sábado, 26 de julho de 2014

26/7 - Pragmatismo Político DE 25/7

Pragmatismo Político


Posted: 25 Jul 2014 04:48 PM PDT
criança gaza israel morte
Médico palestino carrega uma menina que foi ferida por um bombardeio israelense no sul da Faixa de Gaza em 23 de julho de 2014. Atualmente, Israel está matando mais de uma criança por hora em Gaza (Efe)
Texto originalmente publicado em 22/07/2014 | Por Barry Lando, Counterpunch
As mortes em Gaza, à primeira vista, podem não ser tão horríveis para os norte-americanos – a não ser que você transporte o mesmo nível de morte e desordem para os Estados Unidos, que tem uma população 176 vezes maior do que a de Gaza.
Por exemplo, até o momento, 571 palestinos foram mortos (em 25/07 já são 819 mortos), incluindo entre eles 154 crianças. Número total de feridos: 3.550, dos quais 1.125 crianças.
Se os Estados Unidos fossem vítimas de uma chacina semelhante, o número de norte-americanos mortos – quase todos nos últimos cinco dias – chegaria a 101.000, dos quais 27.000 seriam crianças. O número de norte-americanos feridos seria de 627.000, dos quais 198.000 seriam crianças.
Outra comparação:
Esse número de mortos seria quase duas vezes o total de mortos em dez anos de guerra no Vietnã (58.000).
Quase se igualaria ao número de soldados norte-americnaos mortos na Primeira Guerra Mundial, que chegou a 116.000.
Seria mais de um terço dos norte-americanos (291.000) mortos lutando entre 1941 e 1945, durante a Segunda Guerra Mundial.
E quase se igualaria ao número total de soldados norte-americanos feridos durante a Segunda Guerra Mundial (670.000).
E lembre-se:
- A maior parte dessas mortes de palestinos aconteceu em apenas cinco dias.
- Um grande proporção dos mortos e feridos não era de soldados.
E a matança continua.
SAIBA MAIS: Entenda por que os EUA e Israel estão tão interessados que o caos na Palestina perdure
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Posted: 25 Jul 2014 02:29 PM PDT
O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, pressionou líderes regionais a firmarem um cessar-fogo em Gaza nesta sexta-feira, após o número de civis mortos ter disparado, ameaçando espalhar o banho de sangue entre israelenses e palestinos para a Cisjordânia ocupada e também Jerusalém.
Com Israel e combatentes islâmicos do Hamas apresentando termos aparentemente irreconciliáveis para uma trégua, a qual mediadores esperam que comece antes de uma celebração religiosa muçulmana na semana que vem, Kerry fez diversas ligações do Egito, enquanto seus auxiliares deixaram claro que sua paciência estava se esgotando.
A urgência foi causada pela morte, na quinta-feira, de 15 pessoas em uma escola da ONU onde civis buscam abrigo, no norte da Faixa de Gaza, em um ataque que as qual autoridades locais atribuíram à artilharia de Israel.
Israel disse que suas forças sofreram ataques de guerrilheiros palestinos na área da escola e revidaram fogo, e acusou o Hamas de evitar que qualquer remoção de civis fosse realizada.
Autoridades de Gaza disseram que ataques de Israel mataram 27 pessoas nesta sexta-feira, incluindo o chefe de mídia do Jihad Islâmico, aliado do Hamas, e também seu filho. Assim, o número de mortos palestinos em Gaza em 18 dias já totaliza 819 pessoas, a maioria civis.
Na Cisjordânia ocupada, onde o presidente palestino, Mahmoud Abbas, que tem o apoio dos EUA, governa em uma incômoda coordenação com Israel, cerca de 10 mil manifestantes marcharam em solidariedade com Gaza durante a noite, uma escala que relembra revoltas do passado.
Manifestantes foram até um ponto de controle de Israel, atirando pedras e coquetéis molotov, e médicos palestinos disseram que uma pessoa morreu a tiros e 200 ficaram feridas quanto as tropas abriram fogo.
Nesta sexta-feira, a polícia paramilitar israelense ficou em estado de alerta para quaisquer ocorrências na mesquita mais importante de Jerusalém durante as orações para a etapa final do mês sagrado muçulmano do Ramadã.
Yitzhak Aharonovitch, ministro da polícia de Israel e membro do gabinete de segurança, disse estar realizando diversas consultas sobre como conter as crescentes hostilidades. “Temos uma noite muito difícil”, disse ele à rádio do Exército de Israel. “Espero que consigamos passar bem o dia hoje.”
Israel perdeu 32 soldados em Gaza por conta de um avanço terrestre cujo objetivo oficial é destruir dezenas de túneis utilizados para a infiltração de combatentes do Hamas, que ameaçam vilas ao sul do país assim como bases do Exército.
Três civis foram mortos em Israel por ataques de foguetes e morteiros vindos de Gaza – disparos que aumentaram no mês passado depois da repressão militar israelense contra ativistas do Hamas na Cisjordânia. Esses projéteis desencadearam a ofensiva de Israel contra Gaza em 8 de julho.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, deve reunir seu gabinete de segurança nesta sexta-feira para discutir uma trégua humanitária limitada sob a qual o movimento palestino estaria livre para permitir ajuda às pessoas, assim como a retirada de mortos e feridos.
O líder do Hamas, Khaled Meshaal, havia expressado, na quarta-feira, apoio a trégua humanitária, mas apenas se Israel aliviasse as restrições impostas ao 1,8 milhão de habitantes da Faixa de Gaza.
O Hamas também quer que o Egito abra suas fronteiras com Gaza, e tem exigido que Israel liberte centenas de prisioneiros detidos na Cisjordânia no mês passado após o sequestro e assassinato de três estudantes seminaristas judeus.
Essas concessões, no entanto, pareciam improváveis, considerando que tanto Israel quanto o Egito consideram o Hamas como ameaça à sua segurança.
(Reuters- Reportagem de Ori Lewis em Jerusalém, Noah Browning em Gaza, Arshad Mohammed, Yasmine Saleh e Shadia Nasralla no Cairo)
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Posted: 25 Jul 2014 01:13 PM PDT
Benjamin Netanyahu e Barack Obama (Foto: MANDEL NGAN/AFP/Getty Images)
Benjamin Netanyahu e Barack Obama (Foto: MANDEL NGAN/AFP/Getty Images)
Por Ismael Hossein Zadeh*, em CounterPunch
Observadores da geopolítica do Oriente Médio tendem a colocar a culpa do caos na região em um suposto fracasso das políticas “incoerentes”, “ilógicas” ou “contraditórias” dos EUA. No entanto, evidências irrefutáveis apresentadas neste estudo sugerem que, na verdade, o caos representa o sucesso, e não o fracasso, destas políticas — que foram formuladas pelos beneficiários da guerra e das aventuras militares na região e em outros locais. Enquanto as políticas norte-americanas na região são certamente irracionais e conflituosas do ponto de vista da paz internacional e mesmo do ponto de vista dos interesses nacionais como um todo, elas são bastante lógicas do ponto de vista dos beneficiários econômicos e geopolíticos da guerra e de hostilidades internacionais; isto é, do (a) do complexo militar-industrial, e (b) dos militantes sionistas que propõem uma “Grande Israel.”
As sementes do caos foram plantadas há cerca de 25 anos, quando o muro de Berlim caiu. Uma vez que a razão para um aparato militar gigantesco durante a Guerra Fria era a “ameaça do comunismo,” os cidadãos americanos celebraram a queda do Muro como o fim do militarismo e a aurora dos “dividendos da paz” — uma referência aos benefícios que muitos gozariam nos EUA em decorrência da reorientação de parte do orçamento do Pentágono na direção de necessidades sociais.
Mas enquanto os cidadão norte-americanos celebravam, os poderosos interesses que investiam na expansão dos gastos militares se sentiram ameaçados. Sem surpresas, estas forças mudaram seus alvos para salvaguardar seus interesses contra as “ameaças de paz.”
Para sufocar as vozes que demandavam os dividendos da paz, os beneficiários da guerra e do militarismo começaram a redefinir metodicamente as “fontes de ameaça” pós-Guerra Fria dentro do espectro do novo mundo multi-polar, que ia além da tradicional “ameaça Soviética” da era anterior. Ao invés de “ameaça comunista”, os “estados párias,” o islamismo radical e o “terrorismo global” seriam os novos inimigos.
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Gaza, por Robert Fisk, um dos maiores especialistas em Oriente Médio
Eduardo Galeano: Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?
Publicamente, a maior parte da reavaliação do mundo pós-Guerra Fria foi apresentada pelos militares de alta patente. Por exemplo, o General Carl Vuno, chefe do estado-maior do exército dos EUA, declarou ao Comitê da Câmara em maio de 1989: “muito mais complexo [do que qualquer perigo imposto pela União Soviética] é a situação ameaçadora em desenvolvimento no resto do mundo… neste mundo multi-polar, nós enfrentamos ameaças de países que estão se tornando cada vez mais sofisticados militarmente e mais agressivos politicamente”[2].
O General Colin Powell, presidente da junta de chefes do estado-maior na época, argumentou no Comitê do Senado que apesar da queda da União Soviética, os EUA precisavam continuar com seu acúmulo de forças militares por outras obrigações: “Com todos estes desafios e oportunidades confrontando nossa nação, é impossível acreditar que a desmobilização ou esvaziamento das forças militares americanas são um caminho para o futuro. O verdadeiro ‘dividendo da paz’ é a paz mesmo… A paz surge através da manutenção da força” [3].
Enquanto os militares de alta patente, vestidos de uniformes belos e chamativos, tomavam o papel principal na luta contra a diminuição do complexo militar-industrial; militaristas civis, trabalhando dentro e fora do Pentágono e associados aos think-tanks militaristas, tramavam por trás das cortinas. Entre eles se incluem o então secretário de defesa Dick Cheney; seu subsecretário de defesa Paul D. Wolfowitz; Zalmay Khalizad, então assessor de Wolfowitz; e I. Lewis “Scooter” Libby, então subsecretário adjunto de defesa. Este grupo de homens e seus pensadores e colaboradores (tal qual Richard Perle, Douglas Feith, e outros) trabalharam diligentemente juntos prevenindo cortes pós-Guerra Fria. “O que tinhamos medo era que as pessoas dissessem ‘vamos trazer todas as tropas de volta pra casa, vamos abandonar nossa posição na Europa’,” relembrou Wolfowitz em uma entrevista [4]
Estes planejadores militares eram oficilamente afiliados ao Pentágono e/ou com a administração de Bush pai,mas também eram colaboradores próximos de think-tanks lobistas ultranacionalistas como o American Enterprise Institute, Project for the New American Century e o Jewish Institute fo National Security Affairs que foi montado para servir tanto ao lobby das armas quanto ao lobby de Israel. Mesmo um olhar superficial sob os registros destes think tanks — sob seus membros, seus recursos financeiros, suas estruturas institucionais, etc — mostram que eles foram criados para servir como frontes institucionais de camuflagem de negócios incestuosos e/ou relacionamentos políticos entre o Pentágono, seus principais empreiteiros, os militares de alta patente, o lobby de Israel e outras corporações beligerantes [5].
Em um esforço cuidadoso e calculado para redefinir o mundo pós-Guerra Fria como um mundo “mais perigoso” e desenhar uma nova “estratégia de segurança nacional” para os EUA, este time de planejadores militares e think-tanks produziram um documento geopolítico-militar logo após a queda da União Soviética que foi conhecido como “Guia de Planejamento de Defesa,” ou “Estratégia de Defesa para os anos 1990.” O documento, revelado pela Casa Branca ao Congresso no início dos anos 1990, focava em “pontos imprevisíveis de turbulência no terceiro mundo” como novas fontes de atenção para o poder militar dos EUA na era pós-Guerra Fria: “na nova era, nós prevemos que nosso poder militar continuará a ser um alicerce essencial do equilíbrio global… que as demandas para o uso de nossas forças militares estarão no Terceiro Mundo, onde novas abordagens podem ser necessárias” [6]
Para responder às “turbulências nas regiões mais vitais,” a nova situação requisitava uma estratégia para “identificar ameaças” — uma estratégia militar que “conteria e reprimiria conflitos locais ou regionais no Terceiro Mundo com rapidez e eficiência antes que eles saíssem de controle.” No mundo pós-Guerra Fria de “múltiplas fontes de ameaças,” os EUA também necessitariam estar preparados para lutar guerras de “baixa e média intensidade.” Baixa e média intensidade não se referem ao nível de poder de fogo e violência empregados, mas à escala geográfica se comparada com uma guerra mundial ou regional que paralisaria os mercados globais.
A “Estratégia de Defesa para os anos 1990” também falava de manter e expandir a “profundidade estratégica” norte-americana — um termo cunhado pelo então secretário de defesa Dick Cheney. O termo tinha uma conotação geopolítica, significando que, após a queda do Muro de Berlim, os EUA deveriam estender sua presença global — em termos de bases militares, estações de escuta e inteligência e tecnologia militar — a areas anteriormente neutras ou sob influência da União Soviética.
As prescrições políticas destas profecias eram inequívocas: tendo projetado (e depois criado) o mundo pós-Guerra Fria como um lugar fracionado em “múltiplas ameaças aos interesse nacionais norte-americanos,” beneficiários poderosos do orçamento do Pentágono tiveram sucesso na manutenção dos gastos nos mesmos níveis da Guerra Fria. Proponentes do militarismo contínuo “se moveram com rapidez notável para assegurar que a queda da União Soviética não afetaria o orçamento do Pentágono ou nossa ‘posição estratégica’ que garantimos em nome do anti-comunismo.”[7]
Para levar a cabo a “Estratégia de Segurança Nacional” do mundo pós-Guerra Fria, os organizadores do plano necessitavam de pretextos, que frequentemente significavam inventar ou fabricar inimigos. Beneficiários dos dividendos de guerra às vezes encontravam “inimigos externos e ameaças apenas decidindo unilateralmente que ações ao redor do mundo eram terrorismo,” ou por classificar arbitrariamente alguns países como “apoiadores do terrorismo”, como Bill Christison, assessor aposentado da CIA, demonstrou [8].
Eles também criaram atritos internacionais através de políticas traiçoeiras que tinham o intuito de provocar ira e violência, o que seria o estopim para futuros atos de terrorismo e um ciclo vicioso de guerra. E é claro, a abominável força por trás desta estratégia servia para manter os lucros do negócio da guerra. Gore Vidal caracterizou satiricamente esta maldita necessidade dos beneficiários da guerra de constantemente aparecerem com novas ameaças e inimigos como “clube do inimigo do mês: cada mês somos confrontados com um horroroso inimigo que devemos atacar antes que nos destrua” [9].
Uma pequena guerra aqui, outra ali, uma guerra de “baixa intensidade” no país x, outra de “média intensidade” no país y — cinicamente chamadas de “guerras sob controle” — são estratégias que manteriam o orçamento militar na direção dos cofres do complexo industrial-militar sem causar um conflito de larga escala que acabaria com os mercados mundiais.
Ainda dentro deste cenário, a abordagem do governo dos EUA aos ataques hediondos de 11 de setembro foi uma oportunidade para que a guerra e agressão não chegassem de surpresa a qualquer um familiar às necessidades viciosas do militarismo. Os ataques monstruosos foram tratados não como crimes, mas como uma “guerra contra a America.” Uma vez que foi estabelecido que os EUA estavam “em guerra,” as agressões imperialistas começaram. Como colocou Chalmers Johnson, a tragédia de 11 de setembro “serviu como um maná do paraíso à uma administração determinada a aumentar o orçamento militar” [10]
Nesta época, já haviam sido rotulados como “hostis” governos como os do Irã, Iraque, Líbia e Coréia do Norte por serem desonestos ou apoiarem o terrorismo, o que requeria uma “mudança de regime.” Antes dos ataques de 11 de setembro, no entanto, tais rótulos demonizantes não eram aparentemente suficientes para convencer o povo americano a apoiar os EUA em sua tendência à guerra. A tragédia de 11 de setembro serviu de pretexto para tais conflitos — que se seguiram a mudança de regime no Iraque e em outros países hostis ao redor do mundo.
Como beneficiários dos dividendos de guerra, o complexo industrial-militar considerava a paz internacional e a estabilidade como inimigos para seus interesses, e assim também acontecia com militantes sionistas proponentes da “Grande Israel”que perceberam que a paz entre Israel e seus vizinhos palestinos/árabes era prejudicial a seus objetivos de tomarem o controle da “Terra Prometida.” A razão para este medo da paz é que, de acordo com algumas resoluções das Nações Unidas, a paz significaria o retorno de Israel a suas fronteiras pré-1967, isto é, fora da Faixa de Gaza e da Cisjordânia. Logo, seu medo da paz faz com que continuem suas tentativas de sabotagem das negociações.
Pela mesma razão, estes proponentes enxergam a guerra e a convulsão (ou, como David Ben-Gurion, um dos fundadores do Estado de Israel colocava, “atmosfera revolucionária”) como oportunidades para a expulsão dos palestinos e para a reconfiguração geográfica de região e expansão do território israelense. “O que é inconcebível em tempos normais,” Ben-Gurion apontava, “é possível em tempos revolucionários; e se neste tempo a oportunidade for perdida — um mundo todo é perdido” [11]
Ecoando um sentimento similar de que a dissolução e fragmentação dos estados árabes em mosaicos de grupos étnicos é possível apenas sob condições de guerra e convulsão sociopolítica, o notório linha-dura Ariel Sharon apontou em março de 1988 que “se as revoltas palestinas continuarem, Israel teria de guerrear contra seus vizinhos árabes. A guerra, ele declarou, proveria ‘as circunstâncias’ para que se removesse a população palestina por inteiro da Cisjordânia e de Gaza e até mesmo de dentro de Israel” [12].
Esta visão de que a guerra “proveria as circunstâncias” para a remoção dos palestinos dos territórios ocupados tem como premissa a espectativa de que os EUA também compartilham desta noção e iriam apoiar o expansionismo de Israel no caso de uma guerra. A espectativa não é de forma alguma estranha ou incomum, pois os beneficiários dos gastos militares nos EUA teriam prazer de ajudar Israel, não tanto pelo bem do país, mas por seus propósitos nefastos — a aliança entre o complexo militar-industrial e o lobby de Israel.
Por causa dos interesses destes dois poderosos grupos convergindo na direção da fomentação da guerra e das convulsões políticas no Oriente Médio, uma aliança potente e ameaçadora foi forjada entre os dois — ameaçadora porque a poderosa máquina de guerra norte-americana é agora suplementada pela incomparável capacidade de relações públicas do lobby pro-Israel nos EUA. A convergência e/ou interdependência dos interesses do complexo militar-industrial e aquele dos militantes sionistas é o coração do ciclo perpétuo de violência na região.
Tal aliança não é oficial; ela é sutilmente forjada através de uma elaborada rede de poderosos think tanks como os seguintes: The American Enterprise Institute, Project for the New American Century, America Israel Public Affairs Committee, Middle East Media Research Institute, Washington Institute for Near East Policy, Middle East Forum, National Institute for Public Policy, Jewish Institute for National Security Affairs, and Center for Security Policy.
Imediatamente após a Guerra Fria, estes think tanks e seus operadores dentro e fora do governo publicaram vários documentos que defendiam claramente mudanças de fronteiras, mudanças demográficas e mudanças de regime no Oriente Médio. Por exemplo, em 1996, um influente think tank israelense, o Institute for Advanced Strategic e Political Studies, patrocinou e publicou um documento intitulado “Uma quebra limpa: uma nova estratégia de segurança para região,” que argumentava que o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu “deveria fazer uma ‘quebra limpa’ do processo de paz de Oslo e reassumir a reivindicação da Cisjordânia e de Gaza. O documento apresentou um plano onde Israel deveria ‘formular seu ambiente estratégico,’ começando com a derrubada de Saddam Hussein e a instalação da monarquia hashimita em Bagdá para servir de primeiro passo em direção a eliminação dos governos anti-Israel da Síria, do Líbano, da Arábia Saudita e do Irã”[13].
Em uma “Carta Aberta ao Presidente” (Clinton), de 19 de fevereiro de 1998, vários think tanks e indivíduos representando o complexo militar-industrial e o lobby de Israel, recomendaram “uma estratégia política e militar para tirar Saddam do regime.” Entre os signatários da carta estavam: Elliott Abrams, Richard Armitage, John Bolton, Douglas Feith, Paul Wolfowitz, David Wurmser, Dov Zakheim, Richard Perle, Donald Rumsfeld, William Kristol, Joshua Muravchik, Leon Wieseltier, e Stephen Solarz [14].
Em setembro de 2000, outro think tank militarista chamado Project for the New American Century (PNAC), lançou um relatório entitulado “reconstruindo as defesas da América: estratégia, forças e recursos para um novo século,” que projetava explicitamente o desempenho de um papel imperialista pelos EUA no mundo todo. Ele estabelecia, por exemplo, “que os EUA durante décadas tentaram ter um papel permanente na segurança da região do Golfo Pérsico. Enquanto o conflito sem resolução com o Iraque provê uma justificativa imediata, a necessidade de uma substancial presença americana no Golfo transcende a questão do regime de Saddam Hussein.” Os patrocinadores do relatório incluiam Richard Cheney, Donald Rumsfeld, Paul Wolowitz, Lewis Libby e Willian Kristol, que também foi co-autor do relatório[15].
O influente Jewish Institute for the National Security Affairs (JINSA) também emitiu declarações e documentos que defendiam “mudanças de regime” no Oriente Médio. Seu assessor, Michael Ladeen, que também assessorou extra-oficialmente a administração Bush em questões do Oriente Médio, falava abertamente da era da “guerra total” que estava por vir, indicando que os EUA deveriam expandir suas políticas de “mudanças de regime” no Iraque a outros países na região como o Irã e a Síria. “Neste fervente apoio a estas políticas pró-assentamentos e anti-palestina, o JINSA recomendou que a ‘mudança de regime’ no Iraque deveria ser apenas o início para que os dominós caissem no Oriente Médio”[16].
Em suma, a evidência é arrebatadora (e irrefutável) de que o caos no Oriente Médio, Norte da África e Leste Europeu/Ucrânia não é por causa de políticas “equivocadas” dos EUA e seus aliados, como muitos críticos tendem a sustentar. O caos é causado por políticas premeditadas e muito bem desenhadas que foram cunhadas por uma aliança entre o complexo militar-industrial e o lobby israelense no mundo pós-guerra fria.
*Ismael Hossein Zadeh é professor emérito de Economia da Drake University. Tradução: Roberto Brilhante, Carta Maior
Referências:
[1] Excertos do meu livro, The Political Economy of U.S. Militarism, especialmente capítulos 4 and 6, foram usados neste ensaio.
[2] Citado em Sheila Ryan, “Power Projection in the Middle East,” inMobilizing Democracy, edited by Greg Bates (Monroe, Maine: Common Courage Press, 1991), p. 47.
[3] Ibid., p. 46.
[4] James Mann, “The True Rationale? It’s a Decade Old,” Washington Post, Sunday (7 March 2004), page B02.
[5] For a detailed exposition of this dubious relationship see Ismael Hossein-zadeh, The Political Economy of U.S. Militarism (Palgrave-Macmillan 2007), chapter 6.
[6] Chalmers Johnson, The Sorrows of Empire (New York, NY: Metropolitan Books, 2004), pp. 20-21.
[7] Ibid., p. 20.
[8] Bill Christison, “The Disastrous Foreign Policies of the United States,”Counterpunch.org (9 May 2002), .
[9] Gore Vidal, Perpetual War for Perpetual Peace: How We Got To Be So Hated (New York: Thunder’s Mouth Press/Nation Books, 2002), pp. 20-1.
[10] Chalmers Johnson, The Sorrows of Empire (New York, NY: Metropolitan Books, 2004), p. 64.
[11] Quoted in Stephen J. Sniegoski, “The War on Iraq: Conceived in Israel,” <http://vho.org/tr/2003/3/Sniegoski285-298.html>.
[12] Ibid.
[13] Ibid.
[14] Ibid.
[15] Ibid.
[16] William D. Hartung, How Much Are You Making on the War, Daddy? (New York: Nation Books, 2003), p.109.
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Posted: 25 Jul 2014 12:44 PM PDT
dilma banco santander
Banco Santander divulga relatório destinado a clientes ricos sobre perigos da reeleição de Dilma (Edição: Pragmatismo Político)
O relatório destinado a clientes ricos, produzido pelos analistas do banco Santander, no qual projetam perdas financeiras diante de uma escalada da presidente Dilma Rousseff nas pesquisas eleitorais é típico. O pedido de desculpas feito logo a seguir à divulgação da peça não esconde o fato de que sempre, entra e sai eleição para presidente, tanto o mercado financeiro quanto os empresários de maior visibilidade procuram, acima de todas as coisas, temer, rejeitar e demonizar os candidatos de esquerda à Presidência da República.
Como quem tem chances reais de vencer no campo da esquerda, desde 1989, são os candidatos do PT – com Lula cinco vezes candidato, e Dilma Rousseff desenvolvendo agora sua segunda campanha -, o nome do partido e a própria legenda acabam sofrendo a pressão.
Hoje é folclore, virou piada. Mas quando o então presidente da poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Mario Amato, declarou que 800 mil empresários iriam embora do País se Lula vencesse as eleições de 1989, a frase foi levada muito a sério. Foi estampada na primeira página de jornais como a Folha e o Estado, repercutiu em programas de televisão e veio acompanhada de teses sobre a incapacidade de governança do PT e intenções de intervir em empresas e no mercado financeiro que, por fim, foram praticadas pelo vitorioso Fernando Collor.
A demonização a Lula, no entanto, prosseguiu em todas as campanhas nacionais disputadas pelo ex-presidente, inclusive as que ele ganhou. Em 2002, a missão de superar o tucano José Serra incluía, também, superar uma impressionante série de rumores, boatos e fofocas que apontavam para um estouro nas contas públicas no caso da vitória do ex-metalúrgico. Com a chancela do banco americano Goldman Sachs, o economista Daniel Tenengauzer ganhou seus quinze minutos de fama ao criar o que chamou de “lulômetro”. Consistia em medir o nível da disparada da cotação do dólar sobre o real de acordo com o crescimento que Lula apresentava nas pesquisas. Assim, quanto mais o futuro presidente avançava, mais o “lulômetro” apurava que se chegava mais perto do fim do mundo cambial. O real seria pulverizado.
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O que se viu, no entanto, desde o primeiro dia do mandato de Lula foi a normalização de todos os grandes indicadores da economia e, em seguida, o “espetáculo do crescimento” que deu ao presidente uma reeleição tranquila.
Agora, ao completar 12 anos sem representantes de seu campo político-ideológico no poder central, setores do sistema financeiro e da classe empresarial voltam a dar as mãos para rezar o mantra do medo da esquerda acima de todas as coisas.
Nesta sexta-feira 25, a divulgação do relatório do Santander a seus clientes de alta renda trouxe à luz do dia o que está correndo solto nos bastidores das mesas de investimentos e dos encontros entre grandes barões da indústria. Apesar de os três governos sucessivos dos presidentes de esquerda terem preservado todos os princípios da economia de mercado, acrescentando o dado do aumento do mercado consumidor como um ponto que deveria ser atribuído a seu favor, seus representantes continuam sendo atacados das mais diferentes maneiras. Desta vez, foi um relatório sem base técnica seguido de pedido de desculpas. Aguarda-se para ver o nível da próxima provocação.
247 | Edição: Pragmatismo Político
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Posted: 25 Jul 2014 12:30 PM PDT
aécio neves montezuma aeroporto
Aécio construiu aeroporto em outra cidade que tem fazenda: Montezuma (Edição: Pragmatismo Político)
Helena Sthephanowitz, RBA
Não foi só a cidade de Cláudio (MG), onde o senador Aécio Neves (PSDB) tem propriedade rural, que teve aeroporto construído com critérios que mais atendem a conveniência privada da oligarquia política dos Neves da Cunha do que ao interesse público.
A cidade de Montezuma, no norte do estado, também teve sua pista de pouso asfaltada quando o tucano era governador. A Perfil Agropecuária, empresa herdada pelo senador tucano, apropriou-se de 950 hectares de terras no município, que o estado de Minas Gerais considerava públicas, por meio de um polêmico processo de usucapião.
Nas licitações do Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG) realizadas em 2008 aparece uma única obra de pavimentação de aeródromo no interior: Montezuma. Justamente onde a empresa agropecuária do Aécio tem fazenda.
Como o uso da pista é muito raro, já que a cidade tem cerca de 7.500 habitantes, a população dos sem-avião questionou a obra, uma vez que há diversas outras necessidades urgentes a ser atendidas. Detalhe: já há aeroportos em municípios vizinhos da região, como Salinas, Janaúba, Rio Pardo de Minas e Espinosa.
Para se ter uma ideia das outras prioridades, só 27% dos domicílios contam com rede de esgoto. É a empresa estadual de água e esgoto (Copasa) que atende a cidade. Enquanto o orçamento estadual era gasto em obras convenientes para a família do governador tucano, foram necessários recursos federais do PAC Saneamento para melhorar as condições locais. Além do problema do saneamento básico, muitas ruas de Montezuma ainda não têm sequer pavimentação como a da pista do aeroporto.
A imagem abaixo mostra que a pista do aeroporto é praticamente da extensão dos eixos da área urbana.
aécio neves montezuma aeroporto
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Posted: 25 Jul 2014 10:54 AM PDT
mujica burguesia paulista
José Mujica
Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, José Mujica, presidente do Uruguai, afirmou que a burguesia paulista é extremamente forte na América Latina, mas falha em cumprir o que ele considera ser seu papel: promover a integração entre as empresas da região.
O uruguaio também afirmou que, por desprezar sua função, o empresariado do estado ganha inimigos. “O que existe de mais forte economicamente é a burguesia paulista. O papel da burguesia paulista deveria ser unir aliados, tentar construir um sistema de empresas transnacionais latino-americanas. Pelo seu tamanho, tem a responsabilidade de conduzir. Mas comete um erro ao fagocitar [outras empresas] porque, em vez de ganhar aliados, ganha inimigos que se opõem à integração”, declarou.
Mujica disse ainda que, muitas vezes, o Brasil é visto como “imperialista” pelos países do Cone Sul e também da América Latina. “A atitude imperial do Brasil pode ter sido consequência de sua história, é um país que teve um imperador que declarou a independência, que herdou a tradição da Casa de Bragança. E teve um Estado constituído muito cedo, de forma um pouco europeia”, assinalou.
SpressoSP
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Posted: 25 Jul 2014 10:29 AM PDT
O melhor amigo gay faz parte do mundo de muitas mulheres, a ponto deles serem indispensáveis em seu dia a dia. Mas eles não estão presentes só na vida delas. Muitos homens heterossexuais também têm uma relação de amizade profunda com outros homens homossexuais.
Esse é o caso dos músicos Bruno Palma e Leonardo Scripitore, ambos com 28 anos. Quem passa alguns minutos com eles, percebe logo um nível de intimidade que só uma amizade cheia de cumplicidade propicia.
hétero amigo gay
Bruno e Leonardo são amigos há 20 anos desde que se conheceram na terceira série. (Foto: André Giorgi)
Hoje tão evidente, a intimidade começou a ser construída em 1994, quando eles tornaram-se amigos aos 8 anos de idade, na terceira série do ensino fundamental.
“O Leo ficava na minha frente na fila por tamanho, estudamos a vida toda juntos. Éramos do grupo mais nerd, que sofria bullying. Acho que isso aproximou muito a gente”, conta Bruno sobre seu melhor amigo.
A relação não se abalou nem quando Bruno, aos 15, se assumiu para o amigo. “Ele falou pra mim: ‘Preciso te contar uma coisa, pela nossa amizade. Eu sou gay’. Eu respondi que tudo bem e assim aconteceu. Minha única surpresa foi porque ele era o cara que pegava mais mina na turma”, relembra Leonardo, sem conseguir conter o riso.
“A sinceridade fortaleceu ainda mais nossa relação”, observa Bruno. Ao lado do amigo Magoo, os dois têm uma banda de rock, a Twinpines. No trabalho do grupo há espaço tanto para músicas que falam do amor hétero quanto para as relacionados ao amor gay. Os três músicos até gravaram o EP “Beige” com cinco musicas sobre relações homoafetivas, em 2012, graças a um edital da Prefeitura de São Paulo voltado a projetos LGBT.
“Só foi meio difícil no começo. As composições são do Bruno, como se trata mais dos sentimentos dele, então na hora de interpretar tive que me adaptar”, explica Leonardo, que é vocalista da Twinpines.
As questões LGBTs também foram para o palco da Twinpines quando algumas personalidades públicas controversas, como o pastor Silas Malafaia e o deputado federalMarco Feliciano (PSC-SP), deram declarações consideradas homofóbicas. Nessas ocasiões, Bruno tocou guitarra de vestido.
“Eu não sou participante de nenhuma organização de causas gay, mas faço muita questão de falar sobre elas, seja em música, nos shows ou em conversas”, defende Bruno.
A relação de Bruno e Leonardo tem similaridade com uma parceria musical famosa do rock nacional. O cantor Cazuza(1958-1990) e o cantor e guitarrista Roberto Frejat também eram uma dupla apaixonada por música, que era formada por um amigo gay e um hétero. No início dos anos 80, eles formaram, junto com outros integrantes, o grupo Barão Vermelho, que existe até hoje, liderado agora por Frejat. O filme “Cazuza – O Tempo Não Pára” (2005), dirigido por Sandra Werneck e Walter Carvalho, retrata um pouco desta história.

Papos sobre amor e profissão

“Quando ficamos amigos, eu estava em uma fase vulnerável, sinto que ele me guiou por uma evolução pessoal e profissional. Me deu os recursos que eu precisei para ir me construindo”. É assim que o fotógrafo Felipe Prado, 25, define a importância em sua vida do seu amigo gay, o designer Anderson Salvador, 26.
O sentimento é reciproco. Anderson se derrete ao falar do amigo. “O Fe é um irmão. Antes de ele surgir na minha vida, eu não acreditava muito nesse tipo de amizade. É alguém com quem eu posso contar para qualquer coisa”, declara o designer, sobre a amizade nascida em 2010, quando eles se conheceram numa agência de publicidade em que trabalharam juntos.
Da mesma maneira que Anderson se preocupa com a vida profissional do amigo, Felipe ajuda o designer em seus problemas amorosos. “Se for um cara cafajeste, que pesa muito na dele, ou carente, eu fico incomodado e dou um toque. Mas fora isso, eu lido da mesma maneira que eu lido com qualquer outra pessoa hétero ou gay”, pondera o fotógrafo.
O publicitário Leonardo Marconi e o relações públicas Alan Cruz, ambos de 25 anos, também tem altos papos sobre relacionamentos. “Eu falo mais sobre minha namorada do que o Alan sobre os romances dele, mas ele desabafa também”, confessa Leonardo.
A namorada tem um papel importante na história. Já que foi ela que apresentou os dois. Mas as conversas não giram apenas em torno de dilemas amorosos.
Leonardo e Alan também conversam sobre outros assuntos, como futebol, games e música. Como qualquer outra dupla melhores amigos faria.
IG
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Posted: 25 Jul 2014 08:24 AM PDT
criança palestina gaza
Menino palestino se agarra a um paramédico em Gaza após bombardeio (ApaImages/REX/REX USA)
Leonardo Sakamoto
Li reclamações de leitores de jornais e sites devido a imagens fortes vindas de Gaza com civis mortos. Uns dizem que é apelação, outros sensacionalismo. Há os que fazem teses sociológicas sobre o interesse humano em ver a desgraça alheia ou em consumir imagens de sangue e vísceras.
VEJA TAMBÉM: 7 vencedores do Nobel da Paz pedem embargos contra Israel
Alguns disseram que é o mesmo que circular fotos dos integrantes da banda Mamonas Assassinas desfigurados após a queda de seu avião ou imagens do corpo de Ayrton Senna depois do acidente em Ímola. O que é uma tremenda de uma besteira, vinda de quem não consegue diferenciar que duas imagens esteticamente semelhantes podem ser radicalmente diferentes.
Publicadas com cuidado, por mais que doam aos olhos e mexam com o estômago e atrapalhem o jantar ou o café da manhã, certas fotos têm o poder de trazer a realidade para perto. É fácil ficar indiferente diante de números de violência, mas com rostos a situação muda de figura.
crianças palestina gaza
Criança palestina vítima de ataque é atendida em hospital – Emad Nassar/Al Jazeera
Dizer que o exército israelense matou mais de 750 pessoas, dos quais mais de 150 crianças, em Gaza é uma coisa.
Mas mostrar o corpo destroçado de um rapaz moreno, de olhos bonitos, que era marceneiro, e sua noiva, professora, que gostava de cantar de manhã é outra.
Ou ainda crianças de uma mesma família, que sempre esperavam até a noite acordadas a chegada do pai que trazia comida para casa.
criança palestina gaza
Menina grita enquanto médicos tentam ajudá-la no Hospital Al-Shifa, em Gaza. Foto: Unicef/Eyad El Baba
Ou um motorista de uma ambulância, que tinha orgulho do seu trabalho.
O outro deixa de ser estatística, e passa a ser um semelhante, pois é feito de carne, osso e sangue e não de números.
Nesse momento, há uma aproximação, uma identificação, fundamental para empurrar os espectadores do conflito para ações – do protesto ao boicote. Seja em um massacre no Oriente Médio, em uma guerra entre grupos rivais na África ou um conflito armado em favelas de grandes cidades do país.
criança palestina gaza
Médicos palestinos seguram menino que teria sido ferido em um ataque israelense (Ibraheem Abu Mustafa/Reuters)
Vivemos em um mundo cuja informação se espalha em tempo real. Mesmo com essa facilidade, muitos se furtam de ter acesso a ela. E em um mundo onde a comunicação é globalizada, cresce a força e a importância de ações globalizadas pela paz.
Diante de situações extremas, como a que se vive hoje na Faixa de Gaza, fazer questão de não saber o que está acontecendo deixa de ser uma benção e passa a se configurar como uma imperdoável delinquência social. Pois como é possível cobrar ações internacionais por parte de nossos governos e empresas se fazemos questão de nos manter naquele lugar quentinho e confortável que é a ignorância?
criança palestina gaza
Menina ferida em ataque israelense (Oliver Weiken/EFE)
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Posted: 25 Jul 2014 07:34 AM PDT
las vegas dia deserto sumir
Las Vegas de dia
“É difícil imaginar um oásis maior que Las Vegas” diz uma das citações mais famosas sobre a cidade, conhecida na cultura popular por seus luxuosos cassinos e hotéis. Mas a verdade por trás da frase é que esse oásis, o maior centro urbano de Nevada e 30º dos EUA, está secando de maneira lenta e agonizante por conta de sua expansão e seu consumo desenfreado. Para alguns especialistas em recursos hídricos, a Cidade do Pecado corre o risco de desaparecer até 2036 se não encontrar mais água. Como a cidade de São Paulo, que vê suas duas principais reservas de abastecimento se esgotarem, Las Vegas tem investido na busca por soluções, algumas consideradas radicais. “É uma situação tão séria quanto o furacão Katrina ou a supertempestade Sandy”, descreve um comunicado da Autoridade para Água do Sul de Nevada*. Bilhões de dólares estão em jogo.
Fundada em meio ao deserto de Mojave, que se estende por 124 mil quilômetros quadrados abrangendo também territórios dos estados de Utah, Califórnia e Arizona, Las Vegas tem em um bom ano o equivalente a 4 centímetros de chuva, quantidade já insuficiente para atender sua demanda. Contudo, se Las Vegas dependesse de água da chuva como São Paulo, ela não seria possível. Seu crescimento econômico se deu em grande parte desde a década de 1930 graças a Represa Hoover (foto abaixo), uma das maiores obras de engenharia dos EUA, a 50 quilômetros da cidade.
Em operação nos últimos 78 anos, a barragem tornou possível a criação do Lago Mead, um reservatório artificial com capacidade para 15 trilhões de metros cúbicos de água que demorou seis anos para ser enchido e hoje, estima-se, está pela metade. O reservatório responde por 90% do fornecimento da área metropolitana e está se tornando uma aposta cada vez mais arriscada conforme a dependência dele aumenta. Na última década, a população de Las Vegas saltou de 400 mil para 2 milhões de pessoas. O turismo, que responde por 70% da economia local e 46% da força de trabalho ativa, não para de crescer. Dados consolidados de 2013 mostram que mais de 39,6 milhões de pessoas visitaram a cidade no ano passado. E, em consequência, o consumo de água dispara. Em média, para cada morador são consumidos 219 galões (cerca de 829 litros) de água por dia. Na cidade de São Francisco, na Califórnia, que tem proporções semelhantes, a média é de 49 galões por habitante/dia.
VEJA TAMBÉM: A ávore de 3.200 anos que mal cabe numa foto
“A situação é tão ruim quanto se pode imaginar e só vai piorar. E de maneira rápida”, afirma Tim Barnett, cientista climático do Instituto Scripps de Oceanografia*, um dos centros de estudo mais antigos e prestigiados dos EUA. “A cidade corre contra o relógio para os próximos 20 anos. Se não encontrar outra fonte de água, os negócios vão fechar. Ainda assim, a cidade não para de construir, o que é muito estúpido”, conta. Segundo Barnett, a diminuição do nível da água no Lago Mead, atualmente em 331 metros acima do nível do mar, é preocupante. O lago conta com dois canos de captação, um a 320 metros e outro a 304 metros. “Até o final do ano a expectativa é de que o nível da água abaixe mais 6 metros, mas é provável que com esse ritmo de crescimento econsumo, o primeiro cano comece a sugar ar até lá e o outro dure, no máximo, até o final de 2015”, explica ele. O retrocesso da água é visível conforme ilhas de rochas que nunca foram vistas ali começam a aparecer, inclusive atrapalhando a navegação esportiva no local.
las vegas deserto desaparecer
O plano de emergênciada cidade é construir um cano no ponto mais baixo para sugar o que resta de água do reservatório, a exemplo do que se faz em São Paulo com o volume morto da Cantareira. Mas o processo é muito lento e caro. Ao custo de 817 milhões de dólares, uma sonda de perfuração do tamanho de dois campos de futebol tenta abrir um buraco para o novo cano, avançando apenas um centímetro por dia. Espera-se que até o lago atingir o ponto crítico no final do ano que vem, o projeto esteja concluído.
No longo prazo, a ideia do governo local é poder construir, ao custo de 15,5 bilhões de dólares, uma segunda linha de abastecimento, que levaria 27 bilhões de galões de água subterrânea por ano de um aquífero a 520 quilômetros de distância, na área rural de Nevada. No entanto, o projeto foi embargado por um juiz após ambientalistas mostrarem um estudo de que os dutos necessários afetariam 5,5 mil acres de campos férteis, 65 quilômetros de riachos para trutas e outros 130 mil acres de habitat de perdizes selvagens, veados, alces e antílopes ameaçados de extinção. “Algo assim forneceria a falsa sensação de que há água em abundância e atrasaria decisões sobre restrição de crescimento”, comenta o cientista Rob Mrowka do Centro de Diversidade Biológica*, que fez o estudo para impedir o empreendimento. “O deserto é um câncer que se espalha por vários ecossistemas. Conforme a demanda por água se torna mais desesperadora, Las Vegas terá de começar a pensar em tirar pessoas da cidade para continuar existindo”, afirma ele.
las vegas noite
Noite em Las Vegas
A situação é preocupante. A água do Rio Colorado, onde está a Represa Hoover, é utilizada por mais sete estados, incluindo o de Nevada. A divisão do uso é legitimada por um acordo legal que data de 1922 e desde então é bastante questionado. A vizinha Califórnia, que passa pelo terceiro ano de uma grave estiagem, não pode sequer dividir uma gota, uma vez que mais de 50% daprodução de frutas e vegetais dos EUA é feita ali. E uma das proposições para salvar Las Vegas, segundo os especialistas, seria pagar bilhões de dólares ao México para poder construir plataformas de dessalinização no oceano Pacífico. Isso seria inviável no momento, porém todo tipo de solução temporária tem sido levado em conta, inclusive se desfazer dos gramados dos hotéis e resorts de Las Vegas.
Um programa da Autoridade para Água está pagando 1,50 dólar por cada 10 centímetros quadrados de grama removidos de suas propriedades. Até agora, 15 milhões de metros quadrados foram destruídos. “O Colorado é essencialmente um rio prestes a morrer. Eventualmente, Las Vegas e este pedaço da América vão desaparecer, como os índios antes de nós”, profetiza Mrowka.
*Autoridade para Água do Sul de Nevada
*Instituto Scripps de Oceanografia
*Centro de Diversidade Biológica
Julio Lamas, Blog Urbanidades
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Posted: 25 Jul 2014 07:04 AM PDT
Judith Butler israel palestina gaza
Judith Butler (reprodução)
Judith Butler já foi chamada de praticamente tudo — idiota útil, sapatona desesperada por atenção, apoiadora do terrorismo. Mas a ofensa clássica é “self hating jew” (judia que se odeia).
Americana de origem judaica, ex-professora de Retórica e Literatura Comparada na Universidade de Berkeley, na Califórnia, autora de vários livros, feminista, antisionista, ela é inimiga pública da direita israelense por sua crítica da política de Israel no Oriente Médio e por ser vista como uma traidora.
Judith é integrante do movimento Boycott, Divestment and Sanctions (Boicote, Desinvestimento e Sanções). Há dois anos, ganhou o prestigiado prêmio Theodor W. Adorno e apanhou pesado. O jornal “Jerusalem Post” — o mesmo que publicou a entrevista com o ministro das relações exteriores de Israel classificando o Brasil de anão diplomático — deu um artigo assinado por intelectuais e políticos chamando-a, entre outras gentilezas, de antissemita.
Foi acusada também de defender o Hamas e o Hezbollah numa palestra — o que ela nega. Suas palestras nos EUA costumam acabar em confusão por causa de protestos.
VEJA TAMBÉM:
Gaza, por Robert Fisk, um dos maiores especialistas em Oriente Médio
Eduardo Galeano: Quem deu a Israel o direito de negar todos os direitos?
Butler, cuja família do lado materno morreu num campo de concentração na Hungria, responde que é “doloroso alguém argumentar que quem formula críticas ao Estado de Israel seja antissemita ou, se judeu, autodesprezado.”
Em 2012, ela lançou “Parting Ways: Jewishness and the Critique of Zionism” (“Caminhos Partidos: Judaísmo e Crítica do Sionismo”), em que defendeu o binacionalismo em Israel. Para ela, a relação com o outro está no coração do que significa ser judeu: “Qualquer coabitação genuína necessita de uma mudança pessoal e social no tratamento de populações marginalizadas”, diz.
Sem romantismo, porém. “As pessoas que esperam que inimizade se transforme em amor de repente estão, provavelmente, usando o modelo errado. Vivermos uns com os outros pode ser infeliz, miserável, ambivalente, cheio até de antagonismo, mas não se pode recorrer à expulsão ou ao genocídio. Essa é a nossa obrigação.”
Em suas palestras, ela enfatiza o desconforto de ser uma judia que não se sente representada pelo estado de Israel. “Alguns políticos israelenses têm proposto a transferência de palestinos para fora do que é atualmente chamado Israel, para a Jordânia ou outros países árabes, segundo a idéia de que não haveria miscigenação de palestinos e judeus israelenses ou palestinos e comunidades judaicas”, afirma.
“Mas a segregação absoluta eu acho lamentável. Da mesma forma, há aquele famoso apelo do Hamas para empurrar os israelenses no mar. Agora, eu diria que a maioria dos políticos palestinos acreditam que não é isso que eles querem, e mesmo dentro do Hamas há alguma discussão sobre essa afirmação. Até que ela seja removida isso ainda será nocivo”.
“Acho que o que Hannah Arendt quis dizer quando falou que ‘não podemos escolher com quem convivemos no mundo’ é que todos aqueles que habitam o mundo têm o direito de estar aqui, em virtude de já estarem aqui. O ponto dela é que o genocídio não é uma opção legítima. Não é ok decidir que uma população inteira não tem o direito de viver no mundo. Não importa se essas relações são muito próximas ou muito distantes, não há direito de expurgar uma população ou rebaixar sua humanidade básica.”
Em sua opinião, existe uma saída em Israel. “Primeiro, é preciso estabelecer uma base constitucional sólida para a igualdade de todos os cidadãos, independentemente de qual possa ser que a sua religião, sua etnia ou raça”.
Depois, “é preciso acabar com a ocupação, que é ilegal e uma extensão de um projeto colonial”. Finalmente, ela propõe o direito de retorno, segundo o qual os palestinos sejam indenizados ou retornem, não necessariamente para as casas em que moravam”.
Judith Butler admite que talvez proponha uma utopia. Mas essa á função da filosofia: “Elevar os princípios que parecem impossíveis, ou que têm o status de impossíveis, insistir neles e reforçá-los, mesmo quando parece altamente improváveis. O que aconteceria se vivêssemos num mundo em que ninguém fizesse isso? Seria um mundo mais pobre”.
LEIA TAMBÉM: A entrevista exclusiva do líder do Hamas à BBC
Kiko Nogueira, DCM
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26/7 - Os Amigos do Presidente Lula DE 25/7

Os Amigos do Presidente Lula


Posted: 25 Jul 2014 04:18 PM PDT


Em janeiro de 2007, Aécio Neves (PSDB), no início do seu segundo mandato para governador de Minas, utilizou-se de sua maioria na Assembleia Legislativa para obter uma carta branca para criar cargos comissionados e nomear pessoas (a chamada lei delegada). Nesse processo, o diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER-MG) usou a legislação para nomear Fernando Quinto Rocha Tolentino, primo de Aécio, em Cláudio, local do polêmico aeroporto construído na fazenda que era do tio. Leia mais aqui e veja mais documentos
Posted: 25 Jul 2014 10:14 PM PDT

É no mínimo estranho o banco Santander estar tão preocupado assim com o resultado das urnas, a ponto de incluir no extrato mensagens contra a presidenta Dilma Rousseff.

Claro que tem candidatos como Aécio Neves (PSDB) que é considerado um verdadeiro pai para os banqueiros, porque está disposto a fazer tudo o que eles mandam: gerar desemprego, arrochar salários e aposentarias, cortar programas sociais, sucatear educação e saúde pública, transferir patrimônio público para os banqueiros privados, promover tarifaços na conta de luz do cidadão para pagar mais dividendos da Cemig na Bolsa de Valores. Tudo isso para tirar dinheiro do povo e engordar mais ainda os lucros dos bancos. Por isso Aécio é idolatrado pelo mercado financeiro, e por isso Eduardo Campos tem seguido os passos de Aécio para ser aceito no clube dos 1% mais ricos e receber doações de campanha generosas.

Dilma joga mais duro com os bancos, acabou com a farra das tarifas bancárias sem controle, tabelando o que pode e o que não pode ser cobrado e para o correntista ter controle e ter como comparar com outros bancos. Dilma também colocou o Banco do Brasil e a CEF para competir agressivamente, ampliando sua fatia no mercado, e baixou os juros na ponta, forçando os bancos privados a baixarem também. E implantou a portabilidade de contas salário e de financiamento para o cliente poder trocar de banco.

Mas Dilma governa há quase 4 anos, além do tempo que foi ministra de Lula, e o resultado de todos os bancos sérios tem sido sólidos e lucrativos no Brasil, mesmo com bancos no estrangeiro, inclusive espanhóis, enfrentando dificuldades. Então fica a pergunta: O Santander está mal das pernas, com problemas? E, se está, se agravarão caso Dilma ganhar?

Acho que o banco deu um tiro no pé. Não é só a questão, já bastante grave, de um banco fazer proselitismo político em seu extrato e, talvez, alimentar um cenário econômico especulativo contra a economia popular. É pior porque fica parecendo desespero e deixa a própria clientela que tem dinheiro aplicado com a pulga atrás da orelha. Os clientes, mesmo os coxinhas que não gostam de Dilma, devem estar se perguntando se devem se preocupar com a solidez das aplicações no Banco.

Acho que o Santander deveria esclarecer melhor qual é sua real situação de risco, diante de cenários eleitorais que ele considera adversos para si e para seus negócios.
Posted: 25 Jul 2014 02:17 PM PDT

Pagamento de desapropriação é vinculado a quitação de pendência antiga
 Fazendeiro é réu em ação por ter construído pista de pouso em sua fazenda nos anos 80 com recursos públicos

Ao escolher uma propriedade de parentes para construir o aeroporto de Cláudio (MG) no fim do seu mandato como governador de Minas Gerais, o senador Aécio Neves (PSDB) abriu caminho para que seu tio-avô resolva uma pendência judicial que se arrasta há mais de uma década.As informações estão na Folha

Dono do terreno desapropriado para a construção do aeródromo, o fazendeiro Múcio Tolentino, 88, é réu numa ação movida pelo Ministério Público estadual para obrigá-lo a devolver aos cofres públicos o dinheiro gasto pelo Estado na construção de uma pista de pouso existente no local antes de o aeroporto ser feito pelo governo de Minas.

Para garantir o ressarcimento dos cofres públicos em caso de condenação, a Justiça mandou bloquear a área em 2001, o que impede Múcio de vendê-la. Com a desapropriação, feita sete anos depois, ele ganhou o direito de receber do Estado pelo menos R$ 1 milhão de indenização pela área.

Dependendo do desfecho da ação movida pelo Ministério Público, que ainda não foi julgada, esse valor poderá ajudá-lo a pagar pelo menos parte de sua dívida com a Justiça.

O aeroporto de Cláudio foi construído dentro de um programa lançado pelo governo com a justificativa de estimular o desenvolvimento do interior mineiro. Aécio e o governo dizem que escolheram a área de Múcio para o aeródromo por ser a opção mais econômica para o Estado.

Desde o domingo (20), quando a Folha revelou que o governo Aécio construíra o aeroporto no local, o candidato do PSDB à Presidência afirma que seus parentes não se beneficiaram com a obra, argumentando que o tio contesta o valor da indenização.

Mesmo assim, uma análise dos dois processos judiciais que envolvem o terreno deixa claro que os parentes de Aécio poderão ser beneficiados diretamente pela obra, mesmo que as ações demorem décadas para chegar a um desfecho na Justiça.

A origem do imbróglio é a pista de pouso, de terra batida, construída em 1983. A obra foi executada pelo município de Cláudio, quando Múcio era o prefeito, numa parceria com o Estado, à época governado por seu cunhado, Tancredo Neves (1910-85).Em valores atualizados, a obra financiada com verba do Estado e do município custou R$ 497,5 mil. Como a área era privada, a prefeitura de Cláudio (comandada por Múcio) deveria ter desapropriado o terreno (do próprio Múcio).

O Ministério Público diz que, ao não fazer isso, o tio de Aécio se apropriou indevidamente de um bem público, a pista de pouso, que na prática se tornou local de uso exclusivo da família por 25 anos.

Em 2008, quando decidiu fazer o aeroporto, o governo de Minas alegou urgência na desapropriação e pediu o desbloqueio do terreno, autorizado pela Justiça. Em seguida, fez um depósito judicial de R$ 1 milhão para garantir o pagamento da indenização.

A Justiça determinou que o valor só será pago ao tio de Aécio depois que houver um desfecho na ação de improbidade movida contra ele. Como a ação de desapropriação não terminou, o fazendeiro pode receber ainda mais pelo terreno. Ele pede R$ 9 milhões.

Procurada pela Folha , a assessoria da campanha de Aécio afirmou que o candidato não se manifestaria sobre o assunto
Posted: 25 Jul 2014 10:25 PM PDT

Jornal GGN - O Banco Santander enviou neste mês de julho aos seus clientes de alta renda um texto afirmando que o eventual sucesso eleitoral da presidente Dilma Rousseff "deve piorar a economia brasileira".

A análise foi impressa na última página do extrato dos clientes na categoria “Select”, com renda mensal superior a R$ 10 mil - e considerados os chamados "premium". Ainda de acordo com o "comunicado" da instituição bancária, caso Dilma melhorar nas pesquisas de intenção de voto, os juros e o dólar vão subir e a Bolsa, cair.

O texto vem sob o título “Você e seu dinheiro” e orienta os clientes do Santander: um cenário eleitoral favorável à petista reverterá “parte das altas recentes” na Bolsa.


Boicote ao Santander.

Quem ainda tem conta, ou poupança, ou empréstimos, ou cartão no Banco Santander?

Sugiro trocar de banco imediatamente. Se tem conta salário ou financiamento é só fazer portabilidade. Não é tão difícil, é só procurar a Caixa ou o Banco do Brasil.

É questão até de sobrevivência, de preservar nossos próprios empregos, salários, as aposentarias, as vendas de quem tem negócios, as oportunidades de estudar e cuidar da saúde para quem precisa da rede pública. Se nada disso o atingir, pelo menos por solidariedade à massa do povo que tem todas estas coisas a perder.

O banco usou extratos para clientes de renda acima de R$ 10 mil para disseminar críticas à Dilma e fazer proselitismo político de uma política econômica negativa ao interesse nacional e gananciosa para o mercado.

Sinceramente, o cenário apontado pelo Santander acho completamente falso, a não ser no curtíssimo prazo de dois meses quanto os tubarões da Bolsa de Valores vão jantar o dinheiro das sardinhas que acreditam no que eles dizem. É como na eleição de 2002 que esses mesmos diretores de bancos inventaram o lulômetro, dizendo que a eleição de Lula prejudicava a economia. Lula foi eleito e nunca o Brasil cresceu tanto. Aliás se Serra tivesse ganho as eleições em 2010, quantas vezes já teríamos quebrado? Teria a crise grega, a crise portuguesa, a crise espanhola, etc. Haja FMI e, claro, sacrifício no lombo do povo e exigindo privatizar a Petrobras e tudo o que existe de patrimônio público brasileiro a preço de banana.

O cenário econômico que me preocuparia muito seria se Aécio Neves ou Eduardo Campos se elegessem, com as medidas chamadas pró-mercado e anti-emprego que pretendem tomar.

Primeiro porque arrocho salarial e desemprego reduziria o mercado interno levando toda a economia para o buraco, inclusive com falência de empresas por falta de clientes com dinheiro no bolso, como ocorria no tempo de FHC.

Segundo porque os demotucanos querem colocar o Brasil de novo de joelhos diante dos Estados Unidos e Europa, em vez de explorarem as oportunidades que se abrem no mundo com os BRICs e com o G-20. O retrocesso demotucano faria do Brasil o que fizeram com a Grécia, e com o próprio Brasil na época do governo FHC.

Terceiro porque o plano demotucano é fazer um tarifaço na energia elétrica, no gás de cozinha, na gasolina e no diesel para dar mais lucros aos acionistas das estatais na Bolsa de Valores, mas tudo isso arrasa todo o resto do setor produtivo. O preço da energia elétrica e de combustíveis é insumo para todo o setor produtivo, até de adubos para a agricultura, reduzindo a competitividade dos produtos brasileiros.

Quarto porque o povo não iria admitir passivamente se sacrificar com desemprego e arrocho para contentar a ganância do Banco Santander e Itaú e de empresários inescrupulosos e sem-noção de limites e de responsabilidade. A maioria silenciosa dos trabalhadores brasileiros que não participou de protestos e greves iria aderir em massa, criando um ambiente muito ruim para economia, e que os demotucanos só sabem tentar resolver com a repressão em vez de diálogo, o que agravaria mais ainda as coisas.

Quinto porque os demotucanos querem cortar verbas sociais, sucatear a educação e a saúde pública exatamente como fizeram no governo FHC sob a desculpa de cortar gastos públicos. Mas isso interrompe todo o esforço para elevar de patamar a qualificação e a renda do trabalhador brasileiro, sobretudo os mais jovens, e transformar o Brasil em país desenvolvido.

Sexto porque os demotucanos querem concentrar renda de novo na mão dos 1% mais ricos (os donos da Santander tão dentro), enquanto os 99% ficam para trás, mais pobres, exatamente como ocorreu no governo FHC.

Sétimo porque os demotucanos querem fazer com o Banco do Brasil, com a Caixa, com o BNB o mesmo que fizeram com o Banespa: entregaram o ouro para o Santander.

Oitavo porque vão detonar a Petrobras, entregando o pré-sal para petroleiras estrangeiras e privatizando em fatias a Petrobrás.

Nono porque vão reverter o marco regulatório do petróleo ao modelo vendilhão da pátria do governo FHC. Isso tiraria o dinheiro do pré-sal que vai para educação nos próximos anos, desviando para pagar dividendos na Bolsa Valores. Os donos do Santander se dariam bem e ficariam mais ricos, mas o povo brasileiro ficaria condenado ao subdesenvolvimento.

Décimo porque com a Dilma, o Banco do Brasil e CEF oferecem juros mais baratos do que o Santander, e isso faz o banco espanhol reduzir os lucros. Se os demotucanos fossem eleitos, o BB e a CEF iriam agir como um cartel seguindo a tabela informal do spread de juros imposta pela Febraban (Federação de Bancos), como era no tempo do FHC.

Poderia enumerar mais uma penca de motivos, mas paro por aqui porque dez já é mais do que suficiente.

O Banco Santander mostrou que tem seus candidatos que são dóceis a seus interesses: Aécio e Eduardo Campos. E mostrou que não mede esforços para fazer campanha contra Dilma, porque ela joga duro com os bancos em defesa do interesse da maioria do povo brasileiro.

Cada um escolha o seu lado que acha bom para si. Quem se sente como os banqueiros do Santander que mantenha suas contas, financiamentos e cartões lá.

Quem se indigna com essa conspiração da ganância e sente oprimido por estes banqueiros gananciosos não vacile: mude de banco. Boicote o Santander e o Itaúúú. Mude de preferência para um banco público, como o BB, CEF, BNB. Inclusive os lucros não serão remetidos para a Espanha, ficarão na economia brasileira.

Não fortaleça quem quer dar golpe eleitoral nas urnas e colocar as raposas tomando conta do galinheiro no Banco Central, dos US$ 370 bilhões de reservas, do caixa do INSS, do FGTS, da Petrobras, e de meter a mão em nosso bolso, através de arrochos e tarifaços.

Em tempo: não espere pela Justiça Eleitoral agir, porque o banco vai dizer que é "apenas análise econômica", e sabemos que contra Dilma a "justiça" não costuma ver nada demais. É cada um que precisa boicotar diretamente o banco. Mesmo quem não tem dinheiro aplicado pelo menos não sustente o banco com as tarifas bancárias que ele cobra.
Posted: 25 Jul 2014 01:47 PM PDT


O banco Santander  enviou  a seus clientes mais ricos junto com extratos, uma cartaem que afirma que, se a presidente Dilma subir nas  pesquisas eleitoral  a bolsa vai cair e se Dilma  vencer as eleições de outubro os juros subir e o câmbio se desvalorizar. Ou seja, a economia vai se deteriorar.(Veja na imagem parte da carta)

O terrorismo eleitoral  foi  nos extratos de julho do banco Santander para os clientes do segmento Select, que tem renda de mais de R$ 10 mil por mês. Esse posicionamento tem sido comum entre analistas do mercado financeiro e os mercados têm refletido essa mesma análise.

A cada divulgação de pesquisa eleitoral, os mercados reagem para cima se for negativa para a presidente Dilma. Mas até agora não se tinha visto um posicionamento institucional com esta opinião.

A divulgação pela imprensa do alerta enviado aos clientes no extrato de julho gerou um mal-estar geral no banco.


Posted: 25 Jul 2014 10:51 AM PDT
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Ontem, Merval Pereira, na rádio CBN, sem apurar os fatos, saiu em socorro de Aécio Neves (PSDB) propagando que a família do tucano não teria levado vantagem com aeroporto na fazenda que que era do tio.

O argumento de Merval não tem pé nem cabeça. O próprio proprietário rural Aécio Neves leva vantagem tendo um aeroporto a 6 km de distância de sua fazenda. Isto valoriza as terras. A fazenda do tio, vizinha ao aeroporto também é valorizada. O blog Tijolaço mostrou que o valor previsto da desapropriação, que está em litígio, custará aos cofres públicos de Minas cerca de R$ 4,5 milhões, e não o R$ 1 milhão inicial, como disse Aécio.

Hoje até o jornal Folha de São Paulo desmentiu a versão oficial tucana propagada por Merval.

O jornal diz a desapropriação, ao que tudo indica, resolveu um problema do tio-avô de Aécio, ajudando a quitar uma dívida com os cofres públicos, decorrente de uma maracutaia em família no passado.

O tio-avô Múcio Tolentino era prefeito da cidade em 1983. Seu cunhado Tancredo Neves (avô de Aécio) era governador e liberou verba estadual para construir uma pista de pouso de terra batida na cidade. Múcio construiu em sua fazenda particular. O Ministério Público moveu ação de improbidade administrativa para reaver o dinheiro público usado para fazer benfeitorias em propriedade privada.

Em 2008 quando o governo Aécio fez a desapropriação, ajudou a desatar os nós. O tio-avô, em vez de ter de pagar aos cofres públicos, receberia a indenização, teria dinheiro para quitar a devolução e ficaria com o troco.