quinta-feira, 15 de junho de 2017

15/5 - Altamiro Borges DE 14/6

Altamiro Borges


Posted: 14 Jun 2017 05:24 PM PDT
Posted: 14 Jun 2017 05:10 PM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Amigo e homem de confiança de Michel Temer, o professor Gaudêncio Torquato encerra um artigo de hoje na Folha de S. Paulo com uma previsão sombria.

"Junho de 2017 parece monitorado pelos olhos do Big Brother de 1968," escreveu. A referência é direta. Na sequencia um ambiente de luta política pelo poder de Estado e mobilização social nas ruas, em 15 de dezembro de 1968 o país mergulhou na treva do AI-5, a pior fase da pior ditadura de nossa história.

Ninguém precisa confiar nas palavras de um cidadão que tomou parte ativa no golpe que derrubou Dilma e seguiu exercendo uma influencia reconhecida nos meses seguintes. É certo que se trata da visão de um observador interessado na defesa de Temer e em sua permanência no Planalto.

O problema é que mesmo pessoas de olhar tendencioso podem enxergar fatos verdadeiros. Estou convencido de que a dissolução em praça pública do governo Temer coloca a questão do Poder como um assunto necessário.

O repúdio aos 4 a 3 do TSE, que mobilizou o país de alto a baixo, mostra que, mesmo preconizada por sábios diversos da oposição, a estratégia de deixar Temer sangrar até 2018 convence cada vez menos.

Se a sobrevivência de Temer até o final de 2018 parece pouco provável, a pergunta real é: no colo de quem vai cair a faixa presidencial que ele nunca teve o direito de colocar no peito?

Este é o ponto e aqui entra o Big Brother -- onipresente.

Se o conjunto das forças políticas tivesse assumido uma postura disciplinada e paciente, à espera do calendário eleitoral, a situação seria outra. Não é o caso, sabemos todos. A disputa é agora.

A postura de setores da elite jurídica do Estado, que hoje tem a iniciativa, mostra uma atuação em duas camadas geológicas.

Na superfície, através do PGR Rodrigo Janot -- cujo mandato se encerra dentro de dois meses e meio -- o Ministério Publico está em ofensiva aberta contra Temer, a partir de medidas que, levadas a efeito, terminarão por arrancar o presidente do Planalto. Simples assim.

O PSDB cuida da coreografia, fazendo o papel de João Bobo para não dar na vista. Demais interessados na cadeira de Temer fingem que nada têm a ver com isso.

O mais importante ocorre de forma encoberta. Apesar do clamor de mais de 80% dos brasileiros, não se dá nenhum passo para encaminhar uma sucessão por eleição direta. É impressionante.

Diante da pergunta ("o que fazer caso a saída de Temer se transforme numa festa popular?") a resposta tem sido um silencio. Sintomático. Perigoso.

Aqui entra o Big Brother. O objetivo é confrontar a vontade popular e garantir por todos os meios -- inclusive com sacrifício de liberdades e direitos -- o programa de reformas econômicas a que Michel Temer deu início mas tem se mostrado incapaz de seguir adiante com a eficiência desejada por seus patrocinadores.

De olho em 2018 -- cuja permanência no calendário de fatos reais parece menos assegurado do que se costuma imaginar -- o Big Brother trabalha contra qualquer possibilidade de retorno a situação anterior, quando se tentava ampliar as base de um embrião de estado de bem-estar social. Nesta paisagem -- é bom repetir -- o alvo é Lula e o projeto que representa, com todos os limites e imperfeições que é preciso apontar.

Do ponto de vista dos adversários, o simples risco de um "Volta, Lula" é insuportável. Igual a ameaça de um "Volta, JK" em 1965, que unificou os últimos batalhões civis do golpe do ano anterior -- na época, o moderado Juscelino fazia parte do conjunto de possibilidades que o bloco civil-militar considerava inaceitável e tratou de cortar seus direitos 60 dias depois do golpe.

Qualquer que seja a preferência política e os compromissos ideológicos de seus dirigentes -- vamos admitir a boa intenção de pelo menos uma parte deles -- o instrumento essencial do Big Brother de 2017 é a Lava Jato e seus delatores de casaca e cartola.

Mesmo o Supremo foi atingido e encontra-se em posição de fraqueza quando se verifica que o relator serviu-se de um lobista da JBS.

O dedo delator dos grandes corruptores da República colocou de pé um sistema de terror sem dissimulação. Eles apontam quem deve ser eliminado, quem vai sobreviver, quem vai ser tolerado, quem pode ser salvo em companhia de criminosos arrependidos e agora premiados.

O caminho até aqui seguiu um curso que não era inevitável mas logo se mostrou previsível: investigações necessárias contra a corrupção se transformaram em ataques a democracia.

Como um inseto peçonhento, inocula-se um veneno que, pouco a pouco, domina o organismo de suas vítimas. Afeta o raciocínio, paralisa os músculos. Deixa um país inteiro prostrado, com a visão particularmente afetada e distorcida sobre si mesmo, o que dificulta escolhas adequadas.

É assim que, no país que abriga a mais ampla mobilização jurídica-policial-midiática do planeta, sem freios de nenhuma espécie, vigora a crença de que há um (no sentido de único) Problema Nacional que se resume na palavra Corrupção. Ilusão absoluta e perigosa.

Não explica a oitava economia do mundo, nem a liderança regional, nem um parque industrial até hoje respeitável, nem um mercado consumir alvo de cobiça mundial. Muito menos, uma população batalhadora e generosa. Também ajuda a esconder a pobreza, a desigualdade, a falta de oportunidades. A função política do monstro Corrupção é justificar e ampliar o Estado policial. É sua lógica, a partir do Problema Nacional.

Mas s grande questão do país no Brasil de junho de 2017 é democracia. Esta é a doença que apodrece o país e corrói a situação política e impede a abertura de saídas. Sua origem é o golpe de Michel Temer. Sua sobrevivência é responsabilidade daqueles que o apoiam e agora se debruçam sobre seus restos vitais. Hienas da tragédia de um país.

Como a ausência de antibiótico num organismo infeccionado, a falta da voz do povo na tomada de decisões, nas escolhas de cada dia e também dos grandes rumos da historia enfraquece o Estado e sabota no futuro. Transforma a cena política num teatro de marionetes desorientados.

As diretas são para ontem. A sobrevivência de um governo ilegítimo, encolhido em seu bunker, inspira ações irresponsáveis e sonhos autoritários que -- por enquanto -- tentam manter as aparências.

Liberadas do único polo de gravidade legítimo -- a soberania popular -- as autoridades ficam de mãos livres para operar conforme seus interesses e capacidades. A luta política -- saudável em outras circunstâncias -- se transforma em briga de rua e salve-se quem puder, Big Brother.

Sem fingimento, é aqui que estamos.

Para voltar a 1968 e ao AI-5. Enquanto o conjunto do ministério de Costa e Silva se ajoelhava perante a ditadura dentro da ditadura, que eliminou os resquícios de liberdades públicas que haviam sobrevivido ao golpe de 64, a única voz discordante foi de Pedro Aleixo. Não poderia haver cidadão tão comprometido. Era o vice de Costa e Silva, selecionado justamente por se acreditar que tinha a espinha dorsal flexível, capaz de envergonhar a dignidade humana. Num teste decisivo da própria biografia, Pedro Aleixo foi o único voto sensato e corajoso contra o AI-5 e acabou repreendido pelos colegas, que perguntavam se não confiava na capacidade de Costa e Silva para evitar desmandos e abusos indesejáveis. "Não tenho nenhum receio em relação ao presidente, tenho medo do guarda da esquina."

Mas uma diferença de 2107 em relação a 1968 deve ser sublinhada. A fatia mais brilhante, generosa e coerente da geração de 68, que naquela época realizou inesquecíveis manifestações de massa contra o regime militar, engajou-se em organizações que decidiram enfrentar uma ditadura de armas na mão.

Mesmo exibindo coragem e heroísmo numa luta desigual, contra um adversário que torturava e assassinava impunemente, acabaram vencidos no plano militar e político.

Em 2017, a resistência se faz com base na democracia. É um movimento radical no objetivo -- garantir a democracia -- e pacífico nos métodos. Esta é a força da resistência ao Big Brother.
Posted: 14 Jun 2017 05:01 PM PDT
Editorial do jornal Brasil de Fato:

Já aprovada na Câmara dos Deputados, a proposta de reforma trabalhista está em trâmite no Senado e pode ser consolidada no dia 28 de junho. Já foi aprovada na Comissão de Assuntos Econômicos e ainda passará por outras duas comissões antes de ir a plenário para votação.

Ao contrário do que pregam os favoráveis à reforma, a proposta não traz vantagens aos trabalhadores. No momento de crise econômica, o governo ilegítimo de Temer (PMDB) aposta em medidas que aumentam a rotatividade nos empregos e a jornada de trabalho, a diminuição de salários, além de dificultar o ajuizamento de ações na justiça trabalhista.

Dentre as medidas propostas na reforma estão os acordos que prevalecem sobre a lei, ficando mais fácil ao patrão impor restrições de direitos: jornadas de trabalho indefinidas; diminuição da multa paga pelo não registro na carteira de trabalho; a chance de fazer horas extras no trabalho em tempo parcial, já com baixos salários; parcelamento maior das férias, entre outras.

Somente grande mobilização com greve geral, marcada para o dia 30 de junho, mostrará a insatisfação do povo brasileiro com as reformas e não deixará que esse ponto final dos direitos trabalhistas seja escrito.
Posted: 14 Jun 2017 04:10 PM PDT
Do blog de Renato Rabelo:

O seminário sobre os 100 anos da Revolução Russa, promovido pela Fundação Maurício Grabois (FMG), encerrou seu ciclo com palestrantes de peso na noite desta segunda-feira, 12, no auditório da Federação dos Trabalhadores no Sistema Financeiro do RS (Fetrafi- RS), com o tema”A luta pelo socialismo no Século 21″. Estiveram presentes na mesa o ex-governador do RS, Tarso Genro (PT); o ex-ministro Roberto Amaral; e o presidente da FMG e ex-presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, atual presidente da Fundação Maurício Grabois.

O seminário, em seu conjunto, foi um grande sucesso de público, tendo superado todas as expectativas da organização. Tanto que, após a lotação do primeiro debate, ocorrido ainda no mês de maio, os demais eventos foram realizados em espaços maiores para dar conta da grande procura.

“Há, ainda, muito o que debater e aprofundar sobre o significado e o que projeta a Revolução Russa”, sentenciou Tarso Genro na abertura da sua fala. O ex-governador chamou a atenção para o relativo enfraquecimento da classe trabalhadora ao longo da história e sua atual fragmentação e fragilidades, diante do poder do capital financeiro que controla as dívidas dos Estados, os meios de comunicação e estruturas governamentais.

Segundo Tarso, há uma mudança estrutural no legado da Revolução Russa. Hoje não basta, para ele, a tomada de consciência dos trabalhadores de dentro das fábricas. É preciso haver um amplo processo de luta pela hegemonia na sociedade, em dimensão cultural e existencial.

A miséria e a desigualdade são o legado do capitalismo

Roberto Amaral, o histórico militante socialista, chamou a atenção para a imprevisibilidade das condições da luta social. Apesar da irradiação de ondas de mudanças e lutas, a partir da revolução de 1917, segundo ele, vivemos num contexto de vitória do imperialismo: nos campos militar, da economia e no controle da difusão de ideias através dos meios de comunicação. Mas, para Amaral, as grandes contradições do sistema estão cada vez mais notáveis. Mesmo com os avanços tecnológicos e dos meios de produção, há enorme miséria, violência e desigualdade: “este é o legado do capitalismo”.

Sobre o golpe no Brasil, Amaral denuncia que a direita conservadora no Brasil não aceita abrir mão do poder. Exemplifica na nossa história, citando momentos em que houve algum avanço da esquerda e sempre ocorrera a contraofensiva conservadora e restritiva aos direitos democráticos, como aconteceu com Getúlio e Jango.

“A partir deste quadro, em que socialismo podemos pensar e construir neste século 21?”, pergunta. Amaral crê na necessidade de aprender com os erros do passado, mas levar em conta o notável legado da Revolução Russa que pautou uma nova perspectiva para a humanidade: uma sociedade humanista, mais juta e igualitária. “O socialismo segue sendo a inspiração de trabalhadores do mundo todo na direção de uma outra sociedade”, enfatizou. Também fez críticas contundentes ao comportamento da esquerda mundial, que se quedou diante do pragmatismo eleitoreiro, abandonando os seus princípios ideológicos. Para ele, o socialismo do século 21 deve radicalizar a democracia e ser ambientalmente sustentável.

Socialismo é uma exigência da história

Renato Rabelo iniciou sua explanação reafirmando a ideia de que o socialismo é uma resultante das próprias contradições do capitalismo. “O socialismo nasce no século 20. Por isso os ideólogos do capitalismo são geriatras e os ideólogos do socialismo são pediatras”, brincou.

As lições do século passado e do início deste são fundamentais, na opinião dele. “As contradições do capitalismo deste início do século 21 trazem uma grande responsabilidade para as forças avançadas e de esquerda: a realização de uma nova luta pelo socialismo. Como pode, este gigantesco processo de desenvolvimento das forças produtivas conviver com o aumento da exploração, da pobreza e da desigualdade?”, questiona.

Rabelo destacou que, ao contrário do que Marx previa, as experiências socialistas no mundo se dão em países pobres, em nações não desenvolvidas plenamente, como é o caso da China, Vietnã e Cuba. Mesmo a revolução russa se dera em condições muito peculiares, em uma nação de base agrária e com industrialização ainda em fase inicial.

Para ele, a história do capitalismo tem sido de sucessivas crises, esta é – por certo – uma tendência dos tempos atuais. Hoje, segundo ele, está vigente a crise da fase neoliberal do capitalismo que vem acompanhada da crise da ordem unipolar: há uma nova realidade mundial caracterizada pelo surgimento de novos pólos de poder. Ou seja, há uma tendência de multi-polarização, com o crescimento da Russia, Índia, China e até do Brasil.

Outra tendência, segundo ele, é o avanço da chamada quarta revolução industrial. A robotização das indústrias, que tende a uma diminuição do contingente necessário para a produção e uma especialização maior para aqueles trabalhadores necessários à operação dos sistemas produtivos. Ou seja, está surgindo um novo perfil da classe trabalhadora que trará consequências mais amplas e profundas para a luta social e revolucionária.

Para Rabelo, este “mundo em transição” recoloca a centralidade da questão nacional para os países da “periferia”, além de promover a necessidade de novos arranjos no plano internacional. A afirmação dos projetos nacionais na AL, segundo Rabelo, tem nas oligarquias associadas ao capital financeiro e ao imperialismo seus maiores inimigos. “O problema é que hoje, estes setores oligárquicos financeiros querem fechar o espaço institucional que a esquerda conquistou. Querem criminalizar a política e a esquerda. Não admitem sequer a alternância de poder com a esquerda”, adverte. Há uma luta de resistência diante da ofensiva conservadora no mundo, denuncia. Os setores capitalistas dominantes hoje se apresentam de duas formas na luta política: a tendência ultraliberal e aqueles que se baseiam no ultra-nacionalismo, ambos se configuram em reações dentro dos setores dominantes do capitalismo e que buscam dominar o espaço político.

Rabelo também enfatizou a necessidade de a esquerda recolocar no centro da sua tática a luta pela questão nacional, e não deixar a bandeira da afirmação nacional cair na mão da direita. Citou exemplos positivos de unidade do campo progressista e da esquerda na eleição inglesa, na França e na aliança de governo em Portugal. “Não podemos nos perder na confusão dos particularismos, que são importantes, mas não podem ser o centro. A questão central é a afirmação da nação. A luta então é contra o neoliberalismo e contra o neocolonialismo”, adverte.

No caso do Brasil, Rabelo aponta a necessidade da resistência e da luta pela retomada do novo projeto nacional de desenvolvimento, baseado no progresso social, nas reformas estruturais e democráticas, na defesa da soberania e na integração solidária na região. “Fala-se muito em candidatos para agora, ou 2018, mas precisamos falar de projeto. Desta luta anti-neoliberal e pela democracia. Da luta pelo desenvolvimento local e regional, como a proposta de integração dos portos entre o Atlântico e o Pacífico, por exemplo”, afirma.

Para Rabelo o Brasil retrocedeu, tornado-se um país meramente extrativista. É preciso, para ele, retomar o debate sobre o investimento na produção industrial. Retomar a elaboração de uma ideologia do desenvolvimento nacional. Este novo projeto voltado para o desenvolvimento do Brasil é o caminho para se chegar noutra etapa, mais avançada, de luta pelo socialismo.
Posted: 14 Jun 2017 03:58 PM PDT
Por Miguel Martins e Rodrigo Marins, na revista CartaCapital:

A resiliência de Lula impressiona. Alvo preferencial da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, o ex-presidente continua a subir nas pesquisas, ao contrário de seus adversários citados em escândalos.

Encomendada pela Central Única dos Trabalhadores, a mais recente sondagem do instituto Vox Populi, divulgada na terça-feira, 6, revela um candidato imbatível tanto no primeiro quanto no segundo turno.

O petista ostenta impressionantes 40% das intenções de voto espontâneo, quando não são apresentados aos entrevistados os nomes dos prováveis postulantes, seguido à larguíssima distância pelo ultradireitista Jair Bolsonaro (8%), pela ex-senadora Marina Silva (2%) e pelo juiz federal Sergio Moro (2%), mais um delírio da casa-grande em busca desesperada por um oponente viável.

Enquanto o petista escala nas preferências do eleitorado, as intenções de voto dos tucanos evaporam dia após dia. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito da capital paulista, João Doria, figuram, cada um, com míseros 1% das menções espontâneas.

O senador Aécio Neves, afastado do mandato parlamentar por decisão do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, nem sequer chega a pontuar. Não causa surpresa, portanto, a relutância do PSDB em abandonar o moribundo governo de Michel Temer, assim como a enfática defesa do partido pelas eleições indiretas.

O repentino e cínico apego à norma constitucional, a entregar ao Congresso a tarefa de escolher um substituto em caso de vacância do poder, confunde-se com o pavor das urnas e a ausência de votos.

As respostas estimuladas apenas confirmam o favoritismo de Lula. Com Alckmin como candidato do PSDB, o petista tem 45% dos votos no primeiro turno, ante 29% de seus adversários somados. Bolsonaro (PSC) aparece com 13%, seguido de Marina (Rede), com 8%.

Alckmin e Ciro Gomes (PDT), empatados com 4%. Se o postulante tucano for Doria, o cenário é semelhante: Lula tem 45%, ante 30% de seus rivais. Nesse caso, Bolsonaro tem 12%, Marina, 9%, Ciro, 5%, e Doria, 4%.

O melhor cenário para Lula é, porém, ter Aécio como adversário. O tucano aparece com 1%, atrás de Ciro (5%), Marina (9%) e Bolsonaro (13%). Neste cenário, o petista chega a 46% das intenções de voto no primeiro turno, ante 28% dos rivais.

Em todas as projeções de segundo turno o ex-presidente amealha mais de 50% dos votos, muito à frente de Alckmin (11%), Doria (13%), Aécio (5%) e Marina Silva (15%). Ao todo, foram entrevistados 2.001 brasileiros com mais de 16 anos, em 118 municípios de todos os estados e do Distrito Federal, entre os dias 2 e 4 de junho. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Durante o 6º Congresso Nacional do PT, no domingo, 4, quando a senadora Gleisi Hoffmann tornou-se a primeira mulher eleita para presidir o partido em 37 anos de história, as lideranças do partido reforçaram apoio incondicional a Lula na disputa presidencial.

Diante da ameaça de ter a candidatura inviabilizada por uma eventual condenação em segunda instância, a legenda demonstrou a disposição de partir para o enfrentamento político em vez de cogitar um plano B.

Uma das principais resoluções aprovadas pelos delegados foi a “posição inegociável pelas Diretas Já”, enfatizando que os parlamentares petistas não participarão de um eventual colégio eleitoral destinado a escolher, indiretamente, o sucessor de Temer em caso de renúncia, impeachment ou cassação de seu mandato.

Desta vez, Lula demonstra não estar disposto a repetir a estratégia de conciliação com as elites, que marcou os seus dois mandatos, de 2003 a 2010. “Neste momento, o PT tem de radicalizar o que puder na defesa do direito de as pessoas viverem com decência”, discursou na abertura do 6º Congresso do PT. “O ódio não vem de baixo. O ódio vem de cima, porque eles não querem que a gente suba nem um degrau na escala social.”

Segundo colocado na disputa pela presidência do PT, com 38% dos votos válidos, o senador Lindbergh Farias diz estar satisfeito com as teses aprovadas pelo Congresso do PT. “Busquei o confronto com aqueles que acreditam ser possível, hoje, repetir a estratégia de 2003. Na verdade, devemos estar preparados para a guerra, para enfrentar esse golpe patrocinado pela burguesia brasileira, que rasgou a Constituição de 1988”, diz o parlamentar, reconduzido à Liderança do PT no Senado na noite da quarta-feira 7. “Precisamos de reforma profunda no sistema tributário, extremamente desigual, e rediscutir o sistema da dívida pública, que transfere 35% do Orçamento para os rentistas.

São pontos centrais, que foram aprovados pelo partido. Outro aspecto positivo foi a censura à política econômica vacilante que tivemos com o ministro Joaquim Levy, no segundo mandato de Dilma.”

Réu em cinco ações penais da Lava Jato, Lula reiterou à militância do partido ser vítima de uma perseguição política, fruto de uma articulação de setores do Judiciário com a mídia. “Já provei minha inocência, agora exijo que provem minha culpa. Cada mentira contada será desmontada”, afirmou. “Um dia o Willian Bonner vai pedir desculpas ao PT por tudo que fizeram.”

De fato, é cada vez mais cristalino o empenho da República de Curitiba em tirar o petista da corrida eleitoral. Na sexta-feira 2, a equipe de procuradores liderada por Deltan Dallagnol apresentou as alegações finais ao juiz Sérgio Moro contra Lula no caso do triplex do Guarujá.

Além de pedir a condenação do ex-presidente em regime fechado, o Ministério Público requer o pagamento pelo petista de uma multa de 87 milhões de reais. Embora Lula seja apontado como beneficiário de 3,7 milhões de reais na forma da aquisição e reforma do imóvel e também do armazenamento de seu acervo pessoal, Dallagnol e sua equipe querem que o ex-presidente pague o vultoso valor, relativo a todos os desvios apurados em contratos da OAS com a Petrobras, a partir da tese de que ele é o suposto “comandante” do esquema de propinas da OAS com a Petrobras.

São ecos da teoria do domínio do fato, entendimento que permitiu a condenação do ex-ministro José Dirceu no caso do “mensalão”. A conexão com o julgamento comandado por Joaquim Barbosa em 2012 é reforçada pelos próprios procuradores da Lava Jato, dispostos a adular Moro com suas próprias teses. Nas alegações finais contra Lula, os procuradores mencionam um dos votos da ministra Rosa Weber no “mensalão”.

Na ocasião, a magistrada defendeu a “maior elasticidade da prova de acusação” e chegou a comparar o crime de corrupção com o de estupro. “No estupro, em regra, é quase impossível uma prova testemunhal, possibilitando-se a condenação do acusado com base na versão da vítima sobre os fatos (...). Nos delitos de poder não pode ser diferente.”

Não é circunstancial a menção ao voto de Rosa Weber: No processo do “mensalão”, Moro foi o assessor jurídico da ministra, e teve grande influência na tese da admissão elástica de provas no caso. A partir da mesma perspectiva, os procuradores pedem 87 milhões de reais como multa para sustentar sua tese de que Lula era o “comandante do esquema”.

Provas cabais? Nenhuma, como os próprios procuradores reconhecem. Nas alegações, eles afirmam que “a solução mais razoável é reconhecer a dificuldade probatória e, tendo ela como pano de fundo, medir adequadamente o ônus da acusação”. Parece um deboche ao Estado de Direito, como se o dever de provar uma acusação pudesse ser relativizado.

A confissão de elementos probatórios frágeis explica a obsessão do Ministério Público em recuperar decisões do “mensalão”, primeiro capítulo no qual o Judiciário decidiu abrir mão de provas substanciais com o intuito de condenar integrantes do PT.

Os argumentos levantados pelos procuradores foram alvo de críticas do advogado Cristiano Zanin Martins, defensor de Lula. De acordo com ele, as acusações seguiram “a absurda lógica do PowerPoint”, uma referência à apresentação da denúncia contra Lula por Dallagnol em 2016.

Na ocasião, o procurador apontou Lula como “comandante máximo” e reforçou sua “convicção” ao expor um slide em que o nome do petista surgia ao centro, circundado por 14 razões pelas quais o procurador o considerava principal beneficiário do esquema.

A má vontade com Lula contrasta com a benevolência com que é tratado seu delator. Léo Pinheiro, da OAS, nem sequer tem um acordo de colaboração premiada com a Justiça, mas foi beneficiado com um pedido do Ministério Público para ter sua pena reduzida pela metade por ter “prestado esclarecimentos” à Justiça.

Por “esclarecimentos” entenda-se a mudança de versão para se beneficiar. Em seus primeiros depoimentos, o empreiteiro afirmou que as obras da OAS no triplex e no sítio de Atibaia foram uma forma de agradar Lula, e não contrapartidas a algum benefício que o grupo tenha recebido.

Em abril deste ano, Pinheiro passou a atribuir a Lula a posse do apartamento e ainda afirmou que o ex-presidente o orientou a destruir provas do pagamento de propinas ao PT. Argumentos sob medida aos inquisidores da Lava Jato.

Ameaçado pelas delações da JBS, Temer mobiliza a sua base para avançar nas reformas prometidas ao mercado. Na terça-feira 6, conseguiu aprovar a reforma trabalhista na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, ainda que por um placar apertado: 14 votos a 11.

Com ou sem a liderança do atual mandatário, o setor patronal não quer perder a oportunidade de aprovar as impopulares medidas, razão pela qual os promotores do impeachment nem querem ouvir falar de eleições diretas caso Temer perca o mandato. Dessa forma, seria possível escolher alguém “confiável” para tocar a agenda de retrocessos.

Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, uma emenda constitucional prevê a realização de eleições diretas em caso de vacância do poder nos três primeiros anos de mandato.

A atual base de Temer evoca, porém, o artigo 18 da Constituição Federal para impedir que o povo retorne às urnas ainda em 2017. “A lei que alterar o processo eleitoral só entrará em vigor um ano após sua promulgação”, diz o texto.

Articulador da Frente Parlamentar pelas Diretas Já, lançada na quarta-feira 7, o senador João Capiberibe, do PSB do Amapá, enfatiza que as eleições indiretas não foram regulamentadas pelo Congresso, e a interpretação sobre a aplicação da emenda, imediata ou não, compete ao STF.

“Sinceramente, duvido muito que os ministros da Corte irão retirar do povo o direito de escolher seu representante.” O colega Roberto Requião, do PMDB do Paraná, não é tão otimista, mas observa que os humores da população podem alterar o cenário no Parlamento, já entregue aos conchavos por eleições indiretas.

“Não podemos desconsiderar a constante mutação de fatores. ‘A política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou’. Poético, não?”, diz Requião, ao evocar a máxima atribuída a Magalhães Pinto, chanceler do ditador Costa e Silva.

A pesquisa CUT/Vox Populi revela que 89% dos brasileiros desejam escolher sem intermediários o sucessor de Temer, caso ele venha a renunciar ou perder o mandato. No próximo dia 30, as centrais sindicais preparam uma nova greve geral, contra as reformas e pelas Diretas Já.

Se o desejo captado pelas pesquisas refluir para as ruas, será cada vez mais difícil os congressistas ignorarem os apelos da população, aposta Capiberibe.
Posted: 14 Jun 2017 03:33 PM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

O presidente do Senado, finalmente, resolveu dar cumprimento à ordem judicial e suspender o mandato de Aécio Neves.

Que ficou sem salário, sem verba de representação, sem carro oficial e sem o nome no placar de votação dos senadores.

Claro que houve uma tentativa de recusar o cumprimento da ordem, que acabou sendo acatada porque o afastado senador primeiro está numa posição indefensável.

Vai ser surpresa se não for preso na terça-feira mas, mesmo que não o seja, não voltará ao exercício do cargo e, embora com toda a proteção prometida pelo PSDB, dificilmente deixará de ter seu mandato cassado.

Aécio talvez seja o mais bem acabado exemplo de alguém devorado por sua própria ambição e pela não aceitação do jogo democrático, após a sua derrota.

Mas é também verdade que não é o primeiro nem será o último paladino hipócrita da moralidade a ter este fim.

Talvez, desta vez, consiga reconhecer a derrota.

Embora desconfie que não o fará.

PS. O Senado corrigiu sua primeira informação e diz que o salário de Aécio continuará sendo pago.
Posted: 14 Jun 2017 03:31 PM PDT
Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:

José Trajano e Juca Kfouri estarão na sede do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, em São Paulo, no dia 29 de junho, para discutir o jornalismo esportivo praticado no país atualmente. O debate terá como eixo o livro Ataque e Contra-Ataque: O jornalismo esportivo na perspectiva de duas trajetórias profissionais (Hucitec Ed.), de Edney Mota, que mediará a mesa.



A obra aborda diferentes formas de se fazer jornalismo esportivo no Brasil, contrapondo duas figuras históricas do mercado tradicional: Juca Kfouri e Milton Neves. A atividade é organizada pelo Coletivo Futebol Mídia e Democracia, em parceria com o Jornal Empoderado. A entrada é franca.
Posted: 14 Jun 2017 12:49 PM PDT
Posted: 14 Jun 2017 03:29 PM PDT
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Não gosto de me meter em brigas de jornalistas. Mas o episódio abaixo teve intenções políticas óbvias, que transcendem as meras quizílias corporativas.

Estamos em plena era das redes sociais. Hoje em dia, celulares captam PMs assassinando pessoas em ruelas escuras, políticos sendo escrachados na rua, em casa, em aviões. Um funcionário da United foi filmado retirando um passageiro do avião.

Segundo a jornalista Miriam Leitão, no dia 3 de junho, ou seja, dez dias atrás, ela foi escrachada em um avião da Avianca por um grupo do PT. Segundo Miriam, não foi uma manifestação qualquer, foram duas horas (!) de ofensas.

"Durante o voo foram muitas as ofensas, e, nos momentos de maior tensão, alguns levantavam o celular esperando a reação que eu não tive. Houve um gesto de tão baixo nível que prefiro nem relatar aqui. Calculavam que eu perderia o autocontrole. Não filmei porque isso seria visto como provocação. Permaneci em silêncio. Alguns, ao andarem no corredor, empurravam minha cadeira, entre outras grosserias”.

Segundo depoimento do advogado Rodrigo Mondego, no Facebook, presente ao voo (https://goo.gl/p6x7KH)

Cara Miriam Leitão,

A senhora está faltando com a verdade!

Eu estava no voo e ninguém lhe dirigiu diretamente a palavra, justamente para você não se vitimizar e tentar caracterizar uma injúria ou qualquer outro crime. O que houve foram alguns poucos momentos de manifestação pacífica contra principalmente a empresa que a senhora trabalha e o que ela fez com o país. A senhora mente também ao dizer que isso durou as duas horas de voo, ocorreu apenas antes da decolagem e no momento do pouso.


Um incômodo, certamente, mas irrelevante, em que sequer seu nome foi mencionado, ao contrário da versão da jornalista, de ter sido vítima de duas horas de escracho.

Um segundo depoimento foi de Lúcia Capanema, professora de Urbanismo da UFF - Universidade Federal Fluminense (https://goo.gl/JjWSSA)

“(...) Fui a última a entrar no avião, e quando o fiz encontrei um voo absolutamente normal. Não notei sua presença pois não havia nenhum tipo de manifestação voltada à sua pessoa. O episódio narrado por mim na semana passada a respeito da entrada de um agente da Polícia Federal no voo 6342 da Avianca no dia 03 de junho foi confirmado em nota oficial pela própria companhia aérea. Você pode dizer na melhor das hipóteses que não viu o agente, mas não pode afirmar que "Se esteve lá, ficou na porta do avião e não andou pelo corredor". Andou, dirigiu-se ao passageiro da poltrona 21A e ameaçou-o (https://goo.gl/KpX9P9).

Durante as duas horas de voo nada houve de forma a ameaçá-la, achincalhá-la ou mesmo citá-la nominalmente. Por duas ou três vezes entoou-se os já consagrados cânticos "o povo não é bobo, abaixo a Rede Globo" e "a verdade é dura, a Rede Globo apoiou a ditadura"; cânticos estes que prescindem da sua presença ou de qualquer pessoa relacionada a empresa em que você trabalha, como se pode notar em todas as manifestações populares de vulto no país. Veja bem, estávamos a apenas seis fileiras de distância e eu só fui saber de sua presença na aeronave na segunda-feira seguinte, depois de ter escrito o relato publicado por várias fontes de informação da mídia alternativa. (...)

Quem falou a verdade, eles ou Miriam?

Nada melhor do que a prova do pudim.

Alguém pode imaginar uma cena dessas, de duas horas de escracho, em um voo comercial em uma das rotas aéreas mais frequentadas do país, passar em branco durante dez dias, sem uma menção sequer nas redes sociais ou mesmo no próprio blog da jornalista? Não teve uma pessoa para sacar de seu celular e filmar as supostas barbaridades cometidas contra a jornalista. Não teve um passageiro para denunciar os absurdos no seu perfil? E a jornalista disse que não filmou por ter se sentido intimidada e estoicamente guardou durante dez dias as ofensas que diz ter sido alvo.

Sinceramente, como é possível a uma pessoa empurrar ostensivamente a cadeira de um passageiro, de uma senhora, sem provocar uma reação sequer dos demais? Tivesse sido alvo de um escracho real, teria toda minha solidariedade. Não foi o caso.

Mesmo assim, imediatamente – como seria óbvio – a denúncia de Miriam provocou manifestações de solidariedade não apenas de entidades de classe como de jornalistas que não se alinham ao seu campo de ideias. De repente, foram relevadas todas as opiniões polêmicas da jornalista, nesses tempos de lusco-fusco político, de ginásticas mentais complexas para captar os ventos da Globo, para que explodisse uma solidariedade ampla.

No início do governo Dilma, houve episódio semelhante com Miriam, com a tal manipulação de seu perfil na Wikipedia por algum funcionário do Palácio. As alterações diziam que ela teria cometido erros de avaliação em alguns episódios.

Não existe um personagem público que não tenha sofrido com interferências em seu perfil na Wikipedia. E tentar transformar em atentado político, por ter partido de um computador da rede do Palácio, é o mesmo que acusar uma empresa por qualquer e-mail enviado por qualquer funcionário.

Mesmo assim, Miriam tratou o episódio como se fosse uma ofensa profunda à sua moral e um ato de intolerância política.

O lance pegou uma presidente ansiosa por demonstrar solidariedade que, imediatamente, ordenou a abertura de um inquérito para apuração de responsabilidades. Um episódio insignificante ganhou, então, contornos de um quase atentado terrorista.

E, assim como agora, todos os amigo e adversários de Miriam esqueceram as diferenças, por alguns instantes, para se irmanar em um daqueles momentos em que todos amainam a visão crítica e se solidarizam com a suposta vítima.

E depois se diz que são as redes sociais que criam a pós-verdade.
Posted: 14 Jun 2017 03:12 PM PDT
http://pataxocartoons.blogspot.com.br/
Por Joaquim de Carvalho, no blog Diário do Centro do Mundo:

Com a saída de acadêmicos respeitáveis como Miguel Reale - ele é o autor do anteprojeto da Constituição de 1988 - e de lideranças empresariais progressistas como Ricardo Semler, o PSDB perde a última camada de verniz que poderia associá-lo a algo que lembrasse, ainda que remotamente, a social democracia.

O que sobra é a face de Michel Temer, que entrou na política pelas mãos de Fernando Henrique Cardoso.

No final da ditadura militar, a jornalista Sílvia Luandos era presidente do Diretório do PMDB em Indianópolis (bairro de São Paulo) quando apresentou Temer a Fernando Henrique, que se preparava para assumir o Senado no lugar de Franco Montoro.

“Conheço Michel Temer de muitos anos. Ele entrou no PMDB por meu intermédio”, registrou Fernando Henrique, no seu Diários da Presidência.

Em 1988, Fernando Henrique e Sílvia Luandos deixaram o PMDB para fundar o PSDB.

Michel fez menção de acompanhá-los, mas ficou no antigo partido.

Era um deputado medíocre, que por duas vezes – 1986 e 1990 –, chegou à Câmara como suplente.

Ele ganha importância no parlamento em 1995, no primeiro ano de Fernando Henrique Cardoso.

A bancada do PMDB, numa articulação que tem as digitais do então presidente da República, o elege líder da bancada.

Era para ser Luiz Carlos Santos, mais independente que Michel Temer em relação ao governo federal.

Mas a bancada surpreende e comunica a Luiz Carlos Santos, numa reunião à noite, que o líder seria Michel.

Foi, digamos assim, um golpe contra a liderança de Luiz Carlos Santos.

Mas este, raposa velha da política, ex-presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, já sabia e tinha negociado com Sérgio Motta, sócio e homem forte de Fernando Henrique, sua nomeação para a liderança do governo.

Um deputado que participou dessa reunião conta que os deputados, articulados por Michel Temer, chamaram Luiz Carlos Santos para dizer que ele não seria mais o líder do partido.

Coube a Geddel Vieira Lima dar a notícia a Luiz Carlos Santos:

- Nosso candidato a líder da bancada é Michel Temer – disse Geddel.

Luiz Carlos Santos respondeu:

- O meu também. Quanto a mim, serei líder do governo.

Luiz Carlos Santos sobreviveu, mas, à sombra de Fernando Henrique, foi Michel Temer quem subiu.

O então deputado José Aristodemo Pinotti, que era do PMDB, me contou que, alguns dias depois, Temer reuniu a bancada para comunicar que haviam fechado acordo para apoiar o governo federal.

“200 mil cash e 50 mil por mês a cada deputado”, disse. “E dois ministérios de porteira fechada”, acrescentou.

Dois anos depois, com o compromisso de mudar a Constituição para aprovar a emenda da reeleição, Michel Temer se elegeu presidente da Câmara dos Deputados, novamente com o apoio de Fernando Henrique.

A emenda da reeleição, como se sabe, só foi aprovada com a compra de votos.

Pelas contas de Pedro Simon, então senador do PMDB, pelo menos 150 deputados venderam o voto.

E assim chegamos a segunda-feira da semana passada, quando o PSDB, orientado por Fernando Henrique Cardoso, decide se manter no governo – o que significa apoiar Temer.

Em troca, o PMDB garante a sobrevivência de Aécio Neves, presidente do PSDB, outro que cresceu à sombra de Fernando Henrique.

No futuro, quando analisarmos o estado de putrefação da política brasileira, Fernando Henrique Cardoso terá, necessariamente, um papel de destaque.

Michel Temer e Aécio não existiriam sem a sua liderança.
Posted: 14 Jun 2017 03:10 PM PDT
Foto: Ricardo Stuckert
Por Breno Altman, em seu blog:

A esquerda brasileira, em cem anos, desde a greve geral de 1917, produziu somente três grandes lideranças nacionais, capazes de ter suficiente apoio para assumir protagonismo e comandar o país.

A primeira delas, a mais heroica, foi Luiz Carlos Prestes, principal figura dos levantes tenentistas. Seu período de real influência foi dos anos 20 até os 60. Chefiou a coluna que levaria seu nome, conduziu a insurreição de 1935, passou quase dez anos preso e, apesar da clandestinidade e do clima anticomunista da guerra fria, além dos graves erros cometidos por seu partido e por si mesmo, desempenhou papel de relevo até o golpe de 1964. Não é à toa que encabeçava a primeira lista de cassação da ditadura.

A segunda foi Leonel Brizola. Por seu papel na crise de 1961, quando era governador do Rio Grande do Sul e comandou a resistência que derrotaria o golpe militar em andamento contra a posse de João Goulart, vice do renunciante Jânio Quadros, transformou-se em referencia central do trabalhismo, a partir de uma perspectiva nacional-revolucionária que levaria amplas frações dessa corrente, fundada por Getúlio Vargas, ao campo de esquerda. Era a grande alternativa eleitoral das forças populares para o pleito de 1965: em boa medida, a reação militar-fascista se deu para barrar sua caminhada. Desde o retorno do exílio, em 1979, foi perdendo protagonismo, particularmente após 1989, quando não teve votos para passar ao segundo turno das primeiras eleições presidenciais desde o golpe de 1964.

A terceira é Luiz Inácio Lula da Silva. Ao contrário de seus antecessores, chegou à Presidência da República. Filho do movimento operário e popular que emergiu nos anos 70, seu líder incontestável, logrou forjar base social e eleitoral para, pela primeira vez na história brasileira, levar a esquerda e um partido orgânico da classe trabalhadora à direção do Estado.

Antes que alguém reclame, a nominata não inclui Getúlio Vargas porque o mentor do trabalhismo não era nem nunca se reivindicou de esquerda. Sua trajetória é a de um chefe do nacionalismo burguês que, em seu segundo mandato presidencial, rompeu com os setores hegemônicos da classe a qual pertencia e deu curso a uma inconclusa transição para o campo popular e anti-imperialista.

Tampouco inclui Jango, pelas mesmas razões, e por sua força política não ir muito além do legado getulista.

Também Dilma Rousseff está fora dessa tríade. Mesmo eleita e reeleita presidente, sua ascensão, em que pese biografia de bravura e dedicação, é essencialmente um caso de poder derivado, expressão legítima da liderança e do projeto construídos por Lula e o PT, para os quais contribuiu decisivamente.

Retomando o fio da meada: apenas três protagonistas de esquerda em cem anos. Não seria motivo suficiente para, apesar de críticas e discordâncias eventualmente procedentes, o conjunto das forcas progressistas tratar esses personagens com a prudência devida aos nossos maiores patrimônios?

Mesmo que os listados tenham distintos alinhamentos ideológicos, é inegável seu papel comum, cada qual em um ciclo determinado, de simbolizar a esperança e a unidade do povo contra a oligarquia. Mais que isso, a possibilidade real de derrotá-la.

Dos três, apenas Lula segue vivo e em função.

Como os demais, é nossa dor e nossa delicia. Sofremos com possíveis vacilações e erros, lamentando e até nos revoltando contra certas decisões que parecem desastrosas, além de apoiarmos e aplaudirmos tudo o que fez de positivo. Mas, como cada um de seus antecessores, representa o que de melhor o povo brasileiro conseguiu produzir em sua longa luta emancipatória.

Por essas e outras, defender Lula contra os inimigos de classe é tão importante. A burguesia o ataca com tamanha intensidade exatamente pela esperança que representa junto à classe trabalhadora. Porque ele continua a expressar o caminho mais visível para os pobres da cidade e do campo se imporem sobre os interesses oligárquicos.

Quem não consegue entender isso, e se julga de esquerda, deixa-se paralisar pelo sectarismo, vira as costas para a história e, infelizmente, joga o jogo que a direita joga.

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