terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

28/2 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 28 Feb 2017 11:01 AM PST
Por Altamiro Borges

A situação do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), pré-candidato da extrema-direita para as eleições presidenciais de 2018, pode se complicar nos próximos dias. Uma rede de seguidores do fascista manipulou o protesto de 21 dias da Polícia Militar do Espírito Santo por melhores salários e contra o arrocho do governador Paulo Hartung. Segundo as investigações, ela teria estimulado atos de violência, com chacinas e saques. Agora, porém, os principais líderes desta suposta conspiração, que causou pânico e terror na população capixaba, estão sendo investigados e presos. Um deles, o ex-deputado federal Capitão Assumção – muito ligado a Jair Bolsonaro – conseguiu escapar de um cerco policial neste final de semana.

Segundo reportagem do jornal Estadão, assinada pelos repórteres Leonêncio Nossa e Adriana Fernandes, “a Justiça Militar do Espírito Santo decretou no sábado (25), a pedido do Ministério Público Estadual, a prisão de quatro policiais por envolvimento no motim dos policiais militares do Estado. Eles são acusados de incitar o movimento e de aliciamento de outros policiais com a divulgação de áudios e vídeos em redes sociais. A polícia tentou prender os quatro em suas casas, mas não os encontrou. Um deles, o ex-deputado federal e militar da reserva conhecido como capitão Assumção, foi encontrado mais tarde no 4º Batalhão da PM, em Vila Velha. Os policiais da Corregedoria da PM chegaram a detê-lo, mas ele escapou”. Bem estranho!

“Segundo agentes da equipe que tentou prendê-lo, Assumção, que é aliado do deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ), conseguiu fugir em meio a um tumulto criado por um grupo de colegas e de mulheres de policiais amotinados, que se manifestava em frente ao quartel. Houve troca de empurrões e o ex-deputado escapou depois de receber voz de prisão. Dos quatro militares que tiveram a prisão decretada, apenas o tenente coronel Carlos Alberto Foresti havia sido detido até a conclusão desta edição. O oficial se apresentou no sábado na unidade da Polícia Militar de Itaperuna, no Rio de Janeiro, e foi encaminhado para o presídio da Polícia Militar do Espírito Santo, em Vitória”.

Ainda de acordo com a reportagem, a corregedoria da PM informou que está adotando as medidas necessárias para cumprir as ordens de prisões dos demais policiais. Segundo o jornal, o ex-deputado Capitão Assumção, filiado ao mesmo partido de Jair Bolsonaro, foi um dos principais líderes do motim. “Ele teve participação presencial nas entradas dos quartéis e na divulgação de mensagens de apoio nas redes sociais. No sábado, o Estado mostrou que o motim contou com o apoio de um grupo aliado de Bolsonaro no Espírito Santo. O secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo, Eugênio Ricas, disse que há indícios claros de que o movimento foi de ‘fachada’ motivado por interesses políticos e econômicos”.

“Sem citar nomes, o secretário afirmou que o Espírito Santo viveu um quadro de ‘terrorismo digital’ por meio da disseminação de informações falsas e boatos com o objetivo explícito de colocar a população em pânico, paralisar o transporte público e fechar o comércio. Segundo Ricas, 80% das mensagens partiram de pessoas e redes de fora do Estado. ‘O que se espera de um movimento como esse que toda a movimentação seja do Estado, principalmente dos policiais, mas não foi o que aconteceu’, disse. O secretário informou que há indícios robustos dos interesses políticos e econômicos por trás do movimento. Dados pessoais do secretário e de seus familiares foram invadidos e disseminados por e-mail durante o fim de semana. ‘Fica evidente a ousadia desse grupo e o que eles são capazes’, afirmou”.

Ainda de acordo com Eugênio Ricas, “pode ter havido crime contra as leis de Segurança Nacional e de Terrorismo”. O deputado Jair Bolsonaro, que adora pregar maior repressão militar contra grevistas e protestos sociais – recentemente, ele rosnou mais uma vez contra o MST e o MTST –, que se cuide. Ele pode ser vítima da sua própria língua ferina e das suas provocações fascistas!

Comunidade judaica rejeita Bolsonaro

Até hoje, o extremista Jair Bolsonaro contou com a cumplicidade dos seus pares no parlamento e com os holofotes da mídia. Esta covarde conivência permitiu que ele ganhasse adeptos com seus discursos de ódio e pontos nas pesquisas de opinião. Na mais recente sondagem da CNT, ele inclusive ultrapassou os tucanos de alta plumagem – como Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin –, despontando como possível concorrente de Lula nas eleições presidenciais de 2018. Diante deste alarmante risco, vários setores da sociedade começam a se manifestar. Nesta semana, integrantes da comunidade judaica reagiram com um abaixo-assinado na internet contra o convite do clube Hebraica de São Paulo ao notório fascista. Vale conferir o manifesto:

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Não aceitamos Bolsonaro na Hebraica- SP

Impossível ficar passivo ao convite para que Jair Bolsonaro venha ser entrevistado para uma plateia na Hebraica de São Paulo.

Tomados pela incredulidade de convite para entrevista com plateia de Jair Bolsonaro na sede do clube, nós judeus brasileiros chamamos a direção da Hebraica-SP para ponderar as implicações de tal atividade para a comunidade judaica brasileira como um todo, e a paulista em especial.

Bolsonaro representa a extrema direita brasileira e em todas oportunidades em que lhe é permitido falar, explora e ataca as minorias entre as quais, nós judeus, nos encontramos.

Ele é homofóbico, misógino, racista e antissemita por natureza e convicção. Idolatra a extrema direita neonazista e admira os torturadores da ditadura militar, a qual enaltece em todas as oportunidades.

Por tudo isso que em nome da memória de Vladmir Herzog, Iara Iavelberg, Ana Rosa Kucinski, Gelson Reicher, Chael Charles Schreier, e tantos outros judeus vítimas da ditadura, os abaixo assinados pedem que a Hebraica-SP não permita ato com Jair Bolsonaro na sede do clube.


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Em tempo: A Folha desta terça-feira (28) informa que a palestra do troglodita agendada para março “dividiu a comunidade judaica” e foi suspensa pelo clube Hebraica. “De um lado, interessados e simpatizantes do deputado de extrema direita, provável candidato a presidente em 2018, indignaram-se com a decisão da diretoria do clube, a qual chamaram de censura. De outro, críticos de Bolsonaro articularam abaixo-assinado com mais de 2.700 nomes como o do ex-ministro Renato Janine Ribeiro. Nas redes sociais, afloraram protestos contra a iniciativa, vista como gesto de anuência aos valores defendidos pelo político. Bolsonaro é alvo de processos de cassação na Câmara por acusações como ser homofóbico e favorável à tortura”.

Segundo o empresário gaúcho Mauro Nadvorny, que organizou o abaixo-assinado, o convite foi um erro e gerou reações. “Tomou essa proporção por tudo de ruim que representa o Bolsonaro. Um cara racista, misógino, antissemita pensar em ser recebido em um clube da comunidade é, por si só, terrível... Tem aqueles que se deixam seduzir pelo canto da sereia, que, neste caso, nos remete ao holocausto. Quando Hitler começou, também teve apoio de judeus”.

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Posted: 28 Feb 2017 11:03 AM PST
Por Altamiro Borges

Na semana passada, a revista estadunidense Forbes, dedicada à chamada elite empresarial – ou seria cloaca burguesa? – publicou um longo artigo sobre a economia brasileira e as perspectivas do futuro. Trechos da matéria foram traduzidos e reproduzidos pelo Jornal do Brasil sob o título: “Forbes: Investidores analisam possibilidade de Lula vencer em 2018”. A publicação ouviu apenas os agentes do mercado financeiro, os famosos abutres. Eles se dizem animados com o fim da recessão no país e – muito excitados – com as contrarreformas neoliberais orquestradas pelo covil golpista. O temor, afirmam, é com o retorno de Lula em 2018.

“Matéria publicada nesta quinta-feira (24) pela Forbes conta que após quase três anos de recessão a economia brasileira está crescendo novamente. Nada de muito significativo, mas sair da taxa negativa já anima os investidores... Mas existe uma faísca de preocupação lá fora que tem menos a ver com o aumento dos preços dos títulos brasileiros e mais a ver com a conversa de Luiz Inácio Lula da Silva retornando ao poder em 2018... O PT que ele criou foi golpeado pelos eleitores em outubro. Ainda assim, Lula não pode ser descartado como forte candidato à Presidência. Ele é, de longe, a maior estrela política do Brasil”.

Para Mike Reynal, gerente do fundo Sophus Capital, “seria ruim para a economia um retorno de Lula em 2018. ‘Uma nova presidência de Lula seria manchada de lembranças de corrupção, má administração e burocracia judicial ligadas à presidente Dilma... Seríamos definitivamente mais céticos’, afirma... ‘O mercado já está especulando que o Brasil pode obter crédito quando aprovarmos a reforma das pensões’, diz Fernando Bergallo, diretor da FB Capital. ‘Uma vitória de Lula acabaria com tudo isso. Sem dúvida, Lula seria um desastre para as finanças do país e traria pânico para os mercados financeiros’, diz ele”.

Os abutres financeiros – que se entusiasmaram com o “golpe dos corruptos” que alçou Michel Temer ao poder – temem pela vitória de Lula nas eleições presidenciais de 2018. Eles estão fazendo bilionários negócios e ganhando muito dinheiro com os usurpadores que assaltaram o Palácio do Planalto. A entrega do pré-sal, os cortes dos gastos públicos em saúde e educação, as privatizações de estatais e as contrarreformas trabalhista e previdenciária, entre outras medidas de desmonte da nação e do trabalho, animam esta gente ambiciosa, sem qualquer escrúpulo ou caráter. Daí o medo diante do risco da volta de Lula!

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Posted: 28 Feb 2017 05:38 AM PST
Por Kiko Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Michel Temer foi passar o Carnaval com os seus na Base Naval de Aratu, na Bahia, perto de Salvador, onde toda noite uma multidão pede sua saída.

Foi escalada uma equipe gigantesca de seguranças para fazer o reconhecimento e a proteção do local. Um morro próximo foi isolado.

A casa fica num terreno escondido pelo que restou de Mata Atlântica. A Marinha colocou navios para evitar que embarcações se aproximem. A área cercada é impenetrável.

É mais reservado que Mangaratiba, no Rio de Janeiro, onde os Temer passaram o réveillon. Numa caminhada com a patroa, ele topou com um “Fora Temer” escrito na areia.

Seguiu em frente, fingindo que nada havia acontecido. Depois mandou um estafeta apagar a inscrição. Melhor do que ele mesmo voltar na calada da noite e tirar com os pezinhos.

A mudança de endereço tem uma razão: impedir os paparazzi de fotografar a primeira dama de biquini, maiô, burca ou o que quer que ela vista para ir à praia com Michelzinho, com a mãe, ou sozinha.

Quanto está custando essa operação de guerra?

É pouco provável que Michel consiga relaxar num Rider, fumando seu charuto e acariciando seu golden retriever Thor numa boa.

Seu advogado e parceiro de décadas José Yunes entregou o ministro Eliseu Padilha, para quem serviu como “mula”, José Serra saiu correndo e na quarta feira de cinzas o relator do processo no TSE que pede a cassação da chapa Dilma-Temer, Herman Benjamin, vai interrogar Marcelo Odebrecht.

O Titanic de Michel faz água por todos os lados e os buracos foram causados pelos queridos amigos e aliados, sete deles demitidos do governo.

E se ele tivesse com esses antigos companheiros o mesmo zelo que demonstra para com a mulher? E se eles fossem vigiados como ela? E se tivessem que apresentar o mesmo decoro?

Ali na capital baiana, a minutos de viagem, está o edifício de luxo de Geddel, cuja construção Temer tentou facilitar praticando a chamada advocacia administrativa, que em português é uma violação da coisa pública.

Geddelzinho pode tudo, Padilha idem, inclusive levar grana por aí, Cunha é premiado com um chegado no Ministério da Justiça, Moreira recebe foro privilegiado, Jucá quer perpetuar o foro privilegiado - todos eles brincam à vontade amparados na licenciosidade de tio Michel.

Marcela não.

Um exército é destacado para que ela não seja fotografada em trajes de banho.

Isso não é para protegê-la, ou à sua “honra”, mas ao seu marido. Não é a intimidade dela que ele está tentando preservar, mas a dele, a do coronel, em seu código moral próprio.

A turma de Michel assalta os cofres públicos na maior, sem ser incomodada pelo chefe. Muito pelo contrário. Ele demite a contragosto, passando a mão na cabeça.

Marcela, desde o golpe, não vai mais à manicure no shooping, não leva o cão para passear e, agora, soldados a mantêm encastelada.

Ela sabe que este pode ser seu derradeiro Carnaval como primeira dama. Seria diferente se seu digníssimo esposo tivesse tomado conta de sua gangue como toma dela.

O Brasil paga a suruba dos meninos.
Posted: 28 Feb 2017 05:15 AM PST
Posted: 28 Feb 2017 05:06 AM PST
Por Mauro Lopes, no site Outras Palavras:

O filósofo italiano Giorgio Agamben, um dos relevantes protagonistas do pensamento crítico na virada do século XX para o XXI disse numa entrevista em 2012 que “Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro” (aqui). A afirmação de Agamben inspirou-se em outro filósofo, este um protagonista da primeira metade do século XX, um pensador fora da curva, Walter Benjamin. Em seu curto e denso “O Capitalismo como Religião”, de 1921 (aqui), Benjamin escreveu que o capitalismo é em si mesmo a religião mais implacável que já existiu, e promove um culto ininterrupto ao Dinheiro, “sem trégua nem piedade”, uma religião que não visa a reforma da pessoa, “mas seu o seu esfacelamento” [1].

O filósofo alemão sugeriu uma comparação entre as imagens dos santos das religiões e as cédulas de dinheiro de diversos países –ele não imaginava, à época, que este Deus-dinheiro estaria diretamente louvado nas cédulas nos EUA (In God we Trust, em Deus Confiamos) e, desde 1980, no Brasil, onde lê-se em todas as notas a frase de adoração à moeda corrente: Deus seja louvado.

Ambos foram influenciados por um dito de Jesus, que está no centro da liturgia católica do 8º Domingo do Tempo Comum (26), às portas do período quaresmal que antecede a Semana Santa e a Páscoa: “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” O texto proclamado é do Evangelho de Mateus (Mt 6,24-34). A oposição entre Deus e o dinheiro é um tema central ao longo da história e, para Jesus, a relação de cada qual com o dinheiro é definidora de sua relação com as outras pessoas e a vida.

Como essa questão aparece na vida das pessoas? A psicanálise procurou investigar a relação entre o ser humano e o dinheiro e chegou a conclusões que podem soar surpreendentes e inacreditáveis num primeiro momento. Como apontou o sacerdote jesuíta e teólogo espanhol Carlos Domingues Morano, dinheiro é um assunto crucial, apesar de muitas vezes escamoteado -como o sexo. Na verdade, o tema nunca é “só dinheiro”. As relações entre os homens/mulheres com o dinheiro comportam dimensões nem sempre lógicas, que extrapolam o discurso racional mais ou menos organizado –é sempre “algo mais” que dinheiro.[2] Na relação das pessoas com o dinheiro, revelou-nos a psicanálise, “está também implicada uma ‘questão de amor’; dito em termos mais freudianos, uma questão de ordem libidinal, inconsciente e com raízes na infância. Isso nos permite compreender, entre outras coisas, porque, assim como ocorre com a sexualidade, o dinheiro provoca tantas reações de dissimulação, falso pudor e hipocrisia” [3].

Há uma questão oculta que Freud trouxe à tona –e causou enorme mal-estar: a intimidade entre nossa relação o dinheiro e a fase da libido anal, relacionando-o com os excrementos.

O valor nodal do dinheiro para os adultos é, descobriu Freud, análogo ao altíssimo valor que os excrementos possuem para as crianças. Outro psicanalista, Sandor Ferenczi, do grupo de Freud, demonstrou o caminho passo a passo pelo qual a criança efetua a sublimação do conteúdo anal até chegar, finalmente, à transmutação simbólica em dinheiro. “A matéria fecal vai passando por uma série de substituições, nas quais vai progressivamente distorcendo a primitiva satisfação auto erótica relacionada com a defecação: o barro, a areia, a pedra, o jogo com bolinhas de gude e botões todos objetos que proporcionam tanta satisfação à criança que facilitam a substituição do fétido, duro, mole pelo inodoro, seco duro.”[4] O dinheiro ingressa nessa cadeia de sublimações por um caminho complexo até desvincular-se de toda a aparência com sua “fonte original” e permitir o surgimento da máxima de que o dinheiro não fede (pecunia non olet).

A relação entre as fezes e o dinheiro pode parecer um absurdo num primeiro momento. Mas, se observamos com mente aberta, veremos que são abundantes e recorrentes as imagens e símbolos que desnudaram ao longo da história relação que os homens estabelecem entre as fezes e o ouro ou o dinheiro. Uma delas é a figura do “cagador de ducados” que está representada nos portais de bancos alemães. São inúmeras as expressões populares que consagram esta associação sem que nos demos conta disso. Quando uma pessoa tem muito dinheiro dizemos que está “podre de rica”; se o dinheiro tem origem suspeita, falamos em “dinheiro sujo” e, ao contrário, se a pessoa está sem dinheiro, dizemos que está “limpa”; ou que está “apertada”.

Esta relação foi capturada mais de mil anos antes de Freud numa intuição genial do bispo Basílio de Cesareia, em meados do século IV. São Basílio decretou: o dinheiro é o cocô do diabo. A expressão foi deixada de lado pelos cristãos séculos a fio até que São Francisco, no século XII, mencionou Basílio; agora, ela foi novamente posta á luz pelo Papa Francisco em fevereiro de 2015, apesar de ele preferir a palavra “esterco”, talvez menos crua. Clique e veja o vídeo em que o Papa menciona a expressão de Basílio (Francisco trata do assunto entre 1min50 e 2min30).

Como se dá esta articulação dinheiro-fezes? A psicanálise explorou as relações entre as dinâmicas de possessão, características da fase anal, e de propriedade, fundante da civilização ocidental e especialmente do capitalismo.

Quando uma criança perde suas fezes sente a dor de ter deixado escapar algo que lhe era tão essencial que estava dentro de si, era parte de seu corpo, mas que não mais consegue por de volta; isto é a possessão. A propriedade refere-se a objetos externos, mas que deveriam me pertencer, “coisas que de fato estão fora, mas simbolicamente estão dentro”. São objetos revestidos de “qualidade do eu”. Para muitas pessoas, talvez a imensa maioria no capitalismo, o dinheiro reveste-se desta qualidade do eu. Isso origina processos intensos de defesa e projeção. Perder dinheiro para essas pessoas é muito mais que perda de algo externo, exterior, “mas sim de algo que foi previamente in-corporado”, ou seja, algo que se tornou parte de mim. A posse e controle do dinheiro têm o mesmo papel que o controle da atividade defecatória para a criança diante do mundo exterior. Uma “relação regressiva com o dinheiro ou com a propriedade de objetos” fica impregnada pela dimensão possessiva (retentiva) da fase anal.[5]

O resultado é avassalador: o amor ao dinheiro, quando extravasa suas funções de adaptação à realidade, acaba expressando uma dimensão infantil da afetividade, o que implica uma dominância do narcisismo, um desenvolvimento truncado da afetividade (da relação com o outro, da capacidade de amar e/ou odiar) e do autorrespeito e respeito pelo outro.[6] Esta infantilização narcísica dos ricos ou, dos “novos ricos”, numa expressão recorrentes de Basílio, é facilmente verificável na convivência com eles e espalha-se em ondas pela indústria do entretenimento, especialmente o cinema feito para o grande público.

Ter e reter dinheiro são tentativas continuadas de encobrir as carências internas e conquistar segurança. Lembro-me de uma conversa com um consultor de investimentos sobre um casal, cliente do banco em que ele trabalhava. Eles haviam feito uma série de contas em planilhas (como se a vida pudesse ser contida em planilhas Excel) e concluído que quando tivessem R$ 20 milhões em aplicações financeiras (excluídos bens como casa e carros) poderiam finalmente “desestressar” e olhar com tranquilidade para a vida. Esta posição remetia-os a frequentes crises de insegurança e angústia extrema, pois como escreveu Erich Fromm, “se sou o que tenho e o que tenho se perde, então quem sou?”[7]

Ou, expressando Fromm de maneira complementar: se sou o que tenho e nunca tenho o que considero suficiente, sempre haverá uma “insuficiência de mim” que precisa ser coberta e recoberta com necessidade de acúmulo cada vez maior enquanto o fosso da insegurança aprofunda-se, na medida em que a possibilidade apavorante da perda de dinheiro para outro é um fantasma permanente. É uma vida em estado de guerra permanente para defender o que é “meu” contra aquele que deseja apropriar-se, podendo ser desde um competidor, políticas públicas de um governo que deixam de favorecer o crescimento de minha fortuna, os pobres que se mobilizam para tomar dinheiro do governo que a mim pertence “de direito”. Pois o capitalismo garante: tenho direito a possuir tudo e tudo reter para mim, sem limites.

Sim, o capitalismo é, numa linguagem popular, o encontro da fome com a vontade de comer. Nele, esta condição pulsional presente na vida de cada ser humano é organizada como um sistema social que alcançou, na expressão de Benjamin, a dimensão suprema de um culto organizado e sistemático. O psicanalista austríaco Otto Fenichel demonstrou como, antes de tudo, a função real do dinheiro numa sociedade determina o alcance e a intensidade das tendências pulsionais de retenção. Tais processos acontecem em sociedades determinadas com estruturas econômicas, sociais e culturais determinadas, com uma Igreja determinada e, portanto, alcançam dimensões que, levando em conta as escolhas e histórias individuais, situam-nas num contexto geográfico-temporal preciso.

Portanto, a “mobilização para a guerra” que garanta a cada indivíduo o seu “direito supremo à retenção” é o mantra do capitalismo e “mobiliza a hostilidade como tendência a despojar o outro, de modo a fazer com que o desejo de fraudar, explorar e frustrar os outros acabe se convertendo numa autêntica norma cultural.”[8] Essa hostilidade torna-se a base relacional que se reproduz em todas as relações, mesmo as mais íntimas: assim, por exemplo, o encontro com o outro ou a outra para a vida amorosa e o casamento converte-se numa série de cálculos e contratos e precauções para a possibilidade futura de separação e rompimento.

A dissonância absoluta entre o amor pelo dinheiro e o amor a Deus proclamada por Jesus e como ela atinge dimensões dramáticas no interior de um sistema que no qual o dinheiro ocupa o lugar de Deus. Trata-se de uma incompatibilidade radical, apesar de todos os esforços dos rigoristas e integristas católicos, dos neopentecostais e outros cristãos para amenizar as palavras de Jesus e relativizá-las: “Não é possível amar a Deus, isto é, amar a generosidade, a entrega, a solidariedade, a compaixão e a misericórdia e ao mesmo tempo amar o dinheiro, isto é, amar o tomar tudo para si, a acumulação que é a base de toda a injustiça e de todo o desamor: fome, guerra, exploração, morte etc.”[9]

É o que tem feito seguidamente o Papa Francisco. Uma das marcas de seu pontificado é a denúncia da submissão ao Deus-dinheiro. A primeira vez em que explicitou sua postura foi dois meses depois de sua posse. Em maio de 2013, ele afirmou, num discurso que indicou a revolução nascente no Vaticano, que no capitalismo “criamos novos ídolos; a adoração do antigo bezerro de ouro encontrou uma nova e impiedosa imagem no fetichismo do dinheiro e na ditadura da economia sem rosto nem propósito verdadeiramente humanos” e que a base deste culto ao Deus-dinheiro está “na relação que temos com o dinheiro, em aceitar o seu domínio sobre nós e sobre as nossas sociedades”. Três anos depois, numa entrevista, em agosto de 2016, o Papa acentuou: “No centro da economia mundial está o deus Dinheiro, e não a pessoa, o homem e a mulher”. Na mensagem para a Quaresma de 2017, período que se abre com a Quarta-feira de Cinzas Francisco foi taxativo: “A ganância do dinheiro é a raiz de todos os males”.

Se para os cristãos, o amor não é apenas um preceito, mas é o conteúdo sobre o qual o cristianismo está edificado, se é a “pedra angular”, o apego ao dinheiro, fonte de desamor, não se restringe a um problema ético, mas é um ataque direto à fé. A fidelidade a Deus fica interditada para aquele que não realiza a escolha por Ele e, por caminhos explícitos ou cheios de sombras e ilusões e autoengano, opta pela adoração à coisa: o dinheiro.

Por isso as religiões estão profundamente abaladas em seu fundamento na contemporaneidade e, muitas delas, ou tendências poderosas em seu interior, como no caso da Igreja Católica, realizam explicita ou implicitamente operações de substituição de um culto pelo outro, colocando o dinheiro no lugar de Deus. Tornam-se promotoras da tendência pulsional identificada por Jesus e estudada à profundidade pela psicanálise e igrejas-sucursais da “religião oficial”: o capitalismo.

Notas:

[1] Benjamin, Walter. O capitalismo como religião. São Paulo, Boitempo Editorial, 2013, p. 22
[2] Morano, Carlos Dominguez. Crer depois de Freud. 3ª edição, São Paulo, Edições Loyola, 2003, p.233
[3] Ibid. Morano, 2003, p. 234
[4] Ibid. Morano, 2003, p. 236
[5] Ibid. Morano, 2003, p. 239
[6] Ibid. Morano, 2003, p. 240
[7] In Morano, 2003, op cit., p. 240
[8] Ibid. Morano, 2003, p. 243
[9] Ibid. Morano, 2003, p. 246
Posted: 28 Feb 2017 03:50 AM PST
Da Rede Brasil Atual:

Um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado para investigar a real situação da Previdência Social no país já conta com 29 assinaturas – duas a mais que o mínimo necessário –, coletadas pelo mandato do senador Paulo Paim (PT)-RS). "O governo diz que a Previdência é deficitária, mas nós dizemos que é superavitária. Queremos, então, tirar a prova e saber quem são os maiores devedores, além de entender como é a história das fraudes, sonegações e anistias", argumenta Paim,

O senador informou que fará o pedido formal de instalação da CPI da Previdência ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), nos próximos dias.O pedido recebeu assinaturas até mesmo de senadores do PMDB, partido do presidente Michel Temer, e de outros partidos governistas. Com a adesão de membros da base aliada, o debate em torno da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, que trata da Reforma da Previdência, deve se intensificar entre governo e oposição, logo após o Carnaval.

"Nós começamos no Senado colher assinaturas para uma CPI da Previdência Social com uma palavra de ordem: parem essa bomba de reforma e vamos ver quem está com a razão", disse Paim. Ele considera a CPI fundamental para ver quem está roubando a previdência de todos os brasileiros. Entidades ligadas à auditoria fiscal apontam R$ 400 bilhões em dívidas que precisam ser cobradas dos empresários. "Se pegarmos os grandes devedores, aí se comprovará, mais uma vez, que não há déficit na Previdência, mas superávit. Esse discurso falso do governo golpista não se sustenta", afirmou o senador, em reportagem da Agência PT no Senado.

Ao jornal Dia, Paim afirmou que tem sofrido pressão por parte do governo para que não dê seguimento à criação da CPI. "O governo está fazendo terrorismo, inclusive ameaçando senadores para que eles retirem o nome, mas quem não deve não teme. Quem tem medo de uma investigação?", questionou.

Se instalada, a comissão terá 120 dias para convocar pessoas para depor, ouvir testemunhas, requisitar documentos e determinar diligências, entre outras medidas que julgue necessárias para as investigações sobre a real situação da Previdência.

A PEC 287, que trata da reforma da Previdência, altera regras para que o trabalhador acesse benefícios previdenciários, como estabelecer idade mínima de 65 anos para homens e para mulheres darem entrada no pedido de aposentadoria junto ao INSS, além de impor mecanismos diferentes de cálculo e o fim da cumulatividade de pensão com aposentadoria, entre outros pontos.

A medida tem recebido fortes críticas de parlamentares da oposição e até membros da base aliada de Michel Temer, que se queixam do caráter austero da proposta.
Posted: 27 Feb 2017 08:44 PM PST
Por Eugênio Aragão

As frações de informação tornadas públicas na entrevista do advogado José Yunes, insistentemente apresentado pelos esbulhadores do Palácio do Planalto como desconhecido de Michel Temer, embrulham o estômago, causam ânsia de vômito em qualquer pessoa normal, medianamente decente.

Conclui-se que Temer e sua cambada prepararam a traição à presidenta Dilma Vana Rousseff bem antes das eleições de 2014. A aliança entre o hoje sedizente presidente e o correntista suíço Eduardo Cunha existia já em maio daquele ano, quando o primeiro recebeu no Palácio do Jaburu, na companhia cúmplice de Eliseu Padilha, o Sr. Marcelo Odebrecht, para solicitar-lhe a módica quantia de 10 milhões de reais. Não para financiar as eleições presidenciais, mas, ao menos em parte, para garantir o voto de 140 parlamentares, que dariam a Eduardo Cunha a presidência da Câmara dos Deputados, passo imprescindível na rota da conspiração para derrubar Dilma.

Temer armou cedo o golpe que lhe daria o que nunca obteria em uma disputa democrática: o mandato de Presidente da República. Definitivamente, esse sujeitinho não foi feito para a democracia. É um gnomo feio, incapaz de encantar multidões, sem ideias, sem concepções, sem voto, mas com elevada dose de inveja e vaidade. Para tomar a si o que não é seu, age à sorrelfa, à imagem e semelhança de Smeágol, o destroncado monstrengo do épico "O Senhor dos Anéis".

Muito ainda saberemos sobre o mais vergonhoso episódio da história republicana brasileira, protagonizado por jagunços da política, gente sem caráter e vergonha na cara, que só conseguiu seu intento porque a sociedade estava debilitada, polarizada no ódio plantado pela mídia comercial e reverberado com afinco nas redes sociais, com a inestimável mãozinha de carreiras da elite do serviço público.

O resultado está aí: o fim de um projeto nacional e soberano de desenvolvimento sustentável e inclusivo. A mais profunda crise econômica que o país já experimentou. A desconstrução do pouco de solidariedade que nosso Estado já prestou aos mais necessitados. A troca do interesse da maioria pela mesquinhez gananciosa e ambiciosa da minoria que, "em nome do PIB" ou "do mercado", se deu o direito de rasgar os votos de 54 milhões de brasileiras e brasileiros. Rasgaram-nos pela fraude e pelo corrompimento das instituições, com o único escopo de liquidar os ativos nacionais e fazer dinheiro rápido e farto, como na privatização de FHC. Dinheiro que o cidadão nunca verá.

É assim que se despedaça e trucida a democracia: dando o poder a quem perdeu as eleições, garantindo aos derrotados uma fatia gigantesca do governo usurpado e até a nomeação de um dos seus para o STF, para assegurar vida mansa a quem tem dívidas com a justiça. A piscadela de Alexandre de Moraes a Edison Lobão, na CCJ, diz tudo.

Assistiremos a tudo isso sem nenhum sentimento de pudor?

A essa altura dos acontecimentos, o STF e a PGR só podem insistir na tese da "regularidade formal" do impedimento da Presidenta Dilma Rousseff com a descarada hipocrisia definida por Voltaire como "cortesia dos covardes".

Caiu o véu da mentira. Não há mais como negar: o golpe foi comprado e a compra negociada cedinho, ainda no primeiro mandato de Dilma. O golpe foi dado com uma facada nas costas, desferida por quem deveria portar-se com discreta lealdade diante da companheira de chapa. O Judas revelado está.

E os guardiões da Constituição? Lavarão as mãos como Pilatos - ou tomarão vergonha na cara?
Posted: 27 Feb 2017 08:33 PM PST
Por Ana Magalhães, no site Repórter Brasil:

Enquanto propõe que o brasileiro trabalhe por mais tempo para se aposentar, a reforma da Previdência Social ignora os R$ 426 bilhões que não são repassados pelas empresas ao INSS. O valor da dívida equivale a três vezes o chamado déficit da Previdência em 2016. Esses números, levantados pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), não são levados em conta na reforma do governo Michel Temer.

“O governo fala muito de déficit na Previdência, mas não leva em conta que o problema da inadimplência e do não repasse das contribuições previdenciárias ajudam a aumentá-lo. As contribuições não pagas ou questionadas na Justiça deveriam ser consideradas [na reforma]”, afirma Achilles Frias, presidente do Sindicado dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz).

A maior parte dessa dívida está concentrada na mão de poucas empresas que estão ativas. Somente 3% das companhias respondem por mais de 63% da dívida previdenciária. A procuradoria estudou e classificou essas 32.224 empresas que mais devem, e constatou que apenas 18% são extintas. A grande maioria, ou 82%, são ativas.



Na lista das empresas devedoras da Previdência, há gigantes como Bradesco, Caixa Econômica Federal, Marfrig, JBS (dona de marcas como Friboi e Swift) e Vale. Apenas essas empresas juntas devem R$ 3,9 bilhões, segundo valores atualizados em dezembro do ano passado.

A Repórter Brasil entrou em contato com essas empresas para entender quais são os pontos em desacordo. O Bradesco afirma que não comenta processos judiciais. A JBS diz que está negociando a dívida com a Receita Federal. A Marfrig afirma, em nota, que discute judicialmente a possibilidade de compensação de débitos previdenciários com créditos relativos ao PIS e a COFINS e que negociou o parcelamento da dívida. A Vale informa que possui questionamentos judiciais referentes às contribuições previdenciárias e que ofereceu garantias da dívida, o que a permite estar em ‘regularidade fiscal’. A Caixa Econômica Federal não se pronunciou. Leia a íntegra das respostas.

Acesse a lista dos 500 maiores devedores da Previdência (em pdf).

Parte da dívida não pode ser recuperada

Apesar da maior parte das empresas devedoras estarem na ativa, no topo da lista há também grandes companhias falidas há anos, como as aéreas Varig e Vasp. Por isso, nem toda a dívida pode ser recuperada. É provável que quase 60% do valor devido nunca chegue aos cofres do INSS – ou porque são de empresas falidas, em processo de falência, tradicionais sonegadoras ou laranjas.

Apenas R$ 10,3 bilhões (4% do montante da dívida) têm alta probabilidade de recuperação, segundo estudo da procuradoria divulgado em março do ano passado. Do classificado à época, referente à R$ 375 bilhões de dívidas, constatou-se que 38% têm média chance de recuperação; 28% tem baixa chance e 30% tem chances remotas (veja detalhes no quadro abaixo).



A prova disso é que o percentual de recuperação é baixo. Em 2016, a procuradoria recuperou apenas R$ 4,15 bilhões dos créditos previdenciários, o equivalente a 0,9% da dívida previdenciária total.

Apesar disso, a procuradoria diz tomar medidas para recuperar esse valor. “Estamos num momento em que sempre se ronda o aumento da carga tributária, e a PGFN entende que o verdadeiro ajuste fiscal é cobrar de quem deve para não onerar quem paga,” diz Daniel de Saboia Xavier, coordenador-geral de grandes devedores da procuradoria.

O estudo poderia, inclusive, ajudar a retirar algumas empresas do mercado. “A empresa fraudadora viola a livre concorrência e prejudica empresas do mesmo ramo que não fraudam”, afirma Xavier, destacando que o órgão priorizará a cobrança das empresas que entram nos critérios ‘alta’ e ‘média’. Xavier explica ainda que muitas das empresas que estão inscritas como devedoras de valores com alta chance de recuperação apresentam questionamentos judiciais.

A Repórter Brasil questionou quais são as empresas que seriam priorizadas à assessoria de imprensa através da Lei de Acesso à Informação, mas a procuradoria negou a informação sob a justificativa de que a divulgação violaria o sigilo fiscal.
Por que a dívida é tão alta?

A morosidade da Justiça, a complexidade da legislação tributária brasileira e os programas de parcelamento do governo são apontados como os principais fatores que explicam a alta dívida previdenciária no país.

“Não é um crime dever, e grandes grupos empresariais se beneficiam disso, questionam valores na Justiça e ficam protelando a vida inteira,” diz Sônia Fleury, professora da Fundação Getúlio Vargas. “É preciso fazer uma varredura para ver como as empresas utilizam esse mecanismo protelatório na Justiça e tomar decisões no nível mais alto para impedir esse jogo, que só favorece as grandes empresas. Perde o governo e o trabalhador.”

A criação de varas específicas e especializadas poderia agilizar esse tipo de cobrança, segundo o presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip), Vilson Romero. “A única forma de fazer com que as empresas não fiquem devendo ao INSS seria ter uma estrutura fiscalizadora e cobradora mais eficiente e eficaz, o que chega a ser utopia no Brasil de hoje”, avalia Romero.

Sem a criação dessas varas, o sistema de cobrança continua lento. Uma ação de cobrança da Fazenda Nacional demora cerca de nove anos no Brasil segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de 2012. A responsabilidade pela cobrança das dívidas é da PGFN. Por outro lado, é dever da Receita Federal fiscalizar se os repasses previdenciários estão de fato ocorrendo, mas o trabalhador pode também conferir se a sua empresa está cumprindo a obrigação dos repasses pedindo, em uma agência do INSS, o extrato CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais).

O coordenador de Previdência do Ipea, Rogério Nagamine, acredita ser necessário melhorar a recuperação dessas dívidas, mas aponta que ela não resolve todos os problemas da Previdência. Por isso, ele defende a reforma proposta pelo atual governo − que estabelece a idade mínima de 65 anos para se aposentar (com pelo menos 25 anos de contribuição) e que, entre outras alterações, muda a base de cálculo do benefício, com redução de seu valor final.

A complexa legislação tributária do país é outro motivo para o alto volume dessa dívida, na avaliação da assessora política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), Grazielle David. Hoje, os inadimplentes da União pagam multa sobre a dívida, mas, segundo a especialista, essa multa vem sendo reduzida pela Receita Federal, pela procuradoria e pelo INSS nos últimos anos, em decorrência do parcelamento especial de débitos tributários.

“Principalmente nas grandes empresas, isso gera uma segurança para colocar a inadimplência e a sonegação no planejamento tributário, porque o risco é menor que o bônus. A legislação praticamente incentiva uma empresa a ficar inadimplente ou a sonegar”, afirma, destacando que em outros países as leis costumam ser mais rígidas.

A procuradoria informou, por meio de sua assessoria, que “o que tem prejudicado a cobrança dessas dívidas, em realidade, são os sucessivos programas de parcelamento especial (“REFIS”) editados nos últimos 17 anos. Os devedores têm utilizado esses parcelamentos como meio de rolagem da dívida, migrando de programa de forma sucessiva, sem, contudo, quitar os débitos.”
Posted: 28 Feb 2017 11:37 AM PST
Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Não é fácil entender a papelada divulgada pelo grupo anonymous na semana passada, chamada de Tabapuã Papers. Mas como o trabalho do jornalismo deve ser simplificar, em vez de complicar, este Blog vai tentar trocar em miúdos do que se trata.

Em 31 de dezembro do ano passado, duas pessoas – um homem chamado Joel Assis e uma mulher chamada Larissa Monteiro – colocaram no ar o blog Tabapuã Papers. Esse nome remete a empresa criada pelo presidente Michel Temer e sua filha Luciana em 2010, a Tabapuã Investimentos e Participações.


Um dos fatos estranhos sobre a Tabapuã é que Michel Temer omitiu sua criação na declaração de bens como candidato na eleição de 2010, quando se tornou vice-presidente da República na chapa de Dilma Rousseff.

Porém, Temer incluiu a empresa em sua declaração de bens como candidato em 2014

O blog Tabapuã Papers afirma que foi criado para mostrar “(…) relações sombrias do melhor amigo do presidente Michel Temer com firmas em paraísos fiscais, empresas de fachada, bancos suspeitos de lavagem de dinheiro, barões da mídia e, claro, com o próprio Temer (…)”.

O “melhor amigo do presidente Michel Temer” (citado no parágrafo acima), no caso, é o advogado José Yunes, que deixou o cargo de assessor de Temer em 13 de dezembro do ano passado depois de ter tido seu nome citado em delação premiada de Cláudio Melo Filho, ex-diretor de relações institucionais da Odebrecht.

Em depoimento ao Ministério Público Federal prestado na semana passada, Yunes contou que, em 2014, recebeu um telefonema de Eliseu Padilha, na época deputado federal. Padilha pediu que ele recebesse um documento no escritório, que depois seria recolhido por outra pessoa.

Agora, em entrevista à GloboNews, Yunes disse que foi apenas uma “mula” de Padilha, que mandou um doleiro todo enrolado na lava jato ir lá, ao seu escritório, deixar o tal dinheiro que outra pessoa passaria depois para retirar.

Yunes se diz enganado, envolvido em esquema do qual não tinha conhecimento, e que comprometeria, “apenas”, o presidente da República.

Ocorre que toda essa barafunda tem desdobramentos surpreendentes graças aos documentos do Tabapuã Papers.

Os papéis mostram nada mais, nada menos do que Temer alugando salas comerciais para um consórcio de bilionários que inclui um filho de Yunes, Marcos Yunes, e ninguém mais, ninguém menos do que José Roberto Marinho, um dos donos da Globo.

Trata-se da Maraú Administração de Bens e Participações, cujo curioso quadro societário você confere abaixo.

Toda essa gente que figura na constituição da Maraú aparece no Tabapuã Papers enrolada com a criação de offshores em paraísos fiscais, ou seja, aparece como dona de empresas de fachada, com sede falsa, com atividades obscuras movidas a capital sem origem declarada.

É nesse rolo que estão metidos Michel Temer, presidente da República, e José Roberto Marinho, um dos presidentes “de facto” do Brasil. Unidos por uma montanha de “coincidências” de nomes, pessoas, empresas constituídas fora do país e que começaram a atuar aqui dentro.

Ninguém achou exatamente o que está errado em tudo isso. Tudo o que está sendo divulgado pelo blog Panamá Papers é, “apenas”, um conjunto de documentos que requer investigação das autoridades.

A sociedade tem direito de entender que tipo de negócios são esses que a Globo e o presidente da República mantiveram com um monte de gente enrolada até o pescoço em mega escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro, sonegação, evasão de divisas e o diabo a quatro.

É estarrecedor ver pessoas tão importantes tendo relações comerciais com investigados, denunciados e até com gente presa (doleiros). O imóvel alugado pela Tabapuã, de Temer, para a Maraú, de Yunes e Marinho, pode ter sediado a suruba do século.
Posted: 27 Feb 2017 08:07 PM PST
Por Renato Rovai, em seu blog:

José Yunes que delatou sem a necessidade de acordo com o MP o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, é um empresário de sucesso. De muito sucesso. E de muitas empresas, muitas delas difíceis de entender para quem está acostumando com negócios de formato tradicional. Há muitas formas de colocar uma lupa sobre elas, uma é atentar para o nome de Arlito Caires Santos, morador de Barueri, que o blogue procurou para conversar antes desta publicação. Arlito, ou alguém que tem sua senha do Facebook, visualizou a mensagem e preferiu não responder.

Arlito Caires Santos é sócio na Stargate do Brasil Estética, Produtos e Serviços Ltda, nascida em novembro de 2001 e cujo objeto social é “comércio varejista de artigos médicos e ortopédicos”. Seu capital, RS 2.646.058,00. Desse valor, Arlito é dono de apenas 1 mil reais.

A Stargate do Brasil na verdade é filha da offshore, criada em agosto de 2001, no estado de Delaware, famoso paraíso fiscal norte-americano, por Glorybel Sousa e que poucos dias depois de aberta teve José Yunes nomeado como seu procurador.

Até onde o blogue apurou essa parece ser a primeira operação de uma teia de formação de empresas para algum tipo de finalidade não muito clara que começa a ganhar mais complexidade depois de uma década.

Goden Star e LightedHouse, duas empresas que passaram a operar no mesmo dia

Em 29 de maio de 2013, começa a Golden Star Serviços e Participações Ltda, na rua Texas, 1152, com capital de 5.720,000,00 para realizar “atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica especifica, aluguel de imóveis próprios, atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios imobiliários, exceto imobiliários de holdings de instituições não-financeiras”.

No mesmo dia, nasce a LightedHouse Serviços e Participações, com um capital de 5.380,000,00. Também localizada na rua Texas, 1152, no Brooklin. Em ambas as empresas, Arlito tem 1 mil reais de participação. Todo o restante, mais de 11 milhões de capital, é da Stargate, a empresa controlada por Yunes.

O blogue apurou que no local onde ambas estão registradas, na verdade, funciona um escritório de contabilidade, a Sema Contábil.

Outras empresas de Arlito

Além dessas empresas em sociedade direta com a Stargate, Arlito Caires Santos tem algumas outras. São elas: Caires Music Produções e Eventos Musicais Ltda, Bardi Participações Ltda, MHS, Administração de bens próprios Ltda e Sitio Bonaparte Imóveis e Participações Ltda.

Em 1/10/2010, Arlito abriu com Suellen Pereira Santos, a Caires Music Produções e Eventos Musicais Ltda, com um capital de 60 mil reais. Desse total, 57 mil são de Arlito e 3 mil de Suellen. A área de atuação definida em contrato é de “produção musical, serviços de organização de feiras, congressos e festas”.

Dois anos depois, em 6/11/2012 ele criou a Bardi Participações Ltda. O objeto social é “Holding de instituições não-financeiras”. Ela fica localizada, pelo que o blogue apurou, no mesmo endereço onde residem Arlito Caires Santos e sua esposa, Maria de Fátima Pereira Santos, que é sua sócia. Cada um deles tem 50% das cotas de um capital total de 120 mil reais.

Em 25 de agosto de 2015, Arlito e sua esposa abrem outra empresa, a MHS Administração de Bens próprios Ltda, desta vez com um capital bem maior, de 1.280,000,00. Cada qual com 50% das ações e tendo como endereço o mesmo da residência de ambos. A empresa tem por objeto social a “compra e venda de imóveis próprios, outras sociedade de participação, exceto holding, aluguel de imóveis próprios e holdings de instituições não-financeiras”.

Sitio Bonaparte

No Sítio Bonaparte, que é a maior empresa onde Arlito tem participação, com capital total de 8 milhões de reais, as idas e vindas societárias chamam a atenção para uma teia ainda mais complexa.

A empresa foi criada em 14/02/2012, com capital de 8 milhões de reais e sede na rua Senador Queiros, 505, no centro de São Paulo. Neste local funciona a loja Mabel, como se pode ver na foto abaixo. A partir da loja Mabel, que tem filial em Recife e Ceará abre-se uma nova ramificação de empresas com outros personagens.

A Mabel atua na área de importação e exportação de produtos típicos chineses, como se pode ver pelo seu site.

Seus sócios atuais são a GB 17 Participações Ltda, a Golden Star Serviços e Participações Ltda. e Izaias Alves de Araújo. A administradora é Ana Paula dos Santos Nunes de Brito.

A GB 17 é de Gilberto Pereira Brito. Ana Paula é a sua esposa pelo que se pode inferir dos documentos. O blogue tentou localizar Gilberto, mas não obteve sucesso. A Golden Star é uma das empresas de José Yunes com Arlito, onde o primeiro tem mais de 99% do capital. Ou seja, Yunes também é dono da Mabel.

Voltando ao objeto social da Sítio Bonaparte, ela é definida como de “compra e venda de imóveis próprios, aluguel de imóveis próprios, holdings de instituições não-financeiras”.

O leitor já deve ter percebido que várias das empresas criadas tem essa finalidade. Por coincidência ou não, a mesma da Yuni Incorporadora S.A, empresa da família Yunes, com capital aproximado de 180 milhões, que construiu o Spacio Faria Lima, onde a Tabapuã, empresa do presidente Michel Temer, tem duas salas no 25º andar.

A diretoria e participação societária da Bonaparte é a seguinte:

– Arlito Caires Santos, representando a LightedHouse e Serviços e Participações Ltda, que como você que chegou até aqui já sabe, não é de Arlito, mas de José Yunes. E que entra com 2 milhões de capital na Boanaparte.

– A Bardi Participações Ltda, com valor de participação de 2 milhões de reais na sociedade. A Bardi, como já registrado acima, é de Arlito e de sua esposa. Ambos tem 50% das cotas da empresa. Quem representa a Bardi neste contrato é Maria de Fátima Pereira Santos.

– Gilberto Pereira Brito, representando a Telugo, e que também tem 2 milhões de capital investido.

– E a Imoto Participações Ltda, também com capital de 2 milhões de reais, representada por Izaias Alves de Araújo.

A despeito de todos esses nomes, tudo leva a José Yunes de novo. No contrato de formação da Golden Star, na página 15, há um contrato de empréstimo da Stargate do Brasil, aquela empresa mãe de todo o esquema e que surge a partir da offshore criada em 2001 por Glorybel Sousa, de empréstimo de R$ 2 milhões para Gilberto Pereira Brito. No próprio contrato fica estipulado que se Gilberto não honrasse o compromisso em 60 dias, as ações que ele comprou no Sítio Bonaparte passariam a ser da Golden Star, ou seja, de Yunes. Não é possível saber, mas a hipótese do blogue é que este empréstimo acabou não sendo pago.

As conexões não param por aí. O emaranhado de empresas e nomes que vão surgindo indicam uma clara tentativa de esconder algo. O “irmão” de Temer, que disse ter sido feito de mula por Eliseu Padilha, parece entender muito mais desse universo de negócios heterodoxos do que sua declaração sobre o doleiro Lucio Funaro, operador de Cunha, indicava.

Yunes também parece não operar apenas para si.

É importante que o leitor não deixe de atentar para uma coisa, o atual presidente sempre pleiteou diretorias de Portos e Aeroportos quando deputado. Mesmo não tendo atuação aparente nessa área.

No governo Dilma, num dado momento Temer tinha Moreira Franco como ministro da Aviação Civil, e Edinho Araújo, dos Portos. Dois homens de sua total confiança. Na carta que deixa vazar e que indica claramente seu rompimento com a presidenta, Temer cita a demissão de ambos como fatores importantes para a decisão.

Yunes se diz irmão de Temer por ser amigo dele desde o final dos anos 50. Mas ao que tudo indica é mais do que isso.

Mais matérias

No dia 24, este blogue publicou a primeira matéria sobre os documentos do Tabapuã Papers, criado em 31/12 do ano passado.

A partir disso, o Anonymous entrou no jogo e espalhou a documentação na rede.

Na sequência, outros blogueiros começaram a destrinchar o material.

O Miguel do Rosário, do Cafezinho, fez uma matéria chamando a atenção para a sociedade de Roberto Marinho na Maraú, empresa da qual o filho Marcos de José Yunes se torna sócio logo depois da sessão do impeachment.

O Azenha chamou a atenção para a ZHouse, empresa dos Marinhos, que acaba ficando com uma parte da Maraú.

Nassif fez dois textos abrindo novas trilhas do material e num deles destaca o banco Pine, uma parte importante dessa história e que ainda merece um olhar mais atento.

Em outro texto Nassif também joga luzes sobre a Maraú.
Posted: 28 Feb 2017 11:51 AM PST
Por Miguel do Rosário, no blog Cafezinho:

Eu gostaria de comentar duas notícias, relacionadas ao mesmo tema: a nova ofensiva do golpe.

No Estadão

O ministro Herman Benjamin, relator da ação que investiga a chapa presidencial de 2014 formada pela ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e pelo presidente Michel Temer (PMDB) no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu incluir a delação da Odebrecht no processo e ouvir executivos da empreiteira que firmaram o acordo de colaboração com o Ministério Público Federal (MPF), segundo fontes informaram ao Estado. A ação que tramita no TSE foi proposta pelo PSDB e pode gerar a cassação do mandato de Temer e a inelegibilidade de Dilma. Benjamin pretende ouvir delatores da empresa a partir do mês de março.


Para advogados com acesso ao caso, a inclusão das declarações da Odebrecht no processo do TSE tem dois efeitos: as revelações da empreiteira podem atingir o presidente Michel Temer e a inclusão dos depoimentos deve adiar ainda mais o julgamento do caso na Corte Eleitoral.

(…)

No Jota


***

A cassação via TSE era o plano B do golpe. Se o impeachment se revelasse muito complicado, seria uma alternativa.

O impeachment, liderado por Eduardo Cunha, deu certo. Então os golpistas ficaram, por um tempo, sem saber o que fazer com o plano B. Gilmar Mendes já era o presidente do TSE e, enquanto não se decidia, foi empurrando o processo com a barriga.

Mas eles são espertos e rapidamente descobriram uma maneira de usar o processo no TSE: “esquentar” a Lava Jato, e produzir factoides midiáticos, que desviam a atenção da sociedade dos desmandos do governo.

Tudo é muito calculado. No dia seguinte à constrangedora aprovação de Alexandre de Moraes para o STF, com direito a fotos antológicas, cheia de piscadelas e gargalhadas dos senadores, o que faz um TSE já devidamente dominado pelo golpismo?

Lança, naturalmente, factoides contra o PT.

A decisão de Herman Benjamin de incluir as delações da Odebrecht no processo pedido pelo PSDB tem uma função dupla: a primeira delas é prorrogar o processo por tempo indeterminado, o que beneficia Michel Temer e o consórcio golpista; o segundo é produzir mais factoides contra o PT.

Não é preciso muita lógica. o fato da Odebrecht, assim como outras grandes empreiteiras, ser grande doadora do PSDB, além de, evidentemente, ser impossível saber quem seria o ganhador das eleições, não importa.

O que importa é fixar no pensamento coletivo a ideia de que qualquer doação para o PT, de que qualquer despesa de campanha do PT, é corrupção.

Não foi para isso que prenderam o “marketeiro de Dilma”? Para gerar exatamente uma manchete com a expressão “marketeiro de Dilma”?

Temer governará o Brasil por pouco mais de dois anos. Mas, a bem da verdade, quem já está no poder é o PSDB. O PSDB indicou o novo ministro do STF, indicará o novo PGR, terá o ministério da Justiça, coordena o Senado e a Câmara (a primeira pessoa a quem Rodrigo Maia visitou, após sua vitória, foi Aécio Neves) e, sobretudo, goza de uma espetacular blindagem da mídia e do sistema golpista de justiça – privilégios que o PMDB sonharia ter, mas não tem.

O PMDB, para não ser inteiramente posto na prisão, terá que pagar o preço de um dia ter se aliado ao PT. O preço é fazer o serviço sujo de cortar direitos sociais, implementar mais arrocho e destruir empresas. Houve um tempo em que o PMDB era um partido de centro, que se posicionava de maneira moderada em relação às privatizações e iniciativas neoliberais mais radicais. Hoje não. Hoje o PMDB se tornou um entusiasta neoliberal, porque sabe que esta é a única maneira de sobreviver politicamente – pois tem apoio da grande mídia e, com ela, do judiciário. A proteção do STF à Moreira Franco e à Sarney é a prova disso. Tudo que não deram a Lula e ao PT eles dão ao PMDB – enquanto o partido se comportar.

A notícia de que um cidadão entregava dinheiro a membros do PT no ano de 2014 me fez pensar também em duas coisas: 1) o oportunismo de mais um vazamento seletivo, e 2) a futilidade da denúncia.

Se o TSE investigasse qualquer outra campanha presidencial, encontraria, naturalmente, pessoas responsáveis pelo pagamento da campanha.

Por que esses vazamentos do TSE contra o PT, antes de haver qualquer denúncia ou acusação?

As campanhas políticas no Brasil envolvem dinheiro, gráficas e pagamento de trabalhadores.

Entretanto, nessa era de pós-verdade, mais uma vez teremos uma jabuticaba: a campanha do PT será a única criminalizada.

O pagamento às gráficas vira crime – se imprimirem material de campanha do PT.

O pagamento de trabalhadores de campanha é crime – se for campanha do PT.

Os donos das gráficas são criminosos – caso tenham prestado serviços ao PT.

No fundo, é tudo um teatro. Se o TSE cassar a chapa, Temer tentará a separação. Provavelmente conseguirá, porque já terá tido tempo de nomear outros ministros para o TSE e ganhar maioria. Se acaso não conseguir, tudo termina no STF, onde já conta com seu fiel escudeiro Alexandre de Moraes.

Naturalmente, tanto o TSE quanto o STF só tomarão alguma decisão após lerem atentamente as instruções emanadas pela Globo. Se a ordem for derrubar Temer, para, mais uma vez, desviar a atenção da opinião pública, então eles o farão. Acho mais provável, contudo, que mantenham Temer até 2018. O objetivo agora é continuar moendo o PT na mais poderosa máquina de aniquilar reputação já vista na história, quiçá só comparável aos esquemas de Stálin. Sistema de justiça e mídia trabalhando juntos, para criminalizar um partido, esgotá-lo, aterrorizá-lo, cercá-lo de uma aura radioativa, que contamine todos que cheguem perto. Ao mesmo tempo, blindar e apoiar o PSDB, a legenda do neoliberalismo, dos rentistas e da mídia.

As instituições, como diria Toffoli, continuam funcionando normalmente.

28/2 - O Cafezinho DE HOJE

O Cafezinho


Posted: 28 Feb 2017 05:59 AM PST
Teste de Post Ref. novo servidor de maior desempenho ocafezinho.com
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Posted: 26 Feb 2017 05:49 PM PST
Posted: 26 Feb 2017 05:41 PM PST
A nota já tem uma semana, mas ainda é atual. E eu queria deixar no banco de dados do blog. por Armando Rodrigues Coelho Neto, no Jornal GGN SEG, 20/02/2017 – 08:09 ATUALIZADO EM 20/02/2017 – 08:10 Técnica e legalmente, a concessão para a exploração TV é de 15 anos (rádios dez) renováveis por igual prazo, desde que cumpram exigências. Entre elas privilegiar educação, cultura nacional e regional, não formar monopólio ou oligopólio de propriedade, contemplando ainda aspectos de cunho moral, financeiro e fiscal. Não há notícias da observância desses critérios. Renovações de outorgas de concessões de TV e rádios […]
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Posted: 26 Feb 2017 05:29 PM PST
Posted: 26 Feb 2017 09:25 AM PST
O Globo bem que tentou promover a fantasia de “super Moro” neste Carnaval. Não colou. Nem tinha como colar jamais. Carnaval não é tempo de celebrar autoridade. Carnaval é tempo de celebrar a rebeldia. O povo gritou, claro, Fora Temer. Um dos melhores e mais criativos blocos deste Carnaval de 2017, o Sereias da Guanabara, que não toca apenas samba, e sim canções de Dorival Caymmi, Dona Odete, Caetano Veloso, etc, foi um dos exemplos. Abaixo, um vídeo do primeiro ensaio do bloco:
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