quarta-feira, 27 de julho de 2016

27/7- COMUNICADO DESTE BLOGUEIRO

Comunico às minhas amigas e meus amigos que este blog estará em manutenção a partir de amanhã, dia 28 até o dia 1º de agosto.
Espero a visita de vocês a partir do dia 2.
Grande abraço.

27/7 - Altamiro Borges DE 26/7

Altamiro Borges


O desmonte patrocinado pela Lava-JatoPetrobras prepara onda de demissões
Posted: 26 Jul 2016 12:08 PM PDT
Por Altamiro Borges

O jornal Estadão informa nesta terça-feira (26) que a Petrobras, agora sob o comando do golpista Pedro Parente, prepara uma nova onda de cortes na estatal. “A Petrobrás planeja um Plano de Demissão Voluntária (PDV) para a BR Distribuidora, que será estendido aos funcionários de todas as subsidiárias colocadas à venda. O plano já foi aprovado pela diretoria executiva, mas ainda depende do aval do conselho de administração. A medida reforça a estratégia da companhia de reduzir seu tamanho. Será o segundo PDV realizado pela petroleira só este ano. Com o primeiro, a companhia espera desligar até 12 mil funcionários e economizar R$ 33 bilhões em quatro anos”, revela o jornalista Antônio Pita.

Ainda de acordo com a reportagem, “a decisão de abrir um novo PDV para as empresas a serem vendidas foi informada pelo diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino Ramos, em comunicado interno. De acordo com o documento, o programa ‘será automaticamente lançado em todos os ativos que venham a ser objetos de parceria ou desinvestimento’. Ao jornal Estadão, a Petrobrás confirmou decisão, mas indicou que ainda não há definição de metas, custos de indenização, critérios ou prazos. Na carta, o diretor Celestino disse não ter resposta para todas as dúvidas dos trabalhadores. ‘Não deixem que especulações ou suposições interfiram no nosso trabalho’, disse”. Haja cinismo e medo!

A explosão de revolta dos petroleiros

A conversa fiada do diretor da estatal – corroborada pelo jornal privatista da famiglia Mesquita – apenas confirma os temores de que o novo facão provocará inevitável revolta da combativa categoria. O próprio Estadão já prevê dias de confronto. “O processo de venda de ativos, visto como fundamental para sanear as finanças da estatal, despertou fortes reações contrárias de trabalhadores e deixou o clima tenso... Os sindicatos já articulam uma greve no próximo mês contra o que consideram ‘entreguismo’. ‘Se depender do sindicato, vamos parar tudo. Já rechaçamos esse entreguismo na década de 90 e não vamos aceitar de novo’, disse Emanuel Cancella, diretor do Sindpetro-RJ. Segundo ele, o sindicato deve aderir ao movimento dos petroleiros do Nordeste, que preparam paralisação de cinco dias, em agosto, contra a venda de campos maduros na região”.

Desde a concretização do “golpe dos corruptos”, em 12 de maio, a combativa categoria já realizou inúmeros protestos – com passeatas, paralisações parciais e caravanas a Brasília. A permanente mobilização, liderada pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), visa defender a Petrobras e a democracia, e tem como o mote o “Fora Temer”. A categoria também não deu um minuto de paz ao presidente interino da estatal, Pedro Parente, rotulado de “mercador”, “privatista”, “neoliberal” e “entreguista”. Para a FUP, o objetivo do covil golpista de Michel Temer é o de desmontar e privatizar a estatal, seguindo o roteiro traçado pelo governo dos EUA e pelas multinacionais do petróleo. O processo de desmonte, que já estava em curso, agora ganhou celeridade com o “golpe dos corruptos”.

Neste processo criminoso de desmonte da Petrobras a midiática Operação Lava-Jato, chefiada pelo sinistro juiz Sergio Moro, teve um papel de relevo. Há fortes desconfianças de que poderosos interesses externos nutriram suas ações destrutivas. Segundo reportagem da insuspeita Folha golpista, publicada no final de março passado, “desde que foram alvejadas pela Lava-Jato, há pouco mais de dois anos, a Petrobras e suas subsidiárias demitiram 169,7 mil pessoas. O corte já representa o equivalente a 61% da equipe atual, que estava em 276,6 mil em fevereiro de 2016. Em dezembro de 2013, eram 446,3 mil pessoas – de cada 10 trabalhadores empregados antes da Lava-Jato, quatro foram dispensados”.

“Os cortes começaram ainda em 2014, último ano da gestão Graça Foster, quando 74,3 mil perderam o emprego, e se intensificaram sob comando de Aldemir Bendine, que cortou 95,4 mil até fevereiro deste ano... Uma análise dos cortes mostra que 85% das demissões ocorreram entre prestadores de serviço que realizavam obras para a companhia. Esse contingente caiu de 175,8 mil pessoas em dezembro de 2013 para apenas 30,8 mil em fevereiro de 2016. A Petrobras foi obrigada a cortar drasticamente os investimentos para preservar seu caixa e tentar reduzir suas dívidas... Além disso, grandes obras foram paralisadas ou reduzidas com as denúncias de pagamento de propina pelas empreiteiras a ex-funcionários da empresa e a políticos”.

Disposição para ir à guerra

Com a concretização do “golpe dos corruptos”, que levou ao poder famosos serviçais das multinacionais – como o “chanceler” José Serra e o “neoliberal” Pedro Parente –, há consenso de que a situação só vai se agravar. A midiática Operação Lava-Jato preparou o terreno para a privatização da estatal, que agora será consolidada pelo covil golpista de Michel Temer. Isto é o que espera, excitadíssimo, o “deus-mercado”, que festejou a indicação do “presidente interino” da companhia, segundo relatos da mídia privatista. Isto também já é dado como certo pelos petroleiros, que se orgulham da capacidade produtiva da estatal e conhece as tramoias históricas para destruí-la.

“O perfil ultraliberal de Pedro Parente o descredencia por completo para assumir o comando de uma empresa que tem sido a âncora do desenvolvimento do país", reagiu a Federação Única dos Petroleiros (FUP) logo que Michel Temer anunciou o nome do “mercador”. Para evitar este desastre, a combativa categoria está disposta a ir à guerra e promete um mês de agosto bem agitado.

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Posted: 26 Jul 2016 12:07 PM PDT
Por Altamiro Borges

Uma informação postada pelo jornalista Ricardo Feltrin nesta segunda-feira (25) talvez ajude a explicar o protagonismo da TV Globo no “golpe dos corruptos” que levou o Judas Michel Temer ao Palácio do Planalto. Em apenas cinco anos, a poderosa emissora perdeu 20% dos seus telespectadores no país. O número impressionante tem como base o Painel Nacional de Televisão, do Ibope, que acompanha a evolução do chamado “share” – o número de aparelhos ligados. “A Globo perdeu pouco mais de 20% de participação; passou de 46,6% das TVs ligadas em 2010 para 36,9% no ano passado”, revela o colunista do UOL.

O resultado desastroso decorre da explosão da internet – que afasta principalmente os jovens da péssima programação televisiva –, mas também deriva da queda de credibilidade do império midiático da famiglia Marinho. No mesmo período em que a TV Globo afundou, a única emissora que ganhou público foi o SBT, de Silvio Santos. Ela teve um crescimento de 8,6% entre 2010 e 2015 – passou de 12,7% para 13,8%. A queda do “share” impacta diretamente o mercado publicitário, afastando os anunciantes. Diante da crise do seu modelo de negócios, a TV Globo talvez negocie com os golpistas algum socorro emergencial.

Netflix abala a TV por assinatura

Se na TV aberta o cenário já é dramático, no segmento da tevê por assinatura o quadro também não é animador. Entre 2014 e 2015, o setor perdeu quase 1 milhão de assinantes. O principal vilão parece ter sido o temido Netflix. Recente pesquisa da CVA Solutions apontou que ao menos uma em cada 10 pessoas que assina o Netflix abandona o seu pacote de TV por assinatura. O fenômeno da tevê por streaming, que cresceu de forma acelerada no ano passado – fala-se em 4 milhões de pagantes –, desespera os barões da mídia. Estima-se que a Netflix tenha faturado mais de R$ 1 bilhão em 2015.

É evidente que a crise não atinge apenas as televisões – abertas ou a cabo – do Brasil. O fenômeno é mundial. Artigo postado por Keila Jimenez, do site R7, confirma o drama da mídia tradicional. “Não é só no Brasil que a TV por assinatura assiste a uma estagnação do mercado. Segundo dados do setor, a base de assinantes da TV paga no mundo cresceu apenas 1,68% nos primeiros quatro meses de 2016. O maior crescimento foi na Ásia, onde o serviço ganhou 5,3 milhões de novos assinantes no período. América do Sul, do Norte e Central, que representam mais de um terço dos assinantes globais, ganharam apenas 540 mil assinantes em comparação com a base de 1,41 milhão adquirida no primeiro quadrimestre de 2015. Este declínio foi impulsionado pela crise no Brasil, o que levou a uma queda de quase 3% entre 2014 e 2015, de acordo com a Anatel”.

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Posted: 26 Jul 2016 12:05 PM PDT
Por Mauricio Dias, na revista CartaCapital:

Brasília, em recesso parlamentar, reduziu as possibilidades de circulação das banais intrigas políticas. A capital do País, no entanto, aguarda ansiosa a chegada de agosto, que, no calendário da República, é considerado o mais cruel dos meses. Justificam essa referência, entre outras coisas, o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e a renúncia de Jânio Quadros à Presidência, em 1961.

Agosto rapidamente aproxima-se com dois problemaços na pauta.

Um deles é o impeachment, sem crime, contra Dilma Rousseff, temporariamente afastada do governo. O impedimento na verdade é um golpe ainda não consolidado. Os golpistas tentam anular 54 milhões de votos que reelegeram a presidenta, em 2014.

O segundo problema é o julgamento do deputado Eduardo Cunha, afastado temporariamente do mandato por decisão do Supremo Tribunal Federal.

Cunha já é réu no STF. Lá responde a vários processos. Entre eles, o de comandar grande derrame de dinheiro sujo no universo político-partidário, entre outros crimes. Por ter mentido aos deputados, na CPI da Petrobras, ao garantir que não tinha dinheiro fora do País, ele tropeçou na inverdade. Por isso foi condenado na Comissão de Ética da Câmara.

Posteriormente renunciou à presidência da Casa para tentar poupar o mandato. Errou a manobra. Vai ser degolado pelos próprios pares em sessão marcada para a segunda quinzena de agosto.

Dilma e Cunha, por razões bem diferentes, projetam um período de muitos receios para o presidente interino, Michel Temer.

Os movimentos de resistência adotados por Dilma ao longo das viagens por vários estados, quando prega contra o golpe, perturbam as noites de sono de Temer.

Os números governam essa questão do afastamento dela. Na Comissão Especial do Senado, onde é julgada, Dilma pode alcançar os 27 votos dos 81 senadores e voltar a governar.

A chegada de Temer à interinidade presidencial, sem voto e sem apoio dos movimentos sociais, foi determinada pelas ações iniciais de Eduardo Cunha, já então no exercício da presidência da Câmara dos Deputados.

Ao iniciar a vida parlamentar, Cunha parecia uma figura inexplicável, ou indecifrável. Após quatro mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados, a imagem dele no mundo político é explicada por meio de um punhado de adjetivos: audaz, astuto, nefasto, ousado, rancoroso. Marcadamente silencioso. Implacável com os adversários, sempre mostrou uma lealdade canina com os aliados. Alguns deles, cúmplices.

A vida, no entanto, é escrava das circunstâncias. Após ser alcançado pelo braço da Operação Lava Jato, Cunha, um evangélico que mistura religião e política, está ameaçado de ser banido do paraíso. Mais do que isso. A mulher e a filha podem ir junto. As duas estão enroladas nas tramas armadas pelo marido e pai.

Com esse trunfo, o juiz Sergio Moro pode ter estabelecido um jogo de paciência. Talvez já percebido por Cunha. E se ele falar, Michel Temer dança.
Posted: 26 Jul 2016 11:52 AM PDT
Por Paulo Kliass, na revista Caros Amigos:

A cada novo movimento na cena política fica mais clara a presença do DNA tucano nas decisões estratégicas do governo interino. Michel Temer nomeou pessoas ligadas ao PSDB para ocupar postos-chave de sua equipe na Esplanada. Dessa forma, o interino incorpora um elemento de tensão entre os doutrinários do ajuste ortodoxo na área econômica e a voracidade por gastos dos adeptos do fisiologismo da multiplicidade de partidos da base de apoio no Congresso Nacional.

Esse balanço entre essas duas correntes se manifesta em decisões concretas do governo. Um exemplo bem objetivo foi o processo de elaboração e votação da lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). Apesar de toda a crítica realizada ao suposto “descontrole das contas públicas” atribuído ao governo Dilma, a equipe de Temer apresentou uma proposta de LDO prevendo um déficit primário superior a R$ 170 bilhões. Esse é o descompasso previsto de antemão entre as receitas e as despesas ditas primárias - aquelas que não sejam de natureza financeira. Ou seja, trata-se de um buraco orçamentário muito mais elevado do que o observado no ano anterior, antes do afastamento da Presidenta.

Ora, para quem centrou todo o seu combate denunciando as “pedaladas fiscais” e argumentando que aquele seria um mecanismo ardiloso para falsear o rombo existente nas contas do governo federal, tal opção de Temer evidencia apenas que nada foi feito para superar aquelas dificuldades. Ou melhor, muito foi feito. Os cortes vieram nas despesas de saúde, previdência social, educação, pessoal, administração da máquina de governo e outros. Mas o anúncio do déficit de tamanha magnitude tem o significado de liberar o governo para sua gastança especial onde e como quiser até o final do exercício, em áreas que possam ser do agrado de sua base de apoio entre os parlamentares e eventuais demandas de setores empresariais que lhe prestam apoio.

Ajuste “verdadeiro” em compasso de espera até outubro

O detalhe específico desse segundo semestre, que teve início há pouco, refere-se ao pleito de outubro próximo. Por mais que o governo Temer seja simpático às teses do financismo radicalizado, o fato inescapável é que haverá eleições em cada um dos mais de 5.700 municípios brasileiros. Isso significa um processo político envolvendo mais de 20 mil candidatos ao cargo de chefe do Poder Executivo local, além das várias centenas de milhares de candidatos a vereador pelo país afora.

Ora, a pressão de todo esse universo sobre o governo federal e sobre o establishment político é inegável. Cada um dos inúmeros subgrupos da ampla base de apoio federal não pode aceitar uma conjuntura de redução da capacidade das finanças públicas municipais. E muito menos eles se sentiriam confortáveis em carregar nas costas o ônus de medidas impopulares a serem anunciadas pelo governo em Brasília. O governo já é objeto de ampla desconfiança e rejeição. Caso as medidas prometidas nos corredores fossem divulgadas imediatamente, o quadro de isolamento seria ainda mais aprofundado.

Assim, Temer se ancora nessa desculpa vinculada ao calendário político-eleitoral e na necessidade de ver o impedimento de Dilma ser aprovado de forma definitiva em agosto para iniciar o seu governo “de fato”. E já reconheceu mesmo em recente entrevista que algumas “medidas impopulares” serão necessárias mais à frente. Isso significa: passadas as eleições, coisas para o ano que vem.

Cumplicidade mentirosa dos grupos privados de comunicação

O anúncio do pacote de maldades tem a sua cadência determinada pelo tempo das condições da política. Superadas as dificuldades de aceitação perante a sua base de apoio,

O ano de 2017 se apresenta como ideal para esse fim. O governo já conta com um amplo colchão de apoio costurado junto aos grandes meios de comunicação. A simpatia dos principais órgãos de imprensa para com a equipe interina supera os limites do imaginável.
Os instrumentos de manipulação da opinião pública vão desde as tinturas de abordagem tendenciosa para os fatos anunciados até a mentira pura e simples. O clima de torcida organizada pró Temer é indisfarçável e não se admitem críticas nem mesmo quando se trata de apenas observar que as mesmas medidas adotadas por Dilma estão a se repetir na nova gestão. O mantra a ser difundido “ad nauseam” é que a equipe Meirelles/Goldfajn é competente e conta com a simpatia do sistema financeiro. Dessa forma, esses são os pré-requisitos fundamentais para que as intenções sejam positivas e portadoras de pleno sucesso.

Com isso, espera-se nas hostes palacianas estarem pavimentadas as condições para a divulgação do pacote de maldades para 2017.

A questão previdenciária vem sendo martelada insistente e maliciosamente martelada há tempos. Desde o período anterior à consumação do golpeachment, os “especialistas” vêm chamando a atenção para o “déficit estrutural” do nosso Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Na verdade, esse é um antigo sonho de consumo do financismo: botar a mão nesse fundo público bilionário, que movimenta mais de R$ 400 bilhões por ano sob a forma de arrecadação de tributos e concessão de benefícios previdenciários. Os olhinhos dos dirigentes da banca privada tilintam cifrõezinhos dourados só de pensar na possibilidade de se apropriarem de mais essa benesse.

Afinal não cogitam desperdiçar mais essa oportunidade histórica pacientemente construída. Agora fazem parte de um governo que chegou ao poder sem nenhuma legitimidade, pois não precisou sufragar esse programa entreguista junto à opinião da população. Esse é o momento para aproveitar e promover a verdadeira desestruturação desse regime de solidariedade previsto na Constituição de 1988. Para tanto faz sentido a urgência em caracterizar, de forma oportunista e leviana, o quadro atual como a antessala do apocalipse.

Maldades: previdência, limite de gastos e privatização

Outro projeto que visa promover a desconstrução do alicerce central das conquistas estabelecidas no texto da Constituição de 1988 é a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) n° 241/2016. De acordo com a proposição encaminhada pela equipe de Temer para apreciação pelo Congresso Nacional, as despesas da União teriam um teto para o seu crescimento. Assim, os gastos ditos primários somente poderão ser aumentados de acordo com a inflação do período. Ou seja, o crescimento real é nulo. A proposta é claramente prejudicial aos interesses da grande maioria da população, que depende da oferta pública de serviços como saúde, educação, previdência social, entre outros.

Ao iniciar a nova regra em um período onde as despesas com investimento da União e programas sociais já estão sendo comprimidas (lembremo-nos das gestões de Nelson Barbosa, Joaquim Levy e Meirelles à frente do Ministério da Fazenda), a PEC visa comprometer ainda mais a recuperação da capacidade de gasto e investimento do Estado. Por outro lado, é bastante significativo que não haja nenhuma previsão de limitar as despesas financeiras, com pagamento de juros e serviços da dívida pública. Essas rubricas põem crescer o quanto for necessário, mesmo acima dos índices da inflação.

Além disso, o governo diz claramente que pretende retomar com vigor o processo de privatização da economia, recorrendo a várias modalidades de beneficiar o capital privado, que incluem também a venda pura e simples de empresas estatais. Para tanto, volta a combinar o discurso a respeito da carência de recursos por conta do elevado endividamento e o surrado discurso sobre ineficiência intrínseca do setor público e o recurso à ideia surrada do Estado mínimo.

São estas os principais componentes do pacote de maldades que o governo temer deve anunciar em breve. Como se vê, corre-se o sério risco de um enorme retrocesso na desestruturação de importantes instrumentos de promoção de um eventual projeto de desenvolvimento nacional no futuro. A intenção é promover um verdadeiro desmonte na rede de proteção social prevista no texto constitucional, com o aumento quase definitivo da presença do capital privado nos mais variados setores da economia.

* Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal.
Posted: 26 Jul 2016 11:44 AM PDT
Por Renato Rovai, em seu blog:

Não são poucos os bons jornalistas que ainda trabalham na imprensa tradicional. Alguns, aliás, muito bons. Mas o fato é que o jornalismo brasileiro produzido nesses veículos há tempos já virou um fim de feira total.

Entre os motivos que produziram a ruína destaca-se a ocupação de espaços importantes por gente desqualificada. Entre esses, destacam-se Rodrigo Constantino e Marco Antônio Villa.

Ambos foram recentemente demitidos da Veja. Constantino, aliás, não só da Veja, mas também do jornal O Globo.

O serviço de xingamento no atacado a Dilma, Lula e ao PT já havia dado seus frutos. E ele, como bom laranja, foi descartado depois que o suco ficou pronto. Com Villa não foi diferente.

Mas eis que a revista IstoÉ anuncia a contratação de Constantino para iluminar suas páginas e comemorar os 40 anos de existência. E talvez, o último desses tantos anos, porque a revista está à beira da falência.

E não deve ficar só nisso. Na redação comenta-se que Villa também deve aportar por lá.

Antes a IstoÉ revelava talentos. Hoje, celebra refugos.
Posted: 25 Jul 2016 08:31 PM PDT
Por Altamiro Borges

Os tiques nervosos do Judas Michel Temer devem ter piorado nos últimos dias. Uma nota publicada neste final de semana na coluna Radar, da revista Veja, é perturbadora. "Um interlocutor de Eduardo Cunha saiu apavorado de uma conversa recente com o político. Bem ao seu estilo, em que recobre a megalomania com tonitruâncias, o ex-presidente da Câmara soltou uma ameaça retumbante: 'Ficarei conhecido por derrubar dois presidentes do Brasil'", relata o jornalista Maurício Lima. Após chefiar a "assembleia dos bandidos" que detonou a queda de Dilma, o correntista suíço agora ameaça derrubar o aliado que ajudou a tomar de assalto o Palácio do Planalto. O covil golpista está em pânico!

O motivo da "ameaça retumbante" já é conhecido. Eduardo Cunha se acha traído pelo Judas Michael Temer. Após ter liderado o "golpe dos corruptos", ele considera que simplesmente foi descartado como bagaço pelo usurpador. Na alcova, em pleno sábado à noite, ele até tentou um acordo com o interino. Prometeu renunciar ao cargo de presidente da Câmara Federal para manter seu mandato de deputado federal e evitar a prisão. Especula-se que na ocasião o achacador até fez ameaças ao seu ex-aliado. A negociata, porém, parece que desandou. O resultado da eleição para a presidência da Câmara, com a vitória do demo Rodrigo Maia, fez soar o sinal de alerta. O capacho de Eduardo Cunha na disputa, o tal de Rogério Rosso (PSD-DF), foi tratorado sem dó nem piedade pelo Palácio do Planalto.

Derrota humilhante na Câmara Federal

Segundo reportagem da Folha, publicada em 17 de junho, o resultado da votação irritou o jagunço. "A falta de respaldo do presidente interino, Michel Temer, à candidatura de Rogério Rosso na reta final da disputa pelo comando da Câmara causou fúria no ex-presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e no 'centrão', bloco que agrega partidos pequenos e médios e do qual Rosso faz parte... Cunha disse a aliados, em conversas nos últimos três dias, que se sentiu 'traído' e 'abandonado' por Temer, enquanto deputados do 'centrão' afirmaram à reportagem que pode haver retaliação ao governo em votações". 

Já como presidente eleito, o demo Rodrigo Maia ainda humilhou o seu ex-aliado. Em entrevista ao programa "Roda Viva", da TV Cultura, ele afirmou que sua cassação no plenário era inevitável e até fixou a data do abate: "A votação deverá ocorrer na segunda semana de agosto". A mesa da Câmara também determinou o fim de todas as mordomias do ex-presidente - como carros e seguranças - e a entrega da sua luxuosa residência oficial, que oneravam os cofres públicos em quase R$ 500 mil ao mês. A medida foi vista como uma facada desfechada por deputados que foram financiados em suas campanhas pelo próprio Eduardo Cunha - fala-se em 120 eleitos com o apoio do lobista.

Nos dias seguintes à votação, as coisas só se agravaram. A Justiça Federal de São Paulo suspendeu o passaporte diplomático do seu filho, Felipe Dytz da Cunha. A regalia era um absurdo, já que o rapaz é dono de quatro empresas - o Itamaraty fixa que só filhos e enteados que não exerçam atividades remuneradas sejam considerados dependentes. A decisão foi encarada como represália pelo vingativo lobista. Para piorar o clima, a Procuradoria Geral da República anunciou que até aceitaria o acordo de delação premiada de Eduardo Cunha, mas com uma condição: a de que ele cumpra alguns anos de prisão em regime fechado. A sensação do lobista é de que o cerco está se fechando!

"Uma granada na mão"

Diante da iminência de ser cassado e até preso - juntamente com a sua esposa e filha -, o correntista suíço parece que está decidido a entregar todos os bandidos, a começar do chefe Michel Temer. Como argumentou a jornalista Natuza Nery, em matéria publicada na Folha no sábado (23), ele já não tem outra saída... "Se perder seu mandato em agosto, ele fica com uma granada na mão. Restará lançar o artefato longe - no colo de outros? - para não ser detonado". E os estragos serão imensos, podendo encurtar de vez o mandato ilegítimo do usurpador Michel Temer. A jornalista é enfática: 

"Eduardo Cunha sabe muito. Em seus 17 meses de domínio (e até mesmo antes de se tornar o mais poderoso presidente da Câmara da história recente), esteve no centro de todas as decisões da Casa. Negociava com banqueiros, industriais, gente graúda do PIB. Pautava tudo que era matéria tributária e distribuía favores a parlamentares. Mandava no PMDB da Câmara, intermediava financiamento de campanha para partidos e aliados. Segundo o jornal 'O Globo', ele chegou a promover encontros de Temer com o empreiteiro Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez. Poderia esclarecer o que motivou a reunião e sobre o que se discutiu ali – até para que não paire dúvida sobre a conduta de ninguém... Abrir o verbo é também uma forma de se redimir do que a Lava Jato lhe imputa. Talvez já esteja chegando a hora de começar a piscar para alguém, quebrar o silêncio. Fala, Eduardo Cunha".

Caso o achacador resolva, de fato, abrir o bico, o covil golpista de Michel Temer poderá implodir em poucos minutos. A edição da revista CartaCapital desta semana traz uma consistente reportagem do jornalista André Barrocal que indica que Eduardo Cunha teria gravado conversas com o usurpador do Palácio do Planalto. O suposto grampo reuniria os segredos sobre as parcerias entre os dois no setor portuário. Ambos teriam atuado para mudar a Lei dos Portos e favorecer o Grupo Libra, que doou R$ 1 milhão para a campanha eleitoral do Michel Temer. Haja tique nervoso!

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Posted: 25 Jul 2016 08:25 PM PDT

Por Cláudio da Costa Oliveira, no site Brasil Debate:

Ninguém escolhe pai e mãe. Mas sejam eles ricos ou pobres, feios ou bonitos, cultos ou incultos, a maioria de nós sente a necessidade de honrá-los.

Honrar pai e mãe não é somente respeitá-los, mas também protegê-los e assisti-los nas suas necessidades, como eles fizeram por nós na infância.

Da mesma forma, ninguém escolhe um país para nascer, mas em maioria entendemos que devemos honrar e defender nossa pátria, tenha ela os problemas que tiver.

O brasileiro tem o hábito de criticar seu país, olhando sempre só os aspectos negativos. Outros países com problemas muito maiores são enaltecidos por seus cidadãos. Talvez o patriotismo se desenvolva pelo enfrentamento de problemas coletivos como guerras, terremotos, tsunamis etc. Coisas que os brasileiros não conhecem.

Mas pior do que criticar seu país é trabalhar contra ele, como vemos no caso do pré-sal. A existência de uma mídia dirigida por interesses estrangeiros não deveria induzir os brasileiros a aceitar dar “de mão beijada” recursos naturais de tamanha relevância.

O fato de terem ocorrido problemas de corrupção e até de má administração na Petrobras, não pode servir de justificativa para que se cometam erros ainda maiores.

Alguém já disse: “A nação que não consegue explorar por conta própria e adequadamente seus recursos naturais jamais será independente.”

É preciso entender que existe uma mídia orquestrada trabalhando sistematicamente em apoio a empresas estrangeiras.

O pré-sal foi descoberto pela utilização de tecnologias próprias da Petrobras, desenvolvidas por seus geólogos e geofísicos.

O primeiro campo no pré-sal (Libra) era uma concessão que foi abandonada e devolvida pela Shell para a ANP, após insucesso na sua exploração. A Petrobras, conhecedora das perspectivas, assumiu aquela concessão e chegou ao pré-sal.

Posteriormente, no desenvolvimento do campo de Jubarte, a jornalista Miriam Leitão já começava a mostrar sua torcida contra a Petrobras e em artigo (set/2008) afirmava: “Antes será preciso dirimir inúmeras dúvidas técnicas sobre a viabilidade da exploração” e “apesar de todo este oba-oba, o fato é que a produção da Petrobras em 2007 caiu e este ano cresceu míseros 2%”. Disse ainda: “Para explorar o pré-sal, a Petrobras precisará adquirir tecnologia no exterior, pois não sabe extrair óleo em tais profundidades. Muitos técnicos deverão vir de fora.”

Também em setembro de 2008 Carlos Alberto Sardenberg completava: “Petróleo do pré-sal só existe na campanha do governo”. De lá para cá, a mídia perniciosa combateu o desenvolvimento do pré-sal sem nenhum pudor.

A campanha no Brasil ganhou eco até no exterior e, no início de 2014, o Washington Post vaticinava: “A euforia brasileira com o pré-sal é um tiro de festim, pois a existência das reservas é questionável e, caso o petróleo exista, vai demorar a jorrar.”

Hoje sabemos que tudo o que diziam eram inverdades. A Petrobras desenvolveu suas próprias tecnologias pelas quais recebeu as maiores premiações dadas na área de petróleo e já alcançou a produção de 1 milhão de barris dia no pré-sal, com custo de extração inferior ao obtido por todas as outras majors.

Mesmo assim, aproveitando os problemas surgidos com a Lava Jato e os balanços da Petrobras “maquiados” em 2014 e 2015, o jornalista Carlos Alberto Sardenberg, no final de abril de 2016, profetizou: “Quebraram a estatal,vamos falar francamente : a Petrobras só não está em pedido de recuperação judicial porque é estatal. Todo mundo espera que em algum momento o governo imprima dinheiro para capitalizar a empresa.”

Nada disso aconteceu e nem vai acontecer. Todas estas notícias têm o único objetivo de levar a opinião pública a aceitar passivamente a entrega do pré-sal para empresas estrangeiras.

Abrahan Lincoln disse: “Só tem direito de criticar aquele que pretende ajudar.” Claramente, os jornalistas citados não têm nenhuma intenção de ajudar a Petrobras.

A Petrobras não tem nenhuma necessidade de acelerar a produção no pré-sal. O consumo brasileiro já está plenamente atendido. Produções adicionais terão de ser exportadas e sem grandes vantagens, pois o preço do barril está baixo. Então, qual a justificativa para esta pressa em transferir as reservas para o capital estrangeiro? O mínimo que podemos dizer é que se trata de um crime de lesa-pátria.

É necessário que nossos parlamentares fiquem atentos para o fato de que a aprovação do projeto de lei 4567/16 do José Serra é uma verdadeira traição ao país.

Com a Petrobras, o Brasil tem competência para explorar o pré-sal sem a ajuda de ninguém. Isto já está mais do que demonstrado. Entregar nossos recursos naturais desta forma é um desrespeito à nação.

Aprovar o PL 4567 é esquecer todos os esforços dispendidos por nossos antepassados na construção de um Brasil melhor.

Aprovar o PL 4567 é rasgar nossa bandeira e apagar nosso hino, pois “o filho deste solo” estará desonrando “a mãe gentil”.
Posted: 25 Jul 2016 08:24 PM PDT
Foto: Mídia Ninja
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Nesta segunda-feira, às seis horas da manhã, a polícia invadiu o Palácio Campanema e expulsou os funcionários e ativistas que ocupavam as instalações da Funarte desde maio, quando o governo interino extinguiu o Minc. Recriada a pasta como arremedo do que era, eles continuaram a ocupação com a bandeira Fora Temer. Foi um aviso: se o golpe for confirmado pelo Senado e Temer efetivado, o recurso à repressão vai se tornar rotineiro no país.

Governos autoritários não escapam de duas tentações: calar as divergências e reprimir as insurgências. Na interinidade, Temer interveio na EBC e investiu contra blogs e sites alternativos cortando seus patrocínios. Até aqui, tolerou as manifestações contra o golpe e contra seu governo, até porque ainda podem ocorrer manifestações pró-impeachment. Até para usar o método dos “dois pesos, duas medidas”, é preciso algum cuidado. Mas depois de agosto, se o golpe prevalecer, não há dúvida. Haverá repressão.

E nem será por impulso irrefreável ao sadismo social. Será uma imposição das circunstâncias. As reformas neoliberais que o governo proporá vão gerar protestos, greves e manifestações, único recurso para tentar evitar a perda de direitos e conquistas. As centrais sindicais podem responder até com a greve geral à reforma trabalhista anunciada. A da previdência terá que mobilizar os jovens, pois eles, mais que os idosos de hoje, é que terão o futuro afetado pelas mudanças. O desmonte de políticas públicas dos anos recentes vai se acelerar, engrossando os protestos. E aí, será inevitável para o governo, por sua natureza autoritária e seus compromissos conservadores, o recurso à repressão.

Os que frequentam as ruas podem começar a recordar as técnicas de enfrentamento do gás lacrimogêneo e outras técnicas policiais de repressão a protestos.
Posted: 25 Jul 2016 08:15 PM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Lê-se no blog de Fernando Rodrigues que Mendonça Filho – segundo Renan Calheiros, nas gravações de Sérgio Machado, o mais corrupto, junto do Pauderney Avelino – vai acabar com o Ciência Sem Fronteiras para estudantes de graduação.

Se é – e não deveria ser – indispensável cortar, de fato, é preferível fazê-lo na graduação do que na pós (mestrado, doutorado e pós-doutorado).

Preferível, mas não desejável.

O problema é que o “Mendoncinha” vai cortar a graduação universitária, diz ele, para ” destinar verbas federais para uma parcela da população que realmente aproveitará de maneira mais eficaz a experiência de passar 1 ano no exterior”.

Como?

Mandando adolescentes de 2º grau para “intercâmbio”, como os destes vendidos pelas agências de viagem, no exterior para…”sobretudo, para o aprendizado de um outro idioma”.

Traduzindo: cursinho de inglês.

Nada contra as famílias que entram em programas de intercâmbio para adolescentes. Mas isso não agrega massa de conhecimento ao país, o que é objetivo do Ciência sem Fronteiras.

A comparação entre o valor per capita um programa de educação superior no estrangeiro e o gasto com merenda escolar é algo que só pode caber na mente de um microcéfalo.

Como se observa no quadro acima, o governo federal gastou R$ 105,7 mil por estudante do Ciência sem Fronteiras contra R$ 94,6 por aluno com merenda escolar. “Uma diferença assim me parece insustentável e não pode continuar”, disse Mendonça Filho.

Se quiserem fazer a conta, este é o custo anual. Dá R$ 8.800 por cada um dos 12 meses. Em dólar – porque é no exterior -, a R$ 3,30 por dólar, dá US$ 2,7 mil. Isso inclui a bolsa (US$ 800 mensais), hospedagem, seguro-saúde( não tem SUS nos EUA), material didático, auxilio para instalação (uma vez, óbvio) e passagem aérea de ida e volta.

Os valores estão aqui e podem ser conferidos por qualquer um.

Querer apontar os jovens do Ciência sem Fronteira como “marajás” é uma estupidez.

É uma canalhice da mesma laia daquela que fica dizendo que eles estão fazendo “turismo”… Como se estudante, em toda parte do mundo, não pegasse uma mochila, uns trocados, e metesse o pé na estrada quando pudesse. Ainda mais que, sobretudo na Europa, é forte a cultura dos “hostels” estudantis, baratinhos, além do que os trens e a proximidade ajudam. Ou lá não tem férias, feriados, etc. E não tem passagem pra vir de férias pro Brasil, não. É uma só.

Os adolescentes que Mendoncinha que mandar pros States para aprender inglês (hoje é exigido um nível de suficiência em língua estrangeira, porque os professores lá não vão explicar em português, óbvio) vão custar o mesmo em todos os itens, exceto na bolsa. Assim mesmo, não muito. E quando viajarem, vai ser para a Disney…

O que tem de ser feito para melhorar a eficiência do programa é criar um período de recolocação na volta ao Brasil, nos moldes da residência médica, com bolsa para se integrarem à pesquisa e ao ensino universitário e não ficarem batendo cabeça porque não tem experiência profissional ou estão desambientados nas instituições onde estavam antes da viagem.

Mas esqueçam. O padrão mental do ministro é semelhante ao de seu consultor, Alexandre Frota.
Posted: 25 Jul 2016 08:12 PM PDT
Por Rosa Maria Marques, no site Carta Maior:

Faz 74 dias que o Senado brasileiro aprovou a admissibilidade do processo de impeachment de Dilma Rousseff e que Michel Temer assumiu interinamente a presidência da república. Espera-se que, no início de agosto, o Senado decida se o impeachment terá prosseguimento, isto é, se Dilma irá a julgamento final. Para a maioria da esquerda brasileira, todo o processo não passou de um simples golpe capitaneado pela direita vinculada ao grande capital e alimentada pelos principais meios de comunicação do país, posto que Dilma não cometeu crime de responsabilidade durante sua gestão. Daí a luta pelo “Fora Temer!”, que se completa com o chamamento de eleições gerais, embora esse complemento não receba unanimidade entre os setores da esquerda.

Desde seu primeiro momento, o governo Temer foi alvo de muitas críticas e provocou a mobilização de vários setores da sociedade. Em seu primeiro mês de gestão, teve que voltar atrás na decisão de extinguir o Ministério da Cultura, três de seus ministros foram substituídos devido a denúncias de envolvimento em casos de corrupção e ficou evidente o desconhecimento de vários de seus titulares da situação e da matéria atinente a sua pasta. Talvez devido a esses fatos e a outros, em muitas das análises da esquerda brasileira o governo Temer seja considerado fraco. Contudo, naquilo que importa para o grande capital, os principais ministérios estão na mão de homens que sabem defender seus interesses, tais como o Ministério da Fazenda, com Henrique Meirelles, e o Ministério das Relações Exteriores, com José Serra. Esse último, além de claramente defender em todas as oportunidades a adesão do Brasil aos tratados de livre comércio, coloca-se contrário à presidência da Venezuela no Mercosul. Nesse caso, não há surpresas, estando tudo dentro do esperado. A grande surpresa ficou por conta de Henrique Meirelles que, ao concretizar o que tinha sido divulgado no documento “Ponte para o futuro” (documento apresentado pelo PMDB, em 2015), foi muito mais além do que se poderia imaginar, sob quaisquer circunstâncias.

Naquele documento, entre seus vários aspectos, era defendido o fim da desindexação de recursos para a educação e a saúde, introduzindo a prática de trabalhar com o chamado “orçamento zero”, de modo que, a cada ano, os recursos destinados a cada área seriam resultado de negociação, elegendo como princípio maior o equilíbrio fiscal de longo prazo. Para garantir a aplicabilidade desse preceito, propunha a criação de um Comitê Independente para sugerir a continuidade ou o fim dos programas governamentais de acordo com os seus desempenhos. Na época, e em outro artigo, já apontava que isso resultaria na diminuição da capacidade de atuação política do poder executivo, isto é, de sua independência, pois, além desse comitê, o documento propunha também a criação de uma instituição que funcionaria como uma autoridade orçamentária. Em outras palavras, tratava-se de introduzir, no aparelho de Estado, práticas existentes nas empresas privadas, tais como auditoria constante e escolhas definidas a partir do critério da economicidade. Assim, não só o executivo estaria tolhido no exercício de suas funções, como dificilmente demandas oriundas de movimentos sociais seriam ouvidas. Não imaginava, na época, nada pior do que estava sendo proposto.

Eis que, em 15 de junho de 2016, Meirelles encaminha um projeto que visa alterar a Constituição brasileira, a chamada PEC 241 (Projeto de Emenda Constitucional 241), instituindo um novo regime fiscal. Esse projeto simplesmente propõe que os gastos federais sejam congelados por vinte anos, tendo como base o efetivamente gasto em 2016. Os valores dos orçamentos dos anos seguintes seriam somente atualizados pelo índice da inflação e seus valores reais poderiam, a depender dos resultados obtidos em termos de equilíbrio fiscal, ser revisados somente depois de dez anos. Evidentemente que essa proposta tem como justificativa o diagnóstico de que todos os males da economia brasileira devem-se à escalada desenfreada do gasto público e que, portanto, esse deve ser freado. A exposição de motivos que acompanha a PEC 241 é cristalina a esse respeito. Mas, no espaço deste pequeno artigo, não é possível se indicar as várias falácias nela contidas. Importa é denunciar a natureza dessa proposta a partir de suas consequências sobre o que se entende por Estado em um regime democrático.

Em um regime democrático burguês, o executivo é eleito pela maioria dos votos e, a partir daí, executa em teoria seu programa, o que é mediado pela representação das demais forças políticas no congresso nacional e pelas demandas dos setores sociais populares organizados. Em outras palavras, o político está sempre presente. No caso do orçamento do governo federal, esse é resultado dos diferentes interesses presentes na sociedade. Esses se manifestam na proposta inicial encaminhada pelo governo, nas emendas e supressões apresentadas pelos parlamentares e no cumprimento da execução dos recursos orçados e planejados em cada área. O que Meirelles está propondo é, portanto, em nome do equilíbrio fiscal, extinguir o funcionamento democrático do próprio Estado burguês. A partir de uma relação de forças específica, congela-se o orçamento por vinte anos, tempo de uma geração.

De meu ponto de vista, a esquerda brasileira não está se dando conta do significado dessa proposta. Tendo a dizer que em parte a desconhece. Fala em ajuste fiscal, tal como falava durante o governo Dilma (principalmente no último período) e como sempre falou, quando recursos eram contingenciados em função da arrecadação. Mas a PEC 241 não é um ajuste. Trata-se da negação da política na esfera fiscal. É a “técnica” se impondo com toda sua força, para fazer valer os interesses mais gerais do grande capital financeiro. Esse é o segundo golpe, e o mais perigoso.

* Rosa Maria Marques é professora titular de economia da PUCSP, presidente da ABrES e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Economia Política (SEP).
Posted: 25 Jul 2016 07:49 PM PDT
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Paula Cesarino Costa está no cargo de ombudsman da Folha de São Paulo há apenas algumas semanas. É preciso destacar esse fato antes de reproduzir trecho de sua coluna deste domingo, 24 de julho de 2016, que tratou de acusações de fraude contra o jornal e o instituto de pesquisas por ele controlado, o Datafolha.

Disse Paula, em coluna sob o sugestivo título “Folha errou e persistiu no erro”:

“Desde que assumi o mandato, nenhum assunto mobilizou tanto os leitores. Do total de mensagens recebidas desde quarta-feira, 62% foram críticas e acusações ao jornal”

A ombudsman, para resumir, considera inaceitável a prática e a explicação da Folha ao esconder informações que dizem o contrário do que o jornal tentou dizer.

Se você for brasileiro (a), interessado (a) por política e não chegou agora de Marte, dificilmente não sabe do que se trata; o Datafolha e o jornal que o controla publicaram pesquisa de opinião que leva água do moinho de Dilma Rousseff para o de Michel Temer.

A pesquisa foi formatada pelo Datafolha para ser divulgada pela Folha de uma forma que induzia o público a crer que, do nada, um expressivo contingente de brasileiros passou a querer que Temer permanecesse no cargo, apesar de que pesquisas anteriores de vários institutos – Datafolha incluído – mostravam, até então, que a esmagadora maioria não quer nem Dilma, nem Temer.

Mas não foi só isso. Diante da tentativa do Datafolha de esconder o apoio a Temer e ao impeachment, passou batido das manchetes e da atenção do público que a rejeição ao ex-presidente Lula teve uma queda para lá de expressiva, de 57% para 46%. Não é nada, não é nada, caiu onze pontos percentuais em poucos meses.

Mas ainda mais impressionante é a queda do apoio ao impeachment. Em março, pesquisa Datafolha mostrou que 68% dos brasileiros aprovavam o processo de impeachment contra Dilma. Agora, esse apoio é minoritário; 49% apoiam o processo, segundo parte da pesquisa que o Datafolha tentou esconder.

No fim, o tiro saiu pela culatra. O intuito da Folha e de seu instituto de pesquisas parece ter sido o de mostrar crescimento do apoio a Temer de forma a pressionar os senadores a aprovarem o golpe contra Dilma, mas o exagero na dose de manipulação não apenas mostrou aos senadores indecisos que o apoio ao impeachment está despencando como, também, tirou credibilidade do Datafolha justamente entre o setor da opinião pública que ainda acreditava na imparcialidade do instituto e do jornal que o controla.

Mas a maior curiosidade nesse episódio foi a ousadia da Folha. A fraude foi grosseira. Será que os autores da manipulação não se deram conta de que era previsível que tantas pessoas se espantassem com a pseudo reviravolta no apoio à permanência de Temer no governo?

Por fim, quase chega a surpreender a desfaçatez com que o golpe vem sendo desfechado. Como golpes são medidas de força, o golpista não fica lá muito preocupado com as evidências de seu crime. Golpista viola a lei porque tem força para fazê-lo. Golpes são dados através da violência, e violência é difícil de disfarçar.
Posted: 25 Jul 2016 08:10 PM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Pouco antes de morrer, o presidente da Editora Abril, Roberto Civita, aproximou-se de banqueiros paulistas. Conseguiu do Itaú-Unibanco uma sobrevida para a empresa.

Um dos banqueiros, mais ideológicos, fez uma última tentativa para manter vivos a Abril e o Estadão. Lançou a ideia de criação de uma fundação que assumisse as duas empresas. Chegou-se, inclusive, ao nome de André Lara Rezende para presidente.

A ideia morreu quando foram abertas as contas de ambas as empresas: eram economicamente inviáveis.

Agora, está próxima do fim a aventura da mais relevante editora de revistas do país.

O crescimento inicial foi fruto da intuição - e dos contatos norte-americanos - do patriarca Victor Civita, que por aqui aportou com a retaguarda dos grupos Disney e Time-Life, quando os americanos se deram conta que a legislação restritiva brasileira não permitiria participação direta no país e as parcerias com o Departamento do Estado conferiam à mídia papel relevante nas disputas ideológicas do continente, decorrentes da Guerra Fria.

A partir dos anos 70, houve um impulso grande no grupo, graças à visão de Roberto Civita. Por incrível que pareça, para quem acompanhou a decadência de Veja, Civita foi um grande editor, inclusive na escolha dos diretores de redação que ajudaram a forjar a glória da empresa. Lançou a revista Realidade, das grandes reportagens, trazendo os maiores nomes da época, Milton Coelho da Graça, Luiz Fernando Mercadante, José Hamilton Ribeiro. Depois, foi buscar Mino Carta no Jornal da Tarde para lançar a 4 Rodas e a Veja. Surgiram as revistas femininas, a Playboy. E fascículos que marcaram época.

A Abril tornou-se uma editora imbatível, inclusive valendo-se de sua força política para obter favores oficiais graúdos, como os incentivos para a rede Quatro Rodas, dados pela ditadura, e os canais de TV a cabo pelo governo Sarney.

As mudanças tecnológicas

Dentre os editores brasileiros, nenhum foi mais antenado que Roberto Civita com as mudanças na mídia. Entendeu o papel da TV a cabo, lançando a TV A, dos satélites como difusores de sinal e da própria Internet, através do lançamento da BOL. Teve experiências bem-sucedidas com produção, com a TV Abril e com a MTV. Sempre foi o primeiro a importar no país as últimas ondas do mercado norte-americano.

A visão de futuro não foi acompanhada de uma estratégia financeira adequada. Uma a uma as experiências fracassaram pela falta de executivos adequadas e por uma praga que assola empresas quando surgem tecnologias matadoras.

Sempre que aparecia uma tecnologia de corte, a ATT criava uma empresa à parte, independente, pois sabia que se fosse desenvolver dentro da própria empresa, a empresa velha mataria a nova.

A Microsoft não aprendeu a lição. Quando surgiram os sistemas operacionais para tablets e celulares, incumbiu a divisão do Windows de desenvolve-los. E os pais do Windows para computadores não quiseram amputar funções para adaptar o sistema aos mobiles. Perdeu o bonde para a Apple e o Google.

Uma a uma, as inovações da Abril foram sendo boicotadas pelos executivos do papel, receosos de perder espaço para os novos setores.

Foi assim com a TV Abril, com a TVA, com a BOL.
O erro da BOL

Um alto executivo da época me contou, certa vez, o boicote sofrido por Antônio Machado que, depois de uma brilhante passagem pela Exame, foi incumbido de colocar em pé o portal da Abril.

Houve alguns erros iniciais, como o de pretender montar uma verdadeira central telefônica para atender as chamadas, em vez das parcerias com pequenos provedores do interior, como fez a UOL. E também a ideia da padronização das revistas, transformando a BOL em uma enorme revista padronizada. Nada que não pudesse ser corrigido, sem tirar da BOL o mérito do pioneirismo e do maior acervo de publicações da jovem Internet brasileira.

De nada adiantou. Civita acabou aceitando a proposta de Luiz Frias de juntar as duas operações, da UOL e da BOL, dando a gestão para o sócio.

Pouco tempo depois, Luiz montou uma parceria com grupos da Portugal Telecom visando diluir a participação da Abril. De um dia para outro anunciou um aumento de capital e, apanhado de surpresa, Civita não conseguiu acompanhar a Folha e acabou diluído. A velha raposa sendo passado para trás pelo jovem empreendedor.

A mesma falta de visão ocorreu com a tentativa mais recente de apostar de novo na Internet, através do portal Abril e da Veja.

Certa vez, um talentoso desenvolvedor brasileiro, que havia criado uma rede corporativa de primeiro nível, me contou que tentou vender a rede para a Abril utilizar em seus portais.

Antes que concluísse a história, pedi para adivinhar o resultado:

- Um dos executivos da Abril rejeitou sua proposta dizendo que a aposta da editora, agora, era em revistas de quadrinhos de baixo custo para a nova classe C.

Ele se espantou:

- Como você sabe?

Porque, na mesma época, a IBM enviou para a Abril altos executivos da IBM norte-americana, para oferecer ferramentas para utilização em portais da Internet. E a resposta foi a mesma.

A aposta na educação

Restava à Abril apelar para a força política da Veja. A partir dos anos 90, Civita assumiu a supervisão direta da revista, envolvendo-a cada vez mais em jogadas políticas e comerciais.

Nos tempos de Mino Carta e da dupla Roberto Guzzo-Elio Gaspari, os diretores alertavam Civita quando poderia ultrapassar os limites do jornalismo para atender aos interesses políticos e comerciais do grupo. A partir dos 90, entraram diretores cada vez mais submissos e sem envergadura jornalística para se contrapor às ordens do chefe. E aí foram lambanças sucessivas.

Sem conseguir avançar em nenhuma frente digital, a Abril concentrou esforços na parte educacional. Adquiriu editoras que vendiam livros didáticos preferencialmente para o MEC (Ministério da Educação) e cursos apostilados para estados e prefeituras, valendo-se da força política da Veja e da estrutura de vendedores de assinaturas para tentar se impor. As escolas eram procuradas por vendedores que convenciam diretores a escolher os livros da Abril na cesta oferecida pelo MEC.

Na gestão Tarso Genro, fechou-se essa porta. O MEC passou a divulgar catálogos dos livros selecionados e a proibir o uso de vendedores. Civita ficou possesso e chegou a telefonar para Tarso Genro, ameaçando-o com uma capa se insistisse na nova política. Não conseguiu intimidar o Ministro.

Seguiu-se uma fase de investimentos intensos no ramo educacional. Uma a uma foram sendo vendidas as empresas coligadas e o dinheiro investido na compra de cursos, para a montagem de um grupo educacional, não apenas com recursos próprios, mas com financiamentos bancários.

Mais uma vez, Civita quebrou a cara pela má escolha de executivos. A presidência do grupo foi entregue a conhecido CEO, conhecido pela megalomania. As compras foram efetuadas por preços muito acima dos de mercado. Em plena corrida da Abril, um concorrente me descreveu a estratégias a cegueira de Civita, de não avaliar os preços dos bens adquiridos.

- As contas não fecham de maneira nenhuma.

As loucuras aconteceram em todos os quadrantes, com a empresa se endividando para apostas irrealistas. Como a proposta para João Dória Jr., para a venda do controle da Casa Cor, uma proposta tão absurdamente alta que o próprio Dória duvidou da sanidade do grupo.

A aposta na direita

Restou a Civita o último berro, a identificação talentosa da nova tendência da opinião pública, de ir para a direita e para teses de intolerância. Trouxe dos Estados Unidos o padrão Rupert Murdock que foi testado pela primeira vez na campanha em defesa das armas.

Com o sucesso obtido, radicalizou. Mais e mais Veja foi se transformando em um lago de detritos, em um esgoto a céu aberto, inventando capas inverossímeis, vendendo-se para jogadas comerciais, como a de Daniel Dantas, aliando-se ao crime organizado de Carlinhos Cachoeira, para garantir o suprimento semanal de escândalos, praticando crimes de opinião, perdendo a cada edição o contato com os fatos e com o jornalismo.

Seu último feito foi liderar um pacto de cartelização da mídia em 2005, que matou qualquer veleidade de jornalismo da parte deles e que tornou a imprensa a maior ameaça à democracia brasileira e à estabilidade política e econômica.

Depois disso, houve a queima de ativos.

A venda da parte educacional deixou a família com caixa. Mas com pouca disposição de colocar dinheiro em uma empresa inviável. Começou, então, um movimento de transferência de títulos para o grupo argentino Caras. Foram transferidos dez títulos (http://migre.me/uqLwz).

Mas os tempos são outros. Apesar da óbvia blindagem recebida do Ministério Público Federal no episódio Carlinhos Cachoeira, a transferência poderia configurar evasão fiscal. A família voltou atrás na estratégia e terminou aportando R$ 450 milhões, única maneira dos credores toparem o refinanciamento das dívidas (http://migre.me/uqLyY), mantendo com aparelhos os sinais vitais da empresa.

Por outro lado, a morte de Roberto Civita impediu que fossem feitos ajustes na linha da Veja. Apenas na véspera do fim, a família tomou medidas para tentar restaurar o jornalismo da revista, tarefa impossível: a revista tornou-se refém da malta que ajudou a criar.

Há, portanto, um ponto em comum entre os Civita e o governo Dilma que eles ajudaram a derrubar: o de fazer as mudanças necessárias com anos de atraso, e quando o desastre se tornou irreversível.
Posted: 25 Jul 2016 08:03 PM PDT
Do site Vermelho:

Em tom de ameaça, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou à Folha de S. Paulo nesta segunda (25) que, caso o Congresso não aprove a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241 – que limita o crescimento dos gastos públicos –, o Brasil terá feito uma “opção errada” e “pagará um preço por isso nos próximos anos”. Esse custo, ele afirma, será a manutenção dos juros altos e o aumento de impostos, tão condenado pelos apoiadores do impeachment, em especial, os empresários da Fiesp.

A PEC 241 pretende impedir o crescimento real das despesas primárias – que não incluem os gastos de natureza financeira. A regra fiscal estabelece que os valores utilizados pelo governo para políticas e programas sociais e investimentos só poderão crescer, no máximo, o valor da inflação do ano anterior, durante os próximos 20 anos.

“Se não for aprovado o teto dos gastos de despesas com saúde e educação, não haverá outra saída, porque nos próximos anos, para financiar este aumento das despesas públicas, só resta aumentar imposto. Sem essa aprovação e posteriormente a da reforma da Previdência, certamente teremos um continuado aumento das despesas públicas obrigatórias e poderemos voltar a ter aumento de prêmio de risco”, disse Meirelles, adepto do terrorismo econômico.

De acordo com ele, só será possível saber ao certo se será necessário aumentar tributos no final de agosto – quando for elaborado o orçamento do próximo ano e após o julgamento final do impeachment da presidenta eleita Dilma Rousseff. Ampliar impostos, afinal, desagradará parte importante da base de apoio ao golpe, em especial os empresários que fazem campanha corporativa pela redução da carga tributária.

Contra o povo

O ministro deixou ainda mais cristalino o caráter antipopular do governo provisório de Michel Temer, ao sobrepor a questão fiscal às garantias sociais contidas na Constituição. Sem nenhum constrangimento, ele reiterou suas críticas aos direitos garantidos na Carta brasileira, que é elogiada em todo o mundo.

“É importante deixar claro que o problema fiscal no Brasil é estrutural, que está baseado inclusive na própria Constituição. (...) Você não pode diminuir despesas previdenciárias por decisão administrativa, não pode reduzir investimentos em educação e saúde. E não pode diminuir salários, é proibido pela Constituição. São necessárias mudanças estruturais. Foi o que propusemos. É a primeira mudança estrutural na questão da despesa pública no Brasil desde a Constituição de 1988”, declarou, sem pudores.

Meirelles externou ainda que é contra um novo programa de refinanciamento de dívidas das empresas com o fisco, conhecido como Refis. “A tentativa de atender a todos é que levou à deterioração da situação fiscal e prejuízo de todos”, opinou.

Segundo ele, para cumprir a esgarçada meta fiscal de deficit R$170,5 bilhões aprovada pelo governo – a maior da história – “se for preciso, adotaremos medidas no campo das receitas e das despesas”.

Na entrevista, Meirelles defendeu que as regras para a repatriação de recursos ilegais que estão no exterior – um projeto do governo Dilma – não devem mudar. Na sua avaliação, os recursos começarão a entrar de forma mais expressiva quando houver a percepção de que não haverá alteração.

Medidas rejeitadas nas urnas pelos brasileiros por quatro eleições consecutivas, as privatizações foram mais uma vez defendidas por Meirelles. Para ele, aeroportos como Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ) – responsáveis pela rota mais movimentada do país – devem ser entregues à iniciativa privada. Segundo o ministro, as estimativas sobre receitas com concessões em geral também só devem ficar mais claras a partir de setembro. Ele reiterou que o governo não deve mexer na desoneração da folha de pagamentos por enquanto, mas que isso não está descartado para o futuro.

Embora Meirelles busque passar a ideia de que o teto para os gastos e o corte de direitos sociais é a única alternativa para o país, vários economistas têm criticado a proposta. Alegam que a PEC inviabilizará a oferta de serviços públicos para a maioria da população e reduzirá a capacidade do Estado de fazer política pública, ao mesmo tempo em que preserva lucros e privilégios de rentistas, por exemplo.
Posted: 25 Jul 2016 08:02 PM PDT
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Esta é mais uma das Cartas aos Golpistas. No futuro, elas poderão ser reunidas num livro que recapitule o golpe de 16.

Caro Temer: você conseguiu destruir até a alegria que deveria preceder um acontecimento como as Olimpíadas.

Você não é apenas um golpista. É um destruidor.

Um destruidor de esperanças, um destruidor de futuro, um destruidor de sorrisos e de alegrias.

Você também é um péssimo exemplo de caráter. Passará para a história como aquele que apunhalou pelas costas 54 milhões de votos.

Você simboliza o atraso no conteúdo e na embalagem, com suas mesóclises arcaicas e com seus maus versos.

Até seu casamento é um clichê: o velho rico e botocado e a linda menina pobre. Ao ver o casal a grande máxima de Nelson Rodrigues é inevitável: “O dinheiro compra até o amor verdadeiro.”

Você não chega a ser um plutocrata. É um servo, é um fâmulo da plutocracia. Foi usado circunstancialmente pelos plutocratas para tirar na marra do poder um governo que cometeu o crime de colocar os miseráveis na agenda.

O povo não reconhece pessoas como você.

Um terço dos brasileiros sequer sabe seu nome. Apenas um entre sete aprova seu governo. Quatro entre dez entendem que você chegou ao Planalto por um processo sujo - e isso mesmo com todo o apoio da imprensa.

Não importa o que aconteça, você já fracassou. Não há nada que você possa fazer para mudar isso. Não há nada que jornais e revistas possam fazer para elevá-lo do abismo a que a traição o conduziu.

Veja, por exemplo, o que ocorreu com a Folha de S. Paulo ao tentar inflá-lo articificialmente por meio de uma fraude numa pesquisa Datafolha.

A Folha saiu desmoralizada. O Datafolha saiu desmoralizado. Até o Globo saiu desmoralizado ao atribuir as críticas a “blogs petistas”, uma canalhice desmentida pela própria ombudsman da Folha, que reconheceu o erro.

E você saiu também desmoralizado: a mídia pode muito, mas não pode transformar um político de terceira categoria num estadista.

Você foi uma vergonha até como interino. Agiu indevidamente como se fosse titular. Usou a caneta provisória para comprar a permanência numa posição que não é a sua. Distribuiu sem nenhum pudor cargos para senadores corruptíveis, que se deixam seduzir pelo brilho frio das moedas.

Caro Temer: cada dia com você é um dia a menos para o avanço do país rumo a uma sociedade menos abjetamente injusta.

Um estadista traz luzes para um país. O senhor traz sombras.

Sinceramente.

Paulo
Posted: 25 Jul 2016 07:51 PM PDT
Por Bepe Damasco, em seu blog:                  

O verdadeiro circo montado pelo ministro fascista da Justiça, Alexandre Moraes, para prender supostos autores de planos de atentado durante as Olimpíadas é só mais um movimento para intimidar as centenas de milhares de brasileiros que, certamente, protestarão contra o golpe parlamentar-judicial-midiático nos dias do megaevento.

A prisão dos hipotéticos terroristas, cujo crime cometido foi ter expressado simpatia pelo islamismo, além da troca de uma ou outra mensagem sobre atentados, nitidamente na base da galhofa, virou piada nas redes sociais. Quem dera Alexandre de Moraes demonstrasse o mesmo rigor para coibir os ativistas digitais que babam ódio na internet, fazendo apologia de crimes como tortura e assassinato de adversários políticos.

Cabe lembrar que, além de já estar em vigor a lei antiterrorismo - uma aberração num sistema que se pretende democrático, infelizmente proposta pelo governo Dilma -, o Rio vive sob estado de calamidade desde 17 de junho, quando o governador em exercício Francisco Dornelles assinou decreto estabelecendo essa situação excepcional.

À essa combinação de elementos corrosivos para o respeito às franquias e liberdades democráticas acrescente-se o fato de vivermos um estado policial que respalda uma quadrilha que assaltou o poder sem um voto sequer. Como "cerejas do bolo", temos o Ministério da Justiça ocupado por um PHD em repressão ao povo e o Gabinete de Segurança Institucional a cargo de um saudoso da ditadura, o general Sérgio Etchegoyen.

Tudo isso atende ao objetivo de amedrontar os que pretendem aproveitar a visibilidade dos Jogos Olímpicos, que atrairá para o Rio de janeiro a mídia do mundo todo, para amplificar as denúncias de quebra da ordem constitucional no Brasil.

Ao contrário da blindagem do golpe operada pelo monopólio midiático brasileiro, entre os principais veículos de comunicação do planeta firmou-se o consenso de que a presidenta Dilma Rousseff foi vítima de um processo de impeachment sem crime, ou seja, de golpe de estado.

E, naturalmente, essa imprensa estrangeira abrirá generosos espaços para o Fora Temer. É isso que tira o sono dos golpistas no Palácio do Planalto, Congresso Nacional, Judiciário (STF incluído), Polícia Federal, Ministério Público, grupos de mídia e organizações empresariais que financiaram a quartelada parlamentar.

Por isso, uma verdadeira operação de guerra está sendo montada para reprimir os manifestantes, contando com enormes contingentes da Polícia Militar, Força Nacional e Forças Armadas. Cercos de meganhas serão formados a grande distância das arenas onde serão realizadas as competições, para impedir a aproximação dos indesejados militantes pró-democracia.

A ideia é "prender e arrebentar" (bordão usado por um general de triste memória, o ex-presidente biônico João Batista Figueiredo) quem ousar exercer o direito constitucional à livre manifestação. E que se dane a democracia. Contudo, o tiro vai sair pela culatra. Essa sanha repressora e selvagem terá, na certa, um efeito bumerangue, colocando mais lenha na fogueira dos protestos. O vampiro usurpador do Planalto que se prepare.