terça-feira, 30 de junho de 2015

30/6 - VOCÊ ACREDITOU?

FONTE:PORTAL METRÓPOLE - noreply@blogger.com

Posted: 29 Jun 2015 12:23 PM PDT

Você acreditou? 25 mentiras que contam sobre Dilma, Lula e o PT

Aos que chamam os eleitores de Dilma de “burros”, blogueiro reuniu uma lista com mais de vinte falácias que grupos como Revoltados Online contam e disseminam nas redes sociais; confira
Por Daniel Dantas Lemos, em seu Facebook

Quando estiver no seu momento de Revoltado Online, chamando os eleitores da Dilma de “burros” lembre-se disso:

1-Você acreditou que o filho do Lula era dono da Friboi
2-Você acreditou que Alberto Youssef tinha sido assassinado no dia da eleição
3-Você acreditou que Dilma tinha cometido suicídio
4-Você acreditou que Lula estava aposentado por invalidez
5-Você acreditou que a Dilma ia congelar a poupança
6-Você acreditou que o litro de gasolina ia custar 5 reais em novembro de 2014
7-Você acreditou que o PT trouxe haitianos para votar nas eleições
8-Você acreditou que o deputado Jean Wilys apresentou projeto de emenda à bíblia
9-Você acreditou que o dólar custaria 6 reais após as eleições
10-Você acreditou que a Petrobras estava quebrada
11-Você acreditou que Dilma implantaria um chip para controlar seus pensamentos
12-Você acreditou que a filha de Dilma era dona de mais de 20 empresas
13-Você acreditou que a Dilma havia criado uma lei que proibia investigação de acidentes aéreos
14-Você acreditou que Dilma usou um ponto eletrônico durante o debate presidencial
15-Você acreditou que Fidel Castro e que Aleida (filha de Che Guevara) recebiam aposentadoria do governo brasileiro
16-Você acreditou que o governo brasileiro gastou 4 milhões de reais na construção de um “Memorial do Funk”
17-Você acreditou que o PT criou o “Bolsa Prostituição”
18-Você acreditou que as urnas eletrônicas estavam adulteradas
19-Você acreditou que o governo gastaria 13 milhões para construir estátua do Lula
20-Você acreditou que a comitiva de senadores que foi a Venezuela não teve o pouso do avião autorizado
21-Você acreditou que o governo mandou fechar a pista de uma rodovia para evitar que os senadores brasileiros se locomovessem na Venezuela
22-Você acreditou que esses senadores foram “apedrejados”
23-Você acreditou que Lula tinha pedido Habeas Corpus
24-Você acreditou que os médicos cubanos eram guerrilheiros
25-Você acreditou que a Copa do Mundo estava comprada

Não seja bobão, pare de repetir boatos, se informe e repense sobre quem realmente é o ignorante da historia.

30/6 - Portal Metrópole DE 29/6

Portal Metrópole


"O

Posted: 29 Jun 2015 03:48 PM PDT

O essencial é invisível aos olhos" - A. Saint-Exupéry (Em "O pequeno príncipe) 


A pequena Ermínia 

Por Taynah A. Rossigalli

No início éramos muito apegados a ela. Costumávamos alimenta-la, levar para passear e tomar sol, tirar fotos e mais fotos, checar seu leito, arrumar-lhe os cabelos para que ficassem bem visíveis e chamativos... Nutrimos por ela grande carinho e expectativa. Uma vida em nossas mãos! Que nostalgia... Que animo... Que felicidade! Éramos oficialmente os responsáveis por alguém e, mesmo sendo alguém tão pequeno, passamos a nos unir na tentativa de proteger da melhor maneira possível aquele serzinho solitário.  

Lembro que no primeiro dia votamos por seu nome. Um debate árduo, diversas opções (que iam desde Aquina Lelfilielsson até Eva). Demorou um pouco, confesso, mas no final a batizamos como Ermínia. Ermínia... Dá para acreditar? Nem nome de pessoa isso é direito... Quem dirá alguém daquela espécie! Mas isso relevamos para não trazer mais discussão. Ficou como Ermínia e pronto, sem bla bla bla ou mimimi entregamos-lhe o nome de criação: um verdadeiro símbolo de entrosamento entre o grupo. Sim, havíamos conseguido definir algo com que todos concordavam. Fora simplesmente incrível... Mas não terminou aí. 

Depois disso passamos a ser família. Família que dá amor, família que apoia, família que socorre... Família que traz segurança! Afinal, quem não se lembra do dia em que tentaram toma-la de nós?! Que desaforo, um enorme absurdo... Abriga foi feia! Um bate-boca danado,  um puxa daqui e dali, um apontar de dedos... Por pouco não a perdemos! Foi preciso muita garra para defender nossa princesa, mas com muito orgulho ganhamos a batalha. Vitória! 

Éramos tão próximos daquela 'pituxinha'! Sinceramente achei que aquilo duraria anos... Mas, de um dia para o outro, em algum dia após alguns meses que a tínhamos acolhido, "Puft". Sumiram com nossa Ermínia.  

No local onde ficava nada havia além do vazio inacreditável. Não havia mais cor em nossa sala, não havia mais teu cheiro agradável, não havia mais nosso milagre divino pessoal... Quando finalmente demos por nós, estávamos sós, sem ter de quem cuidar.  

Deus, como foi duro aceitar. Queríamos de todo jeito descobrir o que acontecera com nossa pequena que nenhum mal havia feito à qualquer ser. Queríamos tê-la de volta, queríamos conforta-la como antes, queríamos poder colocá-la apenas mais algumas horas no sol... E por isso começamos a procurar respostas.  

Andamos de um lado ao outro, perguntamos para fulano e ciclano, tentemos encontrá-la em todos os lugares possíveis... E finalmente, quando contaram-nos o ocorrido, foi difícil acreditar: Morta. Nossa Ermínia estava morta, jogada em uma lixeira sem qualquer cuidado ou higiene.  

A princípio a ficha demorou cair... Achávamos que era uma brincadeira de mal gosto, que apenas tinham roubado nossa pequena preciosidade... Mas aos poucos tudo foi se encaixando melhor. Um ou outro começou a comentar que as folhas verdes andaram parecendo meio amareladas demais nos últimos tempos... Há quem assumisse não ter visto ninguém rega-la nas últimas semanas e ainda os que confessassem ter regado em demasia um dia para não ter que regar por uma quinzena... E então não pareceu mais um fato tão inusitado assim.  

Quer dizer, eu mesma posso dizer com total seriedade que as raízes já não se prendiam assim tão bem na terra e os galhos já estiveram mais fortes do que pareciam no último mês... Mas com uma rotina tão corrida, quem conseguiria se focar naquilo? 

Me ver pensar assim foi algo que assustou. Se estávamos assim tão focados no ritmo alucinante do dia-a-dia para não perceber que aquilo pelo que tanto lutamos havia morrido, como eu poderia notar a perda de alguém que morava na casa ao lado ou na rua paralela com a minha? Nem os via com tanta frequência, será mesmo que os teria como foco se os visse adoecer? 

Talvez eu não notasse a queda de cabelos da senhorinha da esquina... Talvez eu não gastasse tempo suficiente ouvindo sobre a vida daquele meu amigo que talvez tenha depressão... Talvez eu não estivesse olhando assim tão bem para os olhos da garota que todos zoam e por isso não lhe vejo as lágrimas... Talvez qualquer dia possam fazer o mesmo comigo. 

E será mesmo que compensa? Será que compensa  falar tanto com tanta gente sem realmente prestar atenção no que dizem ou ver tantas pessoas diferentes sem nem mesmo procurar por qualquer diferença física ou emocional? Pode ser que compense para alguns... Pode ser que haja quem prefira se focar nas atividades que possuam lucro material... Mas naquela semana percebi, de uma forma bem irônica, que eu não podia ser assim. Percebi que talvez fosse mais lucrativo receber um abraço do que 10 reais ou cuidar de uma vida ao invés de um horário... A grande ironia? 

Tudo isso foi uma planta que me ensinou. Uma planta que talvez tenha morrido na seca, ou então afogada. Uma planta que eu não soube cuidar. Uma planta morta, mas que tinha sido entregue em minhas mãos como um ser vivo, com tanta importância quanto qualquer outro... Uma planta que poderia muito bem ter sido 'um alguém', um bebê, um cachorro, um amigo... Poderia ter sido qualquer um... Mas foi apenas uma planta. 

E você? Prefere repensar suas prioridades por um texto ou por uma morte? 
Posted: 29 Jun 2015 03:17 PM PDT


Desde sexta-feira, 26 milhões de pessoas mudaram a cor de suas fotos de perfil para apoiar a união homoafetiva nos EUA; no entanto, rede social agora consegue saber quem apoia ou não a causa e usar dado, por exemplo, para a venda de anúncios

Por Redação

Na última sexta-feira, a internet se uniu para celebrar a legalização da união homoafetiva em todo o território norte-americano. O Facebook não perdeu tempo e lançou um filtro com as cores do arco-íris para identificar usuários que apoiam a causa. A novidade teve ampla adoção por usuários do mundo inteiro – segundo a empresa, 26 milhões de pessoas mudaram a cor de suas fotos de perfil. Juntas, elas tiveram meio bilhão de curtidas e comentários.

O filtro foi desenvolvido por estagiários da rede social em um hackathon interno e foi lançada para o público geral depois de ser amplamente adotada por funcionários da própria rede social. Mas os objetivos e os resultados da ação do Facebook vão além do engajamento dos usuários: agora, a rede social sabe claramente quem apoia ou não o casamento gay.

E o que isso significa? Que o Facebook agora pode rastrear quem são os usuários que apoiam a causa e adicionar essa informação ao banco de dados que a rede social usa, por exemplo, para oferecer aos seus anunciantes a possibilidade de vender anúncios focados em determinados públicos.

A discussão foi trazida à tona pela revista americana The Atlantic, que entrou em contato com a rede social nos EUA e perguntou se a ferramenta seria usada para gerar dados para algum experimento. Um porta-voz da rede social negou que a ferramenta tenha o objetivo de testar alguma hipótese, como fez em 2012, ao manipular o feed de notícias para identificar se usuários ficavam mais felizes ou tristes ao serem expostos a determinados conteúdos.

Na época, a revelação de que o Facebook realizava experimentos com os usuários gerou polêmica, já que os usuários não sabiam que seus dados poderiam ser usados com esse objetivo. A empresa foi obrigada a emitir um pedido de desculpas e atualizar seus termos de uso acrescentando a informação de que os dados dos usuários podem vir a ser usados em pesquisas.

A revista destaca, no entanto, que mesmo não sendo um experimento, o Facebook poderá usar a ferramenta para rastrear quem apoia o casamento gay e adicionar essa informação ao seu banco de dados – o que em si não é uma novidade, já que toda a atividade no Facebook é monitorada e gera dados para a rede social. Porém, como não há nenhum alerta sobre isso fora dos termos de serviço, a tendência é que os usuários se esqueçam desse detalhe e utilizem a ferramenta sem pensar nas implicações. [Link Estadão]
Posted: 29 Jun 2015 03:14 PM PDT
Li Keqiang, primeiro-ministro da China

O primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, disse nesta segunda-feira que a China está pronta para desempenhar um papel construtivo na resolução da crise da dívida grega, pois Pequim deseja que a Grécia permaneça na zona do euro e supere as atuais dificuldades.

Por Redação

"A China quer ver a Grécia permanecer na zona do euro, e nós pedimos aos credores relevantes que cheguem logo a um acordo com o governo grego", declarou Li durante uma coletiva de imprensa após um encontro de negócios entre autoridades da China e da União Europeia, em Bruxelas.

"Várias vezes, a China tomou ações reais para responder à preocupação e aos pedidos do governo grego, porque nós esperamos que a Grécia se recupere e esperamos ver uma União Europeia unida", acrescentou o premier chinês.

A Grécia tem até esta terça-feira para pagar uma parcela de 1,6 bilhão de euros relativos a um empréstimo adquirido junto ao FMI. Mas, com sérios problemas de liquidez, o país depende de outro empréstimo internacional para realizar o pagamento.

Para conseguir a liberação desse dinheiro, no entanto, Atenas teria que cumprir algumas exigências dos seus credores, incluindo uma considerável alta nos impostos e cortes na previdência social. Medidas, que, segundo o primeiro-ministro Alexis Tsipras, o país não estaria disposto a adotar. Ainda assim, na última sexta-feira, Tsipras anunciou a convocação de um referendo para 5 de julho para decidir se o povo grego aceitaria as demandas impostas pelos credores em troca de mais ajuda.

Segundo alguns órgãos de imprensa internacionais, fontes do governo grego teriam afirmado nesta tarde que Atenas decidiu não pagar a parcela da dívida que vence amanhã. Se isso acontecer, a Grécia será a primeira economia considerada "avançada" a ficar inadimplente junto ao Fundo Monetário Internacional. [Sputinik]
Posted: 29 Jun 2015 01:04 PM PDT


A presidente Dilma Rousseff está reunida nesta segunda-feira em Nova York com 12 nomes de peso do mercado financeiro americano. 

Por Redação

Em seu primeiro encontro com investidores estrangeiros para tentar ganhar a confiança do setor privado, a presidente conversa, por exemplo, com o ex-secretário do Tesouro Timothy Geithner, hoje na Warburg Pimcus, Larry Fink, da Blackrock, e Bill Rhodes, consultor-sênior do Citigroup.

Os encontros com um grupo mais seleto de investidores foram desenhados pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. A ideia é mostrar o compromisso de Dilma com o ajuste fiscal e que a guinada na política econômica no segundo mandato é para valer. Mais cedo, a presidente deu uma entrevista ao “Wall Street Journal”.

Os outros participantes da reunião são William Kooyker (Bleinheim Capital Management), Frank Bruno (Cerberus Global Investment), Michael O’Neil (Citigroup), James Tisch (Diamond Offshore Drilling/Loews Corporation), Barry Sternlicht (Starwood Capital Group), Abel Halpern (TGP Partners), Cliff Sobel (Valor Capital Group), Martin Marron (JP Mo rgan) e Jonathan Gray (Blackstone Group).

Além de Levy, Dilma está acompanhada dos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Armando Monteiro (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Renato Janine Ribeiro (Educação) e Aldo Rebelo (Ciência, Tecnologia e Inovação) e do assessor especial para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia.

Depois desse encontro, Dilma vai se reunir com empresários, como James Taiclet, da provedora de redes sem fio American Tower Corporation, David Cheesewright, presidente do braço internacional do Walmart, e Dan Amman, presidente da GM. No fim da manhã, deve se encontrar com o ex-secretário de Estado Henry Kissinger.

Depois, Dilma vai encerrar um seminário sobre oportunidades em infraestrutura no Brasil, que foi aberto pelo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa.

A presidente vai depois para Washington, onde deverá depositar flores no memorial de Martin Luther King, acompanhada pelo presidente Barack Obama. À noite, será recebida num jantar na Casa Branca, para 24 pessoas.

A viagem da presidente aos EUA busca reconquistar a confiança do setor privado e selar a reaproximação com os EUA, que havia sido abalada pelas denúncias de que Dilma havia sido espionada pelo governo americano. Isso a levou a adiar uma visita de Estado marcada para outubro de 2013. [Valor]
Posted: 29 Jun 2015 12:52 PM PDT

Ministro da Defesa rebateu declarações do apresentador e disse que o Brasil é o país da esperança desde 2002

Por Redação

Jaques Wagner, ministro da Defesa se manifestou pelas redes sociais para rebater comentário do apresentador Fausto Silva em seu último programa no qual ele afirmou que o Brasil é o país da desesperança e também foi rebatido pela convidada, Marieta Severo.
Segundo a publicação do Ministro, o apresentador fez uma declaração infeliz e disse não concordar com esse pessimismo de Faustão.
Na imagem, o ministro mostra duas estatísticas da ONU para o Brasil na redução da pobreza e da fome. Desde 2001, o Brasil reduziu 10,5% a taxa da extrema pobreza e cerca de 9% a taxa de desnutrição. 

Confira a seguir a publicação:

Um dos apresentadores mais populares da TV brasileira traçou ontem um prognóstico sombrio a respeito do Brasil, afirmando em cadeia nacional que somos o "país da desesperança". Assim como a atriz Marieta Severo, convidada do programa, discordo veementemente desses juízos pessimistas. Sim, é verdade que passamos por um momento difícil na economia. Isso, no entanto, não pode apagar ou pôr em xeque as conquistas notáveis que este país conseguiu nos últimos anos. Em pouco mais de uma década, por exemplo, reduzimos drasticamente o número de desnutridos e de pessoas em situação de extrema pobreza. Exaltados por importantes instituições internacionais, como o FMI, a ONU e o Banco Mundial, tais avanços revelam como o Brasil foi capaz de elaborar e aplicar soluções eficazes e inovadoras para combater as desigualdades, tornando-se um exemplo para muitos países que todos os anos nos visitam interessados em aprender com a nossa experiência. Desde 2002, com a eleição de Lula, nos tornamos o país da esperança.

Posted: 29 Jun 2015 12:45 PM PDT

Em entrevista aos Jornalistas Livres, Riccardo Cappi, doutor em Criminologia e professor de Direito da Universidade Estadual da Bahia, defende que atos infracionais cometidos por adolescentes sejam tratados com diálogo e criação de vínculos. Para ele, a punição como castigo não alivia a sensação de insegurança.

Por Maria Carolina Trevisan, especial para os Jornalistas Livres

O debate sobre segurança pública no processo de democratização do Brasil sofreu uma série de interrupções, descontinuidades e contradições desde a promulgação da Constituição de 1988. Com a questão dos direitos de crianças e adolescentes não foi diferente. O país aprovou o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990, uma das legislações mais avançadas do mundo sobre os direitos dessa parcela da população — e também muito criticada. Com normas voltadas a garantir direitos humanos no que se refere aos atos infracionais cometidos por adolescentes, tem gerado reações sistemáticas de parlamentares. Atualmente, a maioria dos deputados federais defende substituir uma das cláusulas pétreas da Constituição Brasileira (dispositivo constitucional que não pode ser alterado), que define crianças e adolescentes como “prioridade absoluta” e que traz uma série de direitos assegurados, para recrudescer as políticas que tratam de adolescentes em conflito com a lei. “A ideia de que o castigo resolve os problemas é de fácil compreensão e simples elaboração”, explica Riccardo Cappi, doutor em criminologia e professor de Direito da Universidade Estadual de Feira de Santana, além de professor colaborador do Mestrado em Ciências Sociais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e do Mestrado Professional em Segurança Pública da Universidade Federal da Bahia.


"A questão da segurança deveria sair da esfera exclusiva do Direito Penal e da polícia", defende Cappi.

“O castigo como solução para a insegurança também propõe um ganho fácil, nesse caso, um ganho eleitoral. É muita facilidade para quem utiliza uma estratégia como essa”, afirma Cappi.

Cappi estudou os discursos parlamentares sobre a redução da maioridade penal entre 1993 e 2010, em sua pesquisa de doutorado. Nesse período, houve diversas tentativas de reduzir a idade penal para 16 anos. O estudo concluiu que a demanda por fazer algo contra a insegurança é legítima. Mas se apoiar no medo para determinar medidas legislativas mascara outros interesses.

"O medo é uma ferramenta muito rentável para se ter sistemas muito rentáveis."

"Quando temos medo pensamos menos. Com a alavanca de uma mídia que tem por objetivo divertir, tira-se o foco das questões mais importantes, facilitando o nosso passar do tempo. Nesse sentido, o medo, com sua carga fascinante, é um componente rentável do ponto de vista da comunicação, do ponto de vista eleitoral e do ponto de vista econômico. Permite a reprodução de uma demanda. Então, aquilo que os marqueteiros se empenham em resolver com estudos e pesquisas, com o medo, corta-se caminhos.” Ele ressalta: “as pessoas amedrontadas consomem mais.”

Leia, a seguir, a entrevista completa e entenda o que significa, entre todos os interesses, combater a insegurança reduzindo a maioridade penal.


Jornalistas Livres — Que papel tem desempenhado a sensação de medo para a redução da maioridade penal?

Riccardo Cappi —  Em um projeto político-econômico-midiático, termos uma população amedrontada gera interesses diversos. O medo se reproduz. Nesse sentido, a redução da maioridade penal ganha força enquanto proposta em períodos em que existe muito medo. Se eu estou com medo, construo um muro de três metros, depois posso construir um muro de seis metros para me sentir ainda mais seguro. O que eu não estou percebendo é que junto com o muro cresce meu medo. O medo é uma alavanca forte, mas não é a melhor opção para cogitar e imaginar políticas públicas.



JL — Existe alguma lógica entre reduzir a idade penal e enfrentar a insegurança, do ponto de vista das políticas públicas?

RC — Paradoxalmente, não. Porque as medidas que trabalham o medo por fora praticamente o reforçam. Eu venço o medo se eu me trabalhar por dentro, não por fora. No âmbito da segurança pública eu consigo pensar em respostas interessantes, não somente pelos obstáculos para a prática do crime, mas pelas dinâmicas relacionais, que inteferem na maneira das pessoas viverem entre si. O que contribui para reduzir o medo é, por exemplo, as pessoas poderem ir para as ruas se apropriar do espaço público, tornando-o mais seguro. Não se torna um espaço mais seguro porque tem mais câmeras, vigias. Não posso pensar na superação do medo inteiramente por fora. Cada um de nós tem algo a ver com nossos próprios medos.


JL  — Ou seja, a postura que tem se adotado diz respeito a dimensão econômica, a quem pode comprar esses serviços, e não a uma política pública.

RC —  Como diz um amigo meu, "temos soluções em busca de problemas". As soluções já existem: os sistemas de vigilância. São produtos que buscam uma demanda. E o medo está ali para alimentar essa demanda.



JL — Como a mídia se coloca nesse contexto?

RC — A mídia é uma alavanca forte porque produz uma realidade com significação incorporada, com kit interpretativo anexo. Desenvolve um papel de alimentador simbólico da leitura do problema e de sua solução, que se encaixaria perfeitamente diante desse problema. Daí vem duas questões que considero importantes: a leitura que se faz do problema (os delitos acontecem por um lado e as pessoas estão com medo por outro lado); e a leitura da parte que cabe aos adolescentes nessa insegurança. Do ponto de vista estatístico, sabemos que menos de 1% dos delitos graves como homicídios são praticados pelos adolescentes. Há, portanto, uma hiper representação dos jovens como causa do problema. Tem uma questão que não é quantitativa.


"Se eu, em um telejornal de meia hora utilizo cinco minutos para dizer que um adolescente matou uma pessoa, a estatística psicológica da contribuição dos adolescentes na criminalidade aumenta dramaticamente."

Nesse sentido, existe uma estatística dos números e existe a estatística que vive na cabeça das pessoas. Isso é um elemento crucial. Pode nem haver um esforço consciente, coisa da qual eu duvido.


JL — O fato de serem os jovens negros as principais vítimas (e não os agentes) de homicídios no Brasil não deveria estar mais explicitado no noticiário sobre o tema?

RC —  Nessas reportagens, em geral, os jovens integram os chamados “grupos perigosos”. Então, os jovens negros de periferia participam desse imaginário na condição de agressores. Ora, sabemos que são esmagadoramente representados no grupo das vítimas. Tem aí um paradoxo que precisamos entender. A morte de jovens negros e pobres não gera o mesmo tipo de indignação. Então, o elemento medo, elege seus alvos diante de uma indignação que omite outros alvos, que não se preocupa com o número de mortes que passa de 50 mil por ano. Isto me parece um paradoxo tipicamente brasileiro que precisamos resolver.



JL — O que significa criar uma nova lei para tentar solucionar o problema da insegurança?

RC — A redução da maioridade penal é tida como uma ação que soluciona. Em primeiro lugar eu gostaria de dizer que sim, é uma ação, mas uma ação de um tipo muito especial: a produção de uma lei. É preciso ver como será implementada. É uma lei que aposta, pelo menos no imaginário das pessoas, no aumento do castigo. É a ideia de que o castigo contribui para a resolução dos problemas. Quer seja porque irá dissuadir as pessoas, quer seja porque as pessoas presas não terão mais condição de prejudicar a sociedade.



Ora o que nós temos é um castigo que sempre foi utilizado, formalmente, informalmente, de forma institucionalizada, não institucionalizada. E não se tem a impressão de que esse castigo tenha tido um efeito interessante sobre a evolução da criminalidade, muito pelo contrário. Temos uma população carcerária estourada, temos um super encarceramento (diz respeito à maneira como os juízes adotam as medidas de privação de liberdade) e isso não parece contribuir para a tão esperada melhoria da segurança.


JL — É isso que você chamou de sanção hostil, aflitiva, no seu artigo?

RC —  A ideia é que quando a gente pensa na criminalidade, em condutas de transgresão, ela tem uma imagem padrão: a transgressão é aquela que atinge a vida ou a propriedade de maneira visível, espetacular. Não temos em mente outras transgressões que também atingem a vida e a propriedade, mas que não são tão visíveis, tão espetaculares. A transgressão sobre a qual pensamos é a transgressão dos pobres, das pessoas negras e com baixo nível de alfabetização. Por outro lado, quando se pensa em resposta punitiva — parece uma obviedade — , ela se dá em contexto de hostilidade. Ou seja, o alvo da resposta é hostilizado da maneira mais forte possível.



"Eu diria que a hostilidade é o primeiro passo importante para que o sujeito avance na carreira criminal. Nesse sentido, a hostilidade constitui um ingrediente, um fermento importante para a carreira criminal."


Se a gente parar para pensar, chegaremos à ideia de que a hostilidade não permite ao sujeito se desenvolver em suas relações, em suas capacidades de se relacionar com os outros. Posso muito bem conceber uma norma sustentada de maneira firme, mas com uma sanção que não envolva necessariamente a hostilidade. A hostilidade paradoxalmente piora o problema. 



JL — No seu artigo você coloca quatro modos de pensar na evolução do pensamento dos parlamentares. Que discursos são esses?

RC —  O que me interessava era estudar as maneiras de pensar dos parlamentares quando debatem a maioridade penal. Faço a hipótese de que os parlamentares pensam e ao mesmo título em que outros grupos sociais poderiam estar pensando. Através de um percurso metodológico de análise de conteúdo, se torna possível identificar quatro grandes maneiras de pensar. Primeira coisa interessante é dizer que não são unicamente duas. Dentro de cada grupo — aqueles que são a favor da redução da idade penal e aqueles que são contrários à redução da maioridade penal — posso ainda identificar duas grandes formas de raciocínio. Dentro daqueles que tem a redução da maioridade penal como objetivo, eu diria que existem ainda dois grupos: um que funciona discursivamente às margens do Estado de Direito, que diz “o Direito atrapalha. Nós queremos punir sem moderação”, que trabalha no limite de discursos como “queremos poder eliminar”. Esse é um grupo não importante, mas que pode crescer, precisamos permanecer vigilantes, ou seja, um grupo para o qual o Estado de Direito se torna um empecílho. Com esse grupo é difícil a discussão porque a negação do outro compõe a discussão, são argumentos de punho na mesa, não estão para discussão.


Dentre aqueles que propõem a redução da maioridade penal, tem a turma que está mais propensa a dizer "iremos punir reduzindo a maioridade penal mas dentro de certas condições". Acredita no castigo dentro das condições e das regras do jogo do Estado de Direito e da democracia. Da mesma forma, entre aqueles que se opõem à redução da maioridade penal também existem dois grupos: um que entende que o Estatuto pune o suficiente e que seria importante punir os adultos que estão aliciando os jovens, ou seja um grupo que quer manter as coisas como estão porque a punição já existe; e o último grupo é constituído por aqueles que duvidam do caráter eficaz da punição. Fazem parte do grupo que sustenta o ECA, não porque pune o suficiente, mas porque propõe outras maneiras de enfrentar as condutas delitivas. Esse quarto grupo é aquele que se diferencia mais, enquanto o segundo e o terceiro são relativamente próximos. 


"O castigo funciona como o resultado de um inércia. Quando não sabemos o que fazer, punimos."


Isso acontece com nossos filhos, nossos amigos, com nossos namorados, nossas namoradas. Quando as coisas vão mal a gente se utiliza de uma ferramenta que é infligidora de dor, para excluir, negar, eliminar. A batalha do abandono do castigo não é vencida de uma vez por todas, precisa vencer a inércia. Quando nós pensamos em dizer não à redução da maioridade penal, e isso é uma posição pessoal, o que está em jogo é a possibilidade de se pensar em formas diferentes de se intervir diante de situações de criminalidade, diante dos delitos. 



JL — O que poderia ser proposto para a sociedade?

RC —  Eu não preciso propor porque as coisas já existem e já têm êxito. Por exemplo, a população conhece pouco as penas alternativas, ou penas restritivas de direitos. São formas de intervir depois do delito que não envolvem a prisão. A pena de prisão não é a única. Existem muitas alternativas dentro da própria sociedade de lidar com situações problemáticas. Por exemplo, um elemento de reflexão atualmente é aquilo que diz respeito à justiça restaurativa. É a possibilidade de se reparar os danos e prejuízos decorrentes de um crime. A ideia não é tanto punir e sim solucionar o problema.


"Sobre a redução da maioridade penal, os discursos apelativos a favor da redução falam em crimes, em sociedade assolada pelos bandidos, falam de vítimas. Mas, propriamente falando, a redução da maioridade penal não traz absolutamente nada para as vítimas."


Quando pensamos em hipóteses como a justiça restaurativa, que precisa ser discutida, que não é a panacéia, que não constitui uma legitimação do sistema penitenciário, e sim uma tentativa de pensar sua transformação onde for possível, nesse sentido, provavelmente as pessoas concreta e diretamente afetadas pelos delitos teriam condição de serem contempladas na resposta, quer seja da sociedade quer seja do Estado. 



JL — Que outras medidas preventivas teriam de ser tomadas para a diminuição da violência?

RC — Nas cidades precisaríamos ter, diante de certos tipos de criminalidade, uma capacidade de observação e de análise dos problemas que obviamente irão afetar uma série de outras questões ligadas ao urbanismo, ao emprego, à educação, às oportunidades de desenvolvimento, ao lazer. Eu diria que precisamos de um trabalho atento, analítico e de acompanhamento das situações, tudo o que o Direito Penal não consegue fazer.



"A questão da segurança deveria sair da esfera exclusiva do Direito Penal e da polícia. Nós teríamos uma abordagem interdisciplinar e intersetorial onde as questões de segurança seriam esmiuçadas como problema e não como delitos. Quando elas são delitos, provavelmente já é tarde demais."

O Direito Penal chega quando a coisa já aconteceu e intervém pontualmente a respeito do crime. Esse outro tipo de atuação, acompanhado dessa análise, envolveria um trabalho de monitoramento, especialmente voltado para a segurança. Precisamos identificar quais são as fontes de problemas numa determinada comunidade. Determinadas questões precisam ser enfrentadas com seriedade. E aqui eu quero tratar de duas. A primeira, o tráfico de drogas. Está tendo uma campanha intitulada “É da proibição que nasce o tráfico”. É um convite a pensar de que maneira a proibição penal pode ser não uma consequência do problema e sim um elemento que se situa na causa dos problemas. Ou seja precisamos tratar com maior capacidade analítica as questões referentes aos fenômenos criminais.

Um segundo elemento, também importante é ligado às políticas de segurança pública.


"A segurança pública parece fugir ao controle democrático. Parece se desenvolver fora da órbita de controle da sociedade."

Nós temos, por exemplo, uma alta letalidade policial, que alcança principalmente jovens negros de periferias. Essa problemática não alcança, infelizmente, o nível de problema importante. Ora, esse é um problema importante, não a redução da maioridade penal! É sabermos que nós temos, ainda, por diversos motivos, um problema diante do qual a sociedade tem condição de dar um salto de qualidade. Tem condição de dizer que não quer mais ser uma sociedade na qual o nível de homicídio, inclusive de letalidade estatal, tão alto seja tolerado. 


JL — Por que essa importância é ignorada?

RC — Eu diria que existem poderes objetivos. A sociedade brasileira, me parece, é uma sociedade hierarquizada. Com grandes desigualdades produzidas, inclusive, por nossos olhares. Estou pensando principalmente no racismo.


"Uma sociedade elitista e racista não tem condição de se indignar pelas inúmeras mortes de jovens negros como se indigna, por exemplo, pela morte também inaceitável de pessoas de classe média, de pessoas brancas.Nós não alcançamos ainda esse patamar para alavancar uma política que seja prioritariamente — e não colateralmente-, voltada para a não existência desse sangue derramado, que é essencialmente o sangue negro."


JL — Sobre a situação atual de votações acerca da redução da maioridade penal, como se pode enfrentar?

RC —  Pela correlação de forças que nós temos no Parlamento, existe a possibilidade da redução da maioridade passar. Eu entendo que isso ainda não é uma certeza. Em dois sentidos: não é uma certeza porque a força da movimentação popular pode fazer com que quem toma as decisões reveja a sua maneira de pensar. Essa força é sim a força das ruas, nós temos um aprendizado muito grande de junho de 2013, com as manifestações populares de rua. Precisamos de uma força das ruas que ganhe espírito crítico. O papel das pessoas que pensam essas questões é de provocar a reflexão. Eu parto da ideia de que quem quer reduzir a maioridade penal tem uma lógica e demanda legítimas. Não posso desqualificar, desde que seja dentro da alçada dos padrões da democracia. Mas gostaria de convidar a pensar sobre os resultados práticos concretos dessa medida. Esse seria um primeiro movimento.


Um segundo movimento, mais técnico, e espero não chegar nesse momento, seria aquele que consistiria em pensar, se houver redução, em uma redução tecnicamente calibrada. Não à redução para todas as situações envolvendo jovens entre 18 e 16 anos. O que foge à reflexão da maioria das pessoas é que quando pensamos a redução, pensamos diante de crimes graves. Caso a redução da maioridade penal passe de forma geral e irrestrita, alcançaria da mesma forma o autor de um homicídio e o autor de um furto no supermercado. Caso seja realmente necessário, é necessário pensar uma leitura e uma prática discriminada, diferenciada, na redução da maioridade penal.
Não é a atitude de defesa que produz os melhores frutos.

"A atitude que produz os melhores frutos é uma atitude de diálogo, de escuta, de olhar franco, onde as normas existam, onde as sanções existam, mas não sejam principalmente marcadas no modelo da dor. A sanção mais importante é aquela que permite restabelecer o diálogo, com estabelecimento de vínculos significativos com adolescentes."

É nesse sentido, dentro do marco dos direitos humanos, que deve se alimentar nosso debate sobre segurança pública. Talvez este momento, quando se fala de redução, seja um rico, dentro do qual nós possamos acordar com essas novas maneiras de pensar caminhos e respostas para os nossos problemas de segurança.

Foto: Mídia Ninja
Posted: 29 Jun 2015 12:31 PM PDT
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Presidente fez sua primeira manifestação pública após a divulgação da delação premiada do dono da UTC, Ricardo Pessoa, que disse ter dado R$ 3,6 mi a tesoureiros do PT

Por Redação

A presidente Dilma Rousseff disse nesta segunda-feira, 29, que a contribuição de R$ 7,5 milhões da empreiteira UTC para sua campanha foi registrada e realizada de maneira legal. "Eu não respeito delator. Até porque eu estive presa na ditadura e sei o que é que é. Tentaram me transformar em uma delatora", afirmou a presidente em Nova York, em suas primeiras declarações públicas desde a divulgação da delação premiada do dono da empresa, Ricardo Pessoa.

Dilma ressaltou que a empresa também fez doações a seu adversário no segundo turno da eleição presidencial, Aécio Neves, em valores semelhantes aos recebidos por sua campanha. "Eu não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou a minha campanha qualquer irregularidade. Primeiro porque não houve. Segundo, se insinuam, alguns têm interesses políticos."

O terceira motivo apresentado pela presidente para refutar as acusações foi o fato de ser mineira e ter crescido com lições sobre a Inconfidência Mineira. "E há um personagem que a gente não gosta, porque as professoras nos ensinam a não gostar dele. E ele se chama Joaquim Silvério dos Reis, o delator. Eu não respeito delator", observou, mencionando o homem que traiu os inconfidentes.

Apesar de criticar delatores, a presidente afirmou que a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal devem investigar as acusações. "Tudo, sem exceção", ressaltou.

A presidente disse que tomará medidas contra Pessoa caso ele faça acusações contra ela. Quanto aos ministros mencionados na delação, Dilma afirmou que cabe a eles decidir o que fazer. Pessoa fez referência ao chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e ao secretário de Comunicação Social, Edinho Silva, que foi Tesoureiro da campanha de Dilma à reeleição. [IstoÉ]
Posted: 29 Jun 2015 12:23 PM PDT
Você acreditou? 25 mentiras que contam sobre Dilma, Lula e o PT

Aos que chamam os eleitores de Dilma de “burros”, blogueiro reuniu uma lista com mais de vinte falácias que grupos como Revoltados Online contam e disseminam nas redes sociais; confira

Por Daniel Dantas Lemos, em seu Facebook

Quando estiver no seu momento de Revoltado Online, chamando os eleitores da Dilma de “burros” lembre-se disso:

1-Você acreditou que o filho do Lula era dono da Friboi
2-Você acreditou que Alberto Youssef tinha sido assassinado no dia da eleição
3-Você acreditou que Dilma tinha cometido suicídio
4-Você acreditou que Lula estava aposentado por invalidez
5-Você acreditou que a Dilma ia congelar a poupança
6-Você acreditou que o litro de gasolina ia custar 5 reais em novembro de 2014
7-Você acreditou que o PT trouxe haitianos para votar nas eleições
8-Você acreditou que o deputado Jean Wilys apresentou projeto de emenda à bíblia
9-Você acreditou que o dólar custaria 6 reais após as eleições
10-Você acreditou que a Petrobras estava quebrada
11-Você acreditou que Dilma implantaria um chip para controlar seus pensamentos
12-Você acreditou que a filha de Dilma era dona de mais de 20 empresas
13-Você acreditou que a Dilma havia criado uma lei que proibia investigação de acidentes aéreos
14-Você acreditou que Dilma usou um ponto eletrônico durante o debate presidencial
15-Você acreditou que Fidel Castro e que Aleida (filha de Che Guevara) recebiam aposentadoria do governo brasileiro
16-Você acreditou que o governo brasileiro gastou 4 milhões de reais na construção de um “Memorial do Funk”
17-Você acreditou que o PT criou o “Bolsa Prostituição”
18-Você acreditou que as urnas eletrônicas estavam adulteradas
19-Você acreditou que o governo gastaria 13 milhões para construir estátua do Lula
20-Você acreditou que a comitiva de senadores que foi a Venezuela não teve o pouso do avião autorizado
21-Você acreditou que o governo mandou fechar a pista de uma rodovia para evitar que os senadores brasileiros se locomovessem na Venezuela
22-Você acreditou que esses senadores foram “apedrejados”
23-Você acreditou que Lula tinha pedido Habeas Corpus
24-Você acreditou que os médicos cubanos eram guerrilheiros
25-Você acreditou que a Copa do Mundo estava comprada

Não seja bobão, pare de repetir boatos, se informe e repense sobre quem realmente é o ignorante da historia.
Posted: 29 Jun 2015 12:21 PM PDT
Jandira Feghali: A intolerância não cabe aqui

“O episódio com a jovem candomblecista da Zona Norte carioca é um drama que se avoluma nas estatísticas. Entram neste cálculo o apresentador Jô Soares, que recebeu uma ameaça de morte desenhada no asfalto em frente a sua casa apenas por entrevistar a presidente Dilma Rousseff; o frentista haitiano humilhado num posto do Sul; as diversas vítimas de crimes cibernéticos, as forças da esquerda política e tantos outros cidadãos hoje alvos da temível mudança no chamado status quo”

Por Jandira Feghali*

Uma pedra voa pela noite do subúrbio do Rio. Ela gira pelo espaço no calor da Vila da Penha, bairro vizinho dos caminhos de Ogum e Iansã, e traça uma rota na fúria das palavras de quem a arremessou. Ao ser atingida com força na cabeça, a jovem vestida de branco, como filha de santo, tomba no asfalto.

Kailane Campos, de apenas 11 anos, ainda sente os ferimentos. O da cabeça passará em alguns dias, o curativo será removido assim que o ferimento fechar. O da alma, contudo, deve perdurar ao compasso da onda crescente de ódio no Brasil. Um sentimento que ineditamente aflora na nação, algo que jamais seria imaginado por Paulo Freire.

O episódio com a jovem candomblecista da Zona Norte carioca é um drama que se avoluma nas estatísticas. Entram neste cálculo o apresentador Jô Soares, que recebeu uma ameaça de morte desenhada no asfalto em frente a sua casa apenas por entrevistar a presidente Dilma Rousseff; o frentista haitiano humilhado num posto do Sul; as diversas vítimas de crimes cibernéticos, as forças da esquerda política e tantos outros cidadãos hoje alvos da temível mudança no chamado status quo.

São os homossexuais que militam e são mortos a pauladas, as vítimas diárias de racismo, as religiões afrodescendentes que expõem seus orixás e são apedrejados, as meninas que não aceitam ser submissas à visão machista e se deparam com a violência doméstica.

A onda de ódio e rejeição públicos cresce no país, disseminada como um veneno letal por determinados grupos políticos que se assemelham em visões distorcidas. Como já refletiu Foucault, na disputa pelo poder, estes grupos desfazem os pensamentos humanistas, que são parte indivisível de nosso povo, e criam um paradigma novo, baseado no preconceito ostensivo e aberto. Pela televisão, pelo rádio, pelos jornais e revistas, todos entoam o mesmo cântico: a intolerância.

O Brasil nasceu há mais de cinco séculos forjado na miscigenação de povos, culturas e raças que nos fazem ser este caldeirão de qualidades. Essa mistura não pode ser combatida pelo pensamento fascista, mesmo que não seja a maioria de nossa gente. Nosso povo não possui uma cor, um tipo de cabelo ou credo. Somos múltiplos, plurais e diversos no jeito de ser e de ver o mundo. Olhos que enxergam o futuro e creem na esperança de uma sociedade solidária e que valorize as diferenças. Essas características devem ser respeitadas e preservadas por todos nós, pois delas nos orgulhamos. São nossa fonte de força, nossa riqueza e maior patrimônio.

“… o meu lugar,
é sorriso é paz e prazer, (…)
é cercado de luta e suor
esperança num mundo melhor.”

(Arlindo Cruz)

* Jandira Feghali é médica, deputada federal (RJ) e líder do PCdoB
Posted: 29 Jun 2015 12:20 PM PDT
Chico Macena: O primeiro passo para abrir a Avenida Paulista

A entrega da ciclovia da Avenida Paulista possui um valor simbólico e importante. É uma cidade que está sendo aberta para o convívio de todos. Uma vitória histórica para São Paulo e o primeiro passo para a conquista definitiva da Paulista e da cidade pelas pessoas

Por Chico Macena*

A Prefeitura de São Paulo estuda abrir a Avenida Paulista para as pessoas aos domingos. Sim, abrir a Paulista e não fechar. Diariamente, passam pela via 1,5 milhão de pedestres e 90 mil veículos, segundo dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

Durante a inauguração da ciclovia da Avenida Paulista, no último domingo (28), a via virou um grande parque. Foi ocupada por dezenas de milhares de pessoas que caminhavam, pedalavam e celebravam a possibilidade de vivenciar essa experiência marcante. Idosos andavam de mãos dadas, cadeirantes circulavam sem pressa, crianças brincavam com os pais. Foi uma verdadeira festa a céu aberto. Isso demonstra que é hora de dialogar sobre a possibilidade de abrir para as pessoas a via mais emblemática da capital, palco de manifestações democráticas e de grandes festas.

A entrega desta ciclovia para os cidadãos irá beneficiar a todos e não apenas aos ciclistas. A atual gestão da Prefeitura de São Paulo teve a coragem de tirar do papel um projeto importante que certamente contribuirá para a redução de acidentes, inclusive os fatais.

A ciclovia da Paulista tem 2,7 km de extensão e em breve permitirá a ligação com a ciclovia da Avenida Bernardino de Campos, que terá 800 metros de extensão e está em fase final de obras. É importante ressaltar que estas duas vias também sofreram adequações no viário, aterramento de fios para passagem de fibra ótica e nova sinalização. As ações para a construção deste trecho do complexo cicloviário ainda preveem a instalação de 102 paraciclos (estacionamentos para bicicleta), a serem implantados em toda a extensão da Avenida Paulista.

Apesar das diversas tentativas de paralisar a obra ou mesmo impedir o seu início, conseguimos quebrar esse paradigma e agora o canteiro central já está ocupado por pessoas que transitam de bicicleta, patins ou skate, com segurança para suas casas ou trabalho, ou apenas para passear ou fazer uma prática esportiva. E isso tudo foi feito em seis meses, sob orientação de um plano cicloviário cujos estudos começaram na década de 1980, respeitando e preservando o patrimônio histórico local e amplamente debatido com a sociedade.

Além disso, a implantação da ciclovia da Avenida Paulista é importante para fazer a ligação entre os bairros do Jabaquara, Saúde, Bela Vista, Sé, Vila Mariana, Perdizes, República e Jardins, que em breve poderão ser percorridos exclusivamente por rotas cicláveis, que já somam mais de 300 km. O ciclista poderá ir com mais segurança da zona sul até a zona oeste, passando pelo centro e ligando com a região do Parque do Ibirapuera.

Ainda que pareça, esta não é uma ideia recente: há pouco mais de dez anos, acontecia o projeto “Domingo na Paulista”, promovido pela Prefeitura São Paulo, em que alguns quarteirões da avenida eram interditados para a circulação de carros e diversas ações de entretenimento eram ofertadas às pessoas.

A retomada dos espaços públicos é importante para humanizar a cidade, ainda mais na região da Avenida Paulista, que aos finais de semana se transforma em um local efervescente e cosmopolita e possui uma grande oferta de atividades culturais e de serviços com diversos polos de atração, como a Praça do Ciclista, o Parque Trianon, o MASP, a Casa das Rosas, e a proximidade com a Rua Augusta e com muitos outros estabelecimentos comerciais.

Por isso, a entrega para a cidade da ciclovia da Avenida Paulista possui um valor tão simbólico e importante. É uma cidade que está sendo aberta para o convívio de todos. Uma vitória histórica para São Paulo e o primeiro passo para a conquista definitiva da Paulista e da cidade pelas pessoas.

(*) Chico Macena, 52 anos, é administrador, Secretário do Governo do Município de São Paulo e autor da Lei 14.266, que criou o Sistema Cicloviário do Município.
Posted: 29 Jun 2015 12:17 PM PDT
Boechat é homenageado na Parada Gay de Brasília








O apresentador passou a ser visto com simpatia pelo movimento LGBT desde que desafiou publicamente o pastor Silas Malafaia – conhecido por suas declarações homofóbicas

Por Revista Fórum

O apresentador da TV Band e rádio BandNews FM Ricardo Boechat foi homenageado na 18ª Parada Gay de Brasília, realizada no último domingo (28). O evento reuniu cerca de 15 mil pessoas na capital do país para reivindicar os direitos da comunidade LGBT e contou com um casamento coletivo em frente ao Congresso Nacional.

A foto do jornalista foi estampada em um banner em um dos carros de som que acompanhavam os participantes. Em seu programa, ele agradeceu pela lembrança: “Um enorme de um carro com uma baita de uma foto deste âncora. Estou lá de paletó e gravata, todo pimposo. Muito obrigado pela homenagem que me prestaram”, comentou.

Boechat passou a ser visto com simpatia pelo movimento LGBT desde que desafiou publicamente o pastor Silas Malafaia – conhecido por suas declarações homofóbicas. Há alguns dias, o apresentador chamou o religioso de “tomador de grana de fiel”, “explorador da fé alheia” e proferiu a frase que causou furor nas redes sociais, ao sugerir para Malafaia “procurar uma rola”.


Posted: 29 Jun 2015 02:18 PM PDT
Suprema Corte dos EUA legaliza casamento gay

Apoio que sensibilizou a todos nas redes fez muita gente se sentir mais forte

Por Alexandre Vidal Porto

No fim de semana, muitos de meus amigos no Facebook marcaram suas fotos de perfil com as cores do arco-íris.

A ideia ""parecia– era celebrar a decisão da Suprema Corte dos EUA que legalizou o casamento homossexual nos 50 Estados. Foi a manifestação mais maciça que presenciei no Facebook desde 2007.

Teve gente que não aderiu porque achou que a celebração era sintoma de nosso complexo de vira-latas e indicava subserviência ao imperialismo cultural americano –afinal, quando o Supremo do Brasil aprovou o casamento gay em 2011, ninguém celebrou; por que celebrar o casamento gay dos gringos?

Acho essa visão estreita. Como homossexual casado civilmente, encontro muitos que, até hoje, desconhecem que casamentos entre pessoas do mesmo sexo são realidade jurídica consolidada no Brasil. Pensam, em geral, que existe só união estável.

Talvez o discurso de ódio e a violência a que são submetidos os LGBTs brasileiros dificultem conceber que um grupo hostilizado tão abertamente possa ter direitos importantes como o casamento.

Por outro lado, parte do ativismo LGBT segue insistindo na aprovação do casamento civil pelo Congresso, como se isso fizesse alguma diferença jurídica. O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, acredita que o direito das minorias não deve ser julgado pelo processo legislativo majoritário, mas por um Judiciário corajoso. Concordo com ele.

Em 2011, o apoio ao casamento homossexual era mais tímido. A conquista dos direitos homossexuais se deu na velocidade do mundo interconectado. Quatro anos de evolução conceitual nesse universo representa muito.

Hoje, em todo o mundo, é mais claro o entendimento da homossexualidade como fenômeno legítimo da natureza humana e da importância de direitos iguais para os casais homossexuais.

Elogiar a decisão da Suprema Corte não tem nada de subserviência. Goste-se ou não, os EUA são a potência dominante no planeta. É um dado da realidade objetiva.

A decisão americana tem enorme potencial simbólico e ajudará globalmente a causa da justiça, por contaminação e exemplo. Merece celebração. Sintoma de complexo de vira-latas de verdade é antiamericanismo sem causa.

A ideia era mostrar de que lado estamos nessa luta civilizacional. Encontrar primeiras professoras, tias-avós e velhos colegas de colégio nas cores do arco-íris, em sinal de aceitação e solidariedade, fez muita gente se sentir menos sozinha e mais forte.

Nos regimes democráticos do Ocidente, a conquista dos direitos homossexuais não tem mais volta. A maneira como os governos tratam seus homossexuais tornou-se um teste de qualidade das democracias contemporâneas.

Homofobia, cada vez mais, cheira a barbárie. Nós gostamos de civilização.
Posted: 29 Jun 2015 12:05 PM PDT

“Você sabe que lá fora você pode abrir seu laptop na praça, pode deixar a porta aberta, a bicicleta sem cadeado. Mas lá fora, não esqueça, é você quem limpa a sua privada”, diz o humorista Gregorio Duvivier

Por Gregorio Duvivier, da Folha

Cara elite,

sei que não é fácil ser você. Nasci de você, cresci com você, estudei com você, trabalho com você. Resumindo: sou você. (Vou fazer uma camisa: "Je suis elite"). Sei que você (a gente) quer o bem do país.

Sei que era por bem que você não queria abolir a escravidão. "Se a gente tiver que pagar pelo serviço que os negros faziam de graça, o país vai quebrar." Você não queria que o Brasil quebrasse. Você não precisava ficar nervoso: o Brasil não quebrou.

Sei que era por bem que você pediu um golpe em 64. Você tinha medo do Jango, tinha medo da reforma agrária, tinha medo da União Soviética. Sei que depois você se arrependeu, quando os generais começaram a matar seus filhos. Mas já era tarde.

Sei que você achou que o Collor era honesto. Sei que você achou (acha?) que o Lula é um braço das Farc, que é um braço do Foro de São Paulo, que é um braço do Fidel, que é um braço da Coreia do Norte. Sei que você ainda tem medo de um golpe comunista --mesmo com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda. Sei que você tem medo. E o seu medo faz sentido.

Não é fácil ser assaltado todo dia. Dá um ódio muito profundo (digo por experiência própria). A gente comprou um iPhone 6 com o suor do nosso rosto --e pagou muitos impostos. Sei que nessas horas dá uma vontade enorme de morar fora.

Você sabe que lá fora você pode abrir seu laptop na praça, pode deixar a porta aberta, a bicicleta sem cadeado. Mas lá fora, não esqueça, é você quem limpa a sua privada. Você já relacionou as duas coisas?

Nos países em que você lava a própria privada, ninguém mata por uma bicicleta. Nos países em que uma parte da população vive para lavar a privada de outra parte da população, a parte que tem sua privada lavada por outrem não pode abrir o laptop no metrô (quem disse isso foi o Daniel Duclos).

Não adianta intervenção militar, não adianta blindar todos os carros, não adianta reduzir a maioridade penal (SPOILER: isso nunca adiantou em lugar nenhum do mundo).

Sabe por que os milionários americanos doam tanto dinheiro? Não é por empatia pelos mais pobres. Tampouco tem a ver só com isenção fiscal. Doam porque sabem que, quanto mais gente rica no mundo, mais gente consumindo e menos gente esfaqueando por bens de consumo.

Um pobre menos pobre rende mais dinheiro para você e mais tranquilidade nos passeios de bicicleta. A gente quer o seu (o nosso) bem. É melhor ser a elite de um país rico do que a de um país pobre.
Posted: 29 Jun 2015 02:15 PM PDT
Richa_Massacre

Para nunca esquecer, relembramos o fatídico dia 29 de abril, no Centro Cívico, em Curitiba, quando 213 professores e servidores públicos foram massacrados pela ação policial determinada pelo governador Beto Richa (PSDB).

Por Esmael Moraes

Naquele dia, vários episódios ocorreram dentro e em frente ao Palácio Iguaçu e Assembleia Legislativa, a despeito do sangue derramado na Praça Nossa Senhora Salete, por 31 votos a 20, votou pelo confisco da poupança previdenciária do funcionalismo do estado.

Hoje à tarde, a partir das 13 horas, na Praça 29 de Abril, a APP-Sindicato realiza ato político-religioso para recordar os dois meses do covarde massacre.

Abaixo, reveja as imagens relativas a 29 de abril

Tarde sangrenta no Centro Cívico


Mete bomba, mete bomba!


Deputado chama Beto Richa de “bandido”


Palácio comemora ataque a manifestantes


“Fora Beto Richa”, grita estádio Couto Pereira

Posted: 29 Jun 2015 11:50 AM PDT

No governo de Fernando Henrique os jornais e revistas receberam mais dinheiro de publicidade do que nos governos de Lula e Dilma juntos

Por Fernando Rodrigues

Nos governos Lula e Dilma (2003-2014), os jornais impressos arrecadaram R$ 2,1 bilhões com a publicação de propagandas da administração petista. Desse total, R$ 730,3 milhões (35%) foram destinados a apenas 4 publicações: “O Globo”, “Folha de S.Paulo”, “O Estado de S.Paulo” e “Valor Econômico”.

Alguns aspectos chamam a atenção a respeito da publicidade estatal federal para jornais diários impressos.

Um deles é que durante os anos de 2000, 2001 e 2002 (no governo do tucano Fernando Henrique Cardoso) essas 4 publicações tiveram um volume de receita de publicidade estatal proporcionalmente igual ao do período subsequente, com o PT no poder.

Como está registrado acima neste post, não existem dados disponíveis e confiáveis sobre gastos em propaganda antes do ano 2000.

Dessa forma, só é possível somar os valores dos 3 últimos anos do segundo mandato de FHC, quando todos os jornais diários brasileiros receberam R$ 701,4 milhões de verbas de propaganda do governo federal. Desse total, a quadra “Globo-Folha-Estado-Valor” ficou com R$ 243,1 milhões –ou seja, 35% do bolo completo do meio jornal.

A conclusão é simples: embora o discurso do PT no poder tenha sido crítico em relação à cobertura jornalística feita pelos grandes jornais impressos diários, os petistas no Palácio do Planalto continuaram a conceder proporcionalmente a esses veículos o mesmo que o governo do PSDB concedia.

Eis os dados sobre publicidade estatal nos principais jornais impressos do país (clique na imagem para ampliar):




Há um dado que merece ser visto com mais atenção quando se observa o valor recebido pelos mais tradicionais jornais impressos do país para veicular publicidade estatal federal: quanto vai para as suas operações na internet.

O quadro acima neste post mostra o valor total recebido por “O Globo”, “Folha de S.Paulo”, “O Estado de S.Paulo” e “Valor Econômico”. Mas é possível saber exatamente quanto essas empresas faturaram desses anúncios para veiculá-los apenas em suas edições online. E também existem dados sobre quantas edições desses 4 jornais são de fato impressas, em papel, e quantas são apenas assinaturas digitais. Eis os dados (clique na imagem para ampliar):



Como se observa, há uma curva de crescimento para todos os 4 veículos ao longo dos últimos anos, com algumas oscilações. Em 2014, o líder das verbas estatais federais em suas edições digitais foi o jornal “O Estado de S.Paulo”, que recebeu R$ 2,743 milhões. Outro dado interessante: a queda continua das edições impressas. E no mês de maio de 2015, o jornal “O Globo'' se tornando o de maior tiragem impressa entre os veículos de qualidade do país, à frente da “Folha de S.Paulo'' –que há décadas liderava esse ranking.

REVISTAS

O meio revista tem experimentado também uma grande queda no faturamento com verbas publicitárias federais. A semanal “Veja”, líder do mercado, já chegou a ter R$ 43,7 milhões dessas verbas em 2009 (o seu recorde). Em 2014, desceu para R$ 19,9 milhões.

Eis os dados detalhados sobre as 4 principais revistas do país (clique na imagem para ampliar):


Posted: 29 Jun 2015 11:39 AM PDT


A Rede Globo e as 5 emissoras de propriedade do Grupo Globo (em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e Recife) receberam um total de R$ 6,2 bilhões em publicidade estatal federal durante os 12 anos dos governos Lula (2003 a 2010) e Dilma (2011 a 2014).

Por Fernando Rodrigues

Como a cifra só considera TVs de propriedade do Grupo Globo, o montante ficaria maior se fossem agregados os valores pagos a emissoras afiliadas. Por exemplo, a RBS (afiliada da Globo no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina) recebeu R$ 63,7 milhões de publicidade estatal federal de 2003 a 2014.

Outro exemplo: a Rede Bahia, afiliada da TV Globo em Salvador, que pertence aos herdeiros de Antonio Carlos Magalhães (1927-2007), teve um faturamento de R$ 50,9 milhões de publicidade federal durante os 12 anos do PT no comando do Palácio do Planalto.

A TV Tem, que abrange uma parte do rico mercado do interior do Estado de São Paulo, em 4 regiões (com sedes nas cidades de São José do Rio Preto, Bauru, Itapetininga e Sorocaba), faturou R$ 8,5 milhões de publicidade estatal federal em 2014. Essa emissora é de propriedade do empresário José Hawilla, conhecido como J. Hawilla (pronuncia-se “Jota Ávila”), que está envolvido no escândalo de corrupção da Fifa.

Os dados deste post são inéditos. Nunca foram publicados com esse nível de detalhes até hoje. Os valores até 2013 estão corrigidos pelo IGP-M, o índice usado no mercado publicitário e também pelo governo quando se trata de informações dessa área. Os números de 2014 são correntes (sem atualização monetária).

A série histórica sobre publicidade do governo federal começou a ser construída de maneira mais consistente a partir do ano 2000. Não há dados confiáveis antes dessa data.

O volume total de publicidade federal destinado para emissoras próprias do Grupo Globo é quase a metade do que foi gasto pelas administrações de Lula e Dilma para fazer propaganda em todas as TVs do país. Ao todo, foram consumidos R$ 13,9 bilhões para veicular comerciais estatais em TVs abertas no período do PT na Presidência da República. As TVs da Globo tiveram R$ 6,2 bilhões nesse período.

Apesar do valor expressivo destinado à Globo, há uma nítida trajetória de queda quando se considera a proporção que cabe à emissora no bolo total dessas verbas.

As emissoras globais terminaram o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso, em 2002, com 49% das verbas estatais comandadas pelo Palácio do Planalto e investidas em propaganda em TVs abertas.

No ano seguinte, em 2003, já com o petista Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência, a fatia da Globo pulou para 59% de tudo o que a administração pública federal gastava em publicidade nas TVs abertas. Esse salto não se sustentou.

Nos anos seguintes, com algumas oscilações, a curva global foi decrescente. No ano passado, 2014, a Globo ainda liderava (recebeu R$ 453,5 milhões), mas chegou ao seu nível baixo de participação no bolo estatal federal entre TVs abertas: 36% do total da publicidade.

Todos esses dados podem ser observados em detalhes no quadro a seguir (clique na imagem para ampliar):



Como se observa, a queda de participação das TVs é também sentida na audiência da maior emissora brasileira. Segundo a aferição realizada pelo Ibope Media Workstation (Painel Nacional de Televisão, com base 15 mercados, durante 24 horas, todos os dias), a TV Globo teve 12 pontos de audiência domiciliar média em 2014.

Todas as 4 maiores emissoras de TV aberta enfrentaram quedas de audiência ao longo dos últimos anos. Essa menor presença nas casas das pessoas, entretanto, nem sempre está refletida em menos verbas publicitárias federais.

A Record, por exemplo, recebeu um verba de R$ 264 milhões em 2014 contra R$ 244 milhões em 2013 (aumento de 8,4%), apesar da queda da audiência da emissora de um ano para o outro (de 4,5 para 4,2 pontos no Ibope, das 6h à 0h).

Já o SBT, terceira TV aberta no Brasil (cuja audiência ficou quase estável, variando de 4,5 para 4,4 pontos no Ibope, de 2013 para 2014), registrou uma queda no faturamento de publicidade estatal federal: saiu de R$ 182 milhões para R$ 162 milhões.

Nota-se, portanto, uma assimetria no tratamento dado pelo governo para as 2 maiores TVs que ficam abaixo da Globo quando se considera audiência e valores de publicidade recebida.

Record e SBT tiveram audiências muito semelhantes em 2014, na casa de 4 pontos no Ibope. Só que a Record, emissora do Bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, recebeu cerca de R$ 100 milhões a mais de verbas publicitárias federais no ano passado na comparação com o SBT, do empresário e apresentador Silvio Santos.

Já a Band (com apenas 1,7 ponto de audiência média no Ibope em 2014) teve R$ 102,4 milhões de propaganda dilmista no ano passado. A Rede TV! (0,6 ponto de audiência) ficou com R$ 37,8 milhões.
Posted: 29 Jun 2015 11:33 AM PDT
O fim de um ciclo na mídia

A Globo vive num regime de autoilusão, como se pode verificar pela entrevista com o diretor-geral Carlos Schroder publicada pela Folha

Por Paulo Nogueira, do DCM

Perguntaram a Schroder sobre o fiasco da novela Babilônia, que dias atrás cravou 17 pontos no Ibope em São Paulo, um extraordinário recorde negativo na trajetória das novelas da Globo.

Schroder achou vários culpados.

O primeiro deles, naturalmente, é o povo brasileiro, “mais conservador” do que as pessoas imaginam.

Depois, ele citou uma novela da Record e outra do SBT.

Admitiu, ligeiramente, que alguma coisa na trama “não funcionou”.

Schroder só não tocou na maior razão do fracasso: o declínio veloz da televisão como mídia na Era Digital.

Rapidamente, a tevê como conhecemos caminha para o mesmo local reservado a jornais e revistas: o cemitério.

Considere o slogan do aplicativo de vídeos que a Reuters acaba de lançar: “A tevê de notícias para quem não vê tevê”.

O consumo de vídeos está cada vez menos na televisão e cada vez mais na internet.

No campo do entretenimento, sites como o Netflix e agora a Amazon oferecem uma fabulosa quantidade de séries, filmes e documentários.

Você vê quando quer, na hora que quer, o que quiser.

No campo das notícias, vídeos selecionados pelas comunidades são postados nas redes sociais, e ali consumidos – fora das emissoras tradicionais.

Uma parte expressiva dos vídeos que viralizam nas redes sociais é produzida pelos próprios internautas – ao flagrar cenas notáveis no dia a dia, como a surpresa que aguardou o dono de um automóvel que parou numa vaga de deficientes.

No esporte, você começa a ter a opção de assinar canais específicos para ver o que deseja – sem ter que comprar um pacote caro de tevê por assinatura.

Sabia-se faz tempo que a internet ia matar jornais e revistas. Mas não se imaginava que a tevê se transformaria tão celeremente na próxima vítima.

Uma pesquisa recente nos Estados Unidos mostrou que o número de pessoas que não se imaginam sem internet e celular cresceu vigorosamente nos últimos anos, na mesma medida em que decresceu o contingente dos que não podem viver sem tevê.

No Brasil, um levantamento deixou claro que televisão é hoje uma coisa para um público velho e com baixo nível de educação, exatamente o oposto daquilo que os anunciantes buscam.

A Globo, neste sentido, é a próxima Abril.

Caíram todas as circulações das revistas da Abril nos últimos anos. A única falsamente estável é a da Veja graças a manobras (custosas) que inflam artificialmente os números, e que os anunciantes fingem não ver.

Do mesmo modo, todas as audiências da Globo são uma sombra do que foram antes do surgimento e expansão da internet.

O Jornal Nacional luta para se manter na casa dos 20 pontos, marca que seria uma tragédia há dez anos.

O Fantástico já escorregou para baixo dos 20, e ninguém mais comenta o que ele deu ou deixou de dar.

Quando, no futuro, alguém for estudar a história da tevê convencional, Babilônia será citada provavelmente como um capítulo especial.

Babilônia, com sua miséria de Ibope, é o grande marco do fim da tevê como a conhecemos.

A culpa não é do povo, como quer a Globo, mas de uma coisa chamada vida, ou mercado, como você preferir.
Posted: 29 Jun 2015 02:01 PM PDT
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Além da base permanente do Comando Sul, uma equipe de instrutores militares norte-americanos permanecerá em nosso país durante este mês

Por Bruno Barbosa, no Paraguai

Militares norte-americanos que se encontram destacados em nosso país participaram do desfile realizado no marco da comemoração dos 100 anos de criação da Academia Militar “Marechal Francisco Solano López”, em Capiatá. Estiveram presentes o presidente Horacio Cartes, o vice-presidente Juan Afara, os ministros do Poder Executivo, assim como altas autoridades das Forças Armadas e convidados, confirma a página da Presidência na Internet.

O informe acrescenta que no sábado, “o Chefe de Estado assistiu à exibição de um documentário em tela gigante, assim como à recriação da Batalha de Boquerón, sendo muito valorizadas as paisagens que evocam a participação da então Escola Militar na formação, em 1932, do Regimento de Infantaria N°6 ‘Boquerón’, que recebeu seu batismo de fogo e sangue em 17 de setembro do mesmo ano na Guerra do Chaco”.

O ato central foi nesta terça-feira, 23 de junho, durante o qual o comandante das Forças Militares, General do Exército Luis Gonzaga Garcete, jurou lealdade à Constituição, rogando a que não se repita os erros do passado, se mantenha a sobriedade do soldado paraguaio e se recorde que a instituição está “alheia à política partidária”.

Enquanto isso, comandante diretor da ACDEMIL, General de Brigada Pascual Delgado, agradeceu as academias militares de “países amigos” por possibilitar a capacitação de cadetes paraguaios no exterior e de estrangeiros na instituição.

Ainda que os informes oficiais não façam menção alguma à presença de efetivos norte-americanos, na galeria de fotos do ato publicada na Agência de Informação Paraguaia é possível ver a delegação estadunidense. Uma equipe de 16 instrutores militares norte-americanos ingressou e permanecerá no país de 1° a 30 de junho de 2015. Trata-se de instrutores que vieram para o treinamento de intercâmbio conjunto combinado e pertencem ao Grupo de Forças Especiais da Guarda Nacional da Carolina do Norte. Os mesmos foram autorizados a ingressar com suas próprias equipes, munições e armas que utilizarão para o treinamento, segundo o aprovado pelo Congresso em maio passado a pedido do Poder Executivo.

A isto se acrescenta a base permanente do Comando Sul no departamento de San Pedro, que ingressou no país a pedido do governo de Horacio Cartes sob o pretexto de oferecer assistência quando se apresentarem situações de “emergência climática”.

As informações são da Agência de Noticias Paraguaiana
Posted: 29 Jun 2015 11:25 AM PDT


O Fantástico exibiu ontem (28) uma reportagem revelando que militares do Exército estão envolvidos na venda fraudulenta de vidro blindado que não protege os carros contra tiros de armas mais potentes.

Por Daniel Castro

O material foi uma das principais reportagens do programa e, do ponto de vista jornalístico, estava irretocável. A não ser por um detalhe: a Globo a anunciou como "exclusiva". Não era. A Band revelou as mesmas investigações sobre o caso 19 dias antes.

O Fantástico dedicou quase 15 minutos à denúncia de corrupção e fraude. Informou que o material era resultado de dois meses de investigação do repórter Maurício Ferraz. Mostrou nomes e fotos dos militares suspeitos e ouviu duas testemunhas com depoimentos contundentes.

Apesar de muito mais rico, o material da Globo não trouxe nada de novo em relação ao do Jornal da Band. Na reportagem do dia 9, o repórter Sandro Barboza já informava que militares de alta patente, como coronéis e majores, eram suspeitos de cobrarem R$ 1.500 pela liberação de cada veículo blindado, de acordo com apuração da Promotoria de Justiça Militar. O material também revelava que uma outra investigação, do Ministério Público de São Paulo, descobrira que uma empresa estava instalando vidros de má qualidade, que não protegem os usuários.

Veja a reportagem da Band aqui

O Jornal da Band voltou ao assunto no sábado (27). Dedicou 20 segundos a mais do que o 1 minuto e 57 segundos da reportagem do dia 9. Foi uma resposta às chamadas do Fantástico, que desde sexta, na TV e na internet, dizia que a denúncia era "exclusiva".

Procurada pelo Notícias da TV no sábado, a Globo disse que a reportagem do Fantástico "apresentaria com exclusividade os detalhes da investigação, com entrevistas e material que nunca foram divulgados". No início do programa, insistiu que a denúncia era "exclusiva".

Assista aqui à reportagem do Fantástico.
Posted: 29 Jun 2015 11:09 AM PDT
Zeca Camargo causa revolta ao criticar o cantor Cristiano Araújo João Cotta/TV Globo/Divulgação

Crônica do jornalista questiona a comoção nacional em torno da morte do sertanejo

Por Redação

Zeca Camargo começou a segunda-feira como o assunto mais comentado nas redes sociais, mas não por um bom motivo. O jornalista causou revolta em muitas pessoas com o comentário veiculado na noite de domingo no canal Globo News.

Em sua crônica, Zeca questiona a comoção nacional causada pela morte do cantor Cristiano Araújo, “ao mesmo tempo tão famoso e tão desconhecido”. Ao longo do texto, o apresentador comenta que “fãs e pessoas que não faziam ideia de quem era Cristiano Araújo partiram para o abraço coletivo”.

Mais adiante, enquanto imagens mostram os shows lotados de Cristiano Araújo e outros jovens sertanejos em ascensão, Zeca Camargo fala sobre o fenômeno de “artistas de uma música só”. Segundo ele, “qualquer um pode, ainda que por um dia, ser uma estrela maior”.

Em determinado momento do texto, Zeca chega a comparar os novos ídolos sertanejos à “modinha” dos livros de colorir para adultos. Ou seja, são fenômenos que “empobrecem” a cultura brasileira.

Zeca finaliza a crônica dizendo que o Brasil “precisa de novos heróis” e de “ídolos de verdade”. Ele alega que os “verdadeiros artistas” como Cazuza e Michael Jackson, estes sim merecem ser exaltados e fazem falta no cenário musical.

Bastaram poucos minutos no ar para que o comentário de Zeca Camargo repercutisse na internet. Uma enxurrada de críticas revoltadas circula pelas redes sociais, a maioria exigindo retratação pública do jornalista. Por outro lado, há algumas pessoas apoiando cada palavra de Zeca, alegando que ele falou aquilo que muitos não tiveram coragem de falar nos últimos dias.

Alguns famosos também não gostaram nada das palavras de Zeca. Sertanejos como Eduardo Costa, Sorocaba, Henrique e Juliano, Munhoz e Mariano entraram na campanha online #QuemÉZecaCamargo. [Zero Hora]
Posted: 29 Jun 2015 11:04 AM PDT
O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, durante entrevista em seu gabinete

O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), começou a negociar com outros partidos uma emenda à Constituição para implantar o sistema parlamentarista de governo no Brasil

Por Andréia Sadi e Bruno Boghossian, da Folha de S. Paulo

 Ele espera obter um acordo para colocar a proposta em votação antes de 2017, quando termina seu mandato no comando da Câmara.

"Temos que discutir o parlamentarismo no Brasil, e rápido", disse, em entrevista à Folha. Ele sugere que o sistema, que daria ao Legislativo papel preponderante na administração do país, reduzindo poderes do presidente da República, comece a funcionar em 2019, com o sucessor da presidente Dilma Rousseff.

"Agora seria um golpe branco", afirmou Cunha. "O tema tem ganhado força. Tenho conversado com quase todos os agentes políticos." O deputado acha que a economia brasileira chegará ao fim do ano pior do que está agora, como diz nesta entrevista.

A semana foi de notícias ruins para o governo na política e economia. O sr. acredita que a presidente Dilma aguentará os quatro anos?
Eduardo Cunha - Apesar de derrotas pontuais, o governo conseguiu passar uma impressão de recuperação da estabilidade com a aprovação do projeto das desonerações. Claro que não é suficiente para reverter nada. O mercado não vê o governo como agente indutor [de mudanças na economia]. Se você falar com nove de dez economistas, estamos muito mais perto do caminho da Grécia do que do caminho da China.

A aprovação do ajuste fiscal e a escolha do vice-presidente Michel Temer para o comando da articulação política não deveriam garantir a estabilidade?
Com uma articulação politica debilitada, o governo precisou chamar o Michel para poder andar. Ele entrou e passou um sinal claro de que tinha uma estabilidade política maior e aprovou [o ajuste fiscal]: ele pegou um vaso todo quebrado e conseguiu colocar uma cola que você não vê que estava colado –pelo menos colou um pouquinho.

Se ele ficar vendendo ilusão ou virando garçom para anotar pedido de Congresso e não conseguir resolver nada, acaba se desgastando, e a gente não quer que aconteça. Essa percepção, com a entrada do Michel, parte para essa melhora, mas o governo tem que mostrar suas ações.

Deputados dizem que não votam com o governo porque cargos e emendas não são liberados para partidos aliados.
Estão reclamando porque eles [o governo] continuam com a política de hegemonia, que quer tudo para o PT. Se o PMDB não ocupou o cargo que foi prometido, esse deputado vê que o cargo está ocupado por um petista. O governo prometeu e não cumpriu.

E quem não está cumprindo os compromissos?
Isso eu não vou dizer. Não pode ser o Michel, porque ele não vai aceitar esse papel. Se o Michel tiver que desempenhar o papel de uma pessoa sem palavra, ele vai sair.

Como acha que a economia estará no fim do ano, e como o PMDB deverá reagir?
Eu acho que a economia vai chegar ao fim do ano muito mal, pior do que está hoje. E quando ela chegar pior, a pressão política vai ser maior, e é aí que o governo precisa ter uma base mais sólida.

Se apresentarem um novo pedido de impeachment de Dilma, a Câmara aprova?
Não podemos tratar o impeachment como recurso eleitoral. Avança-se ou não se houver um fato dentro da ótica constitucional.

O TCU (Tribunal de Contas da União) indica que pode reprovar as contas da presidente.
Se o TCU reprovar as contas do mandato anterior, não quer dizer nada. Se há práticas neste mandato condizentes com improbidade, é outra história. Impeachment é uma coisa grave. O Brasil não é uma republiqueta. A grande evolução que se deve ter é que temos que discutir o parlamentarismo no Brasil, e rápido. Um debate para valer e votar.

Já conversou sobre o assunto?
O tema tem ganhado força. Tenho conversado com quase todos os agentes políticos, PSDB, DEM, PPS, PMDB, PP, PR, com todos os partidos. Com José Serra (PSDB-SP), Aécio Neves (PSDB-MG), Tasso Jereissati (PSDB-CE). Com certeza, vamos tentar votar na minha presidência.

Para agora?
Não um parlamentarismo para ser implantado no mandato dela [Dilma Rousseff], porque isso seria um golpe branco, mas no mandato do sucessor. Para que efetivamente a gente possa ter a figura do chefe de Estado e do chefe de governo. E as condições que possam nos proteger de uma crise igual a essa que a gente vive. Se a gente não evoluir para o sistema parlamentarista no Brasil, vamos ficar sujeitos a crises.

Existe uma dúvida jurídica: como houve o plebiscito [em 1993] que culminou na não aprovação do parlamentarismo, há dúvidas se uma simples emenda constitucional seria suficiente ou se precisaria de plebiscito, ou referendo. Acho que, sem referendo, é muito difícil implementar o parlamentarismo.

Então, o próximo presidente não seria chefe de governo?
Seria um chefe de Estado.

Por que, na sua visão, o parlamentarismo não passou no plebiscito de 1993?
Porque você não consegue convencer a população de que ela vai perder o direito de votar no presidente da República. Então, se a gente construir uma figura em que ela continua votando no presidente, você pode ter um parlamentarismo.

A população não aceitará perder a identidade com seu presidente. Precisamos proteger esse presidente eleito das crises do governo. Se esse modelo tivesse vigente e ela [Dilma] fosse chefe de Estado, teria caído o chefe de governo e o governo. Dissolve o gabinete e ponto.

O Estado é laico, mas há uma bíblia sobre a Mesa Diretora da Câmara, um crucifixo no plenário e sr. abre as sessões com "sob a proteção de Deus". O Estado não é tão laico assim?
Eu botei o crucifixo e a bíblia no plenário? Todos abriram a sessão assim. Daqui a pouco vão dizer que eu inventei isso tudo, que trouxe o crucifixo, e vão errar, porque evangélico não usa crucifixo.

Mas não há uma contradição entre as práticas do Congresso e a definição de estado laico?
Estado laico significa não ter religião de Estado. Não significa que você tenha que ser ateu. É diferente de Israel, onde a Constituição é a Bíblia.

Mas não estamos em Israel.
Alguém reclamou outro dia que 20 deputados entraram no plenário e fizeram apitaço? Vão dizer que eu permiti o apitaço e daqui a pouco vão dizer que sou índio. Sou evangélico e permiti oração no plenário. O fato de 20 parlamentares entrarem no plenário gritando ou fazendo uma oração qualquer não significa que você está agredindo o Estado laico.

Mas o comportamento pessoal de um parlamentar influencia no voto dele.
Qual o problema? Você colocou na Constituição que um parlamentar para se eleger tem que ser laico ou ateu?

Em relação à pauta conservadora...
Que pauta conservadora?

A legalização do aborto, a homofobia...
Cadê o projeto de aborto para ser votado aqui? Não tem projeto de criminalização da homofobia com urgência aqui. Para ter urgência, tem que ter líderes que representem a maioria. Não tem um projeto que atenda a essas condições, nem vai ter porque não tem esse apoio.

Há excesso nas prisões da Lava Jato, comparando com o processo do mensalão, conduzido por Joaquim Barbosa?

Joaquim, sem abandonar o rigor com que ele conduziu o processo, não decretou nenhuma prisão preventiva no curso da investigação, só executou a sentença depois do trânsito em julgado. O que significa que ele respeitou o princípio constitucional da presunção da inocência, o que me parece que não está sendo respeitado hoje.

O sr. está sob investigação. Renan Calheiros também. E ambos propõem mudanças para melhorar o país após a Lava Jato. Não há um conflito?

Por quê? Não me sinto atingido pela suposta investigação que está sendo feita. E não perdi minha capacidade de legislar nem articulação e capacidade política de reagir. Não vou comentar minha participação neste processo.

A delação de Ricardo Pessoa complica a situação de Aloizio Mercadante, após sua citação, e da governabilidade?

Ainda é cedo para falar. Tem de ver detalhes e o desdobramento da delação.

O sr. é candidato em 2018?

Para cada dia a sua agonia. Não vivo em política o dia de amanhã, vivo o dia de hoje. Qualquer um que queira colocar como projeto de vida candidatura futura vai ser refém do projeto. Eu não pretendo transformar minha vida e ficar refém de nada.

O projeto que reduz a maioridade penal será aprovado?

Depois de 22 anos, eu coloquei o projeto para votação. Quando eu coloquei, o próprio PT e o governo passaram a querer discutir mudança no ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente], que eles não admitiam qualquer mudança. Aí, de repente, acharam que podiam evitar a derrota discutindo mudança em lei ordinária do ECA.

Foram buscar uma aliança com a oposição [PSDB] contra o PMDB. Aí o PMDB se juntou com o partido de oposição que eles buscaram aliança em uma tese intermediária. Então, provavelmente a tese será vencedora e mais uma vez o governo mergulhou na tese do PT.
Posted: 29 Jun 2015 10:50 AM PDT


Na Europa e na Ásia, bolsas de valores apresentam queda logo após abertura. Bolsa de Atenas permanecerá fechada até 7 de julho. Restrições de saque na Grécia aumentam medo de um calote e da saída do país da zona do euro

Por Redação

Os mercados financeiros abriram em queda nesta nesta segunda-feira (29/06), em reação à decisão do governo grego de impor controle financeiro no país e decretar o fechamento dos bancos. A Bolsa de Valores de Atenas também deverá permanecer fechada até o dia 7 de julho.

As ações nos mercados europeus despencaram logo após a abertura. O índice alemão DAX e o francês CAC caíram em torno de 4%. O Euro Stoxx 50 teve a pior queda percentual em um dia desde 2011.

O euro teve queda de 1,9% frente ao dólar e estava sendo negociado a 1,0955 na bolsa de Tóquio. Em relação ao iene, a queda foi de 3%, o índice mais baixo das últimas cinco semanas. O franco suíço subiu 1% em relação ao euro, enquanto a libra esterlina subiu 1,1%.

A convocação de um referendo para o dia 5 de julho sobre a questão do resgate financeiro também contribuiu para aumentar a desconfiança dos mercados.

A partir desta terça-feira, haverá um limite de 60 euros diários para saques nos caixas eletrônicos em toda a Grécia, onde enomes filas se já formavam na noite de domingo.

Varoufakis culpa europeus

Após o novo fracasso nas negociações entre a Grécia e seus credores durante o fim de semana, o Banco Central Europeu (BCE) decidiu no domingo não ampliar o volume de financiamento de emergência disponibilizado aos bancos do país. Atenas optou então pelo fechamento temporário dos bancos, para evitar um colapso financeiro.

O acirramento da crise aumenta o risco de a Grécia dar um calote no Fundo Monetário Internacional (FMI), o que poderá resultar na saída do país da zona do euro. O prazo para o pagamento de 1,6 bilhão de euros devidos ao FMI expira nesta terça-feira.

No domingo, o ministro grego das Finanças, Yanis Varoufakis, culpou as autoridades financeiras da Europa pela crise. "A Grécia deve a uma parte da troica dinheiro que precisa receber da outra parte. Ambas devem culpar a si próprias, caso o FMI não possa ser pago." [Dw]
Posted: 29 Jun 2015 10:45 AM PDT


O próximo empregado da Globo a sofrer ameaça de morte, depois de Jô Soares, será Marieta Severo. Pode anotar. Marieta foi ao programa do Faustão, uma das maiores excrescências da televisão mundial desde a era paleozóica.

Por Kiko Nogueira, do DCM

Fausto Silva estava fazendo mais uma daquelas homenagens picaretas que servem, na verdade, para promover um programa da emissora. Os artistas vão até lá por obrigação contratual, não porque gostem, embora todos sorriam obsequiosamente. O apresentador insiste que são “grandes figuras humanas”.

Ele se tornou uma espécie de papagaio do que lê e vê em revistas e telejornais, tecendo comentários sem noção sobre política. Em geral, dá liga quando está com uma descerebrada como, digamos, Suzana Vieira ou um genérico de Toni Ramos.

Quando aparece alguém um pouco mais inteligente, porém, ele se complica. Faustão anda tão enlouquecido em sua cavalgada que não lembrou, talvez, de quem se tratava. Começou com aquela conversa mole sobre o Brasil não ter “estrutura”. A única coisa organizada aqui é o crime, em sua opinião. Somos “o país da desesperança”.

Ela discordou com classe: “Não, eu sou sempre otimista”. O país caminhou muito, falou. “Pra mim, tem uma coisa muito importante: a inclusão social, a luta contra a desigualdade. A gente teve muito isso nos últimos anos. Estamos numa crise, mas vamos sair dela”. Ainda criticou os evangélicos. “Nada contra religião. Só não quero uma legislando a minha vida”, afirmou.

Recentemente, Marieta, que está no papel principal de uma nova série, deu uma longa entrevista no Globo. Se confessou chocada com o que chamou de retrocesso nas conquistas de sua geração (ela tem 68 anos).

“Sou contra a redução da maioridade penal e contra muita coisa que está em evidência e que, para a minha geração, é chocante”, disse a ex-mulher de Chico Buarque. “Eu sou da década de 1960, do feminismo, da liberdade sexual, das igualdades todas”.

Não é preciso dizer que a entrevista no Faustão não foi muito além do script. Marieta deu um recado importante no mesmo dia em que Mantega foi novamente hostilizado num restaurante de São Paulo.

Nas redes sociais, os suspeitos de sempre a enxovalhavam por ter “defendido o PT” (ela não falou no nome do partido). Uma medida sensata seria MS contratar um guarda-costas daqui por diante — inclusive para circular no Projac.
Posted: 29 Jun 2015 10:42 AM PDT
Senadora Vanessa Grazziotin integrou a delegação de paralamentares que visitou a Venezuela

Em entrevista ao Portal Vermelho, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) falou sobre a viagem da comitiva de senadores brasileiros à Venezuela, no último dia 24, em que se encontrou com representantes do governo e da oposição daquele país, após o circo encenado por Aécio Neves (PSDB) e senadores da oposição que utilizaram a aprovação de uma visita à Venezuela para fazer chicana contra o governo legítimo de Nicolás Maduro.

Por Dayane Santos, do Portal Vermelho

“Deu para mostrar como deve trabalhar e agir uma comitiva parlamentar quando ela é oficial. A comitiva anterior, comandada por Aécio Neves, foi à Venezuela claramente para fazer um ato contra o governo, mas jamais poderiam ter feito isso em nome do Senado”, defendeu a senadora. Além de Vanessa, a comitiva foi formada pelos senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Telmário Mota (PDT-RR), Randolfe Rodrigues (Psol-AP), Lídice da Mata (PSB-BA) e Lindbergh Farias (PT-RJ).

Vanessa também rebateu as afirmações da grande mídia e de integrantes da oposição que, na tentativa de desqualificar a visita, disseram que a segunda comitiva de senadores era “chapa branca”.

“Nós não temos o direito e não podemos fazer, em representação ao Senado, uma ação político-partidária. Foi o que fizeram os outros senadores”, denunciou. “Ficou claro que a única coisa que eles queriam era criar um factoide que fosse positivo a oposição da Venezuela e a oposição brasileira. Um absurdo”, disse a senadora, pontuando que Aécio e companhia queriam visitar os golpistas presos sem nem sequer pedir autorização à Justiça venezuelana.

“Eles foram com o objetivo de ir a prisão sem sequer terem se dirigido ao governo da Venezuela ou apresentar um pedido de liberação para fazer essa visita aos presos. O que deixa claro que eles não queriam conversar e tão pouco estão preocupados com a situação da Venezuela”, disse. Os senadores Aécio, Ronaldo Caiado e outros, tentaram se encontrar com os golpistas Leopoldo Lopez e Antonio Ledezma, presos depois de revelado um esquema para tentar derrubar o governo do presidente eleito Nicolás Maduro. A ação golpista aconteceu na cidade de Guariba e provocou a morte de 43 pessoas.

“Muito se fala em falta de democracia, mas percebemos algo muito interessante: quando nos reunimos com os representantes de Guaribas, havia poucos jornalistas, a maioria da imprensa brasileira. Mas quando nos reunimos com as esposas dos presos Lopes e Ledezma, o número de jornalistas era muito maior. Perguntei: É a imprensa internacional? E me disseram que não. A maioria era de jornalistas venezuelanos. Então, como eles dizem que não tem espaço na mídia e que o governo interfere em tudo? É muito contraditório”, destacou.

Agenda

A comitiva de senadores cumpriu uma extensa agenda de encontros contemplando a situação e oposição venezuelana, incluindo reuniões com as esposas dos golpistas presos Leopoldo Lopes e Carlos Ledezma, representantes do MUD (grupo que reúne diversas forças de oposição), o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles - também da oposição - e com vítimas de Guaribas, localidade onde 43 pessoas morreram, fato que motivou a prisão de Lopes e Ledezma.

“Dizem que foi um ato de protesto, mas não foi bem assim. Foram movimentos violentos e tentaram vender para o mundo a imagem de que se tratava de uma agressão da polícia e do governo venezuelano. Mas o fato é que das 43 mortes, cinco eram de pessoas ligadas à oposição e todas as demais eram chavistas”, destacou Vanessa, afirmando que o Ministério Público da Venezuela vai encaminhar os autos do processo para o Senado brasileiro para a formulação de um relatório final sobre a visita.

“As prisões de Lopes e Ledezma são justamente por conta da participação deles nesses eventos que foram criminosos e ceifaram vidas”, salientou a senadora, destacando que a teoria da oposição brasileira amplamente massificada pela mídia “de que não há democracia ou Justiça na Venezuela e que eles foram presos sem provas ou sentenças” caem por terra com as provas anexadas aos processos.

“A Justiça da Venezuela vem trabalhando caso a caso. A situação de Leopoldo Lopes, por exemplo, é muito delicada porque há provas contundentes do seu envolvimento nas manifestações violentas em que pessoas foram mortas. Ainda tem o agravante de que Lopes foi um dos anistiados após ter sido condenado por participação no golpe contra Hugo Chávez, em 2007, ou seja, há reincidência e a legislação não permite benefícios”, explicou.

Mercosul

A senadora destacou ainda que até a cúpula do Mercosul, em 17 de julho, será reinstalada a Frente Parlamentar de Amizade Brasil-Venezuela e que os parlamentares venezuelanos já criaram. Ela disse também que, a convite da Venezuela, o Brasil enviará observadores para as eleições, que estão marcadas para o dia 6 de dezembro.

Vanessa finalizou enfatizando que a visita da comitiva de senadores brasileiros “deixou claro que o Brasil, enquanto membro do Mercosul, respeita a soberania dos países e tem a certeza de que a Venezuela encontrará uma boa saída para a situação, inclusive para os presos”.

 
Posted: 29 Jun 2015 10:38 AM PDT

Em editorial, o jornal americano ainda afirmou que a presidente enfrenta agora o desafio de sobreviver no cargo e tentar governar por mais três anos e meio

Por Lara Rizério

Após a entrevista da presidente Dilma Rousseff ao jornal, o Washington Post fez um duro editorial no último domingo, destacando o desafio da brasileira em sobreviver no poder por mais três anos e meio, em meio à crise que assola o Brasil e a queda de sua popularidade.

O texto, intitulado "Um retrocesso no Brasil" afirma que, apenas dois anos atrás, havia a conclusão de que o Brasil tinha finalmente superado a ideia de que seria o "País do futuro". As exportações, principalmente para a Ásia, cresciam, a classe média aumentou e as descobertas de petróleo pareciam garantir a economia acelerando. Em aparente confirmação de seu novo status, o Brasil foi escolhido para sediar a Copa do Mundo de futebol, no ano passado, e as Olimpíadas de 2016.

Os jogos do Rio de Janeiro ainda estão a um ano de distância, mas a bolha do Brasil já parece ter explodido, afirma o Washington Post. A economia está atolada em uma recessão que se aprofunda, graças à queda do petróleo e outras commodities. A Petrobras, por sua vez, protagoniza o maior escândalo de corrupção da história do país, com dezenas de empresários e mais de 50 membros do Congresso implicados em um esquema que envolve cerca de US$ 2 bilhões em propinas. Os investimentos alardeados em novos campos de petróleo foram reduzidos.

O mais preocupante, segundo o Post, é que os contratempos têm provocado uma crise da democracia brasileira. O jornal diz que Dilma se reelegeu com um discurso de que seu principal opositor, Aécio Neves, se submeteria a banqueiros e ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e, hoje, ressalta que o PT se opõe às correções econômicas da presidente. “A senhora Rousseff está impondo as mesmas medidas de austeridade tipicamente defendidas pelo FMI, incluindo cortes nos subsídios de energia”, diz o jornal, que ressalta a importância de se tomar medidas liberalizantes para que a confiança volte para os investidores.

A presidente enfrenta agora o desafio de sobreviver no cargo e tentar governar por mais três anos e meio. "Não vai ser fácil: ela tem visto muito de seu poder efetivamente arrancado por líderes do Congresso, que vêm diluindo algumas de suas medidas de austeridade, enquanto o PT tem objeções frente às suas políticas de correção econômica, que vem revertendo parcialmente o curso estatista do seu primeiro mandato", afirma.

"Mas o Brasil precisa de reformas mais liberalizantes. A corrupção da Petrobras foi em grande parte o produto de políticas equivocadas de Dilma, como tentar restringir seus fornecedores a empresas brasileiras. A presidente fez muito ao anunciar o acordo de investimentos no valor de US $ 53 bilhões com a China, incluindo US $ 7 bilhões em financiamento para a Petrobras. Mas para voltar a ser o que era antes, o Brasil precisa não apenas de cheques de Pequim, mas também a eliminação dos desincentivos aos investimentos privados nacional e estrangeiro. Sem eles, o futuro do Brasil permanecerá em suspenso", conclui o Washington Post. [Info Money]