domingo, 30 de novembro de 2014

30/11 - BOA NOITE com Sábado com Música

Uhull S.A.

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Posted: 29 Nov 2014 03:53 PM PST
Olá pessoal, como vai?!
Trazemos para vocês mais uma lista de vídeos lançados em 2014 e, como de costume, abordamos vários estilos. Uma pequena diferença é que nesta lista demos preferência a artistas mais conhecidos, tendo em vista o tema escolhido para a próxima semana. Eu acho que a lista está ótima, confiram aí e não deixem de participar com suas sugestões para a próxima semana!
Dê o play e deixe o som rolar:

A playlist de hoje é esta:
  1. Beyoncè – 7/11
  2. Mallory Knox – When Are We Waking Up?
  3. Jake Owen – What We Ain’t Got
  4. Scalene – Surreal
  5. Dash Berlin & 3LAU ft. Bright Lights – Somehow
  6. Pitty – Serpente
  7. One Direction – Night Changes
  8. Eminem ft. Sia – Guts Over Fear
  9. Naughty Boy – Pardon Me (Lynx Peace Edition)
  10. Stratovarius – If The Story Is Over
  11. Paramore ft. Joy Williams – Hate To See Your Heart Break
  12. JP Cooper – Satellite
  13. The Pretty Reckless – House On A Hill
  14. Y.V.E. 48 – On The Road
  15. Kelly Slater ft. Karina Zeviani & Pretinho da Serrinha – Feelin’ The Feelings
  16. Nick Jonas – Jealous
  17. Ella Henderson – Glow
  18. Boyce Avenue – Speed Limit
  19. Suricato – Baby Macumba
  20. Zeds Dead – Hadouken
O tema do próximo sábado é:

ARTISTAS “DESCONHECIDOS”

- Valem artistas solo ou bandas de qualquer nacionalidade;
– Os artistas devem estar em atividade ainda e não serem SUPER famosos, não precisa ser alguém que apenas os próprios pais conhecem… rs; (por isso as ASPAS no tema)
– Vídeos publicados nos últimos 5 anos (2010/14);
– No máximo 3 sugestões por pessoa.

Deixe suas sugestões nos comentários! (com links do youtube)
Agora você também pode ouvir o ScM no Spotify. Porém, infelizmente, nem sempre todas as músicas estarão disponíveis.

Confira também todos os Sábado com Música anteriores!
Espero que tenham gostado. Até o próximo ScM!

30/11 - BRASIL! BRASIL! de HOJE

BRASIL! BRASIL!





Posted: 30 Nov 2014 04:12 AM PST

, GGN

"Tenho a ligeira desconfiança que a presidente Dilma Rousseff arrumou sarna para coçar, um elefante em loja de louças com a provável nomeação de Katia Abreu para o Ministério da Agricultura.

Aqui mesmo louvei a indicação, pela necessidade de se ter em cada Ministério lideranças representativas do setor.

Mas Katia parece dotada de desconfiômetro zero em matéria política.

A estratégia de Dilma seria criar uma confederação brasileira no Ministério, com representantes das várias forças econômicas e sociais somando ideias, esforços e negociando diferenças. O risco é transformar o Ministério em uma rinha de galo.
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Posted: 30 Nov 2014 03:17 AM PST

Do DCM

"A Abril decidiu desativar a edição impressa da revista Info. Ela se tornou inviável na Era Digital. Apenas o site será mantido. Numa nota divulgada para a imprensa, o fim da Info foi anunciado num tom quase triunfal.

Abaixo, o comunicado:

A partir de fevereiro de 2015, a revista INFO, um dos maiores títulos de tecnologia e cultura digital do país, passará a ser distribuída exclusivamente nas plataformas digitais (tablets, smartphones e site). “Estamos apostando em um movimento pioneiro, muito coerente com a proposta da revista. Além disso, abrem-se ótimas oportunidades para nossos anunciantes”, afirma Rogério Gabriel Comprido, diretor-superintendente da UN Notícias e Negócios. “A inovação faz parte do DNA da INFO e de seus leitores, e ser uma publicação 100% digital é absolutamente adequado para esse título”, afirma André Lahóz, diretor editorial de Negócios."
Posted: 29 Nov 2014 03:14 PM PST

Posted: 29 Nov 2014 03:13 PM PST

, DCM

"A queda pode ser corajosa, pode ser digna, pode ser épica.
Ou pode ser cômica e patética.

A queda da Veja vai pelo segundo caminho.

Um episódio é particularmente revelador do anedotário que cercará a transformação de uma grande revista, na Era do Papel, para uma revistinha nos tempos digitais.

Considere.

O presidente da Abril, Fabio Barbosa, procurou o diretor de redação da Veja, Eurípides Alcântara, para tratar de um assunto que o preocupara: o envelhecimento dos leitores da revista.
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Posted: 29 Nov 2014 03:03 PM PST

"Terceira manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff após a reeleição da petista reuniu, neste sábado (29), em São Paulo, cerca de 600 pessoas, de acordo com a Polícia Militar; o número representa apenas 6% do contingente de pessoas que esteve no ato anterior, em 15 de novembro; o cantor Lobão, que abandonou a manifestação anterior, retornou ao ato deste sábado e liderou o movimento pela expulsão de um grupo que pedia intervenção militar no Brasil do protesto

Brasil 247

A terceira manifestação pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff após a reeleição da petista reuniu, neste sábado (29), em São Paulo, cerca de 600 pessoas, de acordo com a Polícia Militar. O número representa apenas 6% do contingente de pessoas que esteve no ato anterior, em 15 de novembro.
O cantor Lobão, que abandonou a manifestação anterior, retornou ao ato deste sábado e liderou o movimento pela expulsão de um grupo que pedia intervenção militar no Brasil.

A confusão começou quando o empresário Ricardo Roque, 44, usou um megafone para pedir a intervenção do Exército no Planalto. Com ele, um grupo de manifestantes levantava cartazes pedindo a volta dos militares. Em cima de um carro de som, o cantor Lobão disse que esse tipo de pauta não era bem vinda no protesto. "Essas pessoas aqui são tão alienígenas quanto o pessoal do MST", afirmou.

Com gritos, a maioria dos participantes do ato pediu a expulsão do grupo a favor da intervenção do Exército. A demanda foi atendida pela PM, que afastou os manifestantes."
Posted: 29 Nov 2014 02:54 PM PST

Miguel do Rosário, Tijolaço  

"Os procuradores que foram à Suíça buscar os documentos oferecidos pelo Ministério Público suíço, com informações ligadas ao escândalo da Petrobrás, estão de parabéns.

Merecem o destaque que tiveram na grande mídia.

Nada como termos um Ministério Público atuante, vigilante e corajoso, enfrentando os poderosos.

É de se lamentar, todavia, que, no caso do cartel dos metrôs em São Paulo, conhecido como o trensalão, a postura tenha sido diametralmente oposta.
Ninguém foi à Suíça pegar documentos.

A Suíça enviou documentos ao Brasil, e os mesmos foram “esquecidos” numa gaveta do MP federal de São Paulo.
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Posted: 29 Nov 2014 05:50 AM PST
Havana
, DCM

"Foi o Facebook, como nenhuma outra rede social da internet, que iniciou um processo inédito e ainda não dimensionado de histeria ideológica que, ao menos no Brasil, foi cristalizado sob um complexo manto de silêncio.

Digo complexo porque, até surgir uma plataforma tecnológica capaz de lhe dar cor, forma e conteúdo, esse manto foi sendo lentamente consolidado por diferentes processos de acomodação moral, política e social, sobretudo a partir das gerações subsequentes ao golpe militar de 1964.
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30/11 - "Deus não morreu, ele se tornou dinheiro"

FONTE:http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/06/deus-nao-morreu-ele-se-tornou-dinheiro.html


academia03/Jun/2013

"Deus não morreu, ele se tornou dinheiro"

“Deus não morreu. Ele tornou-se Dinheiro”. Confira abaixo a excelente entrevista com Giorgio Agamben, um dos principais intelectuais de sua geração

“O capitalismo é uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro”, afirma Giorgio Agamben, em entrevista concedida a Peppe Salvà.
Giorgio Agamben é um dos maiores filósofos vivos. Amigo de Pasolini e de Heidegger, foi definido pelo Times e pelo Le Monde como uma das dez mais importantes cabeças pensantes do mundo. Pelo segundo ano consecutivo ele transcorreu um longo período de férias em Scicli, na Sicília, Itália, onde concedeu a entrevista.
Segundo ele, “a nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governabilidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas”. Assim, “a tarefa que nos espera consiste em pensar integralmente, de cabo a cabo, aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”, afima Agamben.
A tradução é de Selvino J. Assmann, professor de Filosofia do Departamento de Filosofia da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC [e tradutor de três das quatro obras de Agamben publicadas pela Boitempo].
“Crise” e “economia” atualmente não são usadas como conceitos, mas como palavras de ordem, que servem para impor e para fazer com que se aceitem medidas e restrições que as pessoas não têm motivo algum para aceitar. “Crise” hoje em dia significa simplesmente “você deve obedecer!”. Creio que seja evidente para todos que a chamada “crise” já dura decênios e nada mais é senão o modo normal como funciona o capitalismo em nosso tempo. E se trata de um funcionamento que nada tem de racional.
Para entendermos o que está acontecendo, é preciso tomar ao pé da letra a ideia de Walter Benjamin, segundo o qual o capitalismo é, realmente, uma religião, e a mais feroz, implacável e irracional religião que jamais existiu, porque não conhece nem redenção nem trégua. Ela celebra um culto ininterrupto cuja liturgia é o trabalho e cujo objeto é o dinheiro. Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro. O Banco – com os seus cinzentos funcionários e especialistas – assumiu o lugar da Igreja e dos seus padres e, governando o crédito (até mesmo o crédito dos Estados, que docilmente abdicaram de sua soberania), manipula e gere a fé – a escassa, incerta confiança – que o nosso tempo ainda traz consigo. Além disso, o fato de o capitalismo ser hoje uma religião, nada o mostra melhor do que o titulo de um grande jornal nacional (italiano) de alguns dias atrás: “salvar o euro a qualquer preço”. Isso mesmo, “salvar” é um termo religioso, mas o que significa “a qualquer preço”? Até ao preço de “sacrificar” vidas humanas? Só numa perspectiva religiosa (ou melhor, pseudo-religiosa) podem ser feitas afirmações tão evidentemente absurdas e desumanas.
A crise econômica que ameaça levar consigo parte dos Estados europeus pode ser vista como condição de crise de toda a modernidade?
A crise atravessada pela Europa não é apenas um problema econômico, como se gostaria que fosse vista, mas é antes de mais nada uma crise da relação com o passado. O conhecimento do passado é o único caminho de acesso ao presente. É procurando compreender o presente que os seres humanos – pelo menos nós, europeus – são obrigados a interrogar o passado. Eu disse “nós, europeus”, pois me parece que, se admitirmos que a palavra “Europa” tenha um sentido, ele, como hoje aparece como evidente, não pode ser nem político, nem religioso e menos ainda econômico, mas talvez consista nisso, no fato de que o homem europeu – à diferença, por exemplo, dos asiáticos e dos americanos, para quem a história e o passado têm um significado completamente diferente – pode ter acesso à sua verdade unicamente através de um confronto com o passado, unicamente fazendo as contas com a sua história.
O passado não é, pois, apenas um patrimônio de bens e de tradições, de memórias e de saberes, mas também e sobretudo um componente antropológico essencial do homem europeu, que só pode ter acesso ao presente olhando, de cada vez, para o que ele foi. Daí nasce a relação especial que os países europeus (a Itália, ou melhor, a Sicília, sob este ponto de vista é exemplar) têm com relação às suas cidades, às suas obras de arte, à sua paisagem: não se trata de conservar bens mais ou menos preciosos, entretanto exteriores e disponíveis; trata-se, isso sim, da própria realidade da Europa, da sua indisponível sobrevivência. Neste sentido, ao destruírem, com o cimento, com as autopistas e a Alta Velocidade, a paisagem italiana, os especuladores não nos privam apenas de um bem, mas destroem a nossa própria identidade. A própria expressão “bens culturais” é enganadora, pois sugere que se trata de bens entre outros bens, que podem ser desfrutados economicamente e talvez vendidos, como se fosse possível liquidar e por à venda a própria identidade.
Giorgio Agamben
Giorgio Agamben nasceu em Roma em 1942. É um dos principais intelectuais de sua geração, autor de muitos livros e responsável pela edição italiana das obras de Walter Benjamin (Foto: Arquivo)
Há muitos anos, um filósofo que também era um alto funcionário da Europa nascente, Alexandre Kojève, afirmava que o homo sapiens havia chegado ao fim de sua história e já não tinha nada diante de si a não ser duas possibilidades: o acesso a uma animalidade pós-histórica (encarnado pela american way of life) ou o esnobismo (encarnado pelos japoneses, que continuavam a celebrar as suas cerimônias do chá, esvaziadas, porém, de qualquer significado histórico). Entre uma América do Norte integralmente re-animalizada e um Japão que só se mantém humano ao preço de renunciar a todo conteúdo histórico, a Europa poderia oferecer a alternativa de uma cultura que continua sendo humana e vital, mesmo depois do fim da história, porque é capaz de confrontar-se com a sua própria história na sua totalidade e capaz de alcançar, a partir deste confronto, uma nova vida.
A sua obra mais conhecida, Homo Sacer, pergunta pela relação entre poder político e vida nua, e evidencia as dificuldades presentes nos dois termos. Qual é o ponto de mediação possível entre os dois pólos?
Minhas investigações mostraram que o poder soberano se fundamenta, desde a sua origem, na separação entre vida nua (a vida biológica, que, na Grécia, encontrava seu lugar na casa) e vida politicamente qualificada (que tinha seu lugar na cidade). A vida nua foi excluída da política e, ao mesmo tempo, foi incluída e capturada através da sua exclusão. Neste sentido, a vida nua é o fundamento negativo do poder. Tal separação atinge sua forma extrema na biopolítica moderna, na qual o cuidado e a decisão sobre a vida nua se tornam aquilo que está em jogo na política.
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O que aconteceu nos estados totalitários do século XX reside no fato de que é o poder (também na forma da ciência) que decide, em última análise, sobre o que é uma vida humana e sobre o que ela não é. Contra isso, se trata de pensar numa política das formas de vida, a saber, de uma vida que nunca seja separável da sua forma, que jamais seja vida nua.
O mal-estar, para usar um eufemismo, com que o ser humano comum se põe frente ao mundo da política tem a ver especificamente com a condição italiana ou é de algum modo inevitável?
Acredito que atualmente estamos frente a um fenômeno novo que vai além do desencanto e da desconfiança recíproca entre os cidadãos e o poder e tem a ver com o planeta inteiro. O que está acontecendo é uma transformação radical das categorias com que estávamos acostumados a pensar a política. A nova ordem do poder mundial funda-se sobre um modelo de governamentalidade que se define como democrática, mas que nada tem a ver com o que este termo significava em Atenas. E que este modelo seja, do ponto de vista do poder, mais econômico e funcional é provado pelo fato de que foi adotado também por aqueles regimes que até poucos anos atrás eram ditaduras. É mais simples manipular a opinião das pessoas através da mídia e da televisão do que dever impor em cada oportunidade as próprias decisões com a violência. As formas da política por nós conhecidas – o Estado nacional, a soberania, a participação democrática, os partidos políticos, o direito internacional – já chegaram ao fim da sua história. Elas continuam vivas como formas vazias, mas a política tem hoje a forma de uma “economia”, a saber, de um governo das coisas e dos seres humanos. A tarefa que nos espera consiste, portanto, em pensar integralmente, de cabo a cabo, aquilo que até agora havíamos definido com a expressão, de resto pouco clara em si mesma, “vida política”.
O estado de exceção, que o senhor vinculou ao conceito de soberania, hoje em dia parece assumir o caráter de normalidade, mas os cidadãos ficam perdidos perante a incerteza na qual vivem cotidianamente. É possível atenuar esta sensação?
Vivemos há decênios num estado de exceção que se tornou regra, exatamente assim como acontece na economia em que a crise se tornou a condição normal. O estado de exceção – que deveria sempre ser limitado no tempo – é, pelo contrário, o modelo normal de governo, e isso precisamente nos estados que se dizem democráticos. Poucos sabem que as normas introduzidas, em matéria de segurança, depois do 11 de setembro (na Itália já se havia começado a partir dos anos de chumbo) são piores do que aquelas que vigoravam sob o fascismo. E os crimes contra a humanidade cometidos durante o nazismo foram possibilitados exatamente pelo fato de Hitler, logo depois que assumiu o poder, ter proclamado um estado de exceção que nunca foi revogado. E certamente ele não dispunha das possibilidades de controle (dados biométricos, videocâmeras, celulares, cartões de crédito) próprias dos estados contemporâneos. Poder-se-ia afirmar hoje que o Estado considera todo cidadão um terrorista virtual. Isso não pode senão piorar e tornar impossível aquela participação na política que deveria definir a democracia. Uma cidade cujas praças e cujas estradas são controladas por videocâmeras não é mais um lugar público: é uma prisão.
A grande autoridade que muitos atribuem a estudiosos que, como o senhor, investigam a natureza do poder político poderá trazer-nos esperanças de que, dizendo-o de forma banal, o futuro será melhor do que o presente?
Otimismo e pessimismo não são categorias úteis para pensar. Como escrevia Marx em carta a Ruge: “a situação desesperada da época em que vivo me enche de esperança”.
Podemos fazer-lhe uma pergunta sobre a aula que o senhor deu em Scicli? Houve quem lesse a conclusão que se refere a Piero Guccione como se fosse uma homenagem devida a uma amizade enraizada no tempo, enquanto outros viram nela uma indicação de como sair do xeque-mate no qual a arte contemporânea está envolvida.
Trata-se de uma homenagem a Piero Guccione e a Scicli, pequena cidade em que moram alguns dos mais importantes pintores vivos. A situação da arte hoje em dia é talvez o lugar exemplar para compreendermos a crise na relação com o passado, de que acabamos de falar. O único lugar em que o passado pode viver é o presente, e se o presente não sente mais o próprio passado como vivo, o museu e a arte, que daquele passado é a figura eminente, se tornam lugares problemáticos. Em uma sociedade que já não sabe o que fazer do seu passado, a arte se encontra premida entre a Cila do museu e a Caribdis da mercantilização. E muitas vezes, como acontece nos templos do absurdo que são os museus de arte contemporânea, as duas coisas coincidem.
Duchamp talvez tenha sido o primeiro a dar-se conta do beco sem saída em que a arte se meteu. O que faz Duchamp quando inventa o ready-made? Ele toma um objeto de uso qualquer, por exemplo, um vaso sanitário, e, introduzindo-o num museu, o força a apresentar-se como obra de arte. Naturalmente – a não ser o breve instante que dura o efeito do estranhamento e da surpresa – na realidade nada alcança aqui a presença: nem a obra, pois se trata de um objeto de uso qualquer, produzido industrialmente, nem a operação artística, porque não há de forma alguma uma poiesis, produção – e nem sequer o artista, porque aquele que assina com um irônico nome falso o vaso sanitário não age como artista, mas, se muito, como filósofo ou crítico, ou, conforme gostava de dizer Duchamp, como “alguém que respira”, um simples ser vivo.
Em todo caso, certamente ele não queria produzir uma obra de arte, mas desobstruir o caminhar da arte, fechada entre o museu e a mercantilização. Vocês sabem: o que de fato aconteceu é que um conluio, infelizmente ainda ativo, de hábeis especuladores e de “vivos” transformou o ready-made em obra de arte. E a chamada arte contemporânea nada mais faz do que repetir o gesto de Duchamp, enchendo com não-obras e performances em museus, que são meros organismos do mercado, destinados a acelerar a circulação de mercadorias, que, assim como o dinheiro, já alcançaram o estado de liquidez e querem ainda valer como obras. Esta é a contradição da arte contemporânea: abolir a obra e ao mesmo tempo estipular seu preço.

Sobre o autor

Giorgio Agamben nasceu em Roma em 1942. É um dos principais intelectuais de sua geração, autor de muitos livros e responsável pela edição italiana das obras de Walter Benjamin. Deu cursos em várias universidades europeias e norte-americanas, recusando-se a prosseguir lecionando na New York University em protesto à política de segurança dos Estados Unidos. Foi diretor de programa no Collège International de Philosophie de Paris. Mais recentemente ministrou aulas de Iconologia no Istituto Universitario di Architettura di Venezia (Iuav), afastando-se da carreira docente no final de 2009. Sua obra, influenciada por Michel Foucault e Hannah Arendt, centra-se nas relações entre filosofia, literatura, poesia e, fundamentalmente, política. Entre seus principais livros destacam-se Homo sacer (2005), Estado de exceção (2005), Profanações (2007), O que resta de Auschwitz (2008) e O reino e a glória (2011), os quatro últimos publicados no Brasil pela Boitempo Editorial.
Instituto Humanitas Unisinos

30/11 - Piketty: "Tenho simpatia pelos governos do PT”

FONTE:http://tijolaco.com.br/blog/?p=23386


Piketty: “Tenho simpatia pelos governos do PT”

30 de novembro de 2014 | 13:21 Autor: Miguel do Rosário
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A entrevista de Thomas Piketty, economista francês que lançou, há pouco, o livro O capitalismo no Século XXI, considerado um dos livros sobre economia política mais importantes das últimas décadas, para o blog Diário do Centro do Mundo, constitui um marco para a comunicação no Brasil.
Mais um dentre tantos. Falemos disso, porém, em outra ocasião. Agora falemos da entrevista em si, feita pelo jornalista Pedro Zambarda de Araújo.
Piketty é uma figura incômoda para a nossa mídia corporativa, dominada por uma direita hidrófoba, plutocrata e malandramente udenista.
É um sujeito assumidamente de esquerda, progressista, profundamente democrático.
Não é, porém, maniqueísta, do tipo que associa a esquerda ao bem puro e a direita ao mal supremo.
Uma esquerda, sobretudo, e acima de tudo, sensata.
Sabe que há vários tipos de esquerda e direita, e que o melhor lado de ambos se encontram em alguns lugares da doutrina democrática, sobretudo quando há afinidade em questões de liberdade individual e direitos humanos.
Em sua entrevista, respondeu diretamente às perguntas sobre o nosso governo e deixou bem claro:
“Tenho uma simpatia pelo PT, mas ele pode trabalhar de uma maneira melhor.”
Reproduzo abaixo os trechos que interessam mais ao nosso debate político imediato. A íntegra pode ser lida aqui.
*
DCM: Você disse que a última reforma tributária no Brasil foi em 1960. Nós, brasileiros, estamos muito lentos para cuidar de nossos impostos contra a desigualdade social?
Piketty: Disse que a última grande alteração no Imposto de Renda brasileiro foi em 1960, mas ocorreram algumas mudanças tributárias desde então. Mas é verdade que vocês precisam de uma reforma ampla nos impostos pelo menos há 15 anos. Adaptações tributárias com taxas progressivas e proporcionais podem ser boas para a realidade de hoje, de um novo século.
Nos anos de Lula e Dilma, não foram realizadas mudanças neste sentido. Eu acho que isso prossegue como uma mudança importante e necessária ao Brasil. O sistema tributário brasileiro não é nada progressista, possui muita taxação indireta que poderia se converter em impostos diretos adequados às rendas. Vocês também têm uma taxação muito pequena na tributação sobre heranças e propriedades. Para fazer isso, uma reforma nos impostos é uma necessidade.
Qual é a sua opinião da economia sob os governos do PT?
Eu acho que o Partido dos Trabalhadores fez um ótimo governo do ponto de vista social, mas poderia fazer mais. E sinceramente não entendo o pessimismo econômico de algumas pessoas com mais um governo de Dilma. Criticam os eleitores mais pobres por terem votado após receber benefícios estatais. Eu acho justo votar em Dilma Rousseff por receber o Bolsa Família e não vejo, sinceramente, nenhum problema nisso, assim como outras pessoas preferem outros candidatos. Mas parece algo das pessoas aqui de São Paulo, enquanto outras regiões, como o norte e o nordeste, pensam de maneira diferente.
O que um segundo mandato de Dilma Rousseff pode fazer de diferente?
Pode fazer uma reforma tributária com impostos progressivos, taxando os mais ricos. O governo também pode buscar uma transparência maior do ponto de vista da renda e da distribuição de riqueza. É uma boa maneira de responder à onda de críticas sobre corrupção e falta de informações. Tenho uma simpatia pelo PT, mas ele pode trabalhar de uma maneira melhor.
Existe um preconceito sobre os impostos para os mais ricos? Os integrantes do chamado 1% do extrato social utilizam a grande mídia para impor sua opinião internacionalmente?
Sim, isso existe e é um problema. Quando você tem uma porção de desigualdades, eles [os ricos] utilizam sua influência através da mídia, principalmente através dos veículos financiados de forma privada, que são guiados pelo dinheiro, e isso se tornou grande sobretudo nos Estados Unidos. No entanto, mesmo com isso, acredito que as forças democráticas se tornaram mais fortes e é um fato que, dentro da história da desigualdade, a taxação descrita pelo meu livro provocará um embate de movimentos de massa pacíficos para o futuro.

30/11 - OS INTOCÁVEIS

FONTE:http://tijolaco.com.br/blog/?p=23344


Os intocáveis

28 de novembro de 2014 | 19:35 Autor: Fernando Brito
grandis
Gilmar Mendes – sempre ele! – determinou a suspensão do processo administrativo disciplinar aberto no final de outubro pela Corregedoria Nacional do Ministério Público para investigar o procurador da República Rodrigo de Grandis por ter “esquecido” numa “pasta errada” o pedido de investigação feito pela Justiça da Suíça sobre a roubalheira do caso Alstom-Siemens no Metrô-SP e na Compnhia Paulista de Trens Metropolitanos.
Segundo o Estadão, Gilmar baseou a decisão no fato de que os colegas de De Grandis em São Paulo não viram “maldade” no “esquecimento”.
Embora isso tenha levado, inclusive, ao arquivamento de parte dos processos naquele país, por falta do envio de documentação durante tanto tempo.
Note-se que o Conselho Nacional não estava punindo De Grandis, apenas investigando De Grandis.
Não pode, diz Gilmar.
Afinal, ele é um procurador da república e o caso envolve a alta nata do tucanato paulista.
O que estamos criando, uma casta de “intocáveis”, que não têm de prestar contas de seus atos nem mesmo funcionalmente?
Basta que a “corporação” decida e está encerrado?
É melhor, então, acabar com os conselhos que fazem – ou deveriam fazer – o controle externo das instituições.
Se basta o “tribunal dos manos” decidir que está tudo bem, para quê?

30/11 - Quem vencerá a luta de ideias?



FONTE:http://tijolaco.com.br/blog/?p=23366

Quem vencerá a luta de ideias?

30 de novembro de 2014 | 11:02 Autor: Miguel do Rosário
dilma_perifa
As eleições terminaram e, como era esperado, novos desafios surgem à frente, alguns bem mais complexos do que a disputa eleitoral em si.
Um dos desafios mais difíceis, naturalmente, é fazer a luta de ideias, num contexto onde o adversário, a direita, possui o monopólio dos meios de comunicação.
Neste sábado, por exemplo, os jornais amanheceram com um forte e eficiente ataque ao PT.
Chamada na primeira página: Vaccari é aplaudido em reunião do PT.
Título de matéria que ocupa a página 3 inteira: PT aplaude acusado de corrupção.
A matéria lembra que “o mesmo tipo de reação entre os petistas ocorreu na época do mensalão, que atingiu em cheio o então chefe da Casa Civil do governo Lula, José Dirceu”.
Na página de opinião, um artigo de Ana Maria Machado, famosa escritora de livros infantis, me fez lembrar demais os anos 60.
O artigo de Ana Maria Machado é 100% lacerdista, como pode se ver pela frase com que o encerra: dizendo que falta ao Brasil “vergonha na cara”.
E o que é lacerdismo?
É uma ideologia bastante pegajosa, porque todos concordam que há corrupção e que é preciso combatê-la, mas o lacerdista joga sempre a lama no outro, no adversário.
Nos anos 60, havia muitos escritores e intelectuais escrevendo exatamente a mesma coisa, nos mesmos jornais: Gustavo Corção, Alceu Amoroso Lima, etc.
Aliás, em 1964, e também em 1954.
Passada as eleições, onde a polarização mobiliza contingentes maiores da população, fortalecendo a esquerda, a mídia ganha força, porque ela tem a estrutura profissional e comercial para manter os ataques.
A mídia é uma máquina monstruosa, que opera 24 horas por dia, em rádio, TV, jornais, internet.
A blogosfera não é máquina. São blogs tocados por gente de carne e osso, ainda um pouco cansada de um processo eleitoral desgastante.
E que tateia, agora, em busca de um novo posicionamento, diante da nova conjuntura produzida pelas urnas.
A mídia não tem dúvidas. A blogosfera tem. A mídia é rápida, porque suas decisões vem de cima, numa estrutura extremamente verticalizada. A blogosfera, assim como a esquerda em geral, precisa de tempo para maturar a nova conjuntura e se posicionar. Não há hierarquia, e sim um horizontalismo democrático orgânico.
Qualquer eventual união política entre o público progressista nasce de um processo lento e duro de debates internos.
E a esquerda novamente está mergulhada num processo de profunda discussão interna.
Por isso, aliás, que lamento a comunicação da presidenta. Ela poderia participar desse debate, de maneira republicana e democrática, através dela mesma ou de um porta-voz ou secretário de imprensa.
Repare que a mídia jamais produz autocríticas. A direita, idem.
Aécio Neves é pintado apenas como um vencedor por seus seguidores, e pela mídia.
Dilma, por seu lado, parece engolfada no tradicional anti-clímax que se segue às eleições, quando todos os idealistas precisam despertar dos sonhos criados pelos debates, e cair na realidade triste e dura de um país ainda profundamente desigual, com uma política atrasada e truculenta.
Entretanto, se Dilma fizer os movimentos certos, se fizer o contraponto necessário aos ataques da mídia, por um lado, e estabelecer um diálogo construtivo com os próprios setores políticos que a apoiaram, ela poderá emergir muito mais forte.
O meu mantra tem sido: não acreditar mais em popularidade de Datafolha.
O governo tem de cultivar, democraticamente, uma base social sólida, orgânica.
No tocante ao problema de imagem, a esta tentativa da mídia de associar o PT a corrupção, e apenas o PT, blindando o PSDB, é preciso dar respostas imediatas.
O silêncio não é aconselhável.
É preciso responder de maneira rápida e inteligente todos os ataques da grande mídia ao governo.
Entretanto, nenhuma resposta verbal será eficiente por muito tempo se não forem tomadas, simultaneamente, iniciativas democratizantes, de impacto popular.
Aí não tem para ninguém.
A mídia vai espernear, vai gritar, mas vai perder o debate.

30/11 - O Cafezinho DE HOJE

O Cafezinho




Posted: 30 Nov 2014 09:15 AM PST
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O colunista Antonio Lassance fez uma importante comparação.
Dilma foi a presidente que menos assinou atos em seu período de governo.
Alguém poderia dizer que ela é mais “democrática” por causa disso.
Não necessariamente. Os atos de uma presidenta, se discutidos com a população, e atendendo o interesse popular, constituem uma ferramenta democrática que, não usada, permite que espaços de poder sejam ocupados pelos grupos privados dominantes. Ou seja, pelos mais fortes.
Isso não é democracia, mas barbárie.
Dilma assinou o ato de participação social fora do timing, observa Lassance. Se o tivesse feito durante as manifestações de junho, teria encontrado ressonância social.
Eu acrescentaria: quando for assinar um decreto, seria de bom tom lembrar à imprensa que outros presidentes assinaram muitos mais decretos que ela.
A mídia joga com a desinformação o tempo inteiro, para acuar o governo e impedir que ele tome decisões que signifiquem maior empoderamento de setores populares, e redução do espaço dos plutocratas.
Neste momento, em que se vê diante de um congresso mais conservador, e ao mesmo tempo contando com maior apoio das ruas (apoio que declinará rapidamente se a presidenta e o governo insistirem no silêncio), o poder da caneta presidencial ganha outro peso, naturalmente.
As primeiras canetadas de Dilma poderiam ser justamente no sentido de gerar uma atmosfera política mais participativa, resgatando a energia criada pela polarização eleitoral.
É burrice jogar fora o que se conquistou no segundo turno, sem trabalhar o símbolo, a comunicação, os sonhos.
A mídia está apostando pesado na divisão dos grupos que apoiaram a eleição vitoriosa da presidenta Dilma.
E está conseguindo. Sem uma grande ação para explicar as metas e as diretrizes, haverá dispersão e, pior, proliferação de grupelhos barulhentos de oposição.
A primeira canetada poderia ser a criação de um serviço de porta-voz para fazer um contraponto diário à mídia.
Um rebate democrático, moderado, elegante.  Poderia até usar o humor e a ironia, por que não?
Criou-se uma estranhíssima jurisprudência no Brasil.
A presidenta da república, o maior cargo político nacional, é aquele que parece ter menos liberdade para se expressar.
Com Lula não era assim, porque ele mesmo falava à vontade. Inclusive besteira, mas falava e isso era importante.
O problema agravou-se terrivelmente com Dilma.
Temos uma inversão de valores aqui. A Constituição proíbe, terminantemente, magistrados de exercerem atividade político-partidária. E eles fazem proselitismo político diariamente, às vezes até durante a leitura de uma sentença.
Já a presidenta, que é um representante político, eleita pela maioria da população numa vitória épica, em que a lucidez e o bom senso venceram a máquina monstruosa de mentiras e desinformação da grande mídia, não pode falar nada?
Os ataques à presidenta costumam vir sempre acompanhados de ataques aos movimentos sociais e à esquerda.
A presidenta não é atacada quando cede à direita; apenas quando atende aos trabalhadores.
Por isso um sistema defensivo é tão caro ao movimento social, porque não é uma defesa do governo, mas uma proteção das decisões oficiais em favor dos interesses populares.
*
O maior desafio de Dilma
O maior desafio da presidenta não é o de derrotar a oposição, nem o de recuperar a economia, nem garantir maioria no Congresso. É o de fazer o governo fluir.
Por Antonio Lassance, na Carta Maior.
A caneta de presidente é para ser usada
Para quem tem o desafio de realizar um governo novo com ideias novas, a presidenta tem que fazer diferente do que fez em seu primeiro mandato.
Durante a II Conferência Internacional de Estudos Presidenciais (UFMG, 13 e 14/11), mostrei um gráfico que considero deveria ser objeto de preocupação política, mais do que de curiosidade acadêmica:
PRESIDÊNCIAS_Taxa_de_ativismo_unilateral

Gráfico – Número de atos presidenciais por tempo de mandato
O gráfico demonstra o quanto os presidentes da República tomaram decisões em nível suficiente para responder às situações que enfrentaram, dar rumo ao governo, fazer coisas novas ou desfazer o que não andava bem ou não fazia mais sentido.
É preciso descontar alguns exageros. O pico da curva é a curta presidência de José Linhares, o presidente do STF que, tutelado por militares, sucedeu Getúlio Vargas quando este foi derrubado em 1945.
Muitos presidentes gastaram seu tempo não só construindo um novo governo, mas desfazendo a herança de governos anteriores – caso dos presidentes generais de 1964 a 1985, do governo Sarney e do citado Linhares.
Fora isso, o gráfico é um bom indicador da capacidade presidencial de tomar decisões e implementá-las por meio de seus atos (decretos, medidas provisórias e, nos casos mais antigos, decretos-lei).
Analisando desde Deodoro (o primeiro), Dilma (a última da linha) está, até agora, entre uma das presidências que menos tomou e implementou decisões.
Entre os presidentes de maior atividade, fora os da ditadura e Vargas – no Estado Novo – está o presidente JK. Ou seja, presidências democráticas também podem e devem fazer uso do poder que têm à disposição, e podem fazê-lo da forma mais amigável possível – sem melindrar o Congresso.
Lula, extremamente cuteloso em seu primeiro mandato, imprimiu ao segundo uma trajetória ascendente de reformismo. Passou a usar mais e melhor suas canetadas.
Essa curva ascendente foi não apenas interrompida no primeiro mandato de Dilma.
A presidenta hoje figura entre aqueles de menor ativismo, junto com a maioria dos presidentes da República Velha, a época em que a República era sobretudo comandada pela chamada “política dos governadores”.
É preciso trocar o remo pelo leme
Como Dilma está longe de ter uma concepção de governo minimalista, muito pelo contrário, o diagnóstico mais provável do que está acontecendo não é muito difícil de ser extraído.
A Presidência acumulou para si mais tarefas do que consegue lidar, com um grau de concentração e gosto pelos detalhes que tornam qualquer mudança e melhoria incremental um verdadeiro parto.
Os ministérios, que são os grandes responsáveis por propor tais melhorias e patrocinar ajustes na administração, se sentem esvaziados e desestimulados a propor, a não ser em casos graves, muitas vezes, quando a porta já foi arrombada.
Paradoxalmente, Dilma usou pouco a caneta de presidente por conta do excesso de centralismo de sua presidência. Por isso há tinta sobrando.
No seu dia a dia, a preocupação maior do governo não tem sido a de navegar, mas simplesmente remar.
Salvo pela criação de alguns novos programas, o que aconteceu nas demais situações é que a principal atividade do governo tem sido apenas a de tocar a máquina, pondo lenha na fogueira e confiando que tudo o mais já está devidamente nos trilhos.
O retrospecto da política de comunicação, ela própria não tendo passado por qualquer grande mudança institucional, mostra que o governo mal se preocupou em melhorar até mesmo o apito do trem.
Já passou da hora de descer do umbuzeiro
O caso do decreto da política e do sistema nacional de participação popular (Decreto nº 8.243/2014) é um exemplo.
O governo demorou quase um ano, desde as manifestações de junho de 2013, para baixar uma norma interna quase banal.
Quando finalmente o decretou saiu, o governo já havia perdido o famoso “timing”.
A janela (“policy window”) aberta pelas manifestações, que pediam maior abertura, transparência e participação aos governos, já se havia fechado e o clima de campanha tomava conta do país.
A proposta virou polêmica e foi duramente criticada não por suas linhas ou entrelinhas, mas pelo momento e por supostas intenções. Há inúmeros outros exemplos similares.
Por isso, o maior desafio da presidenta não é o de derrotar a oposição, nem o de recuperar a economia, nem o de garantir maioria no Congresso. Antes, é o de fazer o governo fluir para que todas as demais coisas possam acontecer.
Dizem que Dilma leu e gostou da biografia de Getúlio Vargas escrita por Lira Neto.
Um dos achados do biógrafo, em seu primeiro livro, foi a descoberta da primeira lição política aprendida por Vargas.
Quando criança, sempre que seu pai queria castigá-lo – em uma época em que espancar crianças era tido como parte da educação familiar -, Getúlio aprendeu a se esconder no alto de um umbuzeiro e só descer quando todos se desesperavam com seu sumiço.
Era então a hora de descer do umbuzeiro. O castigo já tinha sido deixado de lado e a preocupação com o menino dava a ele a oportunidade de ser recebido de braços abertos.
Getúlio está entre os presidentes que melhor souberam usar sua caneta de presidente, mesmo quando estava escondido em cima do umbuzeiro.
Hoje, o que se espera de quem prometeu um governo novo e com ideias novas é entender que já passou da hora de descer do umbuzeiro. Principalmente quando já se vê uma oposição disposta a golpear o tronco com machados.
(*) Antonio Lassance é cientista político.

30/11 - Blog do Planalto DE HOJE

Blog do Planalto

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Posted: 30 Nov 2014 04:00 AM PST
O Banco Central lançou as primeiras nove moedas comemorativas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016: uma de ouro, quatro de prata e quatro de circulação comum. Serão 36 moedas lançadas até 2016.
Moedas de Ouro dos Jogos Olímpicos 2016. Fonte: Divulgação/Banco Central
Moedas de Ouro dos Jogos Olímpicos 2016. Fonte: Divulgação/Banco Central
A moeda de ouro homenageia, além do Cristo Redentor, a corrida de 100 metros rasos, um dos esportes que representa o lema Olímpico “Citius, Altius, Fortius” (mais rápido, mais alto, mais forte).
As moedas de prata homenageiam o Rio de Janeiro com paisagens conhecidas onde o carioca pratica esportes como remo, corrida, ciclismo e vôlei de praia; e aspectos da cultura e da natureza da cidade e do Brasil, como golfinhos, bromélias e os Arcos da Lapa. Os esportes Olímpicos e Paralímpicos são os destaques das moedas de circulação comum.
No primeiro lançamento, Atletismo e Natação representam dois dos esportes em que o Brasil conquistou mais medalhas em Jogos Olímpicos; Golfe e Paratriatlo, as duas modalidades que passarão a fazer parte dos Jogos de 2016. As moedas de R$1 entrarão em circulação pela rede bancária e uma parte será vendida em embalagens especiais para coleção. Após o lançamento, as moedas poderão ser adquiridas no site do Banco do Brasil por meio de boleto bancário ou, no caso de correntistas do Banco, débito em conta. As moedas também estarão à venda, apenas em dinheiro, em algumas agências do BB.
Todos os projetos foram desenvolvidos pelas equipes do Banco Central e da Casa da Moeda do Brasil, com o suporte técnico do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.
Em 2015, em data a ser divulgada, estarão disponíveis dois conjuntos: com as quatro primeiras moedas de prata e com as quatro de circulação comum. O segundo lançamento do Programa Olímpico ocorrerá no primeiro semestre de 2015.

30/11 - Portal Luis Nassif DE HOJE

Mensagens de blog - Portal Luis Nassif




Posted: 30 Nov 2014 03:01 AM PST
Blog EntreMentes
O caminhão mais longo do mundo encontra-se no Brasil!
É este... "treminhão", usado para o transporte de cana-de-açúcar.
Depois que você ultrapassá-lo em uma rodovia esburacada, repetir a proeza com relação a caminhões e carretas vai ser fichinha.


E por falar em ultrapassagem...

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Posted: 29 Nov 2014 08:53 PM PST

YouTube http://youtu.be/X_BYC1opLhI
Zé Keti canta "Mascarada" (Zé Keti e Elton Medeiros) no Ensaio TV Cultura
Zé Keti, nome artístico de José Flores de Jesus,
(Rio de Janeiro, 6 de outubro de 1921 — 14 de novembro de 1999)
Cantor e Compositor de SAMBA

 


Em Uma Festa de BAMBAS um Senhor da Velha Guarda levantou e Disse
- " VAMOS CANTAR O SAMBA DOS SAMBAS "
e TODOS " EU SOU O SAMBA,
SOU NATURAL DAQUI DO RIO DE JANEIRO " Zé Keti


SAMBA
derivação de rítmos africanos como lundu e jongo, o Samba não surge como música, mas sim como dança popular. Vem da expressão semba, do quimbundo africano. Quer dizer umbigada e serve para descrever uma dança de roda em que os solistas chegam a tocar-se pela barriga, No final do século XIX, emprega-se a palavra Samba para designar qualquer tipo de baile ou festa popular, como forró ou arrasta-pé. Com andamento vivo, em ritmo 2/4, diferencia-se de marcha e do batuque, sendo influenciado por ambos.

O primeiro registro fonográfico importante é Pelo Telefone, sucesso do Carnaval de 1917 composto por Ernesto dos Santos, o Donga. Quem primeiro recebe o título de Rei do Samba é o carioca Sinhô. Surgem ramificações como Samba de breque, samba-canção e o samba-exaltação


SAMBA ENREDO
a partir dos anos 30 torna-se o gênero por excelência do Carnaval Carioca com os primeiros desfiles de Escolas de Samba, o Samba de enredo se consolida. As letras apresentam o resumo de um tema histórico, folclórico ou biográfico. Por sua rítmica singular é considerado o gênero brasileiro de execução mais difícil por estrangeiros






A Voz do Morro
Composição: Zé Keti

Eu sou o samba A voz do morro sou eu mesmo sim senhor
Quero mostrar ao mundo que tenho valor
Eu sou o rei do terreiro
Eu sou o samba

Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria
Para milhões de corações brasileiros

Salve o samba, queremos samba
Quem está pedindo é a voz do povo de um país
Salve o samba, queremos samba
Essa melodia de um Brasil feliz




30/11 - CRÔNICA DO GOLPE: O CERCO A TÓFFOLI



CRÔNICA DO GOLPE: O CERCO A TÓFFOLI E A TÁTICA DO “TIRA BOM, TIRA MAU”
Descrição: Eduardo Guimarães
EDUARDO GUIMARÃES30 DE NOVEMBRO DE 2014 ÀS 19:37
A boa notícia é que, segundo essa e outras fontes, as contas de campanha de Dilma apresentam uma higidez muito grande. Gilmar correrá um grande risco tentando distorcer alguma coisa
Na sexta-feira, o blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo publicou um texto incomum. O atual guru da direita brasileira saiu em defesa do ministro do STF José Antonio Dias Tóffoli (!) por conta de matéria do Blog do repórter Fausto Macedo no portal do Estadão que relatou denúncia do Ministério Público contra o irmão mais velho daquele ministro.
Abaixo, trecho do post de Azevedo.
Descrição: http://www.brasil247.com/get_img?ImageWidth=538&ImageHeight=606&ImageId=406827
 
Uau! Azevedo dizendo que “denúncia ainda não é condenação”? Daria para encher a Biblioteca da Alexandria tudo que o blogueiro da Veja escreveu condenando pessoas na mesma situação do irmão de Tóffoli. Um exemplo recente é o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto.
É óbvio que o neo “garantismo” de Azevedo tem uma razão (cínica) de ser.
Não, eu não leio Reinaldo Azevedo – a menos que tenha um motivo que valha pena tão dura. E esse motivo que me levou a tal empreitada foi um fenômeno que não ocorre sempre no jornalismo: fonte importante procurar o jornalista em vez de ser procurada por ele.
A fonte (mais do que fidedigna) me procura para ironizar o texto de Azevedo:
Estão ‘seduzindo’ o Tóffoli por conta das contas de campanha no TSE
A sedução não começou agora; começou logo após a escandalosa “distribuição por sorteio” das contas de campanha de Dilma Rousseff no TSE, que colegas de blogosfera dizem que não teve nada demais por – com todo respeito – estarem desinformados.
Senão, vejamos: no dia 14 último, a jornalista Vera Magalhães, da Folha, publicou matéria dando conta de que duas prestações de conta da campanha de Dilma Rousseff caíram na mão de Gilmar Mendes por “sorteio”.
Confira, abaixo, a matéria
Descrição: http://www.brasil247.com/get_img?ImageWidth=575&ImageHeight=613&ImageId=406826
O que aconteceu no TSE foi um fenômeno impressionante. Se foi coincidência, deveria entrar no Guinness Book. No mesmo dia, na mesma Corte, dois processos de Dilma foram entregues ao mesmo juiz – as contas da campanha de Dilma e as contas dos gastos do PT para a campanha de Dilma.
Os dois sorteios, ocorridos um após o outro, no mesmo dia, hora e local, deram Gilmar Mendes na cabeça. Coincidência é isso aí, o resto é fichinha.
Mais engraçado ainda é que dias antes Toffoli participou de um almoço em Brasília no qual brincou com uma possível fatalidade para Dilma, ou seja, as contas de campanha dela caírem nas mãos de Gilmar.
“Já pensou se isso acontece?”, provocou o ministro do STF.
Tóffoli, a partir daquele sorteio esquisito, passa a ser submetido à uma tática de investigação policial que Hollywood celebrizou: a tática do “Tira bom, tira mau”. Um é feroz, faz ameaças o tempo todo. O outro é bonzinho. Diz ao interrogado que seu colega está muito bravo é que não sabe se vai conseguir contê-lo.
Aquele que até há pouco era considerado por Reinaldo Azevedo como um títere do PT no STF, o que fez o ministro ser alvo de muita baixaria do blogueiro da Veja, começou a ser seduzido logo após esse episódio do sorteio das contas de campanha de Dilma.
Logo em seguida ao sorteio tabajara, Tóffoli foi convidado a participar do programa Jô Soares, onde defendeu a dita “PEC da Bengala”, que pretende tirar de Dilma Rousseff as nomeações de ministros do STF que ela poderá fazer até 2018.
Mas por que estão seduzindo Tóffoli se, mesmo que Gilmar Mendes rejeite as contas de campanha de Dilma, o processo será julgado por sete ministros do STF?
Explico: entre os sete ministros, três são vistos como “legalistas” e quatro são considerados como “partidários”.
Os ministros “legalistas” seriam Maria Thereza de Assis Moura [que relata as contas de Aécio Neves], Henrique Neves da Silva [que Dilma não reconduziu ao cargo após seu mandato vencer, mas que deve reconduzir] e Luciana Lóssio.
Três dos quatro ministros “partidários” são Gilmar Mendes e Luiz Fux (que dispensam apresentações) e João Otávio de Noronha (nomeado para o STJ pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e que é amigo do peito de Aécio Neves).
O sétimo membro “partidário” do TSE é José Antonio Dias Tóffoli, presidente daquela Corte. Inicialmente, era visto como “partidário” por ter trabalhado para o PT e ter sido advogado-geral da União de Lula.
O “novo” Toffoli seria o fiel da balança se uma eventual rejeição das contas de campanha de Dilma fosse julgada pelo plenário do TSE. Por conta disso, está sendo seduzido e ameaçado ao mesmo tempo.
Diante de Tóffoli está sendo colocada uma “escolha de Sofia”. Ele pode escolher entre o céu e o inferno, ou seja, entre não endossar uma artimanha qualquer de Gilmar para rejeitar (total ou parcialmente) as contas de campanha de Dilma e virar alvo da mídia ou endossar e virar um novo Joaquim Barbosa, sendo aplaudido em aeroportos e restaurantes chiques.
A boa notícia é que, segundo essa e outras fontes, as contas de campanha de Dilma apresentam uma higidez muito grande. Gilmar correrá um grande risco tentando distorcer alguma coisa.
Contudo, não vamos nos esquecer de que estamos no país do julgamento do mensalão, no qual ocorreram condenações sem provas e o qual um ministro do STF considerou “ponto fora da curva”. Está provado que, em se tratando do PT e havendo maioria, o golpismo não se deixa constranger e rasga a camisa. Sem pudor.
 

30/11 - Organização dos Países Exportadores

Vila Vudu...

A reunião da OPEP em Viena na 5ª-feira foi como divisor de águas, no ir e vir da maré da política de energia. A Arábia Saudita expôs ali, sem meias palavras, a decisão de que não haverá qualquer corte na produção para deter a acentuada queda nos preços do petróleo. Ouviram-se vozes discordantes, mas na OPEP os sauditas mandam e desmandam.

Será o raiar de uma ‘nova ordem do petróleo’? Os sauditas distribuíram notícias de que a OPEP está realmente em guerra aberta contra os produtores norte-americanos de petróleo de xisto, e de que é guerra necessária, para que se preservem as fatias de mercado dos países reunidos na OPEP.

Mas, privadamente, os sauditas já informam que todos
tratem de aprender a viver com menor renda por um ano ou dois, e que se agarrem com unhas e dentes à própria fatia de mercado. Mas nem todos estão convencidos de que a posição dos sauditas seja autêntica.

Há mérito na posição dos sauditas, na medida que já se constatou grande mudança no mercado global de petróleo nos anos recentes. Se o forte aumento nos preços do petróleo em meados dos anos 2000 (graças a forte aumento na demanda global) galvanizou a busca por novas fontes, e eventualmente levou ao uso das revolucionárias tecnologias do fracking e da perfuração horizontal, para extrair petróleo de “formações de xisto” nos EUA, o salto na produção gera a
ameaça de crise de excesso de oferta.

Somada ao
enfraquecimento da demanda por petróleo na Europa (Alemanha) e Ásia (China e Japão), só a produção adicional dos EUA (4 milhões de barris/dia) significa aumento substancial na oferta (antes baseada em 75 milhões de barris/dia). Além disso, houve aumento na produção de petróleo também no Canadá e na Rússia, e a Líbia está de volta aos negócios, depois da caótica “mudança de regime” pela qual o país passou.

Essencialmente, a OPEP (saudita) decidiu deixar o preço cair a um preço tal que os projetos de perfuração de altíssimo custo em curso nos EUA sintam que a nova produção é antieconômica e sejam forçados a desistir.

É gambito de alto risco, porque ninguém sabe com certeza qual o ponto a partir do qual a extração de petróleo de xisto tornar-se ‘não lucrativa’.

Na verdade, a combinação de demanda mais fraca e oferta crescente fez o preço cair de $115/barril em meados de junho, para $80 em meados de novembro. Depois da reunião da OPEP na 5ª-feira, os preços literalmente desabaram. O Brent cru está agora em torno de $70/barril.

Claramente, a influência da OPEP sobre o mercado mundial de petróleo já não é hoje a mesma de antes, historicamente. Até o presente, a OPEP (que produz hoje 40% do petróleo do mundo) podia ‘controlar’ efetivamente o preço mundial do petróleo pelo método simples de coordenar cortes (ou picos positivos) na produção. Já não é o caso.

“Produziremos 30 milhões de barris/dia nos próximos seis meses, e veremos como se comportam os mercados”. Assim o secretário-geral da OPEP, Abdalla El-Badri comentou o resultado da reunião de 5ª-feira em Viena. Em resumo, há à vista uma nova era no mecanismo de fazer preço para o petróleo, na qual o próprio mercado administrará a oferta, não mais a OPEP.

Enquanto isso, para todos os efeitos práticos,
a OPEP declarou guerra aos perfuradores norte-americanos de xisto, com os EUA como novo ‘produtor duvidoso’ [orig. ‘swing producer’]. O impacto de tudo isso na política mundial não pode ser mais profundo. Se o mundo estava dividido entre países produtores e países consumidores de petróleo, os países consumidores serão os grandes ganhadores.

A queda nos preços do petróleo para $70 ou abaixo disso por barril é como ganhar a sorte grande para aquelas economias e entre elas estão a União Europeia, China, Japão e Índia. A conta a pagar por petróleo importado da Índia, ano passado, chegou a $135 bilhões. A economia é muito substancial.
Moscou deu-se por parte prejudicada, com EUA e Irã, os principais perdedores ante a queda nos preços do petróleo. Mas a história não acaba aí. Moscou parece ter interesses comuns com a Arábia Saudita, como país produtor interessado em desalojar do mercado o petróleo de xisto dos norte-americanos.

Interessante: o ministro de Relações Exteriores da Arábia Saudita Faisal Al-Saud visitou Moscou apenas uma semana antes da reunião da OPEP, e os dois países concordaram amplamente com a abordagem saudita a ser divulgada, como foi, na reunião da OPEP.

Como o ministro de Relações Exteriores da Rússia
Sergey Lavrov disse depois das conversações com o ministro saudita, “quando países exportadores de petróleo veem desequilíbrio entre oferta e demanda, quando veem que a oferta ou a demanda está sendo artificialmente manipulada por atores particulares no mercado, é claro que têm o direito de tomar medidas que visem a corrigir aqueles fatores não objetivos, para devolver o mercado à sua posição natural.”

Mais uma vez, a queda nos preços do petróleo teria variados impactos também na China. O ponto é que se sabe que a China tem as maiores reservas do mundo de gás de xisto. Atualmente está às voltas com a extração – o que pode mudar, se a tecnologia norte-americana for acessível.

A assinatura do recente acordo entre China e os EUA pode dar o ímpeto de que os dois lados carecem para cooperar na extração do petróleo de xisto.

Mas, feitas todas as contas, a atitude dos sauditas, de desafio, é jogada arriscada. Com certeza é mais barato bombear petróleo na Arábia Saudita, que extrair petróleo de solos de xisto no Texas ou no Dakota do Norte. Em princípio, claro, se o preço do petróleo continuar a cair, pode acontecer de os produtores norte-americanos fugirem do negócio – com o que os preços do petróleo se estabilizarão e a OPEP manterá sua fatia de 40% do mercado.

O caso é que ninguém sabe qual terá de ser o preço do petróleo no mercado mundial, para que o boom do xisto realmente fracasse. A Agência Internacional de Energia só sabe que cerca de 4% dos projetos de xisto dos EUA podem ruir, se o preço do petróleo cair abaixo de $80/barril. Por outro lado, muitos projetos na formação Bakken no Dakota do Norte permanecerão nos negócios, a menos que os preços do petróleo caiam abaixo de $42/barril (o que é impensável).

Será longa jornada noite adentro até junho, quando deve acontecer a próxima reunião da OPEP. *****