indenização simbólica

José Serra ganhou indenização de R$ 1.000 por danos morais pelo "oportunismo eleitoral" do livro "A Privataria Tucana", de Amaury Ribeiro Júnior. O autor e a editora Geração Editorial foram condenados pelo juiz André Pasquale Scavone, da 10ª Vara Cível, em sentença publicada em 1º de março.

INDENIZAÇÃO 2

Na decisão, o juiz declara que "não é este o juízo que vai dizer se os fatos narrados são ou não verdadeiros". Diz, no entanto, que é "inequívoca a intenção dos réus de atingir a imagem de Serra". Scavone considera "curioso" o caráter indenizatório da ação. "Se o interesse era preservar a imagem, o pedido deveria ser de impedir a venda do material ofensivo."

INDENIZAÇÃO 3

Ao fixar a indenização, o juiz afirma ser o valor "simbólico (para fins de paraísos fiscais)", uma referência às denúncias do livro, lançado às vésperas das eleições de 2010, contra o candidato tucano à Presidência.

INDENIZAÇÃO 4

Serra e os réus devem recorrer da decisão. "O livro foi considerado ofensivo, mas entramos com recurso para ampliar a condenação", afirma Ricardo Penteado, advogado do tucano. "Também vamos recorrer. Para nós, R$ 1.000 é muito", diz o editor Luiz Fernando Emediato.