quinta-feira, 30 de junho de 2016

30/6 - BOA NOITE com Minha Bossa Nova

Minha Bossa Nova


Posted: 22 Jun 2016 12:49 PM PDT
João Gilberto 1973
(Águas de Março)

Posted: 22 Jun 2016 07:21 AM PDT
Programa Minha Bossa Nova
Edição 151 - Parte 1
Cauby Peixoto



Posted: 22 Jun 2016 06:52 AM PDT
Programa Minha Bossa Nova
Edição 151 - Parte 2
Cauby Peixoto


Posted: 22 Jun 2016 06:06 AM PDT
Programa Minha Bossa Nova
Edição 151 - Parte 3
Cauby Peixoto


Posted: 22 Jun 2016 05:43 AM PDT
Programa Minha Bossa Nova
Edição 151 - Parte 4
Cauby Peixoto



30/6 - TRÊS Famosos Que Partiram

Famosos Que Partiram


Posted: 29 Jun 2016 07:25 AM PDT
FABIANE NICLOTTI
(31 anos)
Modelo e Miss Brasil

☼ Gramado, RS (06/10/1984)
┼ Gramado, RS (28/06/2016)

Fabiane Niclotti foi uma modelo brasileira e Miss Brasil 2004. Era também estudante e gerente comercial de uma loja.

Foi eleita no dia 15/04/2004, a mulher mais bonita do Brasil, representando o Rio Grande do Sul, Estado com tradição em concursos de miss, já tendo eleito 11 misses Brasil. Não conseguiu classificação em Quito, Equador onde ocorreu o Miss Universo.

Como marca do seu reinado de miss priorizou o trabalho social e como principal marca de sua pessoa, mostrou que uma miss além de linda, tem conteúdo e é muito simpática.

Ficou por alguns anos morando em Londres e cursando inglês, com o dinheiro que recebeu quando sagrou-se Miss Brasil.

Fabiane Niclotti era torcedora do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Miss Brasil

O ano, 2004, e para chegar às medidas perfeitas de uma miss, Fabiane Niclotti submeteu-se a uma cirurgia plástica. Colocou próteses de silicone de 250 ml nos seios e chegou a 92 cm de busto, 62 cm de cintura e 92 cm de quadril. Também passou a fazer duas horas e meia diárias de malhação com personal trainer.

Mas a beleza de ssa gaúcha de Fabiane Niclotti, do alto de seu 1m82 de altura, nunca passou despercebida pelas ruas da cidade gaúcha de Gramado, onde nasceu. A combinação da pele alva, olhos verdes, cabelos escuros e corpo bem torneado serviu de chamariz para inúmeros convites para ser modelo, todos prontamente negados.

Fabiane Niclotti não era da geração que cresceu sonhando em ser miss, nem havia participado de um desfile e muito menos de um concurso de beleza. Nativa do Estado que se transformou no maior celeiro de top models brasileiras, Fabiane Niclotti nunca pensou em trilhar a carreira da conterrânea Gisele Bündchen.

"Sempre gostei de me dedicar aos estudos e de ficar perto da minha família. Como poderia conseguir isso sendo modelo?", dizia, com a voz suave e quase sem sotaque.

Depois de coroada, a estudante do segundo ano de um curso técnico de enfermagem já pode sentir na pele que a vida de Miss Brasil não é muito diferente da rotina das modelos famosas. A diferença é que a carreira de miss tem prazo de validade. "É só por um ano", enfatizou Fabiane Niclotti, que ainda na época ainda estava se habituando às poucas horas de sono e às muitas sessões de maquiagem e cabeleireiro. Também não deve sobrar tempo para namorar. Mas Fabiane Niclotti parecia não se importar, já que estava sozinha há um ano, depois de terminar um namoro de três. Ela só não escondia a saudade da família, evidente na emoção e nas lágrimas ao falar com a mãe pelo celular, três dias depois de ser eleita.

A filha de marceneiro e dona-de-casa, que nunca havia viajado de avião e o local mais distante que conhecia era Santa Catarina, viu sua vida começar a se transformar assim que recebeu a faixa de Miss Brasil, na quinta-feira, 15/04/2004.

"Costumo brincar que dormi representando um Estado e acordei com mais 26. É uma responsabilidade maior", disse ela. Independente do resultado do resultado do concurso Miss Universo, Fabiane Niclotti deixou claro que quando entregasse a coroa no próximo ano, 2005, pretendia retomar a vida de onde parou: "Vou terminar o meu curso de enfermagem e estudar administração hospitalar, tenho o sonho de fundar um pronto-socorro ou uma clínica em Gramado!".

Morte

Fabiane Niclotti foi encontrada morta na noite de terça-feira, 28/06/2016, em Gramado, RS. Segundo a Delegacia de Polícia Civil tudo indica que foi suicídio. No município, o comentário é que Fabiane Niclotti sofria de depressão. A informação foi confirmada pelo irmão da vítima, Maico Niclotti, ao prestar depoimento. Ainda segundo a apuração da Polícia, Fabiane Niclotti já teria tentado se matar outras vezes. Também de acordo com a delegacia, o irmão da modelo relatou ter tentado telefonar para ela diversas vezes ao longo do dia. Fabiane Niclotti não atendeu as ligações e então ele chamou a polícia.

Os agentes entraram na casa por volta de 22h30 e encontraram o corpo de Fabiane Niclotti. Ela estava sozinha na residência, não havia ferimentos e nenhuma lesão no corpo da moça, o que reforça a hipótese de suicídio. A perícia foi acionada e deslocada até a casa, que fica em um condomínio residencial no centro da cidade.

Muito abalado, Maico Niclotti foi o único familiar a comparecer na delegacia para prestar depoimento. O inspetor Gustavo Celiberto Barcellos  contou que a mãe de Fabiane Niclotti precisou ser hospitalizada ao receber a informação da morte da filha. Barcellos também disse que o corpo da modelo deve ser liberado pelo Instituto Médico Legal ainda na quarta-feira, 29/06/2016.

Posted: 28 Jun 2016 08:06 PM PDT
HÉLIO DE CARVALHO GARCIA
(85 anos)
Advogado, Pecuarista, Produtor Rural e Político

☼ Santo Antônio do Amparo, MG (16/03/1931)
┼ Belo Horizonte, MG (06/06/2016)

Hélio de Carvalho Garcia foi um advogado e político brasileiro, governador de Minas Gerais por duas vezes. Filho de Júlio Garcia e Carmelita Carvalho Garcia.

Advogado formado em 1957 pela Universidade Federal de Minas Gerais, era também pecuarista e produtor rural, condições que o levaram à secretária-geral da Federação da Agricultura do Estado de Minas Gerais.

Eleito deputado estadual pela União Democrática Nacional (UDN) em 1962, liderou o governo Magalhães Pinto na Assembleia Legislativa e posteriormente foi secretário de Justiça, acompanhando o governador no ingresso à Aliança Renovadora Nacional (ARENA) sendo eleito deputado federal em 1966.

Após encerrar sua estadia em Brasília, afastou-se da vida política até que o governador Aureliano Chaves o nomeou presidente da Caixa Econômica de Minas Gerais.

Eleito deputado federal em 1978, acompanhou Tancredo NevesMagalhães Pinto rumo ao Partido Popular (PP), entretanto a legenda teve vida efêmera sendo incorporada ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) em dezembro de 1981.

Eleito vice-governador de Minas Gerais em 1982, foi escolhido prefeito de Belo Horizonte em abril de 1983 pelo governador Tancredo Neves, a quem sucedeu em 1984 quando o titular renunciou para disputar a presidência da República.

Avalista político das vitórias de Sérgio Ferrara como prefeito de Belo Horizonte em 1985 e de Newton Cardoso como governador de Minas Gerais em 1986, saiu do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e permaneceu fora da política até voltar ao Palácio da Liberdade pelo miúdo Partido das Reformas Sociais (PRS) em 1990.

No curso do mandato ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e encerrou a carreira política. Sequer realizou a intenção de candidatar-se a senador em 1998.

Morte

Hélio de Carvalho Garcia morreu na manhã de segunda-feira, 06/06/2016, aos 85 anos, em Belo Horizonte, MG. Segundo o Hospital Unimed, ele deu entrada no dia 28/05/2016 com quadro de pneumonia grave e faleceu em decorrência de insuficiência respiratória. O governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel, decretou luto oficial de três dias no Estado.

O velório de Hélio Garcia aconteceu no Cemitério e Crematório Parque da Colina, a partir das 14h00. O corpo de Hélio Garcia foi cremado no fim da tarde desta segunda-feira, 06/06/2016, em Belo Horizonte. O caixão foi coberto com as bandeiras do Estado e do Brasil e depois carregado por cadetes da Polícia Militar até o salão do velório.

Um familiar disse que Hélio Garcia não queria homenagens. Disse também que, desde 2006, por motivo de doença, o político estava interditado pela família e privado da administração dos bens. Hélio Garcia deixou três filhas.

Fonte: Wikipédia e G1
Posted: 28 Jun 2016 06:52 PM PDT
ROBERTO DUVAL
(72 anos)
Ator e diretor

☼ Santana do Livramento, RS (1913)
┼ Fortaleza, CE (1985)

Roberto Duval, nome artístico, foi um ator e diretor brasileiro. Nasceu no Rio Grande do Sul, no município de Santana do Livramento e faleceu no Estado do Ceará, na capital Fortaleza. A causa de sua morte é desconhecida, assim como existe uma dificuldade muito grande de localizar fatos sobre sua vida.

Roberto Duval foi casado com a atriz Célia San Martin, estava aposentado na época de seu falecimento e está sepultado no cemitério de Caucaia, CE.

Trabalhou em vários filmes brasileiros, em sua maioria nos filmes de MazzaropiRoberto Duval atuou no cinema, teatro e televisão. Seu papel mais marcante foi Vaca Bravam no filme  "Jeca Tatu", em 1959.

Fonte: Wikipédia
Indicação: Mauro Moreira

30/6 - Doutrina de Choque à brasileira

FONTE:http://outraspalavras.net/brasil/bela-recatada-e-do-lar/


Doutrina de Choque à brasileira

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Crise econômica aprofunda-se, mas saiu das manchetes dos jornais. Foi usada para derrubar governo e promover retrocessos sociais. Agora, pode voltar a ser bela, recatada e do lar
Por Laura Carvalho
Aos que vivem dentro das muralhas que protegem o Norte, pode parecer que nos tornamos de vez um país de selvagens. Anátemas no governo Dilma, agora há grande tolerância com o deficit elevado, o índice inflacionário do mês passado, os reajustes no salário de magistrados e mesmo com as pedaladas fiscais, hoje consideradas uma forma legítima de redução da dívida. A ausência de qualquer proposta para a retomada do crescimento não desafina o coro dos contentes.
O livro A Nova Razão do Mundo, dos franceses Christian Laval e Pierre Dardot, recém-lançado pela Boitempo, nos ajuda a entender o fenômeno. O neoliberalismo não seria uma doutrina econômica, e sim um instrumento de desativação do jogo democrático. Já dizia Margaret Thatcher – referência da presidente interina do BNDES: “A economia é o método. O objetivo é mudar a alma”.
A nova razao do mundo_jpeg
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A teoria econômica vem se mostrando bem-sucedida em evitar as consequências de uma radicalização da democracia pela conquista de direitos e cidadania. A solução, sob o véu da técnica, é criar outra forma de sujeição. A liberdade menor é travestida de liberdade maior. Vende-se a ideia de que a falta de liberdade deriva da submissão a um sujeito para o qual a sociedade não deve nada: o Estado. Uma doutrina que promete a liberdade de escolha, mas é vendida sempre sob o slogan da falta de alternativas.
E aquele Estado, potencial garantidor das demandas dessa mesma sociedade por mais proteção social, melhores serviços e maior igualdade de tratamento, torna-se um inimigo. Não só no discurso mas também na prática, pois a tal doutrina econômica encarrega-se de mantê-lo sob o controle das oligarquias.
Friedrich Hayek, em sua visita ao Chile de Pinochet, não hesitou em deixar clara a sua preferência por “uma ditadura liberal, em vez de um governo democrático desprovido de liberalismo”. Hayek, aliás, esteve presente – com Ludwig Von Mises – na reunião de 1938 em Paris que cunhou o termo “neoliberalismo”, em uma reação ao que ambos enxergavam como uma ameaça quase tão perigosa quanto o nazismo e o comunismo: o surgimento da social-democracia, aquela do New Dealde Roosevelt e do incipiente Estado de Bem-Estar Social britânico.
Mas foi nas crises que a agenda ganhou mais terreno. Afinal, seus teóricos costumam aproveitar-se da distração da população para impor políticas impopulares, como documentou Naomi Klein em seu livro “A Doutrina do Choque”. Tendo aprendido bem com o golpe chileno, Milton Friedman chega a descrever o furacão Katrina como uma “oportunidade para reformar radicalmente o sistema educacional de Nova Orleans”. A maior parte do sistema de ensino público da cidade foi privatizada em 19 meses.
A crise econômica brasileira também se mostrou uma oportunidade de ouro para bloquear agendas democráticas crescentes – das mulheres, dos movimentos sociais, das minorias e da juventude – e viabilizar uma agenda ideológica de redução do tamanho do Estado.
A economia então sai de cena, estúpido, com o dever cumprido. Já pode descansar nestas últimas páginas de jornal, onde continuará a receber com pompa seus amigos de longa data. Sai das ruas para voltar a ser bela, recatada e do lar.
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Economista pela UFRJ e PhD pela New School For Social Reseach, em Nova York. Professora na FEA-USP.

30/6 - Boulos: onde está o “rombo” da Previdência

FONTE:http://outraspalavras.net/brasil/boulos-onde-esta-o-rombo-da-previdencia/


Boulos: onde está o “rombo” da Previdência

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PARECE, MAS NÃO É: Grafite de Edgar Mueller no solo. Artista de rua alemão é conhecido por criar ilusionismo em três dimensões
Vasto estudo da economista Denise Gentil demonstra: Seguridade é superávitária. Ilusão de “déficit” deve-se ao desvio sistemático de receitas para pagamento de juros
Por Guilherme Boulos | Imagem Edgar Mueller
O governo interino de Michel Temer anunciou para as próximas semanas o envio de um projeto de Reforma da Previdência ao Congresso Nacional. A proposta capitaneada por Henrique Meirelles deve incluir idade mínima para aposentadoria e aplicação das novas regras já aos trabalhadores na ativa.
A missão, diga-se, foi preparada pela presidenta Dilma, que defendeu a reforma na abertura do ano legislativo como parte das fracassadas tentativas de angariar apoio no mercado. Agora, o interino e seu ministro-banqueiro querem impô-la goela abaixo dos trabalhadores.
Paralelamente intensifica-se a mistificação da opinião pública, forjando um consenso de que o ataque às aposentadorias é uma preocupação com o futuro e que, sem ele, o país caminharia à bancarrota.
O primeiro mito é de que os brasileiros se aposentam mais cedo que a maior parte dos trabalhadores do mundo. E que, com o aumento da expectativa de vida por aqui, nos tornamos um caso único e insustentável.
Vamos aos números. Nas regras atuais, para obtenção de aposentadoria integral, os homens precisam da combinação de 60 anos de idade com 35 de contribuição, e as mulheres, 55 de idade com 30 de contribuição. É o chamado fator 85/95, aprovado em 2015. A expectativa de vida média no país é hoje de 75 anos.
O economista da Unicamp Eduardo Fagnani fez o comparativo: “No caso da aposentadoria por tempo de contribuição, o patamar 35/30 anos é superior ao estabelecido na Suécia (30 anos) e se aproxima do nível vigente nos EUA (35 anos), Portugal (36), Alemanha (35 a 40) e França (37,5), por exemplo. Como se sabe, esses países têm renda per capita bastante superior à brasileira e a expectativa de vida ao nascer é superior a 80 anos”.
O Brasil, diz ele, tornou-se um ponto fora da curva pela razão inversa. A aprovação do fator previdenciário em 1998 estabeleceu padrões de aposentadoria mais duros que a média internacional, em prejuízo dos trabalhadores.
O segundo mito, repetido à exaustão, é o do rombo da Previdência Social. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou recentemente que a Previdência terá um déficit de R$136 bilhões neste ano, seguindo a trajetória dos anos anteriores. As receitas da Previdência, portanto, seriam sistematicamente menores que o gasto com aposentadorias. Daí a necessidade da reforma.
Num extenso trabalho, a economista da UFRJ Denise Gentil mostrou que esse cálculo é falacioso. Acima de tudo, desrespeita a normatização do sistema de Seguridade Social pela Constituição.
A contabilização do déficit considera como receita da Previdência apenas os ingressos do INSS que incidem sobre a folha de pagamento. Desconsidera outras fontes estabelecidas expressamente pelo artigo 195 da Constituição, tais como a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), Cofins (Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social) e as receitas de concursos de prognóstico (resultado de sorteios, como loterias e apostas).
Essas fontes estão atreladas constitucionalmente ao sistema de Seguridade Social. O dito rombo da Previdência é resultado do direcionamento indevido delas a outras finalidades, notadamente o pagamento da dívida pública.
A professora Denise estudou um período de 15 anos, esmiuçando como a manobra que mistura o orçamento da Seguridade Social com o orçamento fiscal produz a ideia do rombo.
E não se trata apenas de uma sutileza contábil. O que está em jogo é a disputa do fundo público entre o necessário pagamento das aposentadorias ao trabalhador brasileiro e o financiamento de agiotas internacionais, com os juros escorchantes da dívida.
Meirelles e sua turma têm um lado bem definido nesta disputa. Com os argumentos falaciosos do “rombo” e das “distorções”, querem na verdade retirar direitos adquiridos, penalizando os setores mais vulneráveis. Aliás, não os vemos questionar o pagamento de pensões vitalícias a familiares de militares nem o acúmulo de benefícios pelos ministros do Superior Tribunal Militar.
Colocando os mitos de lado, a marca desta reforma da Previdência é atacar os direitos dos trabalhadores, mantendo intocados os privilégios.
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30/6 - Michel Löwy tenta compreender Francisco

FONTE:http://outras-palavras.net/outrasmidias/?p=327760


Michel Löwy tenta compreender Francisco

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Para filósofo marxista, que estuda Teologia da Libertação há décadas, Papa vai além da defesa dos pobres e busca alternativas à própria lógica da mercantilização. Ele acrescenta: esquerda deveria inspirar-se nas igrejas para retomar trabalho de base
Entrevista a Gabriel Brito, no IHU
O papado de Francisco continua a alvoroçar o catolicismo e a opinião pública mundiais, num pontificado que, ao lado da promessa de fomento à “opção pelos pobres”, tem ousado fazer críticas às engrenagens de um capitalismo em crise em níveis bem acima do esperado. Para discutir o papel daquele que muitos consideram o maior líder político da atualidade, o Correio da Cidadania entrevistou o filósofo franco-brasileiro Michael Löwy, estudioso da Teologia da Libertação.
“Obviamente, ele pretende levar a sério o compromisso da Igreja com os pobres, suprimir os vínculos dos bancos do Vaticano com a máfia e tentar reduzir o poder conservador da Cúria Romana. Sua tentativa de elaborar uma concepção um pouco mais aberta da família e da sexualidade foi diluída pelo Sínodo dos Cardeais… Há muitas resistências. Parece que os setores mais reacionários da Igreja têm uma prece especial sobre Bergoglio: ‘Nosso Pai que está no Céu, ilumine-o ou… Elimine-o’”, pontuou.
Ao mesmo tempo em que reconhece o papel e importância do novo papado, Löwy contrabalança parte da visão otimista que existe hoje relativamente às posturas de Francisco. Não por conta da polêmica em relação à ditadura argentina, mas por ponderar que a crítica ao capitalismo e aos modos de acumulação fazem parte da tradição da Igreja. O filósofo faz questão, de toda forma, de ressaltar, que “a esquerda deve tratar com respeito as convicções religiosas e considerar os militantes cristãos de esquerda como parte essencial do movimento de emancipação dos oprimidos. A teologia da libertação nos ensina também a importância da ética no processo de conscientização e a prioridade do trabalho de base”.
Na entrevista, Löwy também comenta o encontro do Papa em Havana com o patriarca Kiril, líder da Igreja Ortodoxa russa, e avalia a possibilidade de união entre as três grandes religiões monoteístas frente ao capitalismo, entre outras observações que podem ser lidas na íntegra a seguir.
Correio da Cidadania: Quem é Papa Francisco? O que pretende?
Michael Löwy: Gostaria, antes de responder sua pergunta, de homenagear a memória do fundador do Correio da Cidadania, meu querido amigo e companheiro de lutas Plínio de Arruda Sampaio, um cristão socialista comprometido com a luta do povo brasileiro por sua emancipação, um adversário intransigente da ditadura militar, do latifúndio, do imperialismo e do perverso sistema capitalista. Sua vida foi um exemplo de coerência ética e política, de dignidade e de coragem.
Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, não era considerado um homem de esquerda. Seu comportamento durante a ditadura militar argentina é um exemplo de “pecado por omissão”: não apoiou e tampouco se opôs ao regime. Não é, portanto, surpreendente que tenha sido eleito Pontifex Maximum pelo mesmo conclave que havia eleito Ratzinger – Bento XVI – pouco tempo antes.
Entretanto, apenas eleito, surpreendeu por uma sucessão de iniciativas corajosas, a começar pela visita a Lampedusa, para denunciar o tratamento dado pela Europa aos refugiados (muçulmanos em sua maioria). Em relação à Teologia da Libertação, sua atitude é radicalmente distinta da dos dois pontífices anteriores: Gustavo Gutierrez foi convidado ao Vaticano e o processo de canonização de Monsenhor Romero, aberto. Se lemos atentamente as encíclicas de Bergoglio, percebe-se a influência de uma corrente importante do catolicismo da Argentina: a Teologia da Libertação não-marxista, representada por pensadores como Juan Carlos Scannone.
Obviamente, ele pretende levar a sério o compromisso da Igreja com os pobres, suprimir os vínculos dos bancos do Vaticano com a máfia e tentar reduzir o poder conservador da Cúria Romana. Será que conseguirá? Sua tentativa de elaborar uma concepção um pouco mais aberta da família e da sexualidade foi diluída pelo Sínodo dos Cardeais… Há muitas resistências. Parece que os setores mais reacionários da Igreja têm uma prece especial sobre Bergoglio: “Nosso Pai que está no Céu, ilumine-o ou… Elimine-o”.
A encíclica Laudato Si ataca frontalmente o sistema capitalista. O que isto significa vindo de um Papa?
Bergoglio não é marxista e a palavra “capitalismo” não aparece na Encíclica. Mas fica muito claro que para ele os dramáticos problemas ecológicos de nossa época resultam das “engrenagens da atual economia globalizada”, engrenagens que constituem um sistema global, “um sistema de relações comerciais e de propriedade estruturalmente perverso”.
Quais são, para Francisco, estas características “estruturalmente perversas”? Antes de tudo, é um sistema no qual predominam “os interesses ilimitados das empresas” e “uma discutível racionalidade econômica”, uma racionalidade instrumental que tem por único objetivo aumentar o lucro. Para o Papa, esta perversidade não é própria de um país ou outro, mas de “um sistema mundial, onde predominam a especulação e o princípio de maximização do lucro, e uma busca de rentabilidade financeira que tende a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e o meio ambiente. Assim, se manifesta a íntima relação entre degradação ambiental e degradação humana e ética”.
A obsessão do crescimento ilimitado, o consumismo, a tecnocracia, o domínio absoluto da finança e a divinização do mercado são outras características perversas do sistema. Em sua lógica destrutiva, tudo se reduz ao mercado e ao “cálculo financeiro de custos e benefícios”. Mas sabemos que “o meio ambiente é um desses bens que os mecanismos de mercado não são capazes de defender ou de promover adequadamente”.  O mercado é incapaz de levar em conta valores qualitativos, éticos, sociais, humanos ou naturais, isto é, “valores que excedem cálculos”.
O poder “absoluto” do capital financeiro especulativo é um aspecto essencial do sistema, como revelou a recente crise bancária. O comentário da Encíclica é contundente: “a salvação dos bancos a todo custo, fazendo a população pagar o preço, confirma o domínio absoluto das finanças que não têm futuro e só pode gerar novas crises, depois de uma longa, custosa e aparente cura”.
Sempre associando a questão ecológica e a questão social, Francisco constata: “a mesma lógica que dificulta tomar medidas drásticas para inverter a tendência ao aquecimento global é a que não permite cumprir com o objetivo de erradicar a pobreza”.
TEXTO-MEIO
Existe uma longa tradição de crítica do capitalismo liberal, ou dos “excessos ” do capital na Igreja Católica. Mas nenhum Papa foi tão longe nesta condenação como Francisco.
Em 12 de fevereiro, Papa Francisco e o e o Patriarca Kirill, encontraram-se em nome de suas igrejas quase 1.000 anos após o cisma, em Cuba, e assinaram um documento que contém este texto:
“O nosso encontro fraterno teve lugar em Cuba, encruzilhada entre Norte e Sul, entre Leste e Oeste. A partir desta ilha, símbolo das esperanças do “Novo Mundo” e dos acontecimentos dramáticos da história do século XX, dirigimos a nossa palavra a todos os povos da América Latina e dos outros continentes”.
Um “Novo Mundo” na visão dos dois líderes religiosos é um mundo socialista?
Francamente, não atribuo tanta importância a este encontro, que tem mais a ver com a diplomacia das relações inter-religosas do que com a revolução cubana… O “Novo Mundo” de que falam não é o “mundo socialista”, mas simplesmente o continente americano, designado há séculos como “Novo Mundo”. O conceito de “socialismo” não faz parte do vocabulário de nenhum do dois líderes religiosos.
O que a Teologia da Libertação tem a ensinar para a esquerda mundial, considerando suas diferentes correntes de pensamento?
Em primeiro lugar, ela nos ensina que a religião pode ser outra coisa, diferente de simples “ópio do povo”. Aliás, Marx e Engels já haviam previsto a possibilidade de movimentos religiosos com uma dinâmica anticapitalista. A esquerda deve tratar com respeito as convicções religiosas e considerar os militantes cristãos de esquerda como parte essencial do movimento de emancipação dos oprimidos. A Teologia da Libertação nos ensina também a importância da ética no processo de conscientização e a prioridade do trabalho de base, junto às classes populares, em seus bairros, igrejas, comunidades rurais e escolas.
Uma unidade política de caráter anticapitalista e anti-imperialista entre as grandes religiões monoteístas (Cristã, Judaica e Islã) é possível no ponto de vista de alguns teólogos e mais, fundamental para superar o capitalismo em escala global. O que pensa sobre isso? É possível superar o capitalismo sem esta unidade?
Não acredito em unidade anticapitalista das “grandes religiões monoteístas”… O que pode existir é uma convergência ecumênica entre correntes progressistas, anticapitalistas, anti-imperialistas, ecologicamente conscientes, em todas as religiões, não só as três que menciona. Por exemplo, o budismo, o hinduísmo, religiões africanas, umbanda, candomblé, religiões indígenas das Américas etc.
Já existem redes progressistas, como a Associação de Teólogos do Terceiro Mundo, que é ecumênica. Não sei se superar o capitalismo sem esta convergência é possível ou não, mas ela é uma contribuição importante para a conscientização de amplas camadas populares.
A igreja católica no Brasil está alinhada ao Papa Francisco?
Boa parte dos bispos da CNBB está alinhada com Francisco. Alguns até gostariam que ele fosse mais longe. Outros, pelo contrário, acham que ele está colocando em perigo a doutrina da fé e tentam colocar obstáculos para suas propostas. Mas a Igreja brasileira, apesar de seus limites, em particular no que concerne ao direito das mulheres sobre seu corpo – divórcio, contracepção, aborto – é uma das mais progressistas do mundo católico.
Objetivamente, Papa Francisco tem condições de criar uma unidade internacional de caráter progressista para enfrentamento ao capitalismo?
Não! Nem objetivamente, nem subjetivamente. O Papa não se coloca tarefas deste tipo! Para enfrentar o capitalismo necessitamos da unidade internacional dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, dos indígenas, dos explorados e oprimidos, que são a esmagadora maioria da humanidade. O Papa poderá, eventualmente, contribuir para uma tomada de consciência social e ecológica de um amplo setor dos fieis católicos. Já é muito!
A “Opção Preferencial pelos Pobres”, conjunto de ideias e ações práticas contrárias à lógica da acumulação e retenção de capital do atual sistema político e econômico, se colocada plenamente em prática resultará em confrontos violentos. Como se posicionará o Papa neste cenário, em sua avaliação?
A Igreja, tradicionalmente, busca “evitar” os confrontos violentos. Mas na Conferência de Medellín dos bispos latino-americanos, em 1968, foi adotada uma resolução importante que reconhece o direito de insurreição do povo contra tiranias e estruturas opressivas. Como sabemos, alguns membros do clero levaram sua opção libertária e seu compromisso com a luta dos pobres até as últimas consequências, participando de movimentos armados de emancipação.
Foi o caso de Camilo Torres na Colômbia, que resolveu aderir ao Exército de Libertação Nacional e foi morto em combate em 1966. Poucos anos depois, um grupo de jovens dominicanos deu seu apoio à ALN, dirigida por Carlos Marighella, no combate contra a ditadura militar. E nos anos 1970, os irmãos Cardenal e vários outros religiosos participaram da Frente Nacional de Libertação da Nicarágua.
É difícil prever, no momento atual, que tipo de “confrontos violentos” se darão contra o sistema capitalista, e menos ainda qual será a posição do Papa Francisco frente a uma situação deste tipo.
Mudando de assunto, mas para não deixar escapar a oportunidade, como você enxerga o atual momento político brasileiro? Que desfecho gostaria que a crise política, econômica, social e ética tivesse?
Vejo a conjuntura brasileira atual com muita preocupação. Tenho muitas críticas ao governo de Dilma Rousseff, fez demasiadas concessões ao capital financeiro, aos bancos, aos latifundiários e tomou várias medidas opostas aos interesses das classes populares. Por outro lado, não posso deixar de manifestar um repúdio categórico à aprovação do processo de impeachment que afastou a presidente, um verdadeiro golpe de Estado pseudo-legal.
É uma verdadeira farsa tragicômica o que acaba de se passar no Congresso: uma quadrilha de gângsteres políticos, comprometida com os escândalos de corrupção, derruba a presidenta democraticamente eleita – um dos poucos políticos não acusados de corrupção, – por supostas “irregularidades administrativas”. Tudo isso em nome de “Deus”, da “Pátria”, da “Família”, se escondendo atrás da bandeira nacional. Sem falar nos adeptos da ditadura militar e dos métodos de tortura do coronel Ustra. Uma vergonha!
É triste ver como o Partido dos Trabalhadores, que em sua origem tinha uma grande coerência ética e política, acabou sendo envolvido no escândalo da Petrobras. Mas ele está longe de ser o único! É absurdo pretender, como o faz a média conservadora, que o PT tem o monopólio da corrupção: os principais dirigentes da oposição, a começar pelo famigerado Eduardo Cunha – e dezenas de outros, do PSDB, do PMDB, do PP etc. – estão comprometidos com o “assunto”.
Minha esperança é que a Frente Brasil Popular, que inclui partidos de esquerda e movimentos sociais, consiga seus objetivos: ao mesmo tempo impedir o golpe e obrigar o governo de Dilma a romper com as políticas neoliberais. Só uma ampla mobilização do povo brasileiro, dos trabalhadores, da juventude, das mulheres, dos negros, de todos os explorados e oprimidos, poderá por um fim à tentativa da oligarquia reacionária de tomar o poder e acabar com a democracia no Brasil.
Minhas simpatias vão ao Partido do Socialismo e da Liberdade (PSOL), um dos poucos a não estar comprometido com Lava Jatos e outras ignomínias; ele é, a meu ver, o digno herdeiro do que de melhor havia no PT das origens, quando ainda se propunha a acabar com o grande inimigo dos trabalhadores e da democracia: o sistema capitalista.
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