quarta-feira, 31 de agosto de 2016

31/8 - Folha Diferenciada DE HOJE

Folha Diferenciada


Posted: 31 Aug 2016 07:05 AM PDT

Mais do que simplesmente arruinarem a própria biografia, apoiando um golpe bananeiro em pleno século 21, os senadores que votarem pelo impeachment também estarão se associando a um fracasso completo; o governo provisório de Michel Temer já provou ser um fiasco na economia, onde a inflação não cede, o desemprego aumenta, o rombo fiscal dispara e as reformas prometidas foram adiadas a perder de vista; além disso, do ponto de vista criminal, não será possível "estancar essa sangria", uma vez que o próprio Temer está sendo delatado na Lava Jato, segundo revelou ontem Ela Wiecko, que era a número 2 da procuradoria-geral da República; vale a pena matar a democracia por Temer?


247 – Todos os senadores que, nesta quarta-feira 31, votarem a favor de um golpe bananeiro em pleno século 21, serão implacavelmente condenados pela História. Serão lembrados, como bem apontou o senador Roberto Requião, como Auro de Moura Andrade, a quem Tancredo Neves chamou de canalha depois de declarar vaga a presidência da República, em 1964, quando João Goulart ainda estava no Brasil.

Os "Auros" de hoje, apontados por Requião em seu discurso histórico de ontem (reveja aqui), são nomes como Antonio Anastasia (PSDB-MG), relator da farsa, Aécio Neves (PSDB-MG), o mau perdedor de 2014 que atirou o Brasil ao precipício com seu inconformismo, e muitos outros.

Se são "canalhas", como disse Tancredo no passado e Requião no presente, ligam menos para as próprias biografias do que para os próprios interesses. Ainda assim, mesmo para eles, o golpe de 2016, é um mau negócio. Um péssimo negócio.

A começar pela economia. Com Temer, a inflação não cedeu e, mesmo com a valorização cambial e a maior taxa de juros do mundo, analistas de mercado aumentaram a projeção da alta de preços, que, neste ano, ficará acima de 7,5%. A indústria segue encolhendo, o desemprego bateu recorde, chegando a 12 milhões de pessoas, e o resultado fiscal de julho, com um rombo de R$ 18 bilhões, foi o pior de todos os tempos (leia aqui). Aliás, a responsabilidade fiscal tem sido o pretexto para o golpe, mas Temer está conseguindo transformar o Brasil rapidamente numa Grécia, segundo as palavras do seu próprio ministro do Planejamento.

No mercado, os que se deixaram cegar pelo ódio ao PT e à presidente Dilma Rousseff, criaram a teoria de que as reformas prometidas, nos campos previdenciário e trabalhista, virão depois da interinidade, assim como o ajuste fiscal, como se fosse necessário engordar 100 quilos, para depois emagrecer dez. A verdade, porém, é outra. Aliados de Temer no Congresso já dizem que essas reformas ficarão para depois das eleições municipais – ou seja, para depois do Carnaval de 2017.

Se o governo provisório é um fracasso completo na economia, a situação não é diferente no que diz respeito à questão que mais preocupa a classe política: a Lava Jato. Ontem, a crise institucional brasileira subiu mais um degrau quando a subprocuradora-geral da República, Ela Wiecko, revelou que o interino Michel Temer também está sendo alvo de várias delações, para, em seguida, renunciar ao cargo. Ou seja: não será possível atender às expectativas de políticos como Romero Jucá (PMDB-RR), que defendiam o golpe para "estancar essa sangria" da Lava Jato. A menos que o chefe de Wiecko, Rodrigo Janot, tenha decidido se transformar de vez no engavetador-geral da República.

O golpe de 2016, portanto, fracassou.

Fracassou na economia e fracassou na prometida proteção penal aos parlamentares.

Diante disso, a grande questão é: vale a pena matar a democracia e arruinar a própria biografia por um projeto fracassado como o de Michel Temer?


Posted: 31 Aug 2016 06:45 AM PDT


Os movimentos de rua pró-impeachment já mostraram sua cara no atual período eleitoral, se aliando e defendendo grupos já conhecidos por envolvimento em corrupção. No final das contas, o brasileiro ainda não percebeu o significado de "massa de manobra": sim, vocês foram feitos de idiotas.

Chegamos ao final do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Tudo leva a crer que ela será, de fato, afastada de seu cargo após ser eleita por mais de 54 milhões de pessoas.

E tudo o que eu consigo lembrar é da minha adolescência.

Na década passada, a vida de um adolescente não era nada fácil. Facebook não existia, Twitter não existia, Pokemon Go não existia. Mas ainda existiam bandas de rock -- mesmo que hoje eu questione se aquilo realmente era rock.

Nessa minha fase da adolescência a banda Green Day era presença confirmada na minha coleção de CDs. Principalmente quando lançaram o álbum American Idiot, de 2004.

E hoje, 12 anos depois, vejo que esse álbum faz mais sentido do que eu imaginava. Não necessariamente por achar o norte-americano um idiota, mas sim por entender a mensagem: certas coisas podem fazer qualquer pessoa um idiota. E nos últimos anos, o brasileiro acabou se tornando um belo idiota.

Posso parecer arrogante, mas segue um trecho da música que compartilha o mesmo título do álbum:

"Bem, talvez eu que seja o viadinho americano
Porque não faço parte dos planos conservadores
Agora todo mundo siga a propaganda!
E cantem junto na era da paranoia
Não quero ser um idiota americano
Uma nação governada pela mídia
Era da informação histérica
Está chamando a América de idiota"

É só trocar o 'americano' pelo 'brasileiro' e a 'América' por 'Brasil'. Pronto.

Oras, milhões de pessoas foram convocadas pra ocupar as ruas aos domingos desde o ano passado, em uma tentativa de "eliminar a corrupção desenfreada do nosso país". É uma causa legitima, bela, inocente e principalmente idiota.

Manifestações aos domingos de sol com cerveja na mão são tão perigosas quanto o Neymar bravinho com os torcedores.

Você realmente acreditou que com esse tour pela Paulista aos domingos os corruptos tremeriam na base, ficaram com "medinho"?

Pior do que isso são os próprios organizadores dessas manifestações. O talMovimento Brasil Livre, que do liberalismo clássico só carrega a burrice, se dizia apartidário logo no começo. Presença de políticos no carro de som? Nem pensar! Diziam. Agora, é diferente. A Dilma já deve cair, então temos que aproveitar o momento, certo?

Nada melhor do que enfiar um monte de liderança do movimento em partidos políticos como o DEM e PMDB para disputar as eleições e fazer aquilo que o liberal mais gosta: viver com dinheiro do Estado para falar mal do Estado.

O Fernando Holiday, que mais parece um péssimo ator de uma péssima peça de teatro da Augusta, já quer se tornar vereador. Tira fotinhas ao lado do empresário e candidato tucano, João Doria. Antes disso, abraçou o deputado federal Pauderney Avelino (DEM), condenado pela Justiça a devolver R$4,6 milhões aos cofres públicos.

E é bom lembrar: trata-se apenas de um exemplo. Esse grupelho tem vários candidatos, inclusive para a prefeitura de cidades no interior de São Paulo, fazendo alianças com PP, PRB e outros partidos conhecidos justamente por mamar na teta do Estado -- seja roubando ou simplesmente dando uma de Bolsonaro, gastando quase meio milhão de reais em apenas um ano utilizando sua cota parlamentar (dinheiro de quem?).

E o brasileiro idiota? Será que percebeu essa cagada?

Você percebe o tamanho da bosta quando acaba lendo alguns comentários na internet do tipo: "Dur, o importante é tirar o PT". Mas, desde quando o PT é o idealizador da corrupção moderna que passa por cima do nosso país desde a colonização?

Ai começa outro papo: não é sobre a corrupção, é por questões ideológicas.

Viu só? A conversa mudou. Você já foi feito de idiota, mas mesmo assim continua aceitando o discurso desses grupelhos.

"O PT é comunista, ele tinha um projeto bolivariano para o País".

Não tinha não, amiguinho. Pelo contrário. Podemos chamar de neo-social-democracia moderada a experiência petista desde o governo Lula, no máximo. Afinal, tivemos uma leve política de distribuição de renda, através de programas sociais insuficientes, que no final das contas, não chegava nem no joelho do "Bolsa Banqueiro" petista, que levou para os bancos lucros históricos.

O PT bolivariano não fez a reforma agrária. O PT bolivariano não regulamentou os meios de comunicação. O PT bolivariano não fez a Reforma Política democrática com participação popular.

O PT bolivariano não aumentou os impostos para os mais ricos. O PT bolivariano não nacionalizou ou estatizou nem o jardim do Planalto. O PT bolivariano permitiu que a violência contra a comunidade periférica continuasse nas grandes cidades, aprimorando a máquina de repressão do Estado em favor dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo, um evento que representa o máximo da burguesia.

Então, brasileiro idiota, você foi enganado duas vezes.

Não se trata sobre a corrupção. Muito menos sobre uma guerra ideológica contra o malvado comunismo.

Preparado para a realidade?

Tudo isso aconteceu por interesses.

Sim, interesses políticos e financeiros.

Político porque um grupo que já não consegue mais vencer nas urnas necessitava voltar ao protagonismo. Qual a melhor maneira de conseguir isso? E claro, não podemos esquecer dos grupelhos de rua pró-impeachment, que já aproveitam o momento para se estabelecer na política institucional, dentro de partidos corruptos para ganhar cargos -- e ah, você que vai pagar o salário deles!

Financeiros porque o mundo caminha para uma nova necessidade de experimentos sociais e econômicos. O mundo precisa de laboratórios, e onde melhor que o terceiro mundo para fazer isso? Vamos pegar um país subdesenvolvido, aplicar medidas econômicas de austeridade, eliminar o que resta de direitos trabalhistas para favorecer os empresários (com empresários você deve pensar no padeiro da esquina, mas na verdade é gente como Paulo Skaf) e passar por cima de restrições e regulações em questões ambientais e direitos humanos.

Pronto!

Isso tudo, claro, com o apoio da mídia e de grupos conservadores da sociedade -- como bem lembrou o Green Day em sua música citada acima.


Eu só queria dizer que estamos de parabéns. Principalmente vocês, brasileiros e idiotas. O restante, deixo a minha adolescência falar:

Posted: 31 Aug 2016 06:37 AM PDT


Por Altamiro Borges

Após inúmeros discursos e muita polêmica, o Senado deverá votar nesta quarta-feira (31) o desfecho final do processo de impeachment da presidenta Dilma. Pelos argumentos jurídicos apresentados no plenário ficou visível, até para o mais ingênuo "midiota", que o pedido de afastamento tem motivação política - o tal "conjunto da obra. Isto apenas confirma que o Brasil vive um golpe de novo tipo, um golpe midiático-parlamentar-judicial. Mas a argumentação jurídica, porém, parece que é o que menos importa entre os "nobres senadores". Apesar da operação abafa da mídia chapa-branca, o que vale de fato nas últimas semanas em Brasília é o balcão de negócios do impeachment.



Nesta terça-feira, o Painel da Folha publicou uma minúscula notinha: "O senador Roberto Rocha (PSB-MA) será contemplado com uma diretoria do Banco do Nordeste em troca do voto favorável ao impeachment. A oferta veio após ele ser procurado por Lula. Assim que soube do encontro, Temer agiu para evitar que Rocha pulasse para o lado de Dilma Rousseff". Dias antes, a imprensa também noticiou, sem qualquer indignação ou alarde, os cargos ofertados ao ex-craque Romário para comprar seu voto. Outras negociatas estão em curso para seduzir os "vacilantes" - ou melhor, os oportunistas -, inclusive com ofertas de postos no exterior. A mídia, porém, prefere o silêncio cúmplice.

Antes do processo do impeachment entrar na fase decisiva no Senado, o oligárquico jornal Estadão até publicou, em 27 de junho, uma reportagem mais densa sobre o vergonhoso balcão de negócios - apesar de tentar limpar a imagem do Judas Michel Temer. Vale conferir:


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Do apoio do Planalto em disputas locais a indicações para cargos em estatais e até para o comando do BNDES - o maior financiador de empresas do País -, o presidente em exercício Michel Temer está sendo pressionado por senadores em troca de apoio no julgamento do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff. A votação final está prevista para acontecer até o fim de agosto.

Por causa do assédio, Temer tem recebido parlamentares no Palácio do Jaburu para almoços, jantares e reuniões, marcados muitas vezes fora da agenda oficial. Nos encontros, escuta mais do que fala. “O Temer está comprando a bancada. É uma compra explícita de apoio”, disse o senador Roberto Requião (PMDB-PR), peemedebista contrário à saída de Dilma.

Para interlocutores do governo no Senado, o “movimento” nada mais é do que uma lista de demandas. O caso mais pitoresco, segundo relatos de três senadores próximos a Temer, é o de Hélio José (PMDB-DF). Ele pediu 34 cargos, entre os quais a presidência de Itaipu, Correios, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e até o comando do BNDES.

O senador foi convencido por colegas da inviabilidade dos pedidos e do risco político que correria em sua base se apoiasse Dilma. Não levou nada e ainda decidiu votar pelo afastamento.

O senador Romário (PSB-RJ), que votou pela admissibilidade do impeachment, ficou indeciso sobre o afastamento definitivo poucos dias depois. A dúvida foi comunicada ao Planalto acompanhada de uma fatura. Ele pediu o comando da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência e uma diretoria em Furnas. A primeira vaga já havia sido prometida para a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Cadeirante e militante histórica, ela queria emplacar um nome da área. Romário ganhou apenas o cargo, que ficou com a ex-deputada Rosinha da Adefal.

Ex-presidente do Cruzeiro, o senador Zezé Perrella (PTB-MG) conseguiu pôr seu filho, Gustavo Perrella, na Secretaria Nacional do Futebol e de Defesa dos Direitos do Torcedor.

Em outra frente de pressão, Temer é cobrado a se posicionar politicamente em disputas locais. O caso mais emblemático é o do Amazonas, onde o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio (PSDB), aliado do senador Omar Aziz (PSD), é adversário do senador Eduardo Braga (PMDB). Todos são aliados de Temer e estarão em lados opostos na eleição municipal.

O senador peemedebista reivindica o apoio do presidente em exercício para seu candidato, Marcos Rota. Já Aziz quer que Temer ajude Virgílio. No Placar do Impeachment do Estado, Braga consta como indeciso e Aziz não quis responder.

Temer enfrenta o mesmo dilema no Paraná, onde dois aliados, o governador Beto Richa (PSDB) e o senador Álvaro Dias (PV), são adversários políticos e disputam influência em Itaipu.

Pela estimativa do Planalto, a cassação de Dilma está nas mãos de 15 senadores. Hoje, 38 se posicionam a favor do impedimento – são necessários 54. O ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, se recusa a revelar a “estratégia” para evitar a volta da petista. “Não vou revelar nomes, mas temos um controle diário dentro do Senado. Temos informação do movimento de todos, até mesmo daqueles que se dizem indecisos”, disse, em um almoço com empresários na semana passada.

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Os horrores na Câmara Federal



Já a revista Época, totalmente engajada no "golpe dos corruptos", postou uma notinha festejando as negociatas: "O presidente interino deu dois cargos estratégicos para o senador Vicentinho Alves (PR) no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Temer indicou nomes ligados ao senador para a análise do Senado: Charles Magno Nogueira na diretoria de Infraestrutura Ferroviária do DNIT e André Martins de Araújo na diretoria de Planejamento e Pesquisa do órgão. Vicentinho votou pela abertura do processo de impeachment contra Dilma. Com seus pleitos atendidos, tudo leva a crer que vai confirmar o apoio ao impedimento". Só faltou a revista soltar rojões!


Na prática, o balcão de negócios já tinha sido acionado quando o tema tramitava na Câmara Federal, ainda presidida pelo achacador Eduardo Cunha. Após a "sessão de horrores" que deu a largada para o golpe, em 17 de abril, alguns podres até vieram à tona. O deputado Jovair Arantes (PTB-GO), "ético" relator do processo de impeachment, conseguiu emplacar o nome do cupincha Francisco Rodrigues na presidência da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Cartola do Atlético Goianiense - que disputa a séria B do Campeonato Brasileiro -, ele também conseguiu um patrocínio de R$ 2 milhões da Caixa Econômica Federal para o seu time - ou curral eleitoral!


Vários outros deputados, inclusive os 120 da cota do correntista suíço, também foram agraciados pelo Judas Temer. Na semana seguinte à "sessão de horrores", o usurpador liberou emendas parlamentares que estavam retidas no Palácio do Planalto. Segundo reportagem acrítica da Folha, "o presidente interino determinou à equipe econômica que acelere no início de agosto a liberação do saldo de emendas parlamentares para obras de infraestrutura que já foram contratadas. O montante ainda está sendo calculado pelo Ministério da Fazenda, mas o objetivo é quitar as pendências até o início de outubro, data do primeiro turno das eleições municipais no país".


Ainda de acordo com a matéria "imparcial", Michel Temer "também determinou ao núcleo político que conclua até o final do recesso as nomeações pendentes para presidências e diretorias de empresas públicas de indicados pela base aliada. Em reunião com o núcleo econômico, o peemedebista relatou que deputados e senadores estavam reclamando da demora na nomeação de seus indicados para cargos federais e ressaltou a necessidade de agilizar a publicação dos nomes no 'Diário Oficial da União'". Dias antes, numa iniciativa que revela o caráter do "golpe dos corruptos", o governo decidiu nomear os indicados políticos antes até do aval dos órgãos de inteligência. A análise das fichas, que antes era feita pela Abin, simplesmente foi descartada pelo Judas Michel Temer.

Altamiro Borges
Posted: 31 Aug 2016 06:21 AM PDT


João Pedro Stédile foi entrevistado no programa do DCM na TVT. O fundador do MST está satisfeito com o sucesso da loja de produtos orgânicos no centro de São Paulo, ao lado da sede num antigo casarão de uma família quatrocentona cujo último descendente, conta Stédile, mantinha uma empregada no porão.

Ele confessa apreensão com o que acontecerá depois que o golpe for consumado e Temer assumir. O que fará o MST? Em resumo, não tem arrego.

Stédile falou sobre o que acha que virá por aí:

“Passado o impeachment, a luta vai se acirrar. As razões desta crise são muito profundas e não têm nada que ver com o governo Dilma, faz parte do contexto internacional da crise do capitalismo, faz parte da crise desta forma de falsa democracia burguesa em que as empresas sequestraram o direto do voto e produziram este congresso que não espelha a sociedade brasileira.

Os movimentos populares precisarão seguir se articulando e atuando nos vários espaços. Se os golpistas se consolidarem, nós teremos que fazer uma luta para defender os direitos para impedir toda essa avalanche que os capitalistas estão expondo publicamente.

Querem utilizar o governo para reimplantar políticas neoliberais para o petróleo, a água, a biodiversidade… Usarão recursos públicos para as empresa saírem da crise.

Essa tentativa dos golpistas de voltar com o plano neoliberal que até o FMI já abandonou é absurda. O neoliberalismo está fadado ao fracasso. Só vai aumentar as contradições e eles sabem disso.

Por isso eles querem fazer isso rápido. Veja como eles articulam a base parlamentar deles: já está na última fase de votação o projeto da privatização do pré-sal.

Ao se consolidar o golpe e o plano neoliberal, as contradições vão se acirrar muito, inclusive com os casos de corrupção do governo Temer.

A Odebrecht disse que deu 10 milhões em dinheiro vivo para o Temer e a imprensa esquece?

E os 23 milhões do Serra? E os milhões do Aécio? E o caso de furnas? O golpe não significa que governo Temer é um governo perene. Eu acho que a burguesia tende a derrubar o Temer no ano que vem e trocar pelo Meirelles”.

O programa do DCM na TVT é apresentado por Marcelo Godoy e dirigido por Max Alvim.

Posted: 31 Aug 2016 06:09 AM PDT

Processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff está sendo definido como "golpe" por todos os jornais mais importantes do mundo nos Estados Unidos, na Europa, na América do Sul e na Ásia; "Senadores conspiram para tirar Dilma e matar a Lava Jato", afirma o inglês The Guardian; "Se uniram pela retirada de Dilma sabendo que seria injusto", diz o americano The Washington Post



247 - O processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, a ser consumado no Senado nesta quarta-feira 31, está sendo definido como "golpe" por todos os jornais mais importantes do mundo.

Veículos nos Estados Unidos, na Europa, na América do Sul e na Ásia tratam o afastamento de Dilma como "injusto" e um "castigo desproporcional". "Senadores conspiram para tirar Dilma e matar a Lava Jato", afirma o inglês The Guardian. "Se uniram pela retirada de Dilma sabendo que seria injusto", diz o americano The Washington Post.

O deputado Paulo Teixeira, do PT de São Paulo, publicou ontem um texto sobre o assunto em sua página no Facebook, em que reúne links de diversas matérias da imprensa internacional chamando o impeachment de golpe. Leia abaixo a íntegra e ainda reportagem da Agência Brasil sobre algumas reportagens internacionais sobre o impeachment:

NA IMPRENSA INTERNACIONAL FICOU CLARO: É GOLPE


O golpe contra a presidenta Dilma Rousseff está sendo denunciado por alguns dos maiores meios de comunicação do mundo. Sim, golpe, com todas as letras.

Ao contrário do que têm pregado alguns dos maiores jornais e boa parte da grande mídia brasileira, signatários do golpe, para os maiores jornais do mundo fora do Brasil, “Dilma é vítima de um "golpe" encenado por seus adversários” (Le Monde), e que os senadores se “uniram pela retirada de Dilma sabendo que seria injusto”(The Washington Post), em concordância com a rede RT, que diz que “60% do congresso é acusado de corrupção e contra-ataca Dilma, que tentou fazer uma limpeza no congresso”.

Tragicomédia foi a palavra escolhida tanto pelo jornal português Público quanto pelo argentino Página 12, da Argentina. A Al Jazeera, árabe, preferiu escolher a palavra hipocrisia para definir o processo. Enfim, veículos de imprensa de todo o planeta ressaltam a ilegitimidade e desproporcionalidade desse processo de impeachment.

O fato é que o governo Dilma Rousseff foi implacável no combate a corrupção, dando autonomia para a Polícia Federal, para a justiça, criando facilitadores para as investigações. Isso incomodou os aliados de Temer e Cunha, como o senador Romero Jucá, que chegou a ser empossado ministro e foi flagrado conspirando para acabar com a punição dos corruptos.

É de se ressaltar que a imprensa internacional já fez diversas manifestações mostrando espanto ao ver boa parte dos nossos grandes jornais e canais de televisão atuam como cabos eleitorais de um impeachment sem crime, contra uma pessoa honesta, apoiado por investigados por corrupção.

O golpe é também midiático, além de parlamentar e empresarial. Por isso é fundamental divulgarmos o que o mundo pensa dessa triste página de nossa história.

#PelaDemocracia

Le Monde.fr http://goo.gl/oWZD3b
Página/12 http://goo.gl/pzTHux
Público http://goo.gl/mkQbyj
Washington Post http://goo.gl/1tOl2E
The Guardian http://goo.gl/qhlQim
El País http://goo.gl/IxNqvi
Al Jazeera Channel - قناة الجزيرة http://goo.gl/ttcm8n
RT http://goo.gl/T6FSKQ


Imprensa internacional prevê que senadores vão decidir pela saída de Dilma


José Romildo - Correspondente da Agência Brasil


A imprensa internacional está acompanhando a votação final do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff, marcada para hoje (31), e já antecipa que ela será removida do cargo. O jornal britânico The Guardian, em sua edição americana, publicou artigo com perguntas e respostas para que o leitor entenda o que está acontecendo no Brasil.

O jornal explica que o Senado brasileiro está votando hoje a saída definitiva de Dilma Rousseff da presidência da República, dando sequência a um processo de impeachment que a afastou do cargo desde maio. De acordo com o artigo, a previsão é de que mais de dois terços dos 81 senadores vão apoiar a remoção de Dilma e confirmar o presidente interino Michel Temer como chefe de governo do país.

O The Guardian observa que a acusação contra Dilma é que ela teria tomado empréstimos de bancos estaduais, sem a aprovação do Congresso, para compensar a falta de recursos orçamentários para executar projetos.

O jornal informa que os que se opõem a Dilma chamam de “pedaladas” a utilização de dinheiro não previsto no Orçamento, sem autorização do Congresso, para financiar a agricultura familiar, o que dá uma “impressão enganosa” sobre a real situação das finanças do Estado.

O jornal também dá espaço para as explicações da defesa de Dilma Rousseff. De acordo com essas explicações, o dinheiro usado não era um empréstimo, mas transferências de recursos públicos, práticas utilizadas por administrações anteriores, embora não na mesma escala.

O The Guardian acrescenta que todas as explicações são apenas “pretexto” para a remoção de Dilma do poder. As verdadeiras razões para o impeachment, segundo o jornal, “são políticas”.

O jornal diz ainda que Dilma “é impopular” porque é vista como culpada pelas múltiplas crises que o país enfrenta e revelou-se uma líder inepta para enfrentar os problemas. “Mas a Constituição do Brasil não permite que haja um voto de desconfiança para tirá-la do poder”, que é o argumento utilizado para justificar o impeachment, de acordo com o artigo.

Lava Jato
Atrás da motivação para prosseguir com o processo de impeachment contra Dilma, de acordo com o jornal, estão alguns políticos “claramente motivados por um desejo de matar a investigação da Lava Jato, o que Dilma Rousseff se recusou a fazer”

O jornal lembra que o impeachment foi iniciado pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, depois que o Partido dos Trabalhadores se recusou a protegê-lo de uma investigação no comitê de ética da Casa. O The Guardian informa também que conversas secretamente gravadas revelaram que o líder do PMDB no Senado, Romero Jucá, queria remover a presidenta para que a investigação da Lava Jato pudesse ser “sufocada por seu sucessor”.

The New York Times
O jornal The New York Times publicou artigo assinado pela jornalista brasileira Carol Pires, da Revista Piauí, com o título "Impeachment muda o governo, não a política". O artigo diz que, para muitos brasileiros, "o foco não está mais na política do governo em dificuldades, mas em seus próprios bolsos".

A jornalista afirma que, com a saída de Dilma Rousseff e do Partido dos Trabalhadores (PT) do governo, o PMDB - ex-aliado de Dilma - passou a chefiar o processo de impeachment. "No entanto, o PMDB não está menos envolvido nos desfalques da Petrobras do que os outros partidos". O artigo lembra que a economia em naufrágio e a indignação contra a corrupção provocaram "sucessivas e intensas manifestações populares que levaram a uma mudança de governo, mas não na política brasileira".

Já o site The Daily Beast afirma que Dilma Rousseff sairá formalmente do governo, apesar de ter protagonizado "uma última resistência incansável contra as acusações de irregularidades fiscais movidas contra ela, que muitos no Brasil veem como uma cortina de fumaça para sua remoção a qualquer custo". O jornal lembra a frase de Dilma, durante o depoimento no Senado, que durou 14 horas: "Estamos a um passo de assistir a um golpe [parlamentar de Estado] real".

O site da agência de notícias Reuters diz que os acusadores da presidenta afastada Dilma Rousseff reafirmaram que estão julgando não só a quebra de regras orçamentárias, "mas também um escândalo de corrupção e uma profunda recessão que eclodiu no seu devido tempo". O site observa que Dilma é acusada de usar dinheiro de bancos estatais para reforçar os gastos durante a campanha à reeleição em 2014, um truque orçamentário já aplicado por muitos outros candidatos eleitos no Brasil. A Reuters lembra, porém, que Dilma negou, em seu depoimento, as irregularidades e disse que o processo de impeachment foi destinado "a reverter os ganhos sociais alcançados durante os 13 anos de governo de esquerda e proteger os interesses das elites endinheiradas na maior economia da América Latina".

O jornal The Washington Post também comenta que a advogada Janaina Paschoal, que acusa a presidenta Dilma Rousseff de ter cometido “fraude” em suas práticas contábeis, derramou lágrimas ao pedir desculpas a Dilma por tê-la feito sofrer. O gesto “teatral”, segundo o jornal, foi o ato final de uma luta política que consumiu a maior nação da América Latina desde que o pedido de impeachment foi apresentado na Câmara dos Deputados no ano passado.


Brasil 24/7
Posted: 31 Aug 2016 05:55 AM PDT



Saia justa? Populismo bolivariano? Razão? Emoção?

Este foi o discurso mais contundente da sessão de declarações de voto, nesta terça-feira 30.

Na frente do ex-candidato tucano à Presidência da República, senador Aécio Neves (PSDB-MG), seu colega Roberto Requião (PMDB-PR) praticamente chamou de “Canalha, canalha!” a principal cria política de Aécio, o senador e também ex-governador de Minas Gerais Antônio Anastasia (PSDB).

Assista:

Posted: 31 Aug 2016 05:44 AM PDT

Escritor Luis Fernando Veríssimo afirma que não seria nenhuma surpresa se depois da provável cassação de Dilma pelo Senado, a Câmara decida absolver Eduardo Cunha, premiando-o com o título de "herói do impeachment"

Discurso de Dilma Rousseff no Senado Federal (reprodução)


Luis Fernando Verissimo*

Depois da provável cassação da Dilma pelo Senado, ainda falta um ato para que se possa dizer que la commedia è finita: a absolvição do Eduardo Cunha. Nossa situação é como a ópera “Pagliacci”, uma tragicomédia, burlesca e triste ao mesmo tempo. E acaba mal. Há dias li numa pagina interna de um grande jornal de São Paulo que o Temer está recorrendo às mesmas ginásticas fiscais que podem condenar a Dilma. O fato mereceria um destaque maior, nem que fosse só pela ironia, mas não mereceu nem uma chamada na primeira página do próprio jornal e não foi mais mencionado em lugar algum.

A gente admira o justiceiro Sérgio Moro, mas acha perigoso alguém ter tanto poder assim, ainda mais depois da sua espantosa declaração de que provas ilícitas são admissíveis se colhidas de boa-fé, inaugurando uma novidade na nossa jurisprudência, a boa-fé presumida. Mas é brabo ter que ouvir denúncias contra o risco de prepotência dos investigadores da Lava-Jato da boca do ministro do Supremo Gilmar Mendes, o mesmo que ameaçou chamar o então presidente Lula “às falas” por um grampo no seu escritório que nunca existiu, e ficou quase um ano com um importante processo na sua gaveta sem dar satisfação a ninguém. As óperas também costumam ter figuras sombrias que se esgueiram (grande palavra) em cena.


O Eduardo Cunha pode ganhar mais tempo antes de ser julgado, tempo para o corporativismo aflorar, e os parlamentares se darem conta do que estão fazendo, punindo o homem que, afinal, é o herói do impeachment. Foi dele que partiu o processo que está chegando ao seu fim previsível agora. Pela lógica destes dias, depois da cassação da Dilma, o passo seguinte óbvio seria condecorarem o Eduardo Cunha. Manifestantes: às ruas para pedir justiça para Eduardo Cunha!

Contam que um pai levou um filho para ver uma ópera. O garoto não estava entendendo nada, se chateou e perguntou ao pai quando a ópera acabaria. E ouviu do pai uma lição que lhe serviria por toda a vida:

— Só termina quando a gorda cantar.

Nas óperas sempre há uma cantora gorda que só canta uma ária. Enquanto ela não cantar, a ópera não termina.

Não há nenhuma cantora gorda no nosso futuro, leitor. Enquanto ela não chegar, evite olhar-se no espelho e descobrir que, nesta ópera, o palhaço somos nós.

*Luis Fernando Verissimo é um escritor, humorista,cartunista, tradutor, roteirista de televisão, autor de teatro e romancista bissexto.


Pragmatismo político
Posted: 31 Aug 2016 05:39 AM PDT

Senadores falam para o registros históricos e das redes e defesa e acusação questionam testemunhas

TALITA BEDINELLI
AFONSO BENITES
Brasília 

A advogada Janaina Paschoal, no Senado. ANDRESSA ANHOLETE AFP


José Eduardo Cardozo, advogado de defesa de Dilma Rousseff, desceu da tribuna do Senado Federal e não conseguiu segurar o choro. O ex-ministro da Justiça, que por diversas vezes ressaltou ter “orgulho” de estar atuando na defesa da presidenta, havia feito uma fala de 1h30, quase um desabafo, mas parecia frustrado diante da dificílima possibilidade de convencer qualquer senador a mudar suas convicções. “ (Estou parecendo) um bebê chorão”, disse a jornalistas, mas “não é justo que falem de netos”.

O desabafo de Cardozo se referia à fala anterior da advogada de acusação e coautora do pedido de impeachment de Rousseff, Janaína Paschoal. “Eu peço desculpas porque eu sei que a situação que ela está vivendo não é fácil. Eu peço desculpas porque eu sei que, muito embora esse não fosse o meu objetivo, eu lhe causei sofrimento. E eu peço que ela um dia entenda que eu fiz isso pensando também nos netos dela.” Paschoal, um dos outros personagens que grava seu nome no processo de nove meses, também chorou e foi a primeira a citar Deus na sessão: “Foi Deus que fez com que várias pessoas, ao mesmo tempo, cada uma na sua competência, percebessem o que estava acontecendo com o nosso país e conferiu a essas pessoas coragem para se levantarem e fazerem alguma coisa a respeito [do impeachment]”.

A longa sessão, que se estenderia até 2h27 da manhã desta quarta, após ouvir 63 senadores, também teve outros momentos destacados, alguns de ironia histórica, outros curiosos e constrangedores. Um ex-presidente que sofreu impeachment, Fernando Collor (PTC-AL) em 1992, reclamou que golpe ocorreu quando ele próprio foi deposto. Houve declamações de poesias em apoio a Rousseff feitas pelos petistas Regina Sousa e Paulo Paim. O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) quase desmaiando por desidratação. Em meio ao tom em geral respeitoso, o senador Magno Malta (PR-ES) lembrou a controversa sessão que aprovou o impeachment na Câmara ao satirizar a presidenta afastada, que deverá voltar a Porto Alegre, caso se confirme sua destituição. Cantarolou na tribuna a canção da dupla gaúcha Kleyton e Kledir: “Deu pra ti/ Baixo astral/ Vou para Porto Alegre, tchau”.

Foi uma longa maratona que nem a articulação do Planalto conseguiu encurtar. O presidente interino, Michel Temer (PMDB), pressionou seus aliados para que encerrarem as falas rapidamente para que a votação ocorresse o quanto antes, a princípio na madrugada desta quarta. Não adiantou. Os senadores concordaram em postergar o capítulo final do julgamento para a manhã desta quarta, a partir das 11h.
Bateria de discursos

A última bateria de discursos neste processo de impeachment, o quinto dia de julgamento, deixou as emoções à flor da pele. Assim como a presidenta afastada fez no dia anterior, os senadores também quiseram deixar o registro de suas justificativas para a história - e para as redes sociais - e 63 deles ocuparam a tribuna, para fazer discursos planejados. A maioria deixava claro como votaria. Poucos deixaram o clima de suspense no ar. No placar informal, 44 votaram a favor, 18 contra, 18 e um senador não declarou voto.

Do lado dos acusadores, houve os que se defendiam da alcunha de “golpistas”, que os petistas repetem em exaustão para desqualificar o processo de impeachment. Essa discussão, aliás, gerou tumulto no recinto e a sessão teve de ser suspensa depois que o deputado José Guimarães (PT-CE) – deputados podem assistir às sessões do plenário – chamou a advogada Paschoal de golpista.

O senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) entrou reclamou aos gritos: “Golpistas foram aqueles que saquearam a Petrobras. Golpistas são aqueles que açulam os chamados movimentos populares para fazer baderna nas ruas. Golpistas são aqueles que fraudaram a contabilidade pública”. O tucano afirmou ao presidente da sessão, Ricardo Lewandowski, do STF, que se Guimarães não se comportasse, deveria ser retirado do Senado pela polícia. Não foi necessário. Os ânimos ficaram mais serenos depois do intervalo de cinco minutos.

O grupo pró-impeachment falava quase em uníssono que Rousseff era responsável por todos os crimes aos quais respondem: firmar três decretos de crédito suplementar sem autorização legislativa e as pedaladas fiscais. Do lado da defesa, além de dizer que ela é honesta e inocente, pontuou-se as conquistas sociais trazidas com as políticas de 13 anos de governos petistas.
Última tentativa

A defesa ainda fez uma última tentativa de desqualificar as testemunhas de acusação. Um bloco formado por 14 senadores entregou duas representações ao Conselho Nacional do Ministério Público e à Procuradoria Geral da República contra o procurador Júlio Marcelo de Oliveira e o auditor Antonio Carlos Costa Dávila. No documento, os aliados de Rousseff pedem que ambos sejam processados por prevaricação, falso testemunho, deslealdade às instituições e violação de parcialidade de deveres funcionais. Segundo esse grupo de parlamentares, Oliveira e Dávila atuaram juntos ao elaborar uma representação no Tribunal de Contas da União, assinada pelo primeiro e que seria auditada pelo segundo. Esse documento oficial do TCU é um dos que embasam a tese de que Rousseff cometera as pedaladas fiscais. Além de desacreditar a acusação, a tropa de choque da presidenta afastada quer que esses argumentos possam embasar um futuro questionamento dela ao Supremo Tribunal Federal.

Enquanto isso, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seguia em Brasília tentando convencer senadores a votarem contra o impeachment. As negociações tratam, principalmente, de eventual apoio nas próximas eleições, as municipais em outubro. Do lado do Planalto, a articulação tampouco foi abandonada na reta final.


EL PAÍS Brasil
Posted: 31 Aug 2016 05:26 AM PDT

Em depoimento surpreendente, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) declara: com Lula, desfecho das 'pedaladas' seria diferente. José Múcio Monteiro culpou Dilma Rousseff pelo próprio destino. “Não sei nem se eu devia dizer... mas tudo começou com uma crise de temperamento”

José Múcio Monteiro (reprodução)


José Múcio Monteiro, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), surpreendeu a todos ao desabafar no ar durante uma entrevista à Rádio Jornal. Múcio culpou a presidente afastada, Dilma Rousseff (PT), pelo próprio destino.

Para o ministro, “tudo começou com uma crise de temperamento”, quando Dilma decidiu negar a existência das pedaladas fiscais originais – irregularidades julgadas em um processo específico, em abril de 2015, e que depois embasaram a rejeição das contas de 2014 da petista, em julgamento realizado em agosto de 2015. Fosse com o ex-presidente Lula (PT), diz Múcio, seria diferente.

“Quer dizer, foi vaidade, foi soberba, foi falta de humildade, excesso de autoridade. Qualquer político ali, Lula, por exemplo, diria: ‘Fiz para não interromper os programas sociais. E vou pagar.’ Pronto, estava resolvido. ‘Vou consertar’. Mas ela resolveu enfrentar a área técnica da controladoria do governo. E deu no que deu”, argumentou.

“Não sei nem se eu devia dizer […] Na verdade, antes da crise política, estamos passando por uma crise de temperamento de uma pessoa verdadeiramente não vocacionada para a vida pública. Voto, pedir voto, dar abraço, apertar a mão, fazer concessões, fazer acordos… Ela nunca fez. Os votos foram fruto de uma estrutura política montada pela presidente Lula, que a elegeu. Ela diz ‘eu tive’. Não teve”, disse.

“Eu lamento muito a gente ter chegado nisso, entendeu? Tudo começou com temperamento. Lá atrás, em 2015, quando nós fizemos o primeiro relatório, das pedaladas, eu escrevi no meu relatório que houve dolo, mas não houve desvio de dinheiro público. O Ministério Público havia dito que eles devolvessem R$ 47 bilhões à vista. E eu disse ‘não, faça um plano de pagamento’. Em vez dela dizer assim ‘houve, eu fiz isso para não deixar de pagar Bolsa Família, eu fiz isso para não interromper o Minha Casa, Minha Vida, para os pobres não deixarem de ter a assistência que estão tendo’, disse ‘não houve’. Aí ficou um ano brigando com o Tribunal, dizendo que não houve, para no fim do ano dizer que fizeram e ter de pagar à vista. E teve outra providência lá que o Tribunal não acatou”, comentou Múcio.
José Múcio

Hoje ministro do TCU, José Múcio já foi deputado federal pelo PFL e DEM. Candidatou-se ao governo de Pernambuco em 1986, mas perdeu a eleição para o ex-governador Miguel Arraes de Alencar, avô de Eduardo Campos.

Apadrinhado por José Sarney, Múcio foi Ministro das Relações Institucionais no primeiro governo Lula. Em 2009, foi indicado para compor o Tribunal de Contas da União. Seu nome foi aprovado pelo Senado Federal com 46 votos. Múcio renunciou ao mandato de deputado federal para assumir uma cadeira permanente no TCU.

as informações são da Rádio Jornal e do Jornal do Comércio

Pragmatismo Político
Posted: 31 Aug 2016 05:20 AM PDT

Lado a lado, o povo desfila de cabeça erguida ocupando um espaço que é seu por direito e deixa escapar em seu rosto um sentimento comum de irmandade: resistência.

Foto: Mídia NINJA

A presidenta Dilma Rousseff é alvo constante de discursos tanto de ódio quanto de amor. Opiniões polarizam-se. No entanto, é inegável que trata-se de uma mulher forte. E aí não é mais uma questão de opinião, basta uma pesquisa no Google sobre sua história para constatar. No Acampamento Nacional em Defesa da Democracia e dos Direitos, próximo ao Estádio Mané Garrincha, em Brasília, mulheres de diferentes lugares do Brasil que têm em comum o mesmo vigor que Dilma se encontram para apoiar a presidenta no cargo que lhe foi dado democraticamente.
A psicóloga Cida Alves e sua filha Celília Alvez

A psicóloga Cida Alves e sua filha Celília Alvez vieram de Goiânia, Goiás, para “participar da história.” “Estamos aqui e o sentimento é de solidariedade com a coragem de todos e de Dilma Roussef ao enfrentar aquele Senado”, conta Cida. A psicóloga trabalha com vítimas de violência no âmbito intra-familiar, onde atua com com casos de violência física, sexual, psicológica e e.t.c. Também possui um Blog, o Educar sem Violência<http://toleranciaecontentamento.blogspot.com.br/ >. Questionada sobre se, ao longo dos 17 anos em que acompanha esses casos, notou aumento ou diminuição das estatísticas desse tipo de violência, ela fala que, na verdade, houve aumento das notificações, isto é, as pessoas hoje denunciam mais. Agora é sua vez de denunciar, o golpe. “A união de pessoas de vários lugares do país fortalece a nossa resistência.” Conta ela. E emenda: “O que acontece hoje é de um gravidade que poucos parecem ter real noção. É um rompimento da democracia!”
Conceição da Maria de Jesus e o marido Emiliano José da Silva, de 65 anos.

Conceição da Maria de Jesus, de 40 anos, é uma piauiense do município de Campo Grande do Piauí. Desde os 14 anos de idade faz parte do Movimento dos Pequenos Agricultores, mas já cresceu no meio graças à sua mãe. Ela conta que a polícia costuma ser agressiva com os integrantes do Movimento, principalmente com as mulheres. Conceição já sente os impactos do governo Temer. Ela os conta nos dedos: “ O primeiro tem a ver com a Garantia-Safra, o governo, além de não nos pagar mais, nos obrigou a devolver R$ 1, 708 dessa benefício. Duas primas minhas já receberam cartas solicitando o pagamento desse valor e que seriam punidas se não pagassem”, declara. A garantia-Safra é um seguro pago pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), do governo federal, para agricultores que se encontram em municípios cujo fenômenos naturais ocasionam perca de safra.

O segundo toca o Banco Nordeste, a agricultora lamenta que o banco parou de financiar a produção de seu ofício. Ela diz que a comercialização do que produz os agricultores surgiu em 2007, durante o governo Lula, através da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que comprava seus produtos e os doava para periferias, famílias carentes, presídios, escolas agrícolas e e.t.c. À época, o pacto gerou uma renda no valor de R$ 1,600 ao ano por agricultor. Já no ano passado, a renda anual alcançou a marca de R$ 8,000 por agricultor, segundo Conceição. Desde que Temer assumiu o poder, o Conab abortou o trato, afirma a mulher de calos na mão. Seu marido, Emiliano José da Silva, de 65 anos, há um mês não recebe a aposentadoria.

Eulis Ferreira de Andrade

Eulis Ferreira de Andrade tem 54 anos e nem parece, apesar do tempo já lhe marcar bastante. Mineira, mudou-se para Brasília aos 2 anos de idade, onde vive até então. Já trabalhou em casa de família, já foi boia-fria e também trabalhou com coleção de milho, tempo esse de que recorda sorrindo: “na colheita, era os pozinhos de milho que me banhava a cabeça toda, um trabalho cansativo, mas faz parte da vida né.” Hoje ela mora num acampamento do MST. “ A gente vive lá em busca da reforma agrária, comemos alimentos sem venenos, plantados só com adubos. Éssa é a nossa vida, nosso objetivo.” Enquanto eles brigam pelo direito à moradia, Eulis se indigna com o quadro brasileiro atual: “Éssa época é uma vergonha para o Brasil. O vício pelo dinheiro causou isso tudo. Quanto mais poder mais se quer”, conclui ela, que, com o sorriso típico de seu semblante, mantém uma leveza que vai na contramão do caos por que passa o país.

Niniréia Maciel

Bem articulada e de uma inteligência que flui pela cadência de sua fala, Niniréia Maciel , uma professora de história de 47 anos, viajou do município de Itapipoca, Ceará, onde mora, para Brasília. “Vim para protestar contra o desmonte desse país”, diz. Ela elenca políticas educacionais dos últimos anos que impactaram positivamente na vida de jovens da região onde vive: “O Fies, o Prouni e o Enem são programas que deram perspectiva para a juventude daqui, que antes seguiam a carreira dos pais, como diarista, pedreiro e e.t.c. Os Institutos Federais se multiplicaram no interior do estado, evitando o êxodo rural”.

A professora afirma que o Bolsa Família é o que movimenta a economia local através do consumo gerado pelo valor pago. Ela estima que, dos recursos econômicos do município, 80% provêm do Governo Federal. Com as ameaças de reduções drásticas nos valores injetados, ela se questiona: “como aquela cidade vai ficar?” ao lembrar do período anterior ao do Bolsa- Família, quando os saques a comércios eram constantes na cidade. Ela também se põe contra a venda de refinarias a preço de banana e teme as ações do Governo Temer que “não inclui recorte LGBT, de gênero, ou racial, pois são socialmente invisíveis para esse governo”, conclui, antes de continuar seguindo em direção a Esplanada dos Ministérios com o braço esquerdo empunhado.

Posted: 31 Aug 2016 05:10 AM PDT

“Sua coragem e firmeza no dia de ontem teve força para revelar a verdade sobre este crime político e os impactos negativos que já estão sendo perpetrados por forças corruptas, demagogas, hipócritas e oportunistas”, escreveu a atriz em texto destinado à presidenta


Querida Presidenta,
Soa bom chamar assim à governança do nosso país.
Que venham muitas presidentas!
Exercendo dignamente o cargo mais importante do Brasil, você terá aberto as portas para que as belas saiam cada vez mais do recato do seu lar, ocupando a vida pública, política e acreditando que o poder também pode lhes caber, utilizando­-o com integridade, honestidade e ética. Que não precisa e não deve ser entregue somente às mãos de um único gênero ou de um grupo de famílias, de uma classe, mas que o povo pode e deve assumir a cidadania e a política por responsabilidade própria.
Sua coragem e firmeza no dia de ontem teve força para revelar a verdade sobre este crime político e os impactos negativos que já estão sendo perpetrados por forças corruptas, demagogas, hipócritas e oportunistas que desejam implementar no Brasil um programa de governo reacionário, antiecológico e extremamente injusto com a classe trabalhadora.
Venho me manifestar por nossa democracia, que ainda é muito jovem, imatura, neocoronelista e ainda sofre com um modelo de desenvolvimento bastante predatório. E nos deve muito em justiça social, às pessoas pobres, negras, aos pequenos agricultores, aos indígenas, à justiça socioambiental e à igualdade.
Tenho sido franca ativista pelos Direitos Humanos antes e durante o seu mandato.
Enquanto era a Primavera de uma abertura de olhar às questões sociais, fundamos o movimento Humanos Direitos e participamos de grandes conquistas deste governo no combate ao trabalho escravo. Muito se fez para combater a miséria e isso espantou o mundo. Nossa Cultura Popular teve espaços mais amplos para sua expressão e pudemos ver rostos de meninos do morro, das periferias, colorindo telas de cinema, levando nossa
identidade para além­mar, fortalecendo a autoestima do povo brasileiro.
Já tive a oportunidade, presidenta, de olhar em seus olhos e, na sua presença, lhe dizer que faço uma oposição de esquerda ao seu governo e de expressar naquele momento o meu contentamento de poder dizer que ainda vivo em um Estado que se pretende ­ de forma utópica, em realidade e em exercício ­ ser democrático e que procura preservar as liberdades e o inconsciente coletivo saudável da nossa população.
Embora o seu governo tenha cometido erros, especialmente no que diz respeito ao meio ambiente, é inegável que combateu a desigualdade social, trouxe dignidade a milhões de brasileiros e brasileiras e promoveu a ascensão social de uma grande parcela da população. Ao longo desses últimos anos, aprendemos que com vontade política quase tudo é possível.
Contudo, hoje nos cobre uma sombra que assola os corações de irmãos, de irmãs, de pessoas que não mais se reconhecem e vivem em um ambiente de ódio fomentado por um plano maquiavélico de tomada de poder por grupos econômicos que não aceitaram que um mínimo de direitos seja repartido com os mais vulneráveis e desprivilegiados socialmente.
Não respeitar a decisão das urnas e apoiar esse assalto aos 54 milhões de votos que garantiram seu mandato conquistado em eleições limpas ­ é desconhecer o sentido de democracia e abrir o precedente para que o jovem sistema político brasileiro não se recupere tão cedo.
É muito assustador saber que o motivo que usam para tirá­-la do poder não está baseado em seus erros, mas em seus acertos. Como cidadã, carrego as decepções de quem esperava o empoderamento da agricultura familiar e a libertação do coronelismo. Mas acompanhando de perto todo esse processo, entendo a sua dificuldade política ao perceber como é composto o nosso Congresso Nacional e o quanto há de boicote, por parte da maioria dos nossos parlamentares, a uma verdadeira transformação social.
Uma vez conquistados os direitos sociais e culturais do nosso povo ­ com muita luta e garra temos que dar um passo adiante e não para trás. Por isso estou ao seu lado em defesa da democracia e contra esse retrocesso, que deve ser chamado exatamente pelo o que ele é, e sem temor: um golpe parlamentar!
Um abraço
Letícia Sabatella



Portal Fórum
Posted: 30 Aug 2016 10:02 AM PDT


A defesa de Dilma Rousseff segue dando goleada no Senado. “Foi 7 a 1 para a defesa”, avaliou o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) a após o pronunciamento do advogadoJosé Eduardo Cardozo.

Nas considerações finais, o advogado da defesa arguiu que foi criada uma tese somente para condenar presidente da República.

“Queremos condenar presidente por uma tese que foi criada somente para ela?”, questionou o defensor.

O senador Elmano Férrer (PTB-PI) disse que se emocionou com a exposição de Cardozo e confirmou o voto contra o golpe de Estado. “Estou convencido de que não há crime de responsabilidade”, disse o parlamentar.

Na avaliação de vários senadores, Dilma havia vencido ontem (29) o primeiro round no Senado. Hoje, ao que parece, novamente o time da presidente continua na dianteira.

O senador Roberto Requião (PMDB-PR), coordenador do movimento antigolpe, disse que 31 senadores votaram para barrar o impeachment.

Sobre as defesas — da acusação e defesa –, Requião afirmou que não dá para comparar Cardozo com Janaina Paschoal e Miguel Reale Junior.

“Comparar o Cardoso com Janaina e Miguel Reale é covardia. Os dois últimos são direitistas alucinados”, sapecou.

A percepção de Randolfe — de que “foi 7 a 1 para a defesa” — também foi compartilhada por senadores pró-impeachment.

A sessão será retomada por volta das 14h30. Haverá réplica dos advogados da acusação e tréplica da defesa, cada parte com tempo de 1 hora. Após isso, por volta das 17h, cerca de 70 senadores iniciarão suas falas de 10 minutos cada.


Blog do Esmael
Posted: 30 Aug 2016 09:25 AM PDT



“Se tiver alguém fazendo algum tipo de composição neste processo é Deus”, disse a advogada Janaína Paschoal, autora do pedido de impeachment da presidenta eleita, Dilma Roussef, ao rebater a acusação de que tudo se resume a um golpe parlamentar, em conluio com a mídia e o judiciário.



Se consideramos o argumento da advogada, Renan, Sarney, Romero Jucá, Sérgio Machado e todos que tramaram um pacto pra colocar Michel Temer no lugar de Dilma, seriam abençoados por esse deus.

Há provas da obra divina, gravações em que os privilegiados confessam participação numa conspiração pra destituir a presidente com o objetivo inequívoco de barrar as investigações da Lava Jato.

Mas, há quem mesmo ouvindo e vendo, não quer acreditar.

“É um acordo botar o Michel num grande acordo nacional. Com o Supremo, com tudo. Com tudo, aí parava tudo”, disse Machado, o delator que revelou intimidade com as maiores lideranças políticas da república.
O deus de Janaína teria feito parte dessa composição diabólica pra proteger políticos investigados por corrupção.
Um deus golpista e desonesto.

Me perdoem a redundância.
Blog da Luciana Oliveira
Posted: 30 Aug 2016 09:17 AM PDT

"Mesmo boicotados pelos aliados de Michel Temer, que comemoram o acesso a um palácio a que não chegaram pela vontade do povo, os debates finais do Senado desnudaram a montagem de uma farsa destinada a derrubar Dilma Rousseff com uma cobertura de legalidade", afirma Paulo Moreira Leite, diretor do 247 em Brasília; para ele, a presença de Dilma no Senado "marcou um momento de histórico"; "A presidente fez uma apresentação soberba", opina; "Neste mundo que se encontra além da política e sua lógica, além do Supremo Tribunal Federal e seus sorrisos amarelos, a resistência final a um golpe de notório, já escancarado, tornou-se uma questão de caráter", completa PML



Em três meses fora do Planalto, Dilma Rousseff consumou uma vitória essencial para o futuro de nossa democracia, ao ganhar o debate político sobre a natureza de seu afastamento. Numa virada respeitável, a situação pode ser resumida assim: para além do círculo de políticos, empresários, meios de comunicação e jornalistas diretamente interessados numa derrota histórica do projeto político construído em torno de Luiz Inácio Lula da Silva, pode-se dizer que não há quem não esteja convencido, dentro e fora do país, de que sua saída da presidência representa um golpe de Estado, inaceitável pela própria natureza.

Iniciado na última quinta-feira, o confronto entre testemunhas de acusação e defesa completou com vários detalhes técnicos o desmonte das principais teses dos adversários construídas para justificar o afastamento. Para completar, a presença de Dilma no Senado, na segunda-feira, 29 de agosto, marcou um momento de histórico. A presidente fez uma apresentação soberba. Dispondo de uma tribuna pública que jamais lhe foi oferecida para apresentar seu ponto de vista, teve clareza e competência para demonstrar seus pontos de vista e derrubar, uma a uma, as alegações de seus adversários, desde o início empenhados em encerrar aquela jornada delicada para seus propósitos no prazo mais rápido possível.

Mas hoje, quando o debate sobre o destino de Dilma ingressa na fase de deliberação final, as condições de temperatura e pressão no Senado estão longe de refletir aquilo que se pode ver e ouvir pelo país inteiro, nos últimos dias.

As chances de a presidente vir a ser afastada definitivamente seguem mais do que enormes. Isso ocorre apesar da clareza da argumentação contrária, da solidez dos dados apresentados, da desmoralização contínua do governo interino, incapaz de disfarçar o caráter regressivo de um projeto que jamais seria vitorioso caso fosse submetido a debate numa campanha eleitoral. Não é difícil explicar essa diferença entre o que se sabe e o que pode acontecer em breve, talvez nas próximas horas.

Iniciado na AP 470, em 2005, o massacre brutal do Partido dos Trabalhadores e seus aliados, que inclui a perseguição permanente a Lula e longas prisões de lideranças políticas e empresários vinculados ao esforço de construir uma economia voltada para o mercado interno, são a dificuldade real para a reversão de uma situação desfavorável. A derrota é anterior, extraparlamentar, num processo permanente e avassalador que atinge de frente aquele que é de longe o mais importante movimento político orgânico nascido no final da ditadura de 64, mas que agora se encontra sem músculos, sem voz e dividido, como se confirmou pela fraquíssima presença popular nos últimos protestos o afastamento da presidente.

A democracia brasileira, duramente construída na resistência ao regime militar, já foi derrotada, fora do Senado. A saída de Dilma pretende, apenas, dar aparência legal a uma situação de fato. Daí o pânico com a palavra golpe.

Neste mundo que se encontra além da política e sua lógica, além do Supremo Tribunal Federal e seus sorrisos amarelos, a resistência final a um golpe de notório, já escancarado, tornou-se uma questão de caráter.

É isso o que acontece em situações extremas e desiguais, muito difícil de enfrentar num absurdo universo fechado de personagens que só ouvem a si mesmos, em horas nas quais se usam as regras da democracia para destruir a própria democracia e se pronunciam argumentos morais para acobertar um infinito cinismo.

Quando as instituições falham, resta o caráter, ensinou o professor Wanderley Guilherme dos Santos, numa de suas aulas únicas sobre as diversas crises brasileiras. Em dezembro de 2015, data em que Michel Temer deu o braço, em público, para aliar-se a Eduardo Cunha e articular o impeachment que deveria salvar a pele de tantos, Wanderley escreveu:

“Quando as instituições falham, o caráter prevalece. Há quem nunca fraudou a lei por falta de oportunidade e há os que resistiram apesar dos convites das circunstâncias. Em crise, o caráter de cada um é desnudado. De vários políticos já conhecemos o material de que são feitos, uns de primeira, outros de segunda qualidade. Não há coletividade humana que escape ao vírus da safadeza. A esperança é que não se propague.”

Richard Sennet, um dos mais agudos estudiosos das sociedades contemporâneas, registrou numa obra seminal, “A Corrosão do Caráter” que vivemos um tempo de “capitalismo flexível”. Com isso o mestre se refere a um “ sistema que é muito mais do que uma variação sobre um velho tema. Enfatiza-se a flexibilidade. Atacam-se as formas rígidas burocracia e também os males da rotina cega. “ Neste novo momento da evolução humana, distante do sistema em que a maioria possuía a proteção de leis trabalhistas e de um estado de bem-estar, pede-se agilidade e abertura “a mudanças de curto prazo,” continuamente favoráveis a riscos que dependem “cada vez menos de leis e procedimentos formais.”

Escritas já no prefácio da obra, estas palavras são um ponto de partida para se compreender o processo que pode levar nossa democracia ao despenhadeiro. Antes da flexibilização da exploração dos assalariados, dos programas que defendem o miserável e mesmo dão alguma garantia a classe média, é preciso flexibilizar a democracia.

O objeto do estudo de Sennet, vale assinalar, são os trabalhadores precarizados pelo Estado mínimo, incapazes de assumir compromissos duradouros para organizar suas famílias, defender suas famílias e suas comunidades em função de um sistema de laços frouxos, que não oferece um horizonte de longo prazo e dificulta a escolha de “caminhos a seguir,” pois é impossível saber quais riscos “serão compensados.”

Nos últimos dias de agosto de 2016, uma guerra política que terá consequências de primeira grandeza sobre o Brasil e várias gerações de brasileiros e brasileiras, mudou de natureza.

Os fatos agora estão aí, a frente de todos, desde a conspiração no TCU até a arquitetura de Eduardo Cunha na Câmara. O essencial: Dilma não poder ser condenada porque é inteiramente inocente das acusações que lhe foram feitas. Ao contrário do que diz a tese de irresponsabilidade fiscal, mostrou-se excessivamente responsável ao lidar com as contas do governo, lembrou Luiz Gonzaga Belluzzo. Não pode ser condenada por uma lei que não existia no momento em que os fatos ocorreram, repetiu José Eduardo Cardozo. Não pode ser vítima de regras que se aplicam em regimes parlamentaristas num país onde vigora o presidencialismo, sublinhou o constitucionalista Geraldo Prado. Nelson Barbosa calou os interlocutores com respostas claras e definitivas sobre assuntos variados. A lista poderia ser maior.

Elaborada como uma resposta necessária à consciência democrática dos brasileiros, que há muito tempo não aceitam qualquer mentira que lhe apresentam, aquilo que era um pretexto revela-se uma farsa. Deveria ser cancelada com um pedido de desculpas. Mas isso dificilmente irá ocorrer, por uma razão muito simples.

Pessoas de caráter são aquelas que defendem princípios mesmo quando eles não convêm a seus próprios interesses. Não se contentam em brindar a democracia em coquetéis. Não saúdam a liberdade para impressionar jovens mocinhas. Não têm como primeiro mandamento ético ficar de bem com donos de jornal e com jornalistas.

São personagens como o empresário Rubens Paiva, o usineiro Teotonio Vilella, a quatrocentona Terezinha Zerbini, o arcebisco Paulo Evaristo Arns. Bustos de bronze na memória de 200 milhões de brasileiros.

Os demais, cedo ou tarde, imploram para serem esquecidos.

Posted: 30 Aug 2016 08:51 AM PDT

Matéria destaca influência da Rede Globo no golpe militar, em 1964, e no golpe parlamentar de 2016. Vídeo denuncia ainda a manipulação das massas usada para formar uma hegemonia de pensamento no país; assista



Reportagem da Al Jazeera English resolveu ir a fundo para desvendar a participação da Rede Globo no processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff. A matéria destaca que o grupo configura o maior conglomerado midiático da América Latina e pertence à família Marinho, considerada a mais rica do Brasil.

A Al Jazeera lembra que, em 1964, a Globo apoiou o golpe militar e tem demonstrado o mesmo esforço, hoje, em implementar um golpe parlamentar no país. A matéria mostra a poderosa influência da imprensa sobre a opinião pública e a formação de uma hegemonia de pensamento no que se refere à política.

Confira a seguir:  https://www.facebook.com/ImprensaInternacionalDenunciaOGolpe/videos/297052573994389/
Posted: 30 Aug 2016 08:24 AM PDT





EU ESTIVE NO Democracy Now esta manhã, falando sobre a excepcional situação que se desenrola hoje no Brasil; o vídeo (com legendas em português) pode ser visto acima.

Durante as Olimpíadas, o “presidente interino” Michel Temer, temendo vaias, quebrou o protocolo ao exigir que seu nome não fosse anunciado quando ele apareceu na Cerimônia de Abertura (ele foi intensamente vaiado de qualquer maneira) e depois se escondeu, não comparecendo à Cerimônia de Encerramento. Em amplo contraste, a presidente realmente eleita da nação, Dilma Rousseff, decidiu ir ao Senado hoje para confrontar seus acusadores, quando a gangue de corruptos e criminosos que constituem o Senado brasileiro encaminha o fim do julgamento do impeachment, com o resultado virtualmente inevitável de que a presidente duas vezes eleita Dilma seja removida do cargo. É a personificação da covardia x coragem:









O aspecto mais notório disso tudo – e o que distingue fundamentalmente o processo de um impeachment nos EUA, por exemplo – é que a remoção de Dilma leva ao poder um partido completamente diferente, que não foi eleito para a presidência. De fato – como documentado por meus colegas do The Intercept Brasil, João Filho e Breno Costa, esta semana –, a remoção de Dilma está empoderando exatamente o PSDB, partido de direita que perdeu as últimas quatro eleições nacionais, incluindo a derrota para Dilma há 21 meses. Em alguns casos, as mesmas pessoas deste partido que concorreram e perderam estão agora no controle de ministérios chave do país.

Como resultado, o governo não eleito prestes a tomar permanentemente o poder está preparando uma série de medidas – da suspensão do exitoso programa de combate ao analfabetismo, a privatização dos recursos nacionais e as “mudanças” de vários programas sociais ao abandono das alianças regionais em prol do retorno à subserviência aos EUA – que nunca foram ratificadas pela população brasileira e nunca seriam. Não importa se você chama de “golpe” ou não, isso é a antíteses da democracia, um atentado direto a ela.

Enquanto Dilma entrava no Senado, eu discuti o tema em entrevista ao Democracy Now, esta manhã, que você pode assistir (com legendas em português) no vídeo acima. Também falei sobre os vários aspectos da campanha de 2016 à presidência dos EUA, que podem ser conferidos aqui eaqui.





The Intercept - Brasil
Posted: 30 Aug 2016 08:07 AM PDT



Dilma brilhou no Senado, como vem brilhando, aliás, desde que decidiu enfrentar com bravura os punhais de seus algozes.

Nós sabemos, desde o início, que estamos do lado certo – o lado da democracia, como disse a Presidenta eleita e única que por nós será reconhecida até 2018 – mas a fala contundente e corajosa de Dilma serviu para selar esse sentimento com maestria.

A voz hesitante sumiu: Ela já não gagueja. Os dias difíceis enfrentando traidores, conspiradores e misóginos rendeu-lhe serenidade. A fala firme, segura, tranquila e pouco afetada tem uma motivação que golpista algum jamais experimentou: Consciência limpa.

A presidenta não agride, não desrespeita e não se exalta, o que é no mínimo admirável, considerando a revolta que habita tão violentamente a cada um de nós diante do circo político televisionado promovido por uma quadrilha de golpistas e descaradamente defendido por uma parcela considerável da população brasileira.

A postura altiva e franca de Dilma – uma postura de quem não tem do que se envergonhar – representa uma analogia triste com a postura de todas as mulheres brasileiras, que, embora lamentem o esfacelamento da democracia, sentem-se, como nunca, representadas por uma Presidenta corajosa e justa.

A misoginia embutida no golpe é, como já dissemos, a mesma misoginia cotidiana da qual todas nós somos vítimas, e resistimos com a mesma bravura elegante de nossa incondicional representante.

É assim, canalhas, que vocês estão produzindo cruel e involuntariamente mulheres incríveis: violentando-as. Vocês nos derrubam e nós levantamos mais fortes, vocês nos matam e nossas semelhantes resistem, vocês tentam nos diminuir e nós só crescemos, vocês nos desprezam e só o que conseguem é se mostrarem cada vez mais desprezíveis.

Desprezíveis não apenas porque conspiram contra a democracia e o povo brasileiro, mas porque fogem como ratazanas, porque não honram as calças que vestem, porque envergonham a Nação em todas as suas virtudes.

Somos, portanto, para a nossa vergonha, o Brasil de Eduardo Cunha, de Michel Temer e de Aecio Neves, mas somos também o Brasil de Erudina, de Vanessa Grazziotin, de Jandira Ferghali e de Dilma Rousseff.

Somos o Brasil das brasileiras que resistem. E hoje, apesar de tudo, é um belo dia para ser mulher brasileira porque nossas heroínas não se calaram, como nós mesmas jamais nos calamos. Porque a nossa Presidenta não fugiu e não renunciou – cumpriu, até o fim, o seu compromisso com a democracia pela qual tanto lutou e, sobretudo, com o povo brasileiro.

As ratazanas golpistas fogem, conspiram e protegem-se com escudos sórdidos. A presidenta ilibada fica e enfrenta.

E para nós, brasileiros ultrajados, resta a certeza reconfortante: A história se lembrará de Dilma Rousseff como a representação máxima da força e da coragem da mulher brasileira.


Diário do Centro do Mundo
Posted: 30 Aug 2016 08:00 AM PDT

Acompanhe debate entre acusação e defesa de Dilma Rousseff no Senado Federal que acontece nesta terça-feira (30)














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