quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

31/12 - OS MARINHO DETONAM O MÍNIMO

OS MARINHO, OS MAIS RICOS DO PAÍS, DETONAM O MÍNIMO
Donos da maior fortuna do Brasil, que soma mais de US$ 25 bilhões, os irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, donos da Globo, publicaram editorial no último dia do ano, em que chamaram de "tosco" o argumento usado pelo governo para reajustar o salário mínimo ligeiramente acima da inflação; segundo os donos da Globo, trata-se de "seríssimo problema", o que prova que o grupo se mantém fiel à sua tradição contrária a qualquer política trabalhista; em abril de 1962, por exemplo, o jornal alertou para o que seria "desastroso": a instituição de um décimo-terceiro mês de salário; de acordo com o Dieese, a política de ganhos reais do mínimo (77% desde 2002) foi um dos principais fatores de inclusão social nos últimos anos
31 DE DEZEMBRO DE 2015 ÀS 07:42
247 – Em abril de 1962, o jornal O Globo, à época conduzido por Roberto Marinho, publicou uma manchete em que previa algo desastroso para o Brasil: a criação de um décimo-terceiro salário.
Hoje, ninguém questiona o fato de que o décimo-terceiro é um dos principais alavancadores das vendas do comércio no fim de ano e já foi devidamente incorporado aos custos das empresas, sem que nenhum desastre tenha ocorrido.
Nesta quinta-feira, último dia de 2015, o Globo retoma sua tradição contrária a qualquer política trabalhista. Em editorial interno, classifica como "tosco" o argumento usado pelo ministro do Trabalho, Miguel Rossetto, para defender um aumento do salário mínimo ligeriamente acima da inflação – com reajuste de 11,67%, o piso salarial foi a R$ 880,00.
Segundo O Globo, trata-se de "seríssimo problema" que inviabiliza as contas públicas. O Globo ainda ironiza e afirma que, se o mínimo fosse capaz de estimular a economia, por que não triplicá-lo?
Coincidência ou não, os três irmãos Marinho (Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto) formam a família mais rica do Brasil, com patrimônio superior a US$ 25 bilhões.
A tese dos três, no entanto, não encontra amparo nos dados do Dieese, que aponta que a política de valorização do mínimo, que teve ganhos reais de 77% desde 2002, foi um dos principais fatores de inclusão social nos últimos anos.
Leia, abaixo, o editorial do Globo:
http://www.brasil247.com/get_img?ImageWidth=450&ImageHeight=743&ImageId=474842

Leia, ainda, análise do Dieese:
Aumento real do mínimo chega a 77% desde 2002 e injeta R$ 57 bi na economia
Incremento da renda promove retorno de R$ 30 bilhões em arrecadação com impostos. Segundo Dieese, cada R$ 1 de aumento do mínimo promove retorno anual de R$ 293 milhões em contribuições à Previdência
Por Paulo Donizetti de Souza – Com o reajuste de 11,67% e valor de R$ 880 a partir de 1º de janeiro, o salário mínimo nacional terá alcançado um ganho real de 77,3% acima da inflação acumulada desde 2002. Passará a ter, ainda, o maior poder de compra desde 1979 em relação à cesta básica. O novo vencimento do trabalhador que recebe o piso nacional equivale a 2,4 vezes o valor da cesta básica calculado pelo Dieese. Em 1995, no início do governo Fernando Henrique Cardoso, correspondia a 1,1 cesta.
Segundo o governo, o novo valor terá um impacto de R$ 4,8 bilhões no orçamento da União em 2016. Para o Dieese, no entanto, o acréscimo de renda aos 48 milhões de brasileiros que recebem salário mínimo representará uma injeção de recursos de R$ 57 bilhões na economia, com impacto de R$ 30,7 bilhões na arrecadação de impostos.
O efeito concreto dessa política de valorização é ainda mais benéfico para o bolso das pessoas e para as contas públicas do que a política de juros praticada pelo Banco Central. O coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre Prado Silveira, estima que o gasto anual com os juros pagos aos investidores de títulos públicos baseados na Taxa Selic seja de R$ 400 bilhões.
E ainda que o aumento do mínimo repercuta nos pagamentos da Previdência Social, já que são 22,5 milhões os aposentados e pensionistas que o recebem, os efeitos do aumento da renda em circulação na economia compensam. "Cada R$ 1 de acréscimo no salário mínimo tem um retorno de R$ 293 milhões ao ano somente sobre a folha de benefícios da Previdência Social", diz Silvestre, referindo-se ao impulso dado pela renda dos trabalhadores e aposentados no consumo e, portanto, na manutenção das atividades de empresas, comércio e serviços e no respectivo nível de emprego.
Cerca de dois terços dos municípios do país tem como principal fonte de renda e de ativação das atividades econômicas locais o salário mínimo.
Muito a evoluir
Em seu artigo 7º, a Constituição determina que entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, está um "salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim".
Ao anunciar o valor de R$ 880 para o salário mínimo a partir de 1º de janeiro, o governo federal não faz mais do que a obrigação de dar um pequeno passo em direção a contemplar um direito essencial historicamente descumprido, praticamente desde que os primeiros ano em que o salário mínimo foi instituído, em 1938. Mas essa busca pela recomposição de seu poder de compra de modo a cumprir a lei nem sempre esteve presente nas políticas públicas.
A política de valorização mais efetiva do salário mínimo começou a ser discutida em 2004, por pressão das centrais sindicais. Na ocasião o governo Lula apenas começava a rever a política de ajuste fiscal liderada pelo então ministro da Fazenda Antonio Palocci. Essa política de recuperação consiste de um reajuste baseado na inflação do ano que termina e na evolução do PIB no ano anterior – se estenderá pelo menos até 2019.
A pressão das centrais sindicais pela manutenção dessa política é permanente, mas ela não basta. O processo de recuperação pode perder força se o Brasil não voltar a crescer rapidamente, já que o aumento do PIB é que determinará o ganho real dos próximos cinco anos.
Em entrevista à Revista do Brasil, o professor Cláudio Dedecca, do Instituto de Economia da Unicamp, alerta, porém, que o ideal seria que todos os estratos da sociedade contassem com um crescimento da renda, e não que houvesse a perda de um segmento para ganho de outro. Por isso, é preciso que o país apresente taxas de crescimento superiores às que vêm sendo observadas. "Se continuar no ritmo atual, a política adotada para o salário mínimo, por exemplo, encontrará restrições crescentes no futuro."
No início do Plano Real, julho de 1994, o valor necessário do mínimo, calculado pelo Dieese, era nove vezes superior ao oficial (R$ 590 a R$ 64). Ao longo do governo Fernando Henrique essa diferença entre oficial e necessário oscilou de sete a oito vezes; durante a gestão do tucano um trabalhador que recebia salário mínimo chegou a precisar trabalhar 11 meses para alcançar o valor exigido pela lei. No primeiro janeiro dos brasileiros sem Fernando Henrique, em 2003, o valor nominal do salário mínimo era R$ 200, enquanto o necessário para atingir o que determina a Constituição era R$ 1.386 (quase sete vezes mais).
A partir de 2003, essa diferença passou a ser reduzida de maneira mais acentuada, chegando ao seu melhor patamar em janeiro de 2014, final do primeiro mandato de Dilma, quando o mínimo era de R$ 724 e o necessário exigido por lei, R$ 3.118,00 (3,5 vezes mais). A alta da inflação (6,22% em 2014 e estimativa de 11,5% de INPC em 2015) combinada com baixo crescimento do PIB (2,3% em 2013 e 0,1% em 2014) já promove um ligeiro recuo, e a relação mínimo oficial versus o necessário deverá estar em pouco mais de 4 vezes neste janeiro (o valor efetivo da cesta básica, base para o cálculo do mínimo necessário pelo Dieese, só será conhecido no final do mês).
O ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, disse ontem (29) em entrevista que a política de valorização do mínimo leva o governo a caminhar "na direção correta". "Renda nacional é responsável por grande parte da dinâmica econômica nacional. O mercado interno é que responde por grande parte do dinamismo da nossa economia. Essa política tem permitido fortalecer e ampliar o mercado interno, diminuído as desigualdades de renda e elevado a qualidade de vida da sociedade brasileira", disse.
Rossetto tratou ainda de criar um ambiente mais otimista para o início do ano, em que o governo é pressionado por centrais sindicais, movimentos sociais, empresários e governadores a adotar rapidamente medidas de recuperação do crescimento. O ministro afirmou que a oferta de crédito deve ter novo impulso nos próximos meses. O governo espera ainda uma retomada dos investimentos privados, sobretudo com a reativação dos setores paralisados em decorrência da Operação Lava Jato, a partir dos acordos de leniência que permitirão a empresas investigadas voltar a celebrar contratos com o setor público.

31/12 - “Que pessoa?” “Aécio Neves”

FONTE:http://tijolaco.com.br/blog/a-pessoa-esta-me-cobrando-estes-r-300-mil-que-pessoa-aecio-neves/

“A pessoa está me cobrando estes R$ 300 mil”. “Que pessoa?” “Aécio Neves”

aecio300
A Folha fez o possível.
Colocou a chamada lá no cantinho de baixo, bem pequenina.
Mas não adianta.
Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, afirmou, em depoimento que levou R$ 300 mil no segundo semestre de 2013 a um diretor da empreiteira UTC, de nome Miranda ( Antonio Carlos D’Agosto Miranda) que seriam entregues ao senador Aécio Neves.
Segundo o “entregador”, Miranda ficou aliviado, pois estaria sendo cobrado pela quantia por Aécio, teria dito o diretor da empreiteira.
Aécio, claro, nega tudo. Diz que  sua campanha só recebeu legalmente da UTC para a campanha.
E quem disse, senador, que era pra a campanha? R$ 300 mil, o senhor me perdoe, não é padrão de campanha, onde a coisa é na casa do milhão.
Tudo tem mais força porque a alta direção da UTC já havia admitido, em depoimentos, que Miranda recebia, guardava e entregava dinheiro destinado a políticos.
“E o Aécio Neves não é da oposição?”, teria dito Rocha. O diretor da UTC teria respondido, na versão do delator: “Aqui a gente dá dinheiro pra todo mundo: situação, oposição, […] todo mundo”.
O comitê da campanha presidencial do tucano em 2014 recebeu R$ 4,5 milhões da UTC em doações declaradas à Justiça. A campanha de Dilma recebeu R$ 7,5 milhões.
Rocha disse ter manifestado estranheza sobre o local da entrega ser o Rio de Janeiro, já que Aécio “mora em Minas”. Miranda teria respondido que o político “tem um apartamento” e “vive muito no Rio de Janeiro”.
O delator disse que não presenciou a entrega do dinheiro ao senador e que ficou “surpreso” com a citação.
Rocha prestou o depoimento em 1º de julho. Em 4 de agosto, foi a vez de Santana também dar declarações.
Embora tenha dito que Miranda não tinha “nenhuma participação no levantamento do dinheiro para formar o caixa dois” da construtora UTC, Santana observou que “pode ter acontecido algum episódio em que o declarante ou Pessoa informaram a Miranda quem seriam os destinatários finais da entrega”.
Miranda, que é apontado pelo próprio Ministério Público como o responsável pelos “acertos” de propina com o PMDB na obra de Angra 3, seria, por óbvio, o próximo passo de qualquer investigação séria. Mas Miranda, ao que se saiba, não foi preso nem deixado mofar na cadeia até que entregasse os chamados “agentes políticos”, é claro.
Dinheiro para Aécio Neves não é coisa que venha assim “ao caso”, nem uma delação com este potencial explosivo vaza no dia seguinte, como as outras.
Até porque a investigação de corrupção parece estar usando os mesmos critérios editoriais da Folha: R$ 300 mil pra petista é manchete, para tucano é pé de página.
Mas a reportagem de Valente não dá para ser apagada. E vai ter desdobramentos.

31/12 - Boletime Semanal - Última Edição do Ano

Boletime Semanal - Última Edição do Ano

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31/12 - Pragmatismo Político DE 30/12

Pragmatismo Político


Posted: 30 Dec 2015 01:31 PM PST
Salário mínimo Dilma aumenta 880
Com o reajuste de 11,67% e valor de R$ 880 a partir de 1º de janeiro, o salário mínimo nacional terá alcançado um ganho real de 77,3% acima da inflação acumulada desde 2002. Passará a ter, ainda, o maior poder de compra desde 1979. O novo vencimento do trabalhador que recebe o piso nacional equivale a 2,4 vezes o valor da cesta básica calculado pelo Dieese. Em 1995, no início do governo Fernando Henrique Cardoso, correspondia a 1,02 cesta.
Segundo o governo, o novo valor terá um impacto de R$ 4,8 bilhões no orçamento da União em 2016. Para o Dieese, no entanto, o acréscimo de renda aos 48 milhões de brasileiros que recebem salário mínimo representará uma injeção de recursos de R$ 57 bilhões na economia, com impacto de R$ 30,7 bilhões na arrecadação de impostos.
O efeito concreto dessa política de valorização é ainda mais benéfico para o bolso das pessoas e para as contas públicas do que a política de juros praticada pelo Banco Central. O coordenador de relações sindicais do Dieese, José Silvestre Prado Silveira, estima que o gasto anual com os juros pagos aos investidores de títulos públicos baseados na Taxa Selic seja de R$ 400 bilhões.
E ainda que o aumento do mínimo repercuta nos pagamentos da Previdência Social, já que são 22,5 milhões os aposentados e pensionistas que o recebem, os efeitos do aumento da renda em circulação na economia compensam. “Cada R$ 1 de acréscimo no salário mínimo tem um retorno de R$ 293 milhões ao ano somente sobre a folha de benefícios da Previdência Social”, diz Silvestre, referindo-se ao impulso dado pela renda dos trabalhadores e aposentados no consumo e, portanto, na manutenção das atividades de empresas, comércio e serviços e no respectivo nível de emprego.
Cerca de dois terços dos municípios do país tem como principal fonte de renda e de ativação das atividades econômicas locais o salário mínimo.

Muito a evoluir

Em seu artigo 7º, a Constituição determina que entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, está um “salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”.
Ao anunciar o valor de R$ 880 para o salário mínimo a partir de 1º de janeiro, o governo federal não faz mais do que a obrigação de dar um pequeno passo em direção a contemplar um direito essencial historicamente descumprido, praticamente desde que os primeiros ano em que o salário mínimo foi instituído, em 1938. Mas essa busca pela recomposição de seu poder de compra de modo a cumprir a lei nem sempre esteve presente nas políticas públicas.
A política de valorização mais efetiva do salário mínimo começou a ser discutida em 2004, por pressão das centrais sindicais. Na ocasião o governo Lula apenas começava a rever a política de ajuste fiscal liderada pelo então ministro da Fazenda Antonio Palocci. Essa política de recuperação consiste de um reajuste baseado na inflação do ano que termina e na evolução do PIB no ano anterior – se estenderá pelo menos até 2019.
A pressão das centrais sindicais pela manutenção dessa política é permanente, mas ela não basta. O processo de recuperação pode perder força se o Brasil não voltar a crescer rapidamente, já que o aumento do PIB é que determinará o ganho real dos próximos cinco anos.
No início do Plano Real, julho de 1994, o valor necessário do mínimo, calculado pelo Dieese, era nove vezes superior ao oficial (R$ 590 a R$ 64). Ao longo do governo Fernando Henrique essa diferença entre oficial e necessário oscilou de sete a oito vezes; durante a gestão do tucano um trabalhador que recebia salário mínimo chegou a precisar trabalhar 11 meses para alcançar o valor exigido pela lei. No primeiro janeiro dos brasileiros sem Fernando Henrique, em 2003, o valor nominal do salário mínimo era R$ 200, enquanto o necessário para atingir o que determina a Constituição era R$ 1.386 (quase sete vezes mais).
A partir de 2003, essa diferença passou a ser reduzida de maneira mais acentuada, chegando ao seu melhor patamar em janeiro de 2014, final do primeiro mandato de Dilma, quando o mínimo era de R$ 724 e o necessário exigido por lei, R$ 3.118,00 (3,5 vezes mais). A alta da inflação (6,22% em 2014 e estimativa de 11,5% de INPC em 2015) combinada com baixo crescimento do PIB (2,3% em 2013 e 0,1% em 2014) já promove um ligeiro recuo, e a relação mínimo oficial versus o necessário deverá estar em pouco mais de 4 vezes neste janeiro (o valor efetivo da cesta básica, base para o cálculo do mínimo necessário pelo Dieese, só será conhecido no final do mês).
O ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, disse ontem (29) em entrevista que a política de valorização do mínimo leva o governo a caminhar “na direção correta”. “Renda nacional é responsável por grande parte da dinâmica econômica nacional. O mercado interno é que responde por grande parte do dinamismo da nossa economia. Essa política tem permitido fortalecer e ampliar o mercado interno, diminuído as desigualdades de renda e elevado a qualidade de vida da sociedade brasileira”, disse.
Rossetto tratou ainda de criar um ambiente mais otimista para o início do ano, em que o governo é pressionado por centrais sindicais, movimentos sociais, empresários e governadores a adotar rapidamente medidas de recuperação do crescimento. O ministro afirmou que a oferta de crédito deve ter novo impulso nos próximos meses. O governo espera ainda uma retomada dos investimentos privados, sobretudo com a reativação dos setores paralisados em decorrência da Operação Lava Jato, a partir dos acordos de leniência que permitirão a empresas investigadas voltar a celebrar contratos com o setor público.
Paulo Donizetti de Souza, RBA
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Posted: 30 Dec 2015 12:34 PM PST
Dieckmann Casé empregadas domésticas
Página Empodere Duas Mulheres criticou foto de atriz com domésticas (Captura de tela/Reprodução)
Uma imagem publicada por Carolina Dieckmann no Instagram dividiu opinião nas redes sociais. Na foto, a atriz global aparece acompanhada da apresentadora Regina Casé e de empregadas domésticas uniformizadas para preparar a ceia de Natal.
“Aqui, com essas lindezas batalhadoras, que fazem tudo tão caprichado e com tanto carinho, que a gente saiu de lá flutuando de amor”, escreveu a atriz.
Curiosamente, Regina Casé recebeu elogios este ano por interpretar uma empregada no filme Que Horas Ela Volta?, que traz um olhar bastante crítico para as relações entre patrões e empregados no Brasil.
No Facebook, a página Empodere As Mulheres reagiu de maneira crítica à imagem. “Regina Casé e Carolina Dieckmann postando foto com as empregadas negras uniformizadas que prepararam a ceia de Natal. Que horas elas voltam?”, questionou a página.
A escritora Cidinha da Silva, autora de “Racismo no Brasil e afetos correlatos”, comentou o episódio em texto publicado no portal Geledés que reproduzimos a seguir:

O selfie de Dieckmann e Casé com as empregadas e o contexto sociocultural das domésticas no Brasil

por Cidinha da Silva
Quando vi a foto de Regina Casé e Carolina Dieckmann com as quatro trabalhadoras domésticas, na casa da primeira, na noite de natal, ratifiquei minha sensação de que Ana Muylaert, diretora de A que horas ela volta, um dos melhores filmes de 2015, acertou em cheio ao escolhê-la para o papel principal. Regina é a cara do Brasil.
As mulheres populares do país têm muitas caras e a de Regina é uma delas. Não nos surpreenderíamos se ela fosse uma das quatro trabalhadoras fotografadas. O mesmo não aconteceria com Carolina Dieckmann se tivesse sido convidada a protagonizar o filme. Embora a diretora tivesse total liberdade para fazê-lo, seria meio inverossímil ou, pelo menos, sua presença obliteraria o vigoroso debate de classe instaurado pelo filme. Seria algo semelhante à Lucélia Santos representando Isaura, a escravizada.
Creio que aqui começa o incômodo causado pela foto e pelo letreiro. Existe um contexto de hierarquia racial que subjaz à imagem que uma parcela do Brasil não deixa mais passar incólume. Pela razão mesma da resistência a que muitas pessoas brancas de hoje não se sintam herdeiras da casa grande, ainda que desfrutem confortavelmente de tudo o que foi construído pelas mãos, pés e cabeças do povo negro escravizado durante 350 anos e que o racismo tratou de assegurar nas mãos brancas devidamente lavadas.
As quatro trabalhadoras domésticas fotografadas evocam os 77 anos de organização sindical das trabalhadoras domésticas, iniciada por Laudelina de Campos Mello, em Santos, SP, na busca de 34 direitos garantidos à maioria das demais categorias de trabalhadores e que só foram parcialmente atendidos pela PEC das Domésticas em 2013. Evocam os 70 anos de atraso em relação às conquistas da CLT.
Elas nos lembram que existem cerca de 8 milhões de trabalhadoras domésticas em todo o país, incluindo adolescentes e crianças, e destas, em torno de 6 milhões não têm carteira assinada e não ganham sequer um salário mínimo. Mesmo que, provavelmente, as trabalhadoras em tela façam parte dos dois milhões que têm os direitos trabalhistas assegurados.
Não conheço Carolina Dieckmann, mas me passa uma impressão excelente. Gosto dela como atriz e avalio bem suas declarações sobre o ofício, educação dos filhos, sobre sua relação com as personagens. Lembro-me de uma que tinha câncer, perdeu o cabelo no tratamento quimioterápico e num determinado momento (não me lembro se a personagem ou a atriz) foi mostrada raspando os cabelos. Foi uma cena belíssima, comovente. Parece ser boa pessoa, a Carolina, e o mesmo se diz de Regina Casé. Não se trata aqui, de abominá-las porque são patroas. Por outro lado, não há também como isentá-las dos sentidos revolvidos pela imagem porque são pessoas legais.
Ademais, além do contexto sociocultural, há duas questões, o selfie itself e o texto que o reforçam. Esses retratos com artistas têm uma lógica própria. Se uma pessoa qualquer pede uma foto para outra, famosa, e trata de postá-la, pode ser uma coisa inofensiva, tipo, “ei, amigos, vejam quem está do meu lado”. Pode ser também uma armadilha como a que Kim Kataguiri armou para Ney Matogrosso, vinculando-o a uma manifestação pelo impeachment da Presidenta Dilma, fato que levou o artista a classificá-lo como imbecil.
Quando é o artista ou celebridade quem tem a iniciativa de postar as fotos tiradas com fãs, pessoas comuns ou trabalhadoras, como no caso das três senhoras e uma jovem, empregadas ou contratadas por Regina Casé, existem mensagens que essas pessoas querem emitir para seus seguidores. Carolina abraça carinhosamente uma das moças. Regina tem a delicadeza de se posicionar ao fundo. As mulheres-trabalhadoras estão na linha de frente. E, convenhamos, devem estar contentes, porque até prova contrária, as duas artistas são pessoas idôneas, boa gente, e quero crer que mantenham relações trabalhistas corretas com as pessoas que lhes prestam serviços.
Então, qual seria o problema? Por que estaríamos chorando de barriga cheia? Trata-se do bendito contexto, sobre o qual já falei. A gente ainda não se recuperou da imagem das babás negras postadas pela Fernanda Lima e de toda a discussão sobre elas protagonizada pela patroa. Tampouco da filmagem da funcionária ou prestadora de serviço que segurava um guarda-sol para proteger a apresentadora de TV, Angélica, da chuva, enquanto ela própria se molhava. Tão semelhante à pintura de Debret, de um escravizado que segurava o guarda-chuva aberto para proteger do sol o escravizador que urinava na rua. Ainda dói na memória também outra imagem das babás de Fernanda Lima colocando os filhos da patroa dentro do carro e permanecendo na chuva, à espera de outra viagem que as recolhesse.
O texto de Carolina Dieckmann diz muito pela falta: “Aqui, com essas lindezas batalhadoras, que fazem tudo tão caprichado e com tanto carinho, que a gente saiu de lá flutuando de amor”. Fofo! Admita! Mas, a gente é chata e pergunta: qual é o nome das lindezas batalhadoras? Ou isso não tem importância?
O nome das senhoras é irrelevante, como o era o nome das empregadas de Luciano Huck e Angélica que trabalhavam com a família quando o helicóptero que transportava o grupo sofreu uma pane? É isso? Tá bom, tá bom! Era mensagem do Instagram. Precisava ser curta. Afinal, uma imagem vale mais que mil palavras.
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Posted: 30 Dec 2015 12:13 PM PST
Réveillon Rio de Janeiro economia turistas
O Rio de Janeiro hospedará na quinta-feira, em sua famosa festa de virada do ano, um recorde de 857 mil turistas, que gastarão previsivelmente US$ 670 milhões, um alívio em meio à recessão vivida pelo Brasil e que obedece basicamente ao atrativo que para os visitantes representa a desvalorização do real.
A forte queda do valor da moeda brasileira frente à americana em 2015, de quase 46%, beneficia o turismo do Rio de todos os lados, já que barateia as visitas dos estrangeiros e não incentiva as viagens dos brasileiros para o exterior.
“Os turistas brasileiros lideram a ocupação dos hotéis do Rio neste ano, com 70% das reservas”, disse à Agência Efe o presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH) no Rio de Janeiro, Alfredo Lopes.
Para Lopes, isso corresponde à decisão de milhares de turistas brasileiros de substituir as viagens ao exterior, encarecidas pelo dólar, por uma temporada na “Meca” turística do país.
Segundo as estatísticas da ABIH, 80% dos quartos de hotel do Rio de Janeiro já estão reservados para o ‘Reveillón’, e essa porcentagem se eleva até 90% em bairros como Copacabana e Ipanema.
De acordo com Lopes, o número de quartos reservadas pelos turistas para a festa do Reveillón deste ano é 12% superior à de 2014, apesar do número de quartos de hotel ter aumentado significativamente com a inauguração dos hotéis construídos para os Jogos Olímpicos que o Rio organizará em 2016.
“A expectativa para o Reveillón é excepcional porque o Rio de Janeiro aumentou sua oferta em 3 mil quartos e alcançou uma taxa de ocupação 12% superior à do ano passado”, destacou Lopes.
Para o líder dos hoteleiros do Rio de Janeiro, trata-se de números expressivos em meio à crise vivida pelo Brasil, cuja economia entrou em recessão e que, segundo as últimas projeções, se contrairá 3,7% este ano e 2,81% em 2016.
A contração deste ano será a maior sofrida pelo Brasil nos últimos 25 anos.
A maior economia da América Latina também sofre com inflação e desemprego crescentes, assim como com um déficit recorde nas contas públicas, o que levou às agências de classificação de risco a retirar do país o “grau de investimento” que o garantia como bom pagador.
O Reveillón, segundo maior evento turístico de Rio depois do Carnaval, nunca tinha atraído tantos turistas brasileiros e estrangeiros como neste ano, quando espera-se que 2,5 milhões de pessoas ocupem as praias de Copacabana e de Barra da Tijuca para festas grandes com espetáculos musicais e pirotécnicos.
À tradicional festa de Copacabana, que contará com 16 minutos de queima de 24 toneladas de fogos de artifício, se soma neste ano uma festa similar na Barra de Tijuca, o bairro que mais hotéis construiu nos últimos meses já que concentrará a maioria das instalações para os Jogos Olímpicos de 2016.
A festa deste ano será especial não só por se tratar da despedida do ano em que são lembrados os 450 anos de fundação do Rio de Janeiro, mas também de boas-vindas para 2016, o ano dos Jogos Olímpicos de Rio e do centenário do primeiro registro oficial de um samba.
Segundo as previsões da secretaria municipal de Turismo do Rio de Janeiro, quase 70% dos 857 mil turistas esperados procederá de outras cidades brasileiras.
O secretário de Turismo, Antonio Figueira de Mello, disse que, dos estrangeiros, grande parte verá o espetáculo de fogos de artifício desde os dez grandes navios cruzeiros que chegaram esta semana ao Rio de Janeiro.
Segundo informações procedentes da Argentina, a demanda por pacotes turísticos adquiridos pelos vizinhos que querem passar o verão austral de 2016 no Brasil aumentou em 50% contra o de 2015 tanto pela desvalorização do real como pela decisão do governo argentino de dar fim à política que dificultava a compra da moeda estrangeira.
EFE
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Posted: 30 Dec 2015 11:44 AM PST
Aécio Neves corrupção Folha
Nesta quarta-feira, às vésperas do fim do ano, a Folha de S. Paulo trouxe um furo de reportagem do jornalista Rubens Valente. Segundo um dos delatores da Operação Lava Jato, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), presidente nacional do principal partido de oposição e candidato derrotado nas últimas eleições presidenciais, recebeu uma propina de R$ 300 mil da empreiteira UTC (saiba mais).
Em condições naturais de temperatura e pressão, a notícia teria sido estampada na manchete principal do maior jornal do Brasil. No entanto, mereceu apenas uma nota de rodapé na primeira página da publicação, confirmando a tese do colunista André Singer de que a mídia faz de tudo para abafar a corrupção tucana.
“Enquanto o PT aparece, diuturnamente, como o mais corrupto da história nacional, o PSDB, quando apanhado, merece manchetes, chamadas e registros relativamente discretos. O primeiro transita na área do megaescândalo, ao passo que o segundo ocupa a dimensão da notícia comum”, disse Singer. “A salvaguarda do PSDB pelos meios de comunicação reforça a tese de que o objetivo é destruir a real opção popular e não regenerar a República.”
O caso de Aécio mereceria ainda mais destaque, quando se leva em conta o fato de que, há um ano, o senador tucano, em aliança com o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), vem liderando uma cruzada moralista para derrubar a presidente Dilma Rousseff, num terceiro turno sem fim que tem causado sérios danos à economia. No entanto, como disse Singer, a denúncia contra o tucano “ocupa a dimensão da notícia comum”.

Vale-tudo contra Lula

A Folha, naturalmente, poderá argumentar que, no caso de Aécio, a denúncia de um delator carece de comprovação. Mas não foi esse o comportamento do jornal quando se tratava do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No dia 16 de outubro deste ano, a Folha cravou em sua manchete a seguinte notícia: “Delator diz ter repassado R$ 2 mi para nora de Lula”. Era mentira. A Folha havia apenas embarcado numa “barriga” (jargão jornalístico para as notícias falsas) do colunista Lauro Jardim, do Globo, o que mereceu reparos da ombudsman da publicação.
Mais recentemente, a Folha deu outras demonstrações de sua perseguição a Lula. Ao noticiar uma denúncia contra o senador Delcídio Amaral, a Folha estampou na manchete a foto do ex-presidente. Quando o pecuarista José Carlos Bumlai foi denunciado, ele também perdeu o direito ao nome e foi retratado como “amigo de Lula”.
Nas pesquisas recentes do Datafolha, Aécio e Lula têm sido pesquisados como os dois principais nomes da disputa presidencial de 2018.
informações de 247
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Posted: 30 Dec 2015 07:03 AM PST
PMs rio de janeiro jovens
Oito policiais militares foram presos sob a acusação de tortura e roubo contra quatro rapazes parados em uma blitz no Rio Comprido, zona norte do Rio de Janeiro, quando passavam sem capacete em duas motocicletas. As vítimas contaram que foram despidas, queimadas com faca quente, espancadas e ameaçadas de morte. Uma delas foi obrigada a praticar sexo oral em um amigo. Um dos PMs filmou a cena com o telefone celular, em meio a gargalhadas e xingamentos, contaram os rapazes.
Indignados, os amigos, depois de soltos pelos PMs, deram queixa na 6ª Delegacia de Polícia (DP), na Cidade Nova (região central), que abriu inquérito. Nos depoimentos, eles disseram que voltavam de uma festa de Natal na favela Santo Amaro (Catete, zona sul), na madrugada de sexta-feira (25), quando, na Rua Prefeito João Felipe, foram parados pela patrulha, integrada por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) dos morros da Coroa, Fallet e Fogueteiro.
Aos policiais da delegacia, dois irmãos, de 23 e 20 anos, mostraram cortes e queimaduras nas pernas e braços, que seriam decorrentes das torturas a que disseram ter sido submetidos com um facão esquentado na labareda de um isqueiro. Os irmãos contaram também terem sido agredidos com murros nos rostos.
Um amigo de 17 anos relatou no depoimento que teve o cabelo chamuscado pelo isqueiro e os testículos queimados pela faca. Ele disse ainda ter sido obrigado a praticar sexo oral com outro colega. A quarta vítima tem 13 anos. O caso foi revelado na edição deste sábado (26) do jornal O Dia.
Na delegacia, as vítimas contaram ainda que tiveram todo o dinheiro que portavam levados pela guarnição da Polícia Militar (PM). O rapaz de 20 anos afirmou ter sido roubado em R$ 470, além do cordão e até a sandália e o boné. Um colega relatou que os PMs levaram os R$ 400 que ele tinha no bolso e também o boné.
O rapazes contaram que um PM chegou a disparar com a pistola quando uma motocicleta passou em velocidade pelo trecho da rua onde a blitz estava montada. Uma mulher foi atingida, sem gravidade. Ela também prestou depoimento após receber alta do hospital.
Todas as vítimas foram encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de exames de corpo de delito. A Polícia Civil apreendeu as armas dos oito policiais, que serão periciadas pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli, da Polícia Civil.
Os investigadores buscam na região do Rio Comprido imagens de câmeras de seguranças das edificações vizinhas ao ponto onde teriam ocorrido as torturas. De acordo com a PM, o comando da UPP onde trabalham os policiais acusados determinou a eles que se apresentassem à delegacia. Após os depoimentos, foram presos administrativamente. Os nomes dos policiais não foram divulgados.
Parentes das vítimas que estiveram na delegacia disseram temer pela vida dos rapazes, já que os PMs, antes de soltá-los, ameaçaram matá-los caso os denunciassem ou à Polícia Civil ou à Corregedoria da PM.
Agência Estado
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Posted: 30 Dec 2015 06:06 AM PST
metrô São Paulo homofobia racismo
Uma mulher relatou cenas de racismo e homofobia que teriam ocorrido nesta semana, no metrô de São Paulo.
Segundo o relato de Ana Paula Nogueira, um homem começou a cuspir em um casal de rapazes que estava de pé na composição. Eles, inicialmente, não perceberam a agressão, mas ao se darem conta, também não reagiram, narra ela. “Era mesmo difícil acreditar naquele ato explícito de homofobia”, descreve.
“Quando um dos rapazes que o homem cuspia percebeu, os dois encararam o homem, esperei que eles fossem reagir, mas nada. Como ele continuava a cuspir mesmo na frente deles, chegando a acertar na calça de um deles, os dois apenas se afastavam, em direção a outra porta do vagão”, revela.
Indignada com a situação, ela xingou o agressor, como narra em seu relato do Facebook. Ele então, respondeu que “não gostava de ‘viados’ e vagabundas”, segundo Ana.
“Nessa hora eu não aguentei, não enxerguei mais nada e disse: “O que você tá rindo pra mim, seu porco nojento, asqueroso?” e ele respondeu: “O que é, sua macaca, não gosto de ‘viado’ mesmo não, e nem de vagabunda, sua macaca, vagabunda, sua prostituta!”. Quando ele disse isso, boa parte dos usuários do metrô interviram e pediram que ele parasse de me insultar. Em seguida, peguei o celular para tentar fazer uma denúncia ao serviço de usuários do metrô, mas estava tão nervosa que sequer consegui discar. Disse a ele que iria denunciá-lo, e então ele desceu na estação Patriarca e saiu correndo”, conta Ana.
No desabafo, publicado há menos de um dia, ela pede que situações como essa – ocorrida na Linha Vermelha, na capital paulista – sejam combatidas e denunciadas. Leia a história de Ana na íntegra abaixo.
Hoje assisti a cenas explícitas de homofobia. Ao demonstrar minha indignação, também fui vítima de racismo.
Por volta das 17h30 voltava para casa exausta depois de um dia de trabalho. Peguei o metrô na Barra Funda, em direção à estação Corinthians Itaquera. Estava sentada e quase cochilando, quando vi um homem, que aparentava ter menos de 40 anos, na porta do metrô, cuspindo em um casal de rapazes que estavam em pé no vagão, abraçados. Parei para ver se estava enxergando bem, pois era uma cena incompreensível: O homem olhava para os rapazes e cuspia, cuspiu várias vezes.
A princípio os meninos não perceberam o que estava acontecendo, porque estavam de costas. Perguntei para um moço sentado ao meu lado: Você está vendo o que eu tô vendo? Ele acenou que sim. Quando um dos rapazes que o homem cuspia percebeu, os dois encararam o homem, esperei que eles fossem reagir, mas nada. Como ele continuava a cuspir mesmo na frente deles, chegando a acertar na calça de um deles, os dois apenas se afastavam, em direção a outra porta do vagão. Acho que também ficaram sem reação, pois era mesmo difícil acreditar naquele explícito ato de homofobia.
Eu olhava fixamente aquela cena que me indignava e me paralisou por alguns segundos, quando o agressor se voltou para mim, me olhava sorrindo, como quem busca aprovação, satisfeito por ter intimidado o casal de rapazes. Nessa hora eu não aguentei, não enxerguei mais nada e disse: “O que você tá rindo pra mim, seu porco nojento, asqueroso?” e ele respondeu: “O que é, sua macaca, não gosto de ‘viado’ mesmo não, e nem de vagabunda, sua macaca, vagabunda, sua prostituta!”. Quando ele disse isso, boa parte dos usuários do metrô interviram e pediram que ele parasse de me insultar. Em seguida, peguei o celular para tentar fazer uma denúncia ao serviço de usuários do metrô, mas estava tão nervosa que sequer consegui discar. Disse a ele que iria denunciá-lo, e então ele desceu na estação Patriarca e saiu correndo.
Por defender duas pessoas de um ato de homofobia, também fui vítima de racismo e machismo. Me pergunto: Até quando suportaremos essas dores calados?
Este homem que agrediu a mim e ao casal gay, ironicamente também é negro e é mais um retrato da intolerância que estamos vivendo no Brasil, é só mais uma demostração da nossa falência como ser humano; das falhas de nossas instituições, que não combatem ativamente esse tipo de violência; da nossa educação, que não ensina a respeitar as diferenças; e é nossa própria culpa também, por convivermos em meio a piadinhas racistas e homofóbicas, machistas e ainda rirmos delas.
Ver aqueles meninos sendo cuspidos me deixou horrorizada, traumatizada e estou compartilhando esta denúncia aqui para que vocês, que sofrem ou sofreram situações desse tipo, não se deixem intimidar, gritem, façam um escândalo, vocês não são obrigados a passar por isso! E para quem testemunhar atos como os que descrevi e vivi hoje, peço que não se calem. Ao se calarem diante da violência a um outro ser humano, vocês estão também sendo cúmplices desta violência.
HuffPost Brasil
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Posted: 30 Dec 2015 04:55 AM PST
Rosangela Lyra empresária impeachment Dilma
A empresária Rosangela Lyra
Presidente da Associação dos Lojistas dos Jardins, a empresária Rosangela Lyra trocou de batalha.
Ex-militante pró-impeachment da presidente Dilma Rousseff, ela agora quer que o País se torne livre de corrupção.
Em depoimento à Folha de S.Paulo, ela afirmou que chegou a fazer parte de três movimentos que pede o afastamento da presidente, o Vem Pra Rua, o Acorda Brasil e o Movimento Brasil Livre, mas que, hoje, quer eu foco é coletar assinaturas para um projeto de lei patrocinado pelo Ministério Público com foco no combate à corrupção.
“Hoje, para mim, passar o Brasil a limpo é mais importante que tirar o PT na marra”, disse.
Confira abaixo a íntegra do seu depoimento:
No início do ano, pensava que seria possível uma renúncia da presidente Dilma. Falava-se muito da possibilidade de ter havido fraude na reeleição, a economia estava com uma perspectiva muito ruim, o desemprego estava crescendo e havia erros de gestão. Queria que ela saísse.
Na eleição, Eduardo Campos era a minha opção. Quando ele faleceu, eu comecei a apoiar a Marina e colaborei um pouco com a campanha. Marina foi desconstruída pelo marketing do PT. No momento em que ela apoiou o Aécio, fiz o mesmo, porque eu não queria a Dilma.
Em agosto de 2014, comecei a fazer o Política Viva [encontros em que convidados debatem o cenário nacional]. Me envolvi mais abertamente com política.
Anteriormente, já havia ajudado a campanha de 2004 do ex-prefeito José Serra (PSDB) e fiz um jantar para arrecadar fundos para a campanha de 2010 do governador Geraldo Alckmin (PSDB). Não tenho simpatia pelo PT.
A convite dos fundadores do Vem Pra Rua, fiz parte do movimento deles por dois meses. Algumas pessoas saíram e montaram o Acorda Brasil. Minha passagem por lá foi mais no sentido de entender o que eles queriam do que de efetivamente participar. Também arrecadei fundos para o MBL (Movimento Brasil Livre) na marcha que eles fizeram para Brasília.
Pensei: “São jovens que querem mudar o Brasil”. Eu não tinha visto tanto radicalismo naquele momento.
É mais fácil você criar um rótulo e sair atacando. Como posts de raiva geram mais “likes”, alguns movimentos põem um post de raiva e todo mundo concorda, comenta com emoticons de palminha, beijinho, bandeirinha.
No primeiro semestre, o Ministério Público me convidou a encabeçar um movimento junto aos lojistas, ao comércio aqui da região. Divulguei muito as 10 Medidas [conjunto de propostas do Ministério Público contra a corrupção]. Sacrifiquei horas de almoço, noite e fins de semana para coletar assinaturas.
Das 75 mil assinaturas que o nosso grupo, chamado Força-Tarefa das 10 Medidas, coletou até o dia 9 de dezembro, só metade fomos nós que colhemos. O resto foram os multiplicadores. Distribuímos mais de 5.000 kits com 64 fichas cada um. Por isso ganhei uma homenagem do Ministério Público.
Meu ponto de virada foi quando eu percebi a importância da Lava Jato e a não interferência da presidente. A gente se acostumou a mudar os personagens da história, e não o enredo. Prefiro mudar o enredo. Tem que pegar os corruptos, seja do PT, do PMDB, do PSDB, do PP.
Esse meu posicionamento vai ao encontro do que pensam os investigadores da Lava Jato. Na última coletiva, perguntaram se havia interferência do governo na operação. Os investigadores disseram que não havia. Poderiam ter se esquivado ou respondido com menos ênfase, mas foram categóricos.
Se a Lava Jato tem hoje o peso que tem, foi porque Dilma sancionou a lei que prevê a delação premiada e deixa a operação funcionar. Quem iria para a rua quando começassem as canetadas, as pessoas sendo soltas?
A Itália, na Operação Mãos Limpas, também prendeu poderosos, políticos e empresários. Mas, como não aproveitou aquele momento para fazer as reformas, entrou o Silvio Berlusconi [ex-premiê].
Escuto a explicação “um de cada vez” para justificar a saída da Dilma primeiro, mas não é assim no mundo real, você não tira dois presidentes do poder no mesmo ano.
Esse próximo presidente, independente de quem fosse, teria todos os poderes para desconstruir a Lava Jato.
Hoje, para mim, passar o Brasil a limpo é mais importante que tirar o PT do poder na marra. Eu não consigo ver as duas coisas –o impeachment e a ascensão de um político com discurso de unificação e com interesses políticos contrários à Lava Jato– possibilitando essa limpeza.
Eu chamo de evolução de posicionamento, não de mudança. As pessoas me escrevem: “Para com essa posição de ir contra o impeachment, você está queimando sua imagem”. Alguns me acusam de estar levando dinheiro do PT. Eu digo que o tempo vai corrigir qualquer distorção que eles estejam vendo.
Quando alguém diz que a Justiça e a Procuradoria só prendem gente do PMDB, e não do PT, eu pergunto: “Vocês esqueceram que João Vaccari Neto, José Dirceu e Delcídio do Amaral estão presos?”. Eles põem em dúvida a idoneidade da Procuradoria-Geral da República.
Que Dilma continue deixando a Lava Jato adquirir cada vez mais corpo e que ela enrole todos aqueles que fazem pressão para demitir o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que notadamente não interfere.
Tenho a humildade de ter mudado de opinião, por que não é fácil mudar. E tenho muita confiança de que é pelo bem do país.
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Posted: 30 Dec 2015 03:25 AM PST
Aécio Neves corrupção dinheiro UTC
Trecho da delação premiada (esq) do entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef
Em delação premiada homologada pelo STF, Carlos Alexandre de Souza Rocha, entregador de dinheiro do doleiro Alberto Youssef, afirmou que levou R$ 300 mil no segundo semestre de 2013 a um diretor da UTC Engenharia no Rio de Janeiro, que lhe disse que a soma iria ao senador Aécio Neves (PSDB-MG).
Rocha, conhecido como Ceará, diz que conheceu Youssef em 2000 e, a partir de 2008, passou a fazer entregas de R$ 150 mil ou R$ 300 mil a vários políticos.
Ele disse que fez em 2013 “umas quatro entregas de dinheiro” a um diretor da UTC chamado Miranda, no Rio.
Também em depoimento, o diretor financeiro da UTC, Walmir Pinheiro Santana, confirmou que o diretor comercial da empreiteira no Rio chamava-se Antonio Carlos D’Agosto Miranda e que “guardava e entregava valores em dinheiro a pedido” dele ou de Ricardo Pessoa, dono da UTC.
Nem Pessoa, também delator na Lava Jato, nem Santana mencionaram repasses a Aécio em seus depoimentos. A assessoria do senador chamou a citação de Rocha de “absurda”.
Em uma das entregas, que teria ocorrido entre setembro e outubro daquele ano, Rocha disse que Miranda “estava bastante ansioso” pelos R$ 300 mil. Rocha afirmou ter estranhado a ansiedade de Miranda e indagou o motivo.
O diretor teria reclamado que “não aguentava mais a pessoa” lhe “cobrando tanto”. Rocha disse que perguntou quem seria, e Miranda teria respondido “Aécio Neves”, sempre segundo o depoimento do delator.
“E o Aécio Neves não é da oposição?”, teria dito Rocha. O diretor da UTC teria respondido, na versão do delator: “Aqui a gente dá dinheiro pra todo mundo: situação, oposição, […] todo mundo”.
O comitê da campanha presidencial do tucano em 2014 recebeu R$ 4,5 milhões da UTC em doações declaradas à Justiça. A campanha de Dilma recebeu R$ 7,5 milhões.
Rocha disse ter manifestado estranheza sobre o local da entrega ser o Rio de Janeiro, já que Aécio “mora em Minas”. Miranda teria respondido que o político “tem um apartamento” e “vive muito no Rio de Janeiro”.
O delator disse que não presenciou a entrega do dinheiro ao senador e que ficou “surpreso” com a citação.
Rocha prestou o depoimento em 1º de julho. Em 4 de agosto, foi a vez de Santana também dar declarações.
Embora tenha dito que Miranda não tinha “nenhuma participação no levantamento do dinheiro para formar o caixa dois” da construtora UTC, Santana observou que “pode ter acontecido algum episódio em que o declarante ou Pessoa informaram a Miranda quem seriam os destinatários finais da entrega”.
A assessoria de Aécio Neves disse que considera “absurda e irresponsável” a citação a seu nome.

Corrupção de Furnas

Durante depoimento à CPI da Petrobras em agosto deste ano, o doleiro Alberto Yousseff afirmou que Aécio Neves recebeu dinheiro da corrupção de furnas, subsidiária da Eletrobras.
“Eu confirmo (que Aécio recebeu dinheiro de corrupção) por conta do que eu escutava do deputado José Janene, que era meu compadre e eu era operador dele”, disse o doleiro.
EBC e Folhapress, Rubens Valente
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