segunda-feira, 19 de junho de 2017

19/6 - Altamiro Borges DE HOJE

Altamiro Borges


Posted: 19 Jun 2017 12:02 PM PDT
Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Nós sabemos que no mundo da justiça-espetáculo as versões costumam ser mais importantes do que os fatos. Lembrei dessa regra ao ler o depoimento de 12 paginas de Joesley Batista à revista Época, reproduzido com tambores e trombetas na noite de sábado no Jornal Nacional. Alguns fatos e versões se encontram, indiscutivelmente, fora do lugar, formando uma construção que gera resultados políticos óbvios. O maior exemplo envolve o papel do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, personagem numero 2 do governo comandado pelo "chefe da quadrilha mais perigosa do Brasil" nas palavras de Joesley.

Graças ao silêncio da Época, o cidadão brasileiro permanece sem saber o papel do ministro da Fazenda Henrique Meirelles nos negócios do grupo.

É um clássico silencio ensurdecedor. Frequentador da porta giratória Estado-setor privado que lhe permitia deixar um cargo no primeiro escalão do governos Lula, e depois voltar na equipe de Temer, o nome "Henrique Meirelles" sequer é mencionado numa entrevista de 12 páginas. Nem uma única vez.

É uma falta de curiosidade espantosa, quando se recorda que entre 2003 e 2010, ele ocupou a presidência do Banco Central, onde era o grande cartão de visita que Lula apresentava ao mercado financeiro. Depois disso, entre 2012 e 2016, foi presidente do Conselho de Administração da J&F, que administrava o conjunto de negócios bilionários do grupo. Também dirigiu o banco Original, dos mesmos sócios. Meirelles só deixou o cargo em maio do ano passado, para voltar ao governo, ocupando agora o segundo cargo mais importante da República, como Ministro da Fazenda.

De seu gabinete saíram as principais linhas da atual política econômica, desde a emenda constitucional que definiu o congelamento de gastos pela inflação como a reforma da Previdência, a reforma trabalhista. Estas medidas definem - não é adjetivo, apenas conceito - o governo Temer como o mais reacionário da história republicana.

Nessa condição, seria indispensável saber: a partir de 2016, quando voltou ao governo, como Meirelles se comportou ao lado do "chefe da quadrilha mais perigosa ?" Ajudou? Atrapalhou? Tentou impedir medidas ilegais? Deu conselhos? Quais propostas recusou, quais apoiou? Ajudou Joesley na fase 1, quando o chefe estava na quadrilha? Ou na fase 2, quando resolveu delatar?

Não sabemos se apresentou algum contato dos velhos tempos. Se participou de jantares na presença de amigos ou se ofereceu informações estratégicas.

Alguma vez - quando era executivo da J&F - estranhou o desvio milionário e regular de recursos que eram enviados para esquemas políticos?

O que achava das conversas com Guido Mantega, um dos inimigos que deixou no governo?

Comportou-se como aquele tipo que, como gosta de lembrar o procurador da Lava Jato Luiz Fernando Lima, pode ser acusado de "cegueira voluntária"?

É um comportamento que chama a atenção em qualquer hipótese.

Mesmo que a ideia seja demonstrar que atual ministro da Fazenda não passava de uma improvável Rainha da Inglaterra - eufemismo para definir o velho e bom testa-de-ferro - o leitor tem o direito de saber qual era sua função real. Mesmo porque um presidente de Conselho pode ter obrigações legais a responder no futuro. Não se trata de pré-julgar Meirelles nem imaginar coisas que não foram sequer insinuadas. A escola que leva a condenar sem respeito pela presunção da inocência não é a minha e só leva a reforçar um estado de exceção.

Só acho que não dá para esconder um personagem dessa estatura e achar ninguém vai perceber. Não é jornalismo.

Também é fácil reconhecer que o silêncio sobre Meirelles atendeu a um propósito político.

Empenhadas num projeto de retirar Temer do Planalto, as Organizações Globo têm outro plano para o Ministro da Fazenda e a equipe econômica. Querem que seja mantido no cargo de qualquer maneira, para garantir a continuidade das reformas. Nos primeiros momentos da crise, o próprio Meirelles já se ofereceu, pelos jornais, para permanecer no posto caso o presidente venha a ser afastado. Desse ponto de vista, o silêncio sobre seu papel - antes e depois - é providencial.

Essa postura seletiva, agora no sentido inverso, explica o esforço para minimizar as afirmações de Joesley sobre Lula, que compõem um depoimento obrigatório para quem responde a tantos inquéritos na Lava Jato. Numa cobertura séria, que envolve candidato a presidente que está em primeiro lugar nas pesquisas enfrenta uma caçada judicial de anos, era uma novidade e tanto.

"Nunca tive uma conversa não republicana com o Lula," diz o empresário conta-tudo. "Não estou protegendo ninguém," acrescentou.

Referindo-se às insinuações frequentes de que um dos filhos do presidente era sócio oculto da Fri-Boi, a mais conhecida empresa do grupo, Joesley deixa claro que se trata de uma mentira.

Em vez de dar o destaque ao testemunho pessoal, Época e a TV Globo deram prioridade a uma afirmação que Joelsey não sustentou com fatos. O carnaval foi feito em torno da frase de que "Lula e PT institucionalizaram a corrupção."

Basta ler os diários de Fernando Henrique Cardoso no Planalto para encontrar provas de que o troféu originalidade está em disputa. Nem vamos lembrar de Fernando Collor de Mello, o protegido da Globo nos dois turnos de 1989.

No volume 2 de seus diários, FHC relata que acabou cedendo a pressão de integrantes da "quadrilha mais perigosa" e assim, explicitamente, após muita pressão de Temer-Geddel-Padilha, acabou nomeando o último para o Ministério dos Transportes -- decisão que ele mesmo sabia ser questionável.

Então deu para entender. Estamos combinados.

A estratégia do jogo: destruir Temer, proteger Meirelles, atacar Lula.
Posted: 19 Jun 2017 11:56 AM PDT
Por Ricardo Kotscho, em seu blog:

"A crise viajou", pilheriava Fernando Henrique Cardoso, então líder do governo no Senado, assim que o presidente José Sarney embarcava para mais uma missão no exterior.

Os dois eram do PMDB, e o país já vivia em crise naqueles primórdios da redemocratização, no primeiro governo civil pós-ditadura que o vice Sarney herdou do falecido Tancredo Neves.

Três décadas depois, agora patriarca do PSDB, sem saber se fica ou não na pinguela do PMDB, FHC já não deve estar com espírito para brincadeiras, mais preocupado com a sobrevivência do próprio partido.

Nesta segunda-feira, no auge de mais uma crise do seu governo, o presidente Michel Temer, que também era vice, embarca numa viagem de negócios para a Rússia e a Noruega, mas a sua ausência não vai fazer muita diferença.

Quem decide a agenda política não é mais o governo nem o Congresso, muito menos "as ruas", mas o Judiciário.

A bola agora está com o Supremo Tribunal Federal, que tem nos pés não só a pauta da semana, mas o futuro do nosso sistema político.

Ainda antes de viajar, Temer entrará na Justiça com ações civil e penal contra o delator Joesley Batista, que o acusou de liderar "a maior organização criminosa do país".

Na quarta-feira, o plenário do STF vai julgar a ação em que a defesa do presidente questiona a competência do relator Edson Fachin para homologar sozinho o acordo de delação dos donos da JBS, réus confessos de vários crimes.

Enquanto o presidente viaja e os seus advogados fustigam o Supremo e o Ministério Público Federal para saber porque deixaram de denunciar os irmãos Batista, outras pautas agitam o Judiciário.

A Primeira Turma do STF julga nesta terça-feira o pedido de prisão apresentado pelo MPF contra o senador afastado Aécio Neves, presidente licenciado do PSDB.

No mesmo dia, entra na reta final o primeiro processo contra o ex-presidente Lula na Lava Jato, com a apresentação das alegações finais da defesa, e a partir desse momento o juiz Sergio Moro estará liberado para dar a sentença.

Ao mesmo tempo, a Polícia Federal deverá concluir esta semana a perícia nas gravações da JBS e o procurador-geral, Rodrigo Janot, poderá pedir a abertura de ação penal contra o presidente Temer, mas ele não tem pressa.

No Congresso, a oposição agora se limita aos recursos apresentados à Justiça pelos nanicos PSOL e Rede, com o PT só na espreita, à espera das decisões sobre Temer, Aécio e Lula.

Do jeito que vão as coisas, se a Lava Jato e o governo Temer forem até o fim, o segundo turno em 2018 poderá ser disputado entre João Doria e Jair Bolsonaro, que não apareceram nas delações até agora.

Já pensaram nisso? Quem será o nosso Berlusconi? Ou até lá aparecerá por aqui um Macron?

Tudo vai depender agora dos nossos homens de toga.

Em tempo: um são-paulino desconsolado me perguntou neste final de semana quem cai antes - Michel Temer ou Rogério Ceni?

Meu palpite: nenhum dos dois.

E vamos que vamos. Para onde?

Para a zona de rebaixamento...
Posted: 19 Jun 2017 11:18 AM PDT
Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:



Michel Temer, ao contrário de Lula, não tem gordura para queimar em matéria política.

Pode ter, sim, em maioria parlamentar, ainda por algum tempo, ainda que cada vez mais cara.

Hoje, o Poder360 registra que a máquina de demolição da Globo dedicou cerca de 25 minutos (24min43s, exatamente) do Jornal Nacional ao caso JBS, três quarto deles à entrevista do butcher de Temer (mais chique, pela celebridade, que chama-lo açougueiro), e o restante para a bravata presidencial em processá-lo, depois de muitos gaguejos e mentidos e desmentidos sobre aviões, além de nenhuma explicação sobre malas e mochilas.

Claro que também a Globo destacou as menções a Lula e Dilma, embora vagas e contraditórias. Mas o alvo central foi Temer.

Hoje à noite, o Fantástico deve reservar-lhe igual ou maior dose.

E ainda não serão os temidos “fatos novos” que, certamente, vão esperar que Michel Temer parta para sua viagem á Noruega e à Rússia.

Parte deles, se não me engana a prática jornalística de “guardar” informação para ter mais para os dia seguintes, quando se tem exclusividade, já deve estar em poder da Globo.

Ela vai usar, impiedosamente, para fazer aquilo em que é melhor: derrubar governos que sente que não é mais possível ou desejável sustentar.
Posted: 19 Jun 2017 11:13 AM PDT
Por Marcio Pochmann, na Rede Brasil Atual:

Do ponto de vista histórico, os principais períodos de mudanças estruturais na sociedade brasileira não resultaram de rupturas decorrentes do progresso técnico. O contrário, todavia, do que se pode constatar em outras sociedades como a inglesa, a estadunidense e a alemã, se tomadas como exemplos.

Desde a segunda metade do século 18, com o salto proporcionado pela primeira Revolução Industrial e Tecnológica, produtora da mecanização assentada na indústria têxtil – com a introdução do tear mecânico –, além da ferroviária e naval – com o motor a vapor –, o Reino Unido se transformou profundamente. O progresso tecnológico trouxe para a sociedade de lá repercussões internas e externas, o que permitiu, por exemplo, levá-la a ocupar inédita posição de hegemonia no sistema capitalista em formação mundial.

Mais de cem anos depois, com o avanço significativo da segunda Revolução Industrial e Tecnológico patrocinado pela introdução da energia elétrica, petróleo, motor a combustão, entre outros, os Estados Unidos e Alemanha percorreram superior trajetória do desenvolvimento incontestável. Tanto assim que a acirrada disputa entre as duas nações para substituir a antiga posição hegemônica no centro do capitalismo mundial exercida pelo Reino Unido até o início do século 20 evolui para duas grandes guerras mundiais (1914 e 1939).

No caso brasileiro, os dois principais períodos de mudanças estruturais não se encontram associados à determinação do progresso tecnológico. Pelo menos é o que se pode constatar nas décadas de 1880, quando a antiga sociedade escravista foi superada pelo ingresso do modo de produção capitalista, e de 1930, com a passagem da primitiva sociedade agrária para a urbana e industrial.

O elemento histórico diferencial presente nos dois períodos de mudanças estruturais no Brasil foi o caos econômico, político e social interno trazido por crises capitalistas de dimensões mundiais. Destaca-se, assim, a repercussão mundial protagonizada tanto pela longa depressão inglesa de 1873–1896 como pela Grande Depressão estadunidense de 1929–1939, que impactaram decisivamente a sociedade brasileira.

Nesse sentido, a situação de desorganização e descrédito gerado pela monarquia escravista (1822-1889) ao longo da década de 1880 possibilitou a formação de uma nova maioria política capaz de reorganizar a sociedade no Brasil em inédita base econômica capitalista. Com a abolição da escravatura (1888), a mudança no regime político consagrado pela instalação da República (1889) e a nova Constituição (1891), o país construiu por mais de quatro décadas uma singular sociedade de competição.

Da mesma forma, a crise política e social da economia cafeeira terminou sendo superada pelo movimento de modernização inaugurado com a Revolução de 1930. Com o desenlace do projeto nacional desenvolvimentista a partir de então, o atraso agrarista começou a ser ultrapassado pela moderna sociedade urbana e industrial consolidada entre as décadas de 1930 e 1970.

Em certo sentido, a atualidade da crise global iniciada em 2008 e que se espraia pela economia e sociedade brasileiras, com crescente descrédito nas instituições e no sistema político, traz consigo a semente de uma nova possibilidade de mudança estrutural. O crescente movimento social de basta ao atraso recessivo desorganizador interno da economia e às reformas regressivas na sociedade brasileira pode se constituir no bálsamo transformador dos entraves nacionais.

Para tanto, há necessidade da formação de uma nova maioria política capaz de agregar os diversos segmentos sociais em torno de um projeto de nação que seja contemporâneo dos requisitos econômicos de modernidade. Eis, então, o desafio maior da liderança a ser construída no interior da heterogênea oposição que se levanta contrária ao governo Temer.
Posted: 19 Jun 2017 11:08 AM PDT
Por Aldo Fornazieri, no Jornal GGN:

Todo organismo político, seja ele um líder, um partido, um movimento ou um Estado tem (ou deveria ter) um fundamento moral, definido pelos seus princípios, e um fundamento ético, definido pelos seus objetivos e finalidades. A corrupção, no sentido amplo do termo, tem se revelado, ao longo dos temos, o mal mortal dos organismos políticos, incluindo os líderes. Ela costuma decompor a substância do organismo nas suas dimensões morais, éticas, políticas e programáticas, transmutando-o daquilo que ele é a aquilo que ele não é.

A História e a Filosofia Política mostram que a corrupção leva os corpos políticos e os líderes a um declínio inexorável, por mais generalizadamente corrupto que seja um sistema e por mais que ele tenha uma vida prolongada no tempo. De modo geral, nos momentos de erosão e de ocaso, o que se manifesta são agudas crises de legitimidade do Estado, do partido ou do líder. Claro que existem possibilidades e mecanismos de regeneração de corpos degenerados, mas esta tarefa sempre é difícil e demanda esforços hercúleos e pouco suscetíveis de serem assumidos pelos entes corrompidos.


Quando se critica um partido, ressalve-se, não se está criticando o conjunto de militantes e das pessoas que o integram, mas aquilo que o partido representa enquanto instituição. Existem pessoas honestas e respeitáveis em todos os partidos, mas nem todos os partidos são expressões institucionais desses valores.

O PSDB e sua autonegação

O PSDB, claro que não algo exclusivo, é um partido que se decompôs, tanto nos seus princípios morais fundantes, quanto em suas finalidades éticas. Na epígrafe do Manifesto de Fundação, que completará 29 anos no próximo dia 25 de junho, está escrito que o partido nascia "longe das benesses oficiais, mas perto do pulsar das ruas". O partido tornou-se o inverso desse princípio. Já no governo Collor, parte do partido tinha assumido a perspectiva das benesses do poder em detrimento do pulsar das ruas. A adesão não se consumou por conta da contundência de Mário Covas. Com o governo Itamar e, depois, com os governos de FHC a perspectiva das ruas foi completamente abandonada. Este é um mal dos partidos de centro-esquerda e de esquerda que chegam ao poder pela via das urnas.

Não se trata de uma recusa da busca de governos pela via eleitoral. Mas a crítica que precisa ser feita é o abandono dos princípios e das finalidades que os partidos sustentavam no seu ideário fundante. Trata-se de uma corrupção de princípios que transforma os partidos em partidos do status quo, da conservação de uma ordem que, no caso do Brasil, é uma ordem que nasceu degradada e se desenvolveu como uma ordem degradada e corrompida pela natureza injusta e iníqua que ela carrega. Esses partidos, na verdade, se tornam partidos das contra-reformas - uma espécie de cereja do bolo do capitalismo predador.

O Manifesto de fundação do PSDB chamava a atenção justamente para o fato de que o povo se encontrava frustrado porque "não foi cumprida a promessa de mudança social e econômica". O partido se tornou a contraparte dessa mudança, transformando-se em principal instrumento a serviço das elites econômicas que nunca foram democráticas, nunca foram modernizantes e nunca quiseram que o país se desenvolvesse, pois a manutenção do atraso é condição do seu domínio, dos seus privilégios e de seu modo de extorquir os recursos orçamentários e os fundos públicos por diversas maneiras.

Ao se tornar o partido das elites e, consequentemente, do atraso, o PSDB denegou várias de sua finalidades que poderiam conferir-lhe algum conteúdo social-democrata: defender as justas reivindicações dos trabalhadores, efetivar a reforma agrária pela via da tributação progressiva e desapropriações, proteger os menores e redistribuir renda e "propugnar pela implantação de uma seguridade social no seu sentido mais amplo e inovador, assegurando a habitação, a saúde, a previdência social básica e complementar, com ênfase para as aposentadorias e pensões, o seguro-desemprego, a proteção à infância e aos idosos".

Na prática, o PSDB tornou-se uma negação escandalosa e desavergonhada de seu programa original, instrumento que é, por um lado, e agente que é, por outro, da perpetuação do mal-estar social no Brasil. O apoio que o partido vem dando a todo tipo de reformas supressoras de direitos e a políticas de violação da dignidade de menores e outros grupos sociais vitimizados e em situação de risco constitui uma veemente confirmação de que o PSDB é um partido anti-social e anti-socialdemocrata.

A democracia e a corrupção

Outro grande contraste entre o que o PSDB se propunha ser e o que é diz respeito à democracia. O Manifesto assevera que o partido surgia para combater o autoritarismo "concentrador de renda e riqueza" e para "defender a democracia contra qualquer tentativa de retrocesso a situações autoritárias". Ora, o partido não teve apenas um papel de coadjuvante no golpe ilegítimo do impeachment. Foi sócio equivalente de Temer, Eduardo Cunha, Romero Jucá e toda organização criminosa que se agrupou no governo.

Aécio Neves, com a desfaçatez que não é sustentada nem pelos mais renomados hipócritas, foi o primeiro incendiário que levou o país às chamas dessa crise política prolongada. Jogou fogo na gasolina em nome de uma aventura: "para encher o saco do PT". O PSDB ajudou a financiar as manifestações de combate à corrupção e pelo impeachment com a face irresponsável de quem queria chegar ao poder sem a legitimidade das urnas. Efetivamente chegou, junto com Temer. Sem capacidade de convocação das ruas, escondeu-se por detrás dos biombos dos MBLs da vida e deu voz e vez a Bolsonaro e a todos aqueles que incitaram a intervenção armada contra a democracia.

O castigo merecido que os tucanos têm é que Bolsonaro ocupa, ao menos por ora, o segundo lugar nas intenções de voto na corrida presidencial. João Dória é um rebento bastardo desse aventureirismo irresponsável, cuja única ideologia é o assalto ao botim das benesses públicas para fins privados. Conceder a designação de "conservador" ao PSDB seria uma honraria, pois os conservadores se guiam por princípios, conservadores, claro, mas por princípios, coisa que o partido deixou de ter.

Note-se que o partido não deu apenas voz a conspiradores antidemocráticos. No Congresso, conduzindo-se pela irresponsabilidade típica dos aventureiros, apoiando as pautas-bomba, guiado que foi por Eduardo Cunha. E à medida em que o golpe se consolidou e a Lava Jato foi avançando e se deslocando de Curitiba para Brasília, o partido, através de seu presidente, começou a participar de novas conspirações para obstruir a Justiça, controlar o Ministério Público e a Polícia Federal e bloquear as investigações para que o governo e seus aliados continuassem cometendo crimes, como vem sendo revelado.

O Manifesto dizia, ainda, que o povo estava "chocado com o espetáculo do fisiologismo político e da corrupção impune". O PSDB merece a justa ira e o desprezo das pessoas. O que dizer quando se revê as imagens de Aécio Neves, de Dória, de Aloysio Nunes, de Fernando Capez e tantos outros tucanos protestando nas ruas, com suas camisas amarelas e com sua verborragia inflamada, contra a corrupção? O eleitorado brasileiro, com sua baixa cultura cívica, mergulhado na ausência de uma moral social e política, aceita votar em políticos sabidamente corruptos na crença de que eles são espertos e que podem ser eficazes. O que o eleitorado não parece aceitar é a desfaçatez da enganação. Foi isto que o PSDB tentou fazer: passar-se por honesto sendo corrupto. Agora é o principal sustentáculo de um governo cujo presidente chefia uma perigosa organização criminosa, segundo as denúncias que se avolumam na imprensa. Se amanhã o PSDB sair desse lodo, não o fará movido pelos altos princípios e pelos nobres fins, mas pelo oportunismo de que se constitui a sua alma.
Posted: 19 Jun 2017 11:00 AM PDT
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Um leitor me manda um email. “Lembrei de você”, disse ele.

O que o fez lembrar de mim foi um trecho que a Folha deu sobre o novo livro de FHC.

“Sujei as mãos para ler”, disse ele.

Ele me poupou tempo: me mandou o que o incomodara.

Era uma frase de FHC segundo a qual ele é muito amigo de Merval e de Ali Kamel.

Não apenas amigo. Bastante amigo, sublinhou FHC.

É um disparate, uma completa ofensa aos manuais mais elementares de jornalismo.

Já escrevi sobre isso algumas vezes.

Mais de 100 anos atrás, aquele que para muitos foi o inventor do jornalismo moderno, Joseph Pulitzer, cunhou uma máxima.

“Jornalista não tem amigo.”

Em meus anos de diretor de redação, sempre tive essa sentença fixada num mural à minha frente.

A lógica de Pulitzer é impecável. O jornalista poupa o amigo. Básico.

Tive relações corteses com muita gente como editor, e ainda tenho no DCM. Mas amizade não.

A amizade corrompe o jornalista e o jornalismo, sobretudo quando é com poderosos como um presidente, que era o caso de FHC.

O jornalismo americano fez uma autocrítica severa sobre isso nos anos 1980. Jornalistas que se gabavam antes disso de desfrutar de portas abertas na Casa Branca foram revistos.

Um deles era James Reston, do NY Times.

Qual era o preço da intimidade com presidentes americanos? Preservá-los de aborrecimentos.

Transportemos o assunto para o Brasil.

A Globo não cobriu a amplamente documentada compra de votos no Congresso para a emenda que permitiu a reeleição de FHC.

Você acha que amigos como Kamel e Merval tocariam num assunto tão constrangedor para FHC?

A Globo, no capítulo Joseph Pulitzer, vive ainda na Idade da Pedra.

Seus nomes mais notórios simplesmente parecem não ter noção do crime de leso leitor que é cometido quando a amizade se instala entre um jornalista e alguém poderoso.

Você encontra fotos pornográficas de Merval com juízes do STF dos quais ele deveria manter distância intransponível. (E vice-versa, aliás.)

Que mensagem é passada aos jovens que estão se iniciando no jornalismo da Globo?

É uma antilição.

FHC é outro também que vive em outro planeta, o dos favores, dos acertos, dos engavetamentos.

Se tivesse os pés no chão, jamais revelaria a forte amizade com Merval e Kamel, porque saberia estar atirando ao chão a reputação de ambos.

Jornalista não tem amigo, repito a frase definitiva de Pulitzer, um gênio que criou a primeira página de um jornal tal como a conhecemos. (Antes, as notícias eram publicadas por ordem de data, e não de importância.)

E então vamos dar no seguinte.

Ou Pulitzer era um idiota e esteve sempre errado, ou o problema está em Merval e em Kamel.

Faça a escolha.
Posted: 19 Jun 2017 10:55 AM PDT
Por Paulo Kliass, no site Carta Maior:

O Brasil parece naufragar nas águas revoltas de um oceano mal-humorado. Esse cenário ambientado sob uma tempestade violenta é mesmo muito dramático, mas a verdade é que tal fenômeno tem muito pouco ou quase nada de natural em sua manifestação.

A crise econômica é evidente. As consequências sociais de sua propagação são impressionantes. O desemprego atinge níveis recordes, com a taxa de desocupação atingindo mais de 13,7% da população economicamente ativa. São mais de 14 milhões de trabalhadores que perderam seus postos no mercado formal de trabalho, com os inescapáveis reflexos sobre o nível de renda e bem-estar de suas respectivas famílias.

O nível da atividade econômica acumula queda sobre queda ao longo dos últimos dois anos, com a maior redução do PIB de nossa história tendo sido registrada no biênio 2015-2016. Foram dois exercícios consecutivos com retração de 3,8% e 3,6% em sequência. Assim, o nível de falências de empresas também explodiu ao longo do período e os diferentes itens das contas nacionais apresentam redução.

Ocorre que todo esse quadro não é fruto de mero acaso probabilístico ou da vontade divina de impor algum castigo aos habitantes destas terras. Por mais incrível que possa parecer, a opção pelo cardápio amargo é resultado de uma decisão de natureza eminentemente política que foi adotada pelos governantes do país. É importante reconhecer que não se trata de fenômeno genuinamente tupiniquim, uma vez que o mundo está recheado de nações que trilharam caminho semelhante. E estão todas afundando no pântano da crise e do retrocesso.

O modelo que dá fundamento a esse tipo de proposta para a economia atende por diversos nomes e endereços. Pode ser identificado como liberalismo hayekiano, interpretação neo-clássica, ortodoxia monetarista, neoliberalismo ou que-tais. O essencial a se reter é que todos mantêm uma crítica ácida a qualquer tipo de intervenção do Estado na economia e se vangloriam das virtudes absolutas das livres forças de mercado para se atingir o equilíbrio redentor. Tudo se resumeria à resultante da composição “harmônica” da ação dos agentes da oferta e da demanda. E o produto desse processo será necessariamente o ponto de maior eficiência da curva observada.

Assim, o austericídio que vivemos há um bom tempo não é obra do acaso. Trata-se de uma intenção deliberada de promover a recessão e o desemprego para que um novo ponto de ótimo seja atingido, como se estivessem os agentes políticos e os formuladores de políticas públicas diante de uma telinha de computador, jogando um “game” - como tão bem gostam de dar os nomes às coisas na língua dos norte-americanos.

De acordo com tal interpretação, a política monetária deve ser a mais restritiva possível, pois havia sérios riscos de retomada do processo inflacionário. De nada adiantaram as análises provando por “a” mais “b” que a subida dos preços não tinha nada a ver com aumento generalizado da demanda e sim a aspectos localizados na inflação de serviços e preços administrados. O fundamental é que o COPOM mantivesse a SELIC na estratosfera e os bancos continuassem liberados para jogar as taxas de juros praticadas nas estrelas.

Pelo lado das contas públicas, o conservadorismo seguia recomendando cortes e mais cortes nas despesas ditas primárias. Compressão de itens como saúde, assistência social, educação, previdência social, saneamento, pessoal, investimentos em infraestrutura e outros. A única rubrica que merecia ficar livre e solta em seus limites era o volume de recursos para pagamento de juros da dívida. Com isso, as despesas financeiras do orçamento não eram chamadas a contribuir para o esforço fiscal. Pelo contrário, a austeridade também era seletiva em sua mira de perversidade.

E aqui não se trata de lenda a respeito dos processos de tomada de decisão no interior do governo. Cansei de participar de reuniões em que os participantes tinham verdadeiros orgasmos com as notícias de se ter obtido um corte de um bilhão aqui, meio bilhão de redução acolá nos orçamentos das áreas sociais. Eram os chamados grupos da tesoura, cuja missão era exclusivamente angariar fundos para cumprir a meta de superávit primário. Em bom português: retirar do social com o objetivo de assegurar a existência do recurso para o financeiro.

A imprensa estampou outro dia uma entrevista com Marcos Lisboa, que atualmente preside uma das instituições mais umbilicalmente vinculada aos interesses do financismo por aqui – o INSPER. As opiniões do economista guardam uma espécie de frustração contida com a não realização das expectativas todas criadas com o golpeachment e a posse do governo ilegítimo do vice-presidente. Afinal, ele também parecia acreditar que bastava tirar a Dilma para que enfim o Brasil adentrasse as portas do paraíso.

Para não parecer injusto ou desleal com seus colegas que foram guindados a cargos estratégicos no comando da economia de Temer, ele inicia a conversa por isentá-los de qualquer reponsabilidade pelo fracasso evidente.

“Há uma equipe econômica muito competente que começou a tentar enfrentar os problemas, mas sempre houve medidas ambíguas.”

E Lisboa retoma a linha da austeridade e do discurso contra qualquer tentativa de se recuperar o protagonismo do Estado nas ações para buscar a saída para a profunda crise que essa mesma trilha ortodoxa nos enfiou. Assim, a única via que nos resta é assistirmos ao acirramento crescente das dificuldades e ficarmos aguardando o sinal alentador da fadinha das expectativas que viriam nos aportar a redenção salvadora. É quase uma questão de fé, do tipo “Tudo posso naquele que me fortalece - o mercado”.

“Imaginar que a retomada da economia virá com medidas de estímulo fiscal, com gastos, ampliando benefícios para setores produtivos, é não entender o que trouxe o Brasil à grave crise dos últimos anos.”

E para não perder a viagem, o financista já apresenta a conta dos juros. Como se estivesse se esquecendo do grau de dificuldades que a economia real das pessoas, das famílias, das empresas e dos governos atravessa, ele retoma o discurso do “cumprimento dos contratos”. Exige a volta ao compromisso com a geração de superávit primário para o pagamento dos juros. E ainda apresenta números nesse quadro geral de déficit fiscal. Pouco importa que o governo comandado pelos banqueiros trabalhe com um déficit de quase R$ 140 bi para o exercício fiscal desse ano. Afinal, todos nós deveríamos redobrar nossos esforços para engordar os lucros das instituições do sistema financeiro.

“Para estabilizar a dívida, precisa de um primário de R$ 250 bilhões.”

Esse tipo de prazer diante da crise vem de longe. Lembremo-nos que Palocci nomeou o mesmo Marcos Lisboa para chefiar a importante Secretaria de Política Econômica, quando foi nomeado por Lula para comandar o Ministério da Fazenda há 14 anos atrás. O atual Ministro Meirelles ocupou por oito longos anos a presidência do Banco Central entre 2003 e 2010, com direito a uma Medida Provisória especial para blindá-lo e impedir que fosse preso.

Ao longo desse tempo todo foram implementadas diversas formas de benesses ao grande capital privado com recursos públicos sem a mínima exigência de contrapartida de retorno social para esse investimento. Foram os casos de recursos do BNDES sem a garantia de que os empreendimentos tivessem o retorno justificado para a sociedade ou pelo menos a ingerência do banco na definição do rumo das empresas que receberam as gentilezas.

A lista das desonerações tributárias oferecidas ao capital também é imensa e o retorno observado foi mínimo. O exemplo mais cristalino talvez seja a desoneração da contribuição patronal para a previdência social, que aprofundou as dificuldades do quadro de receitas do sistema gerido pelo INSS. E que não gerou nenhum efeito positivo sobre a geração de empregos. A medida serviu apenas para reduzir a capacidade arrecadadora do Estado e aumentar a margem de lucro das empresas. E ainda reforça o discurso irresponsável e oportunista de suposto “desequilíbrio estrutural’ de nossa previdência social.

Mas talvez o deleite maior tenha sido mesmo proporcionado pela continuidade da política de geração de superávit primário ao longo de todo o período. Afinal, entre 2003 e o momento atual o governo transferiu o equivalente a R$ 3,5 trilhões do orçamento público para o cumprimento das despesas financeiras – ou seja, para o pagamento de juros da dívida pública.

Essa mesma sistemática de manutenção da perversidade e da desigualdade da qual Lisboa nem parece se envergonhar ao exigir dos dirigentes do setor público brasileiro. A busca incansável de satisfação e prazer com a crise parece mesmo não ter limites.
Posted: 19 Jun 2017 10:45 AM PDT
Por Altamiro Borges

Bem que a mídia chapa-branca, nutrida com milhões em publicidade do covil golpista de Michel Temer, tentou criar um clima de otimismo na sociedade sobre os rumos da economia. Apesar das péssimas notícias – com recordes de desemprego, queda do salário, falência de empresas, etc. –, os ex-urubólogos da mídia passaram a repetir o mantra “mas vai melhorar”. O tempo passou e a realidade desnudou mais esta farsa da imprensa manipuladora. Agora não dá mais para esconder o desastre causado pela quadrilha que assaltou o poder – com a inestimável ajuda da mídia golpista. Os efeitos são devastadores até para as próprias empresas de comunicação. No mês retrasado, por exemplo, a TV paga perdeu 171 mil assinantes e agora afunda na crise.

Segundo notinha postada por Keila Jimenez neste domingo (18) no site R-7, “os esforços por parte das operadoras de TV paga são grandes, mas está difícil conter a queda de assinantes do serviço no país. De acordo com os últimos dados divulgados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os números deste ano não são os melhores. Em abril, as empresas tiveram que lidar com a perda de 171 mil clientes, o que corresponde a 0,9% a menos de usuários que o mês anterior. As maiores taxas de cancelamento foram na região nordeste. Em comparação com o mesmo período do ano passado, Piauí, Maranhão e Rio Grande do Norte são os líderes da lista de cancelamentos de assinaturas... E esses números seguem caindo”.

O mesmo registro já havia sido feito por Ricardo Feltrin no site UOL. “Dados dos assinantes de TV paga divulgados pela Anatel mostram que abril fechou com 18,76 milhões de pontos no país. Foram 171 mil assinantes a menos que em março (18,93 milhões, ou cerca de 1% a menos). Em abril do ano passado havia 18,908 milhões que estavam listados. Os números apontam que o setor passa, no mínimo, como boa parte da economia nacional, por um longo período de estagnação. E até de queda, se recuarmos para 2014... Procurada pela coluna, a Associação Brasileira de TVs por Assinatura (ABTA) disse que ‘o desempenho de setor reflete a crise econômica do país’. Desde o final de 2014 o setor perdeu cerca de 1 milhão de assinantes no país”.

A perda de audiência da TV aberta

Enquanto a TV paga perde assinantes – e lucro –, a televisão aberta perde audiência, o que resulta na fuga dos anunciantes e também na queda do faturamento. Isto decorre principalmente do aumento do acesso à internet. As emissoras tradicionais até tentam resistir, mas o impacto é cada vez mais sentido. No caso da Rede Globo, com o seu enorme poderio, a capacidade de resistência ainda é maior. O império global inclusive tenta se adaptar à nova realidade. Nos últimos meses, segundo informa Ricardo Feltrin, “a TV Globo tem investido pesadamente em seu aplicativo de streaming Globo Play” para tentar se contrapor ao crescimento da Netflix e de outros serviços pela internet.

“Além de disponibilizar todo o seu conteúdo próprio e cotidiano na plataforma, a emissora avança e está lançando produtos exclusivamente ou previamente no Globo Play. Foi o caso do seriado ‘Brasil a Bordo’, de Miguel Falabella, e da minissérie ‘Carcereiros’ – ambos lançados somente em streaming. Apesar de todo o investimento, a Globo diz não considerar o Netflix seu concorrente. Afirmação questionável, uma vez que a emissora se recusa categoricamente a vender quaisquer produtos ao serviço de streaming originário dos EUA. A Globo não revela o número de assinantes de seu serviço, mas vem repetindo à imprensa que já foram feitos ‘13 milhões de downloads’ do seu aplicativo”.

“O problema é que isso não significa basicamente nada. 13 milhões de downloads não significam 13 milhões de assinantes. Aliás, tudo indica, não está nem perto disso. O Netflix também não revela seus números, mas estima-se que tenha no mínimo quatro milhões de assinantes somente no Brasil, e que seu faturamento já seja superior ao de emissoras como o SBT... A emissora diz enxergar o aplicativo Globo Play como um ‘aliado’ da TV. ‘No caso das novelas, por exemplo, temos visto o Globo Play como aliado da audiência de quem, por algum motivo, perdeu um capítulo, e recorreu à plataforma e voltou ao vídeo para seguir a sua história preferida’, diz a emissora”. A resposta oficial, porém, não esconde os traumas do império global.

Band e RedeTV! afundam

Já as outras emissoras privadas, que sempre foram esmagadas pelo império global, passam por maiores dificuldades. Em maio passado, por exemplo, a TV Bandeirantes deu início ao processo de fechamento dos seus escritórios em todo o país. Segundo matéria de Flávio Ricco, ela “encerrou as atividades em Araçatuba (SP). Todos os funcionários foram demitidos. A Band-Presidente Prudente dispensou os serviços do seu diretor-geral e da editora-chefe do jornalismo, que serão trocados por outros com salários mais baixos. Um processo de enxugamento que não tem dia e nem hora para terminar, e não irá se limitar apenas a São Paulo. A grande preocupação, diante do processo instalado para redução dos custos operacionais, é que algumas dessas medidas possam vir a comprometer a qualidade dos seus trabalhos”.

No caso da RedeTV!, o cenário é ainda mais dramático. Hoje ela é mantida graças ao arrendamento ilegal do seu horário para programas religiosos. Em maio, o “pastor” R.R. Soares sinalizou que não pretende mais renovar o contrato com a empresa. O motivo alegado seria a já baixa audiência da emissora, que não compensaria os altos custos da locação. Em recente entrevista ao jornalista Mauricio Stycer, o picareta Marcelo de Carvalho, sócio e vice-presidente da RedeTV! – a quinta maior rede aberta do país – confirmou que “se não vender o horário para igreja, eu quebro”. Ele também aproveitou para criticar a Rede Globo, sem citar seu nome. “O Brasil é o único país do planeta Terra onde a emissora líder tem 34% de audiência e recebe entre 80% e 90% do dinheiro do mercado”. Metido a engraçadinho, ele confessou que não assiste aos programas de sua mulher, Luciana Gimenez. “O que gosto de ver na TV, à noite, são as séries da Netflix”.

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Posted: 19 Jun 2017 03:30 AM PDT
Por Altamiro Borges

Está marcada para a próxima terça-feira (20) a análise do pedido de prisão do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Os advogados de defesa do grão-tucano até tentaram duas manobras para evitar a desgraça. Eles pediram para adiar o julgamento e para remeter o caso ao plenário do Supremo Tribunal Federal, mas foram derrotados. O ministro Marco Aurélio Mello manteve a data e reafirmou que a histórica decisão caberá à Primeira Turma do STF, formada pelo próprio e pelos ministros Luiz Fux, Rosa Weber, Luís Roberto Barros e Alexandre de Moraes. A mídia venal, que fez campanha para o presidenciável do PSDB em 2014 e sempre o blindou, agora insinua que a sua prisão é quase certa.

O Estadão deste domingo (18) foi cruel: “Fechado em sua casa no Lago Sul, em Brasília, desde o dia 17 de maio, quando foi divulgado conteúdo do áudio que registrou o pedido de R$ 2 milhões ao empresário Joesley Batista sob o argumento de que precisava de dinheiro para custear sua defesa na Operação Lava Jato, o senador Aécio Neves tem dito a quem o visita que sua situação é ‘kafkiana’. Segundo aliados que estiveram com ele nos últimos dias, o tucano avalia que em condições normais de temperatura e pressão o pedido de prisão do procurador-geral Rodrigo Janot seria rejeitado. O senador avalia, porém, que no atual cenário tudo pode acontecer. Esse temor se cristalizou quando a Primeira Turma do STF manteve a prisão de sua irmã, Andrea Neves. Ao saber da decisão, Aécio se desesperou. O tucano não consegue conter o choro quando fala sobre Andrea”.

O jornal da oligarquia paulista confirma a versão ainda mais impiedosa da revista Veja, publicada no final de maio. “Desde o minuto em que soube das gravações [de Joesley Batista], Aécio alternou crises de choro, goles de uísque e conversas com advogados. Atendeu a poucas ligações e ignorou até mesmo telefonemas de assessores próximos. Recebeu em sua casa no Lago Sul apenas alguns senadores, como Tasso Jereissati (agora presidente interino do PSDB), e ministros de seu partido, como Aloysio Nunes. Aos que o visitaram, disse que seu único alento era o fato de a mulher, Letícia, e os filhos gêmeos não estarem em casa, no momento das buscas feitas pela Polícia Federal... Segundo os interlocutores do senador, sua principal angústia nesses dias era a prisão da irmã. Aécio mobilizou advogados e amigos em busca de um meio de libertá-la. No telefonema que deu ao ex-ministro do STF Carlos Velloso, chorou. ‘Ela é quase uma mãe para mim’, disse”.

A revista do esgoto ainda acrescentou no obituário intitulado “A queda de Aécio Neves”, assinado por Ana Clara Costa: “Trinta e um meses transcorreram entre o dia em que saiu consagrado com 51 milhões de votos da disputa perdida para Dilma Rousseff e a tarde em que, pela tela do ce­lular, enxergou o começo do seu fim. Ex-candidato à Presidência da República, governador de Minas duas vezes, ex-deputado federal e ex-secretário de Tancredo Neves, Aécio encerrou a pior semana de sua vida política na condição de senador afastado por ordem do STF, presidente de partido licenciado por seus pares, parlamentar ameaçado de ter o mandato cassado e cidadão impedido pela Justiça de deixar o país. Mais: teve o primo preso, viu a irmã sendo levada à cadeia e soube que ele próprio só não foi para trás das grades por obra e graça do sacrossanto foro privilegiado”.

Ameaças aos seus pares tucanos

Esta delicadíssima situação não significa que o velhaco tucano esteja apático e inerte, aguardando a ordem de prisão. Ele está em plena atividade. Como aponta a matéria do Estadão, “apesar de recluso, Aécio Neves tem se articulado em várias frentes para tentar impedir sua cassação no Senado, evitar a implosão completa de sua base política em Minas e reforçar sua defesa pública. Ele também tem atuado na vida partidária e foi um dos responsáveis pelo movimento que manteve o PSDB na base de Michel Temer, pelo menos por ora. Aécio também montou uma força-tarefa para impedir uma debandada de quadros do PSDB mineiro para outros partidos. O senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) e o deputado federal Marcos Pestana (PSDB-MG) assumiram a linha de frente do grupo que por mais de dez anos foi majoritário na política de Minas”.

A reportagem confirma que a decisão da cúpula do PSDB de manter o apoio à quadrilha de Michel Temer – apesar do enorme desgaste nas suas bases –, decorreu das articulações de bastidores do mineiro. E, pelo jeito, elas não foram nada civilizadas. Segundo a coluna de fofocas de Lauro Jardim, publicada no jornal O Globo deste sábado (18), o senador teria ameaçado abrir o bico sobre as sujeiras de vários dirigentes do partido. “Não foi só companheirismo que fez os tucanos agirem para proteger Aécio Neves. A mais de um correligionário, ele lembrou que tem excelente memória sobre os últimos 20 anos do partido e de pecados de diferentes tamanhos de seus mais ilustres integrantes”. A conferir como será o desfecho desta trágica história.

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Posted: 18 Jun 2017 04:53 PM PDT
Por Altamiro Borges

O “juizeco” Sergio Moro, chefão da midiática Operação Lava-Jato, já não está mais com esta bola toda. Nas últimas semanas, ele passou a ser duramente questionado por integrantes do Supremo Tribunal Federal – principalmente pelo ministro Gilmar Mendes, líder da bancada tucana no STF – e até por falsos moralistas da mídia udenista, que antes o bajulavam. Bem divertido acompanhar as postagens de Reinaldo Azevedo, o pitbull da Veja, que tem mordido os calcanhares do “juiz provinciano”. Sergio Moro é acusado de abuso de autoridade, de desprezo às leis e de exibicionismo, entre outras críticas. Além dos comentários ácidos, ele tem sofrido alguns reveses pontuais que fragilizam ainda mais a sua imagem de “justiceiro implacável”.

Segundo uma notinha postada na revista Época neste sábado (17), “o juiz Sergio Moro terá 15 dias para apresentar defesa em processo disciplinar que apura sua conduta na autorização da divulgação de áudios do ex-presidente Lula em março de 2016, entre eles o de uma conversa com a então presidente Dilma Rousseff. O corregedor nacional da Justiça, João Otávio Noronha, adiou o julgamento do processo para ouvir o juiz federal”. Na ocasião, o vazamento do áudio gerou protestos dos advogados de Lula e Dilma, mas nenhuma atitude foi tomada para coibir o flagrante abuso. Agora, porém, ele terá que apresentar a sua defesa em “processo disciplinar” e poderá até sofrer punições mais duras.

Já o Jornal do Brasil publicou na semana passada que o chefão da Lava-Jato finalmente ordenou a devolução dos tablets dos netos de Lula, que foram apreendidas de forma arbitrária e ridícula durante a condução coercitiva do líder petista em março do ano passado. “O magistrado atendeu apelo feito pelo ex-presidente durante depoimento sobre o caso triplex, em Curitiba (PR). Em despacho assinado no dia 19 de maio, Moro lembrou que Lula ‘reclamou’ da apreensão de aparelhos eletrônicos de seus netos e solicitou devolução diretamente ao juiz. Ele disse desconhecer o fato de que os pertences das crianças estavam em posse da PF e apontou que, se isso ocorreu, foi porque os agentes também não sabiam do conteúdo dos dispositivos”.

Em sua decisão, o patético Sergio Moro ainda afirmou: “Para evitar maiores delongas, deverá a autoridade policial informar se identificou, na apreensão, os referidos aparelhos pertencentes aos netos do investigado e, se positivo, para que promova a devolução mediante termo no prazo de 10 dias”. Como lembra em tom de ironia o JB, "a decisão ocorre mais de um ano e três meses após a ação de busca e apreensão em endereços ligados a Lula”. O jornal ainda registra a reclamação de Lula diante do juizeco. “Aliás, eu queria aproveitar, já que o senhor falou dessa coerção, e pedir que o senhor determine que a PF devolva os iPads dos meus netos. É uma vergonha o iPad do neto de 5 anos estar [apreendido] desde março do ano passado”. Será que os perigosos tabletes já foram devolvidos?

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Posted: 19 Jun 2017 08:54 AM PDT
Por Altamiro Borges

Não é para menos que Michel Temer é odiado pelos brasileiros, como apontam todas as pesquisas de opinião. Para cumprir o plano destrutivo da cloaca empresarial, que financiou o “golpe dos corruptos”, o usurpador esbanja crueldade contra os mais necessitados. Nesta sexta-feira (16), a Folha revelou que o covil golpista reduziu o seguro-desemprego para os trabalhadores exatamente no período de explosão das demissões no país. O número de beneficiados hoje é menor do que em 2014, quando teve início a atual crise econômica. Conforme aponta o jornal, “desde o começo da crise, foram fechadas 3 milhões de vagas com carteira assinada, segundo o Ministério do Trabalho, mas o número de segurados caiu em 1,3 milhão”.

A Folha tucana até tenta culpar a ex-presidenta Dilma Rousseff, que alterou as regras para solicitar o benefício. Ocorre que quando houve a mudança, em dezembro de 2014, a taxa de desemprego estava abaixo dos 7% da População Economicamente Ativa (PEA). Atualmente, este índice cruel já supera a casa dos 13,6%. Ou seja: quase o dobro de pessoas depende do seguro-desemprego para não morrer à mingua. O Judas Michel Temer não teve dó nem piedade destas vítimas e endureceu ainda mais as medidas de austeridade fiscal. Em 2014, o governo gastou o equivalente a R$ 39,9 bilhões com o pagamento de seguro-desemprego em valores corrigidos pela inflação. No ano passado, o covil golpista desembolsou R$ 35,8 bilhões.

A própria Folha atesta: “O problema é que o acesso ao seguro desemprego ficou mais difícil justamente no momento em que o número de desempregados atingiu o recorde de 14 milhões de pessoas, de acordo com o IBGE. Ou seja, o endurecimento das regras do programa contribuiu para deixar muitos trabalhadores sem recursos que poderiam ter sido dirigidos para o consumo, principal motor que faz a economia girar”. Ou seja: mais desemprego, menos seguro-desemprego, menos consumo e maior agravamento da crise econômica. Um ciclo vicioso que penaliza o trabalhador e destrói o Brasil. Em compensação, o Judas Michel Temer garante mais grana para os ricaços – o tal superávit primário – para os ricaços que financiaram o golpe.

Para Lúcia Garcia, coordenadora da pesquisa de emprego e desemprego do Departamento Intersindical de Estatística e Estudo Socioeconômicos (Dieese), a situação é dramática. “Em primeiro lugar, o seguro-desemprego é um cobertor muito seletivo e curto", afirma. Metade dos trabalhadores ocupados hoje não tem registro em carteira e, portanto, não têm acesso ao seguro. Além disso, o benefício dura por cinco meses, no máximo. Mas a crise aumentou o tempo em que o desempregado passa à procura de ocupação. Em São Paulo, desde abril de 2016 esse tempo aumentou de 34 para 42 semanas, segundo o Dieese. Ou seja, mais de dez meses. “Essa política não está em consonância com a realidade atual brasileira”, observa Lúcia Garcia.

O fim da “Farmácia Popular”

A crueldade do Judas Michel Temer não se expressa apenas neste item tão sensível aos desempregados. Ela está presente em várias outras áreas. Na semana passada, o covil golpista anunciou a extinção do programa “Farmácia Popular”, que já atendeu cerca de 43 milhões de brasileiros. Criado pelo ex-presidente Lula em junho de 2004, a iniciativa garantiu o acesso a 125 remédios oferecidos gratuitamente ou com desconto de 90% nos preços em uma rede própria de farmácias. Dois anos depois, o petista expandiu o programa, disponibilizando os medicamentos também em redes privadas conveniadas. Em mais um ato de desumanidade, no mês de aniversário de 13 anos do “Farmácia Popular”, o golpista Michel Temer anunciou a sua extinção. Desde janeiro, já tinham sido fechadas 111 das 533 unidades que forneciam remédios. O Judas é realmente um ser detestável!

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Posted: 18 Jun 2017 03:40 PM PDT
Por Luiza Romão, no site da Fundação Perseu Abramo:

Articule bem as próximas sílabas e deixe ecoar no espaço a seguinte frase: “Vou quebrar sua cara”. Escute a sonoridade de cada consoante, perceba a tônica e a contundência do verbo, reflita sobre o enunciado. De quem seria essa voz? Feito isso, tente imaginar em que contexto tal ameaça foi proferida. Seria uma cena de bang-bang? Uma frenética briga entre torcidas organizadas? Ou ainda o teaser do primeiro filme de Tarantino? Sem sombra de dúvidas, a fala evoca um contexto de tensão e violência bem distantes da dita e esperada civilidade.

Bom, frustrando a expectativa de grandes epopeias, devo admitir que tal pensamento não partiu da boca de Al Pacino, tão pouco de Don Corleone, mas sim do atual secretário de Cultura da cidade de São Paulo, André Sturm. A ocasião? Uma reunião com os agentes culturais de Ermelino Matarazzo.

Como mostra o áudio disponível no link [aqui], o foco do secretário era obrigar o coletivo local a assinar uma “parceria” com a Prefeitura. Depois de ser contestado pelos artistas, Sturm se descontrola e ameaça agredir um dos interlocutores, chegando a proferir absurdos como “não vou sujar minhas mãos” [com você].

Se isoladamente o episódio já ultrapassa os limites do aceitável, ao colocá-lo numa perspectiva histórica (considerando os últimos seis meses de gestão), a situação extrapola o admissível, configurando-se como uma violência a todos os trabalhadores da cultura.

Nessa e nas próximas colunas, tentaremos traçar uma cronologia das ações de sucateamento, corte de verba e abuso de poder praticados pela Secretaria de Cultura (na figura de André Sturm) e pela Prefeitura (liderada por João Doria), a fim de evidenciar o plano de gestão neoliberal posto em curso.

Primeiramente, o ano começou com um congelamento de 43,5% da verba destinadas a Cultura (197,4 milhões dos 453,3 milhões anuais), ficando atrás somente de Gestão Ambiental (que sofreu um congelamento de 44,5%). Utilizando-se da crise econômica como justificativa, a Prefeitura promoveu também reduções drásticas no orçamento de Saúde e Educação. Curiosamente, menos de um mês depois, João Doria abriu uma licitação, no valor de R$ 100 milhões anuais, para marketing e publicidade da Prefeitura (em TV’s, mídia impressa, internet, etc).

Como podemos perceber o discurso da crise é uma fachada perversa para escamotear as reais prioridades do “gestor”. A intenção não é construir uma cidade abrangente e igualitária, mas sim disputar o espetáculo, construir um imaginário tão grandioso quanto irreal. Não à toa, Doria recorreu ao cosplay, jogo juvenil que confunde o real com a ficção, para se apresentar à população; tal qual na brincadeira nerd, o prefeito constrói personagens de si, máscaras fantásticas e disfarces perigosos. O que vale não é a política urbana ou as condições de trabalho, mas sim o fascínio do novo figurino, o ilusionismo do show midiático.

É importante dizer que tal chave de espetacularização opera numa lógica completamente oposta à do fazer artístico (a qual preza pela dialética, por deslocamentos subjetivos e pela formação do pensamento crítico). As ofensivas contra os programas de formação, os editais públicos e os projetos de cultura não são gratuitas e/ou ocasionais; pelo contrário, revelam uma estrutura de pensamento e administração reducionista que exclui a complexidade da pesquisa estética, do enfrentamento de ideias e da elaboração intelectual, e tem como resultado a massivização da experiência e do imaginário social.

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