domingo, 31 de maio de 2015

31/5 - Portal Metrópole DE HOJE


Portal Metrópole


Posted: 31 May 2015 04:13 PM PDT
Salman Khurshid e Luiz Alberto Figueiredo

Se você pensa em um dia visitar Miami, mandar seu filho estudar nos Estados Unidos, ou acha que seus netos vão crescer em um mundo regido pelo Tio Sam, está na hora de rever seus conceitos

Por Mauro Santayana

“A civilização é um movimento, e não uma condição. Uma viagem, e não o porto de destino.” A frase, do historiador inglês Arnold J. Toynbee, define como poucas o curso da história. Raramente percebemos a história, enquanto ela ainda está acontecendo, a cada segundo, à nossa volta. O mundo se transforma, profundamente, o tempo todo. Mas as maiores mudanças são as imperceptíveis. Aquelas que quase nunca aparecem na primeira página dos jornais, normalmente tomada por manchetes que interessam a seus donos, ou por chamadas de polícia ou futebol. Esse é o caso das notícias sobre os Brics.
Quem já ouviu Pink Floyd (Another Brick in the Wall) pode confundir o termo com brick, palavra inglesa que quer dizer tijolo. Se gostar de economia, vai lembrar que essa é uma sigla inventada em 2001 por um economista do grupo Goldman Sachs.
Mas poucas pessoas têm ideia de como o Bric vai mudar o mundo e sua própria vida nos próximos anos. Antes um termo econômico, o Brics, grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, está caminhando – aceleradamente, em termos históricos – para se transformar na aliança estratégica de alcance global que vai mudar a história no século 21.
O que juntou esses países? Para Jim O’Neill, criador do vocábulo, foi seu potencial econômico e de crescimento. Mas, para esses países, o que os aproxima é seu desejo de mudar o planeta. Dominados ou combatidos pelos Estados Unidos e pela Europa, no passado, eles pretendem desafiar a hegemonia anglo-saxônica e “ocidental”, e mostrar que outro mundo é possível, na diplomacia, na ciência, na economia, na política e na questão militar.
Três deles, Rússia, Índia e China, já são potências atômicas e espaciais. O Brasil e a África do Sul, embora não o sejam, têm indiscutível influência em suas respectivas regiões, e trabalham com a mesma filosofia. A construção de uma nova ordem mundial, mais digna e multipolar, em que haja menor desigualdade entre os países mais ricos e os que estão em desenvolvimento.
A união faz a força. O Brics sabe disso, e seus concorrentes, também. Por isso, os meios de comunicação “ocidentais” e seus servidores locais movem forte campanha contra o grupo, ressaltando pontos negativos e ocultando e desencorajando as perspectivas de unidade.
Mesmo assim, eles estão cada vez mais próximos. A cada ano, seus presidentes se reúnem. Na ONU, votam sempre juntos contra ataques ocidentais a países do Terceiro Mundo, como aconteceu no caso da Síria, há poucas semanas. Controlam 25% do território, 40% da população, 25% do PIB e mais de 50% das reservas internacionais do mundo. China e Brasil são, respectivamente, o primeiro e o terceiro maiores credores dos Estados Unidos.
Por crescerem mais que a Europa e os Estados Unidos, e terem mais reservas internacionais, os Brics querem maior poder no Banco Mundial e no FMI. Como isso lhes tem sido negado, estão criando, no próximo ano, o próprio banco, com capital inicial de US$ 100 bilhões.
No final de outubro, o Brasil – que já compra helicópteros militares russos, tem um programa conjunto de satélites de monitoramento com a China, vende aviões radares para a Índia e desenvolve mísseis com a Denel Sul-africana – foi convidado a juntar-se a russos e indianos no desenvolvimento e fabricação de um dos aviões mais avançados do mundo, o Sukhoi T-50, caça-bombardeiro invisível a radares, capaz de monitorar e atingir alvos múltiplos, no ar e em terra, a 400 quilômetros de distância.
Também em outubro, Brasília recebeu a visita do chanceler indiano Salman Khurshid, que, em conjunto com o ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, estabeleceu como meta aumentar o comércio Brasil-Índia em 50%, de US$ 10 bilhões para US$ 15 ­bilhões, até 2015.
Na área de internet, Rússia e Índia já declararam apoio ao novo marco regulatório defendido pelo Brasil para a rede mundial. E planeja-se o Brics Cable, um cabo óptico submarino de 34 mil quilômetros que, sem passar pelos Estados Unidos ou pela Europa, ligará o Brasil à África do Sul, Índia, China e Rússia, em Vladivostok. No comércio, na cooperação para a ciê­ncia e o ensino, na transferência de tecnologia para fins pacíficos não existem limites para os Brics.
Se você pensa um dia em visitar Miami, mandar seu filho estudar nos Estados Unidos, ou acha que seus netos vão crescer em um mundo regido pelo Tio Sam, está na hora de rever seus conceitos.
Há grande chance de que a segunda língua deles seja o mandarim. De que viajem, a passeio, para Xangai, e não para a Flórida. De que usem uma moeda Brics, e não dólar. E vivam em uma era em que não existirá mais uma única grande potência, mas seis ou sete, entre elas o Brasil. Em um mundo em que a competição geopolítica se dará, principalmente, entre os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e os que comporão outro organismo internacional, liderado pelo Brics.
Posted: 31 May 2015 04:19 PM PDT


Jogo viral se espalhou pelo mundo nos últimos dias através das redes sociais; Jogo equivocado pode ser perigoso, alerta um dos maiores padres exorcistas da Igreja Católica

Por Redação

Nos últimos dias, um “jogo de invocação de espíritos” denominado “Charlie Charlie”, foi espalhado nas redes sociais, que para alguns seria uma versão simplificada da ‘Ouija’ ou ‘Jogo do Copo’. Milhões de jovens em todo mundo asseguram tê-lo praticado e existe uma grande preocupação pelo mencionado risco de possessão demoníaca àquela pessoa que se expõe ou a quem o realiza, adverte um conhecido exorcista espanhol.
O ‘jogo da última moda’ –conforme o descrevem seus difusores nas redes sociais- consiste em um par de lápis ou canetas, um papel e a invocação de um espírito chamado “Charlie” que responde com ‘sim’ ou ‘não’ as perguntas que lhe fazem.
Consultado pelo Grupo ACI no dia 27 de maio, o famoso exorcista espanhol José Antonio Fortea advertiu: “O chamado ‘#CharlieCharlieChallenge’ presume uma ‘invocação de espíritos’ e alguns espíritos, como resultado dessa prática, perseguirão àqueles que a realizem”.
Embora Fortea considere que por jogar os jovens não venham necessariamente “a serem possuídos”, o espírito invocado “ficará ao redor destas pessoas por um tempo”.
Além disso, advertiu: “A prática deste conhecido jogo fará que outros queiram introduzir-se numa comunicação mais frequente. E deste modo a pessoa pode sofrer consequências muito piores dos demônios”, concluiu o exorcista Fortea. [ACI Digital]
Posted: 31 May 2015 04:06 PM PDT
O ex-presidente e atual senador do Uruguai, José Mujica, foi recebido pelo Papa Francisco em 28 de maio de 2015

O ex-presidente e atual senador do Uruguai, José Mujica, foi recebido nesta quinta-feira pelo Papa Francisco, em um encontro de caráter estritamente privado no Vaticano

Por Redação

Mujica, 80 anos, estava acompanhado de sua mulher, Lucía Topolansky, e conversou com o Papa argentino durante cerca de 40 minutos.
"Conversaram sobre a integração na América Latina", declararam fontes diplomáticas do Vaticano, sem dar mais detalhes.
Francisco e Mujica, ambos de origem italiana, têm em comum sua preocupação com os menos favorecidos e as denúncias contra os males do capitalismo.
Presidente entre 2010 e 2015, Mujica, que se define como um "não crente" após ser anarquista na juventude, foi chamado de "um homem sábio" por Francisco depois do primeiro e único encontro oficial entre os dois, em 2013, no Vaticano. [AFP]
Posted: 31 May 2015 04:03 PM PDT

Foi o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2014. Famílias frearam gastos e exportações tiveram queda

Por Redação

A economia dos Estados Unidos sofreu um baque no primeiro trimestre, e "encolheu" 0,7% frente ao trimestre anterior, em termos anualizados. A primeira estimativa para o trimestre, divulgada em abril, indicava uma expansão de 0,2%. O dado ainda será revisado uma segunda vez, em junho.
Foi o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2014, quando o PIB do país "encolheu" 2,1%. No quarto trimestre, a expansão fora de 2,2%. Os números do primeiro trimestre são uma estimativa feita a partir de dados preliminares, e ainda passarão por duas revisões.
A desaceleração do PIB reflete uma freada nos gastos das famílias e quedas nas exportações, nos investimentos fixos não residenciais e nos gastos dos governos estaduais e locais. Os gastos das famílias, que haviam crescido 4,4% no 4º trimestre de 2014, tiveram expansão de 1,8% nos três primeiros meses deste ano.
As importações – que contam negativamente para o PIB – voltaram a crescer, mas com menos força, contribuindo para impedir uma desaceleração maior da economia. Os gastos do governo federal também cresceram e ajudaram a impulsionar a expansão econômica. [G1 - O Globo]
Posted: 31 May 2015 03:59 PM PDT


O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), afirmou neste domingo, em seu perfil no Twitter, que vai colocar em votação em junho o projeto de redução da maioridade penal

Por Redação

O peemedebista disse que a comissão especial da redução da maioridade penal deve concluir os trabalhos até dia 15 de junho e, imediatamente, a proposta será levada a plenário.
"Além dessa polêmica, teremos ainda muitas outras, já que não vamos deixar de levar a votação matéria porque um grupo do PT não quer", disse Cunha, afirmand que a redução da maioridade penal estava parada há mais de 20 anos e "tiramos da gaveta".
"O PT não quer a redução da maioridade e acha que todos têm de concordar com eles", postou o presidente da Câmara, que, neste domingo, escreveu também uma série de mensagens sobre reforma política, em que diz ser choro dos deputados a ação no STF contra emenda da reforma política.
Cunha disse defender um referendo sobre a questão para se faça um grande debate e afirmou que a consulta poderia acontecer junto com as eleições de 2016. [O Globo]
Posted: 31 May 2015 03:52 PM PDT


Pouco estudada, a escritora nordestina que viveu no século XIX foi uma das precursoras de conceitos feministas no país; ao longo de sua vida, participou de campanhas abolicionistas e republicanas mas militou, principalmente, pelos direitos das mulheres, tendo escrito o livro “Direitos das mulheres e injustiça dos homens”; conheça

Por João Telésforo, no Brasil em 5

Um dos traços evidentes da herança colonial brasileira é o quanto desconhecemos ou menosprezamos intelectuais do Brasil, da América Latina e do “Sul” global. Como consequência, o vício eurocêntrico de reproduzir acriticamente modelos, projetos e discursos pouco enraizados na história do nosso país. Sem consciência do sangue negro, indígena e feminino que escorre do “moinho de gastar gentes” que formou o capitalismo e o Estado no Brasil, nos perderemos enfrentando moinhos de vento. Sem conhecimento das lutas e dos pensamentos que se articularam para enfrentar esse “moinho” real, dificilmente teremos capacidade de formular um projeto alternativo, de caráter libertador.
O governo fala em “Pátria Educadora”, mas qual é o conteúdo de sua noção de Pátria e de seu projeto de Educação? Para nos armarmos de referenciais da nossa história para refletir sobre essa questão, convido o/a leitor/a a conhecer, então, uma grande intelectual nordestina do século XIX, que pensou o Brasil a partir das lutas de mulheres, abolicionistas e indígenas, e pôs em prática uma pedagogia feminista libertadora. Causas que permanecem, hoje, no centro de qualquer projeto revolucionário que mereça esse nome.
No litoral do Rio Grande do Norte, uma “fértil e charmosa” terra tropical, que nos acolhe com sua quentura úmida, abriga hoje o município de Nísia Floresta. As aspas são do relato de Dionísia Pinto Lisboa, escritora que nasceu ali em 1809 e se tornaria conhecida pelo nome que adotou para si: Nísia Floresta Brasileira Augusta. A exuberância natural do lugar, na região metropolitana de Natal, contrasta com a sua paisagem social. Para citar somente um dado, perversa ironia para a cidade que leva o nome de uma paladina Brasileira da educação: quase um quarto da população do município com mais de 15 anos de idade não é alfabetizada (Censo 2010 do IBGE). Nísia Floresta compreendia as razões para isso. No Opúsculo Humanitário (1853), explica que sem uma “educação esclarecida”, “mais facilmente os homens se submetem ao absolutismo de seus governantes”.
A Brasileira Augusta lutou, em especial, pela educação para as mulheres. Não se contentou com a tradução livre, aos 22 anos, do livro “Direitos das mulheres e injustiça dos homens“. Insatisfeita com a falta de acesso, a má qualidade e a perspectiva patriarcal do ensino para as meninas, criou em 1838 uma escola para elas. Enquanto outras escolas para mulheres preocupavam-se basicamente com costura e boas maneiras, a de Nísia ensinava línguas, ciências naturais e sociais, matemática e artes, além de desenvolver métodos pedagógicos inovadores. Uma afronta à ideologia dominante de que esses saberes caberiam somente aos homens, restando às mulheres aprenderem os cuidados do “lar” e as virtudes morais de uma boa mãe e esposa…
Tal insubordinação rendeu a Nísia não somente críticas pedagógicas, mas também ataques à sua vida pessoal. Artigos nos jornais tentaram desqualificá-la como promíscua nas relações com homens e até mesmo com suas alunas. Mas essa Brasileira não era de baixar a cabeça para as estratégias atávicas do patriarcado. Já no nome que adotou para si e deu à escola, um grito de autonomia contra a moral sexual machista: “Colégio Augusto”, homenagem ao seu companheiro Manoel Augusto, com quem corajosamente viveu e teve dois filhos, enquanto era acusada de adúltera pelo ex-marido, com quem fora obrigada a se casar – tendo-se separado dele no primeiro ano de casamento, aos 13 anos de idade.
Nísia participou das campanhas abolicionista e republicana ao longo de praticamente toda a sua vida. Denunciou também a devastadora opressão colonial contra os povos indígenas, em livros como “A lágrima de um caeté”, de 1849, poema épico de 39 páginas que em sua segunda parte tem como pano de fundo a Revolução Praieira (Pernambuco, 1848-50).
Ao migrar para a Europa, onde morou por quase duas décadas, Nísia continuou escrevendo e publicando livros de literatura e de resistência política. Foi amiga, admiradora e correspondente do filósofo positivista Auguste Comte, mas não absorveu seu determinismo racista. Sempre ostentou o orgulho de sua origem – ressaltada no próprio nome que se deu – e nunca abandonou o compromisso de se somar às lutas pela libertação dos setores oprimidos que formam a maioria social do povo brasileiro.
Posted: 31 May 2015 03:21 PM PDT
Em 1973, Allende criava projeto de ‘internet socialista’ para (tentar) evitar golpe

Desenhado por cientista britânico, sistema de informações inédito ligava as empresas estatais do país por meio de rede de computadores; ferramenta foi usada para acelerar resposta do governo e evitar desestabilização

Por Victor Farinelli, no Opera Mundi

Santiago do Chile, novembro de 1972. A greve de caminhoneiros já durava três semanas, situação que começava a provocar os primeiros efeitos na capital chilena. Diante dos primeiros sinais de descontentamento popular e forte pressão da imprensa, o presidente Salvador Allende pega o telefone: “Busquem o sr. Beer. Chegou a hora de provar o que ele tem para nós”.
O britânico Anthony Stafford Beer era um cientista que desde 1971 se dividia entre Londres e Santiago, deixando seu antigo trabalho de desenvolvimento de novas tecnologias de controle de informação para grandes corporações europeias em segundo plano para dar início ao que ele pensava ser o grande projeto da sua vida: o chileno Cybersyn — um sistema de informação integrado projetado para monitorar a atividade econômica das 472 empresas do país ligadas ao Estado chileno.
Meses antes da greve, Beer havia pedido a Allende uma oportunidade para testar o projeto. O próprio presidente tinha dúvidas a respeito do sistema, e havia riscos em colocá-lo à pova numa situação de crise real. Mesmo assim, Allende decidiu que a greve de caminhoeiros era o momento certo.
Antes que Beer pudesse pegar o primeiro voo Londres-Santiago, a equipe do Projeto Cybersyn no Chile colocou o sistema para funcionar. Em diferentes pontos da capital e da Grande Santiago, começaram a ser enviados dados, por telefone ou telex, para o centro de operações — chamado de opsroom — que, em menos de duas horas, fez um levantamento do conteúdo de quatro grandes armazéns de mantimentos da capital, ligados às empresas estatais. Com essa informação, o governo implantou um novo esquema de abastecimento da capital, com os poucos caminhoneiros que não haviam aderido à greve e com o (irônico) auxílio de veículos das Forças Armadas.
À medida que a quantidade de produtos diminuía nos armazéns, o governo sabia com rapidez onde buscar mais recursos. Por exemplo: se o que começava a faltar era leite, o Exército enviava um furgão até o sul do país ou à Argentina para buscar mais. Se o que faltava eram frutas e legumes, o opsroom produzia em questão de minutos um informe com as regiões onde o desabastecimento era maior, e onde recorrer para resolver o problema. Nos casos de mercados controlados por empresas estatais, a mesma lógica: a ferramenta indicava onde o governo deveria alocar mais ou menos recursos, de acordo com as circunstâncias, analisadas em pouco tempo.

Assim nasceu SYNCO

O teste de fogo acabou sendo um sucesso. Apesar de não ter evitado completamente os efeitos da greve, conseguiu contê-los por algumas semanas em quase toda a cidade, e impediu, especialmente, que fossem sentidos nos setores mais pobres, o público-alvo da Unidade Popular — termo pelo qual se conhece o governo do socialista Salvador Allende.
Até aquele momento, o Projeto Cybersyn era apenas uma aventura em que Allende apostava, mas pensando em resultados a longo prazo. Foi proposto em 1971 pela Corfo (Corporação de Fomento da Produção), através de seu diretor, o engenheiro Fernando Flores, e do matemático boliviano Raúl Espejo. Ambos tinham o sonho de trazer para o Chile o cientista Stafford Beer, conhecido mundialmente na época por seus trabalhos no campo da cibernética. Fizeram o convite e se surpreenderam com a resposta positiva e ansiosa do britânico.
Os resultados daquele teste, no final de 1972, depois de pouco mais de um ano de desenvolvimento, entusiasmaram o presidente, e foram decisivas na promoção de Flores ao cargo de ministro da Economia, através do qual continuaria comandando tanto a Corfo quanto o projeto cibernético socialista. Allende deu maior prioridade ao acabamento técnico da ferramenta, que ganhou mais verba orçamentária e novos computadores, além de um departamento especial para funcionar como programa oficial de governo. Dessa forma, recebeu seu nome definitivo: SYNCO – Sistema de Informação e Controle.
Para se ter uma ideia do avanço que o projeto chileno representava basta dizer que, naquele mesmo ano de 1972, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos desenvolvia e testava a ARPANET, percursora da Internet que conhecemos hoje, mas ainda sem nenhuma aplicação civil.
“A história real do SYNCO é fascinante, não só porque seu desenho propunha uma espécie de internet antes da internet como nós conhecemos, e que talvez tivesse se desenvolvido de forma diferente à que temos hoje, como também pelo contexto”, descreve o escritor Jorge Baradit, autor de um livro de ficção sobre o projeto cibernético. “Era uma internet socialista num mundo onde a Guerra Fria estava em seu momento mais tenso, em ponto de ebulição”, argumenta.

Como atuaria o SYNCO

Quando estivesse funcionando plenamente, SYNCO ligaria todas as empresas estatais do país através de uma rede de computadores (um conceito que por si só era difícil de explicar na época) que gerasse informação quase em tempo real, dando ao Estado uma agilidade ainda maior que a do breve teste durante a greve dos caminhoneiros.
A ideia animou ainda mais o presidente, que estipulou o mês de agosto de 1973 como data ideal para o lançamento definitivo do sistema — o golpe militar, como se sabe hoje, se consumaria em 11 de setembro daquele ano. Allende pediu, ainda, cautela aos envolvidos. Os funcionários deveriam evitar falar com terceiros sobre os rumos do projeto, para que a informação não chegasse a grupos que tentavam desestabilizar o governo.
“Esse foi o momento mais constrangedor do encontro, porque, além de haver a suspeita de que havia gente infiltrada no projeto, alguns dos membros da equipe técnica eram declaradamente de direita e simpáticos a partidos de oposição ao governo. Não havia dúvida que vazavam informação”. O testemunho do cenário é de Guillermo Toro, um ‘operador nível três’ recém integrado ao projeto — ele nem chegou a participar da fase de testes durante a greve dos caminhoneiros, no mês anterior.
A forma como Toro se tornou parte daquela aventura cibernética serve como prova dos rumores em torno daquele encontro. Economista recém formado pela Universidade Católica, não foi aceito como funcionário da Corfo porque não tinha filiação partidária, requisito para trabalhar em alguns ministérios durante a gestão da Unidade Popular. Foi, então, recomendado para um projeto paralelo da Corfo, “que precisava de alguém para criar fórmulas de redução de informação”, segundo conta a Opera Mundi o próprio Toro, e que não exigia nenhuma militância político-partidária.
Assim, o jovem economista foi apresentado ao matemático boliviano Raúl Espejo, o diretor-chefe do projeto. “Beer era um gênio, foi ele quem fez o desenho do sistema como um todo. Mas quem dirigia operacionalmente e analisava diariamente a evolução do Cybersyn era o Raúl”, segundo Toro, que resumia sua função em “filtrar as informações captadas a um modelo de no máximo dez variáveis que desse uma visão completa da economia do país, para que, a partir daí, o nível 5 do sistema, que era o presidente, pudesse tomar decisões mais rápidas e dar mais agilidade ao governo diante dos problemas”. Em linguagem técnica, o conceito é conhecido como data mining e ainda hoje é bastante utilizado em corporações do mundo inteiro, aplicado em sistemas de apoio a executivos.
Toro lembra ainda que, naqueles anos em que a informática engatinhava no mundo inteiro, um relatório com índices econômicos precisos demorava meses para ser produzido, e geralmente só chegava às mãos de uma autoridade econômica quando sua informação já estava obsoleta. “SYNCO distribuía poder, porque dava voz a todas as empresas estatais no processo de tomada de decisões. Todas elas tinham direito a transmitir seus resultados e suas necessidades, e em coisa de minutos. Não chegava a ser em tempo real, estamos falando da época do cartão perfurado, mas era uma velocidade espantosa para aquele então”, descreve o analista.

Corpo Humano

Guillermo Toro e outros 30 ‘operadores nível 3′, técnicos econômicos e cibernéticos, estavam bem no centro do fluxograma de Stafford Beer, onde o nível 4 era ocupado por Fernando Flores, Raúl Espejo e outros ministros no degrau anterior ao da instância de tomada de decisões.
Ao explicar o funcionamento da plataforma ao presidente chileno, Beer usou uma analogia adequada à profissão de Allende (médico):
– SYNCO fará a economia chilena funcionar como um corpo humano perfeito, parte do sistema serão os membros, a parte central serão os órgãos responsáveis pela produção, entre eles o coração, que juntos mantêm essa economia viva. Mais acima temos os sentidos. E aqui no topo, o cérebro…
Neste momento, Beer fez uma pausa, buscando o ar para poder dizer, solenemente, “aqui estará o senhor, companheiro presidente”. Mas Allende o interrompeu:
– Finalmente! Aqui estará o povo.

Antes do ‘www.’, a internet socialista

Mais do que um instrumento dedicado somente ao monitoramento da economia chilena, o projeto SYNCO, na cabeça do excêntrico Stafford Beer, deveria dedicar-se também a toda a sociedade do país. O desenho avançado do projeto alcançaria tanto as empresas quanto as casas de todo o país.
Em suas visitas ao Chile, Beer não se dedicava somente ao trabalho em Cybersyn, mas também a conhecer pessoas e fazer amigos, e onde mais conseguiu amigos foi no mundo artístico. Um deles foi o cantor e compositor Víctor Jara, a quem foi apresentado pela esposa do músico, a bailarina Joan Turner, também britânica. A partir de então, se tornaram bastante ligados, tanto pelo gosto de Beer pela cultura quanto pelo interesse de Jara pela tecnologia — o cantor era ex-aluno e funcionário da Universidade Técnica do Estado, lugar onde, posteriormente, seria capturado pelo Exército, antes de ser torturado e assassinado.
As conversas de Beer com os artistas chilenos empurraram Beer a buscar um projeto menos preso às metas econômicas do governo, e que tivesse um resultado mais próximo das pessoas. Pensava numa rede de computadores que pudesse ser acessada pelas pessoas em suas casas, que cada lar chileno pudesse ter um terminal do SYNCO, onde se poderia transmitir informação sobre necessidades econômicas pessoais ou comunitárias, e também pesquisar dados sobre o desempenho da economia e outras informações a respeito do que acontecia no país.
Essa parte “social” do Projeto Cybersyn, segundo testemunho do próprio cientista em palestras sobre o assunto, jamais chegou a ser apresentada para o presidente Salvador Allende, mas foi estudada e explorada pelo escritor Jorge Baradit, autor de livro de ficção cuja história em nada se parece com os episódios da política chilena daqueles anos. Em seu romance de ficção científica — intitulado SYNCO, sucesso de público e crítica no país —, Baradit descreve um cenário inverso, como pode ser visto logo na chamada da capa da obra: “Chile 1973, Pinochet impede o golpe e Allende cria o primeiro Estado cibernético da história”.
“Depois de reunir tanta informação, a cabeça viajou quase naturalmente para um mundo paralelo, onde SYNCO havia dado certo e criado uma nova versão da história que precisava ser desenvolvida”, conta o autor, sobre os detalhes do processo de criação. O livro também gerou uma sinistra página de internet (http://www.baradit.cl/synco/) e um projeto cinematográfico, que por enquanto está em fase de pré-produção.
Além da ficção de Baradit, outro livro importante sobre o Projeto Cybersyn se chamaRevolucionarios Cibernéticos, escrito pela pesquisadora estadunidense Eden Medina, e que faz um relato mais documental do que foi realizado, com detalhes técnicos e análises dos métodos utilizados, além de fotos e gráficos recriando o desenho do projeto segundo Stafford Beer.
Posted: 31 May 2015 03:27 PM PDT
Em SP, Alckmin censura campanha antiproibicionista

Depois de passar sem problemas pelo Rio de Janeiro, a campanha “Da proibição nasce o tráfico” – que traz ilustrações de cartunistas como Larte e Angeli questionando a guerra às drogas – foi vetada pelo governo do estado de SP

Por Revista Fórum

Em São Paulo é proibido defender a legalização das drogas. Depois de passar com sucesso pelo Rio de Janeiro, a campanha “Da Proibição Nasce o Tráfico”, que traz charges questionando a eficácia da “guerras às drogas”, foi vetada pela Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), subordinada do governo do estado.
Assim como no Rio de Janeiro, a ideia era afixar cartazes com charges de cartunistas como Laerte e Angeli nos vidros traseiros de ônibus. O material já estava pronto e afixado nos veículos para circular quando veio a proibição, na última quarta-feira (27).
De acordo com a socióloga Julita Lemgruber, idealizadora da campanha, um funcionário da empresa estadual chegou a ameaçar o publicitário que havia aprovado o projeto.
“Disse que em São Paulo essa campanha não iria acontecer, que a campanha significa um desrespeito ao policial e ao cidadão, que em São Paulo não querem apologia às drogas”, contou.
Lemgruber, no entanto, já adiantou que está considerando alternativas judiciais para fazer a campanha circular.

Confira abaixo alguma das charges que fazem parte do projeto “Da Proibição Nasce o Tráfico”.



Posted: 31 May 2015 03:16 PM PDT
Senador Paim apresenta projeto de taxação de grandes fortunas

“Vários países importantes o utilizam, e não se compreende a resistência encontrada para sua instituição no Brasil. Essa resistência é, regra geral, escudada em supostos entraves de caráter técnico, que mal conseguem disfarçar o viés político”, diz o senador, em sua justificativa ao projeto, que pode render até R$50 bilhões em arrecadações ao governo

Por Rede Brasil Atual

O senador Paulo Paim (PT-RS) protocolou na semana passada (terça, 26) um projeto de lei (PLS 315/2015) que institui imposto sobre grandes fortunas, prevendo uma contribuição anual dos cidadãos com patrimônio ou herança superior a R$ 50 milhões.
O objetivo, segundo Paim, é redistribuir a riqueza concentrada em uma restrita parcela da população brasileira. “Vários países importantes o utilizam, e não se compreende a resistência encontrada para sua instituição no Brasil. Essa resistência é, regra geral, escudada em supostos entraves de caráter técnico, que mal conseguem disfarçar o viés político”, diz o senador, em sua justificativa ao projeto. O autor afirma que a contribuição poderá render até R$ 50 bilhões em arrecadações ao governo.
O texto tem exceções para a contribuição, como a incidência sobre os bens patrimoniais doados a entidades culturais, educacionais, filantrópicas, religiosas e sindicais, ou reconhecidas como de utilidade pública. De acordo com o parlamentar, o intuito é estimular que bens que o contribuinte detenha, apenas como reserva de valor ou mesmo para especulação, sejam destinados a fins filantrópicos.
Outra proposta é uma possível redução de todos os tributos patrimoniais pagos pelo declarante, o que retira o argumento de uma possível “dupla tributação”. Igualmente, todas as despesas para a manutenção do patrimônio também poderão ser descontadas.

Conheça o PLS 315 na íntegra
Posted: 31 May 2015 03:11 PM PDT


Mistura de Severino Cavalcanti e Marco Feliciano que deu certo, Eduardo Cunha se tornou rapidamente o homem que a direita procurava

Por Tales Ab’Sáber, no Globo:

Eduardo Cunha, do PMDB do Rio de Janeiro, assumiu a presidência da Câmara dos Deputados em 1º de fevereiro de 2015. Sua vitória, por 276 votos contra 136 de Arlindo Chinaglia, o candidato do governo, foi a primeira das várias derrotas que a partir de então, em ritmo vertiginoso, ele passaria a promover no Congresso contra temas, pautas e princípios do governo petista de Dilma Rousseff. A organização pessoal de Cunha, e de seus interesses conservadores amplos, imediatamente ganhou nítido contraste com a dissolução geral da política petista que acontecia ao seu redor.
Apesar da vitória para a Presidência e de conquistar a maior bancada no Congresso, o Partido dos Trabalhadores pareceu ter saído das urnas em 2014 simplesmente derrotado. A crise de corrupção na Petrobras – envolvendo possíveis propinas do cartel que controlava a empresa endereçadas a PT, PMDB e PP e a 17 políticos investigados, entre eles Eduardo Cunha e Renan Calheiros, além de um senador do PSDB – e o acirramento da oposição que levou Aécio Neves a meros 3% de distância da presidente reeleita marcaram de maneira negativa o espírito do novo governo.
O desgaste total da sua política econômica, que manteve o pleno emprego no Brasil, mas gastou todas as fichas disponíveis no limite da responsabilidade fiscal e não conseguiu promover crescimento no último ano e meio, levou o ânimo e a autoconcepção do governo petista à lona. O governo só parece fazer política na plena posse de seu modelo de economia – uma espécie de socialdesenvolvimentismo, ou capitalismo social, se olharmos daqui ou dali -, e ter de realizar cortes fortes nos gastos públicos, de tipo neoliberal, desorientou definitivamente a bússola governista para a própria política. Além disso, logo a nova organização social à direita, a nova paixão política à direita, prosseguiu sua feroz crítica ao governo nas ruas, criando um fator de forte instabilidade que o PT não conhecia.
Posted: 31 May 2015 02:59 PM PDT





Caso abafado e sem condenados na justiça, piloto do helicóptero de 445 quilos de cocaína pertencente ao Senador Zezé Perrella está livre e dando aulas de voo em São Paulo

Por Joaquim de Carvalho, do DCM

Enquanto a Policia Federal segue nas ações espetaculares, com delegados e agentes efetuando prisões e realizando diligências em Brasília acompanhados de fotógrafos e cinegrafistas, o caso do Helicoca continua sem nenhuma punição. O Ministério Público Federal pediu a absolvição do empresário Élio Rodrigues, dono da fazenda no Espírito Santo onde o helicóptero do senador Zezé Perrella fez o pouso com 445 quilos de cocaína, em novembro de 2013.
O pedido de absolvição ocorreu depois que o Tribunal Federal da Segunda Região mandou devolver o helicóptero à família Perrella, anulando decisão do juiz de primeira instância, que queria o confisco, com base na lei de combate ao tráfico. Segundo a legislação, bens usados usados no preparo, transporte ou venda de drogas devem ter sua propriedade transferida ao Estado.
A participação do senador Zezé Perrella foi sumariamente descartada pela PF neste caso, alguns dias depois do flagrante, e com isso o Tribunal entendeu que não seria justo deixá-lo sem o helicóptero. Os policiais federais também desistiram de investigar o local onde a aeronave, vinda do Paraguai com a droga e a caminho do Espírito Santo, pousou e deixou a mercadoria guardada por uma noite.
O local é em Jarinu, na Grande São Paulo, e segundo um dos pilotos fazia parte de um hotel fazenda. No dia seguinte, o helicóptero voltou para lá e recarregou a cocaína, menos duas sacolas, com 50 quilos de droga, que ficaram.

piloto helicoca 2

Apesar de a delegada que assina relatório do inquérito recomendar investigação dos proprietários do local, que poderiam ser os verdadeiros donos da cocaína, não se tem notícia no processo de que algo tenha sido feito nesse sentido.
No processo que tramita em Vitória, capital do Espírito Santo, sobraram quatro pessoas para ir a julgamento: os dois pilotos, além de um jardineiro e um pequeno empresário de Araruama, Rio de Janeiro, os dois que aguardavam em solo para ajudar a descarregar a droga, colocá-la em um carro e levá-la para um ponto, de onde, ao que o inquérito indica, seguiria para a Europa.
O julgamento deve ocorrer em junho, mas dificilmente haverá prisões após a sentença, ainda que alguém seja condenado, já que caberá recurso.
Depois que foram presos em flagrante, em novembro de 2013, os quatro homens acusados de tráfico permaneceram seis meses na prisão. Há um ano, foram soltos depois que o procurador do caso levantou a hipótese de farsa da Polícia Federal, que teria efetuado as prisões com base numa escuta clandestina. Por conta disso, os advogados de defesa querem anular o processo.
Enquanto aguarda em liberdade, um dos pilotos voltou a voar, e até dá aulas para quem quer pilotar helicóptero. Alexandre José de Oliveira Júnior, que aparece no inquérito da Polícia Federal como o piloto que organizou a viagem que trouxe a droga do Paraguai, assina como testemunha um contrato de aulas de voo, celebrado entre um aluno e a escola Unifly Heicópteros, que opera em Arujá, na Grande São Paulo.
Quem assina como representante legal da escola é Airton Ginez Dantas, mas, segundo o aluno, todas as tratativas foram feitas com o próprio Alexandre. “Ele falava como se também fosse dono da empresa”, conta o aluno.
O contrato foi assinado no ano passado, mas, sem a realização das aulas, o aluno temeu que pudesse estar sendo vítima de um golpe, pesquisou na internet o nome deAlexandre e descobriu sua relação com o Helicoca.
Depois de um período sem aulas, o piloto do Helicoca retomou a rotina de ensino, voa com frequência e até posta as fotos no Facebook. Em sua página, Alexandre publicou um vídeo em que sobrevoa o bairro do Tatuapé, em São Paulo.
Alexandre tem hoje três helicópteros: um Robinson 44 e dois Robinson 22. O helicóptero de Perrella, que ele usou para buscar cocaína no Paraguai, é um Robinson 66. Na velocidade de seus negócios, livre e solto, Alexandre ainda chega lá. Quem o conhece não tem dúvida disso.

piloto helicoca
Posted: 31 May 2015 09:15 AM PDT
Genro de Vaccari escreve texto defendendo o ex-tesoureiro do PT

“Escrevo esse texto 24 horas após o nascimento do primeiro neto de Vaccari, fruto de sua filha única. Ele, lamentavelmente, não esteve presente nesse momento único vivenciado por sua família (…) João Vaccari Neto não está preso por ser João Vaccari Neto. Ele está preso única e exclusivamente por ter sido o Secretário de Finanças do PT, numa medida desesperada do andar de cima da sociedade em criminalizar todo um partido e assim retirá-lo do poder”, leia a íntegra do artigo

Por João Mateus Jr.*

Pessoas, histórias e lutas que não ficarão pelo caminho

Conheço João Vaccari Neto há pouco mais de um ano. É pouco tempo para conhecer por completo uma pessoa, mas foi o suficiente para aprender muito sobre essa figura pública. Quando o conheci pessoalmente ele já estava secretário de finanças do Partido dos Trabalhadores (PT). O mesmo partido ao qual me filiei aos 14 anos de idade e no qual já não militava mais.
Muito embora já fosse figura de expressão nacional, com farta bagagem política e com mais tempo de PT do que eu possuo de idade, nunca se furtou ao debate de ideias, de diagnósticos e prognósticos políticos que realizávamos quase que invariavelmente ao nos encontrarmos (para desespero daqueles que por ventura acompanhavam os embates de ideias). Diz muito sobre o caráter de um homem o fato dele não se esconder atrás de seu cargo, nome ou história, e de tratar como igual alguém que poderia ser seu filho.
Sem medo algum de errar, atesto que conheci um grande homem, um esposo atencioso e um pai cuidadoso e presente.
Escrevo esse texto 24 horas após o nascimento do primeiro neto de Vaccari, fruto de sua filha única. Ele, lamentavelmente, não esteve presente nesse momento único vivenciado por sua família. O motivo que o fez estar ausente nesse momento sublime é conhecido: Vaccari está preso preventivamente pela conhecida operação “Lava Jato”.
A prisão de Vaccari Neto, solicitada pelo Ministério Público Federal e decretada pela Justiça Federal do Paraná, baseia-se em um tripé tão frágil que faria corar qualquer indivíduo minimamente isento. Meras ilações, suposições e conclusões precipitadas que não encontram qualquer alicerce em provas que as sustentem. Tudo baseado em delações premiadas de criminosos confessos, alguns deles flagrados com centenas de milhões de dólares no exterior e que com seus acordos de delação escaparam de duras penas de prisão.
A operação “Lava Jato” começou com a promessa de passar a limpo um dos graves problemas da nação: a relação promíscua entre o capital e o poder. Infelizmente, atinge um ponto melancólico no qual um réu confesso (e inclusive já condenado), flagrado com milhões de dólares em contas secretas no exterior, cumpre pena em casa e um homem acusado sem provas, privado dos seus direitos constitucionais, tem na pena de prisão preventiva a antecipação de pena que só os malabarismos midiáticos da Justiça Federal do Paraná permitem.
João Vaccari Neto não está preso por ser João Vaccari Neto. Ele está preso única e exclusivamente por ter sido o Secretário de Finanças do PT, numa medida desesperada do andar de cima da sociedade em criminalizar todo um partido e assim retirá-lo do poder. As elites conservadoras assistiram nas últimas quatro eleições os seus representantes serem derrotados pelas forças populares. Só os ingênuos acreditariam que essas derrotas seriam aceitas como parte do jogo democrático.
O PT foi construído com o sacrifício de muitos, forjado no seio da luta pela redemocratização. Em sua fundação tiveram papel fundamental operários, sindicalistas, intelectuais, estudantes, trabalhadores rurais. Esse agrupamento de atores políticos permitiu o nascimento de um partido com estrutura, participação popular e ideias único no País.
A eleição do presidente Lula permitiu colocar em prática muito daquilo que o partido defendeu historicamente. As engrenagens sociais da nação foram colocadas em funcionamento a todo vapor, e o País, que se acostumou a alijar do fruto do trabalho seus próprios filhos, passou a mudar.
Os governos federais do PT serão lembrados como aqueles no qual o trabalhador apresentou aumento real e continuado de renda, os estudantes de baixa renda foram às universidades antes frequentadas apenas pelos mais ricos, milhões de famílias conseguiram sua casa própria e outras tantas milhões deixaram a linha da miséria, o que resultou na saída do nome “Brasil” do famigerado “mapa da fome” da ONU.
Pela primeira vez em nossa história, o Estado tinha voltado sua atenção para os mais necessitados. E esse “crime” nunca foi aceito pela casa grande, pelos senhores do capital e seus bajuladores de plantão, todos devidamente acobertados e estimulados pela mídia tupiniquim caolha e entreguista. Ao ver-se rodeada nos aeroportos por pessoas que elas consideram inferiores, ao ver o filho da empregada doméstica cursando medicina na mesma universidade que seu filho, as forças do atraso iniciaram essa campanha de ódio contra o PT, que cega e permite que a lei e a constituição sejam afrontadas diuturnamente com o objetivo único de acanhar o governo e destruir com meios escusos o PT. O julgamento que vale para um partido é o das urnas, e nesse o PT passou com louvor.
Quando decretou a prisão de Vaccari baseado em um processo mambembe, a Justiça desafiou a todos aqueles que detém um mínimo de bom senso e coerência a levantar-se, independente de orientação política, em uníssono contra tal arbitrariedade. Afinal, a violação dos direitos básicos de um indivíduo é uma violação contra todos os indivíduos.
Ao ver, neste blog, a defesa de Vaccari ser realizada com unhas e dentes por seus amigos de longa data, tenho ainda maior a certeza de que ele é inocente. Caso não soubesse mais nada sobre ele, só o fato de saber que seus amigos lhe são fiéis já seria o suficiente para depositar voto de confiança nele.
Não queremos e não aceitamos nenhum tipo de privilégio ou tratamento privilegiado, mas também não queremos e não aceitamos ser tratados de forma pejorativa. Não há nos autos uma só prova contra Vaccari, nenhum motivo que justifique sua prisão preventiva.
Ninguém está acima da Justiça. Caso o Estado ache pertinente, que julgue Vaccari, mas que o faça com ele em liberdade. Ao término do processo, não nos restará dúvidas de que ele será inocentado e que a verdade virá à tona. Caso essa prisão preventiva seja mantida indeterminadamente, o dano a ele talvez seja irreparável.

Aguardamos ansiosos a libertação de Vaccari e a JUSTIÇA.

A defesa dele é a defesa do PT, dos avanços sociais e dos legados do presidente Lula.

*João Mateus Jr. é médico, pai do recém-chegado João e genro de João Vaccari.
Posted: 31 May 2015 09:12 AM PDT
A esperteza, quando é muita, come o dono: Erro de Cunha pode anular doações empresariais

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL) postou um texto em seu Facebook em que aponta um equívoco de Eduardo Cunha com sua manobra para aprovar a “contra-reforma política”: pela emenda, candidatos só podem receber doações de pessoas físicas, enquanto os partidos podem receber de empresas. “O que é que Cunha e Russomano esqueceram? Os partidos são pessoas jurídicas! Ou seja, os partidos, com essa emenda, não poderão repassar um tostão aos candidatos, mesmo que recebam milhões das empreiteiras amigas”

Por Redação

Alguns dias depois da manobra de Eduardo Cunha (PMDB), que após a Casa ter rejeitado o financiamento empresarial de campanhas realizou uma manobra e colocou uma nova emenda para votação, o deputado federal Jean Wyllys (PSOL) aponta o que pode ter sido um equívoco do presidente da Câmara que beneficiaria os defensores do fim do financiamento empresarial.
Em texto publicado no seu perfil do Facebook, Wyllys explica que, como os candidatos só podem receber doações de pessoas físicas, os partidos – que são pessoas jurídicas – não poderão repassar os recursos para a campanha mesmo tendo recebido milhões de empresas.
“Não é engraçado? Tantas manobras, tanto atropelo, e eles mesmos atiraram no pé. Desesperados e com pressa por redigir uma emenda para ser votada (mesmo que isso atropelasse a Constituição Federal), Cunha et caterva criaram uma aberração jurídica que pode fazer com que os partidos que se submeterem a essa prática arrecadem milhões de reais, mas não possam repassar nada aos seus candidatos! “

Confira abaixo a íntegra do artigo:

ESPERTEZA, QUANDO É MUITA, COME O DONO

(Ou por que o financiamento empresarial vai cair!)

Vocês que acompanharam a tramitação da (contra) “reforma política” na House of Cunha sabem que, um dia depois de o presidente da Casa ter perdido a votação em que tentou incluir na Constituição, mediante emenda, o financiamento empresarial de campanha, ele fez uma manobra ilegal para votar novamente e, dessa vez, obteve a maioria necessária. Vocês que acompanharam sabem, também, que a “emenda aglutinativa” rejeitada permitia a doação de empresas a partidos e candidatos, e o artifício usado por Cunha na segunda votação foi pedir ao deputado Celso Russomano, do PRB, que apresentasse (fora do tempo, quando a matéria já tinha sido rejeitada) uma nova “emenda aglutinativa” que permite a doação de empresas (pessoas jurídicas) apenas a partidos, mas não a candidatos, que só poderão receber dinheiro ou bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas. Certo?

Pois bem, leiam com muita atenção o que o texto ilegalmente votado diz:

«Dê-se ao artigo 17 da Constituição Federal, constante da redação do artigo 2º do Substitutivo apresentado pelo Relator, a seguinte redação:

“Art. 17

§5º É permitido aos partidos políticos receber doações de recursos financeiros ou de bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas ou jurídicas.

§6º É permitido aos candidatos receber doações de recursos financeiros ou de bens estimáveis em dinheiro de pessoas físicas.
(…)».

Vamos repetir: os PARTIDOS poderão receber dinheiro ou bens de pessoas físicas ou jurídicas, mas os CANDIDATOS só poderão receber dinheiro de pessoas físicas.

O que é que Cunha e Russomano esqueceram?

OS PARTIDOS SÃO PESSOAS JURÍDICAS!

Ou seja, os partidos, com essa emenda, não poderão repassar UM TOSTÃO aos candidatos, mesmo que receberem milhões das empreiteiras amigas! Quer dizer: esse dinheiro poderá ser usado pelo partido para qualquer coisa MENOS PARA FINANCIAR AS CAMPANHAS DOS SEUS CANDIDATOS.

Não é engraçado? Tantas manobras, tanto atropelo, e eles mesmos atiraram no pé. Desesperados e com pressa por redigir uma emenda para ser votada (mesmo que isso atropelasse a Constituição Federal), Cunha et caterva criaram uma aberração jurídica que pode fazer com que os partidos que se submeterem a essa prática arrecadem milhões de reais, mas não possam repassar nada aos seus candidatos! Um verdadeiro Frankenstein!
Sem prejuízo a essa burra malandragem, o Mandado de Segurança contra a manobra golpista do Eduardo Cunha para aprovar essa emenda — iniciativa do meu mandato e do PSOL que conquistou o apoio de dezenas de parlamentares de diferentes bancadas — já foi protocolado no Supremo Tribunal Federal: http://bit.ly/1eHm3Hz

Quem quiser acompanhar a tramitação desse recurso, é só ficar de olho no link: http://goo.gl/Cl6mee
Posted: 31 May 2015 09:06 AM PDT


Platini diz ter pedido ao presidente da Fifa que renuncie, mas ouviu "não" como resposta. Europeus descartam boicotar eleição e apelam a demais países para que votem no candidato opositor, Ali bin al-Hussein

Por Redação

O presidente da Uefa, Michel Platini, pediu nesta quinta-feira (28/05) a renúncia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, a um dia da eleição que definirá quem comandará a entidade máxima do futebol mundial e na qual o suíço concorre como favorito a um quinto mandato.
O dirigente europeu declarou-se "farto, enojado e desiludido" com o escândalo de corrupção que envolve a Fifa e garantiu que a grande maioria do membros da Uefa votará no único adversário de Blatter, o príncipe Ali bin al-Hussein, da Jordânia.
Platini disse ainda que na reunião de emergência desta quinta-feira, que Blatter manteve com as seis confederações mundiais, pediu ao presidente da Fifa que renuncie. O francês, porém, disse ter recebido como resposta que "agora é tarde demais". Os demais presidentes de confederações não se uniram ao pedido europeu.
Diante disso, Platini fez um apelo público às federações associadas às outras confederações continentais para que votem em Ali bin al-Hussein nesta sexta-feira.
"Antes dos acontecimentos desta semana, talvez não, mas agora, com o que aconteceu, acho que Blatter pode ser derrotado", disse Platini, em Zurique.
É necessária uma maioria de dois terços para vencer no primeiro turno e uma maioria simples no segundo turno. Votam todos os 209 membros da Fifa. Platini calcula que 45 ou 46 das 53 federações da Uefa votarão em Ali e disse que continuará trabalhando para convencer as demais e também as dos outros continentes. A Uefa desistiu de boicotar a eleição, como chegou a ameaçar.
As declarações de Platini foram marcadas por um tom emotivo. "Tenho afeição pelo senhor Blatter, e ele sempre disse que era como um tio para mim. Mas agora chega. Se eu não posso falar para ele que é hora de parar, quem pode? Um amigo de verdade pode dizer a realidade para um amigo. Eu disse: 'Estou pedindo para você sair, a imagem da Fifa é terrível'. Ele disse que não pode sair assim de repente. Estou contando isso com tristeza e lágrimas nos olhos, mas já houve muitos escândalos, e a Fifa não merece ser tratada desta maneira."
O francês não descartou que os europeus abandonem todas as competições da Fifa se Blatter for reeleito. "Estamos abertos a todas as opções. Eu não desejo isso, mas vamos ver o que as federações nacionais têm a dizer", afirmou Platini, deixando a questão em aberto. Ele acrescentou que a Uefa fará um encontro extraordinário durante a final da Liga dos Campeões, na próxima semana, para avaliar todas as opções.
As federações da Uefa também se reuniram de forma extraordinária, depois de, na quarta-feira, o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter indiciado nove dirigentes ou ex-dirigentes e cinco parceiros da Fifa, acusando-os de conspiração e corrupção nos últimos 24 anos, num caso envolvendo subornos no valor de mais de 150 milhões de dólares.
Entre os acusados estão dois vice-presidentes da Fifa, o uruguaio Eugenio Figueredo e Jeffrey Webb, das Ilhas Caymann e que é também presidente da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe), assim como o paraguaio Nicolás Leoz, ex-presidente da Confederação da América do Sul (Conmebol) e o brasileiro José María Marin, ex-presidente da CBF. [DW]
Posted: 31 May 2015 09:04 AM PDT


Em encerramento de congresso da Fifa, presidente da entidade máxima do futebol afirma não estar preocupado com investigações americanas. Para Blatter, a ação é ato de vingança. Putin parabeniza suíço por reeleição

Por Redação

Durante a coletiva de encerramento do 65º congresso da Fifa, que foi marcado por prisões de dirigentes da entidade, Joseph Blatter afirmou neste sábado (30/05) que não teme ser preso ou envolvido no escândalo de corrupção no futebol investigado pelas autoridades americanas.
"Eles têm o direito de investigar, se fizerem da forma correta. Eu não me preocupo com isso", disse o suíço, que foi reeleito pela quinta vez consecutiva para comandar a Fifa. Blatter ressaltou que as prisões realizadas na quarta-feira não afetam diretamente a entidade.
Questionado se teria medo de ser detido, Blatter rebateu: "Preso por quê? As investigações que continuem, definitivamente não têm haver comigo. Eu não tenho 10 milhões de dólares". O recém-reeleito presidente aproveitou o evento para comentar sua vitória.
"É como no futebol: quem perdeu pode ganhar amanhã. Eu sou o presidente de todas as organizações, até mesmo, daquelas que eram contra mim", reforçou, não deixando passar a oportunidade de atacar seus críticos.
Segundo Blatter, no passado foi a União das Federações Europeias de Futebol (Uefa) que interrompeu os planos da Fifa de submeter todos os funcionários da entidade a uma avaliação moral e ética. Ele lembrou que a Uefa é a responsável por suas federações.
Os europeus deveriam dar um bom exemplo e assumir responsabilidade", disse o presidente da Fifa, acrescentando que os ataques pessoais dos últimos dias o tocaram profundamente. Após as prisões, a Uefa pediu a renúncia do suíço e ameaçou boicotar as competições da Fifa, caso Blatter fosse reeleito.

Chocado com declarações

Em entrevista à emissora de televisão suíça RTS antes da coletiva, Blatter disse ter ficado chocado com as declarações da secretária de Justiça dos EUA, Loretta Lynch. Na quarta-feira, ela afirmara que os dirigentes da Fifa presos na Suíça usaram seu poder e influência para corromper o futebol mundial.
"Como presidente, eu nunca faria uma declaração sobre outra organização sem conhecimento", disse Blatter. Ele sugeriu, ainda, que a escolha da data para as prisões teria sido um ato de vingança dos americanos.
"Há sinais que não podem ser ignorados. Os americanos foram candidatos para a Copa de 2022 e perderam. Eu não estou certo, mas isso não cheira bem." Ele também sugeriu que as investigações possam ter motivação política. Segundo o suíço, os Estados Unidos eram o principal patrocinador da Jordânia, país do candidato adversário de Blatter na eleição para a presidência da Fifa.

Parabéns de Putin

O presidente russo, Vladimir Putin, parabenizou Blatter por sua reeleição. "Putin expressa certeza de que a experiência, o profissionalismo e alto nível de autoridade de Blatter lhe permitirão difundir o alcance geográfico e a popularidade do futebol", afirmou um porta-voz do Kremlin.
A Rússia, que será sede da Copa de 2018, apoiava a reeleição do cartola. Putin havia criticado abertamente as detenções em Zurique, declarando tratar-se de uma "tentativa óbvia" dos Estados Unidos de tirar Blatter da presidência da entidade. [DW]





31/5 - A MÃO QUE AJUDA O FASCISMO


FONTE:http://paulomoreiraleite.com/2015/05/30/1215/

A MÃO QUE AJUDA O FASCISMO
Benevolência com atos contra a democracia explica cenas de violência e tentativas de intimidação

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Imagine você que na quarta-feira passada eu me encontrava no café da Câmara de Deputados, quando apareceu
um dos líderes do PSDB, conhecido de várias entrevistas e conversas civilizadas. Ao reparar que eu tinha um livro aberto, perguntou do que se tratava. Mostrei: era a edição, em espanhol, de “O Fascismo e a marcha sobre Roma” reportagem histórica de Emilio Gentile sobre o assalto ao poder comandado por Benito Mussolini, em 1922, na Itália.
Comentando o que se passava fora do Congresso, onde se fazia uma concentração com barracas de acampamento e faixas que pediam ” intervenção militar,” “extinção do PT já,” e outras afirmações de óbvia inspiração fascista, comentei:”É para ajudar a entender o que está passando lá fora.” Meu interlocutor, cujo nome será preservado porque não se tratava de uma conversa para ser publicada, me corrigiu em tom benevolente:
— Não é nada disso. Os fascistas são uns poucos, que deveriam se juntar com o Jair Bolsonaro e formar um partido de extrema-direita. Mas a maioria dessas pessoas não são nada disso. São democratas, inconformados com a corrupção e os desmandos da turma do PT.
A conversa prosseguiu mais um pouco, incluiu com algumas provocações de parte a parte, mas o essencial está aí. Voltei a minhas leituras. Já me encontrava nas páginas finais da narrativa sobre a ascensão de Mussolini, naquele trecho da história em que a marcha dos fascistas sobre a capital italiana se transformou no golpe de Estado mais pacífico da história europeia, sem enfrentar resistência alguma.
O aspecto mais instrutivo da obra de Emílio Gentile é que ele descreve, detalhadamente, a paralisia das autoridades que tinham o dever legal e político de defender a Constituição italiana e os direitos democráticos da população, inclusive de escolher governos através do voto. Um gabinete que unia liberais e conservadores assistiu à ação das esquadras fascistas pelo país inteiro — invadiam prefeituras, fechavam jornais, atacavam quartéis para pegar armas, feriam e assassinavam — sem mover um músculo. Conforme o autor, os comandantes militares tinham disposição de resistir ao fascismo, possuindo instrumentos e homens para isso. Mas a ordem, que deveria partir do poder civil, não veio.
Horas antes da chegada do próprio Mussolini a Roma, os principais ministros conseguiram imaginar que tudo estava tão tranquilo que recolheram-se a seus aposentos e foram dormir — acredite!
Apenas numa reunião de emergência, alta madrugada, decidiu-se, enfim, convocar o Estado de Sítio, que na pior das hipóteses poderia ter ajudado a retardar a escalada fascista. Mas cabia ao Rei, Vitório Emanuel III, decretar a medida. Quando Sua Majestade, enfim, foi encontrada, ocorreu a cena decisiva. O Rei não apenas se recusou a assinar o Estado de Sítio, como demitiu o ministério e chamou o próprio Benito Mussolini a formar o novo governo, dando início, assim, a uma ditadura que durou 20 anos.
Sabemos que a paralisia daqueles governantes que tinham a responsabilidade legal de preservar o regime democrático obedecia a considerações variadas. A principal dizia respeito a definição de quem era seus verdadeiros adversários políticos e quem poderiam ser seus aliados. Quatro anos antes, o Partido Socialista — muito mais à esquerda do que se tornaria com o passar dos anos — havia se tornado a maior força do parlamento italiano. Ao mesmo tempo, a mobilização de operários ganhou força nos centros industriais do país, onde se formaram conselhos de trabalhadores. O exemplo da Revolução Russa de 1917 estava em muitas mentes — para temer ou admirar.
“Muitos temiam que a ação da força legítima do Estado contra a força ilegal do fascismo pudesse provocar um banho de sangue” que terminaria por fortalecer a esquerda socialista e comunista, escreve Gentile.
A visão da esquerda como adversária principal a ser vencida de qualquer maneira contribuía enormemente para que muitos ministros já sonhassem em chamar Mussolini para integrar o ministério, oferta que ele sempre recusou, deixando claro que não pretendia ser coadjuvante num governo de base parlamentar.
Ex-diretor do Avanti,jornal socialista de tendencias revolucionárias, Mussolini tinha aquela postura problemática de quem passou por uma mudança radical nas próprias convicções. Manifestava um ódio profundo pelos partidos de esquerda, como se quisesse dizer que ele, e apenas ele, fora um ” verdadeiro” socialista em seu devido tempo, enquanto seus adversários de hoje não passavam de farsantes. (Acho que todos nós jã vimos esse comportamento em nossa paisagem, não é mesmo?)
Mussolini também não escondia que sentia “asco, muito asco,” pelo jogo parlamentar. Mesmo assim, fazia o possível para apresentar-se com um perfil político moderado, necessário para abrir as portas dos salões do capitalismo italiano. Ao mesmo tempo, estimulava atos violentos e criminosos contra lideranças de trabalhadores e do movimento popular, cultivando uma ambiguidade de aparências, que ajudava a convencer quem queria queria ser convencido mas tinha um certo pudor de assumir isso abertamente.
O tempo mostrou que a postura política em relação a comunistas e socialistas contribuiu para o embelezamento do fascismo, enfraqueceu toda possível visão crítica e diminuiu todo esforço que poderia impedir sua ascensão ao poder — inclusive na reta final, quando as milicias passaram a atacar com violência e ameaças militantes católicos e liberais que recusavam a liderança dos camisas negras.
Poucas leituras podem ser instrutivas, sobre a época, como os registros de elogios e avaliações positivas sobre Mussolini e seus aliados. “Estamos assistindo a uma bela revolução de jovens. Nenhum perigo,” escreveu o embaixador dos Estados Unidos numa carta familiar. Sempre lembrando os méritos do fascismo pela derrota do socialismo e comunismo a revista L ‘ Illustrazione Italiana, leitura preferida da elite do país, também elogiava um governo jovem (“sem barbas grisalhas”) e profetizava: “nunca um governo teve possibilidades tão grandes (de sucesso) como o de Benito Mussolini”, escreveu a revista, torcendo ainda para que o ele “saneasse a Itália” do ódio político.
A ilusão durou pouco mas se desfez quando era tarde. Avaliando, meses mais tarde, o estado ditatorial que se esboçava, meses mais tarde o Corriere della Sera publicou um artigo no qual fazia uma constatação dolorosa: a grande massa dos italianos, incluída “a totalidade de sua classe dirigente,”havia demonstrado “ser capaz de perder todas as suas liberdades civis sem protestar.” Assinado por Giuseppe Prezzolini, o texto dizia: “Somos todos um pouco culpados de termos nos iludido de que as liberdades eram um fato consumado, que não se poderia perder; e descuidamos, deixando que alguém começasse a pisoteá-las.” Sem mencionar o nome de Mussolini, o que poderia revelar-se perigoso, o artigo conclui: “e esse tal indivíduo terminou por defenestrá-las.”
Juro que seguia na leitura do mesmo livro, comprado numa viagem recente a Buenos Aires, quando ocorreu aquela cena inacreditável de sexta feira, no Congresso Nacional. Um bando de fascistas atacou — com empurrões, gritos, e vários atos de provocação — um grupo de parlamentares do PT que convocava uma coletiva para fazer uma denúncia grave: a segunda votação sobre financiamentos de campanha políticas foi um ato juridicamente nulo, pois violou o artigo 60 da Constituição Federal, que estabelece regras claras para se votar um projeto de emenda constitucional.
Isso aconteceu no Salão Verde do Congresso, endereço de tantos atos de resistência democrática durante o regime. No dia seguinte, fiquei sabendo da história do empresário ameaçado durante um voo Brasilia-São Paulo porque lia a Carta Capital.
Quarenta e oito horas antes, naquela conversa no café da Câmara, um parlamentar do PSDB tentava me convencer, explicava, em tom benevolente, que não havia motivos de preocupação com ameaças fascistas.