segunda-feira, 31 de março de 2014

31/3 - TARSO GENRO - ENTREVISTA

CARTA MAIOR
 
Marco Aurélio Weissheimer
30/03/2014 - Copyleft

Tarso Genro: Brasil sofre efeitos de transição imperfeita para a democracia

Em entrevista à Carta Maior, governador do Rio Grande do Sul fala sobre as consequências da transição imperfeita para a democracia na vida do Brasil hoje.


Gustavo Gargioni/GERS

Porto Alegre - “O Brasil viveu uma transição imperfeita da ditadura para a democracia e essa transição trouxe efeitos que perduram até hoje. Ela carrega consigo uma ambiguidade: ao mesmo tempo em que abre um ciclo democrático novo no país, com a Constituinte de 1988, ela carrega as dores de um parto não terminado. A transição democrática foi jurídica e politicamente completada, sem que se resgatasse para a história o que foi efetivamente a ditadura. Essa história, até hoje, não foi resgatada”. A opinião é do ex-ministro da Justiça e atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, ao avaliar o significado dos 50 anos do golpe de 1964 e o atual estágio da democracia brasileira.

Em entrevista à Carta Maior, Tarso Genro fala sobre o golpe de 64 e a ditadura, sobre a transição conciliada para a democracia, a Constituinte, a Lei da Anistia e as tarefas democráticas que ficaram incompletas, como o julgamento dos responsáveis por tortura e morte durante a ditadura. Para o governador gaúcho, a Lei da Anistia teve um resíduo de conquista democrática, mas representou um habeas corpus preventivo para quem torturou durante a ditadura. Tarso reafirma a sua crítica à decisão do Supremo que estendeu a Lei da Anistia aos torturadores: “Bastaria o Supremo dizer: a Lei da Anistia não se aplica a quem torturou e matou. Mas até agora, o Supremo não teve a coragem de tomar uma decisão desse tipo”. E aponta, por fim, aqueles que são para ele os principais problemas de democracia hoje: a opacidade do Estado e a captura do Estado pelo capital financeiro.

Carta Maior: 50 anos do golpe de 64: o que essa data significa hoje para a política e a democracia brasileira?

Tarso Genro: Olhando hoje para 1964, com uma perspectiva histórica, pode-se dizer, em primeiro lugar, que o golpe no Brasil teve algumas particularidades em relação aos golpes militares típicos de um determinado momento da história da América Latina, que derrubaram vários governos constituídos democraticamente. O golpe de 64 foi resultado de um processo gestado por setores da burguesia brasileira e do latifúndio temerosos das reformas sociais e da reforma agrária que o governo Jango propunha.

As elites políticas desses dois setores se integraram e incidiram sobre as forças armadas, aproveitando o clima extremado da guerra fria, da disputa entre o bloco soviético e o bloco norte-americano no espaço geopolítico mundial. Essa resistência às reformas e a abertura de um novo ciclo de acumulação no país, associado de maneira profunda ao capitalismo norte-americano principalmente, é que deu substrato social e apoio político para que se instalasse uma ditadura no Brasil. O poder não foi apropriado diretamente pelos militares para eles próprios. Foi um projeto político desses setores mais conservadores e reacionários que tiveram nas forças armadas um apoio e um protagonismo muito grande.

A trajetória dos governos militares não foi uniforme. Tivemos, em um primeiro momento, um setor da intelectualidade das forças armadas dirigindo o processo, com Castelo Branco. Depois, houve uma degradação dessas lideranças, especificamente com Costa e Silva e Médici. Digo degradação porque eram pessoas despreparadas para gerir o próprio projeto no qual as classes dominantes apostavam. Mais tarde veio o governo Geisel, que manteve os mecanismos ditatoriais e iniciou um processo de abertura. Geisel tinha uma compreensão de que o poder militar puro era incabível numa economia com as características que a brasileira apresentava naquele momento e que, por isso, era preciso criar espaços políticos novos onde as forças sociais pudessem se movimentar. Esse processo de abertura controlada redundou na Assembleia Nacional Constituinte, após a ditadura dizimar a esquerda que fazia a resistência através da luta armada.

O processo de conciliação para a abertura colocou no mesmo campo a oposição e os setores que apoiavam a ditadura e vai se consolidar no governo Figueiredo, desaguando na Lei da Anistia. Essa lei foi, na verdade, um habeas corpus preventivo para quem exerceu a ditadura. Os que lutaram contra a ditadura já tinham sido presos, torturados, julgados, assassinados, exilados, expostos. Ela teve um resíduo de conquista democrática, ao devolver direitos, estabelecer indenizações e corrigir algumas injustiças. Mas ela foi um grande habeas corpus preventivo para aqueles que exerceram uma espécie de poder paralelo, exercido nos porões da ditadura por estruturas irregulares e regulares. O Doi-Codi funcionou como um aparato clandestino de repressão, com um grupo de bandidos e assassinos fazendo o ‘trabalho sujo’ da ditadura.

Tivemos muitas debilidades no processo de transição. Aqui nunca se pediu que se julgassem pessoas que exerceram cargos executivos e ministeriais, como os ministros da Justiça da época da ditadura, por exemplo. Pessoas que faziam de conta que não havia tortura. Aqui no Brasil, o que se pediu foi que se julgassem os assassinos e torturadores e nem isso aconteceu. Essa transição imperfeita é o que vivemos hoje. Ela carrega uma ambiguidade: ao mesmo tempo em que abre um ciclo democrático novo no país, com a Constituinte de 1988, ela carrega as dores de um parto não terminado. A transição democrática foi jurídica e politicamente completada, sem que se resgatasse para a história o que foi efetivamente a ditadura. Essa história, até hoje, não foi resgatada.

Carta Maior: A Argentina vive hoje uma nova etapa do processo de julgamento de crimes da ditadura e discute a responsabilização de civis por esses crimes. Vê alguma possibilidade de acontecer algo parecido com isso no Brasil ou essa é uma batalha que já foi perdida?

Tarso Genro: Acho que é uma batalha difícil de ser ganha, mas também é difícil de ser encerrada. Ela é difícil de ser ganha porque as forças armadas na Argentina saíram da ditadura completamente derrotadas, desprestigiadas e aniquiladas moralmente. Aqui no Brasil não ocorreu isso. A transição para a democracia se deu por meio de uma conciliação com a oposição. Essa conciliação carregou para dentro do novo regime que surgiria um acordo de prestigiamento das forças armadas que acabaram passando praticamente incólumes por esse processo.

Isso também carrega uma ambiguidade. A primeira possibilidade é aproveitar essas características da transição conciliada para apostar numa profissionalização cada vez maior das forças armadas, isolando-as das influências politicas que ordinariamente se manifestam a partir de uma vocação golpista de direita extremada. A segunda questão é que essa radicalização pela direita está sempre colocada de maneira potencial. Veja, por exemplo, a desfaçatez com que o Círculo Militar defende os torturadores e a tortura. Isso reflete uma sensação de prestigiamento histórico que as forças armadas tiveram na transição, que faz com que essas viúvas do regime ditatorial se expressem dessa maneira perversa. Acho que o caminho mais provável é que tenhamos uma trajetória de reparações, o que está sendo feito hoje, e que as forças armadas majoritariamente afirmem o seu profissionalismo. Não vejo outra possibilidade na atual conjuntura.

Carta Maior: Qual sua opinião sobre as novas gerações de oficiais das forças armadas, a partir da sua experiência à frente do Ministério da Justiça? Há uma percepção diferente sobre o que aconteceu no Brasil durante a ditadura?

Tarso Genro: Durante o período em que estive no Ministério da Justiça, conversei muito com as forças armadas, em diversas circunstâncias e com diversos chefes militares. Como ministro da Justiça, eu integrava o Conselho de Defesa Nacional e participei de vários debates sobre a política nacional de defesa. Junto à maioria dos oficiais com quem tive contato não vi qualquer resíduo de antagonismo com a democracia, embora a gente ainda veja, em determinados quadros, um saudosismo autoritário. Isso, na minha opinião, não decorre de uma mudança na educação e na ideologia de segurança nacional que ainda está na cabeça da maioria das forças armadas, mas sim de uma mudança que ocorreu nos padrões políticos mundiais e do próprio crescimento do Brasil como país com possibilidade de ter uma presença importante no cenário mundial.

Essas mudanças fizeram com que a maioria dos profissionais das forças armadas não rezassem mais pela cartilha da guerra fria e passassem a se preocupar mais com a afirmação do Brasil como projeto de Estado nacional. Isso não quer dizer que não haja nas forças armadas setores que possam abraçar uma agenda autoritária e direitista no futuro. Pode ocorrer, mas creio que esse é um fenômeno presente em todas as forças armadas, não apenas nas brasileiras.

Carta Maior: Qual o balanço que faz de sua passagem pelo Ministério da Justiça no que diz respeito ao tratamento desses temas?

Tarso Genro: Juntamente com o Paulo Abrão, reorganizei todo o sistema de anistia no Ministério da Justiça. Aquilo ali não tinha lógica nem estrutura, não por culpa dos ministros anteriores, mas sim pelo fato não existir uma preocupação expressa dos governos para organizar essa área de uma maneira racional e de uma maneira institucional mais elevada. Nós fizemos arquivos, contratamos servidores, organizamos protocolos. Não havia ordem de preferência nos julgamentos de anistia. Organizamos as comissões que julgavam esses processos. O presidente Lula assegurou recursos para que fossem iniciadas massivamente as indenizações, o que foi muito importante.

Nós produzimos uma nova cultura sobre a anistia no Brasil. A nossa ideia sobre a anistia mudou completamente. Até a nossa chegada, a Anistia era tratada como um perdão do Estado. Nós mudamos isso e a anistia passou a significar que o Estado é que pede perdão. Nós não estamos perdoando ninguém, mas sim fazendo reparações e pedindo desculpas pelo o quê o Estado cometeu. Afinal, o Estado é fundado no Direito e no respeito aos direitos humanos. Foi essa a cultura de anistia que nós criamos e que teve momentos muito significativos. Estruturamos as Caravanas da Anistia e também um conjunto de debates para fortalecer essa nova cultura sobre a anistia. Fizemos uma sessão histórica no Araguaia, anistiando os guerrilheiros e os mateiros da região. Fizemos isso com absoluta tranquilidade, levados pela FAB com todo respeito.

Nós também iniciamos um debate no Ministério da Justiça defendendo a tese de que a Lei da Anistia não se aplica aos torturadores. Isso acabou pervertido perante a opinião pública pelos jornais e tvs conservadores como se nós estivéssemos pedindo uma reforma dessa lei para punir os torturadores, o que representou uma dupla confissão. A primeira confissão foi admitir que a Lei da Anistia foi feita para anistiar os torturadores. Em segundo lugar foi uma confissão de que eles não querem que os torturadores sejam punidos.

Esse debate foi feito como se eu fosse uma excrescência dentro do governo. O presidente Lula, naquela oportunidade, pediu apenas que eu retirasse essa discussão de dentro do Ministério da Justiça e levasse para fora dele, de modo a não ferir suscetibilidades em partidos políticos que estavam dentro do governo e que achavam que esse debate era desnecessário. E foi o que fiz, fazendo esse debate sobre a necessidade de punir os torturadores, até o momento em que o Supremo Tribunal Federal, em um voto lamentável do ministro Eros Grau, entendeu que a Lei da Anistia se aplicava também aos torturadores, sob o argumento cínico de que era uma lei que promovia anistia ampla, geral e irrestrita, o que incluiria os torturadores.

Esse foi um momento muito duro do debate político no país. Felizmente, têm ocorrido algumas decisões no sentido de punir essas pessoas que torturaram e mataram, mas não sabemos até onde isso vai. O ideal seria que acabasse provocando uma nova decisão do Supremo. Bastaria o Supremo dizer: a Lei da Anistia não se aplica a quem torturou e matou. Mas até agora, o Supremo não teve a coragem de tomar uma decisão desse tipo.

Carta Maior: Quais são, na sua avaliação, os principais problemas e ameaças que a democracia brasileira enfrenta hoje?

Tarso Genro: A opacidade do Estado e a captura do Estado pelo capital financeiro. Essa opacidade só pode ser vencida por um controle público da cidadania sobre o Estado, um controle público que não vai extinguir a opacidade, mas vai aumentar a interferência da cidadania nas decisões. A grande questão da democracia brasileira, ao meu ver, é conseguir uma combinação entre a participação direta da cidadania, por meios presenciais e virtuais, e fazer permanentes correções e adaptações na democracia representativa, dentro da perspectiva de estabelecer uma nova relação entre Estado e sociedade.

A segunda questão, a captura do Estado pela dívida, é mais complexa pois só pode ser enfrentada mediante um novo pacto internacional, entre países que se disponham a se articular e a resistir ao controle do capital financeiro sobre o Estado, criando novos parâmetros de sustentabilidade financeira para as democracias e inclusive criando instituições financeiras alternativas. Já se falou, por exemplo, da possibilidade dos BRICS criarem um banco semelhante ao Banco Mundial para conseguir libertar o Estado dessa tutela absoluta do capital financeiro. Essa tutela é exercida sobre o Direito do Estado, que passa a funcionar segundo uma lógica normativa que vem de fora para dentro, do capital, e não da participação da cidadania.

Esse choque entre o Estado capturado pelo capital financeiro e as demandas sociais cada vez mais volumosas sobre um Estado que não pode responder representa a grande crise democrática do presente. É ela que está nas ruas todos os dias. É ela que está no cotidiano das administrações todos os dias e que deve dirigir os grandes embates políticos daqui em diante. Quem controla o Estado é o capital financeiro que capturou o Estado pela questão da dívida, ou quem controla o Estado é a cidadania organizada, participante da representação política e da democracia direta? Esse é o grande embate global que a democracia brasileira enfrenta hoje.



Créditos da foto: Gustavo Gargioni/GERS

31/3 - Náufrago da Utopia DE HOJE

Náufrago da Utopia


Posted: 31 Mar 2014 07:57 AM PDT
O humor combatendo o horror
Fuçando nos blogues de cinema à cata de filmes para baixar, deparei-me com um que havia esquecido por completo: A rebelde (La califfa), de um diretor italiano pouco prolífico, Alberto Bevilacqua. É de 1970 e tem Romy Schneider e Ugo Tognazzi nos papéis principais.

Na época eu o vi, mas não me marcou nem foi sucesso de público ou crítica. Trouxe-me, contudo, à lembrança um dos incontáveis episódios bizarros da ditadura militar. Como bem sacou o genial Sérgio Porto, o dia 1º de abril de 1964 marca o início do  festival de besteiras que assolou o país...

Num sábado de 1972, logo de manhãzinha, encontrei no Jornal da Tarde a notícia de que dez filmes em cartaz na capital paulista seriam proibidos logo depois do fim de semana. 

Pateticamente, a censura decidira voltar atrás, recolhendo fitas que já havia liberado (após ordenar os costumeiros cortes); mas, para não prejudicar o faturamento das empresas cinematográficas, iria permitir que fossem exibidos até a última sessão de domingo.

De imediato, numa reação característica dos que éramos obrigados a suportar a obtusidade encastelada no poder, eu e a minha companheira programamos uma verdadeira maratona cinematográfica: a uns seis conseguimos assistir ou rever, pulando de cinema em cinema, na certeza de que ficaríamos longo tempo deles privados.
Reportagem da revista Realidade, em 1967

Lembro-me de que, mesmo pelos critérios ridículos da censura, A rebelde destoava do restante da lista: Sacco e VanzettiQueimada! e que tais. Todos filmes políticos bem contundentes. [É quase certo que O Caso MatteiA chinesaA classe operária vai para o paraísoInvestigação sobre um cidadão acima de qualquer suspeita e Z também fizessem parte do lote].

Na categoria  estranhos no ninho  enquadrava-se  Sopro no coração, mostrando um caso de incesto em clave bem poética.

Não consegui encontrar a lista na busca virtual, mas desencavei um registro no Diário Oficial da União, dando conta de que as  otoridade  decidiram, baseadas no artigo 176, do Decreto n° 56.510, de 28 de junho de 1965, proibir a exibição do A rebelde, sem mais nem menos, não dando  qualquer explicação. Fazemos porque podemos, e fim de papo!

A publicação no DOU é do dia 21/02/1972, exatamente uma 2ª feira.

No final da década o pacote todo seria liberado de novo e alguns até reprisados nos cinemas, aproveitando o embalo; outros, como A rebelde, não foram considerados chamativos nem mesmo com a aura de malditos.

Por último, vale registrar que, como o ridículo dos censores não tinha limites, eles conseguiram produzir um episódio ainda mais grotesco.

Já que A laranja mecânica ficaria ininteligível se fossem  tesouradas  todas as cenas de nus, ordenaram que se aplicassem umas bolas pretas sobre a genitália dos atores e atrizes. Seios e nádegas podiam ser vistos; vaginas e pênis, não.

Aquelas bolinhas pinguepongueando pela tela se tornaram causa de humor involuntário: os espectadores caíam na gargalhada!

31/3 - EU NÃO MEREÇO SER ESTUPRADA

FONTE:dirlenetmarques@gmail.com

Ola pessoal
Quando vi o resultado da pesquisa fiquei estarrecida. Nao é possivel que depois de tanta luta das mulheres, homens e mulheres neste pais acreditem que a resposnabilidade da violencia sobre as mulheres, é ocasionada pela roupa que elas usam. Quando um homem sae de pernas de fora, ou sem camisa, ele esta querendo ser estuprado? 
E, porque é permitido exibir as mulheres, ao vender um pneu, ou um carro? 
Veja a nota abaixo das Catolicas pelo Direito de Decidir. 
Abraços
Dirlene



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Your Company

Pelo fim da cultura do estupro!
Corpo espancado com hematomas, dilacerações na vagina e no colo do útero, transtornos psíquicos irreversíveis, gravidez indesejada, contaminação por DST/Aids, morte. Essas são as consequências para uma menina ou mulher vítima de estupro.
O estupro é culturalmente aceito em todas as sociedades no mundo. Não importa a sexualidade, origem, cor, classe, casta, religião, profissão da vítima, basta ter nascido mulher que ela se tornará vulnerável à cultura do estupro, estando vestida de biquíni ou de burca. As lésbicas e bissexuais ainda sofrem com o estupro ‘corretivo’ por não se adequarem à heteronormatividade, na visão dos agressores.
De acordo com o mais recente Mapa da Violência contra as Mulheres, no Brasil, 13 mil mulheres vítimas de estupro foram atendidas na rede pública em 2011. São 35 por dia! Isso sem contar as que não procuram ajuda por medo ou vergonha e aquelas que morreram e não puderam pedir ajuda. A maior parte delas tem entre 10 e 14 anos e foi violentada na própria residência e, em segundo lugar, na rua.

Daí nos perguntamos: por que esse tipo de violência contra as mulheres acontece?
Ora, por causa das próprias mulheres! Pelo menos é isso que acha 65,1% da sociedade brasileira. Os resultados da pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgados nesta quinta-feira (27) revelam que nossa população acredita que as mulheres provocam o estupro porque não sabem se comportar, se vestir, que tem mulher para casar e mulher para ‘ir pra cama’, que homossexuais não podem ter os mesmos direitos que heterossexuais, que o casamento deles deve ser proibido, que os casos de violência devem ser silenciados, e uma infinidade de absurdos.

Daí nos perguntamos: por que a sociedade brasileira pensa assim?
Por diversos motivos, entre eles, porque parte dos gestores públicos ignora os direitos humanos violando a laicidade do Estado, não promove a educação sexual, de gênero e de combate à homofobia nas escolas adequadamente, não presta atendimento decente às mulheres nos equipamentos de saúde e segurança, diz que transporte público lotado é bom pra ‘xavecar’, não coleta nem sistematiza dados sobre assuntos relacionados, cria projetos que obrigam mulheres estupradas a manter a gravidez indesejada. Ah! Tem também os comunicadores que ignoram a competência das mulheres destacando somente sua ‘beleza’, tratam as mulheres como coisas consumíveis em comerciais de cerveja. Enfim, a lista é longa...
E assim se cria no nosso imaginário social o machismo, a banalização da violência contra as mulheres e a perpetuação da cultura do estupro no Brasil e no mundo. Nossa experiência e prática social é influenciada por tudo que nos cerca, por nossas relações intermediadas nos espaços privados e públicos. Enquanto gestores públicos, jornalistas e toda a sociedade não mudarem haverá Yakiris, Franciscas e outras muitas.

É aceitável que homens assediem, batam, ameacem, tapem a boca, rasguem a roupa de uma mulher, a estuprem e matem livremente?
Não! Não é! É por isso que o movimento feminista, por vezes depreciado por essa sociedade patriarcal, machista, racista e homofóbica, há décadas vai às ruas para gritar para sociedade que o estupro e tantas outras violações dos direitos das mulheres não podem ser aceitos! Para dizer que as mulheres não são coisas, que devem ser respeitadas, ter seus direitos garantidos, que elas querem viver e andar livremente sem violência a qualquer hora do dia e onde quiserem, que elas são livres para vestir o que quiserem e se expressar como quiserem.
Católicas pelo Direito de Decidir apela para que líderes religiosos, atendendo aos princípios de respeito pela dignidade de todas as pessoas, revisem aquilo que, em suas doutrinas e práticas, contribui para a manutenção dessa cultura de violência e de morte das mulheres, e expressem publicamente o repúdio à ela.
#NãoMereçoSerEstuprada!


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Um outro mundo é possível. Um outro Brasil é necessário. 

31/3 - IMPERIALISMO E FASCISMO

FONTE:http://www.odiario.info/?p=3229

Imperialismo e fascismo*

Filipe Diniz
31.Mar.14 :: Colaboradores
Não falta na opinião liberal burguesa quem agora ache a ascensão da extrema-direita “uma anomalia”. O fascismo não age autonomamente na luta de classes. É, pelo contrário, a expressão e a condução pelos meios mais violentos da política e dos objectivos da classe dominante.


Um dos aspectos marcantes da actual ofensiva do imperialismo é a aliança aberta com fascistas.
No desmantelamento da Jugoslávia o imperialismo juntou aos fascistas ustaches croatas, entre outros, todo o género de marginais directamente oriundos do mundo do crime e, em consequência disso, o poder tanto ficou entregue a fascistas como a grupos estritamente mafiosos.
Agora a situação não é bem a mesma. Aprofundou-se a crise geral do capitalismo, cujas consequências e cujo prolongado arrastamento criam condições favoráveis à aposta na carta fascista. A segunda vaga de “revoluções coloridas” tem uma nova componente: a da instrumentalização do agudo mal-estar social resultante da acção dos governantes instalados pela primeira vaga. Aí, grande capital transnacional ganha em dois tabuleiros: instalou oligarquias corruptas que privatizam tudo, que roubam, que abrem as portas à ingerência económica, diplomática e militar. E instrumentaliza e cavalga com a milícia fascista a justa cólera popular que tal situação gera.
O fascismo não age autonomamente na luta de classes. É, pelo contrário, a expressão e a condução pelos meios mais violentos da política e dos objectivos da classe dominante. Na Alemanha de 1923 os grandes magnates definiram em memorando as suas reivindicações imediatas: prolongamento da jornada de trabalho (anulando as 8 horas conquistadas); abolição de numerosas regalias sociais; fim do subsídio do pão; reprivatização dos caminhos-de-ferro, entre outras. A social-democracia capitulou em toda a linha. Mas foi o partido nazi quem fez seu o programa do grande capital.
Nos dias de hoje, em condições muito diferentes é certo, não é difícil identificar na ofensiva “austeritária” em curso traços desse memorando de 1923. O programa das troikas segue na mesma linha. E, numa UE onde o número de pessoas em risco de pobreza e de exclusão aumentou mais de 6 milhões só entre 2010 e 2012 (Eurostat) totalizando perto de 125 milhões, o grande capital faz o mesmo duplo trabalho: esmaga e desespera uma massa imensa e cria as condições para a esmagar ainda mais sob a violência fascista.
Acontece que no Portugal de Abril o fascismo não tem condições para levantar a cabeça. E o Portugal de Abril não é uma ilha isolada na luta dos povos.
*Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2014, 27.03.2014

31/3 - O GOLPE ESQUECIDO

O golpe esquecido

John Pilger
20.Mar.14 :: Destaques

O papel de Washington no putsch fascista contra um governo eleito na Ucrânia surpreenderá apenas aqueles que vêem os noticiários e ignoram o registo histórico. Desde 1945 dúzias de governos, muitos deles democracias, tiveram um destino semelhante, habitualmente com banhos de sangue.


O papel de Washington no putsch fascista contra um governo eleito na Ucrânia surpreenderá apenas aqueles que vêem os noticiários e ignoram o registo histórico. Desde 1945, dúzias de governos, muitos deles democracias, tiveram um destino semelhante, habitualmente com banhos de sangue.
A Nicarágua é um dos mais pobres países sobre a Terra, com menos população do que Gales, mas na década de 1980, sob os reformistas sandinistas, ela foi considerada em Washington como uma “ameaça estratégica”. A lógica era simples; se o mais fraco escorregar, estabelecendo um exemplo, quem mais tentaria a sua sorte?
O grande jogo da dominância não dá imunidade nem mesmo ao mais leal “aliado” dos EUA. Isto é demonstrado por talvez os menos conhecido dos golpes de Washington – na Austrália. A história deste golpe esquecido é uma lição saudável para aqueles governos que acreditam que uma “Ucrânia” ou um “Chile” não lhes podiam acontecer.
A deferência da Austrália para com os Estados Unidos faz a Grã-Bretanha, em comparação, parecer um traidor. Durante a invasão americana do Vietname – a qual a Austrália implorou para aderir – um responsável em Canberra divulgou uma queixa rara a Washington: que os britânicos sabiam mais acerca dos objectivos estado-unidenses naquela guerra do que os seus camaradas de armas nos antípodas. A resposta foi suave: “Temos de manter os britânicos informados para mantê-los felizes. Vocês estão connosco seja o que for que aconteça”.
Esta declaração foi brutalmente posta de lado em 1972 com a eleição do governo trabalhista de Gough Whitlam. “Embora não considerado como de esquerda, Whitlam – agora com 98 anos – era um social-democrata independente, orgulhoso, proprietário e de extraordinária imaginação política. Ele acreditava que uma potência estrangeira não deveria controlar os recursos do seu país e ditar a sua política económica e externa. Ele propôs “recuperar o controlo” e falar com uma voz independente a Londres e Washington.
No dia seguinte à sua eleição, Whitlam ordenou que a sua equipe não deveria ser “verificada ou perturbada” pela organização de segurança da australiana, ASIO – então, como agora, devedora de favores à inteligência anglo-americana. Quando seus ministros condenaram publicamente a administração Nixon/Kissinger como “corrupta e bárbara”, Frank Snepp, um oficial da CIA naquele tempo estacionado em Saigão, disse posteriormente: “Disseram-nos que os australianos podiam muito bem ser encarados como colaboradores dos norte vietnamitas”.
Whitlam quis saber se e porque a CIA estava a dirigir uma base de espionagem em Pine Gap, próximo de Alice Springs, ostensivamente uma instalação conjunta australiana/americana. Pine Gap é um aspirador de pós gigante o qual, como revelou recentemente o denunciante Edward Snowden, permite aos EUA espiar sobre tudo. Na década de 1979, a maior parte dos australianos não fazia ideia de que este enclave estrangeiro secreto colocava seu país na linha de frente de uma potencial guerra nuclear com a União Soviética. Whitlam sabia claramente o risco pessoal que estava a assumir – como demonstram as minutas de uma reunião com o embaixador dos EUA. “Tente apertar-nos ou fazer-nos saltar”, advertiu ele, “[e Pine Gap] tornar-se-á um pomo de discórdia”.
Victor Marchetti, o oficial a CIA havia ajudado a montar Pine Gap, contou-me depois: “Esta ameaça de fechar Pine Gap provocou apoplexia na Casa Branca. As consequências eram inevitáveis … uma espécie de Chile foi posto em movimento”.
A CIA havia acabado de ajudar o general Pinochet a esmagar o governo democrático de outro reformador, Salvador Allende, no Chile.
Em 1974, a Casa Branca enviou Marshall Green para Canberra como embaixador. Green era um arrogante, uma figura muito experiente e sinistra no Departamento de Estado que trabalhava nas sombras do “estado profundo” (”deep state”) da América. Conhecido como o “mestre do golpe”, ele havia desempenhado um papel central no golpe de 1965 contra o presidente Sukarno na Indonésia – o qual custou um milhão de vidas. Um dos seus primeiros discursos na Austrália foi ao Australian Institute of Directors – descrito por um membro alarmado da audiência como “um incitamento aos líderes de negócios do país a levantarem-se contra o governo”.
As mensagens top-secret de Pine Gap eram descodificadas na Califórnia por um empreiteiro da CIA, a TRW. Um dos descodificadores era o jovem Christopher Boyce, um idealista que, perturbado pelo “engano e traição de um aliado”, se tornou um denunciante. Boyce revelou que a CIA havia-se infiltrado na elite política e sindical australiana e referia-se ao governador-geral da Austrália, sir John Kerr, como “o nosso homem Kerr”.
Com a sua cartola negra e fato coberto de medalhas, Kerr era a corporificação do império. Ele era o vice-rei australiano da Rainha da Inglaterra num país que ainda a reconhece como chefe de estado. Seus deveres eram cerimoniais, mas Whitlam estava inconsciente, ou preferiu ignorar, os antigos laços de Kerr com a inteligência anglo-americana.
O governador-geral era um membro entusiasta da Australian Association for Cultural Freedom, descrita por Jonathan Kwitny do Wall Street Journal, no seu livro, The Crimes of Patriots, como uma elite, um grupo em que se entra só por convite … revelado no Congresso como sendo fundado, financiado e geralmente dirigido pela CIA”. A CIA “pagava a viagem de Kerr, construía seu prestígio … Kerr continuava a ir à CIA por dinheiro”.
Em 1975, Whitlam descobriu que o MI6 britânico estava desde há muito a operar contra o seu governo. “Os britânicos estavam realmente a descodificar mensagens secretas vindas ao meu gabinete de negócios estrangeiros”, disse ele posteriormente. Um dos seus ministros, Clyde Cameron, contou-me: “Sabíamos que o MI6 plantava microfones na reuniões do gabinete para os americanos”. Em entrevistas na década de 1980 com o jornalista americano de investigação Joseph Trento, responsáveis executivos da CIA revelaram que o “problema Whitlam” fora discutido “com urgência” pelo director da CIA, William Colby, e o chefe do MI6, sir Maurice Oldfield, e que foram feitos “arranjos”. Um vice-director a CIA disse a Trento: “Kerr fez o que lhe disseram para fazer”.
Em 1975, Whitlam soube de uma lista secreta de pessoal da CIA na Austrália mantida pelo chefe do Australian Defense Department, sir Arthur Tange – um mandarim profundamente conservador com um poder territorial sem precedentes em Canberra. Whitlam pediu para ver a lista. Sobre ela está o nome, Richard Stallings que, sob cobertura, havia montado Pine Gap como uma instalação provocadora da CIA. Whitlam agora tinha a prova de que estava à procura.
Em 10 de Novembro de 1975, foi-lhe mostrada uma mensagem telex top secret enviada pelo ASIO em Washington. Esta provinha de Theodore Shackley, chefe da Divisão da Ásia Oriental da CIA e uma das mais infames figuras desovadas pela Agência. Shackley fora chefe da operação da CIA com base em Miami para assassinar Fidel Castro e chefe de estação no Laos e no Vietname. Havia recentemente trabalhado no “problema Allende”.
A mensagem de Shackley foi lida a Whitlam. Incrivelmente, ela dizia que o primeiro-ministro da Austrália era um risco de segurança no seu próprio país.
No dia anterior Kerr havia visitado a sede do Defense Signalas Directorate, o NSA da Austrália cujos laços com Washington eram, e permanecem, estreitos. Foi informado sobre a “crise de segurança”. Pediu então uma linha segura e passou 20 minutos a conversar em voz baixa.
Em 11 de Novembro – o dia que Whitlam devia informar o Parlamento acerca da presença secreta da CIA na Austrália – foi convocado por Kerr. Invocando a arcaica “reserva de poderes” do vice-rei, Kerr demitiu o primeiro-ministro democraticamente eleito. O problema estava resolvido.
17/Março/2014
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

31/3 - O Cafezinho DE HOJE

O Cafezinho


Posted: 31 Mar 2014 08:53 AM PDT
Do Nassif:
Brasilianas.org
Em mais um capítulo especial sobre os 50 anos do Golpe Militar, o apresentador Luis Nassif receberá o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, que notabilizou-se com a publicação do texto “Quem vai dar o golpe no Brasil”, em 1962, um prenuncio do golpe de estado que terminaria por ocorrer dois anos depois. A edição do programa Brasilianas.org irá ao ar nesta segunda-feira, às 20h, na TV Brasil. Não perca!
Wanderley Guilherme dos Santos nasceu no Rio de Janeiro, em 1935. Graduou-se em filosofia na Universidade Federal do Rio de Janeiro e depois doutor em ciência política na Stanford University, com a tese Impass and crisis in Brazilian Politics. Em 1986 concluiu seu pós-doutorado em teoria antropolítica na UFRJ, sendo hoje professor aposentado de teoria política na mesma universidade.
Como o programa foi gravado excepcionalmente as edições dos “50 anos do Golpe Militar” não receberão as perguntas normalmente enviadas pelos telescpetadores e internautas ao porta Brasilianas.org.
Onde sintonizar a TV Brasil:
UHF Analógico Canal 62 (SP)
UHF Digital Canal 63 (SP)
VHF Canal 2 (RJ), (DF) e (MA)
Net – Canais 4 (SP), 16 (DF), 18 (RJ e MA)
Sky-Direct TV – Canal 116
TVA digital – Canal 181
Ou assista pela internet: www.tvbrasil.ebc.com.br
wanderley
Posted: 30 Mar 2014 11:24 AM PDT
Sentindo-se abandonado em sua coluna no Globo, Merval volta a citar os blogs. Logo na primeira frase de seu texto de hoje, o platinado mais obediente aos patrões menciona “blogs militantes, pagos ou não”.
Desculpa, Merval, mas desta vez não vou te dar sequer um link. Nem reproduzir nenhum trecho. Não é nada contra você, camarada. É contra o texto. Chato demais, mêu! Parece até um artigo do Fernando Henrique, só que pior.
Trata-se de um artigo constrangido, tentando explicar porque o STF aceitou jogar o processo do mensalão tucano para a primeira instância.
Não explica nada, naturalmente. É um texto gago, ilegível. Olha que eu, analista de política e mídia há anos, tenho estômago forte. Mas esse é intragável. E nem me refiro a argumentos descabidos. O artigo tem um problema qualquer, provavelmente sintático, que não deixa a gente entrar nele.
De qualquer forma, obrigado por citar os “blogs militantes, pagos ou não”.
Eu só fiquei na dúvida se você conhece algum blog que não seja “militante”.
Também gostaria de saber se você não se considera um “militante” do PSDB. Que você é pago, não existe dúvida sobre isso. Pago com o dinheiro que os Marinho saquearam do povo durante a ditadura militar.
Uma coluna recente sua sobre um evento do PSDB em São Paulo era tão babujona que nem parecia coisa de militante, parecia antes um rascunho mal feito de um assessor de imprensa ansioso demais por mostrar lealdade ao cliente.
É só isso que tenho a falar sobre o assunto.
MERDAL PEDREIRA-JENIPAPONEWS

31/3 - CARTA MAIOR de HOJE

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